Classificação: T-rated
Romance/General
Fandon: Naruto
Shipper: SasuSaku
Disclaimer: Naruto não me pertence o que é muita infelicidade ¬¬ e a história a Elade-chan.
Autora: Elade-chan
Sinopse: Sasuke está consumido pelo ódio depois de saber a verdade sobre o seu irmão, quando seu coração está mais obscuro ele encontra com seus ex-colegas de time quase morrendo – Quem está os perseguindo Sakura? – Konoha – respondeu desmaiando. SasuSaku e algo de NaruHina
Traduzido por: Strikis
Betado por: Bella21
Exílio
Capítulo 2: Não somos de Konoha
Sakura abriu os olhos com esforço, sentia as pálpebras pesadas e o corpo adormecido.
- Onde estou? - Pensou sem reconhecer o teto, que era a única coisa que via do lugar em que estava. Encontrava-se deitada em uma cama, era suave e lhe deu vontade de fechar os olhos de novo e entregar-se ao sono que tentava apoderar-se dela, mas algo impedia. Pensamentos pairavam em seu cérebro cansado e não podia render-se mais as almofadas que a rodeavam, convidando-a a esquecer de todos os problemas...da dor...das feridas...
...Feridas...
...Naruto...
Naruto! Sakura voltou a abrir os olhos de repente. Agora recordava, Naruto e ela estavam em perigo, não podia permitir-se baixar a guarda.
Incorporou-se tão rápido que sua cabeça deu voltas e teve que se segurar até que passasse o enjoo. Ao ver a sua volta, descobriu que se encontrava em um quarto de tamanho médio, com paredes escuras. A sua esquerda, um pouco longe da cama, notou uma porta aberta que dava a um corredor, o qual não se podia ver nada do local onde estava. Junto a sua cama tinha uma mesinha com uma bacia e ataduras limpas.
Voltou-se para sua direita e viu que no quarto havia outra cama e deitado nela, encontrava-se seu companheiro de equipe loiro. Sakura suspirou aliviada e se apressou a levantar-se para comprovar seu estado. Tinha vários cabos conectados a ele, mas apresentava melhores aspectos do que ela recordava.
A rosada arrancou o tubo com soro que tinha no braço, o qual não havia percebido até então, e afastou os lençóis apoiando seus pés descalços no frio chão. Contudo, quando deu um par de passos em direção à cama de seu amigo, os joelhos falharam e caiu no chão.
Droga. Ainda estava fraca, colocou a mão no lado que agora estava enfaixado, assim com o resto do corpo. Não usava camiseta, mas as vendas brancas a cobriam, por sorte sua saia e a curta camiseta de malha negra de ninja, estavam lá.
Arrastou-se como pôde até chegar à cama de Naruto e a agarrou para colocar-se de pé.
- Não deveria fazer isso. – Disse uma fria voz recostada à porta.
Sakura ficou gelada, ainda com os joelhos no chão para tentar se levantar. Voltou-se para a entrada e viu que, com os braços cruzados e apoiado no canto da porta, estava Uchiha Sasuke, observando-a com sua habitual arrogância.
Então a rosada lembrou-se do encontro com seu antigo companheiro, e como ela lhe havia pedido ajuda. No fundo, havia pensado que ele os abandonaria como fez ao fugir de Konoha, mas para sua surpresa, estava equivocada.
- Sasuke...- A garota ajeitou-se apertando os dentes para ignorar a dor - ...somente queria ver com está o Naruto.
-Hump. – Limitou-se a contestar o Uchiha.
Tinha visto como Sakura caíra ao tentar levantar-se e logo se arrastou para chegar à cama do usuratonkachi. Desde quando estavam tão unidos?
A rosada colocou sua mão na frente de Naruto para comprovar sua temperatura e começou a verificar seu estado com a outra mão, passando-a por cima sem tocar, emanando chackra verde devido ao jutsu.
Sasuke observou atentamente. Assim pôde ver que Sakura era médica, isso explicava o fato das feridas serem tratadas com chackra, mas então porque demônios não tinha curado a si mesma? A resposta a essa pergunta chegou à mente do Uchiha rapidamente, ela tinha preferido gastar seu chackra curando o Dobe, ainda que sangrasse no processo.
O moreno recordou o estado em que ambos haviam chegado.
-Flash Back-
Sasuke levou a rosada, percorrendo rapidamente os corredores, até um quarto com duas camas, e a deitou em uma delas, na outra cama verificou como Juugo colocava Naruto.
-Karin, – chamou – no quarto do lado tem materiais médicos, pegue o que precisar.
Observando seus companheiros, percebeu que ambos tinham febre, as feridas de Naruto haviam sido tratadas e não sangravam como as de Sakura, contudo, seu estado geral parecia pior por estar inconsciente a mais tempo.
Karin chegou trazendo consigo ataduras limpas, e várias bolsas de soro e caixas de medicamentos.
- Tem febre, necessitaremos uma bacia com água fria e toalhas. – Informou a ruiva examinando as feridas.
- Suigetsu, tem um banheiro no final do corredor. – Indicou Sasuke que não parecia disposto a mover-se do quarto.
- As feridas do garoto estão boas, mas tem que baixar a temperatura e pôr soro e antibiótico, algo está passando no seu chackra... parece estar contido, existe algo que não permite que se recupere... não sei. – Disse Karin pensativa.
O Uchiha pensou que era muito estranho que Naruto permanecesse tanto tempo inconsciente. Pelo que se lembrava, o loiro tinha um assombroso poder de recuperação e seu chackra tinha níveis muito altos, graças a Kyuubi que guardava em seu interior.
- O chackra da garota também esta baixo, mas é por causa de suas feridas, estão estancadas, mas a diferença é que somente as dele estão tratadas levemente com jutsu médico... sua temperatura também é muito alta. – Disse de forma avaliativa.
Karin abriu a camiseta de Sakura e começou a tirar as vendas manchadas de sangue que cobriam suas costas, e deixou as que resguardavam a parte superior, para preservar o máximo possível de sua intimidade.
Tão logo a Kunoichi da Taka deixou a vista a pele da rosada, puderam observar uma ferida que sangrava e vários hematomas grandes que manchavam seu corpo. Sakura gemeu levemente, franzindo um pouco a testa em uma face de dor.
- Acredito que tem um par de costelas quebradas. – Informou a ruiva começando a emanar chackra curativo sobre a ferida.
Nesse momento, Suigetsu voltou com a bacia de água que haviam pedido e colocou na mesinha que ficava entre as duas camas.
- Aqui está. Agora o que precisa, cenoura? – Perguntou o Shinobi. Não pôde conter-se em dizer algo para irritar sua companheira, toda essa tensão e silêncio o deixavam nervoso. Além de que, já levava muito tempo sem insultá-la.
- O que você acha, cara de peixe? É um inútil! - Respondeu a ruiva com raiva. Já tinha muito com que ocupar-se com os dois feridos que não reconhecia, para ter que aturar seu companheiro idiota.
- Calados. – Ordenou Sasuke sem se quer levantar a voz, ele não precisava aumentar o timbre, para ser intimidante.
Juugo já tinha se aproximado até as toalhas e nesse momento, as submergiam para logo colocá-las na testa de Naruto e na de Sakura.
Karin seguiu vendando as costas da rosada, depois de curar o melhor que podia suas feridas. Então as pálpebras da Kunoichi tremeram antes de abrirem levemente revelando brilhantes olhos jades que olhavam de forma desfocada sem fixar nada, como se não os visse.
- ...Naruto... – Murmurou Sakura.
Sasuke fixou seu inexpressível olhar nela.
- Quem é Naruto? – Perguntou Suigetsu, demonstrando uma vez mais sua incapacidade para ficar em silêncio.
- Ele. – Apontou o moreno com um aceno de cabeça para a outra cama.
-...não se renda... - seguia sussurrando a rosada - ... não deixarei...não é sua culpa...ele nunca faria dano...
- Está delirando. – Disse Karin que estava tratando Naruto nesse momento. – É devido à febre.
O Uchiha aproximou-se dela lentamente. Sakura se mexia agitada enrugando a testa e abrindo os olhos de vez em quando.
- ...Sasuke-kun... - Disse a rosada olhando-o com os olhos fechados. O moreno se surpreendeu de que o reconhecesse. - Kakashi-sensei chega tarde outra vez?
- ...Sim... - respondeu o Uchiha à inverossímil pergunta da garota. Talvez lhe dissesse algo do que havia passado.
- Não podemos treinar hoje...está escuro...sonhei algo muito estranho. – Seguiu dizendo a garota, que parecia acreditar que era uma dessas tarde que esperava seu sensei para treinar, quando tinha doze anos - ...Você ia embora...e te colocavam no livro Bingo...Naruto ficou muito bravo...
Depois de dizer isso fechou seus olhos afundando em um profundo sono.
O livro Bingo. Poderia ser outro delírio de Sakura, mas algo dizia ao moreno que isso tinha algo a ver com a realidade. Franziu a testa e abandonou o quarto nesse mesmo momento ante os olhares atônitos da Taka.
-Fim do Flash Back-
Sasuke necessitava saber o que havia acontecido exatamente. A menção que Sakura havia feito do Livro Bingo, ainda que fosse entre delírios, o tinha deixado inquieto.
Não era de se estranhar que a essas alturas ele fosse oficialmente declarado traidor rank S, mas pensava que Naruto estava lutando para trazê-lo de volta e, para isso, tinha o apoio da Hokage. Era por isso que não entendia a decisão de incluí-lo no livro Bingo. Estaria relacionado ao estado em que havia encontrado seus antigos companheiros?
- Tsk. Seu chackra se mantém mínimo. – Murmurou a rosada para si mesma, ainda examinando Naruto.
- Hump. Tem algo o bloqueando. – Afirmou Sasuke de onde estava, recordando as palavras de Karin.
- Eu sei... - Sussurrou pensativamente, sem olhá-lo
O Uchiha pôde ver como a rosada apertava os punhos e os dentes, como se a ira se apoderasse dela.
- Tem que contar-me o que ocorre e o que é isso de Konoha os perseguir. – Disse Sasuke.
Sakura levantou a vista cruzando um olhar nervoso com o moreno, e o garoto notou como um calafrio percorria a kunoichi, fazendo com que a pele descoberta se arrepiasse.
- Como sabe isso?- Perguntou com voz dura a rosada.
- Você disse. – Respondeu ele tranquilamente. Era normal que ela não recordasse bem, depois de tudo estava ardendo em febre quando disse isso.
- Tem roupas nesse armário, pode usá-las enquanto as suas são lavadas. Depois desça as escadas no final do corredor. – Informou o Uchiha.
Sakura passou o olhar em Naruto, e observando-o com ternura e os olhos brilhantes de tristeza, assentiu mudamente fazendo Sasuke saber que o tinha ouvido.
Tão logo que o moreno viu que ela o havia escutado, desapareceu do canto da porta. Não tinha entrado no quarto durante toda a conversa que manteve com a garota, e não entraria. Tinha decidido que ainda que seus antigos companheiros estivessem ali, isso não devia afastá-lo de seus objetivos.
Ele era um vingador, repetia constantemente em sua cabeça. Em seu coração tinha lugar para o ódio, uma aura escura e fria o envolvia aonde fosse. Não poderia misturar-se outra vez com Naruto e Sakura. Ele representava a escuridão e eles eram a luz. Sasuke não podia permitir que a luminosidade o cegasse agora que avistava sua vingança tão perto.
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- Voce ficará bem de verdade? – Sussurrou Sakura acariciando o cabelo loiro de Naruto – Tem que acordar.
O rosto da garota se contraiu um instante observando seu companheiro em um estado tão frágil e desvalido. Ele não era assim, jamais o tinha visto em uma situação semelhante. Naruto sempre se destacava por sua vitalidade, energia e vontade de viver, superiores a qualquer um que Sakura tivesse conhecido.
Sentia-se mais sozinha do que nunca, sem poder ouvir a voz de seu melhor amigo. Jamais tinha pensado que chegaria a necessitar tanto de Naruto. Acostumou-se a sua presença, que sempre a apoiava e a protegia como a uma irmã. Agora era sua vez de protegê-lo, e jurava que o faria até seu ultimo suspiro.
Sakura levantou-se e caminhou cansadamente até o armário que Sasuke tinha indicado, onde havia roupa limpa.
Não tinha vontade de descer e enfrentar as perguntas do Uchiha, não podia imaginar ter que aguentar os gritos e acusações que estavam atolados em sua garganta. Ele tinha ajudado-os e por isso Sakura precisava engolir todas as amargas réplicas, não se arriscaria que a jogassem na rua com Naruto nesse estado.
Na verdade, Sakura não estava muito segura do que pensar a respeito do moreno. Ao vê-lo, uma mescla de emoções contraditórias se misturava em seu interior, uma parte dela morria de vontade de socá-lo enquanto a outra queria correr e abraçá-lo. Mas não o faria, ele já não era o Sasuke pelo qual se apaixonara, esse garoto, foi sufocado pelo frio vingador que agora tinha visto.
O que se perguntava a rosada era o porquê de tê-los salvo. Era possível que ainda sobrara algo de companheirismo nele?
Outra vez, Sakura dava duas respostas contraditórias, o coração gritava por acreditar que sim, que ainda havia algo bom no Uchiha. Sua cabeça, por outro lado, tinha uma resposta muito mais lógica, a única coisa que interessava ao moreno, era saber o que estava passando em Konoha, e por isso os ajudava, para tirar suas dúvidas, depois de quase os matar uma vez.
A Kunoichi suspirou ao abrir o guarda-roupa e ver o que tinha dentro. Colocados nos cabides tinha diferentes vestidos, kimonos e yukatas todos muito elegantes, mas com uma coisa em comum, bordado nas costas levavam, sem exceção, o leque branco e vermelho do Uchihas.
Sakura levantou uma camiseta negra cuidadosamente dobrada e a observou com olhos críticos. A roupa em si a agradava, era de mangas curtas muito parecida com as que ela usava, e a colocou sem duvidar, se não fosse pelo fato de, ao dar a volta, notar o bordado estúpido do símbolo que todas as demais possuíam.
Os Uchihas não poderiam ver uma coisa sem pintar sua marca? Recordava os meninos da academia que colocam sua assinatura em todas as mesas, e enchiam as suas coisas com seu nome.
A rosada se perguntou por que, do nada, se irritava tanto em usar roupas com o leque Uchiha. Desta vez a resposta foi única e indiscutível.
Porque não sou de sua propriedade.
Infelizmente, não podia andar por aí somente coberta com escassas vendas, de modo que teve que fazer muito esforço e se vestir com a camiseta. Decidiu deixar sua saia rosa e suas meias, ainda que somente fosse para se sentir confortável por levar algo seu, e calçou suas botas altas que tinha encontrado em um canto do armário.
Armando-se de valor, saiu do quarto rumo ao encontro com o Uchida, para contar tudo o que tinha passado em sua ausência.
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Sasuke estava sentado em um dos sofás velhos que tinha na sala, onde estava esperando, junto com a Taka, a rosada chegar. Ao seu lado, Karin e Suigetsu discutiam como sempre por qualquer coisa, nem sequer prestava atenção no motivo.
- Estou seguro de que tentava nos envenenar ontem sua bruxa. – Disse o ninja de cabelo celeste. – Essa "comida" que prepara é claramente um material tóxico de primeiro grau.
- Então não coma, maldito peixe. – Contra-atacava a ruiva. – Por mim você pode morrer de fome, assim pelo menos me deixaria tranqüila.
- Não teria tanta sorte, cabeça de fósforo.
- Cale-se o próximo que cozinhar será você, estúpido sushi! – Karin estava a ponto de pular para enforcar seu companheiro.
- Isso se soubesse cozinhar cara de cachorro! - Gritou o rapaz.
- Silêncio. – Ordenou Sasuke com voz ameaçadora.
Os integrantes do Taka calaram-se imediatamente, ainda que seguissem mandando olhares de ódio e algum outro gesto insultante.
Passados uns minutos, todos puderam ouvir o som de passos descendo as escadas.
Os companheiros de Sasuke voltaram seus olhares para a entrada com certa excitação. Estavam intrigados sobre os estranhos que haviam encontrado e curado. Pelo tempo que levavam ali, somente tinham podido averiguar vagamente seus nome e que fugiam de algo, possivelmente Konoha, tendo em conta as palavras da rosada.
Esperavam saber exatamente quem eram e que relação os unia ao Uchiha e Konoha. Desde que haviam encontrado-os, o moreno tinha atuado de maneira estranha, e isso não só tinha incrementado sua curiosidade.
Sakura apareceu ao pé da escada, apoiando-se no corrimão para descer. Notava-se que ainda mancava um pouco, pois não podia estar totalmente recuperada de suas feridas ainda que fizesse todo o possível para ocultar.
A rosada respirou fundo, recolhendo forças para levantar a vista e enfrentar todos esses pares de olhos indagadores que a miravam cheios de perguntas. Dando um par de passos, parou frente a eles observando-os com toda a força de suas brilhantes íris jade, ninguém se moveu nem falou.
- Oi. – Suigetsu se adiantou, aproximando-se da kunoichi que o viu com cautela. O ninja da névoa não podia aguentar o silêncio incômodo, de modo que tinha decidido romper o gelo. – Como se encontra?
A kunoichi o viu indecisa por uns segundos.
-...Bem, muito obrigada. – Afirmou Sakura em tom amável, presenteando-o com um sorriso radiante.
A rosada estava agradavelmente surpreendida com o rapaz de cabelo celeste. A primeira vista, parecia um pouco amedrontador com esses dentes afiados e seus estranhos olhos violeta, mas tinha se mostrado amável.
Sakura não recordava muito dos companheiros de Sasuke. Quando os tinha visto, estava praticamente delirando, mas teve o prejuízo de pensar que seriam hostis ou, quem sabe, violentos. Ao ver os olhos desse ninja cumprimentando-a, tinha desfeito a ideia.
- Chamo-me Hozuki Suigetsu. – Apresentou-se com um sorriso - Mas como futura mãe dos meus filhos, pode me chamar como quiser. – Brincou beijando sua mão.
Atrás dele, Karin bufou com a brincadeira e murmurou algo parecido a "gigolô", Sasuke se limitou a levantar a sobrancelha e Juugo continuou da mesma forma.
Sakura soltou uma leve gargalhada pela brincadeira.
- Eu me chamo Haruno Sakura, ...e,...eh... pode me chamar de Sakura. – Terminou sorrindo.
Sasuke os via sem variar sua expressão, como se estivesse aborrecido de tanta conversa inútil. Não tinha perdido nem um detalhe desde que a rosada se fez presente, ainda que parecesse estar pensando em outra coisa. Tinha notado até o mais ligeiro movimento, desde sua dissimulada mancada até a mudança em seus olhos ao passar de cautela a amabilidade.
Obviamente tinha descoberto que o negro da camiseta era uma boa mudança, tendo em conta a roupa esfarrapada com a qual a tinha encontrado. A qualidade da roupa Uchiha era indiscutível. Ainda que ela tenha conservado o resto de suas vestimentas. Tsk, mulher teimosa. Pensou.
Sorriu com malícia interior ao intuir que a rosada não gostava de usar a roupa que emprestara. Parecia que a pequena irritante tinha adquirido orgulho nesses anos e já não se colaria nele como antes. Bom, não importava, assim seria um pouco mais interessante tratar com ela.
O que lhe irritava era o fato de que continuava sendo tão vívida e alegre como sempre, não percebia que estava destroçada, fugindo e sendo perseguida por sua própria aldeia? Não conseguia entender porque não se quebrava, porque não chorava e tinha os olhos apagados, não se explicava como podia tirar o lado bom de tudo. Droga, desde que tinha entrado estava no estúpido festival de sorrisos.
- Bem vinda Sakura-san, eu sou Juugo. – Apresentou-se o gigante.
- Karin. – Disse a ruiva levantando a mão com desdenho. – Não se importe com o "pescado", tem problema cerebral.
Suigetsu, por conta da resposta, dedicou um grosseiro gesto com o dedo médio da mão e guiou a rosada até uma das cadeiras para que tomasse acento.
- Ah sim, é de Konoha, não? – Perguntou Karin com curiosidade.
-...Eu era... – Contestou incômoda a garota.
Sasuke acreditou ver um brilho de dor aparecer nos olhos da kunoichi. O Uchiha não tirou a vista dela até que seus olhos se cruzassem durante um instante, antes que a rosada apartasse o olhar.
- As coisas na vila mudaram... não podíamos continuar por lá... – Parecia que Sakura tentava se desculpar.
- Desertou. – Sentenciou Sasuke e a rosada arregalou os olhos quando as palavras caíram sobre ela como uma laje. – Por isso te perseguiam, por traição. Não deixa de ter graça, não é verdade Sakura?
- Não é bem assim. – Protestou duramente a rosada. – Você não sabe nada Sasuke, não fale como se entendesse, isso não se parece em nada com o que você fez.
- Ainda que hilariamente nos tenha levado a mesma situação. – Assinalou o moreno com astúcia.
- Por motivos completamente diferentes... nós não tivemos eleições. – Fez uma pausa e o fuzilou com o olhar – Não sabe o horrível lugar que agora é Konoha.
A Taka tinha permanecido em silêncio, tentando captar algo nas frases que ambos lançavam, tão afiadas como espadas.
- Hmp, acredite eu faço uma ideia. – Murmurou mais para si mesmo, pensando no que havia descoberto sobre sua família e o conselho.
-Uma ideia? – A rosada disse em forma de brincadeira, com uma amarga gargalhada – Não acredito, quanto faz que você saiu, quatro, cinco anos? - A garota bufou - então creio que estava ciente do que ocorria na aldeia? - Perguntou sarcasticamente.
-...- Sasuke se limitou a olhá-la inexpressivamente.
- Eu acredito que não. Konoha se converteu em um inferno e você nem sequer teve notícia disso. - Acrescentou tristemente – De modo que não me diga que sou uma traidora, existe uma grande diferença entre trair e escapar. Não tem direito de me julgar, você...
Vamos, diga. Você! Não estava lá! "Abandonou-nos" Não viu como tudo se desmoronou a nossa volta! Uma voz em seu interior gritava amargamente todas as palavras que queimavam em sua garganta, mas não o fez, sabia que não serviria de nada,só, talvez, para piorar sua situação.
Porque, ainda que se gritasse para Sasuke compreender toda sua dor, ele jamais lhe diria as duas palavras que desejava escutar de seus lábios. Nunca diria me desculpe, não se desculparia por ter saído, deixando-os com o coração quebrado.
O Uchiha observou curioso como a rosada suspirava acalmando-se, com a vista no chão. Tinha pensado que ela gritaria, tinha estado a ponto de fazê-lo, ele sabia.
Quase havia conseguido quebrar essas atitudes de felicidade e sorrisos que tinha, mas ao final acabou recompondo-se e guardando suas palavras. Era frustrante, não sabia por que, mas necessitava que ela lhe mostrasse o que de verdade sentia. A amargura e o ódio que seguramente tinha encarcerado em seu coração, pois era impossível que, depois de ser perseguida por sua própria gente, continuaria com esse brilho em seus olhos.
- Contar-te-ei o que passou. – Afirmou Sakura, já tranquila. – Então poderá me dizer o que faria você em meu lugar, Sasuke. – Desafiou com a testa levemente franzida.
