Desculpem o atraso pessoas :(
Minha culpa, vou postar o próximo capt de NDQFUS o mais rapido que eu puder xD
Bom, aproveitem o capt, o ultimo com a parte das lembranças :)
Traduzido por Chris96
Betado por Bella21
Exilio
Capitulo 5. III: Fuga
No dia seguinte, acordei com o som de uma estúpida campainha. Levantei-me desesperada, a noite passada havia dormido contra a janela aberta, enquanto olhava o céu. Hoje era o dia em que deveríamos fugir, necessitava preparar tudo.
Mas o som da campainha que tinha me despertado continuava soando, por acaso era algum chamado? Era possível... a pergunta era, para que?
A sensação de que algo ruim estava a ponto de acontecer não me abandonou durante todo caminho até a praça central de Konoha. Apesar de que, ultimamente, havia me acostumado com a sensação, estava em tensão constante.
Ao chegar, vi que havia muita gente reunida em torno de alguma coisa. Com uma crescente ansiedade, aproximei-me até que o medo nublasse meus sentidos ao ver Naruto com a cabeça abaixada, amarrado e vigiado por alguns AMBUs enquanto o Hokage falava para a multidão.
- Eu os reuni para que vocês presenciem o julgamento de Uzumaki Naruto, o jinchuunriki da Kyuubi.
Sufoquei uma maldição e abri caminho, com o coração em pedaços, até a frente, para que Naruto pudesse me ver e saber que não estava sozinho, que eu não permitiria essa loucura. Mas ele não levantou a cabeça, apesar de eu ter certeza que ele sabia que eu estava lá.
Ele tinha passado só uma noite na prisão, mas parecia que tinha ficado anos sem ver o Sol. Estava cabisbaixo e sujo, eu podia ver mais de um hematoma em sua face e muitos cortes que rasgavam suas roupas, aqueles desgraçados não tiveram piedade dele.
Mas não era sua aparência que estava me dando vontade de chorar e gritar de raiva, e sim, seus olhos que estavam apagados e avermelhados, sem a força que os caracterizava. Por sua atitude parecia de verdade que acreditava merecer estar ali.
- O jinchuuriki ameaça constantemente a vida em Konoha. Há alguns meses todos pudemos ver a destruição que causou quando quase liberou a Kyuubi, é instável e pode nos destruir a qualquer momento. A Akatsuki também está atrás do bijuu de nove caudas e isso nos coloca em perigo. Se continuar aqui, eles voltarão e destruirão tudo que temos conseguido reconstruir.
Franzi a testa e olhei para Danzou com todo o ódio que fui capaz. Como ele se atrevia? Naruto nos defendeu, graças a ele que estamos todos vivos.
- Percebemos que o jinchuuriki não pode controlá-lo, é um monstro que quando se libera não faz distinção de amigo ou inimigo. E para provar temos o testemunho de um de seus companheiros. Yamanaka Ino.
Arregalei os olhos com surpresa. A porca? Mas que testemunho ela iria dar? Do quê? Não poderia ter nada, Naruto não era perigoso e era impossível ter alguma coisa pra provar, mesmo que obrigassem Ino a depor contra ele.
Vi minha amiga se aproximando, seu aspecto era deplorável, tinha perdido peso por causa do estresse, supus, tinha olheiras e estava muito pálida, como se fosse ficar doente.
- Yamanaka Ino, não é verdade que Uzumaki Naruto atacou sua companheira de equipe Haruno Sakura ferindo-a durante uma missão quando foi possuído pela Kyuubi?
Soltei um suspiro de raiva e indignação. Isso não tinha nenhum sentido, havia sido um acidente. Vi como Naruto cerrava os dentes e uma lágrima descia por seu rosto até o chão, continuava sem olhar para mim.
- ... – Ino olhou para o chão tremendo.
- É verdade? – Pressionou Danzou agressivamente.
- ... S-Sim – resignou-se a loira ao olhar para o Hokage – ela não me disse, mas e-eu senti que aquela ferida tinha sido provocada por chakra puro e eu reconheci ser da Kyuubi. – Murmurou trêmula e evitando olhar para as pessoas.
- Isso demonstra que é um perigo pra qualquer um que se aproxime dele e sua atitude é irresponsável e egoísta, é contra tudo que tentamos proteger – determinou o Hokage maliciosamente. – Uzumaki Naruto, como você se declara?
- Culpado. – Murmurou com uma voz quebrada, entreabrindo seus rachados lábios.
- Não! – já não pude me conter mais. – Naruto, por favor, olhe para mim, você não é assim, jamais faria algum dano a alguém intencionalmente, não é culpa sua. – Supliquei soluçando.
Ele continuou com o olhar no chão. Eu não tinha ideia de que coisas absurdas tinham colocado na cabeça dele para levar a culpa por essas mentiras, haviam tirado tudo do contexto para que Naruto parecesse um monstro e ele tinha acreditado.
- Tendo em conta tudo isso, condeno o jinchuuriki à morte. Só dessa maneira nós nos livraremos da ameaça da Akatsuki e do perigo que se supõe tê-lo aqui. – sentenciou Danzou. – A execução será ao anoitecer.
Tempo suficiente. Isso foi a única coisa que pude pensar. Coloquei uma cara de desespero e rendição para que o Hokage não suspeitasse do que eu ia fazer e estivesse confiante da sua vitória.
Fui para casa rapidamente enquanto voltavam a levar Naruto à prisão, não me surpreendi quando ouvi "sua voz" assim que fechei a porta.
- Sakura. – Outra vez minha estúpida imaginação.
- Sasuke-kun. – Aproximei-me para que me rodeasse com seus braços, mesmo que não me tocasse.
- Acalme-se, tudo vai ficar bem. – Tentou tranquilizar-me.
Era totalmente delirante que eu precisasse ouvir essas palavras para me sentir com forças e que tivesse que inventar uma ilusão estúpida para que ela as dissesse. Estava tão sozinha? Sim, sozinha e louca.
- Ajude-me, por favor. – Supliquei com ansiedade, era tão fácil acreditar que ele estava ali de verdade.
- Você pode fazê-lo, não se renda. – Animou-me com sua voz grave e tranquila.
Olhei-o nos olhos e levantei uma mão até quase acariciar sua face como sempre fazia.
- Você não sabe o quanto eu gostaria que estivesse aqui. – sussurrei – Não tem nem ideia da falta que me faz.
A ilusão sorriu torto com arrogância.
- Obrigada Sasuke-kun. – Coloquei-me na ponta dos pés e rocei seus lábios fechando os olhos, não senti nada, somente ar – Adeus.
Ao abrir os olhos não havia ninguém, não me surpreendeu, depois de tudo não era real, só um produto da minha mente perturbada, o Sasuke real jamais agiria assim.
Não tinha tempo para fantasias que me reconfortavam, tinha que salvar Naruto.
Os AMBUs que vigiavam a prisão nem sequer viram o que estava chegando, não tiveram tempo de dar o alarme porque caíram inconscientes em um segundo. Eu não era uma ninja médica por nada, preparei uma espécie de bomba de fumaça que soltava um gás incolor, que fazia cair em um sono profundo em que demorariam horas para acordar.
Aproximei-me vindo das sombras e retirei deles o mecanismo que permitia usar o jutsu que tinha escravizado a todos nós. Ao olhar mais de perto percebi que era apenas uma espécie de disco preto pequeno acoplado a palma da luva, que estava impregnado de chakra.
Eu os guardei e continuei andando em silêncio no interior da prisão. Fiquei agradavelmente surpresa de não encontrar muita vigilância, com certeza estavam tão convencidos de sua superioridade que pensavam que ninguém se atreveria a entrar na boca do lobo.
Finalmente encontrei a cela de Naruto, estava sendo guardada por um AMBU que se apoiava tediosamente na parede em frente à porta. Deslizando-me silenciosamente e ocultando meu chakra para que ele não me percebesse, cheguei a seu lado e rapidamente o ataquei com um dos bloqueadores que havia tirado dos ninjas da entrada.
Nem sequer teve tempo de gritar antes que meu punho se estampasse em sua cara e perdesse a consciência. Não ofereceu resistência, já que eu o tinha deixado sem forças.
Ao usar a arma do inimigo pude perceber várias coisas sobre ela. A primeira é que cada "disco" só podia ser usado uma vez, já que quando descarregava o chakra de seu interior ficava vazio e inútil, e a segunda era que para ativá-lo só tinham que tocar o adversário e aplicar uma pequena quantidade de seu próprio chakra para que o jutsu saísse.
Uma vez com a certeza de que o guarda estava fora de combate, tirei a chaves dele e abri a cela de Naruto. Ele estava deitado no chão e acorrentado, certamente o haviam deixado sem chakra, se por acaso tentasse escapar.
Ajoelhei-me ao lado dele e acariciei seu cabelo.
- Naruto. – chamei-o, sacudindo seu ombro – Eu vim para tirá-lo daqui. Vamos, levante-se.
Ele abriu seus olhos para me olhar sem expressão. Tive vontade de gritar e destruir tudo pela raiva, esse não era Naruto.
- Sakura-chan, esse é o meu lugar. – respondeu tristemente, levantando-se um pouco. – Só causo dor às pessoas. Estar perto de mim é um perigo para você, para Hinata, para todos... A Akatsuki vai me encontrar e usará a Kyuubi para destruir tudo ou pode ser que eu mesmo perca o controle... já aconteceu antes... É melhor que tudo termine assim...
O som da palma da minha mão ao impactar com a face do loiro ressoou em todo lugar quando eu virei o rosto dele com um tapa.
- Quem é você? – perguntei destilando minha ira – Você não pode ser Naruto, ele não se renderia assim. Você vai dá-los a razão? Se você permitir que eles façam isso com você vai demonstrar que é o que todos diziam, só um perdedor. Meu amigo disse uma vez que nunca retrataria suas palavras e cumpriria suas promessas, você é um mentiroso.
- Sakura-chan... – Ele parecia atordoado com minhas palavras cruéis.
- Eu vim aqui hoje para resgatar Uzumaki Naruto, o "próximo Hokage dattebayo". Não vou com um covarde. – disse duramente – E então? Quem é você?
Suas íris azuis elétricas cintilaram. Meu irmão tinha voltado.
Com um forte puxão consegui quebrar as correntes que prendiam Naruto, que tentou se colocar de pé, estremecendo com caretas de dor. Ele estava ferido e muito fraco, mas não tinha tempo para curá-lo, disso tinha que me ocupar depois, agora devia sair daqui antes que alguém percebesse nossa fuga.
Ajudei-o a levantar colocando seu braço sobre meus ombros para ele apoiar seu peso em mim ao caminhar, a qualquer momento ele desabaria. O caminho para sair da prisão pareceu eterno, tivemos que tomar desvios para evitar os guardas e avançamos bem devagar, finalmente chegamos à claraboia que eu tinha usado para entrar e conseguimos sair.
Fiquei admirada que meu plano estivesse indo tão bem, mesmo que agora nos faltava sair da vila, isso seria complicado. Tirei as duas capas que havia escondido antes de entrar e as coloquei cobrindo nossos rostos, dessa forma, passaríamos mais despercebidos ou pelo menos eu esperava.
Nesse momento, quando já nos afastávamos pelas sombras, ouvimos claramente o alarme da prisão. Tsk, merda. Eles tinham percebido a fuga de Naruto e agora nos perseguiriam, deveríamos nos apressar. Meu companheiro mal podia andar, muito menos correr, eu pensava, ainda assim tínhamos que tentar, se não, estávamos mortos.
- Naruto, nós temos que correr ou eles vão nos pegar – Sussurrei.
Como toda resposta o loiro se endireitou, apertando os dentes de dor e segurando minha mão, puxou-me para começarmos a correr. Eu o segui surpreendida, embora eu tivesse transferindo algum chakra para tirar um pouco da dor, não pensei que ele fosse capaz de fazer tanto esforço.
Após alguns segundos correndo pelas ruas vazias da vila para eles não nos encontrarem, eu podia ver um par de AMBUs nos seguindo desde os telhados, apertei a mão de Naruto. Nós estávamos tão perto da liberdade, só um pouco mais e poderíamos despistá-los.
Quando chegamos aos campos de treinamento eles nos alcançaram cortando o nosso passo. Naruto poderia ter tirando suas últimas forças para a corrida por Konoha, mas ele não estava em condições de lutar. Ainda assim, nós colocamos costas contra costas em posição defensiva, dispostos a tudo, era melhor morrer lutando que viver como uma máquina a serviço de um ambicioso.
Eu usei os dispositivos para bloquear chakra que havia tirado dos guardas e deixei fora de combate um par de adversários, mas os outros continuavam atacando.
- Vocês não poderão escapar seus traidores. – Sibilou um dos AMBUs, dando-me um chute no estômago.
- Não a toque! – Gritou Naruto erguendo-se na minha frente e batendo no AMBU repentinamente.
Apesar dele ter lutado com todas suas forças, Naruto caiu no chão depois de vários golpes e feridas, pois nem mesmo podia usar jutsus em seu estado. Eu consegui que eles não me bloqueassem esquivando das suas mãos e abrindo o solo como minha força, atingindo tudo que estivesse ao meu alcance até fazer com que se arrependessem de terem se aproximado.
Eu estava sendo um problema para eles, mas não podia vencer, já estava exausta. Uma kunai afundou-se no meu tronco, fazendo-me dobrar pela dor e a grande ferida que produziu.
Nossa situação era lamentável. Em uma tentativa desesperada me aproximei de Naruto que jazia no solo, tinha que recorrer a última oportunidade de escapar que nós tínhamos, ainda estava longe demais para usá-la... mas não tinha escolha. Eu rezei para que tudo corresse bem, estava pensando em usar quando nós saíssemos da vila, mas...
Rapidamente concentrei a maior quantidade de chakra que pude, movi minhas mãos para formar os selos necessários e me agarrei a Naruto fechando os olhos. Por alguns instantes não conseguia ouvir nada e ainda com os olhos fechados percebi que a escuridão nos envolvia, só podia sentir meu companheiro inconsciente ao meu lado.
Então, o som de pássaros cantando chegou aos meus ouvidos assim como o cheiro da grama e da umidade do solo abaixo de mim. Olhei em volta e notei com satisfação que meu plano tinha funcionado.
Perto de nós estava uma lesma com um par de mochilas que desapareceu rapidamente. O jutsu de teletransporte. Eu pensei que ao estar tão longe não podia perceber bem minha invocação, que foi usada como ponto de referência para saber em que lugar nos teletransportar. Além da distância quanto mais, maior seria a quantidade de chakra necessária.
Sorri exausta, mas orgulhosa, tínhamos escapado, no momento era a única coisa em que queria pensar.
Eu descansei por um momento antes de voltar para realidade. Naruto estava muito ferido e precisava de cuidados e eu também, além de Konoha nos perseguir e não podíamos dormir ao ar livre.
Vedei meu torso com as provisões médicas que eu levava e carreguei Naruto para procurar abrigo. Eu estava a ponto de desmoronar quando encontrei uma caverna profunda escondida atrás de umas árvores e arbustos.
Entrei e coloquei algumas de nossas coisas dentro, curei Naruto o melhor que pude tendo em conta a minha falta de chakra, embora eu não tivesse sido bloqueada, estava no mínimo por todo esforço requerido com a fuga.
Passaram-se algumas horas e meu amigo começou a ter febre, desesperadamente pus panos molhados na sua testa tentando fazer alguma coisa.
Amaldiçoei a Danzou e a Konoha, os nossos amigos, os AMBU tudo que eu conseguia pensar, tal era a impotência e o desespero que sentia. Então ouvi um ruído na entrada da caverna. Coloquei-me em alerta e levantei pegando uma kunai, eu podia estar ferida, esgotada e sem chakra, mas morreria defendendo Naruto se fosse preciso.
Uma silhueta se aproximou e eu joguei a arma como advertência.
- Não dê mais um passo. – adverti seriamente, fazendo com que minha voz soasse forte e segura. – Estou avisando, estou armada.
Eu dei mais um passo a frente e distingui várias pessoas, ainda assim não podia ver seus rostos porque a luz que entrava a suas costas me cegava, os fazendo permanecer nas sombras.
- Sa-ku-ra. – Eu fiquei tensa. Essa voz...
- Quem é... – Comecei a perguntar, mas ao me mover um pouco para o lado pude ver claramente quem era.
- Sasuke-kun. – Por acaso era outra alucinação? Parecia provável, mas então, quem eram os outros três? Alguma coisa me dizia que desta vez o verdadeiro Uchiha Sasuke estava na minha frente e, sinceramente, em vista da nossa situação essa não parecia uma boa notícia.
Sakura terminou de contar sua história.
Obviamente tinha omitido algumas partes do que aconteceu, como seus delírios e pensamentos íntimos. Além do fato de que esteve cuidando do monumento aos Uchiha e tinha substituído, na história, a ameaça de estupro que ela sofreu , definindo apenas como um ataque.
Todos tinham os olhos fixos nela. Karin estava pálida, Juugo a olhava como se quisesse abraçá-la para fazê-la se sentir melhor, Suigetsu tinha a boca ligeiramente aberta procurando algo para dizer e Sasuke mantinha os olhos cravados nos dela e a testa um pouco franzida.
Danzou. A ira corria nas veias do Uchiha só de escutar esse maldito nome. Conteve-se de ativar o Sharingan, mataria aquele bastardo. Não só tinha destruído sua família e permitido que Itachi carregasse a culpa, como também tinha acabado com tudo que alguma vez quis vagamente.
Nos anos que Sasuke esteve fora, ele não se havia permitido pensar em seus companheiros ou seu professor, os havia deixado para trás com tudo, mas ao ir embora ele sabia que estariam bem, continuariam com suas vidas e seriam fiéis ninjas de Konoha. Claro, ele não esperava encontrar-se com uma vila oprimida, um Naruto condenado à morte, um sensei provavelmente morto e uma Sakura capaz de qualquer coisa. Era desconfortável pensar nisso.
Ele achava irreal toda essa história sobre Konoha, seu cérebro não assimilava que conseguiram submetê-los dessa maneira. Pelo que ele lembrava todos seus companheiros não possuíam exatamente um caráter submisso e domesticável. Essa história toda parecia ter saído de um pesadelo de Sakura, no entanto, coincidia perfeitamente com o estado em que havia encontrado seus ex-companheiros.
- Sasuke. – chamou a moça, tirando-o de seus pensamentos – Onde estamos?
- Em uma das guaridas do meu clã. – respondeu o Uchiha distraidamente, ainda estava processando a informação que a kunoichi tinha contado.
Sakura riu levemente, surpreendendo o público. Como podia rir e agir com tanta naturalidade depois de viver o horror que acabara de contar.
- Não é preciso mais do que parar de procurar algo para encontrá-lo, certo? – A moça brincou.
Sasuke inclinou a cabeça ainda olhando-a com curiosidade. Ele pensava que tinha chegado a parte em que ela se colocava a chorar depois de contar com todos os detalhes como tinha sido ruim, mas surpreendentemente ela continuava como se não tivesse acontecido nada.
Ele não conseguia suportar, por que não podia afundar? Por que não renunciava a tudo e se afundava na escuridão? Por que não era como ele? Ela deveria se entregar ao ódio e a vingança por tudo que tinha sofrido nas mãos de Danzou e, no entanto, ali estava ela, rindo.
Sasuke não entendia a razão que o empurrava a desejar ver tudo isso nos olhos de Sakura, talvez para não ser o único a sofrer, talvez para demonstrar a ela que o caminho da vingança que ele tinha escolhido era o único possível quando sua vida é destruída desse modo.
- Pare de me olhar assim, não vai acontecer. – Disse Sakura calmamente.
Por um instante, Sasuke pensou que a garota estava lendo seus pensamentos.
- Eu não vou chorar, nem nada do tipo, – disse rolando os olhos – era o que você esperava, não? A menina fraca que só sabe chorar. – sorriu – Sinto decepcioná-lo.
- Até onde eu me lembre, era o que costumava fazer. – Replicou Sasuke cruelmente.
- Suas lembranças chegam até meus doze anos. – Respondeu Sakura.
O Uchiha a olhou por uns segundos, ela tinha razão, fazia mais de cinco anos que não a via, já não era uma criança de doze anos que o seguia a toda parte tagarelando. Havia crescido e não só fisicamente, onde estava a doce e emotiva Sakura?
- Hmp... você mudou. – Murmurou Sasuke.
Ela fez um gesto confuso com as mãos.
- Eu choro menos e bato mais forte. – respondeu Sakura com desdém. – Percebi que me lamentar não levava a lugar nenhum. Mas, no mais, eu não mudei tanto.
Nesse momento, as entranhas da moça soaram mostrando que não comia há vários dias e seu estômago reclamava por comida. Sakura corou levemente.
- Sinto muito. – Desculpou-se envergonhada.
Sasuke conteve um grunhido de impaciência. Certamente em alguns aspectos continuava sendo a mesma. Igualmente irritante.
- Sakura, eu acho que você deveria comer alguma coisa. – Disse Suigetsu com uma risada, levantando-se rapidamente.
Tão rápido que fez com que a garota ficasse tensa, agarrando-se ao assento pelo movimento brusco. Ela acostumou-se tanto a ficar alerta, que qualquer coisa a fazia prever um golpe ou ataque. Tinha sido uma reação instintiva.
A moça mudou o gesto rapidamente a um sorriso para tranquilizar o ninja da névoa quando compreendeu que não tinha nada a temer, ele havia ficado parado com uma expressão arrependida.
- Acho que ficou um pouco de comida na cozinha, cara de peixe. – Comentou Karin, sem perder a oportunidade de insultar o companheiro.
- Não queremos envenená-la, cenoura. – Respondeu o shinobi.
- O único que eu vou envenenar vai ser você, tubarão esquálido. – Rosnou a ruiva.
- Pelo menos assim vou me salvar de ter que comer as porcarias que você prepara, quatro olhos. – Rebateu Suigetsu gritando.
Enquanto isso, Juugo se levantou caminhando até a cozinha para conseguir um pouco de comida, ignorando seus companheiros de equipe.
- Sasuke, podemos ficar aqui? – perguntou Sakura quando se deu conta de que realmente não tinha perguntado ao Uchiha se permitiria que eles ficassem ou simplesmente, agora que eles já não morreriam, os jogaria na rua.
- Eu... Nós não o irritaremos... e quando Naruto se recuperar, vamos embora daqui. – prometeu a moça desconfortável – Não acho que ele vai demorar muito a acordar...
Sasuke a olhava mover os lábios sem parar, formando palavras uma a atrás da outra, havia deixado de escutar a um tempo. Na verdade, continuava fazendo muito das coisas que ele lembrava, como a mania de falar sem parar.
Kami, já podia se calar, ele os tinha acolhido, não? Isso significa que podiam ficar, ele não precisava dizer, nem que ela o prometesse besteiras... não o irritaremos... na sua cabeça ouviu sua própria voz imitando a da garota. Tá, uma ova que não, era impossível que a irritante número um não o irritasse e, quanto a ir embora quando Naruto acordar, ah ele não conseguiria tirar esse idiota de lá nem com um saca-rolha.
Começava a repensar porque merda tinha complicado sua vida. Bom, agora tinha a informação de Konoha de primeira mão, o que seria útil. Mas estar de novo perto dos seus companheiros provocava nele uma sensação estranha. Era surpreendentemente fácil, era agradável relembrar os velhos tempos e ele nem se dava conta disso.
Era uma armadilha doce e sutil, olhar os movimentos da boca de Sakura e tentar descobrir em que coisas ela tinha mudado, quais continuavam iguais. Era perigoso. Ele tinha que se distanciar deles e pensar em como ia levar a cabo sua vingança segundo a nova informação que possuía sobre Danzou.
- ... E foi assim como Orochimaru e eu tivemos gêmeos. – Ouviu Sasuke quando voltou a prestar atenção em Sakura.
- O que? – Perguntou o moreno perturbado.
- Você não estava me escutando. – Acusou-lhe a kunoichi.
- Não. – confessou o Uchiha seriamente, voltando a por sua face de gelo – Você fala muito.
Sakura franziu o cenho e se preparou para replicar, mas o Uchiha levantou-se cortando o que ela iria dizer.
- Vocês podem ficar. – Disse sem rodeios e virou-se para ir embora.
- Sasuke... obrigada. – Disse Sakura sinceramente, esquecendo toda a irritação pelo comentário anterior do moreno.
Ele assentiu de costas a ela e abandonou a sala deixando-a com Suigetsu e Karin que continuavam discutindo.
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