Era pra eu ter terminado essa história há tempos. Segunda semana de outubro, se recordam? [alguém levanta a mão no meio dos poucos que restam] Infelizmente, houve alguns imprevistos, e a vida fora do computador chamou! Agora, estou de volta. Pretendo terminar Lupus o mais breve possível! (Porque faltam, tipo, uns quatro capítulos para o fim) Desejo que me perdoem pela demora, se puderem ;D
Beijos e até a próxima...
Capítulo XX — Fontis — Fonte
– Hey, está tudo bem, Jensen. – o moreno não acreditava em suas próprias palavras, mas repetia-as a todo momento, para ter a certeza de que em algum momento elas penetrariam naquele casulo cheio de camadas no qual o outro rapaz parecia ter se enfiado. – Está tudo bem. Vai ficar tudo bem.
Pela primeira vez desde a noite anterior, quando Jared entrara no modus operandi automático e os levara para longe de seja lá qual fosse a direção do perigo, Ackles fixou os olhos em algo. E, no momento em que se viu encarado pelos orbes esmeraldinos que expressavam somente choque, o mais alto soube que não seriam apenas aqueles simples gestos que fariam com que a tremedeira passasse, que fariam com que a segurança voltasse. Mas, afinal, ele podia tentar, não?
– Mish... – o loiro sussurrou, não pela primeira vez, e Padalecki bagunçou os próprios cabelos com as mãos por dois segundos, logo voltando sua atenção para a tarefa de deixar a atadura firmemente amarrada na perna do menor.
Graças a Deus, Harris levara um kit de primeiros socorros, e, dessa forma, o moreno pudera pôr em prática tudo aquilo que vinha aprendendo desde bem pequenininho, não somente com os pais, como depois com Jeff, e na faculdade. Até o momento, Jensen não reclamara, apesar de ter se encolhido levemente quando o moreno borrifou o antisséptico, para evitar inflamações. Mas, ainda assim, era um machucado consideravelmente perturbador. Jared desejava arrastá-lo para o hospital mais próximo, porém, a partir do momento em que o sol despontou no horizonte, deu-se conta de que não tinha a menor ideia de onde estavam, e que seguir qualquer direção a esmo seria perigoso demais.
Quando ia com Misha à floresta, eles não costumavam adentrar tanto na mata. Com Jeff, menos ainda. E as lembranças de quando a família Padalecki desbravava os locais desconhecidos eram muito vagas. Danneel parecia ter percebido sua preocupação — ela própria não estava muito diferente —, mas, obviamente tentando não piorar a situação com Ackles, não comentou nada.
Não era somente com isso que o moreno estava inquieto. Onde estariam Christian, Jeff e Misha? E Lauren? Eles a teriam encontrado, ou ela desaparecera completamente? Que som havia sido aquele, na noite anterior? Recordar-se daquilo fez com que os pelos de sua nuca se arrepiassem, enquanto um calafrio subia-lhe a espinha.
Uma pequena centelha de esperança ainda estava fixada em seu peito. Jared não conseguia acreditar que aquela loucura — o desaparecimento de Cohan, o surgimento de Danneel, o machucado de Jensen — toda estava acontecendo. Era só um acampamento de verão, Deus! Deveria ser apenas alguns momentos de diversão, distração, apenas uma forma de esquecer todos os problemas e interagir com seus amigos. Sequer cogitar a possibilidade de estarem todos em perigo fez com que seu estômago embrulhasse, e Padalecki agradeceu mentalmente ao fato de ter comido apenas alguns pães no dia anterior — e não algo pesado —, ou poria para fora as tripas naquele exato instante.
– Está pronto. – sussurrou num tom fraco, secando o suor da testa. – Mas, por via das dúvidas, temos de levá-lo a um hospital, ou um pronto-socorro, o que for. Se infeccionar, a coisa vai ficar feia.
Ackles não pareceu escutá-lo, novamente, e o leve movimento que fazia — sacudir-se para frente e para trás — dava a entender que ainda estava prestes a ter uma crise ou algo do tipo. Danneel imediatamente sentou-se ao lado do loiro, recostou-se à árvore e envolveu-o em seus braços, murmurando palavras de conforto que pareciam surtir um efeito melhor que as do moreno.
Jared a encarou, e a ruiva apenas meneou a cabeça em negação, como se dissesse que aquele não era um bom momento para perguntas. E, de fato, ela estava certa. Durante alguns segundos, apenas, Jensen pareceu atordoado pela proximidade, depositando a cabeça no ombro da moça. Então, estremeceu, fechou os olhos, e sussurrou novamente:
– Mish...
[...]
– Você tinha de estragar tudo, não é mesmo?!
Ele se encolheu ao som da voz furiosa de Jeff, sentindo os pulsos arderem na região onde as correntes de prata os tocavam, e o machucado em seu rosto parecia queimar de forma dolorosa demais, ainda gotejando, mas não daria à Padalecki o gostinho de saber que aquele tipo de coisa o afetava. Suas costelas e costas também doíam, porém em proporções menores. O problema mesmo era com aquele ferimento provocado pelas garras do alfa, que agora o encarava com raiva, rodeado dos outros quatro homens: Nicholas Elia, Rob Benedict, Fredric Lehne e Kurt Fuller.
Quatro vidas. Quatro amaldiçoados. Quatro licantropos. Misha era o quinto, e Jeff, o sexto. Faltava apenas um para completar o ciclo. Nicholas era o mais jovem, e, definitivamente, o mais faminto; ao mesmo tempo em que se tornara absurdamente alto para alguém de apenas dezessete anos. Jeff não era o mais velho — não de idade, pelo menos —, mas era o líder, considerado "o cabeça" do grupo. E nenhum deles ali se importava que ele mandasse, até porque era quem conseguia o alimento.
Jeffrey Padalecki era a fonte de tudo; das mortes, dos lobisomens.
Collins odiava a si mesmo por manter silêncio a respeito de algo assim. Porém, que escolha ele tinha? Contando, não era apenas ele quem sairia prejudicado; se não fosse tachado de louco, certamente seria morto. E todos aqueles homens, o garoto Elia, todos eles tinham uma vida. Talvez mulheres, ou namoradas. Todos eles tinham planos para o futuro, sonhos. O próprio Misha os tinha. Mas prender-se àquela obrigação, carregar aquele fardo era algo que desgastava... Estava cansado de se esconder. Estava cansado de matar. E tentava não pensar, a cada vez que a lua cheia se aproximava, nas vidas que se perderiam.
Mas, agora, o moreno não estava disposto a se curvar, não estava disposto a ceder. Já o fizera uma vez, já permitira que Jeff levasse Chad. E, se perdesse Jensen, sua vida não mais teria sentido. Não teria sentido acordar cedo e ver os feixes de luz infiltrando-se pela janela, iluminando o quarto. Não teria sentido desejar proximidade, ou calor, ao lado de qualquer outra pessoa. Não haveria nenhuma razão para continuar seguindo em frente, nenhuma razão para não permitir que aquela fera escondida sob sua pele escapasse.
Jeff jamais poria mais um único dedo em Jensen, nem que para isso Misha tivesse de matá-lo pessoalmente; e, quanto mais Collins pensava nisso, mais se dava conta do quão longe estava disposto a ir para mantê-lo seguro.
– Por quê? – Padalecki o encarou, parecendo genuinamente exausto. – Por que você fez isso, cara? Estava tudo indo tão bem... Estávamos todos tão preparados... Então você simplesmente vem aqui e acaba com a porra dos anos que eu gastei tentando manter nosso segredo longe deles!
O moreno esperou que os gritos cessassem, para finalmente erguer os olhos e encarar o mais velho.
– E o que você ia fazer, hã?! – seu tom era controlado, todavia expressavam raiva. – Ia matar seu irmão, Jeff?! Ia matar Jared também?! Ele é sua família, seu grande filho da mãe! Você... Você é doente!
Um brilho esquisito nos olhos do mais velho alertou Collins de que aquilo estava se tornando perigoso, mas manteve o queixo erguido e uma sobrancelha arqueada, num claro sinal de desafio. Padalecki emitiu um ruído estranho, semelhante a um rosnado, e chutou a primeira coisa que entrou em sua visão. A cadeira pareceu feita de vidro: estilhaçou-se em vários pedaços e lascas que voaram para todos os lados.
– Você entendeu errado, Misha! – Jeff o fitou, parecendo desvairado. – Foi por causa do Jared que você pôs tudo a perder?!
Durante meio segundo, o moreno teve tempo para pensar numa boa resposta para aquela pergunta, antes de assentir lentamente. Já estava ferrado mesmo. Mais uma mentira não faria mal a ninguém.
– Era só ter dito alguma coisa, seu idiota! – Padalecki fechou os olhos com força, as mãos trêmulas agarrando o próprio cabelo enquanto tremia; ele parecia prestes a ter um colapso. – Droga! Eu quase achei que tivesse feito isso por causa daquele playboyzinho de merda!
Collins cerrou os punhos e se controlou para não xingá-lo mais. Adoraria conseguir se soltar daquelas correntes, e aí Jeffrey veria quem era o playboyzinho daquela história. A única coisa que o impediu de continuar esfolando os pulsos para se livrar daquela prisão, foi a certeza de que isso poria em risco a vida de Ackles. Tentou parecer confuso — de fato, estava, apesar de não conseguir demonstrar em meio à avalanche de raiva pela forma como Padalecki se referia a Jensen—, embora acreditasse que estava apenas fazendo uma carranca irritada para o mais velho.
– Como assim? – indagou, e agradeceu aos céus que sua voz fosse genuinamente curiosa.
O mais velho se virou para encará-lo, o semblante sombrio.
– Jared estava seguro desde o começo, Misha. Você não precisava ter deixado Ackles fugir para alertá-lo a respeito de qualquer coisa, se é com isso que estava preocupado. – sacudiu a cabeça com veemência. – O Jay... Ele... Ele é meu irmãozinho. Eu jamais... Jamais conseguiria machucá-lo, nem se quisesse.
De repente, o moreno sentiu o estômago embrulhar, e precisou controlar a respiração, porque as coisas ao seu redor saíram de foco por alguns instantes. Já estava entendendo qual era o plano de Jeff, e isso não fez com que se sentisse nem um pouco melhor. Acreditava que, uma vez sabendo o que se passava pela cabeça daquele louco, poderia ajudar Jensen e Jared a escaparem daquela maldição.
Agora, era como se alguém houvesse acabado de acertar sua cabeça com um martelo.
Desejou, na noite anterior, não ter se lançado tão violentamente contra Jeff. Desejou não ter gritado para que Ackles corresse. Desejou ardentemente não ter visto o medo presente nos olhos verdes, não ter se atarracado com Padalecki numa briga de mordidas, socos e chutes para mantê-lo longe do homem que era seu, de todas as formas, de todas as maneiras. Porque, de repente, não era mais pele contra pele, não era mais algo natural.
A lua cheia estava erguida, e ambos, transformados. E Collins se sentia tão insignificante, tão errado, tão absolutamente desesperado! Quando as garras de Jeff atingiram seu focinho, ficou momentaneamente desnorteado pela dor, pela sensação de queimação, pelo sangue que escorreu. A única coisa que o fez agir, que fez com que seu cérebro voltasse a funcionar como deveria, foi um grito.
Um único grito. De Jensen.
No momento em que tomou controle das próprias ações — pôde sentir o sangue fervendo, a força que provinha da luz lunar que agora iluminava o aposento semi-destruído — e se lançou novamente contra Padalecki, houve uma sintonia um tanto quanto estranha entre o lobo e o homem. Ele não precisou dizer nada — e nem poderia, estando na forma animal —, mas Jensen entendeu. Num surto de adrenalina, medo e tensão, o loiro virou as costas, e correu para longe daquela casa, correu para longe daquela briga animalesca. Correu para longe do perigo, correu para longe dali.
Provavelmente estava seguro naquele momento. Provavelmente encontrara um local no qual pudesse ficar a salvo, até que Misha pudesse encontrá-lo e eles pudessem ir embora. Porque ele viu, além do medo, algo mais naquele olhar que recebeu antes de o namorado partir. Jensen não o deixaria, independentemente do que fosse, independentemente de quem fosse. Aquilo era absurdo. Collins nem mesmo sabia se sobreviveria à fúria do alfa, que dirá escapar e conseguir manter o loiro longe de apuros. Ainda que não pudesse negar que aquele amor desmedido representado em um único gesto tivesse feito com que seu coração — metade animal, metade humano — batesse mais forte, o moreno ainda se sentia desesperadamente culpado.
Porque, agora, Ackles sabia o segredo, e seria punido por isso.
– Eu iria transformá-lo. – Jeff sussurrou baixinho, mantendo os olhos cravados no chão, como uma criança que é pega fazendo algo de errado e sabe que será punida por isso. – Transformaria Jared... E Jensen seria sua primeira refeição.
A única vantagem, era que sabia o que deveria dizer, sabia o que deveria fazer para ganhar a confiança de Padalecki novamente, e dar a entender que o loiro não passara de apenas uma noite de diversão. Ainda assim, era perigoso... E alguém pagaria pelo seu erro. Alguém seria sacrificado. E alguém se tornaria um monstro lupino de quatro patas e focinho escuro, com sede de sangue.
A única pessoa na qual sua mente atormentada — ainda estarrecida pelo reles pensamento de que Ackles poderia estar morto àquela altura — conseguia pensar naquele momento era Jared. O inocente e ainda humano Jared Tristan! O sacrifício era o primeiro que entrasse em sua vista. Droga. Eles estavam ferrados...
Misha queria se matar por ter sido tão idiota.
RESPOSTAS:
Anarco Girl: Olá!
Bem, fico feliz por estar gostando da história, flor. Eu tenho um fetiche por tudo o que é sobrenatural, por tudo o que precisa de uma explicação não necessariamente lógica para existir. Mas, para ser sincera? É mais um teste, uma tentativa de escrever algo decente! Sinto-me muito bem ao saber que consegui alcançar meu objetivo [risos]
Estava todo mundo tão apreensivo com o Jensen, a Danneel e o Jared, irritado com o Jeff, que quase esqueceram do Misha! [gargalhadas] Mas eu não sou tão má, não. Ou, pelo menos, acho que não. Cabe a vocês decretar ;)
Beijos, obrigado por ler e comentar.
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Medecris: Pois é! Parece que não foi todo mundo que ficou nesse estado meio "caótico" quando Collins deu as caras por ali [risos] Sou romântica, Medecris. Talvez seja esse um dos fatores que mais me influencia a escrever, porque, apesar de todas as dificuldades que os personagens precisam enfrentar, no final, o amor acaba superando. (Momento filosófico [gargalhadas]) Então, mesmo quando parece impossível... Vai dar certo. Pelo menos, com relação aos principais ;)
Tantas perguntas que fica até difícil não soltar nenhum spoiler por aqui! Kkkkkkk' Mas acho que suas perguntas foram respondidas nesse capítulo. Caso não, estou aqui para responder dúvidas!
[gargalhadas] Se você lembrar bem da lenda sobre os lobisomens, vai notar que não é tudo que está perdido, honey! É só vasculhar bem fundo, lá no começo de tudo... [fecha boca com esparadrapo] Não poderei dizer mais nada sem revelar o fim da história! [risos]
Beijos, obrigado por ler e comentar.
