Os personagens aqui citados pertencem a Masashi Kishimoto,exceto,a Rose que é uma personagem original da Michelle Reid.

Essa fanfic é uma adaptação do livro Uma prova de amor,da autora Michelle Reid


Uma prova de amor

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CapítuloIX


Sasuke saltou sobre Sakura, jogando longe o celular para envolvê-la de novo com os braços.

— As vezes não consigo acreditar em você. — Sasuke rangeu entredentes, ao passo que tentava chegar até a porta, com a cabeça dela repousando no seu ombro, e a voz enrouquecida retumbando contra a face de Sakura. — Suponho que você voou todo esse caminho sem beber algo sequer? Quando vai aprender a ser sensata? Da última vez foram cãibras, agora desmaia e sente náuseas. Se esperasse até amanhã, meu avião poderia ter trazido você aqui com todo o conforto. Por que você sempre tem que atrapalhar os meus planos? Eu estou sem cabeça, não posso pensar direito. Que homem quer que a mulher o surpreenda nesse estado?

— Esposa — Sakura resmungou.

Sasuke parou no corredor, a mente travada naquela única palavra, como se lhe fosse estranha. Então seu peito inflou.

— Si — confirmou, e começou a se mover de novo, abrindo caminho com os ombros pela porta do quarto, depois seguindo direto para o banheiro, onde Sakura foi humilhante e ruidosamente vomitar no sanitário, ao passo que Sasuke agachou atrás dela, segurando os cabelos e cuspindo palavrões que fizeram a cabeça de Sakura ferver.

Assim que terminou, tudo o que conseguiu fazer foi naufragar enfraquecida contra Sasuke. A cabeça rodopiava; os palavrões ainda ecoavam na cabeça. Sakura teve ligeiros espasmos e sentiu calafrios com os efeitos da náusea, sentia a pele úmida e pegajosa, e a última coisa da qual precisava justo agora era que ele se movesse de novo. Sasuke ergueu Sakura, pressionou a descarga, em seguida baixou a tampa do assento para que ela pudesse se sentar ali, ainda envolta nos seus braços. Os músculos começaram a flexionar, esticou uma das mãos na direção da pia, logo alcançou uma torneira e a abriu. Dois segundos depois um pano úmido alcançou a face de Sakura. Foi tão refrescante que fechou os olhos e se rendeu àqueles implacáveis cuidados silentes, com a parte de trás da cabeça repousando na concavidade dos ombros de Sasuke, e as pernas oscilando flácidas ao longo da extensão dele.

Ao final de tudo aquilo, Sasuke ficou imóvel. O mundo de Sakura começou a se tomar estável. Podia ouvir o coração dele bater contra a parte de trás de sua cabeça. Toda aquela mudança urgente do sofá para o banheiro podia não ter levado mais do que dois minutos, porém ela sentia como se tivesse acabado de escalar o Monte Everest e tinha a suspeita de que Sasuke sentia o mesmo.

— Sente-se um pouco melhor?

— Hum — Sakura tomou ciência de que o cabelo ficara preso na frente da camisa de Sasuke. Levantou uma das mãos fracas com a intenção de reunir as mechas longas e lisas, mas Sasuke pegou a mão e a auxiliou com isso. A próxima coisa que percebeu é que Sasuke levava a mão aos seus lábios.

— Me perdoe — murmurou ele.

— Pelo quê? — suspirou Sakura.

— Por não ouvir e não acreditar em você, quando era o que eu deveria ter feito.

— Pareceu horrível. Eu sei disso.

— Mas eu devia ter concedido uma audiência justa — insistiu ele. — Eu não deveria ter...

— Você prometeu que não faríamos isso, Sasuke — disse Sakura, sorrateiramente esgueirando os dedos para soltá-los, e recobrando a força para se manter sobre os próprios pés. — Sem revirar o passado, foi o que combinamos.

— Eu não sabia o que eu sei agora quando concordei com isso.

— Mas eu sim — disse ela, usando dedos zangados à procura do tubo de pasta e da escova de dentes. — O que mudou para mim, além de agora você saber a verdade?

— Tudo mudou para mim. — Sasuke levantou, infatigável, agora zangado e tenso.

— E vai aguentar viver com isso?

— Não justo agora... não — respondeu e caminhou para fora do banheiro.

Sakura se deteve com a escova de dentes carregada de pasta, e tensa o escutou sair do quarto. Se fizer isso, eu termino com ele — disse a si mesma arrebatadamente. Se Sasuke fugir disso, eu vou embora daqui e me instalo num hotel!

Vislumbrou o próprio reflexo empalidecido no espelho do banheiro, ao passo que escovava os dentes. O cabelo estava uma bagunça, cheio de mechas embaraçadas, e se começara o dia com uma aparência tão boa, a ponto de deixar a super modelo de mau humor novamente, então certamente não gostou de parecer daquele jeito agora!

Foi mais fácil desviar os olhos — melhor desviar os olhos porque a porta do quarto ainda não havia batido com força para marcar a saída dele, e a tensão pura de aguardar que isso acontecesse a fazia tremer outra vez. Abriu a torneira de água fria, limpou a escova enraivecida, e em seguida se curvou para enxaguar a boca. No momento em que abaixou a cabeça, uma nova onda de tontura fez o chão oscilar sob seus pés, forçando Sakura a se agarrar à pia para não cair no monte de gelatina que se tornaram as suas pernas.

— Oh — soluçou, em frustração. Aquilo não era justo!

Um braço forte circundou a cintura de Sakura, sustentando o seu peso novamente. A escova de dentes foi jogada para longe. Sasuke nem mesmo praguejou dessa vez, mas se manteve em fogo brando, num silêncio magnífico enquanto se inclinou para enganchar o outro braço em torno dos joelhos dela, e depois carregá-la para fora do banheiro com o perfil teso como ferro de novo.

— Você está demonstrando muita força e energia para um bêbado — comentou acidamente.

— Descobrir que a minha esposa está grávida é um bom jeito de me deixar sóbrio. — Colocou-a na cama.

— Oh. — Ela havia esquecido de que contara aquilo para Sasuke. — Você se importa? — perguntou cautelosa.

— Se eu me importo? — Soltou uma gargalhada e pôs as mãos nos quadris, e então começou a desabotoar a jaqueta dela. — Você descobriu que está grávida. Ficou tão assustada que nem conseguiu se forçar a me contar quando liguei ontem à noite. — A jaqueta saiu. — Então temos essa conversa estranha, sobre a qual penso que estava ajudando você a superar um período solitário de luto pela sua irmã...

— Estou de luto o tempo todo.

— Eu sei disso... eu também estou! — disse hostilmente, arrancando a suéter pela cabeça e deixando o cabelo de Sakura arrepiado pela eletricidade estática. — Porém, ontem à noite você estava assustada, eu senti o seu medo. — A palma das mãos dele amansaram o cabelo. — Você devia ter me dito o que a estava afligindo e eu teria voado direto para Londres para lhe dar apoio.

Sasuke começou a abrir os zíperes das botas em seguida.

— Eu sei — disse ela.

— Então por que não me contou?

— Porque não é alguma coisa que se diga pelo telefone —respondeu defensiva. — Eu queria contar a você apropriadamente.., cara a cara.

— Mas eu tornei isso difícil para você também. — As botas saíram. Sasuke contemplou os pés. — Você está usando as minhas meias — suspirou ele.

— Outra ilusão estilhaçada. — Ela sorriu. — Eu não durmo em casa. Eu não lhe conto todos os meus segredos. Eu uso meias masculinas por baixo das minhas botas.

Houve um gemido animalesco espontâneo, frustrado, assim que Sasuke se ergueu por completo.

— Como você pode brincar com uma coisa dessas?

— O que você quer que eu faça? — flamejou para ele. —Me jogar no chão num ataque de gritos histéricos em vez disso? Certo. — Sakura pulou para enfrentá-lo furiosamente. — Estou grávida quando não queria estar grávida e isso é tudo culpa sua!

Aquela acusação miserável ficou suspensa no silêncio.

— Me desculpe — explodiu ela, em um remorso ansioso. — Eu não queria...

Sasuke girou nos sapatos e se afastou — direto para fora do quarto dessa vez, e nem mesmo bateu a porta com força.

Sakura desejou que o tivesse feito. Desejou que tivesse berrado de volta com ela, depois a achatado na cama! O que acabara de dizer nem mesmo era verdade, porque ela queria esse bebê! Estava apenas terrivelmente apavorada quanto ao que a aguardava adiante.

— Oh, droga... droga! — explodiu furiosamente, e virou rumo ao banheiro com a decisão de relaxar no chuveiro, na vaga esperança de que pudesse acalmar um pouco aquele estresse pavoroso. No instante em que pisou no banheiro, mudou de idéia e preferiu uma imersão demorada num banho morno e aromatizado. Ou talvez o banho fosse uma tática de adiamento, antes que tivesse que sair para encarar Sasuke de novo, porque Sakura sabia que havia de desculpar-se seriamente por ter feito aquele comentário final, e que nunca fora muito boa quanto a pedir desculpas a ele. Uma imagem daquele olhar frio que Sasuke lhe deu, antes de sair, saltou para abalar sua consciência de novo. Sentiu uma palpitação abaixo do estômago.

— Não comece — resmungou. — Você é muito pequeno para ter uma opinião.

Então, se deu conta de com quem estava conversando e uma espécie diferente de palpitação percorreu o seu corpo.

— Oh, Deus — suspirou. — Estou num completo desastre emocional.

Enrolando o cabelo no alto da cabeça, Sakura se despiu do restante das roupas e logo entrou na banheira. A medida que a água morna e sedosa a cercava, tentou relaxar a duras penas e afastar tudo o mais da cabeça.

Funcionou... de certo modo. Por uma hora inteira, demorada e ininterrupta, se banhou, vestiu o pijama verde com o robe que combinava, e, recendendo a óleos aromáticos de banho, se permitiu sair do quarto e patinar sobre os pés descalços até a cozinha, em busca de algo para comer. Ainda se sentia um pouco tonta, mas a náusea recuou, fazendo o estômago roncar por comida. A cozinha estava às escuras. Nenhum sinal de Sasuke, mas por enquanto, ficou feliz com isso. Estalando o interruptor de luz, Sakura foi colocar uma chaleira para ferver, depois se virou para a geladeira para ver o que havia para comer.

Nada que lhe apetecesse, ponderou, olhando para os alimentos gelados nada convidativos. Havia uma fatia de queijo — queijo era permitido na sua condição? Havia ovos — era permitido comer ovos? Sakura nem ao menos sabia se lhe era permitido beber leite — era o pasteurizado ou não-pasteurizado que era ruim para mulheres grávidas?

Suspirando, desistiu e caminhou para fora da cozinha, cruzou o corredor e andou até a sala de estar. Foi arrumada desde que ela saiu carregada dali, reparou. Nenhum sinal da garrafa de whisky, mas as cartas jaziam caprichosamente empilhadas sobre a mesa. As traidoras, pensou, então se fez virar para onde os sentidos lhe indicavam que Sasuke estava, com o olhar fixo na noite escura para além da janela.

Sasuke trocou a roupa por um par de calças cinzentas, e um suéter preto casual que terminava no quadril. As mãos perdidas nos bolsos das calças. Havia alguma coisa no modo como se detinha ali que o fazia parecer solitário e desolado, e quase tão distante quanto poderia ser.

— Me... desculpe — explodiu. — Eu realmente não queria jogar a culpa toda em você. Só que eu estou...

— Apavorada — completou para ela.

Mas não se virou para olhar para Sakura quando disse isso, e não havia um único músculo nele, em nenhuma parte, que estivesse ao menos retesado. Outro aperto de remorso atarantou a consciência dela, e Sakura sentiu que teria que fazer muito mais do que simplesmente proferir suas desculpas, caso desejasse ficar confortável consigo mesma.

Precisavam de contato físico e muito.

Sasuke a observou se aproximar dele através do reflexo no vidro escurecido. Os cabelos estavam presos no alto da cabeça e Sakura vestia o pijama verde. O rosto possuía uma aparência esfoliada e limpa, mas também envergava as marcas das últimas vinte e quatro horas.

Se ela o tocasse, Sasuke aceitaria. Se proferisse um pequeno soluço feminino, amaldiçoado e injusto, então prometeria a si mesmo que iria revirá-la sobre o sofá mais próximo, e sacudir toda aquela maldita culpa queimando dentro dele, com uma quente sessão de lascívia.

Sakura não tinha o direito de parecer tão bonita. Não tinha o direito de parecer tão delicada e frágil. Estava grávida de um filho dele. Uma sensação esquisita rastejou ao longo do torso e se instalou no cóccix. Queria se virar e envolvê-la nos braços, e prometer a Sakura que faria de tudo para que ela se sentisse bem. Queria pegá-la e carregá-la de volta para a cama e mostrar a ela o quanto desejava isso, mas...

Seria seguro fazer amor mediante aquela condição delicada? Seria seguro para Sakura dar à luz o bebê e tudo mais?

A sensação esquisita no cóccix se dissipou e depois se reagrupou para se transformar nos padecimentos da culpa. Sakura era inocente de todas as acusações feitas há dois anos. Se casou com ele sabendo que ainda acreditava que o traíra. Por que fizera isso? O que se passava na cabeça dessa linda mulher, que estava preparada para jogar a vida fora com um cínico nada bondoso como ele, e não apenas uma vez, mas duas!

Sakura desapareceu do campo de visão de Sasuke, que estava com a garganta fechada porque sabia o que estava por vir. Ela iria tocá-lo. Tentaria fazer as pazes quando ele é quem deveria tomar a iniciativa de fazer as pazes.

As mãos de Sakura chegaram primeiro, deslizando em volta do quadril de Sasuke. Avistou-as pelo reflexo na janela, começando a divagar pela parede do abdômen até que vieram descansar em seu peito. Sentiu as mãos chegarem e teve que fechar os olhos quando a face dela veio apoiar-se nas suas costas.

— Estou com fome — murmurou enfadada — e não tem nada para comer na geladeira.

— Se você voltasse amanhã, conforme o planejado, teríamos um estoque abarrotado de produtos frescos — respondeu impassível. Um novo silêncio caiu. Sasuke sentiu Sakura se retesar um pouco.

— Um homem maior teria piedade e me tiraria dessa situação difícil agora — disse a ele.

Um homem maior não teria que contrair os dedos em punhos dentro dos bolsos, para que não acompanhem a ereção enrijecida do seu sexo, pensou ele, secamente.

E um homem maior se viraria e a tomaria nos braços, depois diria o quanto a amava — sem colocar o sexo no meio. Mas a sua chance de dizer tais palavras para Sakura veio e se foi na noite passada, durante a conversa no telefone, quando palavras como eu amo você teriam significado alguma coisa, porque ainda não sabia o que sabia agora.

Então, o que deveria fazer? Manter a promessa anterior e atirá-la sobre o sofá mais próximo, ou escolher a outra, dizendo as malditas palavras para acabar logo com isso, e depois ver que diabo conseguia em troca?

Sakura podia sentir o coração esmurrar; podia sentir o jeito como Sasuke preservava cada músculo retesado como uma barreira contra ela. E ele não disse uma única palavra.

Era rejeição da pior espécie. Uma rejeição que ela não antecipara, por isso possuía a capacidade de magoá-la ainda mais. Agora não sabia mais o que fazer, não sabia como se afastar dele e manter a dignidade ao mesmo tempo.

Entretanto, pensou, oh, simplesmente o faça! Escorregou as mãos para longe e deu um passo para trás.

Sasuke percebeu que deixou passar uma brecha demorada demais sem responder no momento em que Sakura recuou. Assim que teve o bom senso de virar para olhar para ela, Sakura já estava voltando a caminho da porta.

— Volte aqui — gemeu ele, impacientemente. — Eu estava prestes a me oferecer para encomendar comida em um restaurante no fim da rua.

— Vou fazer um sanduíche — ela disse e continuou andando.

— Não seja tão teimosa, droga — explodiu Sasuke. — Só me diga o que você quer e eu encomendo!

Sakura hesitou no corredor para olhar de volta para ele, e descobriu que Sasuke decidira virar e encará-la finalmente. A luz do abajur captava o lustro molhado do cabelo dele agora, e a pele recobrara um pouco do cálido brilho dourado. Sasuke era tão bonito, pensou angustiada. Tão o seu tipo de homem que, apesar de bancar o bastardo arrogante, ela ainda o amava muito mais do que merecia.

— Vou comer pizza, então — disse. — Obrigada. — Foi um curto e afetado obrigada que lhe deu tempo de observar o lábio superior de Sasuke dar uma contorcida de repugnância, antes dela se virar. Os Sasukes Uchihas desse mundo jamais comiam pizza. Era como um insulto à culinária italiana.

Perambulou de volta até a cozinha com um repuxo na boca que era puro divertimento travesso. A chaleira já estava para ferver quando entrou. Foi alcançar o pó de café, e subitamente parou de novo.

Era permitido beber café?

Era permitido beber chá?

Grávida.

Aquele frisson correu pelo seu corpo novamente. Isso acontecia cada vez que se deixava pensar naquela palavra. Era assustador, mas excitante, porém assustador...

A porta da cozinha abriu inesperadamente e Sasuke entrou. Foi direto à dispensa, onde guardava as estantes de vinhos.

— Tinto ou branco? — Indagou. Era permitido beber vinho?

Sakura não respondeu.

Sasuke veio espreitar na porta com os olhos escuros e uma inclinação sardônica na boca. Aguardava uma resposta. Sakura se recusava a olhar para ele.

— Vou beber apenas água, eu acho — disse ela e alcançou uma bisnaga de pão italiano crocante largada na bancada, e começou a cortá-la com uma faca de serra.

O silêncio retornou. Estavam se tornando realmente bons em lançar a tensão para fora sem proferir uma única palavra, ponderou Sakura, enquanto Sasuke continuava parado ali, tentando adivinhar de onde ela vinha e, provavelmente, decidindo que agia de um modo inconveniente quando ela não agia de um modo inconveniente, pensou obstinadamente consigo mesma.

Então Sasuke se mexeu, se endireitando empertigado, e Sakura franziu a testa furiosamente para a bisnaga de pão, porque sabia que não estava sendo apenas inconveniente, ela estava borbulhando de orgulho ferido por ter sofrido aquela rejeição.

"Assim, se Sasuke possui algum juízo, deve manter distância, se ousar me tocar posso ir para cima dele com esta faca!"

Ele também sabia disso, o suíno, porque foi tão rápido que a faca saiu da sua mão para a dele, posta em segurança fora do seu alcance, antes mesmo que pudesse piscar.

— 0K. — Sasuke a rondou. — Vamos desabafar logo isso.

— Desabafar o quê? — Sakura espiou o peito dele. O suéter que vestia era feito da casimira mais macia, e sabia de antemão como era suave e morna ao toque, por isso não precisou dobrar as mãos em volta do corpo para tentar descobrir. — Eu não quero desabafar.

— Bem, eu quero — disse ele. — E eu quero começar me desculpando por ter agido como um grosseirão cabeça dura ainda há pouco.

O dar de ombros de indiferença dela às suas desculpas o forçaram a respirar fundo.

— Também peço desculpas por julgar você mal há dois anos. Sinto muito por ler as suas cartas, e sinto muito por levá-la a acreditar que me casei com você pelo bem-estar de Rose e para manter o controle das ações do grupo Uchiha.

— Está dizendo que não se casou comigo por essas razões?

— Estou dizendo que sinto muito por ter causado essa impressão — persistiu. — E pare de tentar transformar isso em outra briga!

— Não estou — negou, com os olhos verdes armados para a batalha.

Sasuke abriu a boca para responder, depois a fechou novamente quando tomou a decisão hercúlea de impedir que Sakura começasse.

— Vamos nos ater ao assunto — falou rangendo os dentes. — O que é importante agora é que temos dois bebês e a sua saúde para considerar, o que significa que precisamos parar de brigar o tempo todo e começar a organizar nossas vidas para acomodar as necessidades de todos. Por isso, amanhã veremos um médico e tentaremos acalmar todos os seus medos em relação à gravidez. Depois nós vamos precisar de outro lugar para morar fora da cidade. Algum lugar onde Rose poderá respirar um ar mais saudável, e que será grande o bastante para que cada um de nós tenha o próprio quinhão de espaço. Também é relevante que nos mudemos rapidamente, porque Rose deve receber alta do hospital na próxima semana, e teremos que eliminar todos os empecilhos para organizar a nós mesmos, antes que isso aconteça. Nós precisaremos de uma equipe de serviço complementar...

Sasuke estava fazendo aquilo de novo, bancando o bom negociador, planejando tudo como se fossem embarcar em uma nova empreitada de negócios.

— Você não gosta de empregados escarafunchando a sua casa. — Despejou ela num segundo.

— E eu tenho escolha? — redargüiu ele. — Você está grávida e prestes a se tornar mãe em tempo integral, o que é prioritário acima dos meus gostos ou desgostos.

— Muito generoso da sua parte — elogiou Sakura.

— Não estava tentando bancar o bom moço, Sakura — suspirou ele. — Estou tentando ser prático. Eu gostaria de pensar que você vai ser sensata, e aceitar o fato de que não pode manter uma carreira em tempo integral, mas eu não tenho muito esperança de convencer você disso.

— Na mosca — concordou ela. — Tem mais qualquer outra coisa que você decidiu sobre o nosso futuro, durante essa reunião privativa consigo mesmo?

Sakura ainda procurava armar uma guerra. Sasuke tentava decidir se permitiria a ela ter aquela guerra, quando a campainha próxima ao elevador anunciou que a comida chegara.

Problema resolvido, pensou Sasuke com alívio assim que rodopiou para longe e marchou para fora da cozinha, desejando saber onde iam acabar parando, porque de uma coisa tinha certeza — eles não resolveram nada e, se algo aconteceu, foi que ficaram ainda mais entrincheirados em hostilidades do que jamais conseguiram antes.

Autorizou que o elevador subisse, em seguida parou aturdido pela própria frustração furiosa, aguardando a comida chegar. Um garçom estava parado lá, segurando a embalagem achatada de pizza. Sasuke a trocou por um punhado de cédulas, e em seguida cuidou para que as portas corressem até se fechar novamente. O dono do restaurante deve ter achado que perdeu a cabeça para ter encomendado pizza. Caso lhe fizessem a pergunta, teria dado uma afirmativa como resposta. Perdeu a cabeça há muito tempo, para uma bruxa ruiva de olhos verdes e com uma natureza mais teimosa do que a sua própria!

Ele se virou e andou de volta até a cozinha. Sakura havia posto a mesa. Sasuke colocou a caixa da pizza bem no meio, depois abriu a tampa. No momento em que Sakura olhou para dentro, ele pôde ver que ela não iria querer comer. Apenas se quedou ali, parada na mesa, olhando fixamente como se aquela fosse a pior oferta que ele pudesse ter apresentado.

— O que foi agora?

— Tem queijo por cima.

— Pizzas geralmente têm queijo por cima.

— Eu esqueci — murmurou ela, então comprimiu os lábios rentes e, para a surpresa de Sasuke, ambos começaram a tremer. — Eu não acho que eu deva comer queijo. Não acho que possa comer ovos ou leite ou café ou... qualquer coisa, em caso de não fazer bem ao bebê!

Sasuke ficou fascinado. Nunca lhe ocorrera que bebês e determinadas comidas não combinassem. Estaria certa? Diabos, o que ele sabia? Isso era tão novo para eles.

Ela olhou para Sasuke, então, e o coração dele palpitou. Era surpreendente como uma mulher tão durona podia se tornar um bebê vulnerável e fraco num piscar de olhos.

— Não, não chore — disse ele, e agora a voz soava espessa. — Tem certeza de que a bizarra fatia de pizza é perigosa?

— Eu não sei. Essa é a questão. Eu apenas pedi isso para amolar você — admitiu ela. — Mas eu não queria comer.

— Idiota — suspirou ele. — Olhe, você quer que eu encomende alguma coisa mais? Posso conseguir isso em...

— Não, eu não quero mais nada. — Então ela realmente o repeliu com força para o lado, quando saiu correndo da cozinha aos soluços, deixando-o parado lá, se sentindo meio bêbado pelo carrossel de emoções que se desenrolavam naquela noite.

Sakura entrou no quarto batendo a porta e se atirou de bruços na cama. Desejou compreender o que estava errado com ela. Nunca se sentira tão confusa em toda a sua vida! Primeiro queria uma coisa, e depois queria exatamente o oposto. Queria continuar a magoar Sasuke, e desesperadamente queria colo! Não era justo... nada disso era justo.

Uma depressão se formou na cama quando Sasuke veio deitar ao lado dela.

— Pare com isso — disse a ela. — Ou você vai enjoar outra vez.

— Estou apavorada! — esmurrou o travesseiro sob a sua cabeça porque odiava..., odiava sentimentos como aquele.

— Eu sei. — Sasuke soltou um suspiro e abraçou-se a ela.

— Estou tão saturada de tudo sempre acabar saindo errado para nós dois, Sasuke! Eu pensei que havíamos resolvido tudo, agora está tudo emaranhado outra vez e...

— Agora me ouça, sua maluquinha travessa — interrompeu. — Nada vai dar errado. Você não é a sua irmã e precisa parar de pensar que pode ser, está me ouvindo?

Sakura contemplou Sasuke através de grandes, escuros, e suplicantes olhos, e... Para o inferno com isso, Sasuke pensou, e se rendeu ao que ansiou a noite inteira por fazer. Abaixou a cabeça, em seguida esmagou a boca trêmula de Sakura. Levou apenas cerca de dois segundos para os soluços começarem a escassear. Outro segundo depois e Sakura retribuía o beijo.

E se isso não permitisse que descessem até o inferno e voltassem lutando, a vida não valia a pena de ser vivida, afinal, pensou Sasuke, à medida que ambos se renderam ao que eles sabiam que não deveriam se render, não antes de consultar um médico. Fizeram amor com fogo e paixão. Quanto a se unirem, fizeram isso com um carinho tão gentil e com tanta ternura que aquilo foi uma nova experiência, estonteante por si mesma.

Mais tarde, adormeceram um nos braços do outro, enquanto a pizza ressecava dentro da caixa na cozinha. Acordaram na manhã seguinte fingindo que não se sentiam culpados, porém apreensivos de haverem instigado o destino a lançar uma outra cartada repulsiva diante deles: uma recomendação médica proibindo sexo pelos próximos oito meses, pela qual ambos teriam de lutar muito para obedecer.

Continua...


Era para eu ter postado esse capítulo ontem,mas minha net me fez tanta raiva que eu desisti. Espero que gostem.

Mais tarde posto o 10º e,infelizmente,último capítulo da fanfic.

Kissus...