CAPÍTULO 5: A rota do cadáver III
Como nos velhos tempos. Só que não tinha o Lucius a ladrar-lhe instruções, nem a Bellatrix a recordar-lhe a sua estupidez ao deixar pistas desnecessárias. Tampouco Crabbe Senior para carregar os cadáveres.
Caminhava um pouco ladeado, com passos longos e rápidos, mas tentando dissimular o enorme fardo invisível sobre os seus ombros. Os alunos com quem se encontrou pelo caminho deviam pensar que foi alcançado por um raio ou que estava a tentar livrar-se de um Imperius.
O escritor merecia-o depois da sua atitude insolente. Severus não via nada intrinsecamente mau no facto de matar Gilderoy, de feito quase lhe havia feito um favor, mas tinha doze anos com um pé em Azkabán e se o ingressavam na prisão os seus amiguitos Death Eaters estariam felizes de vê-lo. Seguramente fariam-lhe um comité de boas-vindas. Além disso, vinha-lhe à cabeça uma lista de razões melhores e vítimas melhores (incluídos alunos) para ser condenado por assassinato.
Chegou à sala de poções, descarregou os seus ombros por um momento e apressadamente pôs alguns ingredientes nos seus bolsos. Insuficientes para a concentração de reativos que requeria, mas ao menos ajudariam-no a começar. Às tantas localizou o cadáver e logo o colocou de volta sobre os seus ombros.
A primeira ideia para desfazer-se da evidencia foi um simples, limpo e rápido Inferi. Desgraçadamente um inferi não cobria a capacidade intelectual do professor. Isso já era dizer muito!
Além de se descobriam o Inferi, a quem seriam dirigidas todas as miradas? Naturalmente ao único ex Death Eater em várias milhas de raio.
Ficava uma opção: Poção Zombie. É o tipo de poção que nunca vem nos livros, havia-se tornado antiquada quando se inventou o feitiço Inferi. Demasiado cara e demasiado complicada de preparar-se, mas conservava parte da inteligência e da personalidade da vítima. Já lhe ocorreria algo para que parecesse que o imbecil se matou por si mesmo num acidente. Agora necessitava um caldeirão enorme. Uma banheira, de feito.
Sem fixar-se na aterrada Penélope Clearwater, Severus passou à última banheira do quarto de banho dos monitores. Penélope saiu imediatamente, envolvida numa toalha. O professor de poções tirou o feitiço desilusionante, encheu a banheira com água muito quente, esvaziou os ingredientes. Faltava algo. Desnudar o professor.
-Até preparar poções pode ter um lado feio -disse-se, franzindo a boca.
Pôs esforço extra em calar o resto das vozes na sua cabeça quando chegou à última capa de roupa.
Atirou (literalmente) o cadáver na banheira, sem se preocupar com a posição na qual cairia. Mediu e esvaziou o resto dos ingredientes.
Agora tinha um cadáver flutuando em poção zombie de baixa intensidade. Essa concentração não reanimaria um humano, mas estava bem para começar a mariná-lo. Urgia ir pelo resto dos ingredientes ao seu armário particular. Qualquer pessoa que entrasse pensaria que o professor só estava a tomar um banho.
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-Ehhh... todavia há alguém aí?
Percy deu-se ares de valentia. Penélope escondeu-se atrás dele. Já havia posto algo de roupa, mas seguia tão assustada e indignada como quando o alcançou no corredor e de algum modo o convenceu a ir falar com o professor Snape.
O quarto de banho estava estava cheio de um vapor muito pesado, pegajoso e ligeiramente verde. Valha, sim que há gente com gostos estranhos para os óleos de banho, pensou Percy. Em frente a uma das banheiras encontraram uma charmosa túnica que definitivamente não era do estilo Severus Snape, mas talvez o seu proprietário lhes pudesse dizer aonde foi o professor. Ou talvez não.
-O professor Lockhart! Afogou-se na banheira! -gritou Penélope, muito perto do ouvido de Percy, para o seu gosto.
Ainda no meio do seu pânico, Percy deu-se perfeitamente conta de que Penélope estava a
comer o professor com os olhos, inclinada sobre a banheira.
-Há que... há que dar-lhe primeiros socorros -Penélope inclinou-se mais, e tomou o rosto do professor entre as suas mãos. A ponto de colocar os seus lábios sobre os dele, surpreendendo-a a mirada de reprovação de Percy.
-Há que tirá-lo daqui, o vapor vai acabar de o asfixiar.
Entre os dois arranjaram-se para levar o professor para fora. Um grupo de Hufflepuffs curiosos
quase os apanham com o desnudo cadáver sobre os braços.
-Pronto! A entrada de Ravenclaw está muito perto daqui! -exclamou Penélope, arranjando toda a ajuda possível.
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Correu como nunca, falhou como sempre. Alguém havia tomado os ingredientes do seu armário (quase apostava que para preparar polissuco), e custou-lhe trabalho encontrar tudo o que necessitava. De todas as formas, no quarto de banho encontrou-se com a poção que supostamente não tinha suficiente concentração para devolver-lhe o movimento, inteligência e personalidade, ao defunto funcionou de maravilha. Gilderoy já não estava. Talvez com a pouca inteligência que tinha não fazia falta muito para restabelecê-la.
As roupas estavam no solo, ou seja que o zombie saiu para o corredor sem roupa (o qual explicava a presença de um grupo de Hufflepuffs assustados do lado de fora). Já o saberia quando Flitwick o comentasse indignado na sala de professores. Limpou a desordem com alguns Fregotego e converteu as roupas em toalhas molhadas com um feitiço simples. De momento tinha afastado o foco das suspeitas da sua pessoa, e só necessitava um pretexto para voltar a matar Lockhart.
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Penélope adiantou-se para despejar o caminho, enquanto Percy tentava arrastar tremendo peso morto. Quando cruzou a porta de Ravenclaw já lhe dava o mesmo se o professor estava vivo ou morto, mas seguiu arrastando-o. A monitora Clearwater indicou-lhe o único dormitório aberto e vazio: Meninas de segundo ano. Colocaram o professor sobre a primeira cama e ambos tentaram desesperadamente com todos os feitiços de auxilio que sabiam. Já era bem entrada da noite quando se deram conta de que não se podia fazer nada. Afortunadamente os do segundo depois do jantar passaram à biblioteca e logo à aula de Astronomia. Isso deixava-os com um lindo defunto e muito tempo para pensar em que fazer. Buscaram Poppy na enfermaria mas só estava Sprout, muito zangada e esperando-a desde fazia várias horas. Mas ao regressar, havia todo um escândalo no dormitório.
-ESSE PERVERTIDO! -vociferou alguém-. SEGUE DESNUDO DENTRO DA CAMA DE LUNA!
A afetada via-se um pouco perplexa mas não tão espantada como o resto das mulheres da casa.
Neville Longbottom estava junto a ela, consolando-a de um susto inexistente e oferecendo-lhe tomar um chá na sala Gryffindor para se acalmar. Penélope e Percy reconheceram que já não era momento para lhes explicar nada.
Nota da Autora:
Cumprimentos! O fanfic está prestes a terminar e estou a pensar em escrever uns quantos oneshots de crackpairings depois. Admitem-se ideias para casais.
Notas da Tradutora:
Como estão a ver, podem fazer pedidos diretamente na página do link original, no primeiro capitulo ou no meu perfil, ou deixarem-me nos comentários que eu passo a informação à autora.
Espero que estejam a gostar da história e que se estejam a divertir com a paródia que é este fic.
