Jasper POV.

Eu tentei ser esperançoso ao decorrer dos poucos dias que se passaram, sabendo que Edward realmente precisava de um tempo. Procurei distrair Henry e aproveitar um pouco das minhas férias, levando-o para passear, indo à lojas de brinquedos… tudo para mantê-lo o mais entretido que eu pudesse.

E mesmo assim, ele ainda me perguntava de Bella todos os dias.

Eu sabia que ele sentia falta da mãe – mãe que nunca tinha ficado tanto tempo longe dele antes – e que era natural fazer essas perguntas constantemente, já que ele tinha apenas três anos e havia algumas coisas que não conseguia compreender. Porém, mesmo assim, eu me via sentindo meu coração apertado, toda vez que ele erguia aqueles olhinhos para mim e me perguntava quando sua mamãe iria voltar.

Eu sempre dava a mesma resposta, dizendo que ela voltaria assim que pudesse e que, enquanto isso não acontecia, nós dois nos comportaríamos, para que ela ficasse feliz quando voltasse e visse que tínhamos nos comportado direito. Isso sempre fazia com que um sorriso aparecesse em seu rosto e eu me via livre da mesma pergunta até o dia seguinte.

Na segunda à noite, desci até o salão do hotel, decidido a jantar com Henry ali. Ele adorou o prato que comeu e adorou se sentir uma "pessoa grande" – como ele se chamou – por ter jantado no mesmo lugar que tantas outras pessoas, e me fez prometer que voltaríamos ali em breve.

Na terça eu o levei até um parque, rindo baixinho quando o vi conhecendo outras crianças e se divertindo com elas. À noite, quando voltamos para o hotel, ele estava tão cansado após brincar o dia todo que eu mal tive tempo de alimentá-lo e dar um banho. Eu o estava vestindo quando ele adormeceu, o que me fez sorrir.

Cuidar de uma criança era uma coisa que dava trabalho e cansava – bastante. Mas eu estava gostando disso. Bella era como uma irmã, Henry como um sobrinho. E passar esse tempo com ele estava sendo ótimo, melhor do que quaisquer outras férias que eu já tive.

Terminei de ajeitar Henry na cama e me sentei no sofá, não me sentindo assim com tanto sono. Puxei meu notebook e o liguei, torcendo para que eu tivesse uma notícia de Bella, já que já haviam se passado quase quatro dias desde que chegamos.

Conectei-me à internet e abri o navegador, digitando o endereço do meu e-mail. Passei meus olhos rapidamente pela caixa de entrada e sorri imediatamente quando vi um e-mail novo.

Um e-mail de Bella.

Eu cliquei nele imediatamente, ajeitando-me mais no sofá, ansioso por boas notícias.

Ei, Jazz, dizia.

Estou bem, não se preocupe. Desculpe-me por demorar a entrar em contanto... Me adaptar ao horário e ao novo trabalho foi um pouco mais difícil do que eu achava que seria.

Eu espero que esteja tudo indo bem por aí e espero ter boas notícias... Como está Henry? E… Edward? Você já entrou em contato com ele?

Vou tentar entrar em contato logo. Sinto saudades de Henry. Muita. Dê um beijo nele por mim, ok?

Obrigada por tudo, Jazz.

B.

Eu sorri ao ler o e-mail da minha melhor amiga, sabendo que ela queria fazer mais perguntas, mas estava se contendo. Cliquei em responder e comecei a digitar um e-mail, dizendo-lhe que estava tudo bem, que Henry sentia a falta dela, mas que eu estava fazendo o possível para ele se divertir. Contei sobre o parque que tínhamos ido hoje e sobre o que fizemos lá. E disse que Edward já sabia sobre o filho e que agora eu estava dando um tempo para ele assimilar tudo.

Naveguei pela internet mais um pouco, antes de fechar a tela do notebook e guardá-lo novamente na mala. Troquei-me rapidamente, me jogando na cama logo em seguida. Sorrindo um pouco por ter conseguido ter notícias de Bella, adormeci rapidamente, já pensando no dia que Henry e eu teríamos amanhã.

Acordei, horas mais tarde, com o som do meu celular tocando. Fiquei um pouco surpreso por Edward estar ligando e estar querendo se encontrar conosco apenas alguns dias depois de saber de tudo, e tudo o que consegui foi rir um pouco, porque Bella realmente o conhecia bem. Ela sabia que ele nunca iria ignorar o filho.

Tomei um banho rapidamente, aproveitando o fato de Henry estar dormindo, e separei sua roupa. Ele ainda não gostava das panquecas do hotel e como só gostava disso no café da manhã, eu o levava até uma lanchonete que havia ali perto. Sempre separava roupas simples, já que ele sempre se sujava.

Quando ele acordou, eu o vesti rapidamente, deixando o banho para quando voltarmos. Sorri ao vê-lo comer, sempre deixando pedaços de bacon e panqueca caírem na sua roupa, assim como a calda de chocolate e o leite. Eu comi somente algumas torradas e tomei um café, não sentindo muita fome naquele momento.

Brinquei um pouco com ele e dei-lhe um banho quando a hora do almoço se aproximava, pensando em como lhe contar que alguém se juntaria a nós hoje.

– Henry... – comecei, passando a esponja em suas costas, sorrindo um pouco ao vê-lo brincar. – Você se lembra de quando fomos visitar alguém no sábado?

Ele parou de brincar, erguendo sua pequena cabeça e me fitando.

– Quando comi panqueca? – ele indagou, fazendo com que eu risse um pouco.

– Isso mesmo, amigo – disse, soltando a esponja e começando a jogar água onde eu havia ensaboado antes. – Então, ele vai vir almoçar conosco hoje, tudo bem?

Henry assentiu, empurrando seus pequenos brinquedos. Eu estendi a pequena caixa, onde seus brinquedos estavam ficando, e o ajudei a enxugá-los, antes de guardar. Puxei-o da banheira, o enxuguei e vesti, sorrindo quando tentei pentear seus cabelos.

– Pronto? – indaguei, erguendo a sobrancelha.

Ele sorriu, assentindo. Terminei de calçar seus tênis e desci para o salão, Henry de mãos dadas comigo, observando tudo ao seu redor, se mostrando bastante curioso, como sempre.

Eu nos levei até a mesa que tinha reservado e o sentei ao meu lado, erguendo minha mão e olhando o relógio.

Edward estaria aqui em breve.

Edward POV.

O resto da manhã pareceu se arrastar, e eu me encontrava a cada minuto mais ansioso. Eu sabia que se quisesse podia deixar as coisas do trabalho para lá por um dia, já que eu trabalho nos finais de semana e sempre tinha tudo adiantado. No entanto, eu não gostava disso e me vi tentando resolver todos os problemas que eu podia resolver.

Por volta das onze, eu fui interrompido pelo toque insistente do meu celular, o qual eu havia ignorado durante os dez primeiros minutos. Deixei a ligação cair mais uma vez, mas resolvi atendê-lo quando a pessoa insistiu novamente. Peguei o celular e atendi, após ver no identificar que era a minha mãe.

– Ei, mãe – cumprimentei. – Desculpe não atender antes, estava ocupado com alguns contratos.

Ela riu.

Está tudo bem – disse. – Desculpe por insistir, mas é que eu queria perguntar se você ia vir almoçar aqui hoje, como você faz nas quartas...

Eu engoli em seco quando me lembrei de tal detalhe, sabendo que Esme ficaria animada demais quando eu contasse que eu tinha outros planos para aquele dia.

– Oh, mãe, me desculpe – suspirei. – Eu meio que… fiz outros planos...

Eu não podia vê-la, mas podia dizer com quase certeza de que ela estava franzindo a testa naquele exato momento.

Planos? – indagou. – Quais planos?

Eu podia mentir, dizer que teria uma reunião de emergência ou qualquer outra coisa do tipo. Porém, sabia que ela iria descobrir eventualmente e sabia que ela não iria gostar de tal coisa.

– Eu vou almoçar com Jasper e… Henry – soltei. – Desculpe por não ter avisado antes, mas é que… foi meio que uma decisão de uma última hora.

Esme ficou calada durante um minuto, antes de soltar um gritinho animado, que me fez rir também.

Isso é ótimo, querido! – ela disse. – Você pode convidá-los para jantarem aqui hoje, por favor? Eu sei que você está querendo um tempo ou algo assim, mas… eu realmente quero conhecê-lo, Edward...

Suspirei pesadamente, apoiando meu cotovelo na mesa e apertando meu nariz. Eu sabia que meus pais – assim como Alice – estavam um pouco ansiosos para conhecer Henry e que eles estavam tentando respeitar o espaço que eu pedira... Eu só não sabia ao certo o que fazer.

– Eu vou perguntar ao Jasper – respondi, após pensar durante mais tempo do que o necessário. – Não sei se ele vai aceitar, então… não fique muito animada, mãe, por favor.

Ela riu. E eu acabei sorrindo, sabendo que ela estava animada e feliz por saber que tinha um neto.

Me ligue assim que souber, ok? – pediu. – E por favor, pergunte ao Jasper o que meu netinho gosta de comer. Eu quero fazer isso para ele.

Eu senti meu coração saltar contra o meu peito e simplesmente não conseguia parar de sorrir, mesmo não entendendo o por quê. Saber que minha família tinha aceitado Henry, mesmo só o tendo visto por fotos, fazia com que eu me sentisse… feliz.

– Certo, mãe – revirei os olhos. – Assim que eu sair do almoço, eu deixo você saber.

Combinei com ela tudo e desliguei logo em seguida, voltando para o trabalho. Juntei todos os papéis e guardei tudo por volta de meio dia e meia, já pegando meu terno e tornando a colocá-lo; estava na hora de ir para o hotel.

Caminhei até a mesa de Jessica, que ficava próxima à minha porta, e enquanto terminava de organizar uns papéis para entregar para ela, comecei a passar umas instruções.

– Transfira os compromissos mais urgentes para amanhã pela manhã, por favor – comecei. – Eu não acho que volto para a empresa hoje, tenho alguns problemas pessoais para resolver. Depois que você tiver tudo resolvido, está dispensada pelo resto do dia. Qualquer problema, é só me ligar.

Jessica me olhou com os olhos um pouco arregalados, porque eu raramente saía mais cedo da empresa. E mesmo assim, quando eu saía, sempre voltava.

– Sim, senhor – disse por fim. – Pode deixar.

Eu assenti, e me virei, indo para o estacionamento e dirigindo rapidamente até o hotel, que não ficava tão longe dali. Deixei minha pasta dentro do carro e saí do mesmo, entregando a chave para o manobrista. Parei por um momento na porta do hotel, respirando fundo, meu coração a cada minuto mais acelerado. Em poucos minutos eu o veria novamente, Henry.

Meu filho.

Balançando a cabeça e procurando me acalmar, entrei no hotel, caminhando até o salão, varrendo-o rapidamente com os olhos. A calma que eu havia adquirido alguns segundos atrás pareceu evaporar assim que coloquei os olhos em Henry, e eu aproveitei que Jasper e ele não tinham me visto ainda para observá-lo.

Eu o vi brincar com os talheres que estavam ao lado do prato, erguendo-os com uma expressão curiosa no rosto. Aproximei-me um pouco mais da mesa, de modo que ainda não podia ser visto, somente para que eu pudesse ver seus olhos castanhos. Os mesmos olhos castanhos dela. Observei cada detalhe do seu rosto pequeno, vendo como seu nariz enrugava, como ele sorria... E por fim, parei em seu cabelo bronze, completamente bagunçado, exatamente como o meu. Vi quando ele pegou o copo de suco – grande demais para suas mãos ainda pequenas – e tomou um longo gole, deixando algumas gotas caírem em sua jaqueta, e me vi sorrindo antes que me desse conta de tal coisa.

Aproximei-me a passos largos, sabendo que estava alguns minutos atrasado, e parei diante de Jasper, que sorriu assim que me viu, se pondo de pé e esticando sua mão.

– Ei – cumprimentou, voltando a se sentar. – Sente-se, Edward, vamos pedir.

Eu me sentei, sorrindo um pouco, e observei Henry, que estava me olhando com os mesmos olhos curiosos dela. Suspirei pesadamente, sentindo meu coração apertar um pouco, e balancei a cabeça, querendo afastar tais pensamentos.

Eu tentei conversar o máximo que pude durante o almoço, mesmo que Henry parecesse um pouco envergonhado. Ele não falou muito enquanto degustava de sua comida, se sujando às vezes. Eu via Jasper rir e tentar limpá-lo um pouco, somente para desistir depois, já que aparentemente ele ia se sujar novamente.

– Eu tenho um convite para fazer... – falei assim que terminei de comer, antes que perdesse a coragem. – Minha mãe… eu contei para ela tudo, assim como meu pai e minha irmã, e ela quer muito conhecer vocês...

Jasper assentiu, me fitando com curiosidade.

– Ela insistiu para que eu fizesse o convite hoje – continuei. – Ela está meio… ansiosa...

Jasper riu.

– Posso entender isso – disse. – Claro que vamos. Não quero incomodar, mas já que sua mãe parece querer muito conhecer Henry, vamos sim. Você já tem um horário mais ou menos?

Engoli em seco, remexendo em meu guardanapo no colo, sem saber como dizer a outra coisa que eu estava pensando.

– Eu queria... – murmurei. – Se não for problema, é claro, passar o dia com Henry hoje, conhecê-lo um pouco, pode ser? Você pode ficar por perto, é claro. Queria fazer algumas perguntas também, se estiver tudo bem.

Jasper sorriu.

– Sem problemas, Edward – disse. Ele abriu, logo em seguida, a boca para dizer mais alguma coisa, mas foi interrompido pelo toque de seu celular. Com um sorriso constrangido ele o puxou e suspirou. – É do trabalho, preciso atender. Você pode ficar de olho nele durante um minuto? Eu volto já.

Assenti rapidamente, e o vi se levantar, bagunçando o cabelo de Henry antes de se afastar da mesa. Voltei os olhos para a criança que parecia quieta demais e notei seus olhos presos em mim.

– Como você se chama? – perguntou.

Eu segurei um sorriso, erguendo a mão e a passando pelos meus cabelos.

– Edward – respondi, o olhando.

Ele assentiu, enrugando sua pequena testa, movendo os lábios lentamente.

Edwad? – indagou.

Eu soltei uma risada, balançando a cabeça. Dei de ombros, meio que assentindo. Eu realmente não esperava que uma criança de três anos conseguisse dizer todas as coisas corretamente, ainda mais o meu nome.

– Pode me chamar assim, se quiser – disse.

Ele sorriu um pouco, virando-se na cadeira, em minha direção, ainda me encarando.

– Eu posso tomar solvete? – indagou, e eu sorri, sem saber o que responder.

– Eu não sei – murmurei. – Você tem que perguntar ao seu tio Jazz.

Ele franziu a testa.

– Você não gosta de solvete? – tornou a perguntar.

Ri baixinho, balançando a cabeça.

– Eu gosto – respondi. – Muito. Qual é o seu sabor favorito?

Ele sorriu, mostrando todos os seus dentes pequenos.

– Chocolate! – gritou, e várias pessoas de outras mesas nos olharam, o que me fez sorrir novamente. – Gosto de tudo com chocolate!

Eu senti um sentimento desconhecido tomar conta de mim, enquanto olhava para aquela criança que tinha surgido na minha vida há poucos dias, mas que já mexia comigo de uma forma inexplicável. Ele gostava do café da manhã do mesmo jeito que eu, gostava de chocolate assim como eu... E eu simplesmente não sabia como agir.

– É o meu favorito também – disse, por fim, ainda sorrindo.

Eu não me lembrava a última vez que tinha sorrido tanto assim.

Sélio? – indagou.

Ele pareceu menos tímido depois disso, contando de quando Jasper o havia levado até uma sorveteria e de como ele tinha se sujado com sorvete de chocolate. Eu sorri para isso, assentindo, vendo como ele tropeçava em algumas palavras e como ele tentava acertá-las depois que eu, gentilmente, o corrigia.

Quando Jasper voltou, ambos estávamos conversando ainda, e ele pareceu ficar feliz por isso, entrando rapidamente no assunto. Eu insisti em pagar pela conta, ignorando os protestos dele, e nós subimos para o quarto dos dois, porque Jasper disse que Henry precisa ao menos trocar a blusa.

Foi um dia interessante, que passou mais rápido do que eu imaginava. Nós fomos tomar sorvete e eu ri bastante de Henry se sujando mais uma vez, o que fez Jasper sorrir. Ele me contou várias coisas sobre meu filho, não comentando muito sobre Bella, o que eu agradeci. Eu ainda não sabia o que pensar exatamente depois de tudo o que tinha acontecido, e por agora preferia me focar em Henry.

– Você planeja… partir em breve? – indaguei, engolindo em seco. Eu não sabia exatamente por que, mas pensar em Henry indo embora... – Quer dizer, eu sei que tem suas obrigações, seus trabalhos...

– Não, tudo bem – ele sorriu, nós dois sentados no banco de uma praça observando Henry brincar. – Eu entendo. Não sei quanto tempo vou ficar, mas estou de férias durante dois meses...

Assenti, mesmo sabendo que ele não estava olhando para mim.

– E… Bella? – perguntei. – Ela tem data para voltar?

Jasper suspirou.

– Não sei, Edward, realmente – disse. – Eu gostaria de poder te contar mais, te dizer no que ela se meteu, mas não faço ideia. Ela me mandou um e-mail, dizendo que está bem e que sente saudades do filho, mas só.

Tornei a assentir.

Nós mergulhamos em um silêncio depois disso, nem confortável e nem desconfortável. Eu apenas observei Henry brincar, atento a todos os movimentos dele, rindo um pouco de quando ele tropeçava e caía, se levantando logo em seguida, não deixando isso o impedir de se divertir.

– Ele é meio desastrado, não é? – Eu me vi perguntando alguns minutos depois.

Jasper riu, balançando a cabeça.

– Sim – disse. – Meio é bondade, na verdade. Ele puxou Bella nisso, eu chuto. Desde que Henry começou a andar que ele cai, às vezes sem motivo algum.

Assenti, suspirando pesadamente ao me lembrar de Bella.

Será que eu pensaria nela para sempre?

Eu levei Henry e Jasper de volta para o hotel não muito depois, combinando de ir buscá-los dentro de uma hora e meia. Eu já ia arrancar o carro, quando me lembrei de fazer a Henry uma pergunta.

– Ei! – chamei os dois, que tinham começado a subir os degraus para entrar no hotel.

Jasper olhou para trás, parando e começando a voltar em direção ao carro, trazendo pela mão um Henry muito sujo.

– O que foi? – ele indagou, inclinando-se um pouco e se apoiando na janela aberta do carro.

Eu sorri.

– Ei, Henry, qual é a sua comida favorita? – perguntei.

Ele sorriu imediatamente, seus olhos castanhos brilhando.

– Lasanha! – disse, animado. – E cacholo quente!

Eu assenti, acenando e voltando a dizer que estaria de volta em breve. Liguei para a minha mãe no meu caminho para casa, informando-lhe do que Henry gostava. Ela pareceu ficar um pouco desesperada por ele gostar de duas coisas, o que me fez rir, mas disse que daria um jeito e estava bem feliz quando eu finalizei a ligação.

Tomei um banho rápido, e me peguei me lembrando de tudo o que tinha acontecido hoje, sorrindo em todos os momentos. Eu não tinha ideia do que seria da minha vida daqui para frente e muito menos o que aconteceria quando os dois meses de férias de Jasper acabassem, mas eu havia gostado de passar um tempo com Henry.

E queria repetir esse dia novamente.

Em breve.

Vesti-me de forma casual, rindo ao me lembrar de Henry se sujando e Jasper comentando que levaria uma roupa extra para a casa dos meus pais. Eu liguei novamente para a minha mãe, perguntando se ela precisava que eu levasse alguma coisa.

Ele gosta de alguma sobremesa ou algo assim? – indagou, fazendo com que eu sorrisse.

– Ele gosta de chocolate, mãe – murmurei, ainda sorrindo. – Assim como eu.

Eu desliguei logo em seguida, ajeitando meus cabelos e pegando tudo o que precisava antes de sair do apartamento, mais uma vez me dirigindo para o hotel.

Jasper estava terminando de arrumar a pequena mochila de Henry, mas logo desceu. Ele pareceu meio tímido no começo, como mais cedo, mas logo se soltou, dizendo que queria ir ao parque que havíamos ido naquele dia novamente.

E isso fez tanto eu quanto Jasper rirmos.

Henry foi ficando mais calado a cada minuto que passava, tímido novamente após eu comentar que ele conheceria três novas pessoas naquele dia.

– Eles são meus pais – eu falei, parando diante do portão e digitando a senha. – E minha irmã. Você vai gostar deles, você vai ver.

Henry assentiu, seus olhos castanhos muito abertos olhando a casa ao redor.

Jasper o ajudou a descer do banco de trás assim que chegamos, e Henry se escondeu atrás das suas pernas, o que me fez sorrir. Eu passei minha mão em seus cabelos, em uma tentativa de dizer que estava tudo bem, e ele sorriu para mim, ainda escondido.

Ergui minha mão para bater à porta, mas antes que fizesse tal coisa, a mesma se abriu, revelando minha mãe, muito ansiosa, que já começava a olhar para Jasper e para o menino escondido atrás de suas pernas.

Jasper pegou Henry pela mão e o puxou um pouco para o lado, o que fez minha mãe sorrir. Ela o analisou, de cima a baixo, e levou a mão ao peito, enquanto lágrimas tomavam conta de seus olhos.

– Oh, tão parecidos... – murmurou. – Ele é lindo.

Eu sorri para ela assentindo e apresentei Jasper rapidamente. Ele ergueu a mão e apertou a da minha mãe, que ainda parecia não conseguir manter seus longes longe de Henry.

– Oi, garotinho – sussurrou, ajoelhando-se e ficando à altura dos olhos dele. – Como você se chama?

Henry olhou rapidamente para mim e eu assenti, em um gesto para ele responder. Ele voltou, então, seus olhos para minha mãe e sorriu.

– Henry – disse, parecendo todo orgulhoso de si.

– Oh, é um belo nome, rapaz – minha mãe riu. – Você está com fome? Eu fiz um jantar especial para você...

Ele abriu os olhos, sorrindo, assentindo rapidamente.

– O que você fez? – perguntou.

– Henry! – Jasper ralhou, e ele parecia estar segurando o riso.

– Está tudo bem, Jasper – disse Esme, olhando para ele rapidamente antes de voltar a olhar para Henry. – Bom, Edward disse que você gosta de lasanha e cachorro quente, e eu fiz os dois. Você pode escolher o que comer.

Henry sorriu ainda mais, se aquilo realmente fosse possível.

– Como se diz, Henry? – Jasper tornou a falar, balançando sua mão gentilmente.

Obligado – murmurou, fazendo nós três rimos.

Minha mãe se pôs de pé após dizer que não era nada e ofereceu sua mão ao meu filho, que a pegou após encolher os ombros. Ele soltou a de Jasper e deixou que Esme o guiasse para dentro de casa. Meu pai escolheu aquele momento para sair de seu escritório.

Eu o vi olhar rapidamente para mim e Jasper, antes de fitar minha mãe e descer seus olhos para o menino que estava ao seu lado. Ele sorriu imediatamente, o que me fez sorrir também, e se aproximou com os passos cautelosos.

– Oi – disse baixinho. – Eu sou Carlisle, pai de Edward. Como você se chama?

Henry, no entanto, não parecia estar prestando atenção em meu pai. Seus olhos estavam grudados no sofá, onde a pasta e o estetoscópio do meu pai se encontravam.

– Aqui tem um médico? – ele perguntou, olhando para todos nós.

Meu pai sorriu.

– Eu sou um médico – disse. – Por quê? Você tem medo de médicos ou agulhas?

Henry sorriu, balançando a cabeça de forma negativa.

– Eu sou um menino glande – respondeu. – Eu quelo ser um médico e cuidar de gente quando eu clescer, igual eu vi um monte de gente fazendo quando fui ao hospital.

O sorriso do meu pai se tornou maior, claramente orgulhoso por seu neto estar dizendo aquilo, mesmo que ele ainda fosse uma criança e que sua opinião fosse mudar umas trinta vezes.

– Oh, então tudo bem – disse. – Você quer ver meu estetoscópio?

Henry fitou Jasper novamente.

– Eu posso, tio Jazz? – perguntou.

Jasper assentiu.

– Só cuidado, ok?

Henry soltou a mão da minha mãe e caminhou até o sofá, meu pai o seguindo. Nós o assistimos olhar o estetoscópio com atenção, um sorriso no rosto, e eu sorria enquanto meu pai colocava o aparelho em seu ouvido, mostrando a Henry como usar.

– E Alice, cadê? – eu perguntei a minha mãe, parado ao lado dela, ainda mantendo meus olhos em Henry e meu pai. – Eu pensei que ela já estaria aqui...

Ouvi minha mãe rir.

– Eu não consegui entrar em contato com ela – suspirou. – Ela tinha um dia cheio hoje no trabalho e em seus cursos. Não sabia que Henry viria, poderia ter dito a ela ontem à noite, quando ela avisou que chegaria tarde.

Assenti, mesmo sem saber se ela estava olhando para mim ou não.

– Bom, vamos jantar? – Ela disse, alguns minutos depois.

Henry estava parado, sentado no sofá, escutando algo que meu pai dizia. Ele assentia rapidamente, seus olhinhos curiosos, mostrando que tinha entendido. Meu pai ouviu o que minha mãe havia dito e se pôs de pé, mas Henry não parecia estar muito interessado no jantar agora.

– Vamos jantar. – Meu pai sorriu, guardando seu estetoscópio na mala e estendendo a mão para Henry. – Quando acabarmos, eu posso te mostrar novamente.

Ele assentiu, sorrindo um pouco e se pondo de pé, aceitando a mão do meu pai. Nós seguimos então para a sala de jantar, e eu parei por um momento na porta, vendo toda a comida que minha mãe havia preparado.

– Cozinhando para um batalhão, mãe? – brinquei, e ela revirou os olhos, rindo um pouco. – Não acho que apenas nós cinco vamos dar conta de comer tudo isso...

Ela deu de ombros, seus olhos se tornando amorosos ao olhar para Henry. Eu sorri para ela quando vi isso, andando até a mesa e puxando uma cadeira para me sentar.

Fiquei um pouco surpreso quando Henry soltou a mão do meu pai e caminhou até a cadeira ao meu lado, tentando puxá-la. Eu sorri para ele e o ajudei, sentando-o e ajeitando o guardanapo em sua camisa, em uma tentativa de evitar que ele se sujasse tanto.

Meu pai se sentou na ponta da mesa, como sempre, e minha mãe do seu lado, Jasper ao lado dela. Eu me virei para Henry, que fitava a mesa com atenção.

– O que você vai querer comer, carinha? – indaguei.

– Não sei – disse.

Ele olhou para a lasanha e para o cachorro quente, parecendo não conseguir se decidir entre os dois. Ergui minha mão e me servi um pouco de lasanha, não sabendo quanto tempo ele ficaria ali pensando. Mas quando ele me viu me servindo, pediu a mesma coisa.

E isso me fez sorrir, o que me surpreendeu um pouco.

Pelo resto do jantar, eu me vi travando uma batalha interna, enquanto observava como meus pais interagiam com o… meu filho. Me vi mais uma vez surpreendido pelo sentimento que tomou conta de mim enquanto eu o via comer a lasanha, parecendo muito contente, vários pedaços da mesma caindo pela sua roupa. E enquanto eu o olhava, era impossível não pensar em sua mãe e me perguntar o que poderia ter acontecido de tão urgente para ela deixar tudo o que tínhamos e simplesmente partir, privando-me de ver Henry crescer.

Peguei-me sorrindo enquanto ele comia o bolo de chocolate, sua boca toda suja, suas bochechas lambuzadas. Sorri ainda mais quando ele dirigiu aqueles olhos castanhos para mim e sorriu. Ele parecia tão feliz ali, tão à vontade com todos nós, mesmo nos conhecendo há tão pouco tempo, mesmo sendo tímido.

E mais uma vez fui surpreendido por aquele sentimento desconhecido por mim.

– Você não quer bolo, Edwad? – Henry perguntou, ainda me fitando, tirando-me de meus devaneios.

Eu ri. Servi-me de um pedaço, sentindo os olhos dele ainda em mim, e decidi aproveitar tudo o que estava acontecendo. Não sabia o que seriam de meus dias daqui para frente, mas, por mais que tudo aquilo ainda me assustasse um pouco, eu já tinha decidido que não iria conseguir ficar longe de Henry.

Afastar-me simplesmente não era uma opção.