Gênero: Drama/Romance

Spoilers: Essa fic pode ter um ou vários spoilers seja do livro um, dois, três, quatro ou meio do quinto (haushaushaush). Eu não sei ainda aonde a minha imaginação vai me levar, no entanto estejam avisados desde logo, porque depois eu não quero gente reclamando comigo oká. E ela é uma fic slash/yaoi, então se você não curte, e nem se arrisca a por os olhos em tal espécie de texto, não o aconselho ir adiante.

Sumário: Finalmente Seth teve sua impressão. Mas... e se essa pessoa em questão não é exatamente quem ele esperava?

Disclaimer: Essa fic foi baseada na série de livros Twilght, cujos direitos autorais pertencem a Stephenie Meyer. Eu só peguei o gancho dela e criei uma história à parte, só por diversão e falta do que fazer num domingo à tarde. Os novos personagens e o que acontece com eles... Tudo meu! My precious...

SUNRISE

por Gê Black-Masen


Capítulo 7: Porque tudo é lícito se é por amor, certo?

Andreas A. Cullen

Era início da tarde e eu estava sentado na beira da praia, observando o mar. Nos últimos três dias eu fiquei a pensar no que aconteceu exatamente naquela noite. Eu, absorto no meu monólogo eterno, mergulhado em lembranças, simplesmente havia sido beijado por um garoto, ou melhor, um homem – eu tinha que reconhecer tal fato – que depois de me beijar e afirmar-se o "homem da minha vida", saiu correndo sem mais, desaparecendo pela mata, quando ouviu um rosnado latido vindo da loba cinza na orla na clareira. Desde então, não mais o vi. Para quem passou os últimos séculos praticamente intocado, sem que alguém sequer se aproximasse de si de uma maneira mais do que amigável, e mesmo assim quando o faziam, braços se recolhiam mais que rapidamente de espanto sempre que tocavam a sua pele, ser beijado é como perder a virgindade. E verdade seja dita, eu nunca fui tocado de uma maneira mais íntima, sexualmente falando. Sem rodeios, eu ainda era virgem. Ser vampiro tem suas armadilhas, e ser perigosamente atraente faz parte da armadilha máxima para as presas, mas eu queria alguém que não visse o charme do vampiro e sim os atrativos do Andreas. Está aí a razão, se você quisesse uma, para ser virgem por mais de 300 anos! Maldito complexo de donzela!

Cortando meus devaneios pueris, um dos lobos veio me chamar, dizendo-me que Jasper me esperava às margens da reserva para que eu me juntasse aos Cullens. Quando o encontrei ao fim da corrida com o lobo, ele não me parecia muito calmo, como sempre, mas preocupado, e limitou-se a dizer-me somente um "Siga-me, não temos muito tempo. Carlisle vai te contar tudo quando chegarmos em casa".

Correndo o mais rápido que podíamos, alcançamos a casa de Carlisle em menos de cinco minutos, onde todos estavam na sala, apreensivos e organizados em um semicírculo como se estivessem em vigília ou velando alguém invisível.

"Andreas, que bom que veio!", disse Carlisle abraçando-me.

"Carlisle, é bom te ver também, é bom ver todos vocês!" Me dirigi a ele e depois a todos na sala. "O que aconteceu por aqui, exatamente?! Eu sou um leitor de auras pessoal, e as auras de todos estão cinza, a sua tem até um alo negro, e pelo que me vende esta cena, acho que seja uma bomba das grandes. Pode atirar!"

"Eu sei que não tem como esconder nada de você Andreas, então eu vou direto ao assunto." Alice disse sem delongas, "Bella e Edward estão voltando."

"Bendita Hera! Por que essas caras então? Aconteceu algo com eles?"

"Não exatamente... Ao que parece, Bella está... grávida do Edward." Ela finalizou.

"Grávida? Do Edward?!... Grávida do Edward..."

"É, G-R-Á-V-I-D-A." Emmet soletrou para mim.

"Eu ouvi perfeitamente, Emmet. Obrigado, mas não sou surdo, só demorei a processar! Carlisle, isso é possível?"

"Ao que parece, os vampiros não podem conceber filhos entre si, porque estamos congelados nesta forma para sempre e as mulheres precisam mudar seus corpos para comportar uma gestação, desde a manutenção de um ciclo menstrual às mudanças mais aparentes, como os crescimento dos seios e a amamentação. As mulheres de nossa espécie não realizam mais tais mudanças, a partir da transformação. Mas os homens aparentemente, sim. Como não carecem mudar para se reproduzir, permanecem produzindo sementes e no caso do Edward, cuja esposa não é uma de nós ainda, é perfeitamente plausível, nem por isso mais crível, que ela possa conceber um filho de um vampiro. Contudo, como nunca vi algo semelhante, não sei exatamente como proceder. Você saberia de algo que possa nos ajudar?! Já ouviu falar de evento semelhante? És tão antigo quanto eu, então deve ter ouvido algo sobre." Carlisle me fitou, esperançoso.

"Houvera, há alguns séculos atrás, boatos entre os árabes acerca de mulheres que desapareciam de seus leitos à noite, e surgiam dias depois feridas, ensangüentadas e marcadas com mordidas, em sarjetas ou atiradas às dunas; quando sobreviviam, as vítimas diziam não se lembrar de nada do ocorrido além de uma voz de homem e uma sombra que as envolvia. Alguns meses depois dos eventos, descobriam-se grávidas. Como na cultura deles, o estupro é punível para as mulheres que não provarem a veracidade do crime apresentando, no mínimo, quatro testemunhas – entenda-se, quatro homens – com chibatadas em público e até com a morte, seja por ter mantido relação sexual antes do casamento ou mesmo 'caído' em adultério, elas diziam ter sido possuídas por um demônio. Acreditava-se à época que fosse o que hoje conhecemos como os 'incubus', muito presentes na mitologia européia. Descobriu-se depois não passar mesmo de uma onda de estupro, praticados com uma seita árabe extremista daquele tempo. Mas chegou ao conhecimento dos nômades europeus que ocasionalmente percorriam aquelas terras, que dentre aquelas mulheres, uma de nome Haaba teria mesmo sido fecundada por um vampiro errante. Como a mulher nunca houvera sido encontrada, tampouco se soube mais coisa alguma a seu respeito, nunca deixou tratar-se sua existência de um boato."

"Outro caso que tomei conhecimento foi de uma jovem feirante eslava que fora mordida enquanto ainda estava grávida. Como as dores da conversão são excruciantes, ela agonizou por dias, e no transcorrer do processo, acabou abortando. Por isso perguntei-lhe se isso era verdadeiramente possível já que nunca antes havia encontrado um vampiro que fosse médico de mortais, como você."

"Esta jovem sobreviveu à conversão?" Perguntou Carlisle, curioso.

"Sim, sobreviveu. A própria me relatou o ocorrido quando se mudara para o sul da França no início do século passado. Como nós, hoje se alimenta do sangue de animais. Contou-me que quando voltou para casa, depois de dias de dor, cega pela sede,não conseguiu controlar-se e matou sua família inteira, seu marido incluso. Sozinha, rebelou-se contra seu criador, o destruiu e afastou-se – segundo o que ela mesmo conta – da 'selvageria do demônio' nunca mais pondo sangue humano em seus lábios. Mas ainda lembra-se com pesar do filho que perdeu quando se tornou vampira." Respondi.

"Quanto tempo durou a conversão dela? Ela chegou a lhe dizer algo mais a respeito?"

"Disse que durou aproximadamente 07 dias, pois se lembra vagamente de alguém dizer em sua casa, quando retornou, que já estava desaparecida há uma semana."

"E quando ocorreu o abortamento?"

"Ela não soube dizer ao certo, pois alternava momentos conscientes com desmaios ocasionados pela dor. Só lembrara-se de encontrar um pacote enegrecido entre suas pernas quando tudo terminou, e descobrir depois tratar-se aquilo do filho que esperava. Por quê?"

"Minha teoria é que o veneno, uma vez que primeiro percorre os vasos sanguíneos, tenha congelado toda a malha capilar, forçando uma hipertensão, um aumento da pressão arterial. Isso provavelmente desencadeou um descolamento prematuro da placenta e o feto morreu por não receber mais o oxigênio do sangue da mãe. Como o veneno então força o congelamento do corpo no seu status natural, o útero foi forçado a expelir então o aborto. Para a conversão durar sete dias, a dose inicial de veneno deve ter sido muito pequena. Muito provável é que o feto não tenha nem entrado em contato com ele, devido à barreira que a placenta constitui. Se minhas suposições estiverem certas, e eu espero que estejam, e aqui uso o que sei de medicina baseada em evidências, se não forem adversárias as condições, temos que levar a gestação de Bella o mais longe que seu corpo permitir, se ela assim o desejar, nos dando a oportunidade de salvarmos o feto – terminando seu desenvolvimento na incubadora, se assim precisar – e à Bella, enfim convertendo-a."

Todos se olharam atônitos pela simples idéia de converter Bella e quebrar o acordo com os quileutes ou mesmo de compartilhar tal idéia com Edward, sabidamente contrário a iniciativa. Alice foi a primeira a falar. "Não é como se já não soubéssemos desde o início onde isso ia terminar! Bella quer isso. E se realmente acontecer o que Carlisle está presumindo – eu não posso afirmar nada com certeza porque o futuro dela vive mudando – não estaremos matando a Bella! Estaremos a salvando! Eles vão ter que entender isso."

"Pelo que entendi Alice, estaríamos salvando de algo que nós mesmos causamos a ela, neste caso, Edward causou, isto é, a gravidez. Logo, se esta não existisse, também não existiria a razão que justificaria a conversão. Acho que isso é suficiente para incitar um ataque por parte deles." Pontuei completamente alheio, a princípio, à careta que ela me lançou em resposta. Tratei logo de me defender. "Por outro lado, tudo isso é novo, até para nós! Nunca antes se supôs que algo semelhante pudesse acontecer. Ambos, Edward e Bella, são completamente inocentes, devido à clara ignorância das possíveis consequências de seus atos que, diga-se de passagem, são necessários para convalidar um casamento. A primeira relação sexual é o que sela um matrimônio. Sem ela, um casamento pode ser anulado. É o que diz a lei. Eles agora são um casal. Sem faltar com o respeito, mas quem iria dizer para um vampiro usar camisinha em uma situação dessas? Nem sabia que podíamos nos reproduzir assim!".

Claro que, contrariando a seriedade que a situação pedia, Emmet riu da piada imprópria, mas tão logo surgiu um sorriso em sua face, ele desapareceu. O ar dentro da casa era um blend de ansiedade, agonia, frustração e pesar.

"Acho que a conduta mais sensata é esperar para examinar, cautelosamente, Bella depois que ela chegar, antes de tomarmos qualquer decisão precipitada..." Uma sombra passou pelos olhos de Carlisle, enquanto o segundo alo de sua aura tremulou. O silêncio que se seguiu só foi cortado pelo toque de chamada de um celular. Rosalie o atendeu enquanto já saia em direção à cozinha.

## - ##

Dois dias depois, quando Bella e Edward já haviam chegado, e ela fora exaustivamente examinada por Carlisle, ela enfim resolveu que era hora de avisar Charlie. Depois que todos, como em assembléia, decidiram o que era melhor a se fazer dali a diante, com a vontade de Bella prevalecendo, claro, definiu-se que, pelo desenrolar dos fatos ser um tanto incerto, até mesmo para Alice, Charlie deveria ser logo preparado para uma eventual morte da única filha por uma "rara doença da America do Sul".

As feições de Bella não eram das melhores: não havia vitalidade em seu corpo, a cor havia lhe abandonado, lançando-lhe grossas olheiras, uma magreza ligeiramente anoréxica, uma palidez que só perdia para a nossa e uma fraqueza muscular sem precedentes. Em suma, Bella resumia-se ao volume que carregava no ventre. Edward era o retrato da agonia e da impotência e o restante de nós, espectadores daquele espetáculo sádico. Todos queríamos pôr fim ao sofrimento de Bella, menos a própria. Rosalie, tão logo Bella adentrou a casa quando retornou, apresentou-se como legítima guarda-caça, afastando qualquer possibilidade de uma "agressão" física vinda de Edward ou qualquer um ali. Eu havia decidido respeitar o que Bella decidisse, e também porque pude ver, assim que pousei os olhos no pequeno volume proeminente em seu abdome, que o que quer que ali crescesse, não ofereceria mal algum. Havia uma tênue luminescência dourada e quente, mas também havia um toque de azul turquesa, e as vibrações que eu sentia, não me incitaram à defesa e sim proteção àquele pequeno ser. Edward, lendo meus pensamentos, podia ver o que eu vi, mas nem isso amenizou seu coração.

"Espere, tudo ficou escuro, não consigo mais ver o futuro de Bella. Os lobos estão perto demais." Alarmou-se Alice.

"Perto não, mas aqui. A frente da casa, para ser mais exato." Disse.

"Jacob." Disse Edward, simplesmente.

"Jacob? Aqui? Onde ele está? Quero vê-lo." Falou fracamente Bella, em uma frustrada tentativa de se levantar do sofá.

"Mas Bella..." Iniciou Alice.

"Não Alice, se Jake está aqui eu quero vê-lo, preciso vê-lo, o deixem entrar." Cortou Bella.

Como a minha malha mental está sempre aberta em um perímetro pequeno onde quer que eu esteja, garantindo que eu nunca seja alvo de surpresas, eu já havia sentido a presença do intruso tão logo uma moto tenha entrado nos arredores da casa. O envolvi na trama, só por precaução, e se ele tentasse fazer gracinha alguma, eu o imobilizaria e o resto seria história.

"Entre, por favor, Jacob." Bella disse mais alto quando a porta foi aberta.

Os olhos de Carlisle se apertaram.

"Com licença," disse o homem para Carlisle enquanto entrava.

Ele entrou na casa, mantendo as costas para parede. Seus olhos percorreram a sala, como em análise do terreno hostil. Deteve-se em Edward por um curto momento e então seguiu o olhar para Bella, como se só então a tivesse notado ali. Sua aura havia variado 4 vezes desde que havia adentrado a casa: primeiro era um vermelho enegrecido da cólera, depois clareou para um breve cinza de receio e cautela, depois mudou para o amarelo de... pena? Por último suavizou para um azul do que pareceu, pela careta que fez, com alívio.

Bella estava meio escondida pelo braço do sofá, em uma posição fetal, seus braços ao redor de seus joelhos, com Rosalie ao seu lado.

Rosalie pegou uma bacia do chão e colocou embaixo do queixo de Bella bem a tempo dela vomitar lá dentro. Edward ficou de joelhos o lado de Bella e Rosalie segurou a mão dela, alertando-o pra ficar longe.

Quando ela pôde levantar a cabeça, Bella sorriu fraca pra ele, meio constrangida.

"Desculpe por isso," ela sussurrou pra ele.

Edward grunhiu quieto. A cabeça dele encostou-se aos joelhos de Bella, e ela colocou uma das mãos em sua bochecha. Como se estivesse confortando ele. Ante a repentina aproximação do rapaz, Rosalie bufou, de repente aparecendo entre o sofá e ele.

"Rose, não," Bella sussurrou. "Está tudo bem."

Ela deu passagem ao rapaz, em claro contragosto, e fazendo cara feia pra ele, ela agachou-se perto de Bella, pronta pra pular.

"Bella, o que há de errado?" Ele sussurrou. Ele então ficou de joelhos também, caindo sobre o sofá preto em frente a Edward. Ele alcançou a mão livre dela, a segurando com as suas duas. "Você está bem?"

Ela não respondeu.

"Eu estou feliz que você tenha vindo me ver hoje, Jacob," ela disse.

Edward gemeu de novo em resposta, no cobertor que a cobria, e ela acariciou sua bochecha.

"O que é isso, Bella?" Ele insistiu, segurando firme suas frágeis mãos.

Ao invés de responder, ela olhou pelo cômodo como se estivesse procurando alguma coisa, em seu olhar insegurança e certeza. Sete pares de olhos ansiosos olharam pra ela. Ela finalmente disse pra Rosalie.

"Me ajude a levantar, Rose?" Ela pediu.

Rosalie mordeu os lábios, e ela olhou para Jacob como se quisesse destroçá-lo ali mesmo. Eu tinha certeza que era exatamente isso que ela queria.

"Por favor, Rose." Rosalie fez uma cara, mas foi até ela de novo, perto de Edward, que não se moveu sequer uma polegada. Ela pôs os braços cuidadosamente embaixo dos ombros de Bella.

"Não," ele sussurrou. "Não se levante..." Ela parecia muito fraca. Ela ESTAVA muito fraca.

"Estou respondendo à sua pergunta," ela retrucou, tentando fazer sua voz soar normal.

Rosalie tirou Bella do sofá. O cobertor caiu aos seus pés expondo seu ventre inchado, que ela abraçou, aninhando seu pequeno. Jacob, que é como chamavam o jovem moreno e forte que estava cravado em frente à Bella, pareceu perceber enfim o que aquilo significava e perceber todo o quadro estampado ali na sua frente. Alguma coisa passara então pela cabeça dele que não agradou Edward que, em um segundo estava de pé, altivo pra cima do outro. Seus olhos estavam bem negros, os círculos em torno deles bem escuros, resultado de dias sem obedecer à sede e caçar.

"Lá fora, Jacob," ele rosnou.

Jacob se levantou também. "Vamos fazer isso," o outro disse.

Emmet empurrou Edward para o outro lado, com Jasper logo atrás dele. Jacob talvez não soubesse, mas sua liberdade de movimentos seria bruscamente interrompida se a discussão esquentasse mais do que o suficiente. Ele parou, em aparente avaliação dos riscos e medindo os potenciais oponentes na sala. Percebi que não seria como os outros dois lobos que imobilizei na floresta no dia em que cheguei à Forks: Jacob era forte o suficiente para demandar minha concentração e foco completo sobre ele e só para ele. Seria como levitar sozinho novamente aquela baleia.

"Não," Bella disse, e ela se moveu, desequilibrou-se, caindo nos braços de Edward. Rosalie se moveu com ela, como se tivesse uma corrente prendendo uma à outra.

"Eu só preciso falar com ele, Bella," Edward disse com a voz baixa, falando apenas com ela. Ele esticou-se para tocar seu rosto, para acariciá-lo. "Não se desgaste," ele suplicava. "Por favor, descanse. Nós estaremos de volta em alguns minutos." Ela olhou pra ele, cuidadosamente. Então ela concordou e sentou-se novamente no sofá.

Rosalie ajudou a se ajeitar nas almofadas.

"Comportem-se," Bella insistiu. "E então, voltem."

Ambos então dirigiram-se a porta, abandonando a casa. Assim que saíram, Bella dirigiu-se a mim e disse, "Andreas, por precaução, evite que os dois se matem, está bem?!", piscou, sorrindo fracamente.

"Certamente, Bella. Não se preocupe." Respondi sorrindo. Ela não precisava ter pedido: eu já tinha ampliado a trama psicocinética até onde eles estivessem, desde que não muito distante, e tinha pensado nisso claramente, para que Edward ouvisse e visse que não estava caminhando sozinho para um eventual ataque. Eu só esperava que se eu não conseguisse imobilizar Jacob daquela distância, pudesse ao menos feri-lo, oferecendo menor resistência ou mesmo retardá-lo.

Definitivamente precisava treinar e por a prova minhas habilidades diante destes novos desafios de Forks. Nunca tinha tentado feitos como os dos últimos meses, levitar uma baleia inclusive, o que dirá prender habilmente um lobisomem do porte de Jacob, ou mesmo um lobisomem qualquer, por isso precisava com urgência aprimorar meus "músculos mentais". É melhor ter para quando precisar, do que quando precisar, não ter, não é verdade?!

A conversa entre os dois correu sem grandes comemorativos, nenhum início de ataque ou mesmo exaltação, e quando eles retornaram, Jacob quis conversar com Bella e Edward pediu que déssemos privacidade aos dois. Independente do conteúdo da conversa, Jacob passou por mim no caminho para a porta, sem sequer me notar ali em frente ao grande vitral da ante-sala, e tão logo estava fora da casa, começou a despir-se e correr em direção a floresta. Embora eu tentasse ardentemente me segurar para não pensar que ver um homem como ele, nu, correndo entre as árvores era um espetáculo a parte, Edward, no andar de cima, certamente já estava ciente de minhas constatações. Malditos devaneios pecaminosos.

A tarde se seguiu e Bella não apresentou nenhuma melhora significativa, pelo contrário, seu estado clínico só decaía e era visível o quão Carlisle já estava "cansado", tentando encontrar uma forma de reverter aquele quadro. Certo era que estávamos em terreno desconhecido e de mãos atadas. Bella não respondia nem à administração de dieta via endovenosa. Se assim continuasse, não existiam maiores expectativas para ela. E o crescimento do feto era realmente surpreendente, pois até ali, em questão de dias, a gestação evoluiu como se quase dois trimestres já tivessem se esgotado e seu ventre já se apresentava típico para uns seis meses de uma gestação humana normal. A aura do pequeno estava mais vívida e forte, e para mim, a barriga de Bella brilhava como um grande farol. Carlisle já havia tentado examiná-lo por ultrassonografia, mas sem sucesso, pois a bolsa constituía um revestimento acústico intransponível, impedindo o aparelho de formar qualquer imagem do feto. Tentei, junto com Carlisle, convencer Rosalie de que poderíamos ter uma idéia do estado do dele se retirássemos uma pequena porção de líquido amniótico, mas ela manteve-se firme em sua contrariedade. Só nos restava esperar.

Quando então o sol se pôs e a noite se anunciou, sons fracos de uivos puderam se ouvidos à oeste da casa e assim que um dos lobos cruzou os limites da minha malha, avisei a Carlisle e Edward que tínhamos companhia novamente. Foi quando Edward alcançou os pensamentos de Jacob. Detectei outro lobo correndo rápido atrás do primeiro, e assim que alertei da presença de um segundo, Emmett e Jasper, que ouviam tudo do andar de cima, estavam ao nosso lado, prontos.

"Onde eles estão agora? Ainda muito longe daqui?" Jasper perguntou.

"Não, já estão aqui." Edward e eu falamos em uníssono.

Estávamos na varanda quando avistamos os dois lobos saírem por entre as árvores rumo à clareira do jardim.

"Jacob? Seth? O que está acontecendo?" Edward se pronunciou para o lobo marrom, o maior.

Ficaram ambos em silêncio por alguns segundos, então Edward rosnou furiosamente e saiu da varanda.

"Eles querem matar Bella?" Ele rugiu simplesmente.

Emmett, Jasper e eu, sem ter ouvido a primeira parte da conversa, tomamos a pergunta ríspida dele como um fato. Em um flash, estávamos ao lado dele, dentes expostos enquanto nos movíamos para os lobos. O lobo cor de areia, Seth, que até parecia maior do que eu lembrava, retrocedeu alguns passos, ganindo. Aquele cheiro de cachorro molhado mascarava qualquer odor de sentimento, por isso não notei de cara que não havia raiva no ar, não vindo dos lobos, pelo menos. E ler as auras desses lobisomens era como precisar subitamente saber ler braile sem ser cego! Tudo era diferente. E eu esqueci completamente, movido pelo instinto de proteção, que Seth era o homem que havia me beijado semanas antes; se ele veio atacar Bella e o pequeno, precisava ser detido, não importava quem fosse.

"Em, Jazz, Andy – não eles! Os outros. O bando está vindo."

Nós três paramos imediatamente; Emmett e eu nos viramos para Edward enquanto Jasper mantinha a guarda alta, com os olhos grudados neles. A malha também ativa se eu precisasse.

"Qual o problema deles?" Emmett quis saber.

Edward e o lobo maior mantiveram um diálogo mudo de olhares por mais um tempo, cortados pontualmente por Edward com um "Eu acho que nisso você está certo"... "Certo."... "Eu sei. Eu nunca acreditei que ela ouviria. Mas..."... "Pior", ele respirou por fim. Alice, que tinha então se juntado a nos, e eu supomos que estavam então falando do estado de Bella.

"Jacob, você se importaria em se transformar?" Alice pediu. "Eu quero saber o que está acontecendo."

O lobo maior balançou a cabeça ao mesmo tempo em que Edward respondeu.

"Ele precisa manter contato com Seth."

"Bem, então será que você podia fazer a gentileza de me contar o que está acontecendo?"

Ele explicou em frases curtas, sem emoção. "O bando acha que Bella se tornou um problema. Eles vêem problemas futuros no... no que ela está carregando. Eles sentem que é seu dever remover o perigo. Jacob e Seth debandaram do bando pra nos avisar. O resto está planejando um ataque esta noite."

Alice rosnou, se afastando de Jacob. Emmett, Jasper e eu trocamos um olhar, e três pares de olhos procuraram entre as árvores.

"Carlisle e Esme estão chegando." Emmett disse. "Vinte minutos no máximo."

"Devíamos tomar uma posição defensiva", Jasper disse e, acrescentou, voltando-se para mim, com um leve aceno de cabeça, "Andreas..." Ele não precisava dizer mais nada. Eu estendi os braços e concentrei-me ao máximo, enviando uma nova onda de energia e ampliando o perímetro da malha o mais distante que pude, e a dividi em dois círculos, o mais externo para detecção e o mais interno, ao redor da casa, para funcionar como cerca. Se eu os detectasse na linha mais externa, não seríamos surpreendidos, e a barreira física da segunda os impediria de alcançar-nos no interior da construção, pelo menos enquanto eu agüentasse o ataque contra a própria barreira e estivesse vivo. Enquanto eu estivesse inteiro, coisa alguma colocaria os pés naquela casa: faria de tudo para proteger Bella e o seu pequeno.

Edward, ciente do meu compromisso não-verbal com a proteção de Bella e todos ali, balançou a cabeça, em sinal de compreensão. "Vamos para dentro."

Os lobos, com uma despedida muda para Edward, saíram correndo em direção à floresta. Meus olhos seguiram o lobo areia até o fim da clareira, quando ele também, brevemente, respondeu com o olhar. Se eles estavam ali por nós, desertaram de sua alcatéia, trocando instintos por seus valores morais, eles não eram tão ruins quanto eu imaginei a princípio. Talvez merecessem um pequeno depósito de fé. E fé é dar um passo sem saber se há de fato chão, simplesmente por acreditar que ele está lá. Não se passou muito e logo Carlisle e Esme chegaram.

Se dependesse unicamente de nossa proteção, Bella poderia descansar essa noite.


Observação da Autora: As partes contidas neste capítulo e que foram grifadas em negrito, algumas frases para ser exata, foram retiradas na íntegra (ou adaptadas) do livro Amanhecer da Saga Crepúsculo (autoria de Stephenie Meyer, versão brasileira Editora Intrínseca). Como sabiamente já prediz o disclaimer, isso não é caracterizado como plágio, principalmente se eu citar a fonte. (Eventuais dúvidas, leiam a Lei de direitos Autorais!).

Nota da autora: Olá, pessoas lindas! Desculpe no atraso da postagem deste capítulo, mas as coisas andam meio corridas. Vocês podem ter notado que cada vez mais o nosso protagonista está sendo inserido na vida cotidiana vampiresca de Forks e todos os seus perrengues inerentes. No capítulo que vem, Andy e Seth terão a sua tão aguardada "conversa séria" para esclarecer certos fatos, que serão estapeados na cara dos nossos caros leitores no momento do (#spoiler para quem não leu o livro) quase ataque dos lobos aos Cullens (#fim do spoiler). Como eu constatei, e uma amiga me jogou isso na cara também, quando eu narro os POVs do Seth, fica uma coisa pra lá de forçada. Talvez porque eu não tenho mais idade nem cabeça para tanto (eu tenho a mente velha como a do Andy, por isso a escrita formal). Logo, estou pensando em abrir uma chamada pública para indicar um(a) coautor(a), que se encarregue de traduzir Seth em palavras. Acho que é uma coisa que eu deveria ter feito há tempos... Portanto, se você estiver interessado(a) em escrever a ffic comigo e aguentar, no pacote, uma jovem com alma de velha ranzinza como eu (brincadeira!), apresente-se por PM ou pelos reviews: as instruções do processo serão fornecidas posteriormente. Eu sei que alguns devem achar que eu sou doida por gostar de alguns shippers beeem fanon cult, mas acredito não estar sozinha neste mundo; só fui uma das poucas primeiras que traduziram em português seus devaneios românticos slash com o Seth. rsrs Como eu disse, como estou sem beta no momento, peço desculpas por eventuais erros no texto e não, não abro a vaga de beta para ninguém, em respeito a minha beta best friend 4eva nathsnape que está livre para voltar quando quiser. Bêjo âmika. É isso, espero que estejam gostando de ler tanto quanto eu estou gostando de escrever essa história.Vou parar de tagarelar. Até... Bjos!

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