Os personagens aqui citados pertencem a Masashi Kishimoto,exceto,a Rose que é uma personagem original da Michelle Reid.

Essa fanfic é uma adaptação do livro Uma prova de amor,da autora Michelle Reid


Uma prova de amor

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Capítulo VII


Se Sasuke ao menos soubesse o que se passava dentro da cabeça dela, pensou Sakura.

— Não vi você demonstrando sinais de deixar a compostura falhar — calculou ela, distante.

— Está quebrada por dentro, sangrando, de fato. — Sasuke a surpreendeu com aquela constatação mal-humorada. —Tome, beba um pouco disso — falou e colocou um copo na sua mão.

— O que é isso? — Sakura perguntou, receosamente.

— Conhaque. Isso deve ajudar a aquecê-la. Você parece correr o perigo de se transformar numa escultura de gelo.

Sakura tomou um pouco do conhaque e aborreceu-se logo depois, porque aquilo lhe subira direto aos olhos.

— Não faça assim — ralhou Sasuke.

— Foi você quem começou isso — acusou ela, esticando os olhos bem arregalados para estancar as lágrimas, e ergueu alguns dedos para pressioná-los contra a boca trêmula.

O suspiro de Sasuke acompanhou o toque gentil de um dedo longo, assim que afagou uma mecha solta de cabelo na face de Sakura. Foi o bastante para fazê-la querer lançar os braços ao redor do pescoço dele e soluçar até o coração esvaziar.

Alguém despontou na periferia do campo de visão do casal. Era Hinata; ela deu uma espiada na intimidade daquele pequeno téte-à-téte e se retraiu. A irmã mais velha de Sasuke era uma das pessoas mais sofisticadas que qualquer um desejaria conhecer, porém Hinata se esforçou muito para não olhar para Sakura sem demonstrar a sua recriminação.

— A Mamma desceu e está perguntando por você, Sasuke — informou ao irmão, enrouquecida.

— Estarei lá em um minuto — disse ele, sem tirar os olhos de Sakura.

— A Mamma disse que...

— Um minuto, Hinata — Sasuke foi incisivo.

Houve uma pausa que fez formigar a fina penugem do corpo de Sakura e manteve seus olhos rigorosamente fixos no nó negro da gravata de Sasuke. Em seguida, Hinata rodopiou para longe, deixando um silêncio desconfortável.

— Isso não foi muito cortês — repreendeu Sakura.

— Não me sinto inclinado a ser cortês. — Cortou ele em revide. — Na maior parte do tempo desse dia terrível, você parecia uma peça de porcelana, frágil e solitária, que alguém largou e esqueceu-se de recolher de novo. Eu quero recolher você e nunca mais largar.

Era a vez de Sakura murmurar um "Não faça assim". Sasuke não tinha o direito de lhe dizer coisas como aquela. Especialmente depois da maneira como a usara na noite anterior.

— Nós precisamos conversar. A noite passada foi uma confusão — disse, concatenando diretamente com os pensamentos dela de novo. — Não deveria haver terminado daquele jeito.

— Eu não quero discutir isso. — Sakura deu a entender que iria seguir os passos de Hinata.

Sasuke bloqueou a saída com um ombro largo que, efetivamente, a deteve presa.

— Nós temos que conversar a respeito — insistiu. — Existem coisas que eu deveria ter dito na noite passada que se perderam no meio da guerra. Mas elas estão a ponto de jorrar e acertar bem na cara de cada um de nós, por isso, preciso que você me escute.

— Escutar o quê... mais insultos?

— Não — ele negou entredentes, rangendo de impaciência. — A coisa sobre o casamento — explicou. — Você é contra se casar comigo pelo bem de nosso filho, mas...

— Não existe nenhum filho! — Sakura inseriu.

— Sasuke... — Era a voz mais calma de Hanabi que interrompia dessa vez, soando muito cautelosa. — Sinto muito perturbar você, mas o Sr. Jiraya acabou de chegar. Ele quer que...

Uma série de imprecações quase silenciosas deixaram os lábios de Sasuke, enquanto Sakura fechou os olhos e rogou a Deus para que Hanabi não tivesse ouvido o que ela dissera.

— Já estou indo — ferroou ele, com uma impaciência de arreganhar os dentes.

Hanabi não estava inclinada a demonstrar sua opinião como a irmã mais velha fizera, porque caminhou ao largo sem ao menos proferir outra palavra, deixando Sakura aprisionada na alcova por um homem que estava, literalmente, pulsando de frustração e com um incêndio nos olhos que a faziam pensar em...

Pare com isso, pensou dolorosamente. Não faça isso comigo aqui! Sakura inspirou tensa.

— Vá até a sua mãe, ou ao Sr. quem quer que seja — ela disse, inflexível.

— Apenas escute — instruiu ele —, porque eu não tenho tempo para isso, mas sei que deve ser dito! — Tomou um fôlego profundo, lutando impaciente contra alguma coisa a qual Sakura não podia nomear claramente, embora pudesse deixá-la tremendo assim que Sasuke cativou seus olhos novamente, e começou a alimentá-la com palavras num atrito rápido e aguçado. — Quero que você pense em Rose. Quero que você coloque os seus próprios sentimentos de lado, e os meus sentimentos quanto a isso, e pense em Rose e no que é melhor para ela.

— Rose virá comigo. Eu pretendo...

— Não! — disparou contra ela, forçosamente. As mãos de Sasuke se ergueram para agarrar os ombros de Sakura. A alteração súbita e raivosa do corpo quase derrubando no chão o copo de conhaque das mãos dela.

— Sabia que estava planejando algo parecido — exclamou ele, — mas não pode ser assim.

— Por que não?

— Porque...

— Sasuke... — Não havia como não reconhecer a dona dessa voz particular. Ela pertencia a Sra. Uchiha em pessoa. Sakura quase bambeou de alívio quando Sasuke soltou seus ombros com um suspiro de derrota, e se voltou para a mãe.

— Padre Madara precisa partir agora, mas disse que quer dar uma palavra com você antes que ele... Oh, Sakura — a Sra. Uchiha se interrompeu para admitir. — Eu não vi você parada aí.

O que era uma inverdade espalhafatosa porque, se isso não era parte de uma conspiração para impedir o que quer que a família acreditava que faziam naquela alcova, então o seu nome não era Sakura.

Em seguida, esmagou aquele fiapo de sarcasmo inoportuno quando percebeu a devastação escrita no rosto da mulher mais velha. A mãe de Sasuke tinha todo o direito de querer o filho remanescente inteirinho só para si, agora mesmo, pensou culpada, e conseguiu se esgueirar por Sasuke para oferecer um sorriso à mãe dele.

— Sasuke me trouxe um drinque — explicou Sakura.

— Tão atencioso da sua parte, Sasuke — anuiu a Sra. Uchiha em aprovação. — Parece que o truque funcionou, Sakura, e colocou alguma cor de volta nas suas faces. Você precisava disso, pobre querida — acrescentou num trinado rouco. — O dia de hoje foi um sacrifício e tanto para todos.

— Sim, um sacrifício e tanto — Sakura endossou, ao passo que a força total daquilo lhe caiu de volta com estardalhaço sobre a cabeça. Para a sua surpresa, a Sra. Uchiha se esticou para colocar os braços em volta dela, e afagou cada face com um beijo.

— Vou sentir tanta falta de Temari — confidenciou densamente, e disse isso em inglês.

Por pouco não foi a ruína de Sakura. Teve que engolir as lágrimas e foi capaz apenas de aquiescer com a cabeça e retribuir os dois beijos, porque sabia que não conseguiria falar. A mãe de Sasuke aparentou compreender aquilo porque, carinhosamente, lhe deu uma palmadinha antes de soltá-la, e depois voltou a atenção para o filho.

— Eu não compreendo por que você precisa falar com o padre Madara, mas não acho que deva deixá-lo esperando.

— Não — o filho concordou.

Sakura aproveitou isso como a deixa para tornar a sua fuga oportuna:

— Com licença — murmurou, e estava prestes a escorrer tranquilamente para fora quando Sasuke a deteve com o toque dos longos dedos no seu braço.

— Tudo bem? — perguntou asperamente.

Sakura manteve os olhos baixos, engoliu em seco e anuiu com a cabeça, mas Sasuke não parecia impressionado. Ela podia sentir a irritação dele, o desejo frustrado de concluir o que havia iniciado. Porém, Sasuke não podia e sabia que não podia.

— Pense no que lhe falei — disse afinal.

Não se eu puder me conter, Sakura pensou aridamente, mas meneou a cabeça concordando já que a mãe dele escutava. Então, escorregou o braço para se livrar dos dedos e foi embora, consciente que os olhos dele a seguiam, consciente que os olhos da mãe faziam o mesmo.

A mãe parecia tão frágil que estava certo de que ela acabaria se quebrando logo, pensava Sasuke soturnamente.

— Espero que saiba o que está fazendo — disse a mãe de Sasuke.

Ele mirou direto no rosto pálido e ansioso dessa mulher, a quem amava incondicionalmente, e desejou que pudesse amar Sakura daquele jeito de novo.

— Sei exatamente o que estou fazendo — garantiu a ela sobriamente.

— Ainda assim... — a mãe arfou procurando um fôlego de ar — é melhor não tomar decisões precipitadas, enquanto você estiver se sentindo tão vulnerável.

O comentário divertiu Sasuke o suficiente para fazê-lo arquear uma sobrancelha zombeteira.

— Eu gostaria de saber sobre o que você estava falando.

— Você e Sakura — foi informado. — Basta um par de olhos para perceber que vocês dois andam dormindo juntos.

— Mamma! — admoestou Sasuke.

— Por qual outra razão você insistiria para que ela ficasse no seu apartamento? — Não ligou a mínima para a censura. — Por qual outra razão Sakura recusaria o convite para ficar comigo? As faíscas voam entre vocês como eletricidade, e foi preciso três — três — pessoas para resgatar você dessa alcova.

— Talvez isso ocorresse porque não queríamos ser resgatados para fora — sugeriu Sasuke com ironia.

— É um fato notório que a vida se agarra à vida em tempos de tragédia — persistiu obstinadamente. — Eu posso entender isso, até mesmo solidarizar com isso. Não consigo imaginar outra situação na qual os dois pudessem ser arremessados um de encontro ao outro de novo tão poderosamente. Mas você agora tem o padre Madara o esperando para conversar, e o advogado de Shikamaru aguardando sua vez. Estou preocupada com o que quer que você esteja planejando fazer.

Havia muito que pudesse dizer em resposta, mas a atenção de Sasuke já se fixara em outro lugar. Durante todo o sermão bastante sensato da mãe, Sasuke seguira a coroa reluzente da cabeça de Sakura com os olhos, enquanto a moça se movia entre cabeças mais escuras, agrupadas no outro extremo do corredor. Sasuke a viu hesitar, ouvir, aceitar abraços de solidariedade, a viu fingir tomar um gole do conhaque que ainda segurava na mão. Sakura parecia bem, composta, suportando admiravelmente, mesmo assim uma sensação mesquinha cravou as garras nos instintos dele.

— Sasuke, por favor, me escute — sua mãe recomendava. — Eu não quero vê-los se magoando de novo.

Os cílios dele deram um piparote relutante quando se forçou a afastar os olhos de Sakura para fitar o semblante apreensivo da mãe. Erguendo as mãos para cobrir os dedos da mãe que repousavam, junto ao seu peito, arrastou-os até os lábios para beijá-los gentilmente, e então com firmeza abaixou-os até a altura das costelas dela. — Eu amo você — afirmou gentilmente. — Parte o meu coração que você se permita preocupar comigo. Mas nós vamos terminar isso mais tarde, amore mio...

Porque uma coisa mais urgente o arrastava aos puxões. E erguer o olhar de volta ao ponto onde avistara Sakura pela última vez, só a idéia de não vê-la transformou o puxão num rosnado que o levou a perambular nos arredores, passando pela figura alta e esbelta do padre Madara, e da mais rotunda de Jiraya, sem sequer notá-las. Onde ela foi...?

Sakura abrira a porta e se esgueirara silenciosamente para dentro da biblioteca dos Uchiha, com suas belas paredes pálidas decoradas com painéis de madeira, e os leves moveis azuis e as estantes de livros pomposamente ornadas com cornijas, abarrotadas de edições de valor inestimável. Estava tudo quieto lá dentro, e tão livre das outras pessoas que seus ombros submergiram de alívio. Sasuke a obrigara a pensar quando não queria pensar. Agora Sakura tinha uma dor avultando por detrás dos olhos, a qual prometia evoluir para uma enxaqueca atordoante, caso não sequestrasse alguns segundos para si mesma.

De início, Sakura cruzou o caminho até a janela para contemplar os jardins projetados de acordo com a clássica formalidade italiana, saturados dos botões amarelos e roxos das primeiras flores de primavera da estação. Houve um momento no qual foi tentada a abrir uma das portas francesas, e sair para o terraço para respirar um pouco de ar puro. Mas o encanecido do dia advertia Sakura que estava frio lá fora e, em vez disso, voltou a face novamente para a sala e foi atraída em direção à imensa lareira de mármore branco, na qual um cepo ardendo em fogo emitia dedos intermitentes de uma calidez convidativa.

Estava prestes a se sentar numa das bérgeres que ladeavam o fogo, quando viu uma fileira de porta-retratos de prata no alto do consolo da lareira. O coração emitiu um pequeno fremido pungente, assim que ela apoiou o copo sobre a mesinha, e em seguida se pôs a estudar as fotografias.

Estavam todos lá na sua elegância matrimonial e postados sob a mesma arcada de pedra, na mesma igreja que visitaram hoje. Hinata com Naruto, Hanabi com Kiba — até a Sra. Uchiha posando ao lado do vistoso marido, o qual Sakura não fora afortunada o bastante para conhecer, embora sentisse que, caso passasse por ela na rua, saberia de quem se tratava já que Sasuke se parecia demais com ele.

E afinal havia uma foto de Shikamaru e Temari. Estendendo os frágeis dedos Sakura gentilmente os fez flutuar sobre os rostos dessas duas pessoas felizes, as quais jamais veria sorrir desse jeito novamente. Veio assim, se libertando num soluço angustiado, acompanhado por outro e mais outro, que a fizeram abaixar-se e ajoelhada abraçada a si mesma, na medida em que balançava para frente e para trás, desaguou tudo o que havia solidamente controlado.

A porta se abriu bruscamente e um ajuntamento de pessoas veio se deter atordoado naquela brecha. Sakura não sabia, não tinha idéia que Sasuke causara um escândalo e tanto lá fora, porque não conseguia localizá-la. Não sabia que Sasuke a tinha encontrado, até que estivesse caído de joelhos diante dela, e proferindo alguma coisa densa e desequilibrada, assim que a aconchegou contra ele.

— Eu não consigo suportar isso, não consigo suportar isso — Sakura podia se ouvir soluçando, ao passo que Sasuke baixou a cabeça morena sobre a sua, e ela pôde perceber os tremores abalarem-no.

Alguém mais deixou escapar um soluço alquebrado, e uma outra mão se chegou à base da sua espinha. Era a mão da mãe de Sasuke. A despeito das preocupações, a Sra. Uchiha não era páreo para a intensidade do pesar comovido de Sakura. Lágrimas espessavam a voz dela, enquanto oferecia palavras de conforto. Ao pé da porta, vários outros lutavam para manter as lágrimas sob controle.

Mas foi Sasuke quem a abraçou, a compostura de Sasuke que ela pôde sentir se desfazer em pedaços.

— Idiota — resmungou ele, conforme Sakura enterrou o rosto na sua garganta e o banhou com a profunda agonia sufocada daquelas lágrimas. — Eu tiro os olhos de você por dois breves segundos, e você desaparece desse jeito! Porque você é tão teimosa? — perguntou Sasuke, instavelmente. — Por que você insiste em acreditar que pode carregar toda essa aflição sem me pedir ajuda? Você sempre não desmorona em frangalhos, afinal? Quando estivermos casados eu vou algemar você do meu lado, então não precisarei...

— Eu não vou me casar com você. — Sakura soluçou dentro da garganta dele, enquanto um coro de engasgos chocados percorreram a sala. Ela não os ouviu.

Sasuke os ignorou, os dedos se desalojando da garra que segurava os cabelos dela no alto, por isso a massa densa e inflamada desenroscou na direção dos dedos à medida que comprimiam Sakura mais para perto.

— Sim, você vai — rangeu os dentes. — É o seu destino... meu destino.

— O que você está dizendo? — gritou Hinata.

— Nada que você não teria ouvido até o fim do dia de hoje — respondeu Sasuke, enquanto Sakura soluçou ainda mais intensamente, e Sasuke calculava há quanto tempo saíra, antes de se reunir a ela em toda essa agonia.

— Então você é um tolo!

— Si — admitiu ele. — Naruto, faça com que Lee traga o carro até a porta, se puder. Vou levar Sakura para casa.

Ergueu-se bruscamente sobre as próprias pernas, com Sakura ainda imprensada na sua frente.

— Consegue ficar de pé ou terei de carregar você? — Perguntou a ela.

— Eu não vou me casar com você. — Sakura encontrou forças na consternação de Hinata para levantar a face lavada de lágrimas e incendiar as palavras sobre ele. — Veja estas fotos, Sasuke — veja! — insistiu Sakura, indo em direção ao consolo da lareira. — Todos estão felizes por se casarem uns com os outros. Nós somos felizes? Eles estão felizes por você ainda pensar em se casar comigo?

Sasuke não olhou para os retratos sobre o consolo, ou para as versões reais daquelas pessoas, aglomeradas em torno da porta. Olhou para Sakura; olhou para dentro de Sakura.

— Shikamaru e Temari ficarão felizes por nós — afiançou Sasuke. — A filha deles ficará feliz por nós quando a adotarmos para a nossa nova família. E você vai...

O coração de Sakura saltou para a garganta.

— Não se atreva a dizer isso! — Desafogou ela. — Eu não estou...

— Já não está grávida da nossa preciosa criança?

O engasgo seguinte da massa foi acompanhado por um silêncio compreensivo. A mão da Sra. Uchiha ainda repousava nas costas de Sakura, mas agora foi removida aos solavancos.

— Como você pôde? — murmurou Sakura.

— Foi surpreendentemente fácil. — Sasuke debochou dela com um olhar. — Você agora vai transformar os desejos de Hinata em realidade e me fazer de tolo novamente?

Bem, e você é um? Sakura foi forçada a perguntar a si própria. Vislumbrou dentro da face retorcida, sutilmente arrependida desse homem que ela amara por tanto tempo que não podia se lembrar de quando começara a amá-lo, e pensou — não, eu não vou fazer isso de novo.

As lágrimas esvaneceram, a compostura abalada escorregou calmamente de volta no lugar. Umedecendo os lábios trêmulos, Sakura se virou no cerco formado pelos braços de Sasuke, e encarou esta família da qual, uma vez, sentiu-se uma parte bem-vinda, mas que agora...

— Sasuke e eu vamos nos casar. — Anunciou com uma voz que se recusava a não estremecer. — Sinto muito que vocês não apreciem isso, mas é o q-que nós dois q-queremos.

— Por isso, planejamos fazê-lo na próxima semana, numa cerimônia tranquila em respeito a nossa recente perda — sobrepôs Sasuke. — Vocês são bem-vindos para assistir, mas esse não é um dever do qual espero que cumpram, caso vocês não sejam capazes de nos desejar os votos de felicidade.

Ninguém falou, ninguém. Não houve um único boa sorte, Deus o amaldiçoe, ou mesmo um dispersivo vá para o inferno, seu par de tolos. Aquilo parecia um sufocante, sufocante cobertor de perfeito silêncio até que...

— Bem, bravo — uma sutil voz masculina aplaudiu, e padre Madara destacou a si mesmo do pequeno grupo.

Ele começou a andar na direção deles, um homem alto, esguio, com cabelo grisalho e a aparência de um Uchiha delineada no rosto liso. Hesitou para tocar os alvos dedos esguios e solidários na face chocada da Sra. Uchiha, em seguida continuou, até se deter na frente deles afinal.

— Agora compreendo o seu desejo de preparar essa cerimônia de casamento intempestiva, Sasuke. — Sorriu quando estendeu a mão para cumprimentar Sasuke. — Isto devia ter acontecido há dois anos, é claro, mas na próxima semana está ótimo. Estou muito feliz por vocês dois.

Haviam tantas mensagens ocultas no que padre Madara dissera, que aquilo causou uma onda de desconforto que se deslocou através do grupo. Sakura não podia suportar. Já tivera o bastante. Lágrimas frescas latejavam na sua garganta, e ela soube que corria o perigo de virar cacos novamente.

Certamente, Sakura não precisava do vigário para atrair a atenção para ela. Porém, foi exatamente isso que ele fez.

— Bem-vinda à família Uchiha, Sakura — ele sancionou, levando as mãos para descansar nos ombros dela. — Tendo conhecido a sua irmã muito bem ao longo dos anos, eu sei o quanto Temari rezou intensamente para que isso acontecesse. — Ele se curvou para dar beijos nas faces de Sakura. — Agora ela pode ficar em paz, cara mia — murmurou, apenas no ouvido dela. — Em nome de Temari, tente ficar em paz consigo mesma.

Foi assim que percebeu que padre Madara sabia de tudo. Temari deve ter confessado tudo ao vigário. Os ombros sacudiram, à medida que as lágrimas ameaçavam jorrar adiante novamente, e se libertou dos braços de Sasuke para afundar dentro de uma das poltronas que pareciam ter asas, com mágoas diferentes, emoções diferentes.

Padre Madara recuou transpondo a sala, aconchegando a mãe de Sasuke sob os seus braços, e conduzindo o restante do rebanho subjugado diante dele pela porta.

— Leve essa pobre criança para casa, Sasuke. Eu vou ficar e lidar com os outros negócios pendentes por aqui — por segundos demorados, foram as complacentes palavras finais ditas na biblioteca dos Uchiha, até que a porta se fechasse.

— Não acredito que você fez isso. — Sakura irrompeu.

— Eu estou tendo uma dificuldade enorme para acreditar que você me apoiou — foi a réplica prolongada de Sasuke. —Aqui... — O copo de conhaque foi retomado da mesa e acomodado entre os dedos dela. — Beba — ordenou.

Beba, repetiu Sakura, e gastou uns poucos segundos brincando com a idéia de atirar o drinque na cara dele. Então Sasuke perguntou inexoravelmente:

— O que Padre Madara disse que quase deixou você despedaçada outra vez?

E Sakura sorveu um gole do conhaque porque, subitamente, precisou daquilo.

— Nada — resmungou ela. — O que era o outro negócio que ele mencionou quando saiu?

— Última vontade e testamentos — respondeu. — Jiraya é advogado de Shikamaru. Está aqui para ler o testamento conjunto de Shikamaru e Temari. Porém, há uma cláusula específica, que versa sobre o evento improvável de morrerem ao mesmo tempo. E essa parte que nos diz respeito.

— O que você quer dizer? — Olhou para cima, para ele, com a pergunta. Sasuke estava postado com um braço repousando no topo do consolo da lareira, a expressão implacável enquanto contemplava as chamas saltitantes da lenha.

— Se você aceitar uma vaga tradução de memória, a cláusula diz que no advento da morte simultânea de ambas as partes, seus bens comuns serão depositados sob tutela para qualquer criança sobrevivente que pudessem vir a gerar. A tutela deve ser administrada por você e por mim. — Sasuke olhou para Sakura, para assistir enquanto absorvia as notícias surpreendentes. — Nós também ganhamos a custódia conjunta de qualquer criança que viessem a conceber — acrescentou ele. — Por isso, como pode ver, mesmo se quiser adotar Rose sozinha não poderá fazê-lo sem o meu consentimento, assim como eu não posso adotá-la sem o seu.

E aquele era o dilema do negócio do casamento, Sakura concluiu. Esqueça todo o resto. Sasuke sabia sobre o testamento o tempo todo. Ele deve ter sentido o laço da armadilha apertar em torno do pescoço, no momento em que o leu porque, sendo Sasuke quem era, não só não iria permitir que a filha do irmão fosse criada por qualquer um que não ele próprio, como não iria deixar Sakura deter o poder de decisão sobre a soma de um bom pedaço das ações do grupo Uchiha, sem que Sasuke detivesse o poder de decisão sobre ela. Ledo engano, Sakura quase podia enxergar as engrenagens girando dentro da cabeça dele diante de tal perspectiva. Se Sasuke não se casasse com Sakura, então ela teria a liberdade de se casar com alguém mais... um homem, para ser exata. A quem poderia dar permissão para enfiar os dedos amadores nos negócios dos Uchiha. Sakura gargalhou; estava tudo tão claro de repente.

— Você planejou o nosso casamento desde o momento em que Temari morreu, não foi? — murmurou ela.

— Sim. — Sasuke nem se deu ao trabalho de mentir.

— E aquela excursão às vias da memória ontem, cuidadosamente preparada, culminando na grande cena da sedução, era o precedente de uma proposta de casamento.

— Eu pretendia explicar sobre o testamento primeiro. — Sasuke declarou em sua própria defesa.

— Que pena todo aquele outro negócio dos preservativos embarreirar o seu caminho — disse ela.

— Nós brigamos como gatos selvagens, cara mia, sempre fizemos assim — lembrou-lhe sutilmente. — Nenhum de nós é inclinado a se entregar.

Repousando a cabeça contra o ângulo da poltrona, Sakura olhou para Sasuke parado ali, com a luz do fogo brincando de fazer truques dinâmicos com a sua face suavemente bela — e imaginou por que não estava zangada com ele.

Porque ela havia se rendido, concluiu. Sasuke clamou que nenhum deles se rendia numa luta, porém ela sabia que havia se rendido ao apoiá-lo nessa coisa toda de casamento.

Por quê? Porque amava aquele demônio impiedoso. Porque havia uma oportunidade em jogo que jamais viria ao seu encontro novamente. Padre Madara estava certo quando disse que era hora de ficar em paz consigo mesma. Se estar em paz significava se permitir a amar Sasuke, sem que os velhos ressentimentos servissem de recheio, então poderia fazê-lo agora. O fato de Sasuke não poder permitir a mesma paz a si próprio não era culpa dele, mas culpa das circunstâncias, as quais, até Sakura podia reconhecer, foram bastante desastrosas naquela época. Mas ele a amara uma vez, e se aquele brilho nos seus olhos não estivessem denunciando que lutava arduamente para não amá-la de novo, então ela não o conhecia de jeito nenhum.

Sasuke era seu. Tudo o que fazia e dizia demonstrava que era seu. Até o último fiozinho de manipulação foi um ato de possessividade, na intenção de acobertar os sentimentos verdadeiros dele, ou Sasuke não teria se aplicado àquela sedução a toda velocidade da noite passada, mas ele optou pela proposta de negócios de cabeça fria, à qual fora forçado a colocar em ação apenas quando a sedução falhou.

— Quando você sorri desse jeito, os pêlos das minhas costas começam a pinicar — Sasuke murmurou sombriamente. — Isso me faz lembrar de dentes muito afiados.

— A sua família não vai gostar nada disso — advertiu Sakura, ignorando aquele comentário. — Assim que se recobrarem do choque, vão cair sobre você com cada objeção que puderem encontrar.

— Eu pareço ligar a mínima para isso? — Sasuke arqueou uma sobrancelha.

— Eu não vou ouvir um monte de besteiras sobre o passado — declarou Sakura. — Se você trouxer isso à tona, eu vou embora, levando Rose comigo e deixando você brigar por ela num tribunal.

— Que passado? — arguiu ele, preenchendo-a com uma espécie de calor estonteante, porque o homem postado ali não pensava sobre nada mais além do comprimento das pernas esguias de Sakura envoltas em seda, e no quanto poderiam apertá-lo justo quando ele precisasse disso.

Sakura descruzou as pernas e as cruzou de novo demoradamente, sensualmente, e observou a luz do fogo crepitante refletir os salpicos dourados nos olhos dele.

— Sua bruxinha provocante. — Sasuke sabia o que ela estava fazendo.

— Si — alongou ela, despropositadamente.

Sasuke se moveu como um relâmpago. O copo que Sakura embalava entre os dedos desapareceu. Foi auxiliada a levantar por duas mãos que circundaram a sua cintura fina. O beijo dele devorava, devorava. Fome, sede, castigo, desejo — chame do nome que quiser, Sasuke colocou todos juntos num único beijo ardente.

— Vamos para casa — rosnou ele, libertando os lábios.

A realidade veio para dar em Sakura um incômodo pontapé. Ir para "casa", como Sasuke chamava, significava sair e encarar a recriminação da família dele.

— Eu... lamento — murmurou Sakura, recuando um passo para longe dele.

— Pelo quê? — inquiriu.

— Por cair aos pedaços quando estava determinada a não fazer isso, e por ser a causa daquela cena horrível ter acontecido em absoluto.

— O resultado daquilo sempre esteve para acontecer — respondeu, então alcançou o queixo dela, ergueu-o para que assim Sakura pudesse olhar nos seus olhos. — Se você está esperando um filho meu, nos casamos — disse categoricamente. — Se você não está esperando um filho meu, mas mesmo assim quer ser uma mãe para Rose, então case comigo. De qualquer jeito... nos casamos. — Sasuke deu de ombros para declarar que garantiria tudo.

— Eu não estou esperando um filho seu — ela enfatizou.

— Por que é tão contrária a isso?

— Já lhe disse. — Sakura tentou livrar o queixo, mas Sasuke se recusou a soltar, os longos dedos simplesmente se moviam para abarcar uma das faces. — Eu não quero passar pelo que Temari passou tantas vezes.

— Por que você teme que possa vir a ter os mesmos problemas?

Os seios estremeceram num pequeno suspiro.

— Minha mãe morreu no parto — contou a ele. — Como eu posso não esperar que aconteça o mesmo comigo?

— Porque Temari não morreu dando à luz a Rose, ela morreu devido a um acidente grotesco.

— E todos aqueles desapontamentos desgraçados que ela sofreu ano após ano? — Sakura balançou a cabeça, e ainda não conseguia desalojar os dedos e o polegar dele. — Eu sei que deve soar como uma covardia muito grande, mas simplesmente não posso me colocar numa situação dessas.

— A sua mãe teve muitos abortos?

— Não — admitiu. — Mas ela...

— Então você está misturando duas tragédias diferentes juntas, e assustando a si mesma com as consequências, então pare com isso — disse ele serenamente. — Nada disso vai acontecer com você. Se estiver grávida, então encontraremos o melhor atendimento médico. Se não estiver, e realmente continuar a sentir medo disso, então Rose será nossa filha única... nosso presente especial deixado por Shikamaru e Temari.

— Isso será o suficiente para você? — a resposta de Sasuke era tão importante para ela.

— Idiota — repreendeu ele, e a arrebatou ao seu encontro conforme abaixou a cabeça e a beijou novamente, mas de um modo diferente. Esse beijo parecia selar alguma coisa, embora o quê, exatamente, Sakura não sabia ao certo.

E a chibata da desaprovação nem de perto foi tão má quanto Sakura esperava que fosse, principalmente porque quase todos, exceto os parentes mais próximos, haviam partido enquanto os dois se escondiam na biblioteca, e quanto ao resto — bem, Sakura precisou supor que já soubessem o que havia no testamento de Shikamaru e Temari, porque havia um ar de aceitação a respeito das suas maneiras, o qual era infinitamente melhor do que censura.

A mãe de Sasuke colocou isso em palavras.

— Esta tem sido a pior semana que qualquer um de nós poderia ser obrigado a enfrentar. Coloca tudo o que já passou antes à sombra. Como o padre Madara nos mostrou, nossos pensamentos devem estar concentrados no bebê de Temari e Shikamaru, e não posso pensar em duas pessoas que pudessem amar a criança mais do que vocês dois o farão. Por favor, Sakura... podemos fazer desse dia um novo começo para todos nós, ao contrário de um desfecho tão infeliz?

Foi um ramo de oliveira que Sakura jamais esperara ver. As lágrimas poderiam inundar os seus olhos de novo, acaso não houvesse reparado no semblante cínico de Hinata.

— Por que padre Madara exerce tanta influência sobre a sua família? — Sakura perguntou a Sasuke, enquanto Lee os levava embora.

— Você não sabia? — Sasuke se virou para ela: — Ele é meu tio... irmão do meu pai. Todo mundo na família o escuta... até eu, quando é preciso.

Casaram-se uma semana mais tarde. Padre Madara executou a cerimônia. Sasuke derrubou todas as barreiras e insistiu que Sakura usasse o vestido de casamento mais frívolo que pudesse achar. O fato das razões dele emanarem do rebuliço bobo que criou em torno dos retratos com moldura de prata não passou despercebido por ela.

A família estava lá para oferecer apoio. Sakura ficou realmente surpresa ao descobrir que Naruto, o marido de Hinata, havia se oferecido para escoltá-la pela ala da igreja, e que Hanabi queria ser sua madrinha, ao passo que Kiba faria as honras para Sasuke.

Espalhando aquilo ao redor. Sakura se divertiu futilmente quando parou na escada com Sasuke ao seu lado. Os flashes das câmeras espocaram. Foram captados para a posteridade, embora ela não tivesse nenhuma sensação de posse... ainda.

Isso viria, entretanto, disse a si mesma com determinação. Isso tinha a ver com o bem-estar de Rose, se não com o seu próprio e ela não havia colocado todo o seu futuro nas mãos de Sasuke sem estar preparada para, no fim, lutar com unhas e dentes por aquela união.

Ela contou isso a Shikamaru e Temari — secretamente, dentro de sua cabeça, ao pôr as flores de seu casamento no túmulo.

Eles voaram para Londres depois do casamento, e Sakura possuía uma vida inteira para empacotar e transportar para Florença, incluindo uma profissão que ela não tinha a menor intenção de abandonar porque se tornara uma esposa e estava prestes a se tornar mãe. Conversou sobre isso várias vezes com Sasuke, e concordaram que ela poderia trabalhar no apartamento e viajar a Londres quando os compromissos o fizessem necessário. Por isso, também concordaram em contratar uma enfermeira para ajudar a cuidar de Rose, e até encontraram a candidata ideal entre as enfermeiras do hospital, uma que havia cuidado do bebê desde o seu nascimento. Ela se tornara tão ligada a Rose que agarrou a chance de ir para casa com a menina, quando finalmente lhe fosse permitido deixar o hospital. Mas esse momento ainda se encontrava a poucas semanas adiante, porque Rose precisava permanecer no ambiente seguro do hospital até que atingisse o tempo de "gestação" apropriado, o que significava que Sakura possuía algumas semanas de folga para se acostumar ao novo regime de trabalho e se organizar antes que Rose e a enfermeira se unissem a eles.

Sasori, seu parceiro de negócios, pensou que Sakura estivesse desistindo de tudo para se transformar em mártir da família Uchiha — da maneira como ele via. Mas, então, Sasori era um típico jovem de vinte e quatro anos, com a ambição transbordando como uma torrente pelas orelhas. Não conseguia pensar em nada pior do que se amarrar a qualquer outra coisa que não fosse o seu desejo de sucesso. Foi quando Sasuke mostrou a ele que, com a verve fluente de Sakura em italiano, e seus próprios contatos influentes, tê-la morando em Florença só poderia ser bom para os negócios. Depois disso, Sasori quase fez a mudança para ela, de tão impaciente que estava para que Sakura retomasse a Florença. Porém, em um nível pessoal, era o amigo mais íntimo que ela tivera em toda a sua vida, e temia que Sakura se magoasse terrivelmente outra vez, caso não se cuidasse.

Sakura sabia que ele tinha razão, mas assim mesmo estava feliz, numa espécie esquisita e serena de disposição. Estava se permitindo amar Sasuke e ele não poderia ser mais acolhedor aos seus planos, nem se tentasse, apesar de Sakura não acreditar que o amor de Sasuke fosse o principal motivo para quebrar todas as barreiras de modo a fazer o casamento funcionar. E ninguém podia fazê-la questionar a paixão que compartilharam, regularmente à noite, nas luxuosas imediações do apartamento dele em Londres, ou aqueles outros interlúdios sensuais, orquestrados enquanto preparavam a mudança no apartamento dela, onde Sasuke supostamente estava para ajudar, embora tenha gasto a maior parte do seu tempo tentando arrancá-la de dentro das roupas.

Não importava o quanto Sakura tentasse, não conseguia se livrar da sensação de que a bolha estava para estourar a qualquer segundo. Mesmo pensando dessa forma, não estava preparada para a velocidade com a qual a tal bolha estourou.

Começou cinco dias após o casamento. Sasuke recebeu um telefonema do seu assistente pessoal, que fez com que tivesse de voar de volta a Florença imediatamente. Sakura não havia terminado de encaixotar suas coisas, o que significava que Sasuke teria que partir sem ela. Sasuke não gostou disso... Sakura não gostou disso. O casamento deles era muito recente, e frágil demais para arriscarem uma separação tão precoce. Antes de sair, Sasuke fez amor com Sakura, como se nunca mais fossem se encontrar de novo, e quando lhe deu um beijo de despedida, Sakura esteve tão próxima de mudar de idéia e ir com ele, que realmente se quedou chocada com o quão desesperada se sentiu.

Os dias seguintes pareciam se estender diante dela como um deserto vazio. Preenchia o tempo visitando os clientes e tranquilizando suas preocupações acerca da sua mudança. Quando não estava com clientes, estava empacotando as coisas e escutando Ino, a vizinha, tagarelar invejosamente sobre a vida nova na qual estava prestes a embarcar com um dos homens mais sexy do mundo.

O homem mais sexy do mundo ligava para ela toda noite — e o dia, se conseguisse achar tempo. Sentia falta dele. Sentia saudades de Rose e mal podia esperar para retornar.

A mudança foi enviada de navio para Florença num cargueiro especial. De fato Sakura estava aponto de marcar o próprio vôo para lá, quando a super modelo que conheceu em Paris ligou para dizer que estaria em Londres em dois dias e que gostaria de marcar outra reunião. Era uma oportunidade boa demais, assim ela decidiu ficar por mais alguns dias. Sasuke teve um surto de imprecações, e quando se acalmou, informou que as coisas dela haviam chegado e que era melhor que Sakura as acompanhasse em breve ou ele iria até lá buscá-la.

Sakura apreciou o modo zangado e possessivo com o qual Sasuke dissera aquilo. Era tudo muito agradável, muito flutuante a um palmo acima do chão. Um bom lugar para se ficar. Manteve o sentimento agarrado junto a si quando saiu para cuidar dos negócios no dia seguinte. Então subitamente percebeu que não fizera nada quanto às medidas contraceptivas apropriadas, por isso marcou uma consulta com seu médico, a fim de surpreender Sasuke quando voltasse a Florença, com a notícia que ele não precisaria mais continuar usando os miseráveis preservativos que odiava tanto. O médico preenchia o receituário quando Sakura pensou em perguntar a ele caso seria seguro começar a tomar pílulas, uma vez que havia uma pequena chance de estar grávida.

— Bem, vamos descobrir — disse o doutor.


Continua...

Pois é,consegui postar mais um capítulo esse final de semana,e agora a fic começa a entrar na reta final,infelizmente.

Aguardo os comentarios.

Kissus...