Gênero: Drama/Romance
Spoilers: Essa fic pode ter um ou vários spoilers seja do livro um, dois, três, quatro ou meio do quinto (haushaushaush). Eu não sei ainda aonde a minha imaginação vai me levar, no entanto estejam avisados desde logo, porque depois eu não quero gente reclamando comigo oká. E ela é uma fic slash/yaoi, então se você não curte, e nem se arrisca a por os olhos em tal espécie de texto, não o aconselho ir adiante.
Sumário: Finalmente Seth teve sua impressão. Mas... e se essa pessoa em questão não é exatamente quem ele esperava?
Disclaimer: Essa fic foi baseada na série de livros Twilght, cujos direitos autorais pertencem a Stephenie Meyer. Eu só peguei o gancho dela e criei uma história à parte, só por diversão e falta do que fazer num domingo à tarde. Os novos personagens e o que acontece com eles... Tudo meu! My precious...
SUNRISE
por Gê Black-Masen
Capítulo 8: Pondo pingos nos is.
Andreas A. Cullen
Depois de pouco mais de 300 anos de vida, poucas coisas passam a te surpreender. Na verdade, eu podia apostar que não havia mais nada que me surpreendesse neste mundo. Aqueles próximos dias serviriam para provar o quanto eu estava errado. Passamos o início da noite em uma vigília muda, com todos na casa preocupados com o estado cada vez mais caquético de Bella e seu futuro decaidamente incerto. Eu não era médico, mas o conhecimento que tinha de fisiologia animal me dava claras pistas de que as coisas iam de mal a pior com nossa protegida: a respiração cada vez mais entrecortada e a frequência cardíaca célere contrastavam com a palidez de sua pele e seus ossos aparentes; o sangue parecia não mais preencher seus vasos. A criança em seu ventre parecia decidida a não se importar, pois os chutes se tornaram cada vez mais fortes e frequentes. Todos os nossos sentidos estavam ligados em seu extremo e poderíamos talvez escutar uma agulha caindo a quilômetros da casa se quiséssemos, eu poderia até senti-la caindo! Minhas defesas mentais estavam erguidas há tanto tempo que não mais me importava em interagir com os demais, tratando de me preocupar unicamente em manter firmes as divisas do nosso "forte"; tanto que quando Alice veio perguntar o porquê de eu estar tão quieto na varanda do segundo andar, encontrou-me em posição de meditação, aparentemente alheio a todo resto. Aparentemente. Quando um uivo cortou o ar – o sinal de alerta de Jacob – me pus sobre meus pés tão rápido quanto já estava na cozinha, com os outros, os músculos tesos em antecipação ao ataque e com uma segunda onda psíquica a caminho para reforçar a primeira divisa. Edward foi até a janela e, após o que pareceu um curto diálogo mudo com os lobos lá fora, voltou dizendo que houvera sido um alarme falso e tudo não havia passado de um descuido de Seth.
A sequência cada vez mais negativa dos fatos recentes sequestrou-me totalmente do mundo real, das minhas próprias divagações; as prioridades eram outras e se chamavam Bella e o iminente ataque de uma matilha raivosa. Quando Edward mencionou o nome de Seth, não pude deixar de pensar que o mesmo homem que havia me beijado dias antes, com paixão nada contida, estava lá fora agora arriscando sua pele pela manutenção da vida de uma humana que carregava o "perigo do mundo Quileute" no ventre. Imaginei que antíteses, ironias e contrassensos fossem especialidades dos vampiros, mas pelo visto lobos também guardam surpresas. Lembrei-me da hesitação que o lobo de pelagem enferrujada demonstrou antes de entrar na floresta mais cedo e me perguntei seus motivos. Minhas perguntas silentes seriam em breve respondidas.
Algumas horas mais tarde, quando o sol já brilhava alardeando um novo dia, desafiando a manutenção daquele clima tenso na casa, uivos romperam o ar e novamente o estado de alerta estava no máximo. Eu senti a presença de um novo lobo aproximando-se dos limites do meu círculo externo e ainda que fosse só ele, certamente que dali não passaria. Jacob e Seth o alcançaram e a julgar pela ausência de lutas e demonstrações mais bruscas de animosidade, a situação estava contida e sob controle. Tão logo eu havia detalhado o acontecido ao clã, Seth aproximou-se da casa em sua forma humana, chamando por Edward, que saiu ao seu encontro.
"Andreas", Edward chamou do lado de fora, depois de algum tempo. Em um passo desci da varanda, posto que havia reassumido, de volta ao seu lado.
"Sim, Edward? Olá, Seth!" Cumprimentei o outro em um sorriso simples e polido. Mostrar uma fileira inteira de dentes parecia não só destoar com a instabilidade da situação, em gritante falta de tato, como passaria uma imagem errada de mim mesmo. E as feições de Edward não eram das melhores.
"O outro lobo, ou melhor, loba, é Leah. Aparentemente ela também abandonou o bando de Sam e se juntou a Jacob. Seth veio nos deixar a par das novidades e também quer falar com você. Somente com você. Acredito que seja apropriado deixá-los a sós." Terminou ele, já fechando a porta atrás de si. Me virei para Seth, aguardando.
"Sim, Seth, sou todo ouvidos."
"Andreas, eh... eu sei que... ah... então... você... ah..." Ele gaguejou, ruborizado, esfregando os nós dos dedos. Eu confesso que a imagem dele encabulado e só de bermuda ali na minha frente era impagável.
"Sim, então eu...?!"
"Eu não vou conseguir falar agora. Não com essa coisa toda do ataque." Ele disse somente.
"Mas é urgente? O quê de tão importante você queira falar comigo, que demanda que seja a sós e no fim não tem coragem para falar porque a situação não permite? Você certamente não vai me culpar se eu lhe disser que estou ligeiramente confuso."
"É, eu sei!" ele disse subitamente esfregando a base do nariz em uma atitude madura demais para seus traços. "Eu sei também que te devo uma explicação pra aquela coisa toda do beijo e tals, é que... cara, eu... ah... não sei o que acontece comigo quando eu fico perto de você." Ele finalizou, numa mescla de confusão ao coçar a nuca, exasperado, e com toda a sinceridade que o queixo erguido de forma decidida tentava exprimir.
Eu pisquei, surpreso pela franqueza. Depois do que pareceu um pequeno atraso de minhas sinapses para processar a cena, "Percebi que objetividade não é o seu forte. E sim, você me deve explicações acerca daquele beijo. As lembranças de meu primeiro e último beijo antes daquele não são as melhores. Basta que saiba que quando eu me dei conta, já era o ser que sou hoje. Então me perdoe se me faltar o tato, mas is precisam ser pingados aqui. Por que você está aqui?" Eu perguntei, em visível impaciência.
"Eu prometo te explicar tudinho. Mesmo. Mas não agora, ok? Eu não estou aqui pela Bella, não só por ela pelo menos, mas por você também. Ok? Se cuida, Andy". E ele já era lobo novamente, desaparecendo entre as árvores, me deixando lá estatelado, digerindo aquele "por você também... Andy".
Não demorou muito e Jacob veio até a casa, querendo saber como estava Bella e todo o resto. Carlisle o recebeu a porta e ambos conversaram lá fora por um tempo. Não dava simplesmente para ignorar a sensação de impotência transparecida em cada palavra de Carlisle.
"Eu gostaria de poder ter uma idéia melhor do que isso exatamente é - Carlisle murmurou. O feto é bem protegido. Eu não consegui produzir uma imagem de ultrassom. Duvido que exista algum jeito de enfiar uma agulha pela bolsa amniótica, mas Rosalie não concordará em me deixar tentar, de forma alguma."
"Uma agulha? - Jacob resmungou. Que bem isso faria?"
"Quanto mais eu sabesse sobre o feto, melhor eu conseguiria estimar do que ele seria capaz de fazer. O que eu não daria por um pouco de líquido amniótico. Se eu soubesse, até mesmo os cromossomos contam..."
"Você está me perdendo, Doutor. Você pode explicar isso?" Carlisle riu.
Carlisle explicou que nós, vampiros temos 25 pares de cromossomos, enquanto que humanos têm somente 23 pares, por isso ele nunca pensou que a procriação entre espécies pudesse ser uma possibilidade real. Eu nunca pensei que fosse sequer virtual. Ele ainda explicou que os lobos têm 24 pares de cromossomos, e aquilo me levou a pensar que os lobos estavam mais próximos dos vampiros do que os próprios humanos. Se o cruzamento era real para humanos, também o era para os lobos? Se já não sabíamos o que seria o fruto da união entre vampiros e humanos, como saberíamos o resultado se lobos se unissem a vampiros? Muitas perguntas, muitas dúvidas, muitas camadas de cebola para descascar.
Em oportuna epifania, Jacob ofereceu a alternativa que nenhum de nós ali havíamos sequer imaginado para por fim as dores e ao caos em que afundava Bella: dar ao feto o que ele precisava, e se ele fosse mesmo mais parecido conosco, vampiros, do que com os humanos, o objeto de necessidade era nada mais além do que sangue. O bebê estava com sede.
Depois de seguidas deliberações entre o clã, com entusiasmo nada contido por parte de Rosalie – eu tive que reconhecer – e das mais variadas formas de como ofertar este sangue a Bella, a idéia enfim foi lançada a ela, e prontamente acatada, não arrancando surpresa de nenhum dos presentes, senão de Jacob, que estava achando aquilo tudo repulsivo por demais.
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Bella havia se recuperado substancialmente após a ingestão de boa quantidade de sangue, providencialmente adquirido do banco de sangue de La Push. Suas feições haviam suavizado e seu semblante não parecia mais tão cadavérico como antes. Sua aura ainda tremulava aqui e acolá, mas ganhara novo brilho. A aura do bebê estava mais resplandecente que nunca após o emprego do "suplemento" dietético. Mas ninguém se atrevia a esperar nada extravagantemente bom da história toda, não antes do desfecho. Jacob ficara um bom tempo conosco, mesmo quando Bella acabou fraturando uma de suas costelas devido aos insistentes chutes do feto. Ele acabou sucumbindo ao cansaço no meio da hall, dormindo no chão duro. Eu não durmo, mas nem por isso não imaginei que a posição assumida não era por deveras desconfortável. Pensei em levitá-lo ao menos até o sofá, mas ele se mexia muito e não dava para simplesmente jogá-lo sobre as almofadas sem acordá-lo. Então, devagar, levitei a cabeça dele e posicionei um travesseiro de plumas sob ela. Esme, sem que eu percebesse, observava toda a cena da cozinha e abriu um imenso sorriso de aprovação quando meu olhar cruzou com o dela. Pisquei e sorri de volta. Não é porque sou vampiro e ele um lobo que fedia a cachorro molhado que eu seria rude com ele. Os gregos eram barulhentos, mas nunca péssimos anfitriões ou mal educados!
Quando estava amanhecendo, Seth veio saber o que tinha acontecido ao Jacob, já que ele não havia retornado tampouco conseguiam contato mental com ele. Esme explicou que devido ao cansaço, ele acabou dormindo profundamente no chão da sala, por isso a demora, e finalizou convidando-o para o desjejum (deles). Alice, que parecia em transe ao pé da escada, próxima a Jacob, destacara que por mais analgésica que fosse aquela proximidade com ele, o cheiro a estava matando; acabou desistindo, e vindo nos ajudar a preparar o café da manhã. Edward fritava bacon, fez omelete de queijo e aproveitou para fazer panquecas; Alice espremia frutas para o suco, e eu fiz uma variante americanizada de baklava, uma receita grega típica de rolinhos de canela. Esme, que só se ocupara do café e do chocolate quente, observava à cena em visível satisfação, cheia de sorrisos, forçando-nos a apreciar aquele singelo momento em família. Preparei um prato com uma boa porção de cada iguaria da mesa mais uma garrafa de chocolate e dei a Seth para que os entregasse à irmã, como orientou Esme. Ao que parecia, a loba arisca não gostava muito de nós e, portanto jamais sentaria a nossa mesa. Que comesse no chão então. A maior satisfação mesmo foi ver Seth devorando tudo como se aquela fosse sua derradeira refeição, como se não houvesse o amanhã! Fiquei feliz por vê-lo feliz. E ali eu notei que algo começava a crescer em mim... e eu sorri.
"O que tem pro café da manhã? – Jacob perguntou, sarcástico. - O negativo ou AB positivo?"
De maneira infantil, Bella mostrou a língua para ele, respondendo divertida, "Omeletes" – ainda que o dela mesma fosse O negativo.
"Vá comer alguma coisa, Jake" - Seth disse. – "Tem um monte de coisa na cozinha. Você deve estar faminto."
"O que Leah está comendo no café da manhã?" - Ele perguntou a Seth.
"Hey, eu levei a comida pra ela antes de comer qualquer coisa - ele tratou de se defender. - Ela disse que preferia comer alguma coisa que morreu na estrada, mas eu aposto que ela se arrependeu. Esses rolos de canela..." - Ele pareceu não encontrar as palavras.
"Então eu vou caçar com ela." Jacob disse, abrindo mão da oferta do café. Seth suspirou enquanto se virava pra ir embora.
"Um momento, Jacob?" - Carlisle o chamou e ambos se afastaram para conversar. Há um tempo já nos recaia a sombra da sede e a idéia de sair para caçar em circunstâncias tão hostis não nos era muito aprazível. E Carlisle fez Jacob saber de nossas inquietações. Chegaram ao acordo de nos dividirmos em grupos de três para caçar, não desfalcando assim a proteção de Bella nem nos pondo em posição vulnerável demais. Alice acompanharia os grupos para antever qualquer rota perigosa e eu seria um dos últimos a ir, já que havia sido um dos últimos a caçar, e alguém deveria manter as barreiras nas divisas. Edward deixou bem claro que não se afastaria de Bella nem por um segundo e não foi contestado.
"Tudo bem, então. - Jacob disse. Isso está arranjado. Eu vou indo. Seth, eu espero que você esteja de volta ao anoitecer, então tire uma soneca aqui em algum lugar, tudo bem?"
"Claro, Jake. Eu vou me transformar assim que eu terminar." Seth garantiu.
Antes de ir, Jacob ainda recebeu um prato repleto da comida que preparamos para o café, muito cuidadosamente arrumado por Esme, que não perdia a chance de tentar se redimir pelo transtorno que aquela situação toda os estava causando.
"Jacob? - Esme perguntou enquanto ele se dirigia à porta e ela o seguia. - Eu deixei uma cesta de roupas na varanda. Elas são para Leah. Elas foram lavadas, Andreas me ajudou."
"Asseguro-lhe que não houve o menor contato físico com as roupas. Foram lavadas, secas, passadas e dobradas à distância. Tudo para minimizar nosso cheiro." Eu garanti, com as mãos em rendição.
Esme fez uma careta quanto a menção do cheiro, claramente desconfortável com a inaceitável idéia de que fedêssemos. "Você se importaria em levar para ela?"
"Farei isso." - Jacob murmurou, e então saiu pela porta.
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Naquela tarde, do meu posto na varanda – que havia se tornado a torre do meu forte – eu fiquei imaginando o quanto as coisas teriam sido diferentes se eu não tivesse cedido àquele beijo naquela fatídica noite em Veneza. Mais de trezentos anos se passaram e o ressentimento ainda estava ali, não importava quantos séculos mais eu atravessasse, quantas luas, ciclos, estações afligissem a terra, eu permaneceria apenas um relicário de mármore, guardando imagens do que fui e a expectativa do que poderia ter sido. É estranho quando você completa 5 anos e seu pai, legítimo espécime da nobreza grega, descendente de uma linhagem de reis e rainhas europeias e, arrisco dizer, até dos deuses, lhe desfere um tapa em meio ao jantar porque você agiu como uma "donzela", e essa simples memória hoje lhe traz certo saudosismo. É sádico, eu sei.
Mesmo tendo nascido em tempos de tolerâncias, os traumas internos jamais perdoam, são feridas que não fecham, e se a grande custo você as cura, restam cicatrizes que aprisionam, amordaçam e aleijam. Por isso, como todo filho homem tive e ainda tenho minha mãe na mais alta estima e amor eterno: do seu jeito ela sempre me amou, me aceitou e me respeitou. Quando uma taça quebrava ou uma vidraça estilhaçava sem causa aparente sempre que eu estava irado ou chorava, ela, sem perguntas, vinha ao meu socorro e o colo oferecido tinha mais significado para mim do que o simples carinho maternal; era o refúgio além do ventre. Não pensem vocês que eu sou um reles moleque criado às barras da saia da mãe. Longe disso. Sempre busquei provar a mim mesmo, me mostrar que eu era muito mais do que os xingamentos desferidos por meu pai, ou mesmo os mimos de minha mãe. Eu podia caminhar com minhas pernas e levei anos a fio para demonstrar. Tanto que aos 18 já calara a boca de meu pai tornando-me bem quisto nas rodas de nobres e provara ser homem feito aos olhos de minha mãe. E neste ínterim acabei construindo a primeira camada da couraça. Ter cedido aos encantos daquele vampiro só me fez crer o quão fraco eu ainda podia ser na época.
Nunca efetivamente pensei ser amado, apesar de sempre tê-lo desejado, de outra forma senão a parental. Mas três séculos mudam uma pessoa, ou melhor, um vampiro. Quando pela manhã eu senti que algo mudava dentro de mim, não era um engodo. Havia uma falha na minha casca dura que Seth soube acertar em um preciso ataque. O amor ainda era um terreno incerto para mim, permeado de incertezas e, portanto, evitado a todo custo. E foi usando deste terreno como vantagem que ele se aproximou naquele dia e me beijou. Não sei motivos, intenções; o que sei é que foi bom, e eu seria louco de negar o quanto eu gostaria que se repetisse.
Enquanto me perdia no meu mar de divagações pessoal, nem havia notado que emanavam de mim ondas psiônicas em uma frequência estranha, mais densa, quase palpável, produzindo até uma forte brisa enquanto se dissipavam. Tudo porque eu pensei nele. Tudo porque o sentia ali, logo no andar de baixo, na sala da casa, dormindo no tapete. Bem, pelo menos ele estava na sala até pouco tempo atrás, pois ele estava bem atrás de mim, naquele exato momento.
"Andreas?" - Ele chamou.
"Seth." - identifiquei, demonstrando atenção.
"Como eu tenho dia de folga hoje, pensei que... ah... a gente podia...sei lá..." Ele começou a gaguejar.
"Seth, eu gostaria muito de ouvir o que você tem a me dizer, por isso nós vamos fazer o seguinte: sente-se aqui, na cadeira a minha frente, por favor. – Ele, ainda hesitante, sentou – agora, feixe os olhos e imagine que eu não estou aqui. Você é capaz de fazer isso?"
"Vou tentar." Ele disse.
"Sinta como se estivesse aqui sozinho e diga, quando se sentir preparado, aquilo que tanto hesita em me falar. Eu paro até de respirar se isso o ajudar." Eu incentivei.
"Ok. Vamos lá... – ele respirou algumas vezes e soltou – Como você espera que eu pense que você não está aqui se o seu cheiro doce me diz o contrário?"
"Não me venha com história de que vampiros fedem. Esse diálogo vai terminar sem nem sequer ter começado."
Ele abriu os olhos. "NÃO, você não fede! Não é isso, Andy... Quero dizer, eu posso te chamar de Andy? Andreas é muito, sei lá, sério."
"Não, não pode. Andreas está mais do que apropriado. Intimidade se conquista, rapazinho." Asseverei.
"Não sou mais um rapazinho. – ele apontou, em repentina birra – Eu acho que você merece saber. Você já ouviu falar em imprinting?"
"Imprinting? Ouvi Bella comentando com Jacob certa vez o termo, mas não sei o que significa."
"Quando um homem se torna lobo, existe certas coisas que a gente não consegue evitar e o imprinting é uma delas..."
"Você ainda não me explicou o que é." Apontei curioso.
"Sabe aquela sensação de que quando você se apaixona, seu estômago se enche de borboletas, seu pelos arrepiam, você sua frio, a boca seca, o universo todo parece girar ao redor daquela pessoa e você não para de pensar nela e toda vez que você a vê a voz some e o chão simplesmente desaparece debaixo dos pés?!" Ele perguntou de uma vez.
"Sinceramente, não". Era a verdade.
"Ah..." – mas ele não se deu por vencido – "Isso é o imprinting. Nós lobos temos esse imprinting com a pessoa que queremos ao nosso lado pro resto da vida, o que é bem longo já que também não envelhecemos."
"Continue. Estou curioso para saber onde isso vai dar."
"Posso fechar os olhos de novo?! Essa é a parte em que eu sempre fico tímido, mesmo ensaiando na frente do espelho. – ele fechou os olhos – Andreas, desde o dia em que eu te vi no casamento da Bella e do Edward, não existe no mundo alguém mais perfeito pra mim do que você. Quando eu te vejo, meu chão some; minha voz falha, e eu gaguejo porque eu quero te dizer tantas coisas, dizer que quero ter você ao meu lado, te conhecer; te ter nos braços e te beijar o quanto eu quiser; te abraçar mesmo que você seja frio porque eu posso ser quente por nós dois; te fazer rir quando você estiver triste e te proteger quando você estiver em perigo. Imprinting, Andreas, é por você antes de mim mesmo. É não ter palavras para descrever o quanto eu quero que você me aceite como seu companheiro pra sempre." Ele falou num fôlego só, como lhe é típico.
Se antes existia só uma falha, ele acabara de abrir uma cratera na minha couraça. Como eu disse, eu duvidava que coisas neste mundo ainda me surpreendessem. Eu estava mesmo enganado, eu estava em franca surpresa. "Seth, eu... não sei o que dizer." E isso era raro.
Ele apenas levantou, estendendo-me a mão para que eu a tomasse, igualando seu olhar ao meu e continuou. "Quando Sam disse que iria atacar os Cullens por causa do bebê da Bella, isso vai soar meio egoísta, mas eu pensei só em você! Eu não podia simplesmente largar o bando e vir te proteger, porque o sangue do lobo fala mais alto e se o alfa manda, a gente obedece. Mas quando Jake largou o bando, eu vi ali a oportunidade que eu precisava de vir proteger você, e proteger o Cullens também. Imagine que pra você imprinting seria amor a primeira vista; para nós, é instinto no começo, depois amizade, companheirismo, amor. O que nosso parceiro precisar. Não foi fácil aceitar que você era meu imprinting e mais difícil ainda foi esconder isso dos outros. Um bando, uma mente... essas coisas."
"Todas aquelas noites de vigia com você no posto de observação me serviram para aumentar cada vez mais o amor que eu não sabia ainda, mas já existia por você. E acredite que eu não sei de onde eu estou tirando essa coragem toda pra te dizer isso tudo. Mas eu vi que o que você precisava era amor. E este é o meu destino, ser este amor. Eu sei que parece meio louco para você isso tudo. É muito louco pra mim, mas acredite quando eu digo que negar não é a saída. Dói. O lobo te cobra isso e a razão vai pro espaço quando você passa muito tempo longe do escolhido. Depois daquele beijo, eu tentei me afastar, mas cada dia que passava eu via que tinha algo muito errado. Eu parei de comer, e isso é muito errado. – eu tive que rir ante a observação – Não conseguia mais dormir, estava abatido, e o bando começou a notar isso.
"Espera aí! Eu causei tudo isso?!" perguntei surpreso. "Por que você não me disse antes?!"
"Eu ainda não terminei. Se eu parar, vou começar a gaguejar de novo. Posso? – eu assenti - Então, eu fui conversar com Billy. Ele foi o primeiro a notar que a causa de tudo aquilo que eu estava passando era o imprinting e ele despejou de uma vez que podia apostar as próprias pernas que o escolhido era você, Andreas. – ele repetia meu nome com a mesma seriedade que eu exigi dele e isso já estava me incomodando – Ele me falou que imprintings não são sempre a mesma coisa para todos os lobos. E que o meu vínculo com você se mostraria aos poucos, por isso eu tinha que ao menos tentar. Ele surtou, claro, mas depois meio que entendeu, ou fez de conta que entendeu, não sei. Só pedi que não contasse nada aos outros, não por enquanto. Eu estava tentando criar a coragem necessária pra te contar, mas não tem coragem no mundo que seja maior que a dor da distância." Ele me abraçou e me beijou ternamente, como se perguntasse se podia. Sempre me surpreendendo. Pergunto-me se isso seria uma constante, pois se fosse, jamais me cansaria disso. Abri os lábios dando toda a permissão que ele queria.
Quando nossos lábios se separaram, fiquei apreciando o rubor pueril daquele rosto, que carregava um brilho sobrenatural nos olhos e estalidos na aura, me perguntando quando a realidade me estapearia tal qual meu velho pai me atirando à verdade. O tapa nunca veio. Aquilo era real. "Não pense que será assim tão fácil, Seth. Não é só por vir aqui e dizer todo esse discurso que você vai me ter nos seus braços. Isso é um processo contínuo, você só deu a partida." Apontei. Ele sorriu, seguro.
"Nem eu queria que fosse fácil. Mas você vale muito, Andreas, vale todo o esforço."
Sem me separar do abraço, dessa vez eu o beijei. "Acho que depois de tudo, você conquistou o direito de me chamar de Andy".
Observação da Autora: As partes contidas neste capítulo e que foram grifadas em negrito, algumas frases para ser exata, foram retiradas na íntegra (ou adaptadas) do livro Amanhecer da Saga Crepúsculo (autoria de Stephenie Meyer, versão brasileira Editora Intrínseca). Como sabiamente já prediz o disclaimer, isso não é caracterizado como plágio, principalmente se eu citar a fonte. (Eventuais dúvidas, leiam a Lei de direitos Autorais!).
Nota da autora: Olá, pessoal! Certamente que vocês devem ter pensado que eu havia abandonado a ffic não é?! Vocês estão parcialmente certos. Parcialmente. Ao longo deste ano as coisas andaram conturbadas e os compromissos só se multiplicaram. Mas aproveitei esse findy de finados para vos apresentar mais um capt dessa ffic primorosa SQN. (risos) Já havia esquecido o quanto eu gosto de escrever até começar a dedilhar as linhas acima há umas horas atrás. Fico feliz que, mesmo se passando tanto tempo da publicação, ainda existam leitores para essa ffic, como o Rick, que leu toda história em uma noite e ainda deixou review! Rick, muitíssimo obrigada por ler minha pequena obra. Sim, eu existo e caminho entre os vivos ainda, logo a ffic será atualizada, mas não sei ao certo a frequência. No que tange à vaga de POV do Seth, você ficaria chateado se eu dissesse que minha irmã mais nova assumiu o posto?! Apresentei a ela a loucura da ffic e ela topou em me ajudar. Ela tem um pouco da alma velha da família (ela cursa medicina), mas ao menosa dela é beeeem mais nova do que a minha. Mas agradeço a presteza! Espero que tenhas gostado deste capítulo. Um beijabraço da Gê para usted e continue acompanhando a ffic!
No mais, beijabraço a todos e bom feriado (mesmo que ele tenha caído num domingo! ARGH!).
Sugestões, reclamações ou elogios? Queremos saber o que você tem a dizer! Por favor, contacte a Ouvidoria da Gê, enviando sua mensagem pelo Fale Conosco Review através da caixinha abaixo. Desde já, obrigada!
