Todos os personagens pertencem a MasashiKishimoto. A história é de autoria de Lisa Kleypas do seu livro A Redenção – Série The Travis Family.

Essa fanfic é uma adaptação.

Capitulo 18

"Deixe-me ver se eu entendi", eu disse para Gaara, de pé em frente à porta do apartamento dele. "Você não vai dar nenhuma folga ao Sasuke, apesar de ele ter salvado a minha vida duas semanas atrás? O que ele precisa fazer para que você o trate com educação? Descobrir a cura do câncer? Salvar o mundo de um asteroide?"

Meu irmão parecia exasperado.

"Eu não disse que não seria educado. Isso eu posso fazer."

"Uau, você é o máximo."

Naquela noite, Sasuke e eu iríamos a uma festa em prol das plataformas de recife, que era promovida por um conjunto de grandes empresas petrolíferas.

Plataformas-recife era um programa no qual as empresas cortavam a parte de cima de suas plataformas e as deixavam no leito oceânico para criar recifes artificiais. Como o fundo do Golfo do México é um lamaçal, as plataformas ajudam a criar um ambiente favorável para os peixes.

Apesar dos protestos de alguns ambientalistas, os peixes pareciam gostar das plataformas abandonadas. E as empresas de petróleo adoravam o programa, pois ele economizava milhões de dólares relativos à recuperação de plataformas. Assim, eles doaram uma exposição para o Aquário de Houston que mostrava, na opinião deles, o quanto o programa plataformas-recife beneficiava o Golfo.

Minha família estaria na abertura da exposição. E eu tinha feito meu melhor para deixar claro que eu não apenas iria com Sasuke Uchiha, mas esperava que os Uzumaki se comportassem como seres humanos razoáveis. Mas parecia que isso era pedir demais. Eu liguei para Deidara, que me avisou, de um jeito sombrio, que eu estava sendo usada por Sasuke, como ele havia previsto. E agora Gaara bancava o teimoso. Com certeza eu não esperava outra coisa do meu pai, cujas opiniões eram tão imutáveis quanto seu tipo sanguíneo.

Isso só deixava Naruto para eu me preocupar... mas senti que ele seria decente com o Sasuke, ainda que apenas por minha causa. Ele deu indícios disso quando falei com ele, depois do incidente no elevador.

"...tudo que eu disse foi que", Gaara continuou, "Sasuke Uchiha não ganha nenhum crédito com os Uzumaki por fazer apenas o que qualquer homem teria feito. Eu já lhe disse, se você tivesse ligado para mim ou para o Naruto, qualquer um de nós teria tirado você do elevador do mesmo jeito."

"Oh. Eu entendi."

"O quê?", ele apertou os olhos para mim.

"Você está com raiva porque não teve chance de bancar o machão e se exibir. Você não pode admitir que ninguém mais seja o herói. Você é o chefe dos homens da caverna e ninguém tem o porrete maior que o seu."

"Droga, Sakura, pare de distorcer o que eu digo. Não tem nada a ver com o tamanho do meu porrete", ele olhou para o corredor. "Quer entrar um pouco, por favor?"

"Não, eu não tenho muito tempo para me arrumar. Eu vou para o meu apartamento. Eu só passei para lhe pedir que seja gentil com o meu...", eu me interrompi de repente.

"Seu o quê?", Gaara exigiu saber.

Eu sacudi a cabeça, desconcertada. Só Deus sabia que palavra ou frase eu podia usar para Sasuke. Namorado parecia tão colegial. E inadequado, pois Sasuke parecia tão distante do colegial. Amante... bem, isso era antiquado e melodramático. Cara-metade? Amigo com benefícios? Não, não e não.

"Meu acompanhante", eu disse e lancei um olhar ameaçador. "Estou falando sério, Gaara. Se você for um babaca com ele esta noite, vou arrancar sua pele como se fosse um búfalo."

"Eu não sei o que você está me pedindo. Se é minha aprovação, não vai ter. Ainda não sei o bastante sobre esse malandro... e o que eu sei não é consistente."

Minha irritação cresceu com a pretensão dele de que a minha vida amorosa dependia de sua aprovação.

"Eu não tô nem aí para sua aprovação", falei, brusca. "Só o mínimo de boas maneiras. Só estou pedindo para você não bancar o babaca por duas horas. Você acha que consegue fazer isso?"

"Merda", Gaara murmurou, esticando a palavra ao máximo. "Mandona do jeito que você está ficando, eu quase sinto pena do sujeito."

O aquário tinha uma bela vista do horizonte de Houston a partir das janelas do salão de festas no terceiro andar. A recepção era para pelo menos 600 pessoas, que entravam em um vestíbulo com um grande tanque cilíndrico, passavam por uma viagem com os tubarões e visitavam exposições passadas que pretendiam imitar um naufrágio, um templo afundado, um pântano e uma floresta tropical.

As preocupações que eu tinha quanto a ir a uma festa com Sasuke sumiram cinco minutos depois de nós chegarmos. Ele estava à vontade e era divertido, conversando com as pessoas e circulando comigo. Quando Sasuke me apresentou aos seus sócios e às esposas deles, além de vários outros amigos, eu percebi que ele não era um estranho naquela multidão. Embora ainda não fizesse parte dos círculos mais tradicionais, como o da minha família, ele fazia parte de um grupo que tocava as empresas menores, mais ágeis, que preenchiam novos nichos.

Sasuke e eu conhecíamos pessoas em comuns, e algumas delas me disseram, rindo, que ele seria um bom partido para a mulher que conseguisse mantê-lo na linha. Eu percebi que ele, com seu jeito enganosamente moroso, estava seduzindo a multidão com mais maestria do que eu já tinha visto. Ele parecia saber o nome de todo mundo, e tinha o dom de se concentrar na pessoa com quem estava conversando, como se ela fosse a mais importante da festa.

Ao mesmo tempo, Sasuke era um acompanhante atencioso, e me pegou uma bebida no bar, mantinha a mão nas minhas costas, sussurrava coisas para me fazer rir. Enquanto conversávamos com um grupo, ele ajeitou, despreocupado, um elo da corrente dourada da minha bolsa, que eu levava no ombro.

Eu tinha me perguntado como Sasuke me trataria quando estivéssemos com outras pessoas, se ele ia querer que eu agisse como um satélite dele. Foi assim que Sasori sempre quis que eu agisse. Mas para minha surpresa, Sasuke não parecia se importar que eu tivesse minhas próprias opiniões. Quando a conversa mudou para petróleo de xisto, por exemplo, um dos sócios de Sasuke, um geofísico chamado Suigetsu Hozuki, falava com entusiasmo das possibilidades de desenvolver xisto como alternativa ao petróleo convencional, e eu comentei que tinha lido que isso seria tão ruim para o meio ambiente quanto mineração de poço aberto. Mais ainda, que o processamento do xisto jogaria quantidades imensas de dióxido de carbono na atmosfera, coisa que eu achava criminosa. A não ser que alguém achasse que o aquecimento global não estava acontecendo rápido o bastante. Suigetsu recebeu meus comentários com um sorriso forçado.

"Sasuke, eu não lhe avisei para não sair com uma mulher que sabe ler?"

Sasuke pareceu se divertir com a minha sinceridade.

"Isso ajuda a diminuir as discussões", ele respondeu. "Não adianta nem tentar, se eu já sei que ela vai ganhar.'

"Espero não ter incomodado você", eu murmurei para Sasuke depois. "Desculpe não ter concordado com Suigetsu."

"Eu gosto quando a mulher dá sua opinião", Sasuke respondeu. "Além disso, você tem razão. A tecnologia está longe de ser adequada para que a extração valha a pena. Do jeito que as coisas estão, o processo é ruim para o meio ambiente além de ser caro demais."

Eu olhei em dúvida para ele.

"Se a tecnologia tornasse o processo mais barato, mas ainda fosse ruim para o meio ambiente, você o adotaria?"

"Não...", ele começou, mas antes que pudesse se explicar, fomos interrompidos por uma risada retumbante. Uma mão pesada no meu ombro me fez virar.

"Tio Hashirama", eu exclamei. "Há quanto tempo!"

Hashirama Senju não era meu tio de verdade, mas eu o conhecia desde meu nascimento. Ele era o amigo mais chegado do meu pai, e eu suspeitava que teve uma queda pela minha mãe. Ele gostava demais de mulheres, e já tinha sido casado cinco vezes. Hashirama era um dos personagens mais pitorescos na indústria petrolífera.

Ainda jovem, no leste do Texas, Hashirama começou trabalhando em uma empresa de equipamentos de perfuração. De algum modo, ele conseguiu dinheiro para comprar terras e concessão mineral para alguns campos produtivos, e usou os lucros para comprar mais terras e depois ainda mais. Ele tinha os dedos numa variedade de negócios. E era cortejado por proprietários das maiores empresas incorporadoras, todas ávidas por negociar arrendamentos com grande potencial de lucro.

Eu nunca vi Hashirama sem seu chapéu branco de couro de castor, com aba de doze centímetros e copa de quinze. Um chapéu de caubói com tais dimensões ficaria ridículo na cabeça de um homem de tamanho normal, mas Hashirama era uma verdadeira montanha. Mais alto que Sasuke, ele era pelo menos cinquenta por cento mais pesado. Um de seus pulsos carnudos ostentava um Rolex dourado com diamante. O dedo indicador do tamanho de uma linguiça carregava uma pepita de ouro no formato do Texas.

Mesmo quando era criança, eu fui submetida ao hábito desconcertante de Hashirama beijar as mulheres de todas as idades nos lábios. Essa noite não foi exceção. Ele plantou um beijo enrugado em mim, cheirando a couro de sela, colônia doce e charutos La Única.

"O que a minha garota está fazendo", ele trovejou, "na companhia desse patife?"

"Boa noite, senhor", Sasuke disse com um sorriso, estendendo a mão para Hashirama

"Você já conheceu o Sr. Uchiha?", eu perguntei ao Hashirama

"Nós conversamos um pouco sobre minha propriedade no condado de Gregg", Hashirama disse. "Não chegamos a um acordo", ele piscou para mim. "Um homem tem que ter os bolsos bem fundos para negociar comigo."

"Hashirama não quer os bolsos", Sasuke disse, com certa amargura. "Ele quer a calça toda."

O homem mais velho riu com vontade. Ele pôs o braço carnudo à minha volta e apertou. E lançou um olhar significativo para Sasuke.

"Veja se cuida bem desta garota", ele avisou. "Ela foi criada pela maior dama que já pisou no estado do Texas."

"Sim senhor, vou cuidar."

Depois que Hashirama nos deixou com seus passos bamboleantes e artríticos, eu me virei para Sasuke.

"Por que você não chegou a um acordo com ele?"

Sasuke deu de ombros e abriu um sorriso irônico.

"Nós empacamos no bônus." Vendo que eu não tinha entendido, ele explicou. "Quando o proprietário assina o arrendamento, ele normalmente recebe um bônus do arrendatário. Às vezes, ele tem direito a um bônus bem substancial, se a terra parece promissora e existem poços produtivos por perto. Mas o bônus é sempre pequeno se a terra não promete."

"E o Hashirama queria um bônus grande?", eu supus.

"Maior do que qualquer homem bom da cabeça pagaria. Eu acredito em riscos calculados, mas não em riscos malucos."

"Sinto muito que ele não estava disposto a ser razoável."

"Eu espero a minha hora", Sasuke deu de ombros e sorriu. "Vai dar certo, mais cedo ou mais tarde. E Deus sabe que já tenho muito com que me preocupar." Ele me olhou com uma civilidade impecável. "Gostaria de ir para casa agora?"

"Não, por que eu...", mas me interrompi quando vi a fagulha nos olhos escuros dele. Eu sabia exatamente por que ele queria ir para casa.

"Nós ainda nem vimos toda a exposição", eu disse.

"Querida, você não precisa ver o resto da exposição. Eu posso te contar tudo que você quiser saber sobre as plataformas-recife."

Meu sorriso tímido se alargou.

"Então você é um especialista?", eu tinha aprendido que ele guardava com precisão fatos e detalhes, então aquilo não me surpreenderia.

"Pode me perguntar o que quiser", ele disse, confiante.

Eu brinquei com um botão da camisa dele.

"As plataformas servem mesmo para aumentar a população de peixes?"

"De acordo com um biólogo que trabalha no Instituto de Ciência Marinha, sim. Os recifes atraem peixes, mas não tem como fazer números muito grandes virem aleatoriamente, de todo o oceano, para se reunirem na plataforma. Então, com certeza estão cultivando peixes ali", ele fez uma pausa e perguntou, esperançoso, "Já ouviu o bastante?"

Eu neguei com a cabeça, olhando para o pescoço dele, onde a pele era macia, bronzeada e apetitosa. Eu adorava o som da voz dele, seu sotaque grosso e doce como mel.

"A plataforma continua pertencendo à petrolífera depois que eles cortam a parte de cima?", perguntei.

"Não, ela é doada ao estado, que se torna o proprietário. Então a empresa doa metade da economia para o Programa de Recifes Artificiais."

"Quanto tempo demora para os peixes irem até a... estrutura que eles deixam na água?"

"Essa estrutura é chamada jaqueta da plataforma", Sasuke mexeu na manga esvoaçante do meu vestido. "Depois que a jaqueta é derrubada no mar, e fica lá por uns seis meses, todos os tipos de planta e invertebrados se fixam nela. Um monte de coral se forma no topo, onde há mais luz, e então vêm os peixes. Ele se aproximou de mim e deixou sua boca tocar minha sobrancelha. "Quer ouvir sobre a cadeia alimentar?"

Eu inspirei o aroma dele.

"Ah, sim."

A mão dele pegou meu cotovelo, acariciando gentilmente.

"Um peixinho vem nadando pelo Golfo, então vem um peixão com fome..."

"Sakura!"

Uma voz aguda e alegre nos interrompeu e eu senti um par de bracinhos ao redor da minha cintura. Era Hanabi, a irmãzinha de Hinata, com o cabelo dividido em duas belas tranças.

Eu a abracei e me dobrei para beijar o topo de sua cabeça.

"Hanabi, como você está linda", eu disse, admirando sua minissaia e seus tamancos.

Ela ficou corada de prazer.

"Quando você vai vir dormir na minha casa de novo?"

"Não sei, querida. Talvez..."

"Você está com o Sasuke?", ela interrompeu ao ver meu acompanhante. Ela foi abraçá-lo, sem parar de falar. "Sakura, você sabia que Sasuke levou minha mãe para o hospital na noite em que eu nasci? Tinha uma tempestade e estava tudo inundado, e ele nos levou até lá em uma velha picape azul."

Eu olhei para Sasuke, sorrindo.

"Ele é muito bom em salvar pessoas."

O olhar dele ficou cauteloso quando mais duas pessoas se aproximaram — Naruto e Hinata.

"Sasuke ", ela disse, pegando a mão dele e a apertando afetuosamente.

Ele abriu um sorriso.

"Oi, Hinata. Como está o bebê?"

"Ótimo. Boruto ficou em casa com o avô. Minato gosta de cuidar dele." Os olhos perolados dela cintilaram. "Ele é a babá mais barata que eu já consegui."

"Hinata", Hanabi disse, puxando-a pela mão, "você quer ver as piranhas? Tem um tanque cheio delas ali adiante."

"Tudo bem", ela disse, rindo. "Com licença, pessoal. Nós já voltamos."

Hinata saiu, e Naruto ficou observando Sasuke por um instante. A tensão era sensível, até meu irmão estender o braço para apertar a mão de Sasuke.

"Obrigado", Naruto disse. "Sou seu devedor por ajudar minha irmã naquele elevador. Se existir qualquer coisa que eu possa fazer para recompensar..."

"Não", Sasuke logo disse. Ele pareceu ser pego de surpresa pela sinceridade de Naruto e baixou a guarda. Foi a primeira vez que eu vi um traço de constrangimento nele. "Você não me deve nada. Eu... depois da bobagem que eu fiz com o seu negócio de biocombustível..."

"Você mais do que compensou por aquilo há duas semanas", Naruto atalhou. "A segurança — e a felicidade — da minha irmã significa tudo para mim. Enquanto você for bom com ela, não terá nenhum problema comigo."

"Entendido."

Eu não gostava que falassem de mim como se eu não estivesse ali.

"Ei, Naruto", eu chamei a atenção dele, "você já viu o Gaara? Ele disse que viria esta noite."

"Ele está aqui. Encontrou uma ex-namorada no bar. Parece que estão fazendo as pazes."

Eu revirei os olhos.

"Dava para formar uma fila daqui até El Paso com as ex-namoradas do Gaara."

Foi então que ouvi o toque de um celular e Sasuke levou a mão ao bolso interno do paletó. Olhando para o número, ele piscou duas vezes.

"Desculpem", ele disse para mim e Naruto "Tenho que atender esta. Vocês se importam se eu..."

"Fique à vontade", eu disse logo.

"Obrigado", Sasuke atendeu o telefone e atravessou a multidão até chegar a uma porta que dava para o terraço.

Sozinha com Naruto sorri para ele, incerta, tentando decifrar se eu estava prestes a ouvir um sermão.

"Você está linda", meu irmão disse, passando os olhos por mim. "Você parece feliz."

Fazia muito tempo desde que alguém tinha dito isso para mim.

"Eu estou feliz", admiti, sentindo-me um pouco acanhada. "Naruto, desculpe-me se isso dificulta as coisas para você, eu ficar com alguém do passado da Hinata..."

"Isso não dificulta nada para mim", Naruto disse com delicadeza. E ele me surpreendeu ao acrescentar, "a gente não escolhe por quem se sente atraído. Quando eu conheci a Hinata, pensei que ela era um dos lanchinhos do papai — e sinto dizer que me comportei como um babaca", ele sorriu com ironia. "Mas mesmo então, ela tinha alguma coisa que mexia comigo de um jeito, toda vez que eu a via." Ele enfiou as mãos nos bolsos e franziu o rosto. "Sakura, levando em conta como Uchiha te ajudou na Torre Buffalo, estou mais do que disposto a dar uma trégua para ele. Mas se ele te magoar..."

"Se ele me magoar, você tem minha permissão para arrancar o couro dele", eu disse, fazendo-o sorrir. Eu me aproximei um pouco mais, ciente da possibilidade de alguém mais me ouvir. "Se nós não dermos certo, contudo... eu vou ficar bem, Naruto. Estou mais forte agora do que há alguns meses. Ele me ajudou a superar alguns dos problemas que tive com o Sasori. Então, não importa o que aconteça no futuro, sempre serei grata ao Sasuke por isso."

Sasuke voltou e eu soube, só de olhar para ele, que algo de muito errado tinha acontecido. Não havia expressão no rosto dele, mas Sasuke estava pálido como papel, apesar do bronzeado, e tinha o aspecto alheado de um homem cuja cabeça está trabalhando em múltiplos níveis.

"Sakura", a voz, também, estava diferente, plana e áspera como uma folha de lixa, "acabei de receber uma ligação da minha mãe. Aconteceu uma coisa na família que eu tenho que resolver e tem que ser já."

"Oh, Sasuke...", eu queria puxá-lo para perto, fazer alguma coisa que o reconfortasse. "Ela está bem?"

"Sim, ela está."

"Vamos agora mesmo..."

"Não", Sasuke disse logo. Ao notar a força desnecessária em sua voz, ele fez um esforço para relaxar. "Não é nada com que você tem que se preocupar, querida. Eu preciso cuidar disso sozinho."

Naruto interveio.

"Posso fazer alguma coisa?"

Sasuke anuiu.

"Por favor, cuida da Sakura. Faça com que ela chegue bem em casa." Ele olhou para mim, seus olhos estavam opacos. "Sinto muito. Detesto ter que deixa-la assim."

"Você me liga mais tarde?", perguntei.

"Claro. Eu...", ele parou de falar, como se lhe faltassem palavras, e olhou de novo para Naruto.

"Pode deixar Sakura comigo", Naruto logo confirmou. "Não se preocupe com ela."

"Ótimo. Obrigado."

E Sasuke nos deixou, cabeça baixa, suas passadas devorando o chão como se ele estivesse se preparando para destruir um obstáculo à frente.

"Talvez um de seus irmãos esteja doente, ou tenha sofrido um acidente", eu arrisquei.

Naruto meneou a cabeça.

"Não dá para dizer, só que..."

"Só que?"

"Se fosse algo assim, acho que ele teria dito."

Fiquei atolada em preocupação por causa do Sasuke.

"Ele deveria ter me levado com ele", murmurei. "Detesto ser deixada de lado. E não vou conseguir me divertir aqui sabendo que ele está lidando com algum problema misterioso. Eu deveria estar com ele."

Ouvi meu irmão suspirar.

"Venha, vamos encontrar Hinata e Hanabi. Eu prefiro ir olhar um aquário cheio de peixes devoradores de gente a imaginar em que problema Sasuke Uchiha pode estar se metendo."

Continua!

Ansiosa por suas atualizações Obsdiana Negra... suas adaptações são viciantes .

Obrigada a todos que acompanham minha adaptação, Ana Luh sua linda obrigada por todo carinho!