Os personagens aqui citados pertencem a Masashi Kishimoto,exceto,a Rose que é uma personagem original da Michelle Reid.
Essa fanfic é uma adaptação do livro Uma prova de amor,da autora Michelle Reid
Uma prova de amor
.
.
Capítulo VIII
Sasuke telefonou naquela noite, enquanto Sakura se detinha no quarto, contemplando o pálido reflexo no espelho de corpo inteiro, o que era arduamente reconhecível como o seu próprio rosto. O telefone estava a uma ponta de dedo do seu alcance, e Sakura o atendeu com um etéreo alô.
— Alô, você — Sasuke ecoou languidamente. — O que você está fazendo?
Desabando, pensou ela.
— Nada — respondeu. — Acabei de entrar. E-e você?
— Eu ainda estou no escritório. Eu tenho umas poucas... coisas que preciso fazer antes de sair. Mas não fazer nada soa convidativo — murmurou então, soando enrouquecido e sombrio e esplendorosamente íntimo. — Talvez possamos não fazer este nada juntos. Um interlúdio de sexo pelo telefone lhe parece atraente?
— Não exatamente agora — recusou. — Estou... — desmoronando — pronta para entrar no chuveiro — improvisou intempestivamente.
— Bem, se essa imagem não encoraja sexo ao telefone, então estou numa situação pior do que imaginei — Ele riu. — E você já se despiu? Caso já tenha feito isso, terá que esperar enquanto eu tento alcançá-la.
— N-não. — Observou os olhos piscarem de novo. — Acabei de chegar.
— Você já me disse isso. — Houve um instante de silêncio, um indício de tensão subitamente vergastando a linha, então... — Você está bem, cara mia? — inquiriu ele.
— Ótima — disse Sakura.
— Pois não soa nada ótima.
E Sasuke não soou mais rouco, notou ela, se obrigando a dar as costas ao espelho, de modo a tentar se concentrar.
— Desculpe — prosseguiu. — Eu tive um... dia difícil.
— Fazendo o quê?
— E-eu... — Uma das mãos lhe cobriu a fronte, confusão e choque fazendo que pensar parecesse impossível. — Eu s-saí as compras, comprei coisas demais, depois... — Não podia contar a ele, não dessa maneira — depois não conseguia me lembrar onde havia estacionado o m-meu carro.
— Você vendeu o carro semana passada — lembrou ele sutilmente e não havia nenhuma amabilidade naquele tom sutil. Começava a desconfiar e suspeitar de toda aquela conversa maluca.
Componha-se! — implacavelmente ordenou a si mesma, e carregou os pulmões com um pouco de ar, e conseguiu fazer com que soasse como uma risada, assim que expirou novamente.
— Eu sei. Isso não é estúpido? Comprei até cansar e depois fiquei procurando por um carro que nem mesmo tenho mais! — Se esquivando das próprias mentiras, caminhou sobre as pernas vacilantes até a cama. — Viu o que você faz comigo? — disse enquanto se acomodava. — Estou perdendo a cabeça e isso é culpa sua, porque eu estava absolutamente bem antes de você voltar para a minha vida.
— Então eu faço você perder a cabeça, tudo bem. Eu posso viver com isso — aceitou tranquilamente. — Agora quer me contar o que realmente está errado?
— Estou com dor de cabeça — estremeceu honestamente.
— Ah, a clássica dor de cabeça — o suspiro de mofa dele sussurrou no ouvido de Sakura. — Não é nenhuma surpresa que você não queira fazer sexo por telefone comigo.
A distração funcionou — Sasuke soava rouco outra vez. Sakura gostava da rouquidão, aquilo espremia o seu coração muito apertado, mas ainda gostava assim mesmo.
— Estou com saudades de você — ela acrescentou oportunamente. — E sinto falta de Rose. Você a viu hoje?
— Passamos a tarde juntos, e sentimos saudades de você também. — Sasuke retribuiu, ainda ressabiado porque o instinto que possuía, no que se referia a Sakura, o alertava que ela ainda não havia contando a ele o que realmente a entristecera. — Rose mudou tanto em uma semana que você não vai reconhecê-la, juro isso a você. Ela tem os olhos da mãe e... Sasuke hesitou quando captou o ruído de um movimento. — Prefere que eu ligue de volta mais tarde, depois que já tiver tomado o seu banho e se sentindo...?
— Não! — protestou. — E-eu gosto de ouvir a sua voz.
— Enquanto faz o quê? — Quis saber Sasuke. — Posso ouvir você se remexendo.
— Estou me acomodando na cama — contou ela, rastejando até a cama e se enroscando com o travesseiro dele.
— Não prefere mesmo que eu desligue para que possa...?
— Não! — replicou Sakura. — Me fale mais sobre Rose — encorajou ela.
E foi o que Sasuke fez, num italiano rouco e grave, ao passo que Sakura ouviu com o fone apoiado entre o travesseiro e as suas orelhas e puxou outro travesseiro para perto dela, para abraçá-lo como se fosse Sasuke.
Enquanto isso, Sasuke reclinou na cadeira atrás da escrivaninha no seu escritório, e se pôs a imaginar o que realmente a incomodava, porque alguma coisa certamente o fazia.
Seria desgosto? Havia surpreendido Sakura num momento ruim, quando pensava a respeito da irmã? Diabos, por que não? — pensou. Ele mesmo não estava sentado ali pensando em Shikamaru, e na terrível tarefa que o aguardava esta noite, assim que se armasse de coragem o suficiente para entrar no escritório do irmão e começar a arrumá-lo?
Sentiu uma fisgada densa nas vísceras só de pensar nisso.
— Você ficou calada — falou enrouquecido, quando se deu conta que as respostas curtas dissimuladas dela haviam cessado. — Você está dormindo?
— Quase — a resposta sussurrada trilhou o ouvido de Sasuke, descendo pelo seu corpo como uma carícia de amante.
Sentou empertigado, se esticando para alcançar o molho de chaves, que passara as parcas últimas horas jogadas na escrivaninha, olhando para ele.
— Vou deixar você, então — murmurou, decidindo que já era tempo de concluir a proeza.
— 0K — disse ela, porém não soava satisfeita com isso, o que o fez sorrir.
— Ligo de novo para você pela manhã.
— Cedo — ela pediu, e o sorriso de Sasuke se converteu em um deplorável arreganhar de dentes. — Eu... tenho saudades de você... — adicionou Sakura.
E aquele esgar esvaneceu, assim que o coração virou de ponta-cabeça e se apertou dolorosamente, porque tenho saudades de você não era o suficiente. Ele queria ter ouvido um "eu te amo Sasuke", no mesmo tom sério e macio com o qual Sakura costumava lhe dizer aquelas palavras.
— Também sinto saudades de você. — As chaves beliscaram a palma da sua mão quando segurou os dedos com força em volta delas, porque sabia que também não poderia dizer a mesma coisa, mesmo se quisesse.
A ligação chegou ao fim. Sentou olhando para o celular, ao passo que um sentimento desértico de insatisfação lhe atormentava os sentidos com a tentação de ligar de novo para ela e apenas dizer a droga das palavras para acabar com aquilo. Mas como faria isso? Como um homem admite que ainda ama a mesma mulher que o traiu há dois anos?
Ele não — foi a resposta fácil — e se ergueu abruptamente, desligando o telefone junto, só para deixar aquilo bem claro. Zangado, saturado e frustrado consigo mesmo, Sasuke transferiu a atenção para as chaves na sua outra mão, e para umas poucas imprecações ríspidas dirigidas a ele próprio, então contornou a escrivaninha e se encaminhou para a porta que conectava o escritório do irmão ao seu.
Não ligou de volta.
Depois de passar uma noite insone se revirando na cama, contando os minutos e as horas que faltavam para ouvir de novo a voz dele, Sakura não sabia se estava magoada ou zangada, porque Sasuke não se deu ao trabalho de fazer a ligação prometida, cedo pela manhã.
Assim, tentou ligar para ele, só para descobrir que o celular estava desligado. Será que deixara a bateria descarregar? Presumiu ela, e se recusou a escutar aquela vozinha na sua cabeça, lembrando que Sasuke possuía várias baterias extras para dar cobertura em eventualidades como aquela, porque a idéia de uma bateria sem carga era uma razão mais aceitável para não ter telefonado, do que simplesmente ter esquecido de fazê-lo.
Por volta do meio-dia, Sakura estava irritada porque Sasuke ainda não havia ligado, e quando tentou o número dele, recebia a mesma resposta automatizada, dizendo que o telefone com o qual tentava conectar não estava acessível, o que também a forçou a reconhecer que a teoria da bateria sem carga era estúpida. Então, onde ele estava? O que estava fazendo ao ponto de fazer com que desligasse o telefone?
Um sobressalto de pânico a fez ligar para o hospital em Florença, no caso de Rose ter adoecido. Nervos chocalhando, coração disparando, Sakura ouviu a enfermeira reassegurar que o bebê passava bem, mas que não, o Sr. Uchiha não esteve lá para visitar o bebê ainda naquele dia.
Às duas horas participou da reunião com a super modelo, determinada a se agarrar a sua personalidade profissional, mesmo embora quisesse pular para cima e para baixo e gritar ou cair aos pedaços, como fazia em tempos de crise.
Uma hora mais tarde, Sakura estava numa rua em algum lugar em Mayfair, com um novo contrato garantido e pronta para encontrar Sasori no escritório deles, para levá-lo ao delírio com aquele contrato antes de partirem para a taberna local para celebrar, como de hábito.
Porém, Sakura não o fez. Apenas estancou naquela rua fria de Mayfair, e ligou de novo para o número de Sasuke. Quando ainda não houve resposta, começou a discar cada número de Florença armazenado na memória do celular, num estorço de rastreá-lo. Sasuke não atendia no apartamento. Tentou o escritório dele, a mãe, até ambas as irmãs sem nenhum proveito. Ninguém parecia saber onde ele estava ou por que não estava acessível. Todos se achavam tão atordoados quanto Sakura.
E ela precisava falar com Sasuke — precisava falar com ele!
Sakura acendeu o alerta de pânico. Não sabia por que chegara a esse ponto naquele preciso momento, parada numa rua tumultuada, mas antes que descobrisse, tomou uma decisão e logo estava dentro de um táxi, se encaminhando diretamente para o aeroporto de Heathrow.
Conseguiu um assento num vôo para Pisa que partia naquela hora, e só então teve a noção de checar se trouxera o passaporte, e ficou aliviada ao encontrá-lo cuidadosamente guardado na bolsa, desde a última vez que o usara.
— O que você quer dizer, que está embarcando para Florença? — gritou Sasori para ela no telefone. — Nós temos uma festa de despedida surpresa aguardando você por aqui!
— Eu sinto m-muito — desculpou-se. — Diga a todos que sinto muito. Mas eu tenho que ir, Sasori, é importante.
— Você quer dizer que ele é importante.
— Não consigo entrar em contato com Sasuke, e eu estou... apavorada.
Isso a fazia recordar da última vez em que Sasuke fizera aquilo com ela. O mesmo aperto denso de ansiedade apertava o coração em torno das entranhas, como se à procura de algum lugar para ocultar o que o silêncio significava.
— Isto é diferente, Sakura. — Sasori atenuou a raiva quando escutou o estremecer ansioso na voz dela. — Você conseguiu resolver as velhas diferenças e se casou com ele.
Mas não haviam resolvido nada. Meramente concordaram em colocar tudo numa prateleira com uma placa de "pendente".
— Quando se falaram pela última vez?
— Ontem à noite.
— Ontem à noite? — Sasori engasgou. — Pelo amor de Deus, Sakura, quantas vezes você espera que um homem ocupado como Sasuke Uchiha ligue para a esposa para deixá-la feliz? Você está passando dos limites com isso, minha querida — afirmou rudemente. — Respire fundo e se acalme, depois me lembre de não prender a mim mesmo na armadilha do casamento, se isso é o tipo de estorvo pelo qual devo aguardar ansiosamente.
— Obrigada — disse ela.
— Não há de quê — Sasori falou, arrastando as sílabas.
— Agora, você vai reverter ao plano original de voar para Florença amanhã e voltar aqui para tomar um porre com o seu confrade?
— Não — falou Sakura, sentindo a ansiedade entrar em erupção outra vez. — Ainda tenho uma coisa para contar a ele que não pode esperar.
— Não me diga, deixe-me adivinhar — Sasori suspirou.
— Você vai voar milhares de quilômetros só para dizer a ele: "Eu te amo, Sasuke!".
— Um dia você vai conhecer a sua própria Waterloo, Sasori, e eu quero um assento bem na frente quando isso acontecer — ela estalou com sarcasmo.
— Estou certo? — desafiou Sasori.
— Não — disse ela, e espiou o relógio. A chamada para o vôo estava prestes a sair. — Vou dizer a Sasuke que estou grávida de um filho dele.
Sakura cortou a conexão antes que Sasori pudesse explodir sua réplica àquele anúncio, então apenas parou contemplando as ondas de pessoas fluindo pelo aeroporto, fascinada pelo que sentia, agora que se deixara pronunciar aquelas palavras em voz alta.
Medo, misturado com uma sensação estonteante de excitação que ameaçava fazer as pernas falharem. Sakura chegou ao portão de embarque antes que acontecesse, e tomou seu assento no avião num deslumbramento inconsciente.
Estava escuro quando aterrissou em Pisa. Dali teve que pegar o trem para Florença, depois chamar um táxi para levá-la pelo resto do caminho.
E durante todo o tempo e viagem, Sasuke ainda não tentara fazer contato pelo celular. Sasori podia pensar que bancava a boba esperando que ele ligasse, mas não. De fato, bobo mal servia para traduzir o que sentia. Zangada, magoada, indignada — ofendida descreveria melhor o que efervescia dentro dela, enquanto subia o elevador para o apartamento de Sasuke.
A primeira coisa que viu assim que saiu do elevador foram os engradados da mudança empilhados contra a parede.
A tarefa desanimadora de ter que desempacotar tudo aquilo novamente a fez parar por uns parcos segundos, enquanto se permitiu um gemido calado.
Em seguida, Sakura avançou à procura de Sasuke, sem acalentar muita esperança de encontrá-lo aqui, já que havia ligado para lá e só a secretária eletrônica atendia a todo o momento.
Por isso, abrir a porta da sala de estar e encontrar o que viu atingiu Sakura como um choque. Parecia que uma bomba havia caído na sala; papéis e documentos espalhados por toda a parte. Entretanto, foi avistar Sasuke estirado numa poltrona que a manteve paralisada. Vestia a calça de um dos ternos escuros e uma camisa grená aberta aos arrancões na garganta. Os sapatos sumiram, o paletó, a gravata e, apesar do cheiro forte de álcool lhe assaltar as narinas, ela viu um copo baixo, meio cheio com alguma coisa dourada, encaixado entre os dedos longos, e uma garrafa de whisky posicionada na mesa de centro, apenas a um braço do alcance dele.
Cada retrato conta uma história, Sakura pensou inflexível. E essa aqui lhe contava que Sasuke dormia — perdido no estupor da bebedeira, suspeitava indignada — o copo movendo para cima e para baixo com o ritmo da respiração profunda sobre o peito, onde repousava!
Ao passo que ela esteve se preocupando além dos limites por causa dele, correndo para alcançar aviões e decepcionando os colegas de trabalho, Sasuke estava bem aqui, apreciando a própria festinha de bebedeira particular!
Os olhos de Sakura assumiram um brilho assassino. Com um passo aguçado para frente, levantou a mão e bateu a porta com um estrondo bastante satisfatório.
Sasuke sacudiu aos trancos, como um homem baleado, abriu os olhos e, através de uma névoa de álcool, viu Sakura ali de pé. Por dez segundos exatos não pôde mover um único músculo, imaginando se havia evocado Sakura para o pesadelo mais profundo, e mais sombrio que jamais tivera em toda a sua vida.
— Então é por isso que ninguém consegue falar com você! — A voz dela açoitava os sentidos frágeis de Sasuke.
— Madonna mia — gemeu e rolou para uma posição sentada. — O que você está fazendo aqui? — demandou abstraído. — Perdi um dia inteiro?
— Experimente ligar o celular, depois você terá a sua resposta — estalou Sakura. — E eu acho que é mais importante que você explique: que diabos você pensa que está fazendo aqui?
— Não grite — gemeu Sasuke, levando as mãos à cabeça.
— Não grite? — arremedou ela, com a voz uma oitava acima. — Acabei de voar através de metade da Europa, preocupada porque não conseguia falar com você, e encontro você alegremente abrigado aqui, rolando de bêbado! Por que eu não deveria gritar?
— Eu não esperava você... tudo bem? — Proferiu grosseiramente, conforme os decibéis da voz dela causavam danos a sua cabeça.
— E isso justifica tudo? — Sakura não estava impressionada. — Me casei com um bêbado enrustido, é isso? E o que são esses papéis espalhados pelo...
Parou subitamente. Sasuke sentiu o sangue converter de whisky de puro malte para gelo. Abaixando a mão dos olhos, foi rápido o bastante para vê-la começar a se curvar para recolher uma folha de papel.
— Não — disse asperamente. — Não... — e pulou de pé.
Porém, estava atrasado. Sakura já tinha o papel de carta nos dedos trêmulos. O coração começou a bombear irregularmente. Tentou tomar fôlego e descobriu que não conseguia. Conhecia estas folhas. A boca ficou seca, os olhos começando a arder e, olhando ao seu redor, viu muitas páginas como aquela, espalhadas em volta.
Então reparou que as outras não eram exatamente iguais, mas mesmo assim as reconheceu.
— O que você fez? — Sakura começou a voar em torno da sala, recolhendo os papéis à medida que uma bola crescente de agonia avultava no seu peito. — Por que você pegou isso?
Estas eram as cartas de Temari para Sakura — as cartas particulares de Temari! E não apenas as cartas de Temari, as quais acondicionara em segurança dentro de um dos pacotes, mas as cartas que ela mesma escrevera para a irmã também estavam lá!
— Você andou bisbilhotando os meus papéis pessoais. — Sakura não queria acreditar nisso. — Você deve ter bisbilhotado os de Temari também! — Sakura ergueu a cabeça para olhar para Sasuke, e ficou pálida quando viu a expressão no rosto dele. — Como você pôde? — sussurrou ela.
— Mas eles proporcionaram uma leitura bastante reveladora — disse amargamente. — Todas aquelas súplicas que você fez, antes do seu tom virar gelo.
— Você não devia ter lido essas cartas. — Ela tremia tanto que mal podia expelir as palavras. — Elas não eram suas para que você lesse.
— Você quer dizer a carta na qual Temari implora para que não me conte nada sobre o que ela fez, porque eu teria que contar a Shikamaru? — Revidou. — Ou aquela na qual lhe promete lealmente que jamais faria uma coisa tão travessa como aquela de novo!
Oh, bom Deus. Sakura engoliu com uma garganta que de repente parecia seca como areia.
— Ela tinha medo de perdê-lo.
— Meu inebriado irmão? Shikamaru a teria perdoado se tivesse levado o amante para a droga da sua própria cama!
Desta vez, quando Sakura se encolheu, Sasuke lhe voltou às costas. Sakura podia notar os músculos zangados flexionando ao largo dos ombros, assim que Sasuke tomou outra dose da bebida. A cabeça zumbia, e Sakura tremia tanto que só conseguiu chegar até a cadeira mais próxima, antes que as pernas lhe faltassem.
— Patos chocos — Sasuke resmungou.
— Pode repetir? — disse ela, ainda perdida numa névoa de choque.
— Shikamaru e eu — esclareceu Sasuke. — Um par de patos chocos para um par de bruxas letais. — Deu uma gargalhada impiedosa. Tudo que se referia a ele era duro, desde o perfil moldado em ferro à postura raivosa firmemente trincada.
— Agora espere um minuto. — Sakura soltou um protesto. — Não use esse tom risível comigo, porque não me lembro de você ter me perdoado por meus assim chamados pecados, Sasuke.
— Você devia ter me contado a verdade.
— Eu tentei lhe contar a verdade, mas você se recusou a acreditar em mim!
— Não naquele tempo... agora! — Atirou para ela aos berros. — Desta vez!
— Por que deveria querer macular a memória de alguém tão bonito, cujo único erro era precisar ser amada demais por pessoas demais?
— Quer dizer que o homem que ela trouxe para a nossa cama não foi o único?
— Sim, ele era o único! — Sakura pulou de pé, furiosamente. — Temari adorava Shikamaru... você sabe que sim! Mas o casamento deles estava em apuros — acrescentou, relutantemente, e começou a marchar, enquanto contemplava as cartas ainda presas entre os dedos, porque não conseguia ficar imóvel, nem olhar para Sasuke enquanto conversava sobre isso. — Shikamaru estava cheio de fazer amor de acordo com calendários e ciclos menstruais, então ele parou de vir para casa todas as noites. Temari decidiu que ele não a amava mais, por isso, quando um sujeito apareceu e fez ela se sentir atraente, Temari se deixou cair pelo charme da sua conversa fiada como uma boba.
— Como sabe disso tudo? — Se Sasuke antes estava pálido, agora se tornara acinzentado. — Nada do que você disse está em alguma dessas cartas.
— Aconteceu enquanto eu estava aqui, morando com você. — Sakura se virou, para ver que a face dele agora estava embaçada, e sentiu que estava prestes a se render às lágrimas. — Você não notou que aqueles últimos seis meses foram os únicos em que a minha irmã não esteve grávida, em algum estágio? — Indagou abalada. — Ou que Shikamaru estava trabalhando incrivelmente até altas horas todo dia?
— Estávamos em meio a algumas mudanças na companhia — dispensou, impacientemente.
— Você ainda conseguia voltar para mim toda noite.
— Está sugerindo que Shikamaru voltava para outra pessoa? — gritou enfurecido.
— Eu não tenho a menor idéia! — gritou ela. — O ponto importante aqui é que Temari acreditava que sim!
— E você, sabendo que ela se sentia desse modo, não se deu ao trabalho de trazer as preocupações dela para mim?
O que os levou imediatamente de volta em um círculo completo, Sakura reparou, saturada — mas ainda mantinha o queixo aprumado, os olhos fúlgidos de lágrimas quando o provocou:
— Se Shikamaru estivesse tendo um caso, e você soubesse, teria me contado?
Sasuke olhou fixamente para Sakura por um instante, depois se virou para longe, sua resposta jazendo no silêncio espesso que retinha sobre os dois. A lealdade fraternal era o inferno quando abusava da sua própria vida, pensou Sakura dolorosamente.
— Eu vou ser honesta — deixou cair naquele silêncio. — Eu fui egoísta. Estava loucamente, loucamente apaixonada e tão feliz que não queria pensar em mais ninguém, exceto em nós. Por isso, disse a Temari para não bancar a boba e, mais ou menos, a deixei sem ninguém a quem recorrer... — A voz dela refreou; Sakura lutou para recobrá-la. — Por que você tinha que trazer tudo isso de volta? — engasgou. — Temari não fez nada! Você pode acreditar nisso? Eu fui a Londres para empacotar a minha vida lá, então senti tanto a sua falta que voltei mais cedo, e — Sakura gracejou — déjà vu! — e, com dificuldade, engoliu os próximos grumos de lágrimas que se agarraram na sua garganta dolorida. — Você deveria estar em... — Não conseguiu se lembrar.
— Milão — ele proveu.
Sakura anuiu com a cabeça, comprimiu os lábios rentes num esforço de controlá-los, depois implacavelmente se forçou a prosseguir.
— Eu voltei para o seu apartamento para achar este homem estranho na nossa cama, e uma Temari sumariamente vestida, de pé, agarrada aos lençóis e soluçando para que ele levantasse e se vestisse, porque ela não poderia fazê-lo. — A cena ainda podia fazer seus sentidos cambalearem de horror e choque. — Depois me viram lá parada, e Temari correu e se trancou no banheiro, deixando que eu dissesse ao sujeito para sumir. Na hora que você chegou, eu já tinha arrancado toda a história dela e a mandado para casa, com a promessa de que não contaria aquilo a uma alma sequer, conquanto ela nunca mais fizesse nada tão estúpido novamente!
— Você não precisa continuar — disse ele prontamente.
— Não — concordou Sakura, e começou a tremer tanto que precisou se segurar. — Mas, agora você me diz, o que esperava que eu fizesse depois, Sasuke? — exigiu ela. — Porque ainda não tenho nenhuma resposta para isso!
— Mesmo assim, você devia ter me contado.
— Eu contei! — ela berrou. — Você se recusou a acreditar em mim!
— Uma vez! — Sasuke gingou para os lados, para escarnecer daquilo. Estava pálido e inflexível e durão e frio. Sakura tremeu de novo. — Você mencionou o nome dela uma vez, antes que fosse prontamente retificado!
— Porque você quase arrancou a minha cabeça fora!
— Eu acho que vou fazer isso agora — ameaçou entredentes e, de fato, deu alguns passos até ela, antes de se controlar com um sibilo de raiva que chocalhou com fúria. — Isto não vai nos levar a nada — proferiu.
Sasuke tinha razão, não ia mesmo. Sakura se sentiu enjoada e magoada e zangada e amarga, e Sasuke parecia o estranho frio e sombrio que entrara no seu apartamento há várias semanas. Para onde foi toda aquela terna calidez recente? Por que havia sempre de ser pelos problemas de outras pessoas que se dilaceravam aos pedaços desse jeito? Talvez porque nunca houvessem estado inteiros juntos, em primeiro lugar, respondeu à própria pergunta ingrata. Talvez fosse a maneira do destino dizer: Saiam um da vida do outro, pelo amor de Deus. Vocês não se pertencem.
Indo direto ao ponto crucial, o que eles tinham que fosse digno de mantê-los unidos?
— Sexo sensacional — resmungou ela, isso era tudo.
— Cosa?
— Você e eu não vamos a lugar algum — Sakura esclareceu tediosa. — Nós temos um sexo sensacional e nada mais.
Foi a vez de Sasuke se encolher.
— Existe muito mais nesse relacionamento do que o que se passa debaixo dos lençóis — insistiu ele.
Existia mesmo? Sakura olhava para as cartas que tremiam nas suas mãos, e pensou sobre aquela declaração.
— Você se casou comigo porque pensou que não tivesse outra opção — disse a ele. — Fez isso pelo bem-estar de Rose, e por causa do sexo sensacional! Porém, mais que tudo, Sasuke, acho que se casou comigo porque precisava ter certeza de que manteria algum controle sobre quem me controlaria, e a minha posição acerca da pesada soma de ações, com as quais Shikamaru participava no império Uchiha.
— Isso é uma baboseira — descartou Sasuke.
— É mesmo? Então, por que sentiu que tinha que bisbilhotar a minha correspondência pessoal? — instigou ela. — Devia estar procurando algo importante para fazer uma coisa tão baixa! Esperava encontrar alguma coisa para usar contra mim no tribunal, se esse casamento estúpido não der certo? Provas sobre o meu estilo de vida doentio, talvez, isso poderia mostrar que sou uma mãe inadequada para Rose, e totalmente inadequada para ser a co-tutora da herança dela!
— Madre de Dio — ele ofegou. — Não acredito nisso. Você não poderia estar mais errada! — acusou Sasuke.
Entretanto, Sakura não escutava. Subitamente espiou outra carta, que estava meio escondida debaixo de uma cadeira, e mergulhou para pegá-la. Era uma das cartas que escreveu para Temari. As lágrimas inundaram os seus olhos.
— Como você pôde? — engasgou, ajoelhada no chão e tentando esquadrinhar as cartas segundo alguma espécie de ordem no seu colo, na medida em que os dedos tremiam e os olhos ardiam. — Como você pôde ir até a casa dela e escrutinar os papéis pessoais de Temari como um...
— Eu não fui lá — suspirou.
— Não foi o quê?
— Não fui à casa de Shikamaru e Temari. — Colocou aquilo em palavras mais completas. — Não vou lá desde que...
Não podia se obrigar a dizer aquilo; ao invés disso, proferiu um palavrão pesado, e afundou de volta no sofá, soltou o copo sobre a mesa de centro, e em seguida se inclinou para frente para desbastar o próprio cabelo com os dedos.
— Então, como foi que colocou as mãos nas cartas dela?
Sasuke cobriu a face com as mãos e desejou que o álcool fizesse o seu trabalho, e inebriasse o seu cérebro completamente. Não queria pensar; não queria olhar no que fizera na noite anterior, ou no que o futuro representaria, agora que ele descobrira o que possuía.
— Eu estava limpando a escrivaninha de Shikamaru no escritório — disse-lhe. — As cartas estavam escondidas no fundo de uma gaveta...
— Oh, santo Deus! — Sakura respirou fundo, e Sasuke percebeu que ela tomara vantagem a sua frente na próxima parte, conforme essa árida confusão miserável começava a se desdobrar.
— Eu não sei há quanto tempo Shikamaru sabia sobre as cartas ou Temari sabia que ele tinha todas — concatenou ele, soletrando para Sakura de qualquer maneira. — Mas o fato é que meu irmão sabia a verdade sobre o que acontecera há dois anos e, ainda assim, não conseguiu me contar.
E essa era a razão das cartas furiosamente espalhadas e do porre de whisky, Sasuke admitiu penosamente. Não só descobriu a verdade dois anos mais tarde, como também percebeu que o irmão que amara o manteve afastado da única coisa que, entre todas, Shikamaru sabia que era importante para ele.
Sakura era inocente.
— Passei os dois últimos anos acreditando que tinha o direito de odiar você a cada maldito dia que transcorria — gemeu ele, secamente. — Ora, que piada. Fui eu que decepcionei você, e o meu próprio irmão não podia me contar isso!
— Ele estava protegendo Temari.
Por alguma razão, aquele comentário disparou faíscas pela coluna de Sasuke abaixo.
— E isso faz você se sentir bem?
— Não — admitiu ela. — Mas Shikamaru e Temari não estão mais aqui para se defender, por isso não vejo nenhuma utilidade em revolver tudo de novo outra vez.
— Me recusei a acreditar em você, faça com que me defenda disso!
— Você pode se defender?
— Você deveria ter me contado, me mostrado essas cartas. Você me devia isto.
— Ah, agora a culpa é minha. Boa defesa. — elogiou ela.
— Eu não quis dizer isso.
— Então, o que quis dizer?
— Eu não sei, droga! — disse e apanhou o drinque.
— Mais um pouco desse negócio e você vai desabar da próxima vez que tentar ficar de pé — disse ela acidamente, e começou a andar na direção da porta.
O copo bateu ruidosamente de volta na mesa. Era impressionante a rapidez como um homem do tamanho de Sasuke podia se mover quando provocado o bastante, Sakura notou conforme ele balançou os pés e rondou o sofá, e logo estava de pé diante dela, antes mesmo que pudesse piscar. As mãos dele agarraram os seus ombros e a última coisa que Sakura percebeu é que estava sendo imprensada contra a parede mais próxima.
— Muito macho — murmurou ela, porém, estremecendo de novo.
— Não vou deixar que me abandone — insistiu ele.
— Eu não disse que ia fazer isso. — ela franziu o cenho.
— Você pode me odiar pelo resto das nossas vidas, mas terá que fazê-lo bem aqui, onde eu possa ver você fazendo isso.
Os olhos de Sasuke estavam tão negros que Sakura sentiu como se despencasse dentro deles, as mãos possessivas, a boca cindida de tensão, porém esplêndida assim, e o hálito tão carregado de vapores de whisky que começaram a lhe subir à cabeça.
— Tudo bem — aquiesceu atordoada.
A frustração revolveu as feições dele.
— Me leve a sério — disse, hostil.
— Eu simplesmente acabei de chegar! — Atirou de volta nele. — Por que diabos você espera que eu vá embora novamente?
— Você foi até a porta. — Agora era Sasuke quem tremia.
— Para colocar essas cartas junto com o resto das minhas coisas! — Gritou Sakura.
— Você devia enfiá-las em minha garganta descrente!
Ela fez melhor que isso, prendeu o lábio inferior com os dentes, e mirou a palma da outra mão no lado do rosto dele. Não soube de onde isso veio, mas, por alguma razão estúpida, as lágrimas voltaram aos seus olhos.
— Isso é por mexer nas minhas coisas particulares — desabafou trêmula, conforme a marca dos dedos desenharam linhas na face de Sasuke. — E se eu ainda tivesse alguma força sobrando, eu acertaria você de novo por me aborrecer, pois eu já estava aborrecida antes de chegar aqui!
— Por que você estava aborrecida?
— Eu estou grávida — sussurrou e observou a fúria do macho dominante se transformar num grande bloco de pedra. Sasuke nem ao menos engoliu. De fato, ele não fez nada.
— Diga alguma coisa — ela gaguejou, depois fez alguma coisa ela mesma. A visão ficou zonza e manchada. Fechou os olhos e sentiu que ia desmaiar.
— Sakura...? — Foi a última palavra rouca que ouviu Sasuke pronunciar antes de tudo escurecer.
Sasuke praguejava e a segurava firme, quando ela começou a deslizar parede abaixo. Então, ele continuou a praguejar enquanto a tomou nos braços e se virou para carregá-la para um dos sofás. Sakura aparentava estar morta e ele quis acertar alguma coisa, de preferência, ele próprio.
Grávida...
Por dois segundos Sasuke seriamente pensou que fosse se unir a Sakura no seu desmaio fugidio. Porém, a preocupação com ela foi mais forte — uma preocupação a qual deveria ter pertencido sempre a ela!
Dio, Sasuke se odiava. Era o pior tipo de homem que uma mulher poderia desejar ter na sua vida — um que não acreditasse nela, não confiasse e a engravidasse, quando aquilo era o que ela mais temia!
— Sakura... — Sasuke chamou seu nome, mas ela não deu resposta.
Torcendo o corpo de Sakura, mergulhou os dedos no copo de whisky, depois virou de volta para umedecer os lábios sem sangue. Sakura estava tão lânguida e sem vida que começou a ficar aflito. Levantando, foi pegar o celular no bolso do paletó. No momento em que ligou o aparelho, uma dúzia de mensagens pipocou na tela. Pretendia usar o telefone para chamar um médico, mas por alguma razão maluca se flagrou abrindo as mensagens de texto.
— Preciso falar com você. Sakura.
— Onde você está? Sakura.
— Estou indo para Florença. Sakura.
— Estou apavorada. Por favor me ligue. Sakura.
— Por que não quer falar comigo? Sakura.
— Eu preciso ouvir a sua voz, Sasuke!
— Sasuke...
A atenção voltou-se para a remetente daquelas mensagens lastimáveis, prostrada no sofá com uma das mãos branca e macilenta cobrindo a boca.
— Acho que vou vomitar — ela murmurou fragilmente.
Continua...
.
E mais um capítulo,para compensar a minha demora absurda para postar os anteriores. Mais uma vez,me desculpem. E só faltam mais dois capítulos para o fim da fic,eu acho rsrs.
Ahh gente,eu amo esse capítulo,que apesar do Sasuke ainda ter uma postura de "macho alfa,eu sou o gostosão e nunca estou errado (que é tãooo a personalidade do Sasuke-kun do mangá/anime)",ele mostra que está tão abalado por ter culpado a Sakura que foi preciso tomar um porre daqueles kkkkkk. E adoro o trecho: "Não vou deixar que me abandone — insistiu ele... — Você pode me odiar pelo resto das nossas vidas, mas terá que fazê-lo bem aqui, onde eu possa ver você fazendo isso." ahusahuashuashua
Lindo ele!
Bem,agora só vou postar semana que vem,sabado e domingo,está bem?
Kissus...
