Todos os personagens pertencem a Masashi Kishimoto. A história é de autoria de Lisa Kleypas do seu livro A Redenção – Série The Travis Family.

Essa fanfic é uma adaptação.

Capitulo 16

Eu não queria mesmo entrar naquele assunto. Eu queria que Sasuke fosse embora e me desse privacidade para verter lágrimas. Eu queria chorar e ir dormir, para nunca mais acordar. Mas estava claro que Sasuke não iria embora até receber uma explicação. E Deus sabia que eu lhe devia uma.

Eu gesticulei, desajeitada, para uma cadeira do outro lado da mesa.

"Se você não se importa... eu vou ter mais facilidade para falar se você sentar ali."

Sasuke negou com a cabeça. O único sinal de emoção no rosto dele eram as duas linhas cravadas entre suas sobrancelhas.

"Não posso", ele disse com a voz rouca. "Eu acho que já sei o que você vai me contar. E não quero estar longe quando você falar."

Eu desviei o olhar dele, encolhendo-me dentro de sua camisa. Eu só conseguia falar em arranques.

"O que acabou de acontecer foi... bem, eu me comportei desse modo porque... eu tenho alguns problemas que restaram do meu casamento. Porque Sasori era... um abusador."

A sala ficou mergulhada em um silêncio mortal. Eu ainda não conseguia olhar para ele.

"Começou com pequenos detalhes", eu disse, "mas foi piorando com o tempo. As coisas que ele dizia, exigia... os tapas, gritos, castigos... eu o perdoava, e ele prometia nunca mais fazer aquilo... mas ele fazia, e piorava, e depois ele me culpava por provocá-lo. Ele sempre dizia que era minha culpa. E eu acreditava nele."

Eu fui em frente e contei tudo para Sasuke. Foi terrível. Um acidente de trem que acontecia bem na minha frente, e eu não podia fazer nada a respeito, só que eu não estava apenas assistindo, eu era o trem. Eu confessei coisas que em um momento de sanidade teria a dignidade ou o bom-senso de filtrar. Mas não havia filtro. Todas as minhas defesas estavam derrubadas.

Sasuke escutou com o rosto virado para o lado, o perfil na sombra. Mas seu corpo estava todo tenso, o relevo duro dos músculos contraídos em seus braços e nos ombros eram mais eloquentes que palavras.

Eu contei até mesmo o que aconteceu na minha última noite com Sasori — o estupro, como fui jogada para fora, a caminhada descalça até o mercado. Enquanto falava, eu fui me encolhendo diante da lembrança do horror que eu tinha vivido.

Aquilo proporcionou certo alívio, contudo. Uma tranquilidade. Porque eu sabia que, com toda aquela bagagem que eu descarregava, qualquer chance de um relacionamento com Sasuke iria desaparecer. Sílaba por sílaba. Nenhum homem quer ter que lidar com tudo isso. E era melhor assim, porque ficou evidente que eu não estava pronta para um relacionamento.

Então aquela era nossa despedida.

"Eu não quis enganar você", eu disse para ele. "Eu sabia desde o começo que era brincar com fogo, ter qualquer coisa com você. Mas...", meus olhos se encheram de água, e eu pisquei com força e falei atropelando as palavras. "Você é tão atraente e beija tão bem, e eu te queria tanto noite passada que achei que conseguiria ir até o fim, mas eu estou toda atrapalhada e simplesmente não consigo. Eu não consigo."

Fiquei em silêncio, então. Meus olhos não paravam de vazar. Eu não podia pensar em mais nada para dizer ao Sasuke, a não ser que ele podia ir embora se quisesse. Mas ele se levantou e foi até a lareira, onde apoiou a mão na cornija.

Ele ficou olhando para o vazio.

"Eu vou atrás do seu ex-marido", eu o ouvi dizer com a voz tranquila. "E quando eu terminar, não vai sobrar o bastante dele para encher a porra de uma caixa de fósforos."

Eu já tinha ouvido ameaças mais ruidosas e espalhafatosas, mas nunca uma feita com tanta calma e sinceridade, o que eriçou todos os pelos da minha nuca.

Sasuke se virou para mim, então. Eu me senti empalidecer quando vi sua expressão. Não era a primeira vez que eu me via sozinha com um homem que tinha intenção de matar no olhar. Dessa vez, ainda bem, a violência não era dirigida a mim. Ainda assim, aquilo me deixou inquieta.

"Não vale a pena ir para a prisão por causa do Sasori", eu disse.

"Não sei, não", Sasuke me encarou por um momento e registrou minha intranquilidade. Então, ele suavizou sua expressão. "Onde eu fui criado, 'ele precisa ser morto' é uma estratégia de defesa válida."

Eu quase sorri ao ouvir isso. Deixei meus ombros cair, sentindo-me esgotada no rastro da minha catástrofe pessoal.

"Mesmo que você fizesse isso, não mudaria o modo como eu sou agora. Estou defeituosa", enxuguei os olhos com a manga da camisa. "Eu queria ter dormido com alguém antes de casar com o Sasori, porque pelo menos assim eu teria alguma boa experiência relacionada ao sexo. Do jeito que eu fiquei, contudo..."

Sasuke me observava intensamente.

"Na noite da reinauguração do teatro... você teve uma lembrança enquanto nos beijávamos, não foi? Por isso que você saiu correndo como um gato escaldado."

Eu anuí.

"Alguma coisa aconteceu na minha cabeça, e foi como se eu estivesse com o Sasori, e tudo que eu pensava era que precisava ir embora para não me machucar."

"Foi sempre ruim assim com ele?"

Era humilhante falar da minha lamentável vida sexual, mas àquela altura já não me restava nenhuma dignidade.

"Começou bem, eu acho. Mas quanto mais o casamento ia em frente, piores as coisas ficavam no quarto, até chegar ao ponto em que eu só ficava esperando acabar. Porque eu sabia que não importava para o Sasori se eu estava curtindo ou não. E isso me machucava, às vezes, quando eu estava... você sabe, seca." Se fosse possível morrer de constrangimento, eu teria caído morta naquele instante.

Sasuke veio se sentar do meu lado no sofá, apoiando o braço no encosto. Eu recuei devido à sua proximidade, mas não consegui despregar os olhos dele. Era ridículo como ele estava viril naquela maldita camiseta branca, com aquele corpo comprido e os músculos assados pelo sol. Qualquer mulher tinha que estar louca para não ir para cama com ele.

"Eu acho que acabou, agora", eu disse reunindo o que me restava de coragem. "Certo?"

"Isso é o que você quer?"

Senti um nó na garganta. Eu sacudi a cabeça.

"O que você quer, Sakura?"

"Eu quero você", soltei, e as lágrimas afloraram outra vez. "Mas não posso ter o que eu quero."

Sasuke se aproximou, pegando minha cabeça em suas mãos, obrigando-me a olhar para ele.

"Sakura, querida... você já me tem", eu olhei para ele por entre um borrão quente. Os olhos dele estavam cheios de preocupação angustiada e fúria.

"Eu não vou embora", ele disse. "E você não é defeituosa. Você está amedrontada, como qualquer mulher estaria depois do que aquele filho da puta fez." Uma pausa, um palavrão e uma inspiração profunda. Um olhar intenso. "Posso te abraçar agora?"

Antes que eu me desse conta do que estava fazendo, eu já tinha subido no colo dele. Sasuke me aninhou e acalmou, estreitando-me nos braços, e aquele carinho estava tão bom que eu quase desejei poder continuar chorando. Enfiei o rosto na pele cheirosa do pescoço dele, encontrando o lugar em que sua barba aparada começava.

Ele virou a boca para a minha, acessível e quente, e isso foi tudo que eu precisei para voltar a esquentar, e meus lábios se abriram para recebê-lo.

Mas enquanto eu correspondia ao beijo dele, senti a pressão íntima da masculinidade dele debaixo de mim e fiquei rígida.

Sasuke afastou a cabeça e me olhou com aqueles olhos de um negro fundido.

"É isto?", ele levantou o quadril, e aquela linha dura me pressionou. "Sentir isso te deixa nervosa?"

Eu fiz uma careta e confirmei, ficando roxa de vergonha. Mas não tentei me afastar dele. Fiquei sentada ali, tremendo.

As mãos dele desceram dos meus ombros pelos braços, acariciando-me por cima da camisa.

"Quer que eu frequente a terapia com você? Será que ajudaria?"

Eu não conseguia acreditar que ele estaria disposto a fazer isso por mim. Tentei imaginar a cena; eu, Sasuke e Tenten discutindo meus problemas sexuais. Eu meneei a cabeça.

"Eu quero resolver isso agora", falei, desesperada. "Vamos só... vamos entrar no quarto e fazer. Não importa o que eu diga, nem se eu surtar, você me segura e vai em frente, até terminar, e..."

"Diabos, claro que não! Claro que não vamos fazer isso." Sasuke estava quase cômico de tão horrorizado. "Você não é um cavalo para ser amansado. Você não precisa ser forçada, precisa...", ele inspirou fundo e eu me remexi no colo dele.

"Querida", ele disse com a voz tensa, "eu não penso muito bem quando todo meu sangue sai do cérebro. Então acho que é melhor você se sentar do meu lado."

Uma pulsação quente latejava onde nos encostávamos, onde nossa carne se encaixava com perfeição. Eu percebi que não estava tão nervosa, depois que tive alguns instantes para me acostumar com ele. Eu me sentei montada sobre ele.

Sasuke fechou os olhos e emitiu um som gutural. Eu vi o rosto dele ganhar cor. E senti uma reação crescendo na pressão grossa debaixo de mim. Ele levantou as pálpebras, e seus olhos estavam mais negros que o normal. Ele olhou para a frente da minha camisa — a camisa dele —, onde ela se abria revelando o espaço entre meus seios.

"Sakura...", a voz dele estava rouca. "Nós não vamos fazer nada que você não esteja pronta. Você precisa se vestir, e aí vou te levar para jantar. Nós vamos tomar vinho e aí você pode relaxar. Vamos pensar nessa situação mais tarde."

Mas mais tarde era tarde demais. Eu queria resolver a situação naquele instante. Eu senti o calor emanando dele, e vi a umidade da transpiração em seu pescoço, e desejei beijá-lo. Eu queria dar prazer ao Sasuke. E, por favor, Deus, eu queria pelo menos uma boa lembrança para substituir as ruins.

"Sasuke ", eu disse, hesitante, "você... faria algo por mim, só um pouco?"

Um sorriso tocou os lábios dele. Sasuke esticou a mão e fechou o decote da camisa, depois usou as costas dos dedos para acariciar minha face.

"Um pouco", ele disse, "ou muito. É só me dizer o que você quer."

"Eu sinto que... se nós fôssemos para o quarto agora, e só tentássemos algumas coisas, eu... eu poderia aguentar, se você fosse devagar."

A mão dele parou.

"E se você tiver uma lembrança ruim?"

"Acho que isso não vai me incomodar tanto quanto antes, porque agora eu já te contei tudo, e eu sei que você entende meu problema. Então eu só vou te dizer se ficar com medo."

Ele ficou me observando por um longo instante.

"Você confia em mim, Sakura?"

Eu ignorei uma contração na minha barriga.

"Confio."

Sem outra palavra, Sasuke me tirou de seu colo e me pôs de pé, e me acompanhou até o quarto.

Minha cama era vintage, de latão, do tipo robusto, majestoso, que pesava uma tonelada e não se mexia um centímetro. Estava arrumada com lençóis e colcha de linho beges, e as fronhas eram feitas de renda tirada de antigos vestidos de casamento. No ambiente feminino do meu quarto, Sasuke parecia ainda maior e mais masculino que de hábito.

Um ato tão normal, duas pessoas indo para a cama juntas. Mas para mim aquilo era um ato dotado de importância demais, emoção demais, tudo demais. O ar-condicionado conferia um clima fresco ao quarto, e a renda nos travesseiros esvoaçava como asas de mariposas enquanto o ventilador de teto girava. Uma antiga luminária vitoriana jogava uma luz âmbar na cama.

Eu tentei parecer despreocupada, sentada na cama soltando as tiras finas das minhas sandálias de salto alto. Eu preferia não estar tão sóbria. Uma taça de vinho poderia ter me soltado um pouco. Talvez não fosse tarde demais. Talvez eu pudesse sugerir...

Sasuke sentou ao meu lado, pegou meu pé e abriu a miniatura de fivela. Ele apertou meu pé descalço e passou o polegar pelo arco inferior antes de tirar o outro sapato. Passando um braço ao meu redor, ele fez com que nós dois deitássemos.

Eu esperei, tensa, que ele começasse. Mas Sasuke só me abraçou, aquecendo-me com seu corpo, com um braço debaixo do meu pescoço. Ele passou a mão pelas minhas costas, pela cintura e pelos meus quadris, indo parar na minha nuca, como se eu fosse um animal arisco. E continuou até aquelas carícias durarem mais do que qualquer ato sexual que eu já tive com Sasori.

"Eu quero que você entenda...", Sasuke falou junto ao meu cabelo, "que está segura. Eu não vou te machucar de modo algum. E se eu fizer algo que você não queira, ou se você começar a sentir medo, eu paro. Não vou perder o controle." Estremeci quando senti que ele estava mexendo na frente da minha calça jeans e ouvi o fecho sendo aberto. "Eu só vou descobrir do que você gosta."

Meus dedos se agarraram na camiseta dele enquanto suas mãos se aventuravam dentro da cintura afrouxada do meu jeans.

"Eu também quero descobrir do que você gosta", falei.

"Eu gosto de tudo, querida", ele sussurrou, tirando minhas roupas como quem tira um curativo. "Eu já lhe disse, sou fácil de satisfazer."

A respiração dele desceu sobre mim com um calor doce quando ele arrastou a boca pelo meu pescoço e meus seios. Ele sabia o que estava fazendo, indo devagar.

"Relaxe", ele murmurou e seus dedos deslizaram por meus músculos tensos.

Eu agarrei a camiseta dele, tentei tirá-la. Sasuke me ajudou, puxando a camada fina de algodão e jogando-a ao chão. A pele dele parecia marrom como canela em contraste com a roupa de cama clara. O peito dele tinha um pouco de pelo, tão diferente do peito liso do Sasori. Eu passei os braços ao redor do pescoço dele e o beijei, arfando quando meus seios encostaram naqueles pelos quentes e titilantes.

Sasuke me acariciava e explorava como se estivesse disposto a descobrir cada detalhe do meu corpo. Eu percebi que ele estava brincando comigo, me erguendo e virando, dando beijos em lugares inesperados. Ele era tão forte, com aquele corpo lindo e macio sob a luz tênue. Eu engatinhei sobre ele e esfreguei o nariz e o queixo nos pelos macios de seu peito. Eu arrastei os dedos até o abdome dele, onde a pele era lisa como cetim e rígida sobre os feixes de músculos. E desci mais, até o limite de sua calça... e ainda mais baixo, até a parte dele da qual eu tinha medo.

Observando meu rosto, Sasuke relaxou de costas, permitindo que eu explorasse seu corpo. Eu o toquei por cima do jeans, desenhando, hesitante, a forma da sua ereção. A respiração dele ficou mais difícil e eu percebi como devia ser difícil para ele se controlar. Meus dedos vagaram até a base da virilidade, onde a carne era grossa e compacta, e eu o ouvi soltar um grunhido suave. Um arrepio de alegria passou por mim quando percebi o quanto ele gostou daquilo, e então fiz de novo, descrevendo um círculo com minha palma por cima do tecido teso.

Ele deixou escapar um gemido bem-humorado.

"Você está querendo me torturar, né?"

Eu neguei com a cabeça.

"Só estou tentando aprender o que você gosta."

Ele me puxou sobre seu peito, levando minha cabeça até a dele, e me deu outro daqueles beijos insaciáveis, até eu estar subindo e descendo no ritmo da respiração dele, como se flutuasse em ondas do oceano. Ele desceu as mãos até a calça e a abriu.

Eu hesitei antes de descer minha mão até lá e o segurar, cautelosa. Àquela altura eu não tinha dúvida de que Sasuke era todo grande. Ali estava, como Sai diria, um pacote e tanto. Mas em vez de saudar minha descoberta com um aleluia, eu fiz uma careta.

"Você é demais para eu dar conta", eu disse, em dúvida. "Eu queria poder começar com algo menor e depois ir aumentando."

"Não posso lhe ajudar nisso, querida", Sasuke pareceu estar sem fôlego. "Isso aí não está disponível em tamanho médio", ele me virou e eu senti sua boca nas minhas costas, beijando e mordiscando ao longo da minha coluna. Mas eu fiquei rígida ao lembrar que Sasori gostava de me possuir por trás. A posição favorita dele. Toda a excitação crescente morreu, e eu comecei a suar de nervosa.

Sasuke tirou a boca da minha pele e me virou para encará-lo.

"Com medo?", ele murmurou, a mão passando pelo meu braço.

Eu anuí com um sentimento misto de derrota e frustração.

"Eu acho que não gosto desse jeito, com você atrás de mim. Isso me lembra do...", eu parei, imaginando frustrada se algum dia conseguiria tirar Sasori da minha cabeça, se conseguiria esquecer o que ele tinha feito. As más lembranças estavam entremeadas nos tecidos do meu corpo, trançadas com cada nervo. Sasori tinha me arruinado para o resto da minha vida.

Sasuke continuou a acariciar meu braço. Seu olhar estava distante, como se ele considerasse um pensamento em sua cabeça. Eu percebi que ele pensava em como lidar comigo, como vencer minhas defesas, e isso me deixou pesarosa e desconfiada.

A mão dele vagou do meu braço para o peito, e as pontas dos dedos dele descreveram círculos ao redor dos seios que Sasori tinha reclamado serem pequenos demais.

Droga. Não tinha como a sensação boa voltar. Eu não conseguia parar de pensar no meu ex-marido, nos meus defeitos.

"Não está funcionando para mim", eu soltei. "Talvez nós devêssemos..."

"Feche os olhos", ele murmurou. "Só fique deitada."

Eu obedeci, cerrando os punhos ao lado do corpo. A luz da luminária produzia um brilho laranja apagado em minhas pálpebras. Ele foi descendo, pregando beijos do meu peito até a barriga. A língua dele entrou no buraco do meu umbigo e eu me contorci. A mão dele se acomodou em um dos meus joelhos.

"Calma", ele suspirou, descendo mais, até eu abrir os olhos. Eu estremeci e empurrei a cabeça dele.

"Espere", eu resmunguei. "Agora chega, eu não posso...", eu corei violentamente e comecei a tremer toda.

Sasuke levantou a cabeça, a luz suave escorrendo como líquido por seu cabelo.

"Estou machucando você?"

"Não."

A mão dele pousou na minha barriga, descrevendo um círculo quente.

"Eu assustei você, querida?"

"Não, é só que... eu nunca fiz isso antes." Não preciso dizer que Sasori nunca se interessou por qualquer atividade que aumentasse o meu prazer e não o dele.

Sasuke contemplou meu rosto vermelho por um instante. Um brilho novo surgiu em seus olhos.

"Você não gostaria de tentar?", ele perguntou, com a voz suave.

"Bem, um dia, eu acho. Mas eu quero dar um passo de cada vez. Acho que é melhor eu me acostumar com as coisas normais antes de avançar...", eu me interrompi soltando um ganido quando ele baixou a cabeça outra vez. "O que você está fazendo?"

A voz dele soou abafada.

"Vá pensando no plano de um passo de cada vez. Quando terminar, você pode me avisar. Enquanto isso..."

Eu guinchei quando ele afastou minhas pernas e as segurou abertas.

Sasuke soltou uma risada grave, divertindo-se com o meu incômodo. Não podia restar dúvida — eu estava na cama com o diabo.

"Me dê cinco minutos", ele insistiu.

"Isto não está em negociação."

"Por que não?"

Eu me retorci e ofeguei.

"Porque daqui a pouco eu vou morrer de vergonha. Eu... não. Estou falando sério, Sasuke, isso é...", minha cabeça ficou vazia quando eu o senti lamber em cheio aquele lugar secreto e vulnerável. Eu tentei empurrar — sem força — a cabeça dele. Não havia como tirá-lo dali. "Sasuke...", eu tentei de novo, mas as delicadas carícias úmidas abriram a pele fechada, e o prazer foi tão agudo que não consegui pensar nem me mexer. Ele continuou no centro da sensação, usando a ponta da língua, depois respirou no local latejante, e seu hálito acariciou a pele molhada. Meu coração batia tão rápido que eu mal ouvi seu sussurro debochado por cima da pulsação em minhas orelhas.

"Ainda quer que eu pare, Sakura?"

Meus olhos estavam molhados. Eu estava tensa de prazer, que me fazia tremer, mas não era o bastante.

"Não. Não pare", fiquei chocada com o som da minha própria voz, tão rouca e baixa. E fiquei ainda mais chocada pelo modo como gritei quando ele enfiou um dedo, depois mais um, alargando a maciez molhada, enquanto com a boca ele desfraldava as dobras da pele. A sensação era excruciante, e meus quadris subiam e desciam. Mas o alívio parecia fora de alcance, enlouquecedor no modo como fugia de mim.

"Eu não consigo", gemi. "Não consigo chegar lá."

"Claro que consegue. Apenas pare de tentar."

"Não posso parar de tentar."

Os dedos sensuais dele começaram a entrar e sair devagar. Eu solucei quando a tensão começou a acumular, minha carne ondulando, fechando-se. Os dedos dele foram mais fundo. Sua língua não parava de me açoitar, e sua boca... sua boca... eu fui tomada por um vagalhão avassalador, e cada pulsação, respiração e impulso colaborou para espasmos violentos. Eu arqueei o corpo no prazer intenso, minhas mãos trêmulas seguraram na cabeça dele.

Sasuke enfiou os dedos ao máximo e sua língua se esforçou para me dar os últimos choques de alívio. Quando ele retirou a mão, eu choraminguei e o puxei para cima. Ele me deitou de lado e me abraçou, e depois beijou as manchas de lágrimas nos cantos dos meus olhos.

Ficamos em silêncio por um minuto, meus pés nus entrelaçados aos dele, sua mão quente no meu bumbum. Eu senti a urgência por trás da imobilidade dele, como a tranquilidade enganadora do curral antes do touro sair em disparada.

Desci a mão até a cintura aberta do jeans dele.

"Tire isso", eu sussurrei.

Ainda respirando com dificuldade, Sasuke negou com a cabeça.

"Já chega por hoje. Vamos parar enquanto estamos ganhando."

"Parar?", eu repeti, confusa e surpresa. "Não, não podemos parar agora", eu beijei o peito dele, deliciando-me com sua textura masculina, com os pelos quentes nos meus lábios. "Se você não fizer amor comigo, Sasuke Uchiha, eu nunca irei perdoá-lo."

"Eu fiz amor com você."

"Por completo", eu insisti.

"Não sei se você está pronta para o pacote completo."

Eu o agarrei e subi e desci com a mão pela extensão dura e sedosa.

"Você não pode negar", eu lhe disse. "Seria muito ruim para a minha autoestima."

Eu massageei a ponta larga com o polegar, fazendo círculos lentos que extraíram um pouco de umidade. Um gemido baixo escapou dele, e Sasuke enfiou a boca no meu cabelo. Descendo a mão, ele me fez soltá-lo. Pensei que ele iria me dizer para parar. Mas não.

"Minha carteira está na cozinha", ele disse com a voz embargada. "Preciso pegá-la."

Compreendi no mesmo instante.

"Nós não precisamos de camisinha. Eu tomo pílula."

Ele levantou a cabeça e olhou para mim.

Eu dei de ombros, meio sem graça.

"Como Sasori nunca quis que eu tomasse anticoncepcionais, a pílula meio que se tornou uma questão de honra para mim. Eu me sinto mais no controle... mais segura... quando eu tomo. E o médico disse que não ia me fazer mal. Então nunca esqueço, nenhum dia. Pode acreditar, estamos seguros. Mesmo sem qualquer outra proteção."

Sasuke levantou o tronco, apoiou-se em um cotovelo e ficou olhando para mim.

"Eu nunca fiz sem camisinha."

"Nunca?", eu perguntei, espantada.

Ele sacudiu a cabeça.

"Nunca quis me arriscar a engravidar uma mulher. Não queria a responsabilidade. Eu sempre jurei que, quando tivesse filhos, não iria abandoná-los do jeito que meu pai fez conosco."

"Você nunca teve uma namorada que tomasse a pílula?"

"Mesmo assim, sempre usei camisinha. Nunca fui fã do método confie-na-mulher."

Talvez alguma mulher pudesse se sentir ofendida com aquilo, mas eu entendia muito bem essas questões de confiança.

"Tudo bem", eu disse, aproximando-me para beijá-lo no queixo. "Vamos fazer do seu jeito."

Contudo, Sasuke não se moveu. Ele continuou olhando para mim com aqueles olhos vivos, e eu senti que algo íntimo e visceral surgiu entre nós, uma sensação de ligação que eu achei um pouco mais do que assustadora. Parecia que todos os ritmos do meu corpo e do dele seguiam um metrônomo invisível.

"Você me deu sua confiança", ele disse. "Que o diabo me carregue se eu não fizer o mesmo."

Eu me deitei de costas, minha respiração acelerou e a dele também.

Sasuke encostou em mim. Ele foi delicado... tão delicado... mas eu consegui sentir a força e o tamanho dele, e fiquei tensa. Ele empurrou com mais força, até nós dois sentirmos a maciez aconchegante e maleável cedendo lugar à dureza.

Eu, recebendo-o dentro de mim. Abrindo-me para ele. Os olhos negros ficaram lânguidos, nublados de prazer, com os cílios projetando sombras nas maçãs do seu rosto. Ele foi entrando em mim um centímetro de cada vez, dando-me tempo de me ajustar, de acomodar aquela invasão forte. Eu virei meu rosto para o braço dele, aconchegando minha face no músculo rígido.

Quando eu havia recebido o máximo que podia, Sasuke me fez levantar os joelhos e os abrir mais, e me deu ainda mais. Tão apertado, molhado, meu corpo oferecia uma recepção aconchegante. Eu vi a preocupação em seu rosto ser substituída pelo desejo. Eu adorei o jeito como ele olhou para mim, como se quisesse me comer viva.

Eu me contorci, desconfortável com tudo aquilo dentro de mim, e Sasuke estremeceu e arfou algumas palavras que soaram como Oh Deus, por favor, não se mexa, Sakura, querida, por favor...

"Está gostoso?", eu sussurrei.

Sasuke balançou a cabeça, esforçando-se para respirar. O rosto dele estava corado como se estivesse com febre.

"Não?", eu perguntei.

"Estava gostoso meia hora atrás", ele conseguiu dizer, seu sotaque arrastado como se tivesse acabado de tomar dez doses de tequila. "Quinze minutos atrás estava sendo o melhor sexo que eu já fiz, e neste momento... tenho certeza de que estou no meio de um ataque cardíaco."

Sorrindo, eu puxei a cabeça dele para a minha.

"O que acontece depois do ataque cardíaco?", eu sussurrei.

"Não sei", a respiração dele assobiou por entre os dentes e ele baixou a cabeça para o travesseiro, ao lado da minha. "Diabo", ele disse, desesperado, "não sei se consigo me segurar."

Eu levei minhas mãos até os flancos dele, até suas costas, onde senti, na ponta dos dedos, os músculos fortes contraídos.

"Não se segure."

Ele começou num ritmo cuidadoso, extraindo prazer do canal íntimo no qual nos uníamos. Uma das estocadas atingiu um lugar sensível, fundo e baixo, e nesse mesmo momento o corpo dele pressionou a frente do meu no ângulo certo. Uma fagulha de deleite me atravessou. Eu estremeci, surpresa, e enfiei os dedos nos quadris do Sasuke.

Ele ergueu a cabeça e sorriu para os meus olhos arregalados.

"Acertei um lugar bom?", ele sussurrou e fez de novo, e de novo. Para meu constrangimento eterno, não consegui ficar quieta. Gemidos escalaram minha garganta até meus quadris estremecerem de encontro aos dele.

Dessa vez os espasmos não foram tão intensos, mas foram lentos e longos, contraindo-se ao redor dele até Sasuke gozar. Ele enterrou os sons do prazer na minha boca e me beijou, e beijou, parando apenas quando faltou oxigênio para nós dois e ficamos completamente exauridos.

Fui tomada por uma letargia avassaladora depois disso. Eu cochilei um pouco, com o corpo dele ainda dentro do meu, e descobri que o sono depois do sexo era quase melhor que o próprio sexo. Acordei depois com ele duro dentro de mim, sem se movimentar, apenas preenchendo o espaço e passando as mãos por todo o meu corpo, acariciando e massageando. Eu fiquei deitada de lado, com uma perna sobre o quadril dele. Eu queria, precisava que ele se movesse, mas ele me manteve empalada e imóvel. Eu agarrei seu bíceps, seu ombro, tentando puxá-lo para cima de mim. Ele resistiu, deixando que eu me retorcesse como uma minhoca no anzol.

"Sasuke ", eu murmurei, suando até nas raízes do cabelo. "Por favor..."

"Por favor o quê?", ele lambeu meu lábio superior, depois o inferior.

Eu me balançava de encontro a seu corpo e afastei minha boca o suficiente para gemer.

"Você sabe."

Ele encostou a boca no meu pescoço. Eu senti a curva do seu sorriso. Sim, ele sabia. Mas continuou a me segurar presa a ele enquanto eu o agarrava e puxava.

Afinal, ele pareceu dar uma estocada, mais uma sugestão de movimento do que o vaivém verdadeiro. Mas foi o bastante. Aquilo me jogou no abismo, e meus músculos íntimos se contraíram acumulando sensações, e eu gozei com calafrios bruscos. Sasuke deu uma estocada forte e parou, preenchendo-me com seu calor.

Ele continuou me beijando depois, seus lábios vagando docemente enquanto seus dedos acariciavam meu queixo, minhas bochechas e meu pescoço. Depois de um tempo, ele me tirou da cama e levou para o chuveiro. Sentindo-me drogada, eu me apoiei nele enquanto Sasuke me lavava. As mãos dele foram delicadas enquanto me ensaboavam e enxaguavam. Escorregadia, vendada pelo vapor, eu descansei o rosto na superfície dura do peito dele. Ele baixou a mão e enfiou dois dedos dentro de mim. Eu estava dolorida e inchada, mas aquilo foi tão gostoso que não consegui evitar de empurrar meus quadris para frente. Eu ouvi um som baixo na garganta dele, e seu polegar girou ternamente sobre meu clitóris. Com habilidade infinita, ele me fez chegar a outro clímax, enquanto a água quente caía sobre mim e sua boca comia a minha.

Eu mal recordo de me enxugar e voltar para a cama, e logo caí no sono com a presença imponente de Sasuke ao meu lado.

Algum tempo depois, eu acordei de um pesadelo, meu corpo alarmado pela percepção de um homem dormindo ao lado. Acordei de sobressalto, pensando por um instante que eu estava de novo com Sasori, que não tinha conseguido fugir.

Algo se movimentou do meu lado, um volume masculino, e eu inspirei profundamente.

"Sakura", veio o murmúrio sonolento. O som me acalmou. "Sonho ruim?", o sono tinha deixado a voz dele suave e espessa, como veludo amarrotado.

"Aham."

A mão dele descreveu um círculo no meu peito, para acalmar meu coração disparado.

Eu suspirei e sosseguei nos braços dele. Os lábios dele desceram até meus seios e beijaram os bicos endurecidos e doloridos. Eu passei os braços ao redor da cabeça dele, sentindo o cabelo macio nos meus pulsos. Ele foi descendo devagar. Eu dobrei os joelhos e senti as mãos dele agarrarem meus tornozelos como algemas quentes, vivas. Mesmo no escuro, eu podia ver aqueles ombros largos e a silhueta da cabeça ancorada entre minhas coxas. Ele me lambia languidamente, alimentando-se do meu prazer, enviando tremores longos pelo meu corpo langoroso.

E quando eu adormeci dessa vez, não tive mais sonhos.

Continua!

Pronto Ana Luh conseguir atualizar hj kkkkkk

Capitulo dedicado a todos vocês que acompanham minha adaptação em especial minha Diva Obsidiana Negra pelos comentários de sempre... e Ana Luh pela insistência kkkkkkkkkk

Beijos ate o próximo capitulo!