Os personagens aqui citados pertencem a Masashi Kishimoto,exceto,a Rose e a Fantasia que são personagens originais da Michelle Reid.

Essa fanfic é uma adaptação do livro Uma prova de amor,da autora Michelle Reid

Capítulo final dedicado a Kekedia,por ter estado comigo, acompanhando a fic do começo ao fim. Muito obrigada,linda! Espero que você goste do último capítulo.


Uma prova de amor

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Capítulo X


Felizmente, o médico não disse tal coisa. Ele foi muito compreensivo quanto aos medos de Sakura e assegurou que os problemas da irmã eram de natureza física pessoal, e não geneticamente relacionados. Ela estava bem e saudável. Não havia nenhuma razão, absolutamente, pela qual não pudesse ter uma gravidez perfeitamente normal, e disse-lhes para ir embora e prosseguir com o casamento.

— Divirtam-se. — Sorriu e desejou-lhes sorte quando saíram. Ambos estavam confusos. Ficaram tão acostumados a ter o azar rondando entre eles que boas notícias eram difíceis de aceitar. No momento em que se viram a sós, Sasuke a tomou nos braços e a beijou.

— Não sinto mais a corda no pescoço — anunciou comovido, e Sakura gargalhou porque entendeu exatamente o que ele quis dizer, já que se sentia do mesmo modo.

Rose estava linda. Sakura não podia acreditar nas mudanças que a menininha passou, desde a última ocasião em que a vira. Era toda rosada e delicada, tinha os olhos verdes da mãe e o cabelo escuro sedoso do pai. Chorou quando a pegou no colo. Era tolo chorar porque, na realidade, Sakura estava tão plena de amor por aquela criatura doce e pequenina que deveria estar rindo.

A enfermeira que viria acompanhando Rose quando saíram do hospital se chamava Tenten. Era jovem e morena, e incrivelmente tímida, a tal ponto que enrubescia cada vez que Sasuke lhe sorria. Ele brincou com a timidez dela, sendo o incorrigível macho latino que era. Depois olhava para Sakura segurando Rose, e o seu semblante se alterava para uma sombria densidade de artilharia pesada que poderia liquefazer as entranhas dela. Um macho latino provocante e um sedento macho latino eram duas pessoas diferentes: um era inofensivo, e o outro... não.

Quando precisaram sair para visitar uma casa que Sasuke queria mostrar a Sakura, foram os braços de Tenten que aguardaram para tomar o bebê.

A tensão efervesceu na atmosfera enquanto dirigiam para fora de Florença. Pertencia à antiga excitação de tirar o fôlego que costumavam dividir, naqueles primeiros dias e semanas tempestuosos antes de se tornarem amantes, quando a consciência de um em relação ao outro era tão afiada que se tornava elétrica. Dessa vez, a tensão emanou de uma nova sensação aguçada de união. Estavam unidos pela semente que Sasuke plantou dentro de Sakura, e que ela nutria.

Ela daria um filho a Sasuke.

A mão se moveu furtivamente para cobrir a dele, que se amoldava agarrada ao câmbio da marcha. Sasuke não disse uma palavra, porém, os dedos se espraiaram um pouco para acomodar os dela, e a efervescência teve alguma coisa física da qual se alimentar, ao passo que se aproximavam do interior da Toscana, cortando por Fiesole no caminho.

— Essa casa não vai ser uma outra Villa Uchiha, vai? — Sakura interrogou dubiamente.

— Espere e verá. — Sasuke sorriu, e aquele era um dos sorrisos de dentes brancos, provocantes e espontâneos, que arrebatavam o coração vulnerável de Sakura.

Ela parecia vulnerável hoje. Sentia-se macia e serena, e inacreditavelmente feminina. Foi a sensação mais esquisita, embora morna e tranquila. Até seu encontro com o médico, ela estava uma pilha de nervos de tanta excitação e medo. Estava apavorada, mas agora se sentia alegre também.

— Você está tão bonita hoje — Sasuke murmurou com a voz rouca.

Poderia notar como estava sentindo? Sakura teve que presumir que sim porque, mesmo quando pensava que odiavam um ao outro, Sasuke ainda podia sintonizar em cada pensamento e cada emoção dela, como se pertencessem a ele.

E talvez fosse isso mesmo.

Atravessaram uma alameda até a entrada de chão batido que os conduziu ao longo dos pastos, os quais deram lugar ao mais perfeito vale, com bosques e pradarias, e um córrego estreito. A primeira vista da casa, Sakura engasgou.

— Como você encontrou isso? — perguntou, sem fôlego.

— Ela me pertence. — Lançou para Sakura um sorriso torto. — Me foi deixada de herança pelo meu avô materno.

— A sua mãe morava aqui?

— Não se mostre tão chocada — zombou. — Ela não era uma Uchiha até que casasse com um — relembrou a Sakura, sarcasticamente. — Ela era uma Monteriggioni; eram grandes fabricantes de vinhos — completou. — Possuíam grandes propriedades de terras nestes arredores, e produziam um dos melhores vinhos da Toscana. Quando a indústria teve que se modernizar, para acompanhar os fabricantes de vinho do Novo Mundo, meu avô decidiu que era velho demais para uma mudança tão radical, e por isso vendeu os vinhedos, mas preservou a casa com um amplo pedaço de terra a circundá-la. Quando éramos crianças, todos nós amávamos ficar aqui, porque nos permitia uma espécie de liberdade que nunca nos seria permitida no centro de Florença.

Sakura podia compreender por quê. Este belo lugar era um refúgio para crianças.

Então lá estava a casa. Sasuke parou o carro e sentou atrás para dar a Sakura alguns minutos para absorver a dianteira de dois andares com paredes rústicas de pedra, um telhado de terracota e longas e estreitas janelas com portinholas verdes.

— De que época é? — perguntou curiosa.

— Século quinze, eu calculo — disse ele. — A parte indefinida sobre o cálculo é porque não conseguimos encontrar vestígios dela antes do século quinze, o que não significa que não estivesse aqui.

Saltando do carro, Sasuke deu a volta para abrir a porta para ajudá-la a sair. Suas mãos se uniram novamente. Ele começou a arrastá-la em direção ao par de portas dianteiras de aparência sólida. Sakura ficou chocada ao atravessá-las e se encontrar postada no que apenas conseguia descrever como country rústico. Nenhuma exibição grandiosa de coleções de arte de valor inestimável. Nenhum móvel requintado da renascença que fizesse você querer se levantar e admirá-lo, ao invés de usar.

— É incrível — murmurou ela, conforme perambulavam vagarosamente de sala a sala de pura mágica à moda antiga. As paredes rústicas de gesso foram completamente pintadas, os pisos sob seus pés altercavam pedra que levava à madeira que levava à pedra de novo. Cada aposento era totalmente mobiliado e parecia que tinham permanecido inalterados por séculos. — Eu não posso acreditar que você nunca me contou sobre esse lugar.

— O assunto nunca surgiu nas nossas conversas.

— Bem, esse deveria — ela ralhou. — É tão maravilhosa!

— Grazie — agradeceu Sasuke. — Meus avós a deixaram para mim porque desde muito pequeno eu sempre dizia que aqui seria o lugar onde eu moraria, quando possuísse uma família. — Sasuke estava brincando, mas Sakura podia ouvir o afeto na voz dele.

— E você reivindicou seus direitos? — perguntou ela.

— Si — admitiu. — Então, agora você sabe que se casou com um homem do campo e de coração, em lugar de um arrogante florentino.

Sakura se virou para estudá-lo. Estava ao seu lado, vestindo um dos elegantes ternos de executivo, e aparentando tanto lustro quanto um homem de posses poderia aparentar. Sasuke deveria parecer totalmente deslocado aqui, porém, de uma forma esquisita, não estava; ela só precisava sobrepor um Sasuke sensualmente vestido sobre a versão executivo elegante, para saber que ele pareceria estar completamente em casa.

— Então você é ambos — declarou ela, e se afastou, vagando até a próxima sala, ciente de que o olhar de Sasuke a acompanhava e ciente de que ele interpretara algum tipo de desafio naquele comentário.

Desafio sexual. Estava por toda a parte ao redor deles. Na noite anterior, se uniram numa febre de paixão a qual sabiam que deviam resistir. Hoje, toda a necessidade de resistir a qualquer coisa fora removida, por isso a paixão tremeluziu como o sol, entrando através das ripas que cobriam algumas das janelas.

Foram adiante, passando de sala em sala, discutindo levemente acerca de qual ala deveria ser a ala familiar, e qual deveria ser reservada como espaço de trabalho.

— Poderíamos nos mudar hoje, e não ter uma única coisa para mexer aqui — ela disse, afinal. — Quem andou mantendo isso limpo?

— Tínhamos uma arrumadeira chamada Fantasia — Sasuke disse. — Ela ficou por tanto tempo que eu não me lembro de algum dia em que não estivesse aqui.

— Mas ela não está aqui agora?

— Infelizmente, não. Ela faleceu há uns dois anos. — Sasuke saiu de perto para endireitar uma pintura que pendia torta na parede.

— Você era afeiçoado a ela — sondou.

— Eu a adorava — suspirou ele, recuando para checar seu trabalho manual. — Ela comandava a minha vida com mão de ferro e o melhor osso buco que você poderia provar.

— Impossível de substituir, então.

— Si — concordou ele. — Por isso, nem vamos tentar. Em vez disso, temos um time muito jovem, muito moderno de empregados para combinar com a nossa família muito jovem e muito moderna. — Sasuke voltou-se para encará-la de súbito. — Você quer conhecer o segundo andar agora?

Minha nossa, Sakura pensou, quando o desejo saltou pelo ar como uma poção mágica do amor. Ela deixou que Sasuke tomasse a sua mão de novo, para ajudá-la com o primeiro de uma série de degraus, que vira assim que entraram no térreo.

Conferiram quarto por quarto, encontraram a ala do quarto infantil, com absolutamente tudo o que uma criança poderia desejar. Era como um lugar encantado que se tornara perdido no tempo. Tudo era velho e gasto, como o restante da casa, as únicas modificações óbvias eram os sofisticados banheiros — havia um adjacente a cada aposento.

— Onde estão os empregados? — Sakura pensou em perguntar, ao passo que permaneceram em um dos quartos mais amplos, que possuía uma cama de quatro colunas que alcançava as vigas do teto alto.

— Dei o dia de folga para que pudéssemos olhar tudo em volta, sem interrupções.

E Sakura desviou-se daquela expressão insinuante, para fingir um interesse profundo na tapeçaria artesanal que recobria as tábuas ricamente polidas do assoalho sob seus pés.

— Bem... — Sakura tentou tomar algum fôlego, aprumando o queixo e dando uma volta completa — ...você com certeza tem o seu próprio espaço por aqui, exatamente do jeito que queria.

— Se essa foi uma dica sutil para que eu escolha o meu próprio quarto, então esqueça. Eu durmo onde você dormir.

O coração dela deu uns dois compassos trôpegos.

— Por isso, faça a sua escolha — convidou Sasuke.

— Uma outra hora — disse nervosa, largando em retirada porque Sasuke parecia definitivamente persegui-la.

— Mas você parece cansada.

— Não estou — negou, assim que as partes de trás das pernas se encaixaram na beira da cama, e Sakura percebeu que fora cuidadosamente manobrada.

— Você precisa de repousos regulares. Foi o que o bom doutor falou.

— Não para o que você tem em mente — debochou. — Não ouse! — ela protestou, quando uma das mãos dele se ergueu para afrouxar a gravata.

Porém, Sasuke ousou. Outro passo largo e ele estava de pé bem diante dela. A gravata saiu, o paletó aterrissou no piso polido de madeira. Ela tinha uma chance agora, Sakura sabia disso. Podia lutar ou podia se render. Os olhos sombrios flamejavam enquanto Sasuke abria os botões da camisa. Um peito profundamente bronzeado apareceu, com a sua manta deliciosa e convidativa de pêlos escuros.

Os cílios de Sakura fremiram em ajuste com o coração acelerado. O calor e o aroma de Sasuke lhe impregnavam a cabeça.

— Você planejou fazer isso neste quarto, não foi? — Murmurou acusadoramente.

— Claro. Esse é o melhor quarto. Você vai se despir sozinha ou quer que eu ajude?

Ainda oscilando entre lutar ou se render, Sakura prolongou o momento por uns poucos segundos demorados. Logo relaxou os ombros.

— Esta é sua sedução, caro mio — sussurrou provocante.

Assim, Sasuke removeu as próprias roupas com uma lentidão atormentadora. Instigou os sentidos de Sakura com as mãos e soube exatamente onde tocar. Fizeram amor ao longo da tarde e adormeceram juntos, como passaram a fazer logo depois toda noite, naquele mesmo aposento com a grande cama de quatro colunas e janelas cuja vista abarcava as colinas sinuosas da Toscana.

Rose veio para casa. Encontrar-se envolta em tamanha responsabilidade por aquele precioso ser pequenino, que era tão dependente para tudo, foi quase um baque para Sakura. Mas com o auxílio de Tenten, ela conseguiu. Aprendeu a ser mãe. Demorou semanas até sentir-se realmente confiante, mas chegou lá, finalmente.

Trabalhava no escritório na maioria das manhãs. As tardes eram dedicadas a Rose. Sasuke estava ocupado... muito ocupado. Com a morte de Shikamaru, ele precisava trabalhar por dois, mas a hora do café da manhã pertencia estritamente a Rose. E não importava o quanto ocupado pudesse estar, ainda voltava para casa toda noite para compartilhar uma refeição com Sakura e, claro, havia a cama de quatro colunas.

Na superfície, tudo parecia absolutamente perfeito. Sakura carregava seu bebê com uma serenidade que surpreendeu a todos. Estava feliz com a nova vida, e isso se tornava visível pela maneira como ela quase simplesmente brilhava. A mãe de Sasuke ficou tão encantada assim que soube que os dois se mudariam para a sua antiga casa que raramente se afastava. Se agarrara a Rose e, suspeitava Sakura, mitigara a dor da perda do filho derramando amor sobre a filhinha dele. Hanabi se transformou na mentora de Sakura quanto a tudo que se relacionava aos cuidados com bebês. Hinata ainda mantinha distância, mas conforme os meses rolaram adiante, até ela cedeu e voltou a gostar de Sakura.

Tudo era um bocado perfeito. Como a calmaria depois de uma terrível tempestade, todos pareciam desejosos de cooperar para ajudar àquela nova vida que construíam fluir o mais suave possível. Sakura estava feliz. Sentia-se saudável e viva, e tão resistente que nada poderia derrubá-la. Até voou para Londres para se encontrar com clientes por duas ocasiões, durante os primeiros meses da gravidez. Embora o tenha feito a bordo do jato particular de Sasuke, acompanhada por Rose e Tenten porque recusava a se separar do bebê, e Lee estava lá para conduzi-la a todos os lugares onde precisasse ir.

Trabalhava, brincava, fazia amor com Sasuke. A única pequena nuvem no seu horizonte ensolarado era o fato de que Sasuke não lhe disse uma única vez que a amava. O brilho nos olhos dele dizia a Sakura que sim, mas as palavras jamais foram ditas, por isso ela também não dizia, apenas esperava que Sasuke fosse capaz de ver aquilo nos seus olhos como ela era capaz de ver nos dele. Um dia nos sentiremos seguros o bastante para dizer isso, garantia a si mesma. Posso ser paciente.

Tudo o mais era tão perfeito quanto poderia ser. Podia sentir o bebê vivendo dentro dela, e nunca antes se sentira tão completa como mulher. Amava a sua casa, sua vida, sua família e isso se notava. Sakura irradiava satisfação e felicidade. Esqueceu-se de ficar assustada.

Agosto chegou com uma onda de calor severo. Florença cedia sobre o próprio peso colossal. As ruas fervilhavam de turistas, e aqueles moradores de Florença que podiam se refugiar no campo tiravam as férias anuais apenas para escapar.

Até Sasuke decidiu trabalhar no seu escritório em casa, do que desafiar a enchente carregada e quente da cidade. Sakura estava com quase oito meses, e tão incrivelmente linda que fazia o coração dele doer a cada vez que olhava para ela. Rose desabrochara, desenvolvendo uma encantadora e delicada personalidade. Aprendera a engatinhar e causava pequenos danos quando no chão.

Ela fazia isso agora, observou Sasuke com um sorriso, enquanto perambulou pela entrada do terraço, olhando adiante na direção do jardim. Havia acabado de trocar os shorts casuais e a camiseta solta por um terno, porque precisava comparecer a uma reunião em Florença, o que significava enfrentar com bravura o engarrafamento que congestionava a cidade sob um calor de derreter. Ele não queria ir. Queria continuar bem aqui e assistir à menininha lutar por liberdade enquanto Sakura, que parecia incrível na roupa branca que delineava a forma pesadamente grávida, segurava firme as alças brancas do pequenino macacão de Rose.

Deveriam estar sentadas tranquilamente debaixo da sombra de um guarda-sol, mas Rose tinha outros planos. Avistara um dos gatos da casa e estava determinada a caçá-lo.

— Não, Rose, não — Sakura disse com firmeza. — O sol está muito quente, você deve...

O bebê se soltou. Sasuke ainda estava tentando imaginar como Sakura permitiu que aquilo acontecesse, quando a viu disparar para frente, num esforço de apanhar Rose de novo. De repente, a disparada se transformou inteiramente em alguma outra coisa. Sasuke viu Sakura paralisar como uma estátua por um segundo, e então seu grito retiniu nos tímpanos dele, na medida em que a face se contorceu e ela caiu bruscamente na grama, rolando de dor.

Sasuke já estava com o coração na boca quando se lançou em movimento. Transpôs o terraço correndo até cair de joelhos na grama ao lado de Sakura, e colocar uma das mãos sobre a curva abaloada da espinha dela.

— O que aconteceu... o quê? demandou afiado.

— Dor — ela engasgou e, assim que disse isso, o próximo espasmo agoniado tomou conta de seu corpo, forçando o fôlego na garganta a dar vazão a um aguçado grito penetrante.

O som perfurou o ar oprimido pelo calor ensolarado, como o ladrido de um animal ferido. Abaixando ainda mais, Sasuke curvou os braços bem a sua volta, enquanto os dedos de Sakura se enterravam desesperadamente no chão.

— Cara mia — continuou dizendo, — cara mia — já que não sabia mais o que fazer e ela estava tão paralisada de dor.

Sasuke deve ter pedido ajuda, embora não se lembrasse de tê-lo feito. As pessoas vieram correndo de todas as direções. Alguém recolheu a fugitiva Rose, outro gritou por Tenten. A enfermeira chegou numa correria e se uniu a eles, de joelhos ao lado de Sakura, que estava com falta de ar à medida que o seu corpo inteiro foi trancafiado dentro de um gemido prolongado, denso e de revolver a alma.

— O que está acontecendo... o que está acontecendo? — Desengasgou Sakura, uns poucos segundos depois. — Isso não pode ser normal, não é?

— O seu bebê decidiu chegar mais cedo e está com pressa — explicou Tenten. — Precisamos levá-la ao hospital o quanto antes, signora. — Em seguida fitou Sasuke e acrescentou — Bem rápido, signor — e Sasuke sentiu o sangue correr a frio.

Logo depois, Sakura sentiu nova contração e ele mergulhou numa eficiência incisiva, tomando decisões e chispando ordens, conforme ficava de pé com ela nos braços.

— Sasuke — Sakura soluçou — estou apavorada!

— Shh. — Tranquilizou ele, através de dentes trincados de tensão. — Tudo vai acabar bem.

Sasuke começou a marchar em direção à casa, com os dedos de Sakura agarrados no seu pescoço, e Tenten correndo atrás ao lado dele, enquanto inúmeras outras pessoas se amontoavam como moscas. Lee esperava na saída do pátio, com a porta traseira da Mercedes aberta e o rosto transtornado de preocupação.

— Para o hospital mais próximo, signor — aconselhou Tenten gravemente.

— Vamos logo! — Sasuke disse raspando, assim que sentou no assento traseiro do carro com Sakura.

Lee saltou e passou pela frente do veículo. O carro decolou pela estrada feito uma bala, deixando um rastro de poeira vermelha atrás de si. As unhas de Sakura entalhavam meias-luas na lateral do pescoço de Sasuke, e aqueles grunhidos pavorosos de prender a respiração preenchiam o ar.

A contração amainou, deixando Sakura fraca e vacilante. Então ela rolou a cabeça de encontro ao braço dele e abriu os olhos para fitá-lo. Foi como olhar para dentro do inferno.

— É a mesma — sussurrou ela, e Sasuke entendeu que se referia à Temari.

— Não é a mesma — ele redarguiu severamente. — Está acontecendo algumas semanas mais cedo, e isso é tudo. Você já não tem o bastante para fazer aqui, além de apavorar a você mesma também?

Os olhos se agarraram à ferocidade do semblante de Sasuke, dragando forças dele assim que a próxima dor explodiu. Desta vez não houve nenhuma tolerância. Lee dirigiu como maníaco. Alcançaram o engarrafamento nas proximidades de Fiesole. Lee sentou a mão na buzina até que os carros e coches começassem relutantemente a encostar, saindo do caminho. Um policial rodoviário de motocicleta de repente apareceu atrás deles. Lee conversou com ele, e o sujeito apenas precisou espiar dentro da parte traseira do carro e, um segundo depois, já cortava um corredor através do congestionamento, com Lee guiando colado na sua roda traseira.

Chegaram à entrada do hospital encontrando uma equipe de médicos que os aguardava. No primeiro momento em que Sasuke saltou do carro com seu fardo, os médicos investiram sobre eles. Queriam acomodá-la na padiola, mas Sakura não quis se soltar dele. Sasuke teve de ser duro consigo mesmo para abaixá-la e afastar as unhas, ainda fincadas no seu pescoço com força o suficiente para fazer o sangue minar.

O que veio a seguir se tornou um atordoante borrão de portas gingando e médicos atirando perguntas sobre ele, as quais Sasuke tentou responder sem arrancar-lhes a cabeça com os dentes. Sakura agora apertava com firmeza uma das mãos dele, e não iria soltá-la, forçando a equipe médica a trabalhar ao redor de Sasuke.

Finalmente, alguém lhe trouxe uma cadeira e sugeriu que sentasse. Sasuke fez isso sem abandonar o aperto da mão de Sakura, e se inclinou mais para perto para poder encurvar um braço embaixo da coroa da cabeça dela, como se tentasse protegê-la de tudo aquilo.

— Vai ficar tudo bem — sussurrou ardentemente. — Bebês muito saudáveis nascem com trinta e cinco semanas.

— Nós temos Rose como prova viva.

Sasuke também aquiesceu com um aceno, e captou seu olhar apavorado, ao passo que tentava não se lembrar de todas as tragédias de Temari antes de Rose. Tudo aconteceu tão rápido que deixou todos em pânico quando o bebê chegou, com uma rapidez que pegou a todos de surpresa.

— Você tem um filho — o médico assistente anunciou, depois houve uma correria nas atividades. — Não se alarme porque não pode ouvi-lo chorar. Minha equipe está trabalhando nisso; dê alguns segundos a eles.

Mas aqueles poucos segundos pareceram uma eternidade. Sasuke sustentou o olhar de Sakura e contou aqueles segundos com cada batida compassada que pulsava no seu coração. Sakura estava tão imóvel que percebeu que ela então fazia a mesma coisa, enquanto todos ao redor, todos os outros, prosseguiam em suas tarefas como se, para eles, não houvesse nada de incomum em trazer ao mundo bebês cinco semanas prematuros, para uma família com um histórico de nascimentos prematuros trágicos.

Então aquilo veio, aquele primeiro chorinho fraco que comoveu a todos que estavam em volta. Sakura soltou um único e brusco soluço sufocado, e Sasuke precisou fechar os olhos na medida em que lutava uma batalha árdua para manter o controle. Depois, veio outro choro, e mais outro.

— Você tem um lutador — alguém comentou. — Esse homenzinho vai ficar bem...

Sasuke marchou pelo corredor fora do quarto de Sakura, e tentou chegar a um acordo com o milagre que havia acabado de testemunhar. Por que as mulheres voluntariamente se entregam a passar por isso? Por que os homens se agarram a crença de que eles deviam ter o direito de fazer aquilo acontecer afinal? Uma enfermeira saiu do quarto de Sakura.

— Você pode voltar agora. — Ela sorriu.

Sasuke despontou através da porta como uma bala, para encontrar Sakura reclinada contra uma pilha de travesseiros, parecendo tão calma e serena, e tão aflitivamente bela que ele não hesitou. Indo direto até a cama, sentou-se ali e olhou profundamente dentro daqueles doces olhos verdes.

— Eu amo você. — Disse ele, então comprimiu sua boca na dela, no beijo mais gentil, destinado a selar aquela declaração. — Eu queria que você soubesse disso antes que trocássemos qualquer palavra — explicou assim que rompeu o contato. — Devia ter dito isso há meses, mas não pensei que pudesse significar alguma coisa depois de...

Os dedos de Sakura vieram cobrir os lábios de Sasuke, e ela lhe sorriu um sorriso terno.

— Apenas diga isso outra vez — instruiu mansamente.

Sasuke inspirou um fôlego tenso, e tomou seus dedos, a paixão irradiando daqueles sombrios olhos.

— Eu amo você. Ti amo — ele repetiu com a voz rouca.

— Sempre... sempre e per sempre. — Beijou-lhe as pontas dos dedos, e viu os olhos de Sakura começarem a embaciar com lágrimas felizes. — Você é a minha vida..., lei è la vita mia. Minha alma... la anima mia.

Sakura não pôde conter uma curta gargalhada.

— Você não precisa repetir tudo duas vezes.

— Sim, eu preciso — argumentou. — Eu lhe devo essas palavras. Eu lhe devo por cada único dia que deixei passar sem lhe dizer o quanto você significa para mim.

— Eu nunca as disse para você. — retrucou com candura.

— Você não precisa dizer nada. Você se casou comigo sabendo no que eu acreditava, isso foi o suficiente.

— E você se casou comigo acreditando no que você pensava que sabia — revidou ela. — Isso significa que eu tenho que dizer as palavras de volta, para que saiba que me sinto da mesma maneira a seu respeito?

— Si — Um indício da velha arrogância de Sasuke apareceu. — Que homem desnuda o coração sem esperar que a sua amada faça o mesmo por ele?

— Idiota. — Ela riu suavemente, contorcendo os dedos para soltá-los e, assim, poder passar os braços em torno do pescoço de Sasuke. — Eu amo você — sussurrou. — Sempre te amei e sempre amarei, mesmo que você não passe de uma fraude — informou provocando-o. — Você decidiu que hoje era um dia bom para me dizer isso porque lhe dei um belo filho e você está tão cheio de amor e orgulho que nem sabe o que fazer com tudo isso.

— Ora, bem... — Deu a ela um sorriso preguiçoso. — Tem isso também, suponho. — Então, imediatamente, Sasuke ficou sério. — Que uma mulher do século vinte e um tenha que passar por tantas coisas para dar à luz é bárbaro.

— Atos primitivos de lascívia incontrolável trazem resultados primitivos — Sakura computou. Depois franziu a testa. — Por que está me olhando desse jeito? Eu não fui tão ruim assim, fui?

— Você foi incrível. — Tomou a face dela entre as mãos e a beijou novamente, com uma paixão avassaladora dessa vez. — Você foi forte e corajosa, e eu fui um desperdício inútil de tempo e espaço. Eu...

— Você segurou a minha mão e me beijou o tempo inteiro — disse gentilmente. — Você me manteve forte, Sasuke.

— Mas de qualquer forma, nós nunca mais vamos passar por isso de novo — sustentou ele. — Eu casei com você para amar e adorar, não para obrigá-la a ser forte!

— Onde está o meu filho? — ela choramingou de repente. — Quando o levaram, disseram que seria só por alguns minutos. Isso foi há...

— Fique em paz. Ele está em boas mãos, — Sasuke a tranquilizou com um afago carinhoso dos dedos na sua face. — Minha mãe está com ele. — Sasuke, então, sorriu.

— A sua mãe está aqui? — Sakura arregalou os olhos de surpresa.

— Hanabi e Hinata também. — Meneou a cabeça afirmativamente. — Da última vez que as vi, tentavam decidir se ele parece irlandês ou florentino.

— Oh, meu Deus! — ela engasgou. — Não cresceu cabelo vermelho nele desde a última vez que o vi, não é?

— Não, ainda é escuro como o meu. — Sasuke gargalhou. Porém, repentinamente, parou de rir. — Ele é lindo, você é linda. Eu adoro cabelo vermelho, principalmente os que puxam para o rosa. Eu adoro você. E assim que você voltar para casa outra vez, eu vou apreciar lhe mostrar o quanto eu adoro você.

— Já está falando de sexo — disse, repreendendo.

— Estou falando de amor — corrigiu Sasuke e resolveu mostrar a ela qual era a diferença.

***FIM***


E aí,gostaram da fanfic? Se sim,tenho uma boa noticia para vocês. Vou colocar a sinopse de dois livros lindos e vocês escolhem qual querem que eu faça a próxima adaptação para o universo Naruto,o que acham? Aí vai:

Sinopse número 1 - O valor do sonho

O magnata italiano Sasuke Uchiha é um homem de tirar o fôlego: ele tem poder, sucesso e um efeito arrasador sobre as mulheres. Agora Sasuke precisa de uma noiva, e resolveu que Sakura Haruno será sua esposa. Ela caiu na armadilha e foi alvo de sua chantagem, e ele sabe que Sakura não pode recusar sua proposta. No entanto, ainda há uma condição que ela desconhece: como esposa, precisará lhe dar um herdeiro...

Sinopse número 2 - O irmão do noivo

Sai Uchiha a tinha deixado plantada diante do altar, mas Sasuke Uchiha, seu irmão, estava esperando para ocupar o seu lugar. Sasuke era o irmão mais velho e o cabeça do império familiar, e precisamente tinha sido ele quem tinha convencido Sai de que a abandonasse. E com essa mesma determinação, fazia questão de que ela se casasse com ele.

Aturdida como estava, Sakura aceitou sua proposta mais surpreendente ainda porque até o momento, Sasuke tinha atuado como se a desprezasse. E de repente queria dizer ao mundo que ela era sua esposa... e não só no papel, senão de fato e de direito!

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Fico aguardando a decisão de vocês.

Kissus...