Todos os personagens pertencem a Masashi Kishimoto. A história é de autoria de Lisa Kleypas do seu livro A Redenção – Série The Travis Family.

Essa fanfic é uma adaptação.

Capitulo 07

As pessoas atrás de mim me empurravam, tentando conseguir a atenção do barman. Eu estava para ser pisoteada. Sasuke Uchiha murmurou algo e me ajudou a subir no banco que ele estava ocupando. Eu estava muito atordoada para me opor. O assento de couro ainda guardava o calor do corpo dele. Sasuke ficou de pé com uma mão no balcão e outra no encosto do banco, protegendo-me.

Aprisionando-me.

Sasuke estava um pouco mais magro do que eu me lembrava, um pouco mais maduro, temperado pela vida. A expressão experiente combinava com ele, sobretudo porque em algum lugar, no fundo daqueles olhos negros, ainda espreitava um convite perigoso para brincar. Ele possuía aquela autoconfiança masculina que era mil vezes mais potente do que a simples beleza. Uma aparência perfeita pode deixar você sem ação, mas esse tipo de carisma sexy faz seus joelhos bambearem. Eu não tinha dúvida de que toda mulher disponível naquele bar estava babando nele.

De fato, um pouco acima do contorno do ombro dele, eu vi uma loira pernuda no banco ao lado me fuzilar com os olhos. Eu tinha caído, literalmente, no meio da conversa dos dois.

"Srta. Uzumaki", Sasuke olhou para mim como se não pudesse acreditar que eu estava lá. "Perdão. Eu quis dizer Sra. Akasuna."

"Não, eu... sou Uzumaki de novo", ciente que eu estava gaguejando, resolvi me explicar: "Estou divorciada."

Não houve mudança na expressão dele, a não ser um ligeiro aumento naqueles olhos negros. Ele pegou o copo e deu um gole. Quando seu olhar voltou para o meu, ele parecia estar examinando meu interior. Eu fiquei muito corada ao me lembrar outra vez da adega.

A loira continuava me fulminando com o olhar. Eu gesticulei para ela e balbuciei.

"Vocês me desculpem por interromper. Eu não pretendia... por favor, podem continuar com seu... foi bom revê-lo, Sr..."

"Sasuke! Você não está interrompendo nada. Nós não estamos juntos", ele olhou por cima do ombro e a luz amarela do bar se derramou pelas camadas de seu cabelo escuro brilhante. "Com licença", ele disse para a mulher, "eu preciso pôr a conversa em dia com esta velha amiga."

"Claro", a outra disse com um sorriso falso.

Sasuke se voltou para mim e o rosto da mulher mudou. Se olhares matassem, eu teria caído morta ali mesmo.

"Eu não vou roubar seu lugar", eu disse, começando a deslizar do banco. "Eu já estava indo embora. Está muito lotado aqui...", senti o ar me faltar quando minhas pernas tocaram as dele, e eu voltei para o banco.

"Dê só um minuto", Sasuke respondeu. "Logo mais a lotação vai diminuir", ele gesticulou para o barman, que apareceu com uma velocidade espantosa.

"Sim, Sr. Uchiha?"

Sasuke olhou para mim, erguendo uma sobrancelha.

"O que você vai tomar?"

Eu preciso mesmo ir, eu quis lhe dizer, mas o que saiu foi:

"Dr. Pepper, por favor."

"Dr. Pepper, com cerejas extras", ele disse ao barman.

"Como você sabe que eu gosto de marasquino?", perguntei, surpresa.

A boca dele se curvou com um sorriso preguiçoso. Por um instante eu esqueci como se respira.

"Eu só imaginei que você é do tipo que gosta de extras."

Ele era muito grande. Estava muito perto. Eu ainda não tinha me livrado do hábito de avaliar um homem em termos de quanto estrago poderia causar em mim. Sasori tinha me deixado com hematomas e fraturas, mas Sasuke podia matar uma pessoa normal com um gesto da mão. Eu sabia que alguém como eu, com toda minha bagagem e meu possível caso de sexofobia não tinha nada que fazer perto de Sasuke Uchiha.

As mãos dele continuavam à minha volta, apoiadas no braço do banco e no balcão do bar. Eu senti a tensão de impulsos opostos; o desejo de me afastar dele e uma atração que pinicava como fagulhas dentro de mim. Ele tinha afrouxado a gravata cinza-prateado e soltado o botão mais alto da camisa, revelando um pedaço da camiseta branca por baixo. A pele do pescoço era lisa e bronzeada. Eu imaginei, por um segundo, qual seria a sensação do corpo dele por baixo das camadas de tecido, se ele continuava tão duro como eu me lembrava. Uma agitação composta de curiosidade e pavor fez com que eu me remexesse no banco.

Eu me virei, grata, quando o barman trouxe minha bebida, um highball efervescente de Dr. Pepper. Cerejas vermelhas brilhantes flutuavam na superfície. Eu tirei uma do copo e puxei a fruta do cabo com os dentes. Ela estava suculenta e pegajosa, e rolou, doce, pela minha língua.

"Você veio sozinha, Srta. Uzumaki?", Sasuke perguntou. Tantos homens do tamanho dele tinham vozes incompatíveis, agudas demais, mas Sasuke possuía uma voz profunda, feita para preencher um peito imenso.

Eu pensei em lhe dizer que me chamasse pelo primeiro nome, mas eu precisava manter todas as barreiras possíveis entre nós, ainda que tênues.

"Eu vim com meu irmão Gaara e a namorada dele", respondi. "Eu trabalho para ele, agora. Gaara tem uma empresa de administração imobiliária. Estávamos comemorando minha primeira semana", peguei outra cereja e a comi devagar, e percebi que Sasuke me observava com uma expressão absorta, ligeiramente vidrada.

"Quando eu era pequena, comia isso aqui de monte", contei. "Eu roubava potes de marasquino da geladeira. Eu comia as frutas como se fossem doces e despejava o suco no refrigerante."

"Aposto que você era uma garotinha fofa. Uma moleca."

"Com certeza uma moleca", eu concordei. "Eu queria ser como meus irmãos. Todo Natal eu pedia um jogo de ferramentas para o Papai Noel."

"Alguma vez ele atendeu o seu pedido?"

Eu meneei a cabeça com um sorriso amargo.

"Muitas bonecas. Roupas de balé. Um forninho de brinquedo", empurrei outra cereja com um gole de Dr. Pepper. "Minha tia finalmente me deu um conjunto de ferramentas, mas eu tive que devolver. Minha mãe disse que aquilo não era adequado para uma garotinha."

Ele torceu o canto da boca.

"Eu também nunca recebi o que queria."

Eu me perguntei o que era, mas entrar em assuntos pessoais dele estava fora de questão. Tentei pensar em algo mais neutro. Algum assunto de trabalho.

"Como estão indo seus negócios no mundo do petróleo?", perguntei.

Pelo que eu sabia, Sasuke e outros dois sujeitos tinham começado uma pequena empresa de recuperação avançada de petróleo. Eles iam atrás de reservas esgotadas ou maduras depois que as grandes empresas não as consideravam mais rentáveis. Usando tecnologias especializadas de recuperação, eles conseguiam localizar restos da reserva. Dava para ganhar bastante dinheiro daquele modo.

"Estamos indo bem", Sasuke respondeu, tranquilo. "Nós compramos concessões de alguns campos maduros e tivemos bons resultados com injeção de CO2. Também compramos uma participação em uma propriedade parada no Golfo, o que está trazendo um bom retorno." Ele me observou tomar o Dr. Pepper. "Você cortou o cabelo", Sasuke disse com a voz baixa.

Ergui a mão e passei os dedos pelas camadas curtas.

"Estava atrapalhando."

"Ficou lindo", ele disse.

Fazia tanto tempo que eu não recebia um elogio de qualquer tipo que minha língua ficou presa.

Sasuke me observava com um olhar intenso.

"Eu nunca pensei que teria a oportunidade de dizer isso para você", ele começou, "mas naquela noite..."

"Eu prefiro não falar sobre isso", eu o interrompi, às pressas. "Por favor."

Sasuke atendeu meu pedido e ficou em silêncio.

Meu olhar recaiu sobre a mão que descansava no balcão. Ela tinha dedos longos e parecia muito capaz. A mão de um trabalhador. As unhas estavam cortadas quase até o sabugo. Eu fiquei pasma pela quantidade de pequenas cicatrizes em forma de estrela em alguns dos dedos.

"O que... do que são essas marcas?", perguntei.

Ele contraiu um pouco a mão.

"Eu fazia cercas depois da aula e no verão, durante a adolescência. Colocava arame farpado para os rancheiros da região."

Eu estremeci ao pensar nas farpas do arame entrando nos dedos dele.

"Você fazia isso com as mãos nuas?", perguntei.

"Até conseguir dinheiro para comprar luvas."

O tom dele era casual, mas eu senti uma pontada de culpa, consciente de como minha criação privilegiada tinha sido diferente da dele. E pensei de quanta determinação e ambição ele devia ter precisado para sair da vida em um estacionamento de trailers, o gueto de alumínio, e chegar aonde chegou na indústria do petróleo. Poucos homens conseguem esse feito. É preciso trabalhar duro. E ser impiedoso. Dava para acreditar que ele fosse assim.

Nossos olhares se encontraram, ficaram assim e a voltagem que trocamos quase me fez cair do banco. Eu fiquei toda vermelha e senti calor por baixo das roupas, dentro do sapato, ao mesmo tempo que fui tomada por um arrepio nervoso. Eu nunca quis tanto me afastar de alguém.

"Obrigada pelo drinque", meus dentes estavam batendo. "Eu tenho que ir, eu... foi bom te rever. Boa sorte com tudo", eu saí do meu lugar e vi, aliviada, que a multidão tinha diminuído e havia um caminho possível até a porta.

"Vou te acompanhar até o carro", Sasuke anunciou, deixando uma nota sobre o balcão. Ele pegou o paletó.

"Não precisa, obrigada. Eu vou pegar um táxi."

Mas ele saiu comigo mesmo assim.

"Você vai perder seu lugar no bar", eu murmurei.

"Sempre existe outro lugar no bar", senti a pressão casual da mão dele nas minhas costas e me recolhi por instinto. O toque foi retirado no mesmo instante.

"Parece que continua chovendo", ele observou. "Você tem um casaco?"

"Não", eu disse, abrupta. "Tudo bem, não me importo de me molhar."

"Quer que eu te leve?", o tom de voz dele ficou mais delicado, como se tivesse reconhecido meu nervosismo crescente, ainda que não entendesse o motivo para tanto.

Eu sacudi a cabeça.

"Eu vou de táxi mesmo."

Sasuke disse algumas palavras para um dos porteiros, que saiu para a calçada.

"Nós podemos esperar aqui dentro", ele disse, "até um táxi encostar."

Mas eu não podia esperar. Eu tinha que fugir dele. Eu estava tão ansiosa de ficar parada do lado dele que fiquei com medo de ter um ataque de pânico. A lateral do meu maxilar latejava sem motivo, e minhas costelas doíam onde Sasori as tinha chutado, embora eu já estivesse curada. A ressonância das velhas feridas. Eu vou demitir minha terapeuta, eu pensei. Eu não devia estar assim tão perturbada depois de todo o tempo que já passei com ela.

"Divórcio ruim?", Sasuke perguntou e seu olhar baixou para minhas mãos. Eu percebi que agarrava minha bolsa como se fosse um salva-vidas.

"Não, o divórcio foi ótimo", eu retruquei. "O casamento que foi uma droga", eu forcei um sorriso. "Preciso ir. Se cuida."

Incapaz de continuar dentro do bar, eu corri para a calçada, embora o táxi ainda não tivesse chegado. Eu fiquei parada na garoa como uma idiota, respirando com dificuldade, enrolada nos meus próprios braços. Minha pele parecia pequena demais para o meu corpo, como se eu tivesse sido embrulhada em plástico. Alguém se aproximou por trás e, pelo modo como senti os pelos da minha nuca eriçarem, eu soube que Sasuke tinha me seguido.

Sem falar nada, ele colocou seu paletó nos meus ombros, envolvendo-me em lã forrada de seda. A sensação foi tão boa que eu estremeci. O cheiro dele estava à toda volta, aquele tempero suave, ensolarado, do qual eu nunca esqueci... Deus, como era bom. Reconfortante e estimulante ao mesmo tempo. Feromônio da melhor qualidade. Eu queria poder levar o paletó dele para casa comigo.

Não ele, só o paletó.

Eu me virei para olhar para ele, para as gotas de chuva cintilando nos fios pretos de seu cabelo. A água atingia meu rosto em pequenos golpes frios. Sasuke se movia devagar, como se pensasse que um movimento repentino poderia me assustar. Eu senti uma das palmas dele se amoldar ao lado do meu rosto, e seu polegar tirou gotas de chuva da minha face como se fossem lágrimas.

"Eu ia perguntar se posso ligar para você", eu o ouvi dizer, "mas acho que já sei a resposta."

A mão dele desceu até o meu pescoço, acariciando a lateral com o dorso dos dedos. Ele estava me tocando, eu pensei, espantada, mas no momento não me importei. Parada na chuva, envolta em seu paletó, aquela era a melhor sensação que eu tinha em um ano.

A cabeça dele baixou para perto da minha, mas ele não tentou me beijar, só ficou olhando para o meu rosto e eu encarei aquele negro intenso. Com a ponta dos dedos, ele explorou a parte de baixo do meu maxilar e subiu até a maçã do meu rosto. O polegar dele era um pouco caloso, áspero como a língua de um gato. Eu fui tomada por um calor entorpecente quando imaginei qual seria a sensação se ele... Não.

Não, não... eu precisaria de anos de terapia antes de estar pronta para isso.

"Me dê seu número de telefone", ele murmurou.

"Isso seria má ideia", eu consegui dizer.

"Por quê?"

Porque eu não saberia lidar com você, pensei.

"Minha família não gosta de você", foi o que eu disse.

Sasuke sorriu, sem mostrar arrependimento, e seus dentes brancos brilharam no rosto bronzeado.

"Não me diga que eles ainda guardam rancor por aquele negócio que não deu certo?"

"Os Uzumaki são meio sensíveis nesse aspecto. Além disso...", eu parei para lamber uma gota de chuva no canto da minha boca, e o olhar dele acompanhou, alerta, o movimento. "...eu não sirvo de substituta da Hinata."

O sorriso desapareceu do rosto dele.

"Não. Você não serve de substituta de ninguém. E isso aconteceu há muito tempo."

Começou a chover mais forte, e o cabelo dele ficou escuro e escorrido como pelo de lontra. Seus cílios se projetavam acima dos olhos negros. Ele ficava bem, molhado. Ele até cheirava bem, molhado, uma mistura de pele limpa e algodão encharcado. A pele dele parecia quente sob a névoa de gotículas. Na verdade, enquanto estávamos ali, rodeados pela cidade, por chuva e pela noite, ele parecia ser a única coisa quente do mundo.

Ele tirou uma mecha encharcada do meu rosto, e outra, mantendo o rosto impassível, severo. Apesar de todo seu tamanho e toda sua força, ele me tocava com uma delicadeza da qual Sasori nunca foi capaz. Nós estávamos tão próximos que eu podia ver a textura de sua pele barbeada, e eu soube que aquele toque masculino seria delicioso nos meus lábios. Eu senti uma dor aguda e doce em algum lugar embaixo da minha caixa torácica. Sonhadora, eu lembrei do quanto eu desejei ter ido com ele naquela noite do casamento, para beber champanhe sob a lua linda. Não importava como aquilo poderia ter acabado, eu desejei ter ido.

Mas agora era tarde demais. Uma vida tarde demais. Um milhão de desejos tarde demais.

O táxi encostou.

O rosto de Sasuke continuou perto do meu.

"Eu quero te ver de novo", ele disse em voz baixa.

Meus órgãos internos se transformaram em uma mini-Chernoby l. Eu não conseguia me entender, por que eu queria tanto ficar com ele. Qualquer pessoa racional saberia que Sasuke Uchiha não tinha interesse verdadeiro em mim. Ele queria provocar minha família e atrair a atenção da minha cunhada. E se para conseguir isso ele tivesse que transar com uma garota da família, melhor ainda.

Ele era um predador. E, para meu próprio bem, eu tinha que me livrar dele.

Então eu colei um sorriso de desdém por cima do pânico e olhei para ele com uma expressão que dizia, eu sei o que você quer, amigo.

"Você adoraria comer uma Uzumaki, não é?", enquanto dizia isso, eu estremeci por dentro com minha própria grosseria.

Sasuke respondeu com uma encarada longa que fritou cada neurônio que eu possuía. E depois disse, com delicadeza:

"Só uma pequena Uzumaki em especial."

Eu fiquei vermelha. Senti contrações em lugares que eu nem sabia que tinham músculos. E fiquei espantada que minhas pernas estavam funcionando quando fui até o táxi e entrei.

"Onde você mora?", Sasuke perguntou, e, como uma idiota, eu lhe disse. Ele entregou uma nota de vinte para o taxista, o que era um pagamento muito exagerado, já que meu prédio ficava a poucos quarteirões de distância. "Leve-a com cuidado", ele avisou, como se eu fosse feita de alguma substância frágil que podia quebrar com o primeiro solavanco da estrada.

"Sim, senhor!"

E só quando o táxi se afastou que eu percebi que ainda estava com o paletó Dele.

A coisa normal a fazer teria sido mandar o paletó para a lavanderia imediatamente — havia um serviço no prédio — e mandar entregá-lo para Sasuke na segunda-feira.

Mas às vezes o normal simplesmente não acontece. Às vezes, a loucura parece boa demais para se resistir. Então eu fiquei com o paletó, sem lavar, o fim de semana todo. Eu ficava indo até ele para cheirá-lo. Maldito paletó, com o cheiro de Sasuke Uchiha, era igual a crack. Eu me rendi, afinal, e o vesti por algumas horas enquanto assistia a um filme em DVD.

Depois telefonei para meu melhor amigo, o Sai, que há pouco tempo tinha me perdoado por não falar com ele há meses, e lhe expliquei a situação.

"Estou tendo um caso com uma peça de roupa", revelei.

"Tem liquidação na Neiman's?".

"Não, não é para mim. É o paletó de um cara", fui em frente e lhe contei tudo sobre Sasuke Uchiha, até mesmo o que aconteceu no casamento de Hinata e Naruto, quase dois anos antes, e concluí contando sobre o encontro com ele no bar.

"E eu acabei de vestir o paletó e assistir a um filme dentro dele. Na verdade, estou com ele agora, enquanto falo com você. Quão distante de normal é isso? Em uma escala de um a dez, qual o nível da minha loucura?"

"Depende. Que filme você assistiu?"

"Sai!", eu protestei, querendo uma resposta séria dele.

"Sakura, não me peça para definir os limites do que é normal. Você sabe como eu fui criado. Uma vez meu pai colou pelos púbicos em uma pintura e a vendeu por um milhão de dólares."

Eu sempre gostei do pai de Sai, Hiruzen Sarutobi, mas nunca entendi a arte dele. A melhor explicação que eu ouvi foi que Hiruzen Sarutobi era um gênio revolucionário, cujas esculturas explodiam as noções convencionais de arte e exibiam materiais comuns como goma de mascar e fita crepe dentro de um novo contexto.

Quando criança, com frequência eu ficava perplexa com a assustadora inversão de papéis na casa dos Sarutobi, onde os pais pareciam crianças e seu único filho, Sai, tinha que ser o adulto.

Foi só por meio da insistência de Sai que a família adotou horários para comer e dormir. Ele tinha que arrastá-los para as reuniões de pais e mestres embora seus pais não acreditassem no sistema de notas. Sai não conseguiu, contudo, controlar o gosto extravagante deles na decoração da casa. Às vezes, o Sr. Sarutobi estava passando pelo corredor, parava para desenhar ou pintar algo diretamente na parede, e depois continuava. A casa toda parecia cheia de grafites inestimáveis. E quando chegava o Natal, a Sra. Sarutobi pendurava a árvore, que eles chamavam de arbusto Bodhi, de cabeça para baixo no teto.

Sai havia se tornado um decorador de interiores muito bem-sucedido, em grande parte devido à sua capacidade de ser criativo sem exagerar demais. O pai dele desdenhava de seu trabalho, o que para Sai era um tremendo elogio. Na família Sarutobi, Sai me disse uma vez, bege era um ato de desafio.

"Então", Sai disse, voltando ao assunto do paletó, "posso ir até aí para cheirá-lo?"

Eu sorri.

"Não, porque você ia querer ficar com o paletó, e eu tenho que devolver. Mas só amanhã, o que significa que eu ainda tenho pelo menos doze horas com ele."

"Eu acho que esta semana você precisa conversar com Tenten sobre os motivos de você ter tanto medo de um cara por quem se sente atraída", Sai sugeriu, "que o máximo que consegue é ficar acariciando o paletó dele. Quando o cara não está dentro do paletó."

Eu fiquei instantaneamente na defensiva.

"Eu já lhe disse, ele é um inimigo da família e eu..."

"Conversa mole", Sai me interrompeu. "Você não teve nenhum problema em mandar sua família para o inferno quando quis ficar com o Sasori."

"É, e como nós pudemos perceber, minha família tinha razão."

"Não importa. Você tem o direito de ficar com quem quiser. Eu não acho que você está com medo da reação da sua família. Eu acho que é outra coisa." Uma pausa longa, especulativa, e então ele perguntou com delicadeza, "Foi tão ruim assim com o Sasori, querida?"

Eu nunca contei para o Todd como meu marido tinha me agredido fisicamente. Eu ainda não tinha chegado a um ponto em que conseguia conversar à vontade sobre aquilo com alguém a não ser Naruto, Hinata ou a terapeuta. A preocupação na voz de Sai quase acabou comigo. Eu tentei responder, mas demorei uma eternidade para conseguir produzir algum som com minha garganta apertada.

"Foi", eu suspirei, afinal. Meus olhos ficaram cheios de água e eu os limpei com a mão. "Foi muito ruim."

Então foi a vez de Sai esperar um pouco, antes de conseguir falar.

"O que eu posso fazer?", ele apenas perguntou.

"Você está fazendo. Está sendo meu amigo."

"Sempre."

Eu sabia que ele estava sendo sincero. E me ocorreu que a amizade era muito mais confiável, para não dizer durável, que o amor.

Nem demorei tanto kkkkkk

Capitulo dedicado as lindas Lary, Daniele Uchiha e minha diva Obsidiana Negra!

Obrigada pelos comentários e incentivos!

Ate a próxima!