Hey, peço desculpas pela demora. Sofri uma grande crise de CFI e praticamente "abandonei em Hiatus" todas as minhas histórias. Lupus, obviamente, foi a mais tensa. Faltam aproximadamente 5/6 capítulos para a história terminar, e, mesmo escrevendo praticamente todo dia, não estava conseguindo concluir esse capítulo. Eis então que na madrugada de hoje eu estava estalando de dor de cabeça, e resolvi ligar para uma amiga. Claro que ela esculachou comigo, afinal, eram quatro e meia, mas depois desse surto acabou dizendo algumas coisas que "destravaram" minha imaginação, e o resultado está abaixo.

Mas esse é apenas o nó que eu usei para colocar um ponto final nas aparições de alguns personagens. O próximo capítulo já está em andamento, e sai entre sexta e domingo, e espero que curtam do mesmo jeito.

Beijos e boa leitura!

Capítulo XVIII — De laude militiæ — Uma apologia da cavalaria

Lauren gemeu pela dor quando voltou a caminhar sentindo todo o corpo enrijecer, causando mais dor e, em conseqüência, obrigando-a a parar para respirar. Soluçou quando, pelo que lhe pareceu a milésima vez naquele dia, escorregou até o chão e se recostou sobre a árvore. Fechou os olhos com força, umedecendo os lábios com a ponta da língua, suspirando. Estava cansada. Cansada de andar por aí, sem saber para onde ir, sem saber se estava indo para a estrada ou se embrenhando ainda mais na mata. Cansada de não saber o que estava acontecendo. Cansada de não ter ninguém para abraçá-la e dizer que tudo ficaria bem. Cansada de não saber onde estavam os outros; de não saber se eles estavam bem. Em que Inferno estava a segurança que deveria ser garantida? Onde raio se metera a alegria que deveriam compartilhar com os amigos? Tudo havia se perdido, por pior que aquilo lhe soasse. Tudo estava perdido em algum lugar na natureza: a amizade, o respeito, a sobrevivência. Estavam à própria sorte, largados naquela floresta. Sem ter para onde ir, sem ter para onde voltar.

Se isso fosse um daqueles contos de fadas... A história não terminaria bem...

E disso, Cohan tinha certeza.

[...]

Christian amaldiçoou silenciosamente o próprio descuido, perguntando-se em que Inferno metera sua precaução quando se tratava de caminhar pela mata. Perdeu-se tanto em pensamentos que nem mesmo viu o tempo passar, e agora, com o céu escuro já encoberto pelas nuvens, tentava descobrir que direção tomar para voltar a casa. Definitivamente, não conseguia enxergar trilha nenhuma, muito menos sabia onde havia colocado a bússola. Sequer a levara quando arrumou suas coisas para o acampamento? Não se lembrava disso... Praguejou baixinho consigo mesmo antes de voltar a caminhar. Afinal de contas, não poderia simplesmente ficar ali, parado, sem fazer nada e esperando que alguém o encontrasse.

Se Lauren estivesse aqui, ela saberia o que fazer. Não que direção tomar, porque é pior do que uma porta quando se trata de guiar os outros... Mas saberia como agir, pelo menos... E isso vale mais do que qualquer outra coisa.

Kane mordeu o lábio inferior quando um uivo cortou o ar, sentindo um arrepio lhe percorrer a espinha. Aliás, não se lembrava da distância segura entre a estrada e a floresta; não se lembrava do limite imposto pelos guardas. Afinal, ainda havia certa precaução do governo quando se tratava de um lugar tão aberto e espaçoso. A natureza era perigosa, e isso era um fato há muito reconhecido. O quanto atravessara daquela floresta até aquele momento? O quão longe fora? Naquele exato momento, poderia estar à mercê dos animais que ali habitavam...

Não importa. Vamos lá, Chris. Seguir em frente, não lembra? Foi o que Jeff pediu pra você fazer antes de dizer que voltaria para falar com Jared: procurar ajuda.

– Um, dois, o Freddy vem te pegar... Três, quatro, é melhor trancar a porta... – cantarolou consigo mesmo, tentando afastar a tensão. – Cinco, seis, agarre seu crucifixo... Sete, oito, fique acordado até tarde... Nove, dez, não durma nunca mais...

Era uma música meio infantil para alguém que já tinha lá seus vinte e um anos de idade, mas não importava, de qualquer forma. Estava tentando se distrair, mas não sabia se aquilo lhe ajudaria de alguma maneira. E, mesmo assim, continuou cantando, ignorando os eventuais estalidos de galhos distantes, perguntando-se se havia alguma maneira de ser menos paranóico. Passar tempo demais com a namorada antes daquele incidente o estava deixando maluco; literalmente.

Mas que mal há em um pouco de insanidade? Que mal há em não fazer parte daquilo que a sociedade chama de "normal"? Christian não era o tipo de pessoa que se importava com o que os outros pensavam, então, para ele, não fazia diferença entre ser ou não ser louco.

[...]

Lauren estava perdida em pensamentos nada saudáveis, quando ouviu um galho estalando em algum lugar próximo. Estava tão desesperada para sair dali o mais rápido que pudesse, que nem mesmo se importou com o fato de chamar atenção para si, e gritou por socorro, com o pouco de voz que lhe restava. Aquilo arranhou sua garganta, mas ela não se importou. Simplesmente rezou para que, fosse o que fosse, ou quem fosse, a ajudasse.

Seus pedidos foram atendidos, porque, assim que o som estava ainda mais próximo, Chris surgiu ao lado de uma árvore, perscrutando o ambiente com os olhos até encontrá-la. Cohen não conseguiu entender o que ele disse ao correr até ela, mas se sentiu grata no instante em que ele a tomou em seus braços, mesmo que parecesse assustado, e a ninou um pouco. Era reconfortante, e familiar. Tudo o que ela precisava naquele momento, e ele o fez.

Um turbilhão de emoções a envolveu, quente e bom. O desespero recuou um pouco, e a loira conseguiu pelo menos chorar e fazer com que toda aquela dor desaparecesse. Chorou pelo que viu, pelo que sentiu, pelo que temeu. E Kane levou embora toda aquela dor, afagando seus cabelos, suas costas, sussurrando palavras carinhosas que a menina não conseguia entender.

Sentiu quando o rapaz começou a caminhar, mas escondeu o rosto em seu ombro para não precisar olhar ao redor. Ao som da familiar voz do moreno, sua consciência tinha dado apenas um comando: durma.

Porque agora ela sabia que estava segura, e não havia nada a temer.

X-x-x-x—x-x-x-X

Christian não conseguiu processar nada entre o momento no qual encontrou sua namorada, até o instante em que estava fora da floresta, ligando para a ambulância e a polícia. Ela não estava verdadeiramente machucada, pelo menos não seriamente, mas havia algumas marcas arroxeadas em sua pele. Essa era a única informação que parecia fazer algum sentido em sua cabeça até aquele momento, pelo menos.

Ele apenas respondeu o que julgou necessário, e logo perguntou se poderia ficar com Lauren. Sob o olhar dócil da paramédica Samantha Smith, Kane foi levado até a ambulância em que estava a namorada. O moreno sentou ao lado da loira, segurando sua mão com carinho. Cohan não deixou de encará-lo durante nem um único instante.

– Ei... – Kane sorriu fracamente, tentando lhe passar uma segurança que não sentia. – Como está?

Mas ela apenas meneou de leve a cabeça, e seus olhos estavam cheios de lágrimas. Naquele momento, a vontade do rapaz era a de afastar toda aquela dor com muito amor e carinho, mas a única coisa que ele de fato pôde fazer foi apertar um pouco mais sua mão, suspirando pesadamente.

– Foi horrível, Chris... – Lauren sussurrou num soluço. – Foi tão... Os lobos... E o Justin... Oh, Deus!

– Está tudo bem agora. – o moreno garantiu convicto.

– Mas e os nossos amigos? Eles... Eu estou com medo...

– Os policiais podem cuidar disso. – o olhar severo de Kane não deixava espaço para dúvidas.

Não era como se quisesse deixar as coisas daquela forma, mas não tinha escolha. Christian havia ouvido o que ela disse aos homens que lhe perguntaram o que acontecera, já que ele próprio não estava em condições de dizer muita coisa. Estava preocupado, muito. No entanto, o que podia fazer? Voltar à floresta não era uma opção agora. Queria ficar ao lado da namorada até ter a certeza de que ela ficaria bem.

– Promete que eles vão ficar bem? – Cohan perguntou num tom sonolento, fechando os olhos logo em seguida.

Christian olhou para a namorada, e apertou sua mão com ternura antes de se levantar e receber um singelo sorriso vindo de Samantha.

– Ela vai ficar bem. – Smith garantiu, checando as aparelhagens ligadas à Lauren. – É uma garota forte, só precisa descansar um pouco.

Kane conseguiu responder apenas com um meneio de cabeça antes de sair da ambulância. Deveria ir para o hospital, ele sabia, mas no momento tinha outras prioridades. Se Cohan permanecia estável, podia ocupar a cabeça com outras coisas então. Observando o movimento dos policiais e peritos, ele já sabia com quem deveria falar.

Ainda assim, não pôde deixar de sentir um calafrio percorrer seu corpo. Mas, dessa vez, nada tinha a ver com a floresta.

[...]

Thomas John Patrick Welling estava ocupado conversando ao celular com seu supervisor, quando viu o outro moreno se aproximar cauteloso. Depois de longos minutos discutindo a respeito dos prós e contras daquela idéia insana, ele conseguiu fazer com que Paul* concordasse e permitisse que ele ajudasse Morgan com aquele problema. Não era algo demasiadamente sério, ele tinha ciência, mas Danneel e Jensen estavam envolvidos, e ambos eram amigos de infância de Welling. Se estavam numa situação complicada, ele queria fazer alguma coisa.

– Posso ajudá-lo? – virou-se para encarar o rapaz que, se não lhe falhava a memória, chamava-se Christian.

Encarando os olhos escuros do outro, Thomas teve a certeza: as coisas estavam bem mais sérias do que poderia ter imaginado.

– Na verdade, sim. Meus amigos precisam de ajuda... E eu acho que você é a única pessoa que está disposta a me ouvir sem achar que sou um louco.

*Paul Wasilewsky

RESPOSTAS:

Medecris — Eu simplesmente não acredito que você comentou todos os capítulos! Meu Deus, eu preciso te abraçar! Obrigada mesmo, de verdade (L)

Agora, a resposta!

Quis fazer uma Danneel diferente, não apenas de todas que já vi, mas também com um estilo de personagem com o qual não estou acostumada a lidar. Se você olhar bem, ela praticamente não tem defeitos! Minha primeira Mary Sue [risos] Ela e Jared realmente irão formar uma bela dupla.

"É de uma crueldade que animais como lobos não possuem"; exatamente isso! Se homens fossem um pouco mais parecidos com animais ao invés de... Homens, as coisas poderiam ser melhores! No sentido de necessidades, pelo menos... Sério que acreditou que Jeff teria segundas e terceiras intenções com o Jensen?! Gente, a que ponto levei meus leitores?! [gargalhadas] Não, pode relaxar. Sou má, mas não a esse ponto. Até porque, mesmo que Padalecki quisesse, o tempo não ajudaria, então...

E a mente do Jeff pode demorar um pouco a ser desvendada!

Beijos, obrigado por ler e comentar.