Arrumamo-nos para a escola e Jared fez o café. Ele era bem melhor que eu na cozinha, ele sabia exatamente o que estava procurando e o que fazer. Ele fez omeletes e café preto-coisa que eu não gostava- vendo a minha cara ele logo falou.

-Se você quiser eu faço um suco de laranja? –Falou com uma carinha fofa. –Você quer?

-Não. Não precisa. O certo seria eu fazer o café da manhã e não você. Alias como somos prendados, hein?

-Eu tive que ficar sozinho algumas vezes. Tive que aprender algumas coisas e cozinhar foi uma delas.

-O que mais aprendeu?

-Várias coisas, como, arrumar a casa, lavar minha própria roupa e...

-Chega. Você me faz parecer um inútil, Jared.

-Mas foi você que me perguntou. –Disse ele todo inocente, o que me deixou sentindo mais inútil ainda.

Tomamos o café e fomos para a escola. –Não passamos pela casa do Misha. – Me pergunto onde ele dormiu exatamente na casa da Eve. Nunca pensei que o Misha fosse ter uma relação tão séria com alguém.

Fico feliz pela relação, mas também fico triste. Agora Misha não é só meu melhor amigo. –Infeliz ou felizmente. –Ele é o namorado da Evelyn também .

Saio dos meus pensamentos quando o Jared me chama.

-Jensen, tudo certo? –Seu tom era de preocupação. Quanto tempo eu fiquei viajando? –Jensen, você está bem?

-Sim. Por quê? –Percebi que estávamos a uma esquina da escola.

-Porque você não falou nada durante todo o caminho. Ficou com a cara de paisagem do Misha e foi andando. –Sua expressão era confusa.

-Ah, eu estava só pensando na relação do Misha com a Eve.

-Nossa isso usou tanto de sua concentração. Parecia que você estava fazendo uma conta de matemática que iria salvar o mundo. –O comentário me fez rir. Parecia um comentário típico de uma criança de oito anos e não de um adolescente de dezessete.

-Ai, Jared, não é você que está perdendo seu melhor amigo para a namoradinha. –Agora meu comentário era digno de uma criança de oito anos.

-Jensen, você não está perdendo seu melhor amigo. E daqui a pouco a fase lua-de-mel acaba e vêm as brigas e ele falando de como ela é impossível e você vai desejar que a fase lua-de-mel volte. Sempre foi assim com meus amigos e aposto que será assim com você.

Com esse conselho nós chegamos à escola. Fui para a aula de física. –Uma das poucas que eu não faço com Jared ou Misha –E senti que esse dia não seria um dos melhores e quando me convenço a tirar esse pensamento da cabeça a diretora chega anunciando meu nome.

-Sr. Ackles? –Todos os olhares da sala se voltaram para mim.

-S-sim. –Gaguejei. Puxei na minha mente alguma coisa que eu poderia ter feito errado e só uma coisa me passou pela cabeça.

-Preciso que você venha a minha sala. –Disse ela.

-Sim, Senhora.

Fomos até a sala dela em silencio. Ela tinha passos firmes e seus saltos faziam um barulho irritante, mas algo em sua expressão me mostrou que o que ela tinha pra me falar era mais que uma simples suspensão por ter fugido da escola. Ela tinha algo -muito- importante pra me falar.

Entramos em sua sala e ela começou com um assunto que eu nunca imaginaria.

-Você sabe que seus pais viajaram ontem até a casa do seu irmão mais velho?

-Sim, minha mãe me ligou. –Respondi.

-Então, o senhor sabe que às vezes as viagens não dão certo. E que podem acontecer acidentes. –Ela achava que eu tinha dois anos de idade? Será que ela não pode ir direto ao ponto?

-Senhor Ackles, seus pais sofreram um acidente e... –O que foi dito em seguida eu não ouvi, senti minha cabeça girando e meu mundo parecendo que estava prestes a desabar. Senti-me sendo sentando e um copo d'água sendo colocado em minha mão. Foi nessa hora que vi minha mão tremendo e a água praticamente saindo do copo e foi nessa hora que eu consegui achar minha voz para falar.

-Onde estão meus pais? Onde está minha irmã?

-Eles estão no hospital. – Sua resposta me deixou irritado. Claro que eles estavam em um hospital, eu queria saber qual.

-Eu quis dizer, em que hospital eles estão?

-Estão no Normal Hospital. –No rosto da diretora vi uma pontada de pena. Não queria ser digno de pena. –Você quer que algum amigo te acompanhe?

-Sim. –Pensei por um momento. Não quero deixar o dia de Misha escuro. –Quero o Sr. Padalecki para me acompanhar.

-Sim. Chamarei o Padalecki para te acompanhar.

No máximo dez minutos depois vi a diretora chegar com o Jared. Ele também estava com a mesma pena no rosto. Por que insistiam nesse sentimento? Jared me abraçou e perguntou se eu queria alguma coisa. Fez como um irmão faria e isso me deixou mais triste, precisava ver minha família urgentemente .


No hospital fomos encaminhados para a UTI, lá só pude ver meus pais. Onde estava a minha irmã? Onde está a Mack?

Agarrei o braço do Jared como se fosse um fio que sustentava a minha vida não queria soltar o aquele fio. Jared não esboçou nenhum tipo de reação. Ele não manifestou nenhum sinal de dor por mais forte que estivesse meu aperto.

Um médico veio em nossa direção. Quem diria que um homem tão novo poderia ser médico.

-Sr. Ackles?

-Sim, eu mesmo. –Falei com uma voz embargada.

-Tenho um assunto delicado para tratar com o senhor. –Me atemorizei com suas palavras. O que poderia ser mais delicado que tudo que eu já tinha visto. Lembrei então que não tinha visto uma coisa. Minha irmã.

Chorei em antecipação a noticia que receberia. Minha irmã estava morta. Eu não veria mais minha linda e doce Mackie, não brigaria com ela por discordar de seus namorados e nem de seus vestidos curtos. Minha Mack se foi.

O médico entendeu que eu tinha feito a ligação entre os fatos, viu que eu sabia que nunca mais veria minha irmã. Então simplesmente ficou em silencio por um minuto e se afastou murmurando algo como "nos vemos mais tarde". Com isso eu me agarrei a única coisa que estava perto. Jared.

Senti seu abraço e não o afastei. Fiquei lá, parado e pensando em como minha vida seria dali pra frente. Será que eu conseguiria superar a morte de minha irmã?

Minutos se passaram, talvez horas ou até segundos. Perdi a noção do tempo enquanto Jared me segurava, me abraçava. Sua expressão não era mais de pena agora sua expressão era de dor. Ele estava compartilhando a minha dor.

Meus olhos se encheram de lágrimas e eu as deixei cair. Não me senti mal ou me senti fraco por chorar na frente de Jared, sabia que ele entendia minha dor. Mesmo não tendo passado pelo mesmo.

Chorei até ouvir uma nova voz. O médico havia voltado.

-Sr. Ackles seus pais estão em um como severo. –Ironizei o momento mentalmente. "Jensen Ackles, o cara que além de perder a irmã tem não apenas um, mas os dois pais em coma". –Acho que você deveria ir para a casa. Não há nada que o senhor possa fazer aqui. Devo pedir para a recepção ligar para algum responsável?

E foi nesse momento que tudo desabou. Quem seria responsável por mim agora? Onde eu viveria? Não posso ficar em casa sozinho pensando na minha irmã, pensando nos meus pais. O que eu vou fazer?

-Jensen? –Ouvi a voz de Jared. –Posso pedir para minha mãe vir nos buscar? Você pode passar a noite lá em casa. Se você quiser, claro.

Não sei por que, mas só de ouvir a voz dele me senti mais calmo. E as palavras que saíram de sua boca foram como uma salvação. Ficaria na casa de Jared por essa noite, mas e no resto das noites?

O hospital ligou para a mãe de Jared e ela passou pelo hospital para nos buscar e depois passamos em minha casa. Foi a sensação mais esquisita que senti em toda minha vida. Entrar na casa em que antes tinha minha família e agora não tenho certeza de quem terá. Subi e fui direto para o meu quarto, evitei demorar lá dentro, mas não me contive e fui a porto do quarto de minha irmã. Mas não abri aporta, saí da casa o mais rápido que pude e seguimos para a casa do Jared.

Era meio de tarde quando chegamos e Jared subimos e a única coisa que eu pude fazer foi desabar em sua cama e cair num sono cheio de pesadelos.