Chegamos ao hospital e estava tudo muito tumultuado. O lugar que costumava ser totalmente branco e com cheiro de álcool, hoje estava com muitas pessoas esperando por atendimento e por isso tinha um cheiro estranho de gente doente.

Não sei quanto tempo tive que esperar até a médica conversar comigo, mas quando vi que o Joshua tinha chegado percebi que tinha se passado um bom tempo. Nesse tempo eu e Jared ficamos totalmente em silencio, talvez um estivesse esperando o outro começar a falar. Para ser sincero acho que palavras estragariam o momento. Gostava de só ter sua mão na minha, seus dedos brincando no meu cabelo, às vezes até de tê-lo me beijando as mãos como sinal de apoio. Sim, eu me senti como um bobo apaixonado, um adolescente que não tem motivos pra reclamar da vida... Até que me lembrei de porque eu estava ali. Meus pais estavam em coma e minha irmã mais nova tinha morrido, eu tinha muitos motivos para reclamar.

Antes de conseguir terminar minha linha de pensamentos uma voz me chamou. Olhei para ver quem era e, vi que era meu irmão me avisando que a médica finalmente estava livre e poderia nos receber.

Entramos em um consultório pequeno, porém com tudo em seu devido lugar. Um pequeno vaso com flores lilás que combinavam com os detalhes da parede, uma janela que dava vista a rua, a qual estava pouco movimentada e finalmente sua mesa com algumas fichas médicas em cima e um copo d'água.

Ela se sentou em sua cadeira e nos mandou sentar nas cadeiras que estavam a sua frente apenas separada pela mesa. Já estava totalmente fora de mim, quase implorando para que ela começasse a falar e deixasse a cortesia para outra hora. Quando estava a ponto de fazer o que estava em meu pensamento ela começou a falar sobre meus pais.

-Senhores, os pais de vocês estão evoluindo muito bem. Acho que em algumas semanas seu pai poderá ser retirado do coma induzido. Já a sua mãe é um caso mais complicado com bastantes palavras complicadas para explicar, mas que pode ser resumida em uma coisa: o inchaço diminuiu, mas ainda temos complicações com os remédios do tratamento. O corpo dela sempre parece lutar contra os efeitos do remédio e por isso sempre temos que troca-los.

-Mas a senhora acredita que ela poderá sair do coma? –Perguntou meu irmão com os olhos brilhando de emoção.

-Nada é impossível.

-Isso não é uma resposta concreta. –Respondi seco. Ela levantou um pouco a voz e disse.

-Estamos tratando de um caso bem incomum, senhor Ackles. Nada aqui pode ser dito como seria se fosse um caso comum.

-Ignore meu irmão. –Disse Joshua. –Ele está apenas com muitas coisas na cabeça e acho que etá pensando que deveria estar no carro com meus pais.

Joshua falou uma coisa que não tinha se passado na minha cabeça até aquele momento. Será que eu deveria estar no carro com meus pais? Será que deveria ter sido eu o filho morto? Será que se eu estivesse lá a Mackie teria sobrevivido?

Uma lágrima caiu de meus olhos. Por que eu não estava lá? Eu poderia ter feito diferença? A minha família estaria toda junta se eu tivesse viajado com meus pais?

Levantei da cadeira.

-Senhor Ackles, você pode procura um psicólogo se quiser falar sobre isso. Temos muitos aqui.

-Não. Eu estou bem. –Falei depois de secar minhas lágrimas que insistiam em cair.

-Sim, mas se mudar de ideia aqui está um cartão. –Disse ela me estendendo um papel branco com um nome e dois números de telefone.

-Obrigado.

Depois de algum tempo de silêncio constrangedor finalmente meu irmão fala.

-Bem, acho que foi só por isso que a senhora nos chamou. Agora vamos te deixar continuar o seu trabalho.

-Sim, sim.. Era tudo o que eu tinha pra falar, mas se tiverem alguma dúvida eu estou aqui para esclarecer.

-Ah, sim obrigado. -Com isso saímos da sala.

Tinha me esquecido que Jared estava me esperando quando o vi parado no corredor de espera que estávamos antes de sermos chamados. Ele me olhou como quem se desculpasse. Se desculpando por quê? Cheguei mais perto dele e esperei meu irmão se despedir de mim, assim que ele foi embora eu me agarrei ao Jay como se ele fosse a ultima gota d'água num deserto sem fim.

-O que houve, Jens?

-Eu deveria estar lá, Jay. Eu deveria ter sofrido o acidente junto com eles.

-Vamos para casa. Lá você me fala o que te fez ficar assim ok?

- Não quero ir andando. Não quero sentir que estou vivo. Não quero sair daqui.

-Jens...

-Sem isso. –As lágrimas começaram a cair dos meus olhos. –Eu não mereço estar aqui.

E como se fosse uma forma de mostrar que eu merecia ou se fosse só para me calar Jared puxou meu rosto para perto do seu e me deu um beijo. Não um beijo com paixão, um beijo com ternura, um beijo com um carinho, um beijo que mostrava que ele estava ali pra tudo que fosse acontecer. E foi com esse beijo que eu percebi que Jared me amava e, que eu o amava também.


Nota:

Oiiiiiiiiii.. -qn

Bem, eu estou em período de provas, desisti do meu técnico pra conseguir outro(depois de fazer todas as provas) e estava um bagaço de pessoa. Tá, Ana, mas o que isso tem a ver comigo? Tem que eu não consegui escrever e só parei pra fazer isso hoje e por isso peço desculpas.

Obs: estou chateada com o que está acontecendo: grande número de leitores e pequeno(quase inexistente) número de reviews. Vocês podem deixar uma review por mim?

Obg. E isso ficou grande pacas... Não gosto de notas... Bjs