Todos os personagens pertencem a MasashiKishimoto. A história é de autoria de Lisa Kleypas do seu livro A Redenção – Série The Travis Family.

Essa fanfic é uma adaptação.

Capitulo 14

Eu recuei, tentando me soltar, mas ele me seguiu para dentro do apartamento. Sasori não perdeu o sorriso em nenhum momento. Eu consegui me livrar da mão dele e o encarei, tentando evitar que o medo aparecesse no meu rosto.

Eu estava no meio de um pesadelo. Pensei que aquilo não podia ser real, só que a angústia, o medo e a raiva me rodeavam como insetos, e aquele sentimento era conhecido demais. Tinha sido minha realidade por quase dois anos.

Sasori parecia saudável; em forma, um pouco mais cheio do que durante nosso casamento. O rosto mais arredondado lhe conferia uma infantilidade que não lhe caía bem. Mas de modo geral ele aparentava ser um homem conservador, respeitável e próspero. Apenas alguém que o conhecia tão bem quanto eu saberia do monstro que existia ali dentro.

"Eu quero que você vá embora, Sasori."

Ele soltou uma risada divertida, como se minha hostilidade contida fosse absolutamente inesperada.

"Meu Deus, Hana. Eu não a vejo há meses, e essa é a primeira coisa que você me diz?"

"Eu não o convidei. Como você descobriu meu apartamento? Como passou pela recepção?", Shino nunca deixava não moradores entrar no prédio sem primeiro obter aprovação.

"Eu descobri onde você trabalha e fui ao seu escritório. Conversei com a sua gerente, Mei. Ela me contou que você mora no prédio e até me deu o número do apartamento. E falou que eu podia subir. Boa garota. Disse que adoraria me mostrar Houston quando eu quisesse."

"Vocês dois têm muito em comum", eu disse apenas. Maldita Mei! Eu já tinha lhe contado o suficiente do meu passado para ela saber que eu não me dava bem com meu ex-marido. Não é de admirar que ela usasse a oportunidade para me causar problemas.

Sasori adentrou mais no apartamento.

"O que você quer?", eu perguntei, recuando.

"Só pensei em aparecer para dizer oi. Estou na cidade para uma entrevista de emprego numa companhia de seguros. Eles precisam de um avaliador. Tenho certeza que a vaga é minha; sou o melhor candidato para o posto."

Ele ia fazer entrevista para um emprego em Houston? Fiquei nauseada só de pensar naquilo. Uma cidade com população de dois milhões ainda não era grande o bastante para eu dividir com meu ex-marido.

"Não estou interessada no seu plano de carreira", tentei manter a voz equilibrada. "Você e eu não temos mais nada que ver um com o outro." Eu me aproximei do telefone. "Saia ou eu vou chamar a segurança do prédio."

"Pare com o drama", Sasori murmurou, revirando os olhos. "Eu vim lhe fazer um favor, Hana, se você me deixar falar..."

"Sakura", eu rosnei.

Ele meneou a cabeça, como se estivesse enfrentando uma criança pequenadando chilique.

"Tudo bem. Por Cristo. Eu estou com algumas coisas suas. E gostaria de devolvê-las."

"Que coisas?"

"Coisas como um lenço, uma bolsa... e aquela pulseira linda de berloques que era da sua tia Tsunade."

Eu fiz meu advogado pedir a devolução da pulseira, mas Sasori tinha afirmado que não encontrou. É claro que eu sabia que ele tinha mentido, mas a chance de recuperá-la me deixou balançada. Aquela peça do meu passado significava muito para mim.

"Ótimo", eu me ouvi dizendo, como se não fosse nada. "Onde ela está?"

"No meu hotel. Vamos marcar um encontro amanhã e eu a levo para você."

"É melhor você mandar entregar."

Ele sorriu.

"Você não pode ganhar algo sem me dar nada em troca, Sakura. Você pode recuperar suas coisas, incluindo a pulseira, mas tem que se encontrar comigo. Só para conversar. Um lugar público está ótimo, se é isso que você quer."

"Tudo que eu quero é que você vá embora." Eu me perguntei quando Sasuke apareceria. Provavelmente a qualquer minuto. E não dava para predizer o que aconteceria. Suor começou a surgir entre minha pele e as roupas, fazendo o tecido colar em alguns pontos. "Estou esperando alguém, Sasori."

Mas no mesmo instante eu soube que não deveria ter dito isso. Em vez de fazê-lo ir embora, aquilo garantiu que ele ficasse. Sasori queria ver quem era o próximo da fila.

"Você disse que não estava namorando."

"Bem, agora eu estou."

"Há quanto tempo você o conhece?"

Fiquei olhando impassivelmente para ele, recusando-me a responder.

"Ele sabe de mim?", Sasori insistiu.

"Ele sabe que sou divorciada."

"Você já trepou com ele?", o tom dele era delicado, mas havia desprezo e raiva no olhar.

"Isso não é da sua conta."

"Talvez ele tenha mais sorte do que eu para derreter o seu gelo."

"Talvez ele já tenha tido mais sorte", eu retruquei, e tive a satisfação de vê-lo arregalar os olhos com uma surpresa furiosa.

Eu vi movimento, alguém chegando à porta... a figura grande e esguia de Sasuke. Ele se deteve por um instante, avaliando a situação. E estreitou os olhos quando Sasori se virou para ele.

Eu vi que Sasuke entendeu no mesmo instante quem era meu visitante. Ele percebeu pela hostilidade pesada que pairava no ar e pela palidez do meu rosto.

Eu nunca pensei em fazer comparações físicas diretas entre os dois. Contudo, com ambos juntos na mesma sala, era impossível não fazer. Falando objetivamente, Sasori era mais bonito, com feições mais delicadas, mais perfeitas.

Mas a aparência masculina e a autoconfiança de Sasuke faziam Sasori parecer juvenil.

Imaturo.

Enquanto Sasori estudava Sasuke, sua postura agressiva se amenizou, e ele chegou a recuar meio passo. Qualquer que fosse o tipo de homem que Sasori estava esperando que eu namorasse, não era aquele. Meu ex-marido sempre se sentiu superior a todo mundo — eu nunca o tinha visto tão visivelmente intimidado.

Ocorreu-me que Sasuke, um homem experiente e forte, era a versão autêntica do que Sasori estava sempre fingindo ser. E como no fundo Sasori sabia que era uma fraude como homem, de vez em quando ele sofria aqueles surtos explosivos de raiva, como o que me vitimou.

Sasuke entrou no apartamento e veio até mim sem hesitação, roçando em Sasori. Eu estremeci quando ele passou o braço à minha volta, seus olhos mais escuros quando me encarou.

"Sakura", Sasuke murmurou. O som da voz dele pareceu destravar uma braçadeira apertada ao redor dos meus pulmões — eu não tinha consciência de que estava segurando a respiração. Eu inspirei um pouco de ar. A mão dele me apertou e eu senti um pouco da vitalidade de Sasuke entrar em mim como uma corrente elétrica.

"Para você", Sasuke disse e colocou algo na minha mão. Eu baixei os olhos para ver o que ele me oferecia. Flores. Um lindo buquê de cores variadas, cheirosas e farfalhando no papel que as envolvia.

"Obrigada", eu consegui dizer.

Ele apenas sorriu.

"Coloque-as na água, querida", e então, para meu grande espanto, senti ele me dar um tapinha no traseiro, bem na frente do Sasori. O clássico sinal masculino de isto é meu.

Eu ouvi meu ex-marido inspirar fundo. Dando uma espiada nele, vi o brilho de raiva começando no colarinho da camisa e subindo rapidamente. Houve um tempo em que aquela onda de fúria teria significado um sofrimento indizível para mim. Mas não mais.

Eu senti uma mistura estranha de emoções... um tremor de desassossego nos joelhos ao notar a raiva de Sasori... uma pontada de irritação com Sasuke... mas principalmente uma sensação de triunfo ao saber que, não importava o quanto Sasori quisesse me castigar, ele não podia mais.

E embora eu nunca tivesse ligado muito para o fato de Sasuke ter um físico tão imponente, naquele instante foi algo que me deliciou. Porque só existe uma coisa que um valentão como Sasori respeita — um valentão maior ainda.

"O que o traz a Dallas?", ouvi Sasuke perguntar, como quem puxa conversa, enquanto eu ia até a pia da cozinha.

"Entrevista de emprego", Sasori respondeu em um tom contido. "Eu sou Sasori Akasuna, ex-..."

"Eu sei quem você é."

"Não entendi seu nome", Sasori disse.

"Sasuke Uchiha."

Eu olhei para trás e percebi que nenhum dos dois ofereceu a mão para o outro apertar.

O nome lembrou Sasori de alguma coisa — eu vi no rosto dele —, mas ele não conseguiu encontrar o contexto.

"Uchiha...", Sasori repetiu. "Não foi você que teve algum desentendimento com os Uzumaki um tempo atrás?"

"Dá para dizer que sim", Sasuke respondeu, sem soar nem um pouco arrependido. Uma pausa proposital, e então ele acrescentou, "Mas agora estou me entendendo com um membro da família."

Ele se referia a mim, é óbvio. Provocando Sasori de propósito. Dei um olhar de aviso para Sasuke, que ele ignorou por completo, e percebi o tremor de afrontamento no rosto de Sasori.

"Sasori estava indo embora", eu disse, apressada. "Tchau, Sasori."

"Eu ligo para você", Sasori disse.

"Prefiro que não ligue", eu me voltei para a pia, incapaz de olhar para meu ex-marido por mais um instante.

"Você ouviu a moça", Sasuke murmurou. E houve mais alguma coisa, uma breve troca de palavras antes que a porta fosse fechada com firmeza.

Eu soltei um suspiro trêmulo, sem notar que estava agarrando as hastes do buquê de flores, até que olhei para baixo e vi uma mancha de sangue no meu polegar direito. Um espinho tinha me picado. Eu passei a mão debaixo da água, para limpar, enchi um vaso e coloquei as flores nele.

Sasuke veio por trás de mim e soltou uma exclamação contida ao ver o sangue na minha mão.

"Está tudo bem", eu disse, mas ele pegou minha mão e a colocou debaixo da água. Depois de enxaguar a ferida minúscula, ele pegou um pedaço de toalha de papel e dobrou algumas vezes.

"Mantenha pressão no machucado", ele ficou me olhando enquanto segurava o papel-toalha no meu dedo. Eu tinha ficado tão perturbada pela visita de Sasori que não conseguia pensar em algo para dizer. Com tristeza, percebi que não podia jogar meu passado fora como um par de sapatos velhos. Eu nunca me livraria dele. Eu poderia me mudar, mas Sasori sempre conseguiria me encontrar, voltar para a minha vida e me lembrar de coisas que eu faria de tudo para esquecer.

"Olhe para mim", Sasuke disse depois de um minuto.

Eu não queria. Eu sabia que ele conseguia ler meu rosto com muita facilidade. Eu não podia deixar de lembrar do que Sai disse sobre ele... "tem muita coisa borbulhando por baixo da superfície. Mesmo quando interpreta o sujeito comum, ele está analisando e aprendendo o tempo todo."

Mas eu me obriguei a encará-lo.

"Você sabia que ele estava na cidade?", Sasuke perguntou.

"Não, foi uma surpresa."

"O que ele queria?"

"Ele disse que está com umas coisas velhas minhas e que quer devolver."

"Que coisas?"

Meneei a cabeça. Eu não estava com vontade de contar para ele sobre a pulseira da tia Tsunade. E com certeza eu não queria explicar que a tinha deixado para trás porque fui espancada e jogada nos degraus de entrada da minha própria casa.

"Nada que eu queira," menti. Puxei minha mão da dele e retirei a toalha de papel. O sangramento tinha parado. "O que você disse para o Sasori, na porta?"

"Eu disse que se ele aparecesse aqui de novo ia tomar uma surra."

Eu arregalei os olhos.

"Você não falou isso. Falou?"

"Falei", ele confirmou com um ar de convencimento.

"Seu arrogante... oh, não acredito que você tomou para si...", eu gaguejei até silenciar, furiosa.

Sasuke não parecia nem um pouco arrependido.

"Era o que você queria, não? Nunca mais vê-lo?"

"É, mas não quero que você tome decisões por mim! Eu sinto como se tivesse passado minha vida toda rodeada por homens dominadores — e é provável que você se revele o pior de todos."

Ele teve coragem de rir disso.

"Você consegue dar conta de mim. Já lhe disse, sou manso."

Eu lhe dei um olhar sombrio.

"É, manso como um cavalo de rodeio amarrado."

Sasuke me envolveu com os braços. Ele baixou a cabeça e sua voz baixa acariciou minha orelha.

"Parece que você vai ter um trabalhão, então."

Uma onda desconcertante de calor me atravessou, algo nascido da excitação, intenso demais para dar um nome. E com isso veio uma sensação de náusea, e eu me senti temerosa e perturbada com o desejo.

"Vale a pena tentar, não vale?", Sasuke perguntou.

Eu não sabia muito bem do que ele estava falando.

"Eu... eu não vou tentar nada com você até me prometer que vai parar de ser tão autoritário."

Ele acariciou minha orelha com o nariz.

"Sakura... você acha mesmo que vou ficar de lado, todo educado, enquanto outro homem vem cheirar a minha mulher? Se eu deixasse isso acontecer, eu não seria um homem. E com toda certeza não seria texano."

Eu respirava com dificuldade.

"Não sou sua mulher, Sasuke."

As duas mãos dele se curvaram ao redor do meu crânio, inclinando meu rosto para cima. Os polegares dele tocaram minhas faces. Ele me deu um olhar que desmantelou meu cérebro e disparou um rubor erótico que me cobriu dos pés à cabeça.

"Isso é algo que nós vamos ter que corrigir."

Mais arrogância, eu pensei, absorta. Mas para vergonha da minha consciência politicamente correta, aquilo foi muito excitante, e injetou calor em todas as minhas veias. Meus punhos se fecharam por reflexo na camisa dele.

Era uma linda camisa cinza-claro que, provavelmente, custava o equivalente a uma mensalidade de uma casa de classe média. E eu vi que meu dedo tinha deixado uma brilhante mancha vermelha nela.

"Ah, não."

"O que foi?", Sasuke olhou para minha mão. "Droga, está sangrando de novo. Nós precisamos colocar um Band-aid na sua mão."

"Não ligo para minha mão. Olhe sua camisa! Eu sinto muito."

Ele pareceu se divertir com a minha preocupação.

"É só uma camisa."

"Espero não tê-la arruinado. Talvez não seja tarde demais para enxaguar na pia...", eu comecei a mexer nos botões, franzindo o rosto ao ver o tecido manchado. "Tem seda no tecido? Talvez eu não devesse tentar lavar."

"Esqueça a camisa. Deixe-me ver sua mão."

"Só pode lavar a seco? O que diz a etiqueta?"

"Eu nunca leio a etiqueta."

"Mas que homem!", eu soltei outro botão... e mais um. Meus dedos diminuíram o ritmo, mas não pararam.

Eu o estava despindo.

Sasuke não se mexia, só me observava, seu divertimento evaporando. O peito dele estava rígido sob a camiseta ofuscante de tão branca, que ele usava por baixo. A respiração dele foi acelerando conforme eu progredia com os botões.

Eu puxei a barra da camisa de dentro da calça jeans, e o tecido veio amassado e quente do corpo dele.

Que homem. Um macho bonito, extravagante, tentando tanto não parecer perigoso... ele era absolutamente hipnotizante. Minhas mãos tremiam quando peguei os punhos das mangas e empurrei os botões através das camadas de tecido duro de goma.

Sasuke continuou parado enquanto eu puxava a camisa de seus ombros.

Quando ela chegou aos pulsos, ele se moveu como num sonho, puxando os braços devagar das mangas. Ele jogou a peça de roupa no chão e estendeu as mãos para mim.

Eu fiquei fraca quando os braços dele me envolveram, e sua boca desceu sobre a minha com uma pressão quente e penetrante. Eu levei as mãos às suas costas, por baixo da camiseta, e encontrei os músculos poderosos ao lado da coluna.

Os lábios dele deslizaram pelo meu pescoço, explorando delicadamente até eu me contorcer e arquear para ficar mais perto dele. A excitação rugia dentro de mim, e eu parei de pensar, parei de tentar controlar qualquer coisa.

Sasuke me levantou e me colocou sentada na pequena bancada da cozinha, e fiquei com as pernas penduradas. Eu fechei os olhos por causa do brilho artificial das luzes do teto. Sua boca veio até a minha, carinhosa e devoradora enquanto suas mãos se fecharam sobre as minhas coxas e as afastaram. Deus, o modo como ele beijava! Nunca tinha sido assim com Sasori, ou qualquer outro, aquele calor urgente que derretia meu núcleo.

Minhas roupas pareciam apertadas demais, a frente única constrangia meus seios, e eu a puxei, frenética, para me livrar dela. Sasuke afastou minhas mãos.

Eu senti que ele lidava com o fecho, soltando-o nas costas.

A blusa se soltou e caiu na minha cintura. Meus seios pareciam pesados, doloridos, e os bicos ficaram duros ao serem expostos ao ar frio. Sasuke passou um braço pelas minhas costas para apoiar meu corpo que fraquejava. Ele se curvou e sua boca quente navegou pela inclinação pálida do meu seio. Seus lábios viajaram devagar até o cume rosado. Um gemido cresceu na minha garganta enquanto ele chupava e mordiscava, indo de um seio para outro. Arfante, eu puxei a cabeça dele para mim, o cabelo parecendo uma seda grossa, seu aroma tão estimulante quanto capim-limão.

Ele me puxou para cima, seu braço espantosamente forte, e segurou minha cabeça com uma das mãos para se alimentar na minha boca outra vez. Seus dedos se fecharam sobre o mamilo ainda úmido de sua língua.

Eu me agarrei nele, tão perto, precisando de mais, só um pouco mais...

Ele pareceu compreender. Murmurando de encontro ao meu pescoço, Sasuke puxou o botão do meu jeans, abriu o zíper e começou a puxá-lo pelos meus quadris.

Então algo em mim travou.

Eu fiquei fria sem motivo, como se tivesse sido jogada em um lago gelado.

Eu vi o rosto de Sasori, senti os braços de Sasori à minha volta, suas pernas forçando as minhas. Senti uma pontada de dor no meu peito, como o começo de um ataque cardíaco, e meu estômago ficou embrulhado.

Eu desmoronei, chorando e o empurrando, quase caindo da bancada. Sasuke me pegou e me baixou até meus pés encostarem no chão, mas eu já tinha surtado àquela altura, gritando com ele — não, afaste-se, não me toque, não — e eu empurrei, chutei e o afastei a unhadas, como se fosse um bicho selvagem.

Devo ter perdido a consciência por um instante, porque a próxima coisa que sei é que eu estava enrolada no sofá, com Sasuke parado diante de mim.

"Sakura, olhe para mim", ele disse e ficou repetindo até eu obedecer. Eu vi olhos negros, não castanhos. Eu me concentrei desesperadamente neles.

Sasuke tinha jogado sua camisa cinza-claro sobre meu peito nu.

"Inspire fundo", ele disse, paciente. "Não vou tocar em você. Não, fique tranquila. Respire."

Meu estômago sofria com espasmos tão dolorosos que eu tive certeza de que ia vomitar. Mas aos poucos a respiração curta foi se alongando e o enjoo passou.

Sasuke deu um breve aceno com a cabeça quando minha respiração voltou a algo parecido com o normal.

"Eu vou pegar água para você. Onde estão os copos?"

"À direita da pia", eu disse com a voz rouca.

Ele foi até a cozinha e eu ouvi a água correndo. Enquanto ele estava lá, eu me enrolei na camisa dele. Eu estava desajeitada, sofrendo espasmos que me faziam tremer. Quando eu percebi o que tinha acabado de acontecer, como eu tinha surtado com ele, tive vontade de morrer. Enterrei a cabeça nos meus braços. Eu pensei que estava tudo bem. A sensação estava tão boa, mas toda a excitação e o prazer se transformaram em pânico.

Havia alguma coisa muito errada comigo. E eu sabia que se não conseguisse ter intimidade com aquele homem, e logo, eu nunca conseguiria com mais ninguém. Eu nunca ficaria bem.

Afogada em desespero, eu me enrolei em um canto do sofá. Sasuke sentou na mesa do café, de frente para mim. Ele me entregou o copo de água em silêncio.

Minha boca estava seca como pó, e eu bebi com avidez. Mas depois de alguns goles, a sensação de náusea ameaçou voltar, e eu coloquei o copo de lado. Eu me obriguei a olhar para Sasuke. Ele estava pálido, apesar do bronzeado, e seus olhos tinham um brilho escuro elétrico.

O vazio tomou conta da minha mente. Que diabos eu podia dizer para ele?

"Eu não pensei que iria fazer aquilo", eu me ouvi balbuciar. "Me desculpe."

O olhar dele travou no meu.

"Sakura... com que tipo de problema nós estamos lidando?"

Capítulo dedicado a todos vocês que acompanham essa adaptação, em especial minha Diva Obsidiana Negra, e Nikolleta (obrigada pelos comentários), Ana Luh e Lari.

Obsidiana minha diva, já qro outro capitulo de The Deal, o de hoje me deixou como sempre qrendo logooooo outro rsrsrs... Ah e ansiosa por Perdida, Rock N Roll e O Ar Que Ele Respira... atualiza logo please!