Os personagens aqui citados pertencem a Masashi Kishimoto

Essa fanfic é uma adaptação do livro Uma prova de amor,da autora Michelle Reid


Uma prova de amor

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Capítulo V


Sasuke fez uma pausa na entrada, a respiração densa. Estava muito atrasado. Sakura o chamara tarde demais. Agora havia de testemunhar o quanto ela deve ter se sentido solitária.

Os médicos o aconselharam a levá-la embora agora, mas como alguém poderia privar aqueles dedos alvos e esguios de tocar os belos dedos da irmã pela última vez?

Lágrimas lhe vieram aos olhos e permaneceram lá, ardendo como ácido, embora não permitisse que elas escorressem. Iria acontecer em breve, sabia disso. Em breve Sasuke daria vazão a toda àquela consternação angustiada e inexorável, e choraria até esvaziar, prometeu a si mesmo.

Mas, no momento, queria bater em alguma coisa outra vez, enfiar o punho através de uma janela ou parede. A dor que isso poderia causar tinha que ser mais suportável do que o sofrimento naquele instante, refletiu implacavelmente, à medida que se obrigou a avançar sobre pernas que pareciam ocas e agachou-se ao lado da cadeira de Sakura. Não notou sua presença, mas assim que Sasuke segurou a sua mão, Sakura olhou para ele.

— Acabou — ela sussurrou.

— Sí— murmurou Sasuke abalado. — Eu sei.

Os olhos divagaram de volta para a face tranquilamente serena da irmã, e Sakura esqueceu de novo que Sasuke estava lá por um tempo, então o som de um soluço abafado veio de algum lugar atrás deles, e olhando ao redor Sasuke viu que o resto da família havia chegado.

Partira sem eles, com Lee guiando como um louco, deixando os outros encontrarem os próprios meios de ir até lá, e agora todos se aproximaram, se aglomerando em torno do leito para dar início à próxima onda de pesar insuportável. Conforme se comprimiam em volta da cama, Sasuke viu Sakura tomar consciência, piscando os olhos embaçados e confusos diante da súbita comoção, e soube por instinto que ela não poderia aguentar o costume italiano de deixar os sentimentos aflorarem daquela maneira.

Com o maxilar trincado como um torno fechado, tentou alcançar a outra mão de Sakura e, com dedos gentis, começou cuidadosamente a separá-la da mão de Temari.

Sakura engasgou e, com o olhar, fez um protesto penoso para Sasuke. Porém, ele balançou a cabeça.

— É hora de deixá-la ir, cara mia — disse gentilmente.

Por um momento, pensou que Sakura iria recusar. Ela olhou de volta para a irmã, com lágrimas cintilantes arrastando uma película sobre os olhos, o que dilacerou Sasuke em frangalhos por dentro, porque sabia que aquelas lágrimas demonstravam o início da conformação.

Uns poucos segundos após, Sakura permitiu que Sasuke concluísse a separação, permitiu que cercasse a sua cintura com o braço e a auxiliasse a se pôr de pé. Agora os outros afluíam na direção dela, se aglomerando a sua volta com os braços estendidos para abraçá-la, murmurando frases lacrimosas de condolências; a mãe de Sasuke com uma aparência deplorável, as irmãs chorosas e os maridos de rostos sóbrios, cada um teve a sua vez.

Sakura aceitou os abraços de dentro de um casulo de perplexidade aturdida, e agarrou firme a mão de Sasuke.

Temari se foi. Shikamaru e Temari. Seria certo usar seus nomes juntos assim, agora? Levantou os olhos até Sasuke, que permanecia grande e soturno como um guardião ao seu lado; o belo rosto travado de novo, a boca cruel, os olhos cálidos. Não era o tipo de rosto para o qual se fizesse tal pergunta, pensou Sakura. E deixou que ele a conduzisse pela porta, deixando a irmã cercada pelas pessoas que sempre a amaram indistintamente.

Havia consolo nisso, de algum modo.

— O bebê — disse ela, no corredor.

— Agora não. — Sasuke respondeu e a manteve em movimento... afastando-a rumo aos elevadores, depois para baixo e, através do vestíbulo no andar térreo, direto para a luz do sol da tarde alta lá fora. Estava frio e Sakura tremeu. Viu que Lee estava lá, com uma aparência solene ao abrir a porta dianteira do grande automóvel prateado. Sasuke conduziu Sakura para dentro, e então a seguiu. Quase tão rápido quanto a porta se fechou atrás de si, Sasuke estendeu as mãos para alcançar a dela, trazendo Sakura para os seus braços.

Permaneceram assim durante o tempo que Lee levou para transportá-los até o apartamento, Sakura frouxamente recostada nele, perdida em alguma parte em meio às brumas de choque, enquanto Sasuke lhe oferecia o que acreditava instintivamente que ela precisava — a sua força silente.

Continuou a apertá-la junto a si, conforme cruzavam o vestíbulo do bloco do apartamento; a manteve envolta nos seus braços enquanto subiam pelo elevador. Quando chegaram ao apartamento, Sakura repentinamente se soltou e se encaminhou direto para o quarto. Sasuke precisou gastar uns poucos instantes para deter aquilo que ameaçava se libertar de dentro dele, depois seguiu Sakura, com a intenção de se assegurar que estava bem, antes de deixá-la a sós com o seu pesar.

Porém, as coisas não funcionaram bem assim. Uma espiada em Sakura ali prostrada, encolhida no meio da cama e Sasuke foi logo chutando os sapatos fora, arrancando o paletó e a gravata, e se juntando a ela.

O modo como Sakura aceitou seus braços enquanto a tragavam foi realmente patético, e tornou quase impossível não verter lágrimas com ela quando começou a chorar silenciosamente.

Assim que Sakura finalmente se aquietou, Sasuke estendeu as mãos e puxou fora a colcha, cobrindo a ambos.

— Eu não... — ela esboçou um protesto.

— Você está tremendo de frio — interrompeu Sasuke. — Fique aqui comigo, assim, por um tempinho. Logo que você se aquecer um pouco, eu saio e deixo você em paz.

— Eu não quero que você saia. — Aquilo soou tão suave e frágil que Sasuke quase deixou que lhe escapasse. Entretanto, não deixou escapar o modo como os dedos de Sakura divagaram pela frente da sua camisa, se posicionando numa espiral trêmula em volta da nuca. A respiração de Sakura se insinuava pela linha do maxilar de Sasuke, os seios macios contra as costelas dele, e a perna esguia deslizou em torno do quadril quando ela se comprimiu mais pertoo, como se aquele fosse o único local onde quisesse estar. Sasuke cerrou os olhos, e desejou que se sentir requisitado por ela não fosse tão bom assim.

Aquela carência se prolongou ao longo dos sombrios dias seguintes, quando Sakura esteve pouco consciente, caso Sasuke não estivesse ali para ajudá-la.

Coma, dizia Sasuke e então Sakura comia. Durma, e a moça se enroscaria na cama como uma criança, fechando os olhos obedientemente.

Nas manhãs em que compartilhavam o desjejum, Sasuke a levava até o hospital para ficar com o bebê, enquanto saía para se encarregar de... outras coisas. De tarde, ele voltava ao hospital para passar um tempinho no berçário antes de levar Sakura para o apartamento, a fim de entupi-la com mais comida e fazê-la falar sobre trabalho, a vida em Londres, Temari e Shikamaru — sobre qualquer coisa, desde que pudesse usar o cérebro.

Sakura perambulou como se cercada por um nevoeiro, embora não se importasse. Podia estar frio, porém estranhamente aconchegante... gostou disso. A família Uchiha estava sendo gentil. Conseguiram colocar os ressentimentos de lado nesses dias de um pesar mútuo. A Sra. Uchiha a convidou para ficar com ela, mas Sakura declinou.

— Quero ficar com Sasuke — explicou, perdida demais para ver que o convite fora para afastá-la de Sasuke. Mas isso não teria importância caso percebesse a manobra, porque ouviu o convite por acaso, e o recusou.

A única hora em que a névoa clareava era quando Sakura estava com o bebê. Seu mundo começou a girar em volta da filha de Shikamaru e Temari, pequenina, doce e órfã. Com experiência pessoal no assunto, Sakura sabia exatamente como era se tornar órfão ao nascer. Ela e Temari foram criadas por uma tia solteirona que veio a Dublin e carregou as duas meninas para viver com ela na Inglaterra. Sakura sabia isso tudo porque Temari lhe contou, apenas três anos mais velha que ela, porém se lembrava de tudo vivamente. Talvez fora a eficiência e a firmeza de Tia Koharu Utatane, naquela época, que transformara a amedrontada e desnorteada Temari que sentia falta da mãe, naquele ratinho tão tímido, conquanto Sakura nunca conheceu nada além da filosofia da eficiência de Tia Koharu: "Não tenho tempo para lidar com essa atitude", por isso aprendeu a ser independente muito cedo.

Tia Koharu chocou todo mundo quando casou e se mudou, para viver com o novo marido na América do Sul poucas semanas após o casamento de Temari, enquanto Sakura cursava o primeiro ano da faculdade. Não ocorrera às irmãs que a mulher, da qual dependiam em algum grau, andava roendo as unhas de impaciência, aguardando o momento em que a sua responsabilidade em relação a elas terminasse, para que pudesse tocar a própria vida. Nenhuma das duas se ressentiu pela atitude da tia, mas com Temari vivendo em Florença, ocupada construindo um casamento, Sakura foi deixada para trás para se defender sozinha, enquanto completava a sua faculdade. O que emergiu daqueles anos de auto-suficiência foi uma jovem mulher brilhante e super confiante, transbordante de entusiasmo pela vida.

A tia sabia o que aconteceu com Temari e Shikamaru porque Sakura ligou para dar a notícia. Koharu ofereceu a sua solidariedade, mas disse que não poderia assistir aos funerais porque tinha muitos compromissos. Assim que tia Koharu cumpriu seus compromissos com as filhas da irmã, verdadeiramente cortou as sobrinhas da sua vida.

Sakura olhava para o pequeno bebê nos braços.

— Nunca será desse jeito entre nós duas — jurou suavemente. — Você, minha preciosa, terá o meu amor eterno.

Sasuke apareceu, a passos largos, para dentro do berçário como uma força dinâmica, vestindo um dos ternos escuros os quais Sakura cansou de ver durante a semana passada. Parecia cansado, drenado até o refugo da sua energia por mágoas demais, e lidando com formalidades demais, muito dolorosas, que despojavam as emoções. Porém, o rosto amainara num sorriso quando viu Sakura embalando a pequenina trouxa cor-de-rosa nos braços.

— Ela saiu da incubadora! — Exclamou Sasuke, com uma surpresa terna quando arqueou as costas para roçar um dedo gentil pela bochecha rosada do bebê.

— Há meia hora. — Sakura sorria também. — Eles acabaram de vir aqui e tiraram os condutores e tubos, e a entregaram para mim.

— Posso pegá-la? — Pediu ele, e sem hesitação, recebeu aquela miniatura de gente na curva do braço.

Empertigando-se, Sasuke passeou até a janela, a cabeça morena inclinada enquanto admirava a filha do irmão. Ela era tão delicada. Um pequeno botão de rosa, pelo qual Shikamaru teria se apaixonado instantaneamente.

Bem, fiz isso por ele, pensou Sasuke, reverentemente. A filha de Shikamaru jamais sentiria a falta do amor paterno, jurou Sasuke, e abaixou a cabeça, para selar aquele voto com um ligeiro toque dos lábios naquela face suave como uma pétala.

— Eu preciso registrar o nascimento logo — comentou. Tornara-se um especialista e tanto nos procedimentos oficiais requeridos para registrar nascimentos e óbitos, refletiu. — Esse anjinho precisa de um nome.

— Ela já tem um — disse Sakura, e então enrubesceu quando Sasuke ergueu os olhos, para lançar a ela uma espiada desdenhosamente curiosa.

— Bem, isso é interessante — falou Sasuke, esticando as palavras, e novamente fitou o bebê. — Parece que você tem um nome e que ninguém mais sabe disso, mia dolce piccola. Será que a sua tia Sakura gostaria de dividir isso conosco?

Tia Sakura subitamente pareceu defensiva.

— Vou chamá-la de Rose — murmurou. — É... é o segundo nome de Temari.

— Eu sei que é — respondeu ele tranquilamente. — Estava simplesmente imaginando se por um segundo, ou dois, você considerou a hipótese de nos dar a oportunidade de lhe oferecer algumas sugestões...

Sasuke podia ver, pela ruga que vincou a sobrancelha dela, que nem por um segundo Sakura considerou tal coisa.

— Eu não passei por cima de você e disse que é oficial. É só o meu nome para ela — explicou então, desconfortavelmente. — Se você tem alguma objeção, é só...

— Eu gosto — cortou Sasuke, deixando aquilo bem claro, embora os olhos tivessem se aguçado sutilmente, como se uma súbita suspeita começasse a surgir em sua mente.

Se Sakura decidiu o nome do bebê sem consultar mais ninguém, não poderia estar nutrindo idéias de posse, as quais não incluíam mais ninguém?

Estudou a face cansada de Sakura, com os olhos verdes engastados numa escuridão triste, e a curva descendente que assumiu um controle virtual permanente daquela boca bonita. A cútis parecia tão delicada que fez lembrá-lo um pedaço de seda — toque-o e isso o faria em pedaços.

O olhar dele divagou para baixo, se movendo sobre os jeans pretos que deixavam as pernas de Sakura mais esguias do que nunca, e a blusa azul-marinho, que não escondia nada que não pudesse figurar por si mesmo. Dava para notar que Sakura mal comera. Mal dormira — embora Sasuke tivesse a noção que Sakura ignorava que ele pudesse ouvir quando ela perambulava no meio da noite. Ela era bela, porém ferida. Bela, porém perdida no seu próprio mundo de desgosto, que excluía qualquer outra pessoa.

Mas Sasuke tinha planos para esse bebê. Tinha planos para a tia dela. Consciente, entretanto, de que essa não era a hora de anunciar aqueles planos, continuou amavelmente:

— Se você pudesse fazer um pequeno acréscimo, pelo bem da minha mãe, você entende. Poderíamos chamá-la de Rosita, usar Rose como o nosso nome para ela, e adicionar Angelina já que Ângelo é o segundo nome do Shikamaru, em memória a ele. O que acha?

Sakura pensou que aquilo soava tão lindamente apropriado que as lágrimas, sempre a postos, lhe vieram aos olhos.

— Sim, eu gostaria — sussurrou, e estava perdida demais em pensamentos sobre Shikamaru e Temari, para atinar que a menininha havia acabado de se tornar totalmente italiana.

— Tome... — disse Sasuke, e devolveu o bebê a Sakura, observando as lágrimas sendo levadas pela corrente e substituídas por um sorriso amoroso, silenciosamente satisfeito com a maneira comedida como manobrou a situação. —Diga o seu até logo, depois temos que ir...

Eles tinham que enfrentar a experiência penosa de um funeral duplo amanhã, e Sakura precisava de algo para vestir. Sabia disso porque discutiram o assunto no café da manhã, e ela relutantemente concordou em permitir que Sasuke a levasse às compras. Mas pela expressão mal-humorada que fez para ele, Sasuke percebeu que ela mudara de idéia.

— De jeito nenhum. — Sasuke vetou o olhar dela. — Você precisa de uma folga do hospital e de uma mudança de cenário. Eu preciso do mesmo. Nunca se sabe — acrescentou sutilmente, quando se ergueu e, sem comentários, foi deitar o bebê no seu berço. — Pode até ser que nos flagremos apreciando o passeio.

E de uma forma bastante esquisita, eles realmente se divertiram...

Sasuke a levou de volta ao apartamento para uma ducha rápida, antes que se dirigissem para a cidade. Sakura se trocou, enfiada no único vestido que trouxera consigo para Florença — um vestido de mangas compridas, e de um verde esmeralda profundo, que se ajustava a sua figura esbelta e lhe realçava a cor dos olhos. Sakura aplicou um pouco de maquiagem pela primeira vez naquela semana, escovou os cabelos e se decidiu, num impulso, a deixá-los soltos. Deslizando os pés para dentro do par de sapatos de salto fino, foi procurar Sasuke — e o encontrou na sala, estirado num dos sofás, lendo enquanto esperava por ela, assim como costumava fazer.

A familiaridade daquela postura a deixou paralisada no corredor. Aquilo a sacolejou imediatamente para fora do nevoeiro confortável. Sasuke parecia tão dolorosamente bonito, tão comprido e sombrio e macio, e, com efeito, o seu tipo de homem, que o coração dela virou de ponta-cabeça. Assim que Sasuke se deu conta que Sakura estava parada na porta, a visão do seu sorriso aberto levou embora a habilidade que ela tinha para respirar.

Quando Sasuke atirou a revista de lado, para se por de pé, Sakura percebeu que se metera numa profunda confusão porque tudo que havia em volta a empurrava para ele, como o velho ímpeto magnético que costumavam compartilhar. Sasuke trocara o terno por um par casual de calças cinza-escuro, e uma jaqueta leve de couro preto, vestida sobre uma camisa grená. Nos ternos bem cortados, Sasuke era dispendioso e dinâmico; em roupas casuais se tornava... perigoso.

E agora se quedou imóvel — além dos olhos enevoados de sono, os quais a percorriam inteira, como se também houvesse acabado de vê-la pela primeira vez na semana.

— Uma transformação um tanto sofisticada — murmurou Sasuke, suavemente, e começou a caminhar na direção dela.

Sakura o viu se aproximar através de olhos vigilantes, porque sabia no que Sasuke estava pensando. Está pensando: minha... sexo... eu quero. Ela reconheceu o lampejo da possessividade sexual. Os músculos do abdômen formigaram agitados; as pontas dos mamilos excitados em sua antiga e elétrica reação a Sasuke.

— Linda — murmurou, e então se inclinou para tocar a boca de Sakura com a sua, até sentir os lábios dela palpitarem, antes que levantasse a cabeça de novo. — Pronta para sair? — inquiriu ele, com uma inocência súbita.

A sua aquiescência incerta acompanhou um cenho igualmente incerto, porque ela sabia que o beijo fora um gesto deliberado — como o aperitivo do que estava por vir.

Queria o que estava por vir? Sakura não sabia ainda — nem mesmo sabia se queria sair daqui, com todos aqueles sentimentos tão deslocados e confusos quanto ela mesma.

— Então vamos lá — disse Sasuke, como se estivesse respondendo às indagações que Sakura se questionava.

Dirigiram até o centro de Florença, rodando pelos becos até atingir a zona de pedestres onde Sasuke estacionou o carro. Desde que Sakura chegou à Itália, a temperatura não esteve mais quente e o sol tão fúlgido, por isso ela deixou o casaco no carro quando saíram a pé.

Sasuke colocou a mão na sua cintura como se ela tivesse todo o direito de ficar ali. O alto da cabeça de Sakura batia apenas na altura dos ombros dele; cada vez que Sasuke falava com ela, se virava para fitá-la profundamente nos olhos. Sakura podia se sentir quedando hipnotizada e, ainda assim, não dava a impressão que faria qualquer coisa a respeito. Mesmo sabendo que Sasuke estava deliberadamente edificando a intimidade entre eles, Sakura se encontrava suscetível demais para bater na mão dele.

Esse era o problema da tragédia e do luto — desculpou-se pelo próprio comportamento enfraquecido, esgotava a sua resistência para brigar.

As cabeças se voltavam para eles quando caminhavam juntos. Sempre fora desse jeito para ambos, porque faziam um contraste um tanto atraente — ele, o homem alto, moreno de Florença, e ela, a criatura esbelta de pele alva com os cabelos que flamejavam em um vermelho-rosado tão límpido.

Um homem parou para comentar algo candidamente travesso sobre eles com Sasuke, em italiano, e assim que Sakura conseguiu traduzir, não pôde conter uma gargalhada impulsiva. Sasuke sorriu, um sorriso branco e relaxado. O estranho pareceu estar chocado pela resposta risonha de Sakura, mas então sorriu enquanto seguia seu caminho, permitindo que fizessem o mesmo.

Alcançaram a esplêndida catedral Duomo, com as vigas brancas polidas armadas sobre azulejos de terracota. Conforme caminharam sob a sua sombra magnífica, Sakura fez o que sabia que estava ansiando por fazer, e escorregou o braço em volta da cintura galante de Sasuke.

Sasuke não queria que aquilo terminasse. Não queria levá-la até as lojas elitistas na Via dei Tornabuoni e apagar aquele sorriso demorado, amortalhando Sakura em roupas negras de velório. Por essa razão, desviou a ambos para o elegante café Giacosa, e pediu cappuccinos e salgados, os quais compartilharam, enquanto Sasuke cuidadosamente instigava Sakura a falar a respeito da sua vida em Londres, e sobre a empresa de design gráfico, até que começasse a conversar com toda a antiga exaltação e entusiasmo, disparando perguntas, provocando os seus neurônios — e outras partes também, como de costume.

Era uma loucura, Sasuke sabia disso. Se permitir enfeitiçar novamente era uma tolice a fazer. Mas tinha planos para Sakura, e se esses planos eram uma desculpa esfarrapada para deixar que ela, gradualmente, encontrasse o caminho de volta para as suas entranhas, então estava pronto para se enganar sobre estar se controlando.

Sair às compras em Florença era uma ocupação séria. Ninguém sabia comprar melhor do que os italianos. Eles nascem com um senso inerente de classe e estilo inquestionáveis. Com Sasuke não era diferente, assim foi ele quem escolheu o próprio terno, em virtude do classicismo imemorial do belo tecido e do corte maravilhoso. Depois de comprar o terno, exploraram as vitrines na Via dei Tornabuoni, parando para comprar bolsa e sapatos, antes de se moverem rumo a Via dei Pecori para selecionar o restante dos itens de que Sakura precisava. No momento em que uma vendedora ajeitou o primeiro véu negro na cabeça de Sakura, Sasuke viu a mudança assomar sobre o rosto dela, e percebeu que ela se lembrava do por que de estarem fazendo isso, assim, Sasuke a distraiu com uma chuvarada extravagante de lingerie cara, o que a fez enrubescer, e então sorrir.

Carregaram as compras de volta até o carro, depois Sasuke sugeriu que caminhassem até o rio para assistir ao pôr-do-sol. Sakura concordou, ciente de que Sasuke estava voltando no tempo, uma época diferente, quando tudo era maravilhoso e costumavam fazer esse tipo de coisa com frequência. Sasuke ainda era tão irresistível quanto naquele tempo. Sorrir, conversar naturalmente enquanto passeavam de mãos dadas ao longo do Lungarni, rumo à Ponte Santa Trinita para assistir ao pôr-do-sol no rio Arno, foi como escaldar a mão em água quente — e descobrir que gostou.

— Oh, apenas veja isso, Sasuke... — ela apontou para o rio que se tornava um sedoso laço de fogo, aquecendo a famosa face da Ponte Vecchio, a próxima ponte. — Como alguém pode se cansar de olhar para isso?

Permaneceram encostados ombro a ombro, apoiados na ponte, olhando o rio lá embaixo, mas Sasuke se virou na menção daquelas palavras para percorrer aquele rosto tingido de dourado pelo sol e o cabelo vermelho-claro em chamas.

— Eu não canso — declarou ele.

Fremidos íntimos remexeram no estômago dela, porque Sakura sabia que Sasuke se referia a ela, não à paisagem. Lançou um olhar para ele.

— Puxa, isso foi piegas — repreendeu —, e muito pouco italiano da sua parte.

— É a verdade, por que fingir? — retrucou Sasuke, dando de ombros preguiçosamente.

Sakura foi repentinamente abalada por um tremor de frio, quando a água gelada que aflorava do rio tocou a sua pele.

— Estou com frio — reclamou, afastando-se da ponte para começar a andar de volta ao longo da mesma trilha pela qual vieram, consciente de que deixara Sasuke ainda recostado lá, absorvendo aquela mudança de humor.

Logo a alcançou, com a jaqueta de couro aterrissando sobre os ombros de Sakura, na companhia de um braço para mantê-la no lugar.

— Obrigada — murmurou ela, um pouco rude demais.

— Certo — se alongou Sasuke, com uma leveza que revelou que ele iria ignorar a mudança de humor, e o braço permaneceu sobre os ombros dela, casual, porém íntimo e possessivo.

— Onde vamos comer? — inquiriu ele mais tarde.

— É cedo demais para jantar.

— Para um italiano, tanto faz. Você prefere voltar para o apartamento agora?

Não, Sakura não queria. Voltar significava tomar uma decisão a respeito do que viria depois, e sabia que ainda não estava pronta. Mas Sakura também recordou do gosto de Sasuke pelos restaurantes super chiques, frequentados pela elite florentina. Etiqueta era tudo naquele lugar, aliada a um código para vestir ao qual aderiam seriamente.

— Algum lugar pequeno e casual, então — concordou Sakura, cuidadosa.

Sasuke sorriu.

— A sugestão não era necessária, cara mia. — Foi a sua vez de ralhar. — Eu estava pensando naquele lugarzinho que costumávamos frequentar na Via Delle Donne. Você adorava a panzanella de lá, se me recordo...

Aquela atmosfera cálida e aconchegante era tudo o que Sakura precisava. Ela relaxou novamente. A comida estava deliciosa e o homem com quem a dividia estava sendo perfeito.

Sasuke sentou do lado oposto da mesa miúda, com a luz das velas cintilando na face dourada, e deu a ela petiscos de comida com as pontas dos dedos compridos, enchendo a moça de vinho branco seco e cristalino. E Sasuke conversou, hipnotizando Sakura com os timbres graves da voz encharcada em intimidade, e fez isso em italiano para forçá-la a se concentrar nele apenas. Quando Sakura falava, Sasuke mergulhava os olhos para admirar os lábios se movendo, beijando com aqueles olhos para fazer tiritar os lábios, então estalava o olhar de volta para os seus olhos, para que Sakura se desse conta de que sabia o que estava acontecendo com ela.

Era a preliminar de uma longa sedução, ela sabia disso, pois fora capturada pelo mesmo feitiço muitas vezes antes. Sasuke fazia amor com ela com os olhos, com a voz, com cada arma íntima que possuía na sua artilharia super-sensual.

— Por quê? — Sakura perguntou de súbito.

— Porque eu quero você — respondeu, sem ao menos tentar interpretar a pergunta de outra maneira.

Culpas e tudo mais? Estava prestes a desafiá-lo quando as pontas dos dedos de Sasuke vieram repousar contra a sua boca.

— Não me questione, pergunte a si mesma o que quer.

Ela o queria, admitiu. Sakura sempre o quis. Queria que essa noite durasse para sempre e que o passado desaparecesse, e que a tristeza de amanhã nunca chegasse.

Assim, Sakura deixou que Sasuke a beijasse, assim que saíram do restaurante, as mãos dele gentilmente cravadas nos seus ombros sob a jaqueta de couro, o leve roçar dos corpos como um aperitivo provocante do que estava por vir.

No caminho de volta até o carro, Sasuke repentinamente deixou a companhia de Sakura com uma desculpa murmurada, e desapareceu no interior de uma daquelas lojinhas que vendiam de tudo. Saiu de lá minutos depois carregando uma caixa, a qual entregou para Sakura com um sorriso assimétrico. Era uma caixa de trufas cobertas de chocolate, outra confirmação do que estavam prestes a fazer mais tarde, porque sempre costumavam apreciar trufas cobertas de chocolate, um levando à boca do outro, reclinados na cama, ainda envergando na pele nua a florescência de um acasalamento lento e demorado.

Sasuke estava arrancando todos os obstáculos para recriar a velha mágica. E Sakura se quedou tão ocupada, enrubescendo, que quase deixou escapar a outra mão de Sasuke, que escorregou um pequeno objeto para dentro do bolso dele e, mesmo assim, presumiu que aquilo fosse apenas um maço de cédulas de euro, e remeteu o incidente para as profundezas da sua mente, a favor de... outras coisas.

Continuaram a caminhar em direção ao Duomo, enquanto o prognóstico ditava o ritmo da própria pulsação terna. Entraram no carro assim que aquela pulsação acelerou. Percorreram o trajeto sem se falar, o que precipitou tudo ainda mais. Desceram do carro e chegaram ao elevador do térreo. Sasuke estendeu uma das mãos para pressionar o botão, ao mesmo tempo em que puxou Sakura para perto com a outra.

— Você está tremendo — disse ele.

Sakura tentou rir mas não funcionou, então a boca de Sasuke capturou a sua e se beijaram tão profundamente que ela não teve a noção se o elevador havia chegado, até que Sasuke se afastou para manobrá-los para dentro do espaço metálico. Sasuke a escorou contra a parede com o próprio corpo, enquanto ativava o código de segurança. Subiram pelo elevador, as mãos de Sasuke acopladas nos quadris de Sakura, e os lábios comprimindo beijos delicados por todo o seu rosto.

Sakura não repeliu Sasuke. Não dissera um não para isso, então por que começara a se sentir ansiosa, conforme chegava mais perto do ponto a partir do qual iria ter que se mover além de só dizer não? A porta do elevador se abriu; os corpos se separaram do lado de fora.

Tudo permaneceu igual... tudo. As paredes creme, o piso marchetado — Apoio posicionado em cima da arca. Luzes elétricas arderam, ativadas gentilmente por um comando automático, por isso ninguém entrava ali no escuro. Ela se moveu sob pernas frágeis, o coração batendo esquisito no peito.

Queria mesmo isso?

Sasuke estava atrás dela, bem atrás dela. A porta do elevador se fechou, e Sasuke virou Sakura ao contrário, de modo que ficasse de frente para ele de novo, capturando os seus olhos e mantendo o passado seguramente amalgamado no presente, com a luxuriante promessa sombria queimando dentro de si. A jaqueta foi retirada dos ombros e atirada de lado. As mãos de Sasuke substituíram-na, cercando os ombros macios, depois atacando em descendência pelos braços, antes de se moverem na direção da base palpitante da espinha, onde ele a pressionou num contato arquejante contra o corpo dele, e recapturou a sua boca com um intenso beijo que fez os pontos interrogativos voarem para longe.

Foram para o quarto, a porta trancando-os dentro do seu mundo cuidadosamente construído, onde nenhuma força exterior tinha permissão para se intrometer. Sakura colocou a caixa de trufas de lado numa mesinha, depois cingiu os braços tenros ao redor do pescoço de Sasuke, a cabeça inclinada lateralmente, na medida em que a boca procurava pela dele novamente, os lábios separados, cálidos e latentes num convite. A respiração estremeceu de dentro dele quando aceitou o convite, e estremeceu de novo, quando Sakura rolou a língua em volta dos tecidos mais profundos da sua boca.

Estavam unidos — já mesmo sem o que estava por vir. Sempre fora assim com eles.

Beijaram-se por séculos, ambos imersos sob uma bruma sensual, intensa e sombria. Sasuke atacou os braços, atacou o corpo, deslizou as mãos embaixo dos cabelos e, lentamente, deslizou o fecho do vestido para baixo. Sakura suspirou àquela carícia prazerosa dos dedos, sobre a carne suave como seda das costas, se esticando e arqueando em perfeito acordo com as demandas de Sasuke, que exigia que ela erguesse os braços para que pudesse lhe despir o vestido. Os punhos justos das mangas agarraram nas mãos, e Sasuke deu um puxão rigoroso para libertá-las. Em seguida, colheu os pulsos de Sakura, beijando-os, como se para amainar aquela pequena cena de violência, porque a violência não tinha permissão para estar entre eles naquele aposento. Isso pertencia ao passado, quando se apaixonaram um pelo outro numa fúria de lascívia desimpedida.

Não, não lembre daquilo — pensou ela, assim que outro momento de indecisão fremiu na sua pele.

O vestido flutuou até o chão, e Sasuke seguiu o seu curso com o brilho soturno dos olhos, ao passo que as mãos se moveram para destravar o fecho do sutiã. As taças atraentes de renda verde penderam ao largo de duas esferas lívidas, com cristas intumescidas de um cor-de-rosa inabalável. Lambeu uma delas, e Sakura liberou um engasgo de prazer, fechando os olhos para aquele indesejável momento de dúvida em favor disso. Os ombros se endireitaram, a cabeça latejando com eles, assim como para erguer os seios para cima, na direção dos lábios de Sasuke.

Sasuke riu; foi um ruído suave e grave de reconhecimento. Ela sempre fora uma amante deliciosamente receptiva. Ele moveu a língua para o outro seio e evocou a mesma reação. Poderia deixá-la em um estado perfeito fazendo apenas isso, nada mais.

Mas não essa noite, disse a si mesmo, e remetia as mãos para investir sobre a pele dela como cetim, gentilmente moldando o corpo esguio e, em seguida, trazendo as coxas comprimidas na densidade ansiosa entre as suas. Sakura sentiu a estocada do pênis e se moveu contra ele, instintiva e sem reservas para deleitar os sentidos de Sasuke.

— Tire a minha roupa — disse ele.

Sakura abriu os olhos, lerdos de melancolia para focalizar, mas sorrindo um sorriso sensual de sereia quando conseguiu. Esticou-se para abrir os botões, alisando o tecido para o lado, de modo a desnudar o poder acumulado dentro do peito dele, e arranhando as unhas transversalmente entre os pêlos vigorosos, que recobriam finamente a encouraçada pele morena e dourada. A camisa caiu e ela pendeu para a frente, trilhando de um peitoral volumoso ao outro com beijos tépidos e molhados, enquanto os dedos foram baixar o zíper, já que, assim, poderiam deslizar para dentro e explorar.

Foi um toque como nenhum outro. Sasuke cerrou os olhos assim que a onda de desejo rolou sobre ele. A respiração golpeava a garganta e Sakura murmurou alguma coisa incoerente. Quando abriu os olhos, viu a sua língua traçando um círculo úmido em torno dos lábios, e entendeu por que Sakura fazia aquilo.

Ela não conseguia esconder nada — nunca pôde. O calor rosnou, do abismo da sua própria essência e, num gemido, Sasuke a ergueu e a carregou para a cama, se curvou para afastar a colcha e, em seguida, a deitou sobre o lençol branco e frio. Sakura assistiu enquanto Sasuke despia as roupas, ainda sem esconder um detalhe do que queria, quando acompanhou os movimentos dele ao se despojar das meias de seda e da calcinha verde, as pernas bem torneadas pairando sobre o linho branco, ofertando olhares atormentados de aprisco feminino, ocultos sob uma nuvem lustrosa de bronze.

A boca de Sasuke queria arrebatar e tomar posse. Porém, ainda não, pensou ele, dando à própria mão o prazer de escorregar entre as coxas infatigáveis, conforme se chegava mais para perto, deixando a boca livre para tomar, da boca faminta e predadora de Sakura, o que fosse necessário.

Beijaram, tocaram, rolaram juntos, e quando Sasuke mergulhou os dedos dentro dela, Sakura gemeu num deleite trêmulo. Sabia tudo a respeito dela, onde tocar, o que fazer para lançá-la no espaço.

— Preciso de você. — Sakura continuava dizendo de novo e de novo. — Preciso de você... preciso de você — até que Sasuke ficou tonto de ouvir aquilo, com triunfo, com uma necessidade só dele que se acumulava ao ardor.

As mãos de Sakura não estavam imóveis. Sasuke podia conhecer Sakura por dentro e por fora, mas ela era tão familiarizada quanto ele, em relação ao seu corpo. Sabia onde investir para fazer os sentidos de Sasuke rosnarem, sabia como atormentá-lo para receber uma resposta incandescente, até que o seu sangue fervesse e a respiração se tornasse entrecortada. No momento em que Sasuke deixou que ela o guiasse para dentro de si, já estava perdido para tudo o mais, exceto para Sakura e aquele prazer devastador.

Ela arqueou os lábios numa recepção esfaimada; Sasuke cravou a sua estocada profunda e súbita, sem nenhuma contenção. Sakura se agarrou onde pôde e ele a cavalgou, como um homem que caça alguma coisa a qual jamais perdeu. O calor dos sentidos eletrificados de Sakura, aquela estreiteza, envolveram toda a extensão da sua lança. As bocas se fundiram, os corações trovejaram, ambos com a carne banhada em suor, os membros puxando ou agarrando, todas as partes estremecendo numa jornada quente e de tirar o fôlego, em direção ao tórrido final.

Sakura desabou primeiro, levando Sasuke consigo, a reação encrespada do seu orgasmo excitando arrebatadamente o dele. Sasuke gemeu e permaneceu gemendo, a cada punhalada trêmula do corpo, que liberou o seu sumo ao ritmo dos músculos latentes que, vorazmente, os mantinha reunidos lá dentro.

Finalmente retardou o ritmo, o fluxo acelerado e firme dos sentidos se estabilizaram, a tensão cessou e Sasuke se deu conta que Sakura arcava com todo o seu peso. Escorregou para o lado dela, depois reclinou de bruços com os olhos fechados, esperando que aquela enchente platinada de intensa saciedade atingisse um refluxo lento.

Depois de algum tempo, recobrou a energia para olhar para Sakura. Ela não se movera em absoluto. Equilibrando-se sobre um antebraço, Sasuke olhou para baixo, e viu que os olhos dela ainda estavam cerrados e parecia pálida. Será que a machucou? A ansiedade dardejou a tensão de volta aos seus ombros, porque houve momentos em que esteve tão perdido em trevas que chegou a rosnar na sua mente.

— Você está bem? — perguntou secamente, e tocou os lábios nos lábios macios de Sakura, depois gentilmente afastou com os dedos as mechas úmidas de cabelo da face dela. O seu hummmm... preguiçoso nadou através dele como num rio de alívio.

— Então abra as pálpebras e olhe para mim — ordenou ele. — Eu não gosto quando você fica deitada tão imóvel.

— Você é tão maravilhoso, sabia? — Contou a ele suavemente.

No mais autêntico estilo machão, Sasuke aquiesceu com um sorriso preguiçoso, depois afagou os lábios dela com outro beijo. Ele acabara de apreciar a mais fascinante experiência de toda a sua vida, e conseguiu levar aquela mulher consigo. Por isso se sentia maravilhoso.

— Trufas — anunciou Sakura subitamente, passando de um estado de imobilidade saciada para a transmissão ao vivo, em um único piscar de olhos.

Permitindo que ela se remexesse debaixo dele, Sasuke deitou de lado e observou, através de olhos zombeteiros e escuros de sono, quando Sakura pulou da cama e zanzou pelo quarto para recolher a caixa de trufas recobertas de chocolate do lugar onde a pusera, na mesinha ao lado da porta.

Assim que Sakura pegou a caixa, algo começou a importuná-la no fundo da sua mente. Virou-se de volta lentamente, franzindo o cenho para as trufas cobertas de chocolate, na medida em que tentava captar o que quer que pudesse ser aquela coisa insignificante.

Foi então que aquilo a atingiu como um flashback ofuscante, explodindo adiante para passar novamente. Viu Sasuke sair do carro, envergando o mesmo sorriso no rosto que tinha quando lhe entregou a caixa de trufas. Mas foi o que a outra mão fazia que ela estava focalizando agora. Pensou que Sasuke estivesse deslizando alguns euros dobrados para dentro do bolso. Podia ver tão claramente agora, que não podia acreditar que cometera um erro tão estúpido!

Sasuke não entrou naquela loja para comprar trufas! Isso foi apenas uma justificativa.

Um pacote de preservativos. Sasuke comprou preservativos, em antecipação àquele cuidadosamente acalentado festim de amor!

— Não posso olhar para você sem querer estar dentro de você — murmurou ele, numa raspada grave e sombria.

O queixo se contraiu bruscamente, quando Sakura ergueu a face para olhar para ele. Estava deitado no típico modo relaxado de Sasuke, de lado, com a cabeça morena escorada sobre uma das mãos, e a perna longa e poderosa casualmente curvada. A pose nua não escondia nada. Nem a largura do peito, nem a extensão do seu longo torso recoberto de pêlos escuros. Nem encobria aquela moita de pêlos encaracolados que jazia à volta do sexo.

Sakura começou a tremer, de fúria ou de terror — não estava certa, provavelmente, uma combinação de ambos.

— Seu idiota! — Atirou nele. — Eu odeio você!


Desculpem a demora em postar esse capítulo,provavelmente estarei postando mais um ou dois esse final de semana.

Kissus...