Todos os personagens pertencem a Masashi Kishimoto. A história é de autoria de Lisa Kleypas do seu livro A Redenção – Série The Travis Family.

Essa fanfic é uma adaptação.

Capitulo 14

Eu apareci para trabalhar às oito e meia da manhã seguinte e fui imediatamente rodeada por Rin, Kurenai, Lee e Shikamaru. Todos demonstraram alívio por eu estar bem e perguntaram sobre a inundação, como tinha sido ficar presa no elevador e como eu saí.

"Eu consegui telefonar para um amigo antes que a bateria do telefone acabasse", expliquei. "Ele apareceu e... bem, tudo ficou bem depois disso."

"Foi o Sr. Uchiha, não foi?", Lee perguntou. "Shino me contou."

"Sr. Uchiha, o morador deste prédio?", Rin perguntou e sorriu quando eu confirmei, constrangida.

Mei veio até o meu cubículo, parecendo preocupada.

"Sakura, você está bem? A Temari me ligou e contou o que aconteceu noite passada."

"Estou bem", eu disse. "Pronta para o trabalho, como sempre."

Ela riu. Talvez eu tenha sido a única a notar um tom condescendente na voz dela.

"Você é valente, Sakura. Que ótimo."

"A propósito", Rin falou, "nós recebemos meia dúzia de ligações esta manhã, perguntando se você é a mulher do elevador. Eu acho que a imprensa local quer aproveitar para fazer um drama com uma Uzumaki. Então eu banquei a boba e disse que, pelo que eu sabia, não era você."

"Obrigada", eu agradeci, percebendo que Mei tinha estreitado os olhos ligeiramente. Embora eu não gostasse de ser uma Uzumaki, ela gostava ainda menos.

"Muito bem, pessoal", Mei disse, "vamos voltar ao trabalho." Ela esperou até os outros saírem do meu cubículo antes de continuar, "Sakura, por favor, venha ao meu escritório para nós tomarmos um café e discutirmos sua reunião com Temari."

"Mei, sinto muito, mas eu não vou conseguir me lembrar de tudo que falamos."

"Está no seu computador, não está?"

"Eu não tenho mais o computador", eu disse, em tom de desculpa. "Ele afundou."

Mei suspirou.

"Oh, Sakura. Eu gostaria que você tomasse mais cuidado com material da empresa."

"Desculpe, mas não foi possível salvá-lo. A água estava subindo e..."

"Consulte suas notas, então. Você tomou notas, não tomou?"

"Tomei, mas estavam na minha pasta... e tudo nela foi perdido. Vou ligar para Temari e tentar reconstruir nossa reunião o melhor que eu puder, mas..."

"Falando sério, Sakura, você não podia ter cuidado melhor da sua pasta?", ela me deu um olhar de censura. "Precisava entrar em pânico e deixar tudo cair?"

"Mei", eu disse, com cuidado, "a inundação do elevador foi mais do que uma poça de água no chão", era óbvio que ela não tinha entendido o que aconteceu, mas a última coisa que se podia dizer para Mei era que ela não tinha entendido algo.

Ela revirou os olhos e sorriu como se eu fosse uma criança inventando histórias.

"Com sua disposição para o drama, não dá para saber o que realmente aconteceu."

"Ei!", uma voz tranquila e profunda nos interrompeu. Gaara. Ele entrou no cubículo e Mei se virou para ele. Com os dedos esguios, ela graciosamente prendeu uma mecha de seu cabelo ruivo e perfeito atrás da orelha.

"Olá, Gaara."

"Olá para você também", ele entrou e me observou com cuidado, depois esticou os braços e me puxou para o peito em um abraço breve. Eu fiquei um pouco rígida. "É, não ligo a mínima para o fato de você não gostar de ser tocada", Gaara disse, continuando o abraço. "Você me deu um susto enorme noite passada. Eu passei no seu apartamento há alguns minutos e não tive resposta. O que você está fazendo aqui?"

"Eu trabalho aqui", eu disse com um sorriso forçado.

"Hoje não. Você vai tirar o dia de folga."

"Eu não preciso", protestei, consciente do olhar pétreo de Mei.

Gaara finalmente me soltou.

"Precisa, sim. Relaxe. Tire uma soneca. E depois ligue para Naruto, Deidara, papai e Sai... todo mundo quer falar com você. Ninguém te ligou em casa porque acharam que estava descansando."

Eu fiz uma careta.

"Vou ter que repetir toda a história quatro vezes?"

"Receio que sim."

"Gaara", Mei interrompeu cheia de doçura, "não acho que seja necessário fazer Sakura tirar o dia de folga. Nós vamos tomar conta dela. E isso pode ajuda-la a não pensar no trauma de ficar presa no elevador."

Gaara olhou de modo estranho para Mei.

"Ela não ficou só presa no elevador", ele rebateu. "Minha irmã ficou aprisionada como um peixe num balde. Eu conversei com o sujeito que a tirou de lá, na noite passada. Ele disse que a cabine do elevador estava quase cheia de água e totalmente escura. E que ele não conhece outra mulher que teria enfrentado aquilo tão bem quanto Sakura."

Sasuke disse isso a meu respeito? Fiquei agradecida e lisonjeada... e também fascinada pelas contrações rápidas e sutis que se operaram no rosto da Mei.

"Ora, é claro que você deve tirar o dia de folga!", ela exclamou, assustando-me ao passar o braço pelos meus ombros. "Eu não fazia ideia de que tinha sido tão ruim, Sakura. Você deveria ter me contado." Ela me deu um aperto afetuoso. O aroma seco e caro de seu perfume e a sensação de seu braço ao meu redor fizeram minha pele arrepiar. "Pobrezinha. Vá para casa descansar. Posso fazer alguma coisa por você?"

"Obrigada, mas não", eu disse e me afastei dela. "Falando sério, eu estou bem. E quero ficar."

Gaara me deu um olhar afetuoso.

"Pode ir andando, querida. Você vai tirar o dia de folga."

"Eu tenho uma tonelada de coisas para fazer", protestei.

"Não ligo a mínima. Tudo vai continuar aqui amanhã. Certo, Mei?"

"Certo", ela disse, bem-disposta. "Pode acreditar, não vai ser problema cobrir a falta da Sakura hoje", ela deu um tapinha nas minhas costas. "Cuide-se, querida. E pode me ligar se precisar de qualquer coisa."

Os saltos altos dela deixaram buracos fundos no carpete do escritório quando ela saiu.

"Eu deveria mesmo ficar", falei para Gaara.

A expressão dele era incoercível.

"Vá visitar o papai", ele disse. "Ele quer te ver. E não faria mal a nenhum de vocês dois se tentassem conversar como duas pessoas civilizadas, só para variar."

Soltei um grande suspiro e peguei minha bolsa.

"Tudo bem. Tem faltado agitação na minha vida mesmo."

Enfiando as mãos nos bolsos, Gaara apertou os olhos para mim.

"Ei...", ele começou, a voz baixa, "o Uchiha tentou alguma coisa com você, noite passada?"

"Você está perguntando como amigo ou como irmão?"

Ele precisou refletir a respeito.

"Amigo, eu acho."

"Muito bem", eu continuei com o sussurro mais baixo possível. "Eu tentei alguma coisa com ele, e fui rejeitada. Ele disse que não queria se aproveitar de mim."

Gaara piscou, incrédulo.

"Ora, vejam só."

"Ele foi muito autoritário", eu reclamei, azeda. "E essa atitude de 'Eu sou o homem, eu é que decido' não funciona muito bem comigo."

"Sakura, ele é texano. Nós não somos conhecidos por nosso tato e sensibilidade. Se você quer encontrar um cara assim, vá procurar um metrossexual. Ouvi dizer que existem muitos em Austin."

Um sorriso relutante surgiu em meio à minha indignação.

"Aposto que você nem sabe o que é um metrossexual, Gaara."

"Eu sei que não sou um", ele sorriu e sentou no canto da minha mesa. "Sakura, todo mundo sabe que não morro de amores pelo Sasuke Uchiha. Mas tenho que tirar o chapéu para ele neste momento. Ele fez a coisa certa."

"Como você pode defendê-lo?"

Os olhos verdes do meu irmão brilharam.

"Mulheres", ele disse. "Vocês ficam doidas quando um homem tenta algo com vocês, e ficam mais doidas quando ele não tenta. Juro que não dá para entender."

Alguns homens favorecem as filhas. Meu pai não é um deles. Talvez se tivéssemos passado mais tempo juntos, eu e papai poderíamos ter encontrado algo em comum, mas ele sempre foi ocupado demais, ambicioso demais. Ele conferiu a responsabilidade de criar a filha para o controle exclusivo da minha mãe, e não importa o quanto ela tenha tentado me moldar, é impossível fazer uma peça quadrada se encaixar em um buraco redondo.

E quanto mais minha mãe tentava me transformar no tipo certo de filha, mais minha atitude piorava. Minhas coisas que ela considerava não femininas — meu estilingue, minha pistola de chumbinho, meu conjunto de caubói e índio, meu boné de beisebol dos Rangers, que Deidara tinha me dado — desapareciam ou eram doadas. "Você não vai querer isso", ela dizia quando eu reclamava. "Essas coisas não são próprias para garotinhas."

As duas irmãs da minha mãe foram simpáticas à causa dela, já que era óbvio que eu era um caso perdido. Mas eu desconfiava que secretamente elas se compraziam com aquela situação. Embora seus maridos não tivessem sido capazes de comprar uma mansão para elas em River Oaks, as duas foram capazes de produzir minhas primas Karin, Shion e Matsuri, todas perfeitas damas em miniatura. Mas minha mãe, que podia ter tudo o que queria nesse mundo, teve que se contentar comigo.

Eu sempre soube que nunca teria frequentado a Wellesley se minha mãe estivesse viva. Ela sempre foi uma antifeminista convicta, embora eu não tenha certeza de que ela própria soubesse os motivos. Talvez porque o sistema tenha sempre funcionado para ela, esposa de um homem rico. Ou talvez porque acreditasse que não era possível alterar a ordem das coisas, dada a natureza dos homens, e ela não era de ficar dando murro em ponta de faca. E muitas mulheres da geração dela acreditaram que tolerar discriminação era uma virtude.

Qualquer que fosse o motivo, eu e minha mãe tínhamos nossas diferenças. Eu me sentia culpada porque a morte dela tinha permitido que eu tivesse meus próprios valores e que eu fosse para a faculdade que queria. Meu pai não gostou muito disso, é claro, mas ele estava sofrendo demais para discutir. E é bem provável que a minha saída do Texas tenha sido um alívio para ele.

A caminho de River Oaks, telefonei para o meu pai, para ter certeza de que ele estaria em casa. Como meu carro tinha sido destruído pela inundação da garagem, eu dirigia um alugado. Fui recebida na entrada pela governanta, Chiyo.

Ela trabalhava para os Uzumaki desde que eu me conhecia por gente. Ela já era velha quando eu era criança, com o rosto marcado por sulcos onde dava para esconder uma moeda.

Chiyo foi para a cozinha e eu fui atrás do meu pai, que descansava na sala íntima. O aposento era tão grande que seria possível estacionar um tanque de guerra ali, e ostentava uma lareira em cada extremidade. Ele estava em um dos cantos, relaxando no sofá com os pés para cima.

Eu e meu pai não tínhamos passado algum tempo juntos de verdade desde o meu divórcio. Nós nos encontramos durante visitas curtas, com outras pessoas presentes. Parecia que nós dois sentíamos que uma conversa particular entre nós não valia o sofrimento.

Quando olhei para o papai, me dei conta de que ele estava envelhecendo. Seu cabelo tinha mais fios brancos que grisalhos, e seu bronzeado tinha desbotado, evidência de que passava menos tempo ao ar livre. E ele tinha um ar acomodado, a expressão de um homem que parou de se esforçar e tentar alcançar alguma coisa que está logo ali.

"Oi, pai", eu me inclinei para beijá-lo no rosto e me sentei ao lado dele.

Seus olhos claros me inspecionaram com cuidado.

"Parece que você está inteira", ele constatou.

"Inteirinha", sorri para ele. "Graças a Sasuke Uchiha."

"Você ligou para ele, foi?"

Eu sabia aonde aquilo ia dar.

"Liguei. Por sorte eu estava com meu celular." Antes que ele continuasse aquela linha de interrogatório, eu tentei despistá-lo. "Acho que vou ter uma boa história para contar para minha terapeuta quando ela voltar de férias."

Papai franziu a testa, desaprovando o que ouvia — como eu sabia que faria.

"Então você está enfiando a cabecinha nas mãos de um médico?", ele perguntou.

"Não diga 'enfiando a cabecinha', pai. Eu sei que é assim que as pessoas costumavam se referir a quem começava uma nova atividade, mas hoje tem um significado diferente."

"O que é?'

"É uma gíria para... bom... certas atividades na cama."

"Jovens", ele disse e meneou a cabeça.

Eu sorri para ele.

"Não fui eu quem inventou isso. Só estou tentando deixá-lo atualizado. Então... sim, estou indo a uma terapeuta, e ela me ajudou bastante até aqui."

"Isso é desperdício de dinheiro", meu pai resmungou, "pagar para alguém ouvir enquanto você reclama. Tudo que eles fazem é dizer o que você quer ouvir."

Pelo que eu sabia, meu pai não tinha o menor conhecimento a respeito de terapia.

"Você nunca me falou do seu diploma de Psicologia, pai."

Ele olhou feio para mim.

"Não diga às pessoas que você vai a uma terapeuta. Vão pensar que você tem algo de errado."

"Eu não fico envergonhada que os outros saibam que eu tenho problemas."

"Os únicos problemas que você tem são os que causou para si mesma. Como casar com aquele Sasori Akasuma, quando eu disse para não casar."

Sorri, pesarosa, enquanto refletia que meu pai nunca perdia uma oportunidade de dizer eu te disse.

"Eu já admiti que você estava certo quanto ao Sasori. Você pode continuar me lembrando disso, e eu vou continuar admitindo que estava enganada, mas não acho isso muito produtivo. Além do mais, você estava errado no modo como lidou com a situação."

Os olhos dele cintilaram de contrariedade.

"Eu fui fiel aos meus princípios. Faria tudo de novo."

Eu me perguntei de onde ele tinha tirado sua ideia de paternidade. Talvez ele achasse que era bom para seus filhos terem a figura de autoridade que ele próprio não teve. Seu medo de admitir um erro, sobre qualquer coisa, parecia uma força para ele. Mas parecia uma fraqueza para mim.

"Pai", eu disse, hesitante, "eu queria poder contar com você mesmo quando estou fazendo algo errado. Eu queria que você pudesse me amar mesmo quando estou metendo os pés pelas mãos."

"Isso não tem nada a ver com amor. Você precisa aprender que as nossas escolhas na vida têm consequências, Sakura."

"Eu já sei disso." Eu tinha enfrentado consequências que meu pai não fazia ideia. Se nós tivéssemos uma relação diferente, eu teria adorado me abrir com ele. Mas isso exigia um tipo de confiança que levava anos para se construir. "Eu não devia ter corrido para casar com Sasori", admiti. "Eu deveria ter pensado melhor. Mas não sou a única mulher que já se apaixonou pelo homem errado."

"Sua vida toda", ele disse, amargo, "tudo que você sempre quis fazer foi o contrário do que eu e sua mãe dizíamos. Você era mais difícil do que os três garotos juntos."

"Mas eu não queria ser difícil. Eu só queria sua atenção. Eu teria feito qualquer coisa para ter um pouco do seu tempo."

"Você é uma mulher adulta, Sakura Hana. E precisa superar o que teve ou não teve na infância."

"Eu estou superando", eu disse. "Cansei de esperar que você seja diferente do que é. Eu gostaria que você fizesse o mesmo por mim, e então talvez nós dois possamos parar de nos decepcionar um com o outro. De agora em diante, eu vou tentar fazer escolhas melhores. Mas se isso significa fazer algo que o irrite, que seja. Você não precisa me amar. Eu te amo de qualquer jeito."

Meu pai nem pareceu ouvir isso. Ele parecia decidido a descobrir alguma coisa.

"Eu quero saber o que está acontecendo entre você e Sasuke Uchiha. Você está namorando ele?"

Eu abri um sorriso contido.

"Isso é assunto meu."

"Ele tem uma reputação ruim", papai me alertou. "Ele leva a vida ao máximo. Não serve para casar."

"Eu sei", concordei. "Eu também não sirvo."

"Estou avisando, Sakura, ele vai te pisotear sem dó. Ele é um caipira irresponsável do leste do Texas. Não me dê outra razão para lhe dizer 'eu te disse'."

Eu suspirei e olhei para ele, aquele pai que sempre achava que sabia mais que todo mundo.

"Então me diz, papai... quem seria o cara certo para mim? Dê um exemplo de alguém que você aprovaria."

Reclinando-se no sofá, ele tamborilou os dedos grossos na barriga.

"O filho do Chouza Akimichi, Chouji. Ele vai ganhar muito dinheiro, algum dia. Bom caráter. Família sólida. Bem-apessoado, também."

Eu fiquei horrorizada. Eu fui para a escola com Chouji Akimichi.

"Pai, ele tem a personalidade mais mole, mais sem-graça de todo o mundo. Ele é o equivalente humano a almôndega fria."

"E quanto ao filho do Jashin no Sato?"

"Hidan no Sato? Antigo amigo do Deidara?"

Papai anuiu.

"O pai dele é um dos melhores homens que eu conheço. Temente a Deus. Trabalhador. E Hidan sempre teve os melhores modos dentre todos os jovens que eu conheço."

"Hidan virou um maconheiro, pai."

Meu pai pareceu ficar ofendido.

"Não virou, não."

"Pergunte ao Deidara, se não acredita em mim. Hidan no Sato é responsável, sozinho, pela receita anual de milhares de plantadores de maconha colombianos."

Meu pai meneou a cabeça, revoltado.

"Qual é o problema com esta geração?"

"Não tenho ideia", eu disse. "Mas se essas são suas melhores sugestões, pai... aquele caipira irresponsável do leste do Texas está me parecendo cada vez melhor."

"Se você começar algo com ele", meu pai disse, "faça-o entender que ele nunca vai colocar as mãos no meu dinheiro."

"Sasuke não precisa do seu dinheiro", eu tive prazer em dizer. "Ele tem o próprio dinheiro, pai."

"Ele vai querer mais."

Depois de almoçar com meu pai, voltei para o apartamento e tirei uma soneca. Acordei repassando a conversa que nós tivemos e meditando sobre a falta de interesse dele em qualquer comunicação verdadeira entre pai e filha.

Aquilo me deprimiu, saber que nunca receberia dele o mesmo tipo de amor que eu estava disposta a dar. Então telefonei para Sai e lhe contei sobre a visita.

"Você estava certo sobre uma coisa", eu disse. "Eu tenho mesmo um complexo paterno patético."

"Todo mundo tem, querida. Você não é especial."

Eu ri.

"Quer vir e tomar um drinque no bar?"

"Não posso. Tenho um encontro esta noite."

"Com quem?"

"Uma mulher muito gostosa", Sai disse. "Nós fazemos academia juntos. E você? Já fechou o acordo com o Sasuke?"

"Não. Ele disse que iria ligar hoje, mas até agora...", eu parei quando ouvi o toque de chamada em espera. "Talvez seja ele. Preciso ir."

"Boa sorte, querida."

Passei para a segunda chamada.

"Alô?"

"Como está se sentindo?", a voz arrastada de Sasuke fez despertar cada nervo meu.

"Ótima!", minha voz soou igual ao ar escapando de um balão. Eu pigarreei. "Como você está?... algum músculo distendido de ontem?"

"Não. Tudo funcionando."

Eu fechei os olhos e soltei a respiração enquanto absorvia o silêncio quente que se fez entre nós.

"Continua brava comigo?", Sasuke perguntou.

Não consegui segurar o sorriso.

"Acho que não."

"Então você vai sair comigo para jantar hoje à noite?"

"Vou", meus dedos apertaram com força o telefone. Eu pensei no que estava fazendo, concordando em sair com Sasuke Uchiha. Minha família teria um ataque.

"Eu gosto de jantar cedo", avisei.

"Eu também."

"Passa no meu apartamento às seis?"

"Estarei aí."

Depois que ele desligou, fiquei sentada pensando durante alguns minutos.

Eu sabia que meu pai diria que eu não fazia ideia de onde estava me metendo ao sair com Sasuke Uchiha. Mas quando se começa a sair com alguém, nunca se pode ter certeza daquilo em que se está envolvendo. É preciso dar uma chance para que a pessoa mostre quem ela realmente é... e acreditar nela quando mostrar.

Eu vesti jeans, saltos altos e uma blusa frente única cor de narciso com um fecho brilhante sustentando o corpete. Usando uma chapinha, arrumei meu cabelo até ele ficar brilhante e com as pontas todas viradas para cima. Como o tempo estava úmido, usei um mínimo de maquiagem. Só um toque de rímel e um brilho cor de cereja nos lábios.

Eu percebi, então, que estava muito mais nervosa com a ideia de dormir com Sasuke do que fiquei antes de dormir com Sasori, quando era virgem. Provavelmente porque, com o primeiro, você imagina ter um desconto por ser iniciante. E não ajudava o fato de eu ter feito há pouco tempo um teste intitulado "Você é Boa de Cama?" em uma revista feminina e tirado uma nota que me punha na categoria "Gata Inibida". As sugestões que a revista dava para eu melhorar minhas "habilidade carnais" pareciam, em sua maioria, anti-higiênicas, desconfortáveis ou simplesmente sem graça.

Quando ouvi a campainha, alguns minutos antes das seis, a tensão tinha crescido até me fazer sentir como se meu esqueleto inteiro tivesse sido preso com parafusos de metal. Eu abri a porta, mas não era Sasuke.

Lá estava meu ex-marido, vestindo terno e gravata, muito bem arrumado e sorridente.

"Surpresa", ele disse e agarrou meu braço antes que eu pudesse me mexer.

Continua!

Capitulo a todos que acompanham minha adaptação, muito obrigada!
Em especial a minha Diva Obsidiana Negra pelos comentários de sempre, Ana Luh e Lari que vivem me cobrando atualização rsrsrsrs

Obs Obsidiana Negra atualiza logo também suas adaptações, estou para não aguentar de curiosidade kkkkk