Fomos para a minha casa e lá minha mãe fez as mesmas coisas de mãe que sempre fez: "Jared aceita alguma coisa?" "Jared, sua mãe sabe que está aqui?" "bla bla bla" Minha mãe não era tão legal quanto a de Jared, mas eu a amava.

-Mãe, vamos pro meu quarto. Qualquer coisa me chama lá, ok?

-Tá certo, mas não pense que não quero uma explicação pra você ter dormido fora ontem. Fiquei preocupada.

Merda, eu não tinha planos de dormir fora por isso não avisei a minha mãe, mas ela não parecia tão nervosa quanto deveria estar, tenho certeza que ela ligou para o Misha pra saber onde eu estava. Pra ter certeza perguntei.

-Ligou pro Misha?

-Você me conhece tão bem assim, filho?

-Mãe, sei que você surta quando não sabe onde eu estou e que você tem o número do Misha. Foi como juntar dois mais dois.

-Aiai, mais tarde conversamos, agora vai lá conversar com seu amigo.

-Ok, mãe.

Fomos para o meu quarto. Jared estava meio ansioso, mas deixei isso passar. E logo começamos uma conversa xoxa sobre jogos e livros. Descobri que Jared tinha um gosto musical totalmente oposto ao meu, compartilhávamos apenas algumas bandas e o resto era "como você gosta desse lixo" ou "Não acredito que você gastou seu dinheiro com esse CD.. Por que você não queimou o dinheiro? Daria a mesma coisa." Ele sabia ser mais chato que o Misha, mas eu estava de bom humor e não deixei que o humor fosse embora. Depois de muito tempo falando sobre coisas bobas Jared me puxou pra um assunto mais sério.

-Vi vocês com aquelas meninas ontem. Como você consegue ser tão desapegado?

-Oh... -Confusão atravessou meu rosto e Jared perguntou novamente.

- Como você consegue ficar com várias na mesma noite?

Minha resposta foi tão rápida que ficou claro que eu a havia respondido várias vezes essa pergunta.

-Porque eu gosto disso. Gosto de não me sentir preso a ninguém, gosto de ser de todas e de ninguém.

-Mas isso não cansa?

-Não... Pelo menos não até agora.

Não sei se ficou claro que eu estava mentindo, e eu realmente estava. Viver ficando com uma e outra sem encontrar em nenhuma delas o que eu queria. Pior, eu não sabia o que eu estava procurando, eu não sabia o que eu queria.

- Teve algum motivo pra você ficar assim?

-Não. Acho que simplesmente fiquei assim. -Agora ficou obvio que eu mentia. Jared arqueou uma de suas sobrancelhas e repetiu a pergunta, mas mudou um pouco.

-Teve ALGUÉM que te deixou assim?

-Jared, acho que você vai se cansar de ouvir minha estória hoje... Outro dia talvez?

-Outro dia. -Ele repetiu baixinho.

Já que ele tinha me feito essas perguntas super pessoais resolvi pagar na mesma moeda.

-Jared, seus pais sabem que você á gay?

-Acho que você está tentando me fazer pagar pelas minhas perguntas, né?

Ele era um espertinho, não? Soube o que eu queria fazer na hora, mas respondeu minha pergunta mesmo assim. Ajeitou-se na cama de um modo que ficava muito perto de mim, dava pra contar seus cílios se eu quisesse e por um minuto eu até quis. Ele estava tão perto senti seu hálito quente perto do meu rosto quando respondeu calmamente.

-Sim. Não pense que minha mãe foi uma beleza na hora de me aceitar ela chegou a ficar um mês sem falar comigo e meu pai ficava se perguntando se fez algo errado, mas depois simplesmente se costumaram e concluíram que o que era bom pra mim era bom pra eles também. Mas não acho que é uma coisa fácil pra qualquer família.

-Ah. E como você ficou sabendo que não gostava de meninas? Ficou com alguma antes dessa conclusão?

-Jensen, você está me fazendo uma entrevista? Cheio de perguntas sobre minha opção sexual e etc.. O que foi? Se sentindo apaixonado por mim? Falou em tom de brincadeira e meu sonho dessa noite veio em minha cabeça me fazendo corar.

-Na-não. -Falei gaguejando e me praguejando por isso. –Eu só quero tentar te entender, sei lá. É complicado de explicar.

-Não fique corado, Jensen... Eu entendo suas perguntas e te darei respostas, ao contrário de você eu posso contar um pouco da minha vida amorosa. Eu fiquei com algumas meninas na minha vida até que apareceu um menino numa festa me perguntando se eu queria experimentar algo novo e eu aceitei. Sempre fui fã de coisas novas e resolvi me jogar. No começo foi estranho, mas um estranho bom, um estranho que era muito melhor que o normal. Eu e o menino começamos a ter uma coisa mais séria, não um namoro, mas uma coisa sem nome eu e ele nos divertíamos bastante e um dia percebemos que estávamos no nosso ultimo degrau da relação. Erámos amigos e nada mais. Começou bem e terminou bem também ele é um amigo até hoje.

Não sei bem o porquê, mas não gostei do "ele é um amigo até hoje" coisa de gente louca sentir ciúmes do que não possui.

-Ah. Nem foi uma coisa complicada, cheia de brigas e cobranças e coisas do tipo.

-Hahahahahahahahhahaha. Teve isso tudo, mas em outros relacionamentos, os que realmente eram sérios. Neles fui cobrado por muitas coisas tipo, me assumir e etc. Confesso que só me assumi por causa de uma pessoa que pensava que era "o amor da minha vida". Não me arrependo. Por causa dele eu não preciso mais esconder nada dos meus pais e isso é muito bom.

-Aaaaaaaaaah... -Eu disse com aquela cara de quem não esperava ouvir nada daquilo.

Jared se aproximou de mim de novo, mas dessa vez com um propósito tirar uma bolinha do meu cabelo. Como ela foi parar ali eu não sei, mas sei que ela fez o Jared ficar perto demais, cheguei a me sentir desconfortável. Acho que eu corei de novo por que ouvi sua risada baixa. Acho que se não fosse pelo sonho de ontem não teria corado e nem feito àquelas perguntas, mas quem pode saber...

Minha mãe nos chamou para o almoço e nós fomos como dois esfomeados. Comemos na mesa e depois fomos jogar no meu quarto Quando começou a escurecer Jared foi pra casa já que era noite de escola e não poderíamos ficar acordados até tarde. Logo que ele saiu minha mãe começou com suas perguntas

- Por que não dormiu em casa?

-Porque a casa do Jared estava mais perto e eu estava acabado.

-Por que eu não acredito nessa estória?

-Porque você sempre acha que eu fiz uma coisa pior que as que eu te conto.

-Filho, o nome disso é preocupação.

-Eu sei, mãe. Posso te afirmar que não fiz nada errado ontem, Ok.

-Acredito em você. Acredito sim.

-Vou dormir.

-Passar o dia todo sem fazer nada cansou?

-Você chama jogar de "fazer nada", Donna?

Começamos a rir e eu segui o caminho do meu quarto quando ela gritou num tom brincalhão.

-Não me chame de Donna. Sou sua mãe.

Fui para meu quarto deitei na cama e apaguei, simplesmente apaguei e tive mais um sonho esquisito.

Jared me chamava para casa dele e estávamos sozinhos. Fui à cozinha preparar algo para comer quando Jared me agarra pela cintura e me beija o pescoço. Ele vai abaixando os beijos e me dando pequenos chupões e me vira pra ele onde beija a minha boca e no beijo há tanto desejo é um beijo tão quente que eu sinto minhas pernas ficando fracas e minhas mãos explorando seu corpo enquanto nossas línguas travando uma batalha e foi nesse momento bom que eu acordei.