Edward POV.
Meus dedos trêmulos puxaram uma folha que havia ali e eu mal piscava, respirando de forma curta e rápida, me sentindo a cada minuto mais nervoso e ansioso. O envelope continha alguma coisa a mais, eu tinha certeza disso, mas mesmo assim eu o deixei de lado, abrindo a folha que estava em minhas mãos, e respirando fundo quando reconheci a letra dela.
Com o coração na boca e o estômago embrulhado, eu fechei os olhos por um momento, buscando um controle que eu sabia que tinha, mas não conseguia encontrar em nenhum lugar. Por fim, suspirei pesadamente e tornei a abrir os olhos, criando coragem o suficiente para ler a carta.
Edward, dizia.
Caso você esteja lendo agora, é porque já sabe de tudo o que Jasper sabe. Provavelmente você já conheceu Henry, como eu pedi ao meu amigo que fizesse, e está cheio de perguntas rondando sua cabeça nesse momento.
Eu sinto muito, mas não acho que possa responder todas – não posso correr o risco dessa carta cair em mãos erradas. Mas posso, sim, te contar sobre Henry.
Ele é um ótimo menino e tem três anos. Nasceu na primavera, no dia 15 de maio, pela madrugada. É meio energético e gosta de brincar, como qualquer garoto saudável de sua idade, acredito. Ele é a coisa mais importante na minha vida e por mais que me doa estar viajando e o deixando para trás, eu adiei tal coisa tempo demais.
Já passou da hora de resolver tudo isso.
Eu espero um dia poder te contar tudo, realmente. Mas enquanto tal dia não chega, eu só peço que você cuide de Henry para mim. Sei que deveria ter te contado isso antes, sei que você ficaria radiante com a notícia, mas eu fiz o que achei melhor naquela época. Sei que você deve estar confuso e que talvez precise de um tempo, mas, por favor, só não deixe nada acontecer com Henry. Eu sei que com você ele estará seguro, sei que vocês se darão bem – vocês são tão parecidos...
Há fotos de toda a vida de Henry no envelope, assim como todos os documentos necessários, caso você queira, em um dia próximo, colocar seu sobrenome nele. Ou caso algo aconteça comigo.
Eu espero que você compreenda, ou ao menos tente.
E eu realmente sinto muito por tudo… mais até do que você imagina.
Bella.
Eu larguei a carta assim que a reli pela terceira vez, sentindo meu coração apertar enquanto eu lia "caso algo aconteça comigo". Eu tentei bloquear as memórias que tomavam conta de minha mente – um tempo feliz, onde eu mal podia esperar pela data marcada, pelo dia que ela se tornaria oficialmente minha. Mas uma semana após voltarmos de uma viagem que fizemos juntos, ela se foi.
Sem nem mesmo me dar uma explicação. Empurrei-me e me forcei a levantar do sofá, ignorando o envelope, onde havia as fotos que ela havia dito. Caminhei de um lado para o outro na sala, sem saber o que fazer, me sentindo a cada minuto mais confuso.
Eu tinha um filho.
Um filho.
Isso era grande, isso era muito. Isso mudava tudo na minha vida.
Parti em direção ao escritório que tinha no meu apartamento, ao lado do meu quarto, um minuto depois, certo de que o trabalho me ajudaria a me distrair e me esquecer de tudo por um tempo. No entanto, quando, uma hora mais tarde, eu me vi relendo o mesmo contrato pela décima vez, sem entender uma palavra sequer que estava escrita ali, eu desisti, decidindo que eu precisava conversar com alguém, precisava desabafar.
Eu precisava falar com o meu pai.
Puxei meu celular, ainda sentado à mesa do escritório e disquei seu número rapidamente, sabendo que ele não atendia mais no hospital aos finais de semana. Escutei o barulho de chamada três vezes e já ia desistir, quando ele atendeu.
– Ei, filho. – Carlisle atendeu, parecendo animado. – A que devo a honra de sua ligação?
Eu sorri um pouco, sem muito humor, e suspirei pesadamente, sem saber como começar aquela conversar.
– Você está ocupado, pai? – indaguei, minha voz soando baixa demais até para os meus ouvidos. – Eu estou precisando falar com você...
Eu ouvi o barulho de motor, percebendo imediatamente que ele estava dentro do carro. Indo para o hospital, atender alguma emergência?
– Não, não estou – disse, parecendo perceber que eu não estava com um humor tão bom. – Fui ao hospital deixar alguns papéis e ia voltar para casa. Por quê? Aconteceu alguma coisa?
Suspirei pesadamente, passando a mão por meus cabelos.
– Eu estou precisando conversar – murmurei. – Pode vir até meu apartamento agora?
Carlisle ficou calado por um momento antes de concordar, dizendo que estaria aqui em breve. Eu agradeci e me despedi, já sabendo que Paul não me avisaria da chegada do meu pai; tanto a entrada dele quanto do resto da minha família, estavam liberadas.
Permaneci inquieto na sala, meus olhos disparando até a carta e o envelope, ambos jogados no sofá. Eu caminhei até a eles e peguei o envelope com as mãos trêmulas, despejando seu conteúdo no sofá.
Imediatamente meu coração acelerou e meus olhos se encheram de lágrimas, enquanto eu olhava para as diversas fotos que estavam ali. Haviam várias delas, de ultrassonografias, de quando Henry era pequeno... Mas a que mais chamou minha atenção foi a foto de Bella, com várias mechas de cabelo escapando do rabo de cavalo, e um menino enrolado em uma manta azul.
Eu a peguei, deixando que uma lágrima escapasse, vendo a mulher que, eu querendo ou não, ainda mexia comigo. Antes que eu percebesse, meu dedo indicador estava a acariciando na foto. Ela parecia tão bonita, tão maravilhosa, tão cheia de vida...
Uma batida à porta tirou-me de meus devaneios e eu rapidamente juntei todas as fotos, alguns documentos, a carta e coloquei de volta no envelope, antes de enxugar minhas lágrimas e ir até a porta. Eu a abri, tentando empurrar um sorriso para fora do rosto, mas acho que não obtive muito sucesso quando percebi o olhar que meu pai lançou, sua testa imediatamente franzindo.
– Entre – murmurei, dando-lhe espaço.
Eu vi seus olhos percorrem por toda a sala, antes de voltarem para mim. Caminhei até o sofá de outrora e me sentei nele, balançando a mão, em um pedido mudo para ele se sentar no sofá à minha frente.
– O que aconteceu, Edward? – ele já foi indagando, seus olhos arregalados, provavelmente um pouco assustado com a minha aparência. – Você chorou?
Apertei minhas mãos uma na outra, sem saber por onde começar.
– Eu recebi uma visita e uma notícia inesperada hoje – soltei. – Ainda estou tentando processar tudo o que ouvi e vi, então, não sei bem por onde começar.
Carlisle ergueu uma sobrancelha, inclinando a cabeça um pouco para o lado, me fitando com atenção.
– Comece pelo começo, por favor – pediu. – Farei o meu possível para acompanhar e entender, assim como não interromper.
Assenti, e respirei fundo, me inclinando e pegando o envelope. Não havia visto tudo o que estava lá dentro ainda, todas as coisas e tudo o mais. Brinquei com ele em minhas mãos, sabendo que meu pai tinha os olhos nele e suspirei, antes de começar a falar.
– Um amigo de... – hesitei. – Um amigo de Bella veio aqui hoje, querendo me entregar este envelope e me contar algumas coisas...
Meu pai arregalou os olhos um pouco, parecendo surpreso, e assentiu, em um gesto para eu continuar. Eu precisei respirar fundo outra vez antes de voltar a falar.
– Ele apareceu aqui com uma… criança – murmurei. – Mais precisamente, o filho que eu e Bella tivemos, e que eu não sabia até hoje. Um filho que, exceto pelos olhos, é a minha cara.
Carlisle me olhou incrédulo, seus olhos arregalados. Eu fiquei calado por um momento, enquanto ele parecia assimilar o que eu tinha acabado de dizer.
– Um filho? – soltou, um minuto depois. – Mas… se vocês tiveram um filho, por que Bella nunca contou, nunca disse nada?
Eu dei de ombros, engolindo em seco, falando rapidamente tudo o que Jasper tinha me dito mais cedo, tentando me lembrar de todos os detalhes. Quanto terminei, tornei a abrir o envelope e estendi para Carlisle a carta. Eu mantive meus olhos nele enquanto ele lia, vendo seus olhos brilharem quando ele provavelmente leu o nome do neto. Quando ele terminou, puxei todas as fotos que tinham ali, passando para ele também.
Eu não desviei meus olhos dos dele enquanto ele passava todas as fotos, murmurando "incrível", "idêntico" e outras coisas mais. Meu coração batia de forma completamente desesperada contra o meu peito, esperando que meu pai tivesse um grande conselho.
Porque eu estava perdido.
Eu simplesmente não tinha ideia do que fazer.
– Você está pensando em dar as costas para essa criança? – Meu pai perguntou.
Suspirei pesadamente, dando de ombros.
– Não dar as costas – sussurrei. – Eu nunca faria tal coisa... Mas também não sei ser um pai, pai. Não sei como fazer tudo isso, não sei o que esperar... E não sei se sou capaz de tal coisa, depois de quase quatros anos sem ver Bella. Não sei se estou preparado...
Não precisei terminar de falar para que Carlisle entendesse. Ele e minha família sabiam, mais do que qualquer um, como eu tinha ficado no começo, logo após ela me deixar. Eles me viram passar por todos os cinco estágios, me viram buscá-la por um mês, a querendo de volta, querendo entender por que ela tinha sumido sem mais nem menos, deixando uma carta e o anel de noivado para trás, assim como toda uma vida que já tínhamos e iríamos construir juntos.
– Você merece ter seu tempo para pensar, porque isso é muito, vai mudar sua vida – murmurou. – Às vezes você vai ficar desesperado, porque ser pai não vem com um manual e nem nada do tipo, e você não vai estar certo do que tem de fazer. Mas quando você ver um sorriso no rosto, uma nota alta, ou um desenho que ele vai fazer para você... Tudo vai valer à pena, você vai ver.
Sorri um pouco, assentindo, embora ainda me sentisse um pouco nervoso e confuso.
– Acho que vou ir com você para casa – sussurrei. – Se mamãe não souber disso o quanto antes... Não quero nem pensar no que ela vai ser capaz de fazer comigo.
Meu pai riu alto e assentiu, se pondo de pé. Eu o segui, pedindo que ele esperasse enquanto calçava o tênis e pegava tudo o que eu precisava para ir visitar minha mãe.
– Eu vou guardando todas as fotos no envelope, pode deixar – ele disse. – Esperarei aqui.
Alguns minutos depois, eu o segui para casa, uma música qualquer tocando no rádio, enquanto eu a cantarolava, querendo fugir um pouco de tudo o que tinha acontecido hoje. No entanto, um minuto depois, eu me vi me esquecendo da letra que pouco conhecia, as lembranças pelas quais eu estava lutando contra desde cedo, tomando conta de mim imediatamente.
Flashback.
Eu bati meu pé ansiosamente contra o chão, verificando o relógio de minuto em minuto, sabendo que nós iríamos nos atrasar. Ergui minha mão direita, pronto para passá-la em meus cabelos, mas me contive; ele já era bagunçado o suficiente sem ter a minha ajuda.
Escutei barulhos no quarto e franzi a testa, virando meu rosto em direção ao quarto. Tornei a escutar outro barulho e um xingamento alto. Coloquei-me de pé, por fim, e caminhei até o quarto que eu dividia com Bella, rindo imediatamente assim que vi a cena à minha frente.
Diversos sapatos estavam espalhados ao redor do quarto, perto do closet, assim como algumas caixas. Bella estava sentada entre eles, o vestido que ela usava tinha subido um pouco, seus cabelos estavam escapando do coque que Alice insistira que ela tinha que usar.
– O quê? – ela indagou, suas bochechas vermelhas de raiva, enquanto eu ainda ria, não conseguindo parar. – O que há de engraçado aqui?
Eu limpei uma lágrima que escorreu pelo meu rosto e me adiantei até a ela, estendendo a mão, disposto a ajudá-la a se levantar. Assim que ela fechou sua mão ao redor da minha, me puxou com força e eu, pego pela surpresa, acabei caindo ao seu lado.
Bella riu alto, balançando a cabeça, e eu acabei rindo também, antes de puxá-la e fazendo com que ela se deitasse ao meu lado.
Ela era tão linda...
Puxei seu rosto para perto do meu e tomei seus lábios em um beijo que começou calmo, mas que logo se aprofundou. Quando dei por mim, estava deitado de costas no tapete, em meio a tantos sapatos, Bella deitada em cima de mim.
– Nós vamos nos atrasar – murmurou ela, descendo os beijos pelo meu queixo e pescoço, fazendo-me gemer e me esquecer de tudo, inclusive que havia um jantar em nossa homenagem, esperando por nós, na casa dos meus pais.
– Não me importo – gemi.
Ela riu e me beijou mais uma vez, antes de dar um pulo e se colocar de pé. Eu fiz um biquinho imediatamente, o que a fez rir novamente, e tentei puxá-la, mas ela foi esperta, se afastando até que não houvesse como eu a pegar, a não ser que eu me levantasse.
– Isso não é justo – resmunguei.
Bella revirou os olhos, sorrindo.
– Vamos lá – disse, começando a juntar todos os sapatos. – Quanto mais cedo chegarmos, mais cedo podemos sair e voltar para casa.
Eu sorri para ela, assentindo de forma animada, e me coloquei de pé, começando rapidamente a ajudá-la a arrumar aquela bagunça. Ouvi o riso dela novamente e parei por um momento, olhando para aquela mulher que tinha mexido comigo de uma maneira que ninguém tinha.
Peguei-me sorrindo enquanto ela resmungava, xingando minha irmã de todos os nomes possíveis.
Bella era incrível, linda, única.
E tudo para mim.
Fim do flashback.
Senti as lágrimas escorrendo pelo meu rosto, mas tratei de me recompor o mais rápido possível, já podendo ver a entrada da casa dos meus pais. Parei atrás do carro de Carlisle, esperando que ele digitasse a senha necessária para abrir o portão, e entrei atrás dele, estacionando na vaga vazia ao seu lado.
Nós descemos do carro quase ao mesmo tempo, e meu pai sorriu para mim, tentando passar algum conforto, eu tinha certeza. Peguei o envelope que tinha se tornado tão importante de repente, entrando na casa, sorrindo ao ver a porta do estúdio da minha mãe aberto.
– Mãe? – chamei, ainda parado na sala.
Meu pai havia caminhado até o sofá e se sentado lá, e eu sorri ao ver que ele estaria por perto enquanto eu contasse para a minha mãe. Se eu conhecesse Esme, ela ficaria com um pouco de raiva de Bella no começo, por ter escondido tal coisa de nós, já que ela era completamente louca para ter netos. Mas eu sabia que seu coração não ia guardar rancor por muito tempo e assim que ela visse as fotos de Henry, ela ia pedir para conhecer seu netinho.
– Edward! – Minha mãe apareceu retirando seu avental e limpando suas mãos sujas de tinta em um pano. – Você sumiu!
Eu encolhi os ombros um pouco, em um tom de desculpa, e a abracei assim que ela terminou de trabalhar com as mãos e o avental, beijando sua bochecha.
– O que o traz aqui, querido? – indagou, acariciando meu rosto. Ela franziu a testa um segundo depois, provavelmente notando meus olhos vermelhos pelo choro no meu apartamento e no carro. – O que aconteceu? Você chorou?
Suspirei pesadamente, dando de ombros e sorrindo para ela. Peguei sua mão e a puxei para o sofá, deixando que ela se sentasse ao lado do meu pai.
– Tenho uma coisa para contar, mãe – murmurei. – Escute tudo e depois você pode falar, ok?
Ela assentiu, parecendo um pouco confusa, fazendo um sinal com a mão para eu continuar a falar.
Comecei a contar tudo exatamente como eu tinha começado com o meu pai, falando da surpresa que eu tinha tido hoje. Eu vi seus olhos arregalarem quando eu contei do filho que Bella e eu tínhamos, e vi quando os mesmo olhos se encheram de lágrimas quando ela ficou sabendo o nome dele, quando leu a carta, quando viu as fotos...
– Por que ela não contou antes? – indagou, enxugando as lágrimas, fitando a mesma foto que havia me deixado completamente encantado. – Oh, eu quero tanto conhecê-lo...
Sorri um pouco, sabendo que ela iria querer. Contei sobre o que Jasper havia dito, do endereço do hotel e Henry parecia ser tímido, exatamente como Bella.
E minha mãe não conseguia parar de sorrir.
– Quando eu vou poder vê-lo? – perguntou, sua voz um pouco rouca devido ao choro.
Suspirei pesadamente, olhando para o meu pai, esperando que ele me ajudasse. Eu nunca iria impedir minha mãe, meu pai e irmã de conhecerem o neto e sobrinho, mas eu ainda queria uns dias para poder processar tudo.
Tudo ainda era recente... E eu não sabia o que fazer.
– Esme, querida... – Meu pai se virou para a minha mãe. – Edward precisa de alguns dias para assimilar tudo, vamos respeitar, ok? Logo você vai conhecer seu neto e poder recuperar todo o tempo perdido, eu prometo.
Ela suspirou, mas acabou assentindo e concordou, se levantando e vindo se sentar ao meu lado. Sorriu gentilmente para mim, acariciando minha mão e a apertando entre as suas.
– Você vai ver, ser pai é algo maravilhoso – murmurou. – Sei que você está um pouco assustado agora, o que é normal, já que você recebeu a notícia completamente de surpresa, mas assim como Bella ficou um pouco ansiosa quando descobriu que estava grávida, como o amigo dela disse, você vai se acostumar.
Assenti.
– Obrigado, mãe – sorri, inclinando-me e beijando sua bochecha. – Eu vou pensar esses dias e te conto quando decidir procurar por Jasper, eu prometo.
Ela sorriu, assentindo também, aparentemente feliz pela minha resposta.
Fiquei com meus pais até à noite, que foi quando Alice chegou e eu contei tudo para ela também. Ela reagiu exatamente como nossa mãe; um pouco com raiva de Bella no início, mas logo ansiosa para conhecer o sobrinho, já falando sobre um possível quarto que ele teria naquela casa. Eu tentei freá-la, mas desisti depois da terceira tentativa.
Quando fui embora, ela ainda estava comentando sobre isso com a minha mãe.
Foi difícil dormir naquela noite. Se no dia a dia meu trabalho me deixava exausto e eu adormecia com grande facilidade, hoje rolei na cama por horas, tudo o que tinha acontecido voltando à minha mente com força total.
Inclusive mais lembranças, que eu tinha conseguido ignorar durante todos esses anos, vieram com força, e eu logo me vi perdido em mais uma.
Flashback.
Eu assoviei alegremente enquanto pegava a chave e abria a porta de nossa casa, sorrindo um pouco ao encontrar todas as luzes apagadas. Eu sabia que Bella tinha lutado até o último minuto me esperando acordada, mas a reunião havia demorado mais do que eu esperava e já se passavam das dez da noite.
Movi-me o mais silenciosamente que pude, colocando a pasta sobre o sofá e retirando meu terno. Bocejei, enquanto retirava minha gravata, louco por um banho e louco para deitar na cama com minha noiva.
Noiva.
Essa palavra sempre conseguia fazer com que sorrisse.
Entrei no quarto, esperando ver Bella deitada ali, mas franzi a testa quando não encontrei. Confuso, já ia me virar, mas escutei um barulho no banheiro e vi a luz acesa, e sorri.
Caminhei até lá, retirando meus sapatos e abri a porta devagar, sorrindo ao ver a banheira completamente cheia, Bella deitada dentro da mesma, seus olhos fechados, espumas escondendo seu lindo corpo dos meus olhos.
Retirei minhas roupas, tentando não fazer muito barulho, e caminhei até a banheira, ajoelhando-me ao lado da sua cabeça. Prometi a mim mesmo que iria apenas observá-la durante alguns minutos, mas antes mesmo que me desse conta, estava me aproximando de seu pescoço delicado, sentindo seu perfume natural exalar dali.
Escutei seu gemido baixo quando comecei a beijar seu pescoço, descer pelos seus ombros, e depois voltar, subindo até a sua orelha. Um sorriso cresceu em meu rosto quando ela esticou os braços, abraçando minha cabeça por trás, puxando-me mais para si.
– Hmmm... – gemeu. – Oi.
Eu ri baixinho, mordendo o lóbulo da sua orelha devagar.
– Oi, baby – sussurrei, infiltrando minhas mãos dentro da banheira e acariciando seus seios. – Por que está tomando banho tão tarde?
Bella riu, trazendo o lábio inferior para dentro da boca e mordendo.
– Não consegui dormir – resmungou. – Eu não sei mais dormir sem você...
Eu senti um imenso sorriso tomando conta de meu rosto e empurrei Bella um pouquinho para frente, sentando-me atrás dela na banheira, deixando que ela apoiasse a cabeça em meu peito.
– Em breve você nunca mais precisará se preocupar em passar uma noite sem mim – sussurrei, brincando com o anel que estava em seu dedo. – Eu prometo.
Eu ouvi sua risadinha e fechei os olhos, beijando o topo da sua cabeça.
– Te amo, baby – suspirei. – Muito.
– Eu também, Edward – ela respondeu. – Demais.
E eu apenas sorri, sabendo que nada mais precisaria ser dito.
Fim do flashback.
Bufei alto, enterrando minha cabeça no travesseiro, sentindo meu coração se apertar. Fazia tanto tempo que eu não tinha tais lembranças, tanto tempo desde que eu tivera meu último sonho com ela...
Mas naquela noite, por mais que eu tivesse demorado a dormir, eu sonhei – e muito. Sonhos dela nunca me deixando, sonhos da gente se casando, sonhos dela grávida, eu acompanhando cada passo da gravidez, vendo sua barriga crescer em frente aos meus olhos.
Sonhos que me fizeram acordar às seis da manhã, lágrimas escorrendo no meu rosto. Eu era a merda de um maricas.
Até quando? Até quando ela iria mexer comigo desse jeito?
Corri mais tempo na academia naquele dia, tentando evitar pensar no que tinha acontecido ontem. Preparei meu café da manhã, sentindo uma emoção diferente tomar conta de meu coração enquanto comia minha panqueca e tomava meu leite, exatamente como Henry na manhã passada. Tentei me concentrar em contratos novamente e foi difícil, mas eu não desisti depois de algum tempo, como ontem. Forcei-me a resolver tudo o que eu tinha pendente, só saindo do escritório quando dei por satisfeito – e a fome falou mais alto do que qualquer outra coisa.
Almocei por ali mesmo, preparando uma coisa qualquer. Nos domingos geralmente eu não tinha regras quanto à comida; era livre para fazer ou pedir qualquer coisa que me desse vontade.
Saí um pouco, resolvendo caminhar e aproveitar o dia. Quando voltei, já se passavam das cinco da tarde, e eu ainda pensava no que iria fazer quanto a Henry e Jasper.
Nos próximos dias que se seguiram, eu continuava a pensar em tal coisa, a cada dia que passava o muro que eu tinha construído ao meu redor se desfazendo e a ideia de me afastar daquela criança e ignorá-la se tornando mais dolorida e insuportável. Quando a quarta-feira chegou, eu me vi pegando o papel que Jasper me entregara – guardado cuidadosamente na minha carteira – e digitando os números do seu hotel.
– Alô? – Ele atendeu, parecendo um pouco sonolento.
– Ei, Jasper, é Edward – murmurei, olhando o relógio e vendo que se passavam das oito da manhã. – Eu te acordei?
Ele riu um pouco e eu escutei o barulho de uma porta se abrindo e fechando. Talvez ele estivesse compartilhando um quarto com Henry e ele ainda estivesse dormindo...
– Tudo bem, Henry me acordaria daqui a pouco de qualquer maneira – tornou a rir. – Aconteceu algo?
Suspirei pesadamente, empurrando meu cabelo para trás e encarando os papéis à minha frente, sabendo que não iria mais conseguir me concentrar neles enquanto não conversasse com Jasper e… meu filho novamente.
– Eu queria encontrar com você e Henry hoje… na hora do almoço – sussurrei, antes que perdesse a coragem. – Pode ser?
Jasper ficou em silêncio durante algum tempo – apenas alguns segundos, talvez, mas eu estava tão ansioso que pareceu durar um ano – antes de rir baixinho, pela terceira vez.
– Claro, Edward – disse. – Você se importa de vir almoçar aqui no hotel? Henry gostou de uma comida daqui na segunda e eu prometi levá-lo até lá embaixo hoje, para comermos novamente...
Eu me vi soltando um sorriso involuntário.
– Tudo bem, claro – respondi. – A que horas você quer que eu esteja aí?
– Hmmm... – murmurou. – Apareça por volta de uma da tarde, pode ser?
Eu combinei tudo com ele e me certifiquei de ter o endereço correto do hotel antes de desligar, chamando por Jessica e pedindo que ela abrisse um espaço na minha agenda de meio dia e meia até às quatro da tarde.
Eu iria encontrar com Jasper novamente.
E meu filho.
E isso, pela primeira vez em dias, não me assustou.
N/A: Oi, meninas. Era pra eu ter postado ontem, mas me esqueci completamente haha. Postei no outro site e nem mesmo me lembrei de vir aqui, então, desculpem-me pelo pequeno atraso. Espero que gostem do capítulo (;
Até (cruzem os dedinhos) domingo que vem! hihi
