E fiz...

Três meses depois de toda a discussão eu me mudava para casa de meu irmão, Josh. Meu pai arrumara um emprego numa empresa de contabilidade e minha cunhada estava grávida. Para todos que olhavam era uma família que havia passado por coisas ruins, mas que havia superado lindamente tudo o que passaram.

Mentira. Minha mãe não havia conseguido sair do coma e meu pai decidiu que desligar os aparelhos seria o melhor. Chorei por horas que se tornaram dias e depois semanas. Até que entendi que na vida perdemos pessoas que gostamos. Não que eu vivesse com um sorriso no rosto, mas também não chorava o tempo todo.

Eu ainda pensava em Jared todos os dias e não só antes de dormir ou depois de acordar, era em todo o tempo em que respirava. Todos os meus sonhos eram habitados por ele, todos os meus pensamentos eram dirigido a ele. Não conseguia passar por rosas sem lembrar de Jared. Ele foi aquilo que todos chamam de primeiro amor. O que passa, mas nunca é esquecido. Infelizmente, senti que ele deveria sair da minha vida assim como eu devo ter saído da vida dele. Tudo que fiz, foi voltar a ser quem eu era antes de Jared, o pegador da escola, só que para a infelicidade do meu pai, nas minhas conquistas estavam os meninos também.

Até que um dia parei. Um dia alguém chamou mais minha atenção que deveria e fiquei com ela por mais tempo que com qualquer outro. Não era um caso de amor perfeito, pois nunca realmente esqueci-me de Jared, mas era um caso que nos fazia feliz.

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Oito anos depois...

Passaram-se oito anos, oito penosos anos, anos em que todo dia eu acordava nos braços de Michael e não me sentia completo, me sentia apenas um boneco de pano. Amava meu namorado, atualmente meu noivo, mas ele não me completava.

Jared's POV

Terminar com Jensen não foi a coisa mais fácil da minha vida, não foi a coisa mais bonita que já fiz, nem muito menos a coisa mais sensata. Mas não sabia o que me esperava apenas três dias depois. Fui a casa dele para termos uma conversa civilizada, não como a ultima que tivemos, onde só se ouviam gritos e apenas se viam dedos apontados para todos os lados. Queria simplesmente dizer que todos estávamos errados e que deveríamos ter nossa segunda chance. Mas chegando lá a única coisa que vejo é o aviso de venda da casa e janelas fechadas.

Confesso que minha vontade foi de gritar, tive vontade de matar alguém, tive vontade de ME matar. Deixei passar por minha vida a pessoa mais maravilhosa que conheci e nem tive tempo de realmente chama-la de minha.

Fui a casa de Misha para ver se ele saberia onde eu poderia encontrar o Jensen, mas a única coisa que ele me deu em resposta a pergunta foi um olhar arregalado que mostrava que ele sabia tanto quanto eu.

-Misha, por que ele fez isso comigo? Ele queria que eu sofresse?

-Não. Ele não queria isso. Aposto que se qualquer atitude extrema foi tomada, ela não foi tomada por ele. O Jensen nunca te abandonaria sem explicação. Vocês são um do outro por destino, sempre serão um do outro.

-Não... Ele me deixou, ele me esqueceu... Não acredito que tenho motivos pra nutrir qualquer sentimento por ele agora. Nem raiva. Nem... Nada.

-Não fale coisas das quais você vai se arrepender depois, Jared. Não fale. –Disse Misha no seu tom apaziguador.

-Não me arrependerei. –Disse com os olhos já enxutos depois de tanto choro. –Tenho que ir para casa, mas me avise se souber onde ele está. Quero mandar os presentes que ele me deu de volta. Okay?

-Claro.

Oito anos depois e eu ainda me lembro desse dia como se fosse o dia anterior. O dia em que fui traído por meu mais amado namorado e amigo.

Mas o tempo passou pra mim, assim como deve ter passado pra ele. Nunca encontrei alguém em que me apoiasse por uns bons anos. Até que Daniel voltou a minha vida ocupando o posto que sempre quis.

Meus amigos nunca se conformaram com o meu namoro com ele, muito menos com o meu "casamento". Não fora uma festa de casamento, não tivemos papeis para assinar ou padrinhos e coisas assim. Só tivemos uma noite estranha onde decidimos que dividiríamos a casa, as contas e a cama. Simples assim, sem grandes romances, sem grandes pedidos. Nada como eu imaginei, mas tudo que eu consegui ter e o que me satisfazia.

Tudo ia muito bem, tudo seguia muito calmo. Como se a minha vida finalmente estivesse voltando ao normal. Misha e Eve, viviam como ciganos. Nos víamos quando eles decidiam passar por LA pra mandar beijos para mim e suas famílias. Mas como nada na minha vida era tão fácil, recebi uma oferta de emprego que mudou completamente a minha vida.

End of Jared's POV.

Jensen's POV

-Como assim nós vamos para o Canadá ? –Minha pergunta para Michael foi clara, mas ele s fez de desentendido.

-Oi?

-Isso que você ouviu, Michael. Ouvi você conversando com seus pais ao telefone. – Respondi. Perguntei novamente. –Como assim nós vamos para o Canadá?

-Amor, recebi uma oferta de emprego. Uma equipe de pesquisadores bem pequena foi chamada e eu estou entre eles. Não estou pedindo para que se mude.

-Então você planeja me deixar aqui? –Perguntei seriamente fitando seus olhos acinzentados.

Michael era lindo como só ele poderia ser. Olhos que mudavam de cor dependendo do tempo, humor ou grau de luxúria. Ombros largos e fortes, quem olhava nunca dizia que ele era biólogo. Uma profissão que nos fazia mudar pelo menos uma vez por ano. Mas sinceramente não me incomodava, só me deixava irritado quando ele planejava tudo sem meu conhecimento.

Eu poderia me mudar hoje com a profissão que tenho. Uma das poucas vantagens de ser professor. Desde que eu fosse realmente bom, o que sou, qualquer lugar quer me contratar. Mas dessa vez Michael exagerou.

-Claro que não. –Disse beijando a ponta de meu nariz. Eu só pensei que você poderia ir quando estivesse pronto para se mudar mais uma vez. Sei que não gosta de se mudar, Jens.

-Não me chame assim quando eu estou bravo.. Isso me irrita. –Disse, já vermelho de raiva.

-Você é uma coisa, Jensen. Por isso me apaixonei por você.

E com essa frase idiota e clichê me abandonou na sala.

-Volte aqui. –Ele nem se quer virou. –Volte ou eu não irei a lugar algum.

Nesse momento ele virou e vi seus olhos brilhando mais que qualquer coisa.

-Você vem comigo? –Perguntou esperançoso.

-E quando não fui com você? –Respondi. –Só me avise da próxima vez.

-Não ha... –Logo o cortei.

-Sei que haverá. Só me avise.

E com isso passei por ele lhe dando um beijo, um daqueles cheios de ternura e carinho.