Capítulo 01:

Bella POV.

A casa estava escura e silenciosa, e provavelmente já se passavam das cinco da manhã, mas eu não conseguia sair daqui. Respirei fundo enquanto observava a pouca movimentação na minha rua, pela janela, minhas mãos subindo e descendo em meu braço, em uma tentativa vã para me aquecer.

Meu coração estava apertado contra o peito, e só o pensamento do que eu iria fazer dentro de algumas horas me fazia querer sentar no chão e chorar. Os problemas não se resolveriam assim, eu tinha certeza absoluta disso, mas só de pensar em deixar a pessoa mais importante do mundo para trás...

Doía.

Eu já havia feito tal coisa uma vez, quase quatro anos atrás, mesmo que as circunstâncias fossem completamente diferentes e eu não tivesse ideia da notícia que iria receber três semanas depois. Não imaginava que iria fazer tal coisa de novo e ainda não tinha certeza se isso era mesmo o melhor, mas… eu simplesmente não podia arriscar.

Não com ele. Não com o meu maior presente.

Suspirei pesadamente, e me movi um pouco, buscando a coragem que eu vinha adquirindo durante toda a semana. Disparei meus olhos pela sala, gravando cada detalhe dela em minha mente, e consultei o relógio mais uma vez. Jasper estaria aqui dentro de alguns minutos, mesmo não concordando com o que eu estava fazendo, e eu já queria ter tudo pronto para quando ele chegasse.

Entrei na cozinha, meus olhos passando pela geladeira, um sorriso em meu rosto quando vi todos os desenhos ali; traços incertos, desenhos bagunçados, mas que sempre, não importava o quão ruim meu dia tinha sido, conseguiam arrancar um sorriso do meu rosto.

Retirei os ímãs que o prendiam ali e puxei todos para mim, minha garganta de repente se fechando, lágrimas surgindo em meu rosto. Respirei fundo, procurando me controlar. Eu não podia chorar, não agora, não com ele estando a poucos passos daqui.

Desliguei a luz da cozinha quando saí, não sabendo quando eu voltaria ali – se eu voltaria. Caminhei até o meu quarto e puxei as duas malas grandes que esperavam por mim desde ontem à noite, levando-as até a sala e as deixando perto da porta. Puxei minha bolsa, que estava no sofá, e a apoiei em uma das malas, abrindo-a e guardando os desenhos ali.

Eu sabia que iria querer olhar para eles durante o voo.

Com tudo organizado, esperei por Jasper, evitando ir em direção ao corredor que levava aos quartos por enquanto. Dez minutos mais tarde, duas batidas soaram à porta delicadamente e eu me pus de pé imediatamente, mordendo o lábio inferior enquanto caminhava até lá. Destravei a porta e a puxei, encontrando Jasper, vestindo suas roupas casuais, como sempre.

- Bella. – Ele acenou, sorrindo um pouco. Seus olhos passearam por mim rapidamente, antes de fitarem as malas; um suspirou imediatamente escapando de seus lábios. – Vejo que não mudou de ideia.

Eu sorri, apertando a maçaneta com força, prendendo-me àquele momento.

- Você sabe que é melhor assim – murmurei, afastando-me um pouco e dando espaço para ele entrar.

Ele tornou a suspirar, mas não disse nada. Mesmo não concordando com o que eu havia feito anos atrás e com o que eu estava prestes a fazer agora, Jasper sabia que eu estava certa, sabia que eu já tinha adiado isso tempo demais.

- E as suas malas, onde estão? – perguntei, mudando de assunto.

Ele se sentou no sofá e sorriu.

- Está tudo pronto, Bella – revirou os olhos. – Estão no meu carro, tudo certo. Já reservei um hotel e fiz tudo como você pediu.

Eu assenti, lágrimas tomando conta de meus olhos. Imediatamente as feições do meu amigo, outrora brincalhonas, se tornaram preocupadas, e ele se levantou, caminhou até mim e me puxou para os seus braços.

- Desculpe – sussurrei. – É que eu nunca me separei dele... Sei que estou sendo uma chata, mas só quero que ele tenha o melhor e… só quero que ele seja feliz e esteja seguro.

- Tudo bem, querida – disse. – Eu entendo.

- Não sei se posso fazer isso, Jazz – solucei. – Não sei...

Ele acariciou minhas costas e depositou um beijo em meus cabelos, apertando-me mais em seu abraço.

- Shh, Bella – murmurou. – Eu vou cuidar dele e vai dar tudo certo. Você vai viajar e vai resolver tudo o quanto antes, ok?

Permaneci em seu abraço durante mais alguns minutos, procurando me acalmar. Quando consegui tal coisa, me afastei de Jasper e sorri, enxugando minhas lágrimas.

- Deixei tudo dele preparado já – disse. – As malas estão no escritório... Vou me despedir e depois as trago, ok? Tenho mais uma coisa para falar antes de ir com você...

- Tudo bem – sorriu. – Vou esperar aqui.

Eu não esperei que ele se sentasse antes de seguir para o corredor do meu apartamento. Não entrei no meu quarto novamente, porém. Ao invés disso, segui para o quarto ao lado, já sentindo meu coração acelerar novamente. Eu parei por um momento diante da porta entreaberta, respirando fundo, e por fim a empurrando.

Meus olhos dispararam pelo local, passando pelas paredes esverdeadas, com alguns detalhes de floresta, olhando a prateleira branca cheia de brinquedos, nos detalhes coloridos, na mesinha redonda, onde tantas vezes me sentei para participar de uma brincadeira… Cada detalhe ali tinha sido escolhido a dedo, sabendo que ele gostaria.

A coisa mais preciosa do meu mundo todo.

Henry.

Após observar o quarto, meus olhos pararam na pequena cama que havia no centro, vendo o amontoado de cobertas que havia ali. Me aproximei um pouco, tornando a encostar a porta atrás de mim, de modo que apenas um fio de luz do corredor infiltrasse para dentro do quarto; o suficiente para eu conseguir enxergá-lo.

Sentei-me na poltrona que ficava perto da cama, inclinando-me e observando meu filho dormir de forma pacífica. Seus cabelos bagunçados, tão iguais aos do pai, as sobrancelhas, da mesma cor dos cabelos, os olhos fechados, o nariz pequeno, a boca entreaberta. Observei seu peito subindo e descendo com a respiração, e engoli um soluço que quis escapar de meu peito. Não podia deixá-lo, não queria.

Mas eu tinha de fazer isso.

Saí da poltrona e me ajoelhei ao lado da cama, esticando a mão e deixando meus dedos infiltrarem nos cabelos bronze de meu filho. Eu fiquei ali, talvez mais do que eu podia, tentando arrumar coragem para tirá-lo de seu sono.

Partir sem dizer adeus talvez fosse mais fácil, mas eu não suportaria fazer isso com Henry. Eu tinha conversado com ele sobre a viagem que eu faria alguns dias atrás e tinha prometido que iria me despedir.

Ele me fizera prometer.

- Henry? – chamei, balançando-o suavemente. – Querido?

Ele resmungou baixinho e se virou um pouco na cama, tornando a dormir logo em seguida. Eu esperei mais um minuto e tornei a sacudi-lo, aproximando meu rosto do dele e depositando pequenos beijos em sua testa, como eu costumava fazer todos os dias.

- Henry? – tornei a chamá-lo.

Ele abriu os olhos e os piscou algumas vezes, antes de fixar aqueles olhos de chocolate nos meus. Um sorriso pequeno nasceu em seu rosto e eu sorri de volta imediatamente.

- Tá na hola de sair, mamãe? – indagou, sua vozinha rouca pelo sono.

Eu sorri um pouco mais.

- Não, querido – murmurei. – Você se lembra da viagem que a mamãe disse que iria fazer? É hoje... O tio Jasper vai ficar com você e vai levá-lo para viajar mais tarde... Eu só queria me despedir...

Ele assentiu, se sentando na cama.

- Eu não posso ir? – perguntou.

Engoli em seco, tentando impedir as lágrimas de saírem.

- Não dá, amor – murmurei, afastando uma mecha de seu cabelo da testa. – Eu vou resolver tudo e tentarei voltar o mais depressa possível, pode ser?

- Você plomete? – Seus olhinhos castanhos me fitavam com atenção e um bico tomava conta de seus lábios. – Plomete que não vai esquecer de mim?

- Oh, Henry... – Puxei-o para um abraço e depositei um beijo em sua testa. – Mamãe vai ficar fora por um tempo, mas eu vou voltar logo, ok? E eu nunca vou me esquecer de você, querido.

Segurei seu rosto pequeno entre minhas mãos, fazendo o máximo de mim para parecer forte, mesmo que estivesse me sentindo uma completa bagunça por dentro.

- Você promete que vai obedecer o tio Jazz? – perguntei. – E seja um menino bonzinho, Henry. Quando a mamãe voltar, ela vai querer saber como foi tudo, ok?

Ele sorriu, assentindo. Eu sorri um pouco quando o vi bocejar. Tornei a deitá-lo na cama e o cobri, depositando um beijo em sua testa.

- Dorme um pouco, querido – sussurrei. – Seu tio irá acordá-lo quando estiver na hora de vocês se arrumarem para viajar. Se comporte, ok?

Eu fiquei sentada ao seu lado, vendo seus olhos fecharam, sua respiração começar a se tornar pesada novamente...

- Amo você, mamãe – ele sussurrou, seus olhos ainda fechados. – Volta logo, tá?

Engoli as lágrimas, enquanto continuava a brincar com as mechas de seu cabelo.

- Eu volto, meu bem – murmurei. – E eu também te amo.

Permaneci sentada em sua cama durante alguns minutos, observando-o voltar a dormir. Tornei a engolir as lágrimas, sabendo que não poderia deixá-las chegarem – não agora, não quando eu já estava me sentindo tão na dúvida sobre partir – e me pus de pé, saindo do quarto e dando uma última olhada em todos os detalhes antes de fechá-la atrás de mim. Caminhei até o escritório e puxei as duas malas do meu filho, arrastando-as até a sala, onde Jasper esperava, sentado no mesmo sofá de outrora.

Ele me fitou em silêncio, enquanto eu verificava as malas de meu filho e lhe passava todos os documentos necessários para que ele conseguisse viajar com ele. Peguei a autorização e lhe expliquei tudo, procurando me lembrar de cada detalhe que a mulher com quem eu conversara quando comprei as passagens me dissera.

- Você tem o endereço com você, não tem? – perguntei. Quando ele assentiu, conferi todos os papéis e documentos mais uma vez, antes de colocá-los em uma pasta pequena e entregar a Jasper. – Qualquer coisa, me mande um e-mail, naquele novo endereço que eu te passei. Assim que eu estiver com tudo resolvido, leio.

- Pode ir tranquila – disse, se levantando. – Eu vou cuidar dele, Bella, eu prometo. Só procure resolver tudo logo, por favor. Você sabe que eles vão ter perguntas que só você pode responder.

Assenti, engolindo em seco, a dor voltando para mim com força, como sempre acontecia quando eu pensava neles – principalmente nele –, mesmo depois de todos esses anos.

- Há essa carta... – Coloquei o envelope grande em suas mãos. – E tem umas fotos aí também... Entregue para… ele, por favor.

Jasper sorriu e assentiu. Suspirei pesadamente, meus olhos percorrendo a sala, olhando todas as fotografias que estavam ali, e fitei meu amigo novamente, tentando sorrir. Envolvi-o em um abraço e lhe agradeci, mais uma vez, por tudo, antes de me afastar e caminhar até a porta.

- Espero ver você em breve – murmurei. – Até mais, Jazz.

- Até, Bella – disse. – Tenha uma boa viagem... E dê notícias, por favor.

Eu assenti, abrindo e saindo do apartamento, fechando a porta atrás de mim. Enquanto caminhava para fora do apartamento e chamava um táxi, não olhei para trás, com medo de fraquejar.

O motorista me ajudou a guardar as malas no carro e abriu a porta traseira para mim, sempre com um sorriso no rosto, comentando sobre coisas rotineiras. Eu procurei acompanhá-lo, mesmo sentindo meu coração apertado a cada minuto que passava, quanto mais o carro se afastava do lugar em que vivi com Henry desde o seu nascimento e se aproximava do aeroporto.

- Está tudo bem, senhora? – ele indagou quando me viu enxugando algumas lágrimas, sua testa franzida.

Eu empurrei um sorriso para fora do rosto, fazendo força para não deixar os soluços escaparem.

- Vai ficar – murmurei.

Suspirei pesadamente, olhando o movimento de Pittsburgh, e apoiei minha cabeça contra o vidro do carro.

Eu vou voltar em breve, Henry, eu prometo.

Edward POV.

Eu batia levemente meus pés contra o chão, seguindo a batida da música que eu podia ouvir de dentro meu escritório, mesmo com a porta fechada. Meus olhos seguiam pelas linhas dos contratos, papéis, plantas e tudo o mais. Eu assinava o que era necessário e fazia careta para coisas que eu não gostava, cortando algumas palavras e fazendo algumas anotações.

Uma batida à porta me interrompeu alguns minutos depois, e uma olhada rápida no relógio me mostrou o por que de eu estar sendo interrompido: era hora do almoço.

- Pode entrar – disse, alto o suficiente para que a pessoa do outro lado, no caso minha secretária, pudesse ouvir.

Jessica apareceu com o seu costumeiro sorriso no rosto, segurando a sacola com a comida que eu já sabia exatamente o que era. Era uma quinta-feira e isso significava que era dia de almoçar comida chinesa.

- Obrigado, Srta. Stanley – disse, afastando os papéis da minha mesa e pegando a sacola de suas mãos. – Pode ir para o seu almoço agora.

- Obrigada, Sr. Cullen – ela tornou a sorrir. – Até daqui a pouco.

Eu rapidamente comi, enquanto ligava meu notebook e olhava rapidamente a agenda, verificando as reuniões que eu tinha naquele dia. Quando terminei, joguei as embalagens no lixo e voltei ao trabalho, como sempre fazia.

Quando Jessica voltou, ela entrou na sala, passando os papéis que eu precisava para a reunião uma hora mais tarde, explicando todos os detalhes que eu deveria saber. Eu a ouvi, fazendo um comentário ocasionalmente, antes de dispensá-la. Levantei-me assim que ela saiu da sala, puxando meu casaco e o vestindo. Organizei todos os papéis e os guardei na pasta, e saí da minha sala.

Dirigi calmamente pelas ruas de Chicago, indo até o local marcado para a reunião, que por enquanto ainda era casual. Cumprimentei Emmett, meu parceiro de negócios, assim que cheguei lá, e esperei por todos os outros chegarem, antes de começar a passar os papéis necessários.

A reunião foi longa, como eu previa, mas rendeu, o que era ótimo. Voltei para a empresa e para o meu escritório, onde fiquei até pouco depois de oito da noite. Enquanto me dirigia para fora da empresa quase vazia, em direção ao estacionamento, eu quase podia ouvir minha irmã e mãe dizerem que eu era um viciado em trabalho, o que me fez sorrir.

Não porque era mentira, mas porque elas sempre insistiam em dizer tal coisa, mesmo sabendo que eu não diminuiria minhas horas de trabalho por causa disso. Era quem eu era, era meu novo eu. Alguém que literalmente só vivia para o trabalho.

Despedi-me de Jefferson, o chefe de segurança do prédio, que não parecia nem um pouco surpreso por me encontrar ali àquela hora, já que aquilo era rotina. Puxei as chaves do meu bolso e apertei o alarme do meu carro, desativando o alarme e entrando. Joguei a pasta no banco ao meu lado e saí do estacionamento, dirigindo até o meu apartamento, que ficava a uns quinze minutos dali.

Liguei o rádio e cantarolei uma música qualquer durante o caminho, como fazia todas as noites. Digitei a senha do portão assim que cheguei ao meu condomínio, esperando os portões abrirem e acenando rapidamente para o porteiro antes de entrar.

Outro que não se assustava comigo saindo para o trabalho antes das oito da manhã e só voltando depois de oito da noite.

Estacionei na minha vaga e desci, fazendo meu caminho até o elevador e apertando o andar da cobertura. Permaneci pensando em contratos e plantas até ouvir o barulho que indicava que eu tinha chegado ao meu andar, e mais uma vez eu puxei as chaves do meu bolso, dessa vez procurando a certa antes de colocá-la na fechadura da minha porta.

Todas as luzes estavam apagadas, como sempre estavam, e fui acendendo uma a uma, enquanto deixava minha pasta no canto reservado para ela, sabendo que eu era organizado demais para um homem. Rumei para o meu quarto e retirei meus sapatos, guardando-os no closet e pegando uma boxer e uma calça de moletom antes de seguir para o banheiro. Tomei um banho longo e após estar seco e vestido, fui até a cozinha, onde comecei a preparar o meu jantar.

Uma hora mais tarde eu estava sentado na cadeira da bancada, deliciando-me com salmão e arroz, como eu fazia todas as quintas. Após terminar, fiz uma única ligação, informando a minha mãe que eu estava bem, e depois segui até a sala de televisão, onde eu fiquei até sentir sono.

Minha rotina podia ser muito tediosa para os que viam de fora e não entendiam o porquê de eu fazer tudo isso, mas era assim que eu vivia a minha vida agora. Do trabalho para a casa e da casa para o trabalho era o que eu fazia e vivia todos os dias, e pouco me importava com isso. Eu gostava da sensação de ter controle sobre o que eu fazia, porque a única vez que isso tinha escapado de mim eu tinha saído machucado.

E eu não queria me sentir assim nunca mais.

Eu me encontrava acordado na sexta às seis da manhã, com um short de malha e uma camiseta solta, seguindo para o quarto mais ao fundo do corredor, onde eu tinha uma pequena academia. Coloquei os fones no meu ouvido e escolhi minha lista no meu Ipod, guardando-o no bolso enquanto começava a correr. Eu costumava fazer tal coisa quatro vezes por semana, às vezes mais quando algo ia mais difícil, ou quando lembranças de um passado, que eu tentava esquecer a todo o custo, insistiam em me atormentar.

Uma hora mais tarde, segui para o banheiro e fiz minha higiene matinal, que envolvia um banho longo e fazer a barba. Domar meus cabelos era algo extremamente impossível, mas eu tentava todos os dias, somente para desistir cinco minutos depois. Coloquei minha calça social preta, uma blusa branca e uma gravata listrada de azul com cinza, antes de pegar meu terno Armani também preto. Calcei meus sapatos e coloquei meu relógio, por fim, aplicando um pouco de perfume, antes de pegar meu celular, minhas chaves, minha pasta e sair do apartamento.

O trânsito não estava tão ruim e logo eu me encontrava na empresa novamente, mais cheia do que ela estava na noite anterior, como geralmente acontecia. Segui para o meu andar e não me surpreendi ao encontrar Jessica já com meu copo de café na mão, como todos os dias. Eu o peguei de sua mão e segui para a minha sala, ela atrás de mim com sua agenda, explicando tudo o que eu tinha para fazer naquele dia.

-... Por fim, há uma reunião marcada para às cinco da tarde, finalizando seus compromissos do dia. – Jessica terminou de falar, tomando uma respiração profunda, e me fitando com seus olhos castanho-escuros.

- Obrigado, Srta. Stanley – disse-lhe. – Esteja aqui uma hora antes da reunião, para passarmos todos os detalhes e deixe a sala de conferências pronta, por favor. De resto, a senhorita sabe o que fazer.

Ela assentiu, pediu licença e se retirou, deixando-me sozinho. Comecei a fazer tudo o que eu fazia todos os dias, participando de apresentações, reuniões, olhando alguns contratos e currículos, antes de passar tudo para Jessica. Saí para almoçar e fui até o meu restaurante italiano favorito, como fazia nas sextas, e voltei para empresa pouco depois de uma hora e meia, já entrando na minha sala e voltando para o trabalho.

Às quatro, Jessica entrou na minha sala e passou todos os detalhes da reunião, antes de sair, dizendo que iria preparar a sala. Ela me chamou faltando dez minutos para às cinco, sabendo que eu não gostava muito de atrasos, dizendo que todos já estavam prontos, somente esperando por mim.

A reunião foi boa e produtiva, para o bem do meu humor, e durou cerca de quase duas horas, até todas as apresentações serem feitas e tudo ser discutido. Permaneci na empresa durante mais uma hora, como sempre, e saí pouco depois das oito, novamente. Fiz o caminho até o meu apartamento e repeti o processo de todos os dias, exceto pela pizza que pedi, ao invés de cozinhar; a comi enquanto bebia uma bela taça de vinho e assistia a algum programa na televisão.

Após terminar, liguei para a minha mãe e depois parti para o meu quarto, cansado pela semana corrida, como geralmente acontecia a essa altura. Menos de dois minutos depois de ter colocado a cabeça no travesseiro e me cobrir, deixei que o sono tomasse conta de mim.

Mesmo sendo sábado e mesmo não indo trabalhar nos finais de semana – abrindo exceções quando eu tinha de viajar durante ou semana e/ou quando tinha algo importante para resolver –, preferindo fazer tal coisa em casa, eu me vi acordando pouco depois das oito no sábado, pronto para ir malhar um pouco, apenas porque havia me dado vontade.

Um pouco antes das dez, eu segui para a cozinha, após tomar um banho, onde comecei a preparar meu café da manhã, fazendo a massa para as panquecas e pensando se eu fazia bacon ou não. Estava retirando a panela necessária para tal coisa, quando escutei o interfone tocar, fazendo com que eu congelasse por um momento e franzisse a testa. Eu não estava esperando nenhum visitante e um olhar no meu relógio, me fez descartar imediatamente uma visita da minha mãe ou de Alice.

Tanto quanto eu as amava, eu sabia que nenhum das duas saía de casa numa manhã de sábado, a não ser se fosse algo extremamente importante.

Sabendo que eu não descobriria tal coisa a não ser se atendesse o aparelho – que chegava a ser um pouco irritante –, caminhei até o mesmo, o puxando e o colocando em minha orelha.

- Sim? – disse, minha voz soando um pouco hesitante.

- Sr. Cullen, me desculpe incomodar... – Paul, o porteiro, falou do outro lado da linha. – Mas há um rapaz aqui que insiste em subir para conversar com o senhor. Ele disse que é urgente.

Franzi a testa mais uma vez, pensando em vários homens que eu conhecia, tentando me lembrar se havia algo da empresa pendente com algum deles.

- Pode perguntar o nome dele, por favor? – pedi. – E o assunto também, se ele não se incomodar em dizer...

Eu senti Paul afastando o interfone e falando alguma coisa com uma pessoa, que respondeu rapidamente. Mesmo eu não pudendo ouvir direito o que ela dizia, não reconheci a sua voz, o que me fez franzir a testa pela terceira em vez em cerca de dez minutos.

- Ele disse que o nome dele é Jasper Hale. – Paul voltou a dizer. – E que veio a pedido de uma tal de Isabella Swan.

Eu senti meu coração quase que imediatamente acelerando no peito, um embrulho no estômago e minha cabeça girar. Segurei o fone com força na minha mão e fechei os olhos, respirando fundo, tentando me acalmar.

Eu tinha prometido, há quase quatro anos, que nunca mais iria me deixar atrair por tal nome novamente.

E não iria fracassar.

Abri a boca, pronto para dizer para Paul que não era para deixar o rapaz subir, mas não consegui fazer tal coisa. Não reagir ao seu nome era uma coisa, mas não matar a curiosidade que tomava conta de mim, era outra totalmente diferente.

Soltando um suspiro, derrotado, informei ao porteiro que era para deixar o rapaz subir e corri para o meu quarto, tirando minha calça de malha e colocando uma jeans rapidamente, assim como uma camisa verde musgo. Pus meus chinelos e voltei para a sala, caminhando até a porta e a abrindo.

Escutei o barulho do elevador abrindo e congelei ali, me perguntando se ela estaria com ele, se ela estava vindo me dizer que fizera algo certo em me deixar há quase quatro anos, porque tinha encontrado neste tal de Jasper algo que ela não tinha conseguido comigo.

No entanto, me vi surpreso quando vi um cara alto, louro e de olhos cor de mel saindo do elevador juntamente com um menino pequeno, que estava praticamente se escondendo contra as suas pernas.

Eu ergui meu rosto novamente, sabendo que meu rosto estava confuso enquanto eu fitava esse rapaz que tinha vindo por causa dela, mas que eu não fazia ideia de quem era.

E muito menos porque ele estava aqui, depois de todo esse tempo.


N/A: Mais um capítulo pra vocês :3 Deixem reviews que eu volto no domingo com o segundo (;

Espero que gostem.

xx