Capítulo dois:
Jasper POV.
Eu observei minha melhor amiga sair de seu próprio apartamento, deixando, com toda a certeza, seu coração e seu maior tesouro para trás, sabendo que ela não estava totalmente certa daquilo, sem poder fazer nada para impedi-la. Fiquei durante alguns minutos parado ali, respirando fundo e repassando tudo o que ela tinha me dito – mesmo que não fosse muito –, e prometendo a mim mesmo que eu faria o possível e não iria desapontá-la.
Quando olhei para meu relógio, um pouco mais tarde, e vi que já se passavam das sete da manhã, me coloquei de pé, indo até o quarto de Henry e conferindo se ele estava dormindo. Quando vi que sim, voltei para a sala, peguei suas malas e desci rapidamente, as guardando no carro. Henry costumava ficar um pouco agitado quando me via, já que eu geralmente vinha visitá-lo com a intenção de brincar, e eu sabia que seria um pouco difícil olhá-lo e me certificar de que suas bagagens estavam guardadas.
Sabendo que Bella costumava acordá-lo por volta de sete e meia ou oito horas, e que ele já estava acostumado com tal coisa, fui para a cozinha quando voltei para o apartamento e comecei a preparar o café da manhã do jeito que ele gostava: panquecas, bacon e um copo de leite puro. Após deixar tudo pronto, caminhei até o seu quarto e abri a porta completamente, sorrindo um pouco ao olhar para o braço da poltrona e ver que Bella tinha deixado um par de roupas separado para ele ali, assim como uma cueca, meias e seu par de tênis favorito.
- Hey, amigão – murmurei, me aproximando da cama. – Hora de acordar.
Henry relutou um pouco, mas acordou assim que me viu, sorrindo um pouco e se pondo de pé. Levei até o banheiro e o ajudei com sua higiene matinal, deixando o banho para depois do café, já que ele sempre entornava a calda da panqueca em suas roupas. Após ele escovar os dentes, levei-o até a cozinha, sorrindo quando ele ficou animado ao ver seu café da manhã. Eu o ajudei a comer e fiquei ali, conversando com ele, até que ele terminou e eu pude levá-lo para o banho.
Lacrei a banheira e a coloquei para encher, retirando suas roupas pequenas enquanto isso. Coloquei-o na banheira, rindo quando ele pegou alguns dos brinquedos que sua mãe já deixava ali, sempre pensando nele.
E então, alguns minutos depois, senti meu coração partir quando ele soltou seus brinquedos, ergueu sua cabeça e olhou para mim com aqueles olhos castanhos.
- Tio Jazz – murmurou –, você acha que a mamãe demola?
Eu engoli em seco e passei a esponja em seus braços, sem saber exatamente o que responder.
- Eu não sei, amigo – disse-lhe. – Eu acho que a mamãe vai voltar assim que ela puder, ok? Então, só temos que esperar.
Ele assentiu, mas não voltou a brincar com seus brinquedos.
- Você acha que ela vai sentir saudades de mim? – perguntou-me, ainda me encarando com seus olhos castanhos tristes.
Eu soltei uma risada e apertei seu pequeno nariz.
- Mas é claro que sim, carinha – disse, sorrindo para ele. – A mamãe te ama. É claro que ela vai sentir saudades de você.
Ele tornou a assentir.
- Vamos nos certificar de nos comportar direitinho, ok? – continuei quando vi que ele não falaria nada. – Mamãe vai gostar de saber, quando voltar, que você foi um bom rapaz.
Ele finalmente sorriu, assentindo.
- Agora, vamos terminar de tomar banho, nos arrumar, porque você vai sair de férias com o tio Jazz, se lembra?
Isso serviu para animá-lo, o que me fez sorrir, mesmo que eu ainda estivesse preocupado com o rumo que as coisas estavam tomando. Terminei de dar um banho em Henry e o retirei da banheira, envolvendo-o na toalha e o enxugando rapidamente.
Eu coloquei a pequena calça jeans nele e a blusa de frio, antes de pôr seus tênis. Peguei a pequena mochila que Bella tinha deixado separada, para o caso de termos um pequeno acidente com roupas ou algo do tipo, e conferi se tudo da casa estava desligado, antes de pegar a pasta e o envelope que eu tinha deixado no sofá, sair do apartamento e trancar a porta atrás de mim.
- Nós vamos viajar no avião, tio Jazz? – Henry perguntou enquanto eu o colocava na sua cadeirinha.
Eu ri e baguncei seu cabelo ainda mais, fechando a porta e dando a volta, entrando no lado do motorista e colocando o carro em movimento.
- Nós vamos, amigo – sorri. – Animado?
Ele sorriu, assentindo rapidamente. Mantive uma conversa com Henry durante o caminho até o aeroporto, que ficava a uns vinte minutos da casa de Bella. Coloquei uma música para tocar, sabendo que ele gostava, e ri durante toda a viagem enquanto Henry tentava acompanhar a letra, mesmo errando mais de metade dela.
- Prontinho – sorri para ele, estacionando no aeroporto. – Pronto para ir, rapaz?
Foi um pouco difícil sair do carro com Henry em meus braços e carregar três malas, mais a mochila de Henry e a minha – com os documentos dele já lá dentro, assim como o envelope com as cartas e fotos que Bella tinha me entregado – até dentro do aeroporto, assim como também foi difícil encontrar Frederik, um colega de trabalho, que iria me ajudar a resolver tudo do voo e depois levar meu carro até a minha garagem.
Ele ficou com Henry enquanto eu apresentava a autorização e mostrava os documentos e despachava as malas, deixando só a mochila dele e a minha para levarmos conosco.
- Obrigado por tudo, Fred – sorri, entregando-lhe as chaves. – Volto assim que puder.
Ele sorriu, assentindo.
- Até mais, rapazinho – abaixou-se, batendo sua mão na de Henry, que riu.
O nosso voo logo foi chamado e, para a minha surpresa, Henry ficou quieto durante todo ele, mesmo que tivesse durante cerca de uma hora apenas. Logo estávamos chegando em Chicago e eu tive novamente que fazer uma manobra enquanto esperava as malas e vigiava Henry ao mesmo tempo.
Após conferir se todas estavam ali – as duas de Henry mais a única minha – e colocar tudo em um táxi, falei para o taxista o nome do hotel e relaxei contra o banco, carregando um Henry adormecido em meus braços. O taxista me ajudou a tirar todas as malas do táxi e o carregador de malas do hotel se encarregou delas, e graças a ajuda de ambos, eu consegui pegar as chaves e chegar ao quarto – que continha duas camas de solteiro. Coloquei Henry na cama e retirei seus sapatos, sorrindo quando vi que ele ainda estava dormindo e não tinha sequer oscilado em seu sono, mesmo depois de todo o movimento que eu havia feito.
Agradeci ao carregador do hotel e lhe entreguei uma gorjeta, fechando a porta atrás dele. Coloquei as malas em um canto e coloquei as duas mochilas em uma poltrona, sentindo-me cansado depois de acordar cedo e ter feito tanta coisa em algumas horas. Verifiquei meu celular, mesmo sabendo que Bella não iria entrar em contato tão cedo, e me deitei na cama, certo de que um cochilo me faria bem.
Quando acordei, uma hora mais tarde, Henry ainda dormia, o que me fez sorrir. Eu verifiquei o relógio e resolvi pedir o almoço, sabendo que esse rapazinho iria acordar faminto. Enquanto a comida não chegava, tomei um banho correndo e de porta aberta, tentando me ensaboar e vigiar Henry ao mesmo tempo.
Ele acordou assim que a comida chegou e pareceu demorar um minuto para se acostumar com o lugar onde estava. Ele me perguntou de Bella novamente enquanto nós almoçávamos e foi difícil responder, enquanto eu encarava aqueles olhinhos tão iguais aos da mãe, já cheios de saudade.
Eu sabia que tinha de procurar Edward Cullen e conversar com ele, explicar toda a situação o quanto antes, mas decidi deixar para o dia seguinte. Henry já tinha passado por um bocado de coisas hoje e eu não queria que ele tivesse que conhecer seu pai justamente agora.
Decidi que iríamos nos divertir o resto do dia e o levei para as ruas de Chicago, mostrando vários lugares, comprando-lhe sorvete e alguns brinquedos – já que Bella não havia mandado muitos. Eu sabia que ela iria me xingar caso estivesse aqui, dizendo que eu estava mimando seu filho, mas não podia evitar. Eu só queria que ele tivesse algo para se distrair e não tivesse que pensar tanto em sua mãe partindo.
Levei-o até o McDonald's e deixei que ele escolhesse um hambúrguer, prometendo a mim mesmo que seria só naquele dia. Valeu à pena ter feito tudo isso para ver seu rostinho alegre, sua roupa toda suja e suas mãozinhas pequenas tentando segurar o sanduíche. Já se passavam das seis da tarde quando voltamos ao hotel, mas Henry não parecia estar cansado ainda. Eu lhe dei outro banho e nós deitamos no sofá, onde assistimos a televisão até cerca de oito e meia. Eu pedi um lanche para nós dois depois disso, mas ele não comeu muito, reclamando de sono. Sorrindo, e me sentindo exausto, eu abri sua mala e peguei um pijama, trocando-o e escovando seus dentes. Peguei um livrinho de história, que estava na sua mochila, e li o começo para ele, mas não cheguei nem a segunda página – menos de um minuto depois, ele já estava completamente adormecido.
Tomei outro banho, dessa vez com mais calma, já que eu sabia que ele não iria acordar tão cedo, e vesti meu pijama, me jogando na cama logo em seguida e deixando que o sono novamente tomasse conta de mim.
Acordei no dia seguinte com duas pequenas mãos apertando meu rosto, o que me fez rir. Abri os olhos, encontrando um Henry com os cabelos completamente bagunçados, a camisa do pijama toda amassada, um pequeno sorriso no rosto.
- Tio Jazz! – Ele sorriu, pulando um pouco. – Tá tade. Levanta!
Eu olhei o relógio e vi que eram exatamente nove da manhã. Levantei-me e levei Henry até o banheiro, onde dei outro banho nele. Eu queria levá-lo até o seu pai nesta manhã e, mesmo ele tendo tomado um banho antes de dormir, eu queria que ele estivesse apresentável.
Vesti-o com uma calça jeans, coloquei os mesmos tênis de ontem e pus uma blusa de mangas curtas, já que não estava fazendo frio. Mesmo assim, em minha mochila – onde o envelope ainda estava – coloquei um casaco para ele, apenas por precaução. Pedi o café da manhã e me arrumei rapidamente enquanto ele não chegava. Henry não quis comer muito, no entanto, dizendo que aquelas panquecas não eram tão gostosas quanto as minhas ou da sua mãe.
Nós saímos logo em seguida e eu peguei um táxi, puxando um papel da minha mochila e falando o endereço da casa, que Bella havia me passado, para o taxista, torcendo para que Edward estivesse lá.
- Onde estamos indo, tio? – Henry perguntou, seus olhinhos castanhos olhando com curiosidade para tudo ao seu redor.
- Visitar um amigo. – Foi tudo o que eu disse, me sentindo um pouco nervoso.
Bella havia me dito – seus olhos castanhos demonstrando tanta dor e tristeza, que eu não sei como consegui ouvir tudo aquilo – que Edward era um bom rapaz e que ele entenderia tudo, mesmo se relutasse um pouco no começo. Eu já não tinha tanta certeza, no entanto. Ela havia ido embora, afinal. Isso poderia tê-lo mudado.
Comprovei tal coisa quando cheguei à casa, muito bonita por sinal, e a encontrei completamente vazia. O motorista já havia partido, então me aproximei da rua, pronto para esperar outro táxi, quando vi um cara saindo da casa vizinha e se aproximar.
- Você está querendo comprar essa casa? – ele indagou, sorrindo um pouco.
Eu assenti rapidamente, após um segundo de hesitação. Não tinha ideia de que a casa estava sendo vendida e muito menos queria comprá-la, mas se isso me ajudaria a chegar até Edward Cullen, bom para mim.
- Eu tenho o endereço da casa nova dele – comentou, começando a caminhar até sua casa e me chamando com a mão, em um pedido silencioso para segui-lo. – Um apartamento, na verdade, já que eu o visitei uma vez, mas enfim... Posso passar, se quiser.
Eu agradeci, segurando a mão de Henry com força. Ele estava praticamente escondido atrás das minhas pernas, já que sempre ficava tímido quando estava perto de alguém que ele não conhecia bem – exatamente como sua mãe.
Após pegar o endereço e agradecer, peguei outro táxi e não muito depois, estava parado em frente a um condomínio muito grande e bonito. Disse ao porteiro com quem estava querendo falar e o número do apartamento, e esperei ansiosamente enquanto ele ligava para o apartamento do pai de Henry.
- Sr. Cullen, me desculpe incomodar. – Paul, como aparecia em seu crachá, disse. – Mas há um rapaz aqui que insiste em subir para conversar com o senhor. Ele disse que é urgente.
Alguma coisa, um minuto depois talvez, foi dita do outro lado da linha, mas eu não consegui escutar. Paul então afastou o fone do ouvido, sorrindo um pouco para mim e Henry, escondido atrás das minhas pernas.
- Ele perguntou pelo seu nome – disse. – E o motivo de ter vindo aqui, se o senhor não se incomodar em dizer.
Engoli em seco, não muito certo do que dizer. Será que ele me deixaria entrar caso comentasse sobre o filho que estava comigo?
- Diga a ele que sou Jasper Hale – murmurei. – E que vim a pedido de Isabella Swan.
O porteiro franziu a testa, provavelmente não sabendo quem era nenhum de nós e repetiu tais coisas na linha.
Algum tempo depois, Paul informou que poderíamos subir, dando as informações necessárias. Eu agradeci e puxei Henry, apertando o botão do elevador e entrando no mesmo, procurando pelo último andar, o da cobertura.
Tudo ali gritava riqueza e eu me perguntei, em um segundo de devaneio, como seria o apartamento do CEO-de-uma-empresa-Cullen.
O elevador apitou, informando que havíamos chegado ao andar e eu saí do mesmo, puxando Henry comigo. Assim que saí, vi um cara alto, um pouco diferente das fotografias que Bella mantinha escondidas e que eu vira após insistir muito. Seus olhos se arregalaram um pouco quando me viu, mas ele não disse nada, e eu caminhei até ele, sem saber como começar uma conversa.
Oi, sou Jasper, amigo de Bella, e esse aqui é seu filho, que ela escondeu, pelo bem do senhor e segurança, durante toda sua vida e gravidez...
Não, não parecia ser uma coisa boa.
Respirei fundo, e parei diante da porta dele, Henry ainda escondido. Tomei um fôlego e estiquei minha mão, tentando ser educado.
- Bom dia – murmurei. – Você deve ser Edward Cullen. Eu sou Jasper Hale, amigo de Bella.
Eu o assisti engolir em seco e assentir, erguendo a mão – um pouco trêmula, eu pude notar – e apertando a mão.
- Bom dia – murmurou de volta. – Eu sinto muito, não me lembro de você...
Eu assenti, novamente sem saber o que deveria falar. Poderia ter dito mil coisas, começado com muitas desculpas, mas não consegui fazer tal coisa. Ao invés disso, apenas puxei Henry de trás de mim, colocando-o na minha frente, sabendo – caso Edward fosse um cara esperto – que ele se veria naquele garotinho de três anos, que era totalmente a sua cara, exceto pelos olhos.
Eu o vi olhar para Henry e arregalar os olhos, sua boca se abrindo. Vi quando ele deu um passo para trás, talvez surpreso demais, e assisti quando ele intercalou os olhos entre mim e o filho.
Por fim, ele fixou os olhos em mim, em uma pergunta silenciosa, que eu imediatamente entendi.
- Sim – sussurrei, respondendo-o. – Ele é quem você pensa, Edward.
Edward POV.
Loucura.
Completamente loucura.
Meus olhos encaravam o menino à minha frente, completamente parecido comigo, sem conseguir acreditar em tal coisa. Meu coração batia desesperado no meu peito e eu procurava olhar para todos os lugares, tentando entender, tentando encontrar uma resposta.
Demorei alguns minutos para me recompor, pedindo que Jasper e a criança que estava com ele, entrassem, indicando o sofá. Caminhei até o sofá da frente e me sentei, ainda nervoso demais.
Eu era pai?
Bella tinha ido embora grávida? Por quê? Por que ela não me contara? Por que eu só ficara sabendo de tal coisa agora? E onde estava ela?
Ela estava… morta?
- Eu posso te explicar tudo. – A voz de Jasper me tirou dos meus devaneios. – Tudo o que eu sei, pelo menos.
Eu assenti rapidamente, olhando para a criança que estava sentada ao seu lado, com a cabeça escondida atrás do braço esquerdo dele, me olhando às vezes.
- Eu só preciso manter Henry entretido – murmurou ele novamente.
Henry? Eu engoli em seco, sentindo meu coração apertar contra o meu peito. Bella tinha dado ao nosso filho o nome do meu avô. Avô que ela sabia que eu idolatrava...
- Certo – murmurei. – Ele precisava ficar por perto, não é?
Jasper riu e assentiu rapidamente, bagunçando os cabelos de Henry – cabelos tão bagunçados como o meu, iguais aos meus, da mesma cor...
Apontei para um canto da sala, onde tinha um tapete fofo, e vi Jasper se levantando e puxando a mochila. Ele colocou Henry lá sentado e abriu a mochila que carregava, retirando algumas coisas, alguns brinquedos, e entregando para ele. Eu vi quando Henry sorriu, puxando um caderno e algumas canetinhas, e começando a colorir.
Jasper então voltou, sentando-se no mesmo lugar de antes e enfiando a mão na mochila novamente. De lá, ele retirou um envelope pardo e colocou na mesa entre nós.
- Bella pediu que eu entregasse isso após conversarmos – murmurou ele, vendo meu olhar interrogativo.
Engoli em seco, assentindo, abrindo e fechando minhas mãos em punhos, sem saber se esperava ele falar tudo ou se já pegava o envelope de uma vez.
O que poderia ter ali dentro?
- Posso começar? – Jasper indagou, seus olhos cautelosos.
E eu apenas assenti, me encontrando incapaz de dizer alguma coisa.
- Eu conheci Bella há quase quatro anos, em Pittsburgh – começou. – Trabalho em uma empresa de arquitetura de lá, não muito famosa, não tanto quanto a que você trabalha, pelo menos, e fui o encarregado para entrevistá-la. Imediatamente, assim que nos conhecemos, eu gostei dela. E fiquei impressionado com seu currículo também, já que ela trabalhava na mesma empresa que vocês.
Eu engoli em seco, assentindo rapidamente, meu coração batendo a cada minuto mais acelerado.
- Ela conseguiu o emprego, é claro – continuou –, e nós nos aproximamos. Eu a levava para almoçar e nós conversávamos, mas ela era sempre tão… distante e triste. Com o passar dos dias ela foi confiando em mim, mas não contou muito. Apenas disse que tinha deixado uma pessoa que amava para trás e que estava sendo difícil superar isso.
"Ela trabalhava muito, não conversava quase nada, e ia direto do trabalho para casa. no entanto, algumas semanas depois, eu fui vendo os sinais. Os enjoos que ela tinha, as tonturas, as vezes que ela desmaiou... Demorou um pouco, mas quando ela percebeu, ela ficou desesperada. E mais uma vez, confiou em mim."
A cada palavra que saía de sua boca, eu me encolhia mais contra o sofá, revivendo memórias que eu não queria reviver; memórias que me perseguiam desde o dia que ela me deixara, sem nem mesmo explicar o porquê.
- Ela era uma boa amiga e com o passar do tempo a tive como uma irmã – murmurou ele, tirando um peso das costas que eu nem mesmo sabia que tinha. – Ajudei-a nos primeiros meses, encontrando um lugar mais espaçoso para comprar, ajudando-a no trabalho. Tentei convencê-la a contar para o pai, mas ela nunca fez tal coisa. Ela disse que, para a minha segurança, era melhor que eu não soubesse de quase nada.
"Não entendi muito, mas não insisti. Como você deve saber, Bella é muito teimosa quando quer, e foi até mesmo difícil convencê-la a me deixar a ajudar. A barriga foi crescendo, os comentários na empresa surgindo, mas ela nunca ligou para nada. Desde que ela se acostumou com a ideia de ser mãe, ela estava radiante, falando que era um pedaço que sempre a ligaria a você. Isso a deixava sempre com um sorriso no rosto."
Eu olhei para o menino brincando em meu tapete, sem saber como reagir.
- Assim que soube que era um menino, ela resolveu lhe dar o nome de Henry, contando que era do seu avô. – Jasper sorriu. – Henry Charlie. Ela queria colocar seu sobrenome, mas devido a motivos que ela nunca me contou, achou mais seguro não fazer tal coisa.
"Ela tirou a licença de quatro meses, mais um mês de férias, assim que ele nasceu. Eu ajudava sempre que podia, mesmo estando trabalhando porque, como eu disse, Bella se tornou como uma irmã para mim. Às vezes ainda tentava fazer com que ela me contasse um pouco sobre si, mas eu não obtive sucesso... Até pouco tempo atrás."
Eu me ajeitei mais no sofá, engolindo em seco, sentindo meu coração batendo cada vez mais acelerado.
- Ela contou? – consegui dizer, meus olhos fixos em Jasper.
- Não muito – suspirou. – Bella sempre foi uma boa mãe, uma excelente, fazendo de tudo pelo filho, sempre querendo lhe dar o melhor. Ela, de alguma forma, sabia como equilibrar, dando tudo para Henry e mesmo assim, não o mimando tanto. Ela sempre buscou fazer aquilo que achava que era certo, e nas últimas semanas começou a agir de forma estranha...
"Quando perguntei o que tinha acontecido, ela me explicou que no passado tinha se metido em uma coisa que não dizia respeito a ela, algo que envolvia desvio de dinheiro ou algo assim. Não quis me contar tudo, apenas disse que iria precisar fazer uma viagem, porque ela queria se livrar daquilo logo. Me falou sobre você, finalmente, e me pediu que viesse até aqui, lhe explicasse o que eu sabia e lhe entregasse esse envelope. Ela pediu que você protegesse Henry, independente de qualquer coisa."
Eu esperei durante um minuto ou dois, minha cabeça baixa, enquanto eu processava tudo o que tinha sido dito, esperando que ele dissesse mais alguma coisa. Quando ele não fez, levantei minha cabeça, o encarando e suspirando pesadamente.
- Desvio de dinheiro? – soltei. – Eu… eu não sabia de nada disso, ela nunca falou... Ela não disse um nome nem nada? Nem para onde iria?
Ele negou imediatamente, ainda calado, ainda me olhando. Eu tornei a suspirar, sem saber o que dizer, sem saber como agir.
- Eu entendo que você precise de um tempo para assimilar tudo. – Jasper disse, sorrindo de forma gentil. – Vou deixar com você o nome do hotel e o número do quarto, assim como o do meu celular, caso você resolva entrar em contato.
Assenti, grato por isso, e já ia abrir a boca para dizer que tudo bem, quando Henry se levantou, caminhando até Jasper, seus olhos castanhos – tão iguais aos dela – o fitando. Ele parecia meio envergonhado, o que me fez sorrir um pouco.
- Tio Jazz – murmurou –, eu quelo panquecas. A gente podemos ir comer?
- A gente pode – corrigiu. – Claro que sim, pequeno, vamos passar em algum lugar e comer, ok?
Jasper se pôs de pé e puxou a mochila novamente, tirando um papel e anotando algumas coisas – provavelmente os dados que ele falara que ia me passar. Eu peguei o papel quando ele estendeu e fitei o menino, mais uma vez escondido entre suas pernas, sem saber o que dizer.
- Você conhece algum lugar por aqui com um bom café da manhã? – ele perguntou, enquanto segurava a mão de Henry.
Eu engoli em seco, me lembrando do café que eu tinha começado a preparar. Fiquei calado durante alguns segundos e então, antes que eu me desse por mim, soltei:
- Eu estava preparando algumas panquecas e bacon, caso você queira esperar um pouco – disse. – Não vai demorar mais do que alguns minutos...
Jasper ficou calado durante um momento e depois assentiu. Eu olhei para Henry, que parecia meio envergonhado, e depois segui para a cozinha, sentindo os dois atrás de mim.
Apontei para as cadeiras perto da bancada e não disse nada enquanto continuava a preparar o café da manhã, mesmo já não sentindo mais fome. Nenhum de nós disse nada enquanto eu caminhava do fogão até o balcão, colocando tudo o que eu tinha ali.
- Como ele gosta da panqueca? – Eu me vi perguntando, após ter terminado tudo. Movi-me um pouco envergonhado, tentando entender como eu devia agir, mesmo que me sentisse confuso ainda.
- Com chocolate. – Jasper respondeu. – E ele gosta de tomar um copo de leite.
Assenti, seguindo até a geladeira e puxando o leite, enquanto engolia em seco. Ele tomava café da manhã exatamente como eu.
Após deixar tudo no balcão, sentei-me do lado oposto, eu e Jasper observando Henry comer. Ele derramava a calda e pedaços de bacon e panqueca por toda a sua roupa, mas não parecia se importar muito com isso, parecendo muito despreocupado. Quando terminou, Jasper agradeceu por tudo, pegando um guardanapo e limpando Henry.
- Acho que nós vamos agora – ele disse. – Entre em contato quando quiser, ok? Estarei aqui pelas próximas semanas.
Eu os acompanhei até a porta após Jasper juntar todos os brinquedos, voltando a guardá-los na mochila. Eu acenei quando eles saíram, a cada minuto me sentindo mais confuso, e fechei a porta atrás de mim, apoiando a cabeça contra a mesma e respirando fundo.
Alguns minutos depois, ergui a mesma e caminhei até o sofá, jogando-me no mesmo. Encarei o envelope na mesinha e ergui minha mão, trêmula, o pegando.
Respirei fundo, meu coração apertando dolorosamente contra o peito, me perguntando o que podia ter ali dentro. Fiquei parado, olhando para ele por um momento, procurando uma coragem que eu sabia que havia desaparecido completamente.
Minha mente viajou até minutos atrás, quando meu filho estava dentro do meu apartamento, brincando. Lembrei-me de tudo o que Jasper tinha dito, de nós três na cozinha. Eu estava assustado, não tinha ideia do que fazer. Eu poderia simplesmente jogar o envelope fora, esquecer-me desse dia e seguir com a minha vida. Sabia que Jasper não voltaria a me procurar, sabia que ninguém me obrigaria a fazer nada.
No entanto, eu não consegui. Pensar em tal possibilidade – seguir em frente e fingir que nada tinha acontecido – causou um aperto em meu coração, e antes mesmo que eu me desse conta de meus atos, eu estava tirando o lacre do envelope e o abrindo.
Pronto para saber o que tinha lá dentro.
N/A: Olá! Desculpem-me o atraso, mas ando tão cheia de coisa pra fazer, que nem tempo pra postar direito estou tendo haha. Espero que tenham gostado do capítulo e espero muito conseguir postar no domingo que vem, então... deixem reviews!
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