Todos os personagens pertencem a Masashi Kishimoto. A história é de autoria de Lisa Kleypas do seu livro A Redenção – Série The Travis Family.

Essa fanfic é uma adaptação.

Capitulo 11

Mei Terumi me olhou daquele jeito ao qual eu já estava acostumada, que dizia que ela não queria ser interrompida. Mas sua voz soou calorosa e amigável.

"Sakura, que bom encontrá-la aqui! Está se divertindo?"

"Não tenho palavras para descrever", respondi. Aquela definitivamente não era minha noite. De todas as pessoas com quem Sasuke podia se envolver, tinha que ser com minha chefe dos infernos. O destino estava tentando me mostrar que aquilo não ia funcionar de jeito nenhum.

Sasuke apoiou o copo no balcão.

"Sakura...", ele começou.

"Olá, Sr. Uchiha", eu disse com frieza. "Tenham uma boa noite, vocês dois. Eu já estou de saída."

Sem dar chance de reação a Mei ou a Sasuke, eu me virei e comecei a abrir caminho entre a multidão. Sentindo náuseas e pálida de raiva, eu percebi que minha família estava certa quanto a Sasuke. Ele era um problema do qual eu não precisava.

Eu já tinha cruzado metade do salão quando senti que ele estava atrás de mim, tocando no meu braço. Fiquei rígida e virei para encará-lo. O rosto dele estava duro como granito.

"Volte para Mei", eu disse para ele. "Se ela pensar que eu o tirei dela, vou ter que limpar o banheiro do escritório durante a próxima semana inteira."

"Eu não estava com ela. Eu só estava tomando uma bebida. Eu deveria ficar esperando sozinho no canto enquanto você se decidia a meu respeito?'

"Não, no canto, não", eu o fuzilei com os olhos. "Mas você podia ter esperado pelo menos cinco minutos antes de encontrar uma substituta."

"Ela não era uma substituta. Eu estava esperando por você. E você precisou bem mais do que cinco minutos para decidir se queria dançar comigo. Não vou aceitar esse tipo de tratamento de você nem da sua família, Sakura."

"Depois do que você fez, o que estava esperando? Flores e tapete vermelho? Eles têm todo direito de desconfiar dos seus motivos."

"E quanto a você? Quais você acha que são meus motivos?"

"Eu não acredito que você quer que eu responda na frente de toda essa gente."

"Então vamos para algum lugar reservado", ele disse por entre os dentes crispados. "Porque eu juro por Deus que quero essa resposta."

"Tudo bem", minha cabeça paralisou, congelada de pânico, quando eu o senti pegar meu pulso. Da última vez que fui agarrada por um homem furioso, eu acabei no hospital. Mas o jeito que ele me segurava, embora firme, não machucava. Eu me obriguei a relaxar e fui com ele em meio à multidão.

Uma cantora entoava "Summertime", a melodia sensual e quente que nos envolvia como fumaça.

Eu estava em um tipo de torpor quando saímos do salão e atravessamos a confusão na recepção. Nós chegamos a um conjunto de portas, mas fomos obrigados a parar quando alguém entrou no nosso caminho. Naruto. Os olhos dele chamejaram como relâmpagos engarrafados quando ele passou os olhos por nós, sem perder nenhum detalhe, incluindo o modo como Sasuke agarrava meu pulso.

"Você precisa de mim?", Naruto perguntou em voz baixa.

Sasuke parecia estar pronto para cometer um homicídio.

"Ela está bem", ele respondeu.

Meu irmão não ligou para ele e manteve o olhar em mim. Eu senti uma onda de gratidão por Naruto, e entendia como era difícil para ele me deixar sair com um homem que desprezava. Mas Naruto sabia que a escolha era minha. Ele estava lá para oferecer ajuda se eu precisasse.

"Está tudo bem", eu o tranquilizei. "Não preciso de nada."

Meu irmão anuiu, embora fosse óbvio que ele estava se esforçando para não interferir. Quando saímos de perto dele, Naruto ficou olhando para mim como se estivesse me vendo ir embora com o próprio Lúcifer. Eu sabia que Naruto temia por mim. Ele não confiava em Sasuke Uchiha.

Pensando bem, eu também não.

Sasuke me puxou para além do conjunto de portas e dobrou uma esquina, entrando mais fundo no prédio até nós finalmente pararmos em algum tipo de escadaria de serviço, que cheirava a concreto, metal e umidade. O lugar era silencioso, a não ser por um som de goteira e pelo ritmo irregular da nossa respiração. Uma luz acima projetava um brilho fluorescente incerto sobre nós. Sasuke me encarou, imenso e sombrio, contra a parede de concreto.

"Agora", ele disse, brusco. "Diga-me o que você não queria dizer lá dentro."

Então eu falei.

"Acho que se eu não fosse uma Uzumaki, você não me daria nem bom dia. Eu acho que você quer mostrar para o meu irmão Naruto que, se ele ficou com a Hinata, você vai se vingar dele dormindo com a irmãzinha. Eu acho que você tem mais motivos escusos do que quer admitir para si mesmo. Eu acho..."

Eu parei com uma exclamação quando ele me agarrou. Uma sensação selvagem me agitou, um misto de medo, raiva e, inacreditavelmente, excitação.

"Errado", ele vociferou, com o sotaque forte e marcado pelo desdém. "Eu não sou assim tão complicado, Sakura. A verdade é que eu te quero desde que a conheci naquela maldita adega. Porque aqueles cinco minutos com você me deram mais prazer e tesão do que todo o tempo que já fiquei com qualquer mulher antes ou depois. Não tenho nenhum plano secreto contra sua família, Sakura. Nenhum motivo escuso. Falando claramente, eu só estou interessado em te comer até passar mal."

Meu rosto ficou rígido de espanto. Antes que eu pudesse encadear algumas sílabas coerentes, Sasuke me beijou. Eu o empurrei e ele levantou a boca. Sasuke murmurou algo que me pareceu obsceno, mas eu não consegui ouvir direito com o pulso latejando nas orelhas.

Ele pegou minha cabeça com as duas mãos, e seus dedos se curvaram ao redor do meu crânio. Os lábios dele encontraram os meus outra vez. Seu gosto e seu calor eram insuportavelmente doces enquanto sua língua penetrava na minha boca. O prazer daquilo passou gritando por mim, a fome atingindo uma fome igual, fazendo tudo pegar fogo. Eu me abri para ele, e tremia tanto que mal conseguia ficar em pé. Sasuke passou o braço ao meu redor, protegendo minhas costas do toque frio do concreto, enquanto sua outra mão desceu pela frente do meu corpo. Eu retribuí o beijo, lambendo dentro de sua boca do mesmo modo que ele fazia com a minha. Eu estava com muitas sensações, perdendo o controle.

Ele afastou a boca da minha, procurando apressado a lateral do meu pescoço. O maxilar barbeado raspando na minha pele enviou choques de deleite até o meu ventre. Eu o ouvi murmurar alguma coisa dizendo que, se eu frequentei uma faculdade de elite, devia pelo menos ser esperta o bastante para saber quando um homem quer ir para a cama comigo. Só que ele disse isso de forma muito mais grosseira.

"Eu não sou um cavalheiro", ele continuou, agarrando meu corpo, sua respiração quente no meu corpo. "Eu não sei levar você para a cama com palavras bonitas ou boas maneiras. Tudo que eu posso dizer é que eu te quero mais do que jamais quis uma mulher. Eu desrespeito qualquer lei para ficar com você. Se você tivesse ido comigo na noite em que nos conhecemos, eu teria te levado para Galveston e ficado com você lá uma semana. E iria fazer de tudo para que você nunca mais quisesse ir embora."

Conforme o braço atrás de mim arqueou meu torso para cima, percebi que ele tinha puxado a alça do meu vestido, deixando meu seio nu. Ele o envolveu com a palma da mão, e com o polegar ficou provocando o bico até ficar duro e rosado, e então ele se abaixou para tocá-lo com a língua. Eu arqueei as costas, arfando, enquanto ele beijava o mamilo ereto, fechando a boca sobre a carne rígida. Ele chupava com cadência, enviando ondas de prazer pelo meu corpo, lambendo entre cada chupada. Eu segurei a cabeça dele perto de mim, lágrimas ardendo nos cantos dos meus olhos porque a sensação era muito boa. Ele se ergueu e voltou a colar sua boca à minha, o beijo intenso e entorpecente.

"Me deixe entrar na sua cama", ele murmurou. "Eu faço de qualquer jeito que você quiser... devagar, demorado, forte, suave... Inferno, eu até tento fazer como um cavalheiro, se é isso que funciona para você. Você acha que eu te quero porque é uma Uzumaki? Eu queria que você fosse qualquer pessoa, menos uma porra de uma Uzumaki. Sua gente me olhou com desprezo minha vida toda."

"Eu nunca desprezei você", rebati, tremendo de frustração e desejo. "Se você soubesse alguma coisa sobre mim, nunca pensaria isso."

"Então qual é o problema?", ele rugiu. "Seu ex-marido? Ainda gosta dele?"

"Não", minhas mãos seguravam as dobras da lapela dele, meus dedos se agarrando ao tecido liso.

"Diga que você não me quer. Diga, e eu deixo você em paz."

"Eu não sou boa nisto", eu explodi. "Meu Deus, isso não é óbvio? Sasori foi o único homem com quem eu dormi. Não consigo levar isto na brincadeira."

Eu não pretendia admitir aquilo. Mas eu estava indefesa, exposta, com medo de que não conseguiria aguentar a dor do modo como Sasuke iria me magoar. Sexo, dor e medo estavam misturados na minha cabeça.

Sasuke ficou imóvel. Em um momento contundente, tudo mudou. Ele ergueu meu rosto, sua mão apoiada na minha nuca. Seus olhos estavam mais escuro, enquanto ele me encarava. Aos poucos seu toque foi ficando mais delicado, tornando-se protetor, e sua mão livre acariciou a pele arrepiada no meu braço. Eu percebi que ele estava atônito. Não tinha lhe ocorrido que eu talvez fosse inexperiente demais para saber como jogar aquele jogo.

"Sakura...", a delicadeza na voz dele piorou ainda mais meu tremor. "Eu não sabia. Eu pensei..."

"Que eu era uma garota mimada de River Oaks? Uma esnobe..."

"Calma."

"Mas eu..."

"Calma!"

Eu fiquei em silêncio e deixei que ele me abraçasse. Fui engolida pelos braços dele, presa contra aquele peito duro. Parte de mim queria escapar. A outra parte ansiava por aquilo, por ser segura, tocada. Ele acariciou meu cabelo, e as pontas dos dedos se moveram com delicadeza pela curva do meu crânio. Eu senti alguma coisa ceder, uma rigidez interna se dissolvendo.

Nós balançamos um pouco parados ali, de pé, como se as sensações fossem uma corrente marítima que nos empurrava. Sasuke abrigou o rosto no meu pescoço. Eu me virei para encontrar sua boca, e ele me deu o que eu queria, beijando-me com um apetite lento até eu ficar fraca e tonta. O braço dele ao meu redor estava firme, oferecendo aconchego e apoio. Com a mão livre ele segurou as dobras do meu vestido e levantou o tecido.

Eu dei um pulo quando a mão dele se fechou sobre o meu quadril nu. Ele beijou minha garganta e disse coisas que eu não entendi por inteiro, frases carinhosas, palavras para me tranquilizar, acalmar, enquanto afastava minhas coxas. Ele me tocou, abrindo-me ternamente, a ponta de um dedo se movendo sobre a carne em círculos provocantes, cada vez menores até alcançar o centro.

Eu me contorci, desamparada, enquanto ele acariciava aquele ponto latejante, sem parar, e cada vez que os calos de seu dedo passavam pela superfície molhada do meu clitóris, um soluço de prazer subia pela minha garganta.

Eu me derreti nele, gemendo, enquanto a necessidade de sexo, de ser preenchida, pulsava através de mim. Virando minha boca para a dele, deixei que me beijasse tão fundo quanto quisesse, acolhendo as estocadas agressivas de sua língua. A mão esquerda dele me soltou e foi para os fechos de sua calça... e foi aí que o desastre aconteceu.

Quando eu o senti tão imenso e duro em mim, todo o prazer desapareceu. Apenas... desapareceu.

De repente, tudo que eu podia ver, ouvir, sentir, era aquela última vez com Sasori, a dor excruciante, as estocadas brutais que só eram amenizadas pela lubrificação do meu próprio sangue. Minha garganta e meu estômago pulsaram de náusea, e o corpo masculino junto ao meu se tornou repulsivo, seu peso insuportável, e eu comecei a me debater sem pensar.

"Não", eu gemi, me virando, empurrando-o com força. "Não. Eu não quero. Eu não quero. Eu...", percebendo que minha voz estava ficando mais alta, eu mordi o lábio para ficar quieta.

"O que foi?", ouvi Sasuke perguntar, sua respiração ofegante saindo com dificuldade.

Eu estava tremendo, hostil, com cada célula do meu corpo entrando em modo de autodefesa.

"Me deixe em paz!", eu estrilei. "Tire suas mãos de mim." Eu briguei com meu vestido, tentando recolocá-lo no lugar com dedos que tremiam violentamente.

"Sakura...", a voz dele estava irregular. "Eu machuquei você? O que foi?"

"Eu não sou de trepar em lugares públicos", eu disse com frieza, indo na direção da porta. Se ele me tocasse de novo eu iria desmoronar... eu ficaria louca. "E não gosto de ser pressionada."

"Como se eu tivesse te pressionado. Você estava querendo."

"Não se iluda, Sasuke."

Ele estava corado, perigosamente excitado e irritado demais. Aos poucos, ele começou a colocar sua própria roupa no lugar. Quando ele falou de novo, sua voz estava baixa e controlada.

"Existe uma palavra, Sakura, para o tipo de mulher que faz o que você está fazendo."

"Tenho certeza que você conhece muitas palavras interessantes", eu disse. "Talvez você devesse ir dizê-las para alguma mulher que esteja interessada."

E antes que ele pudesse responder, eu saí pela escada como se estivesse fugindo de uma prisão.

Não sei como eu encontrei o caminho de volta ao teatro modular, com os sons de dança e risos rodopiando à minha volta. Fiquei apavorada ao perceber o quanto as coisas estavam erradas comigo, que eu não conseguia tolerar a ideia normal de fazer sexo com um homem pelo qual eu me sentia atraída. Eu me senti humilhada pelo modo como tinha acabado de me comportar. Sasuke não tinha escolha senão pensar que eu era uma vaca que gostava de provocá-lo. Ele nunca mais iria querer nada comigo. Esse pensamento me deixou aliviada, de certa forma, mas ao mesmo tempo tive vontade de começar a chorar.

Sai logo me encontrou. Ele estava conversando com um sujeito no bar, passeando os olhos preguiçosamente pelo salão, quando me viu entrar. Ele se aproximou de mim, com os olhos focados no meu rosto pálido e nos lábios inchados por beijos.

"Você está com cara de quem acabou de transar com os Dallas Cowboy s", ele disse. "Titulares e reservas."

"Por favor, você pode me chamar um táxi?", eu sussurrei.

A preocupação aqueceu os olhos negros dele.

"Eu vou levá-la para casa, querida. Venha, apoie-se em mim."

Mas eu me encolhi quando ele tentou colocar o braço nos meus ombros.

"Tudo bem", Sai continuou, tranquilo, como se não tivesse notado minha reação bizarra. "Por que você não pega meu braço e nós vamos até a saída?"

Ele me levou até o 1800 Main em seu BMW Coupé, não fez perguntas e manteve um silêncio confortável até nós chegarmos ao meu apartamento no sétimo andar. Sai havia decorado o local com uma mistura eclética de móveis antigos e algumas peças que ele não queria mais. Tons de creme e branco eram contrabalançados por madeira escura. E Sai ainda acrescentou alguns toques extravagantes, como o cartaz retrô com uma garota havaiana com o qual ele cobriu o lado de dentro da minha porta de entrada.

Vendo meu rosto transtornado, Sai pegou a manta de chenille verde no meu sofá e a colocou sobre os meus ombros. Eu me aninhei no canto do sofá e puxei os pés para dar espaço para ele.

"Deve ter sido uma dança e tanto", Sai comentou, desamarrando a gravata borboleta.

Ele a deixou solta ao redor do pescoço e relaxou no sofá ao meu lado, gracioso como um gato. "O que aconteceu?"

"Nós não dançamos", eu falei, entorpecida.

"Oh?"

"Ele me levou para um canto escuro em algum lugar. Uma escada de serviço."

"Apenas para o meu puro deleite, por favor, conte-me... ele é bom?"

Eu senti que meu rosto ficava roxo.

"Tão bom assim?", Sai perguntou.

Uma risada trêmula escapou da minha garganta. Eu não sabia se conseguiria colocar em palavras.

"Sabe quando alguém te beija, e você sabe que aquilo é só um degrau para outra coisa? Como se estivessem querendo apenas acabar logo com aquilo? Bem, Sasuke beija como se essa fosse a única coisa no mundo que ele quer fazer. Cada beijo é como um ato sexual completo", eu fechei meus olhos por um segundo, enquanto lembrava. "E ele gosta de segurar o rosto."

"Hummm. Adoro isso. E um dos seus irmãos flagrou vocês dois?"

"Não, fui eu. Eu ferrei com tudo. Entrei em pânico no meio da coisa."

Houve um silêncio demorado.

"Entrou em pânico como? O que você... Sakura, tira as mãos da frente do rosto e olha para mim. Sou eu, o Sai, pra mim você pode dizer o que aconteceu."

"Eu fiquei com medo. Mais do que com medo. Eu o empurrei e saí correndo o mais rápido que podia."

"Com medo do quê?"

"Eu senti o... você sabe, o... dele."

Sai me deu um olhar irônico ao ver minha hesitação.

"Entusiasmo?", ele sugeriu. "Pau? Bengala? Cacete? Ora, Sakura, não vamos conversar sobre isso como dois adolescentes."

Eu fiz uma careta de deboche.

"Minhas conversas não costumam ter ereção como assunto."

"Que pena...", ele disse. "As melhores conversas costumam ter. Continue, querida."

Eu inspirei fundo.

"Enquanto nós estávamos nos beijando, eu senti a ereção dele, e todo desejo desapareceu. Puf. Depois do que eu passei com o Sasori, sentir aquilo tem muitas conotações ruins para mim."

"O que foi que você passou?", ele perguntou em voz baixa. "Você nunca me contou. Embora eu tenha minhas suspeitas."

"Na noite em que eu deixei o Sasori...", eu desviei o olhar de Sai enquanto me obrigava a falar, "...nós fizemos sexo violento."

"Sexo violento?", Sai perguntou, "Ou estupro?"

"Eu não sei", eu estava me afogando em vergonha. "Quero dizer, nós estávamos casados. Mas eu não queria fazer, e ele me forçou, então eu acho..."

"Foi estupro", ele afirmou. "Não importa se você está casada ou não. Se você não quer fazer e alguém te força, é estupro. Puta merda, que vontade de matar aquele filho da puta!" O rosto de Sai estava sombrio, com uma fúria que eu nunca tinha visto antes, mas quando ele olhou para mim, sua expressão mudou.

"Sakura, querida... você sabe que se a mulher está pronta, excitada, não vai doer. Principalmente se o homem sabe o que está fazendo, e eu não tenho dúvida de que Sasuke sabe."

"É, mas ainda que minha razão saiba disso, meu corpo não sabe. Então, assim que eu senti aquela coisa enorme encostada em mim, eu só consegui sentir um pânico que me deixou cega. Eu fiquei com ânsia de vômito. Meu Deus", eu puxei mais a manta verde à minha volta, como se fosse um casulo.

"Você ainda não falou com a terapeuta sobre isso?"

Eu sacudi a cabeça.

"Nós ainda estamos trabalhando meus problemas de limites. E ela vai estar de férias pelas próximas duas semanas, então vou ter que esperar até ela voltar para me ajudar a lidar com isso."

"Sexo não envolve limites?"

Eu fiz uma careta para ele.

"Eu tinha coisas mais importantes do que sexo com que me preocupar."

Sai abriu a boca para replicar, mas pareceu pensar melhor a respeito e a fechou.

"Então", ele continuou depois de um instante, "bem quando as coisas estavam começando a ficar quentes, você disse ao Sasuke para parar."

"É", eu apoiei o queixo nos meus joelhos dobrados. "E eu... eu não fui muito legal com ele."

"O que ele falou? Qual foi a reação dele?"

"Ele não disse muita coisa. Mas deu para perceber que ficou furioso."

"Bem, é, os homens tendem a ficar muito frustrados quando são deixados na mão — sexualmente falando. Mas a questão é, o Sasuke não te machucou, certo? Ele não tentou te obrigar a fazer algo que não queria?"

"Não."

"Eu diria que isso significa que você estará segura com ele."

"Eu não me senti segura."

"Eu acho que neste momento, segurança não é um sentimento, é um processo. Que começa com confiança. Por que você não tenta contar para o Sasuke algumas das coisas que me contou?"

"Ele não vai conseguir lidar com isso. Eu sei que não. Ele vai estar a caminho da saída antes mesmo que eu termine de explicar o caso complicado que eu sou."

"Você não é um caso complicado", Sai disse, com calma, "e ele não é uma droga de um banana, Sakura. Eu acho que a razão de você se sentir atraída por ele é que, lá no fundo, sabe que ele pode lidar com qualquer coisa que você atirar nele."

"Mas e se ele não quiser?"

"Estas são suas opções: você pode dar a ele uma chance de ser um herói, ou pode pular fora sem nunca descobrir. E depois você vai ter que lidar com o mesmo problema com o próximo homem pelo qual se sentir atraída."

"Ou..."

"Ou o quê?"

Nervosa, eu umedeci os lábios.

"Eu poderia praticar com você primeiro."

Eu nunca tinha visto o Sai ficar sem palavras. Mas ele arregalou os olhos, abriu e fechou a boca, como um peixe, por pelo menos dez segundos.

"Você está me pedindo para transar com você?", ele conseguiu dizer, afinal.

Eu anuí.

"Se eu vou entrar em pânico ou vomitar no meio da coisa, prefiro estar com você. E se eu conseguir ir até o fim com você, já sei que vou conseguir com o Sasuke."

"Oh, merda", Sai começou a rir meio sem jeito, pegou minha mão e beijou a palma. "Querida. Sakura. Não", ele continuou segurando minha mão e deitou a face delicadamente na minha palma. "Eu adoraria ajudá-la com isso, querida amiguinha, e me sinto honrado por você ter pedido. Mas neste momento você não precisa de um pinto amigo. Você precisa de muito mais que isso. E, em algum lugar, não muito longe daqui, tem um enorme casca-grossa de olhos ônix morrendo de vontade de te mostrar o que é bom para tosse. Se eu fosse você, daria uma chance a ele", senti o sorriso dele na borda da minha mão quando acrescentou, "isso se você conseguir ignorar o fato de ele ser tão feio e magricela, é claro."

Quando ele soltou a minha mão, eu a fechei, como se o beijo de Sai fosse uma moeda da sorte.

"Sai, quando você dançou com a Hinata... ela falou alguma coisa sobre o Sasuke?"

Ele anuiu.

"Hinata me falou que, apesar daquela coisa que aconteceu com o negócio do Naruto, ela não vê perigo em você e Sasuke se interessarem um pelo outro. Baseada no que ela sabe dele do tempo em que os dois moraram naquela cidadezinha de merda..."

"Welcome."

"Isso, tanto faz", Sai não era nem um pouco fã da vida em cidades pequenas. "Baseada nisso, Hinata não acha que ele vá te machucar. Ela me contou que Sasuke sempre se esforçou para sair do caminho dela para não a iludir, e que ele fazia o possível para ajudá-la. Na verdade, ela acredita que vocês dois podem fazer bem um ao outro."

"Não consigo ver como", eu disse, melancólica, "se eu não consigo nem ficar perto da ereção dele sem surtar."

Sai sorriu.

"Um relacionamento vai um pouco além de uma ereção. Se bem que, se você quiser minha opinião... saber o que fazer com uma é um bom problema para se ter."

Depois que Sai foi embora, eu tomei um banho demorado, vesti um pijama de flanela e me servi uma taça de vinho. Imaginei onde Sasuke estaria naquele momento, se ele tinha ficado no teatro depois que eu fui embora.

A tentação de ligar para ele era quase avassaladora, mas eu não tinha certeza do que queria falar, nem de quanto eu conseguiria me explicar.

Eu retomei meu lugar no canto do sofá e fiquei encarando o telefone em seu berço. Eu queria ouvi a voz de Sasuke. Relembrei aqueles momentos febris na escada antes de ficar com medo, quando a boca e as mãos dele passearam por mim, devagar, com carinho... foi tão bom. Tão inacreditavelmente bom...

O telefone tocou.

Assustada, eu coloquei o vinho de lado, quase derrubando-o na minha pressa. Agarrei o telefone e respondi com alívio ofegante.

"Alô?"

Mas a voz não era do Sasuke.

"Oi, Hana."

Não ia postar hoje, mais depois do capitulo de The Deal da minha diva Obsidiana Negra e der me deixado com um fio de esperança que o Sasuke possa descobri a verdade, não resisti e postei logo kkkkk

Obsidiana Negra suas adaptações são as melhores, ansiosa pelos próximos capítulos .

E esse capitulo de hoje é dedicado a vocês que acompanham minha adaptação *...*