Aqui está mais um capítulo! Estou muito feliz pelos reviews e espero que estejam gostando.
Boa leitura!
Passou-se uma década desde o famoso sequestro da cantora Christine Daae. Um sequestro que era rodeado por inúmeros mistérios que nunca foram revelados, só se sabia que o visconde tinha trazido a jovem de volta e que poucas semanas depois eles se casaram em uma pequena igreja na Bretanha e desde então viveram longe da sociedade e dos olhares públicos até o ultimo mês. O Conde De Chagny, irmão de Raoul havia falecido de uma terrível febre aos seus cinquenta anos. Com a notícia da morte o recluso casal teve que voltar a Paris.
O Conde Philippe De Chagny nunca se casou e por consequência não tinha nenhum herdeiro para assumir o seu titulo e então este fora passado para seu irmão mais novo, Raoul. E então a partir daquele momento Raoul e Christine passaram a ser conhecidos como o Conde e a Condessa De Chagny. E junto com o titulo veio também a pressão para o casal gerar um herdeiro o mais rápido possível. Christine estava no final do oitavo mês de gestação e muitas perspectivas estavam sendo postas encima desse potencial herdeiro.
Mas, para decepção de todos Christine deu a luz a uma menina. Raoul fez o seu melhor para esconder o seu desgosto. Christine tivera um trabalho de parto longo e muito difícil e ele não queria estressa-la. Eles poderiam tentar novamente. A ideia não agradou Christine que não estava disposta a passar por uma nova rodada de desconfortos gerados pela gravidez. Ela estava muito infeliz com tudo isso. Ela e Raoul foram casados por 10 anos até que seu primeiro filho fosse concebido, o médico garantiu que não havia nada de errado com Christine e que ela engravidaria quando Deus considerasse ser a hora correta. E para a alegria de todos, ela finalmente concebeu. Ela não se importava se ela estava gerando um menino ou uma menina, mas com a morte do conde, Christine viu essa gravidez como uma grande chance de finalmente ser aceita pela família de Raoul. Todos ficariam muito satisfeitos com a jovem que havia gerado o novo herdeiro para a família De Chagny.
Agora com suas esperanças derrubadas, Christine entrou na sua casa depois do estranho encontro com Louise. Ela foi recebida pelo mordomo e seguiu diretamente para o seu quarto, mas antes ela passou pelo quarto de Marie, onde Anette, a ama de leite a estava amamentando. Ela olhou para a cena com indiferença, ela se perguntou como aquela menina podia sorrir para aquela criança que nem era filha dela. Christine só conseguia desprezar aquele adorável bebê de cachos loiros e olhos azuis. Seus seios ainda incomodavam por causa do leite que não era usado, isso era um grande contratempo, mas Christine era uma mulher da sociedade, ela não tinha tempo para ficar amamentando um bebê a cada poucas horas.
Ela entrou no seu quarto e se sentou na sua penteadeira. Ela começou as escovar seus cachos dourados com um pouco de violência. Ela e Raoul iriam receber um negociante que tinha algo para propor a Raoul. A Ópera estava precisando de uma reforma e estavam à procura de patronos. A família de Raoul era conhecida por apoiar as artes e ele foi o primeiro em que pensaram em recorrer. Raoul estava interessado, pois ter seu nome ligado a algo dessa magnitude poderia gerar uma primeira boa impressão em sua imagem como Conde agora que ela havia sido reinserido na sociedade.
Cerca de uma hora depois ela estava sentada ao lado de Raoul e de frente a um homem gordo e estranhamente sem pescoço que falava cuspindo e não tirava os olhos do decote dela. Ele era um comerciante rico que estava investindo nas artes. Ele tinha bons contatos no governo e uma família ligada à força policial. Os homens começaram a discutir sobre os negócios e Christine ficou olhando para frente se fingindo interessada, mas sua mente estava longe. Até o homem dizer algo que fez Raoul exclamar indignado.
"Mas por esse preço você poderia contratar uma equipe inteira de arquitetos!" Disse Raoul segurando uma folha de papel com números escritos.
"Bem, monsieur Martinet é o arquiteto mais genial desse último século." Respondeu o homem. "E ele tem um gosto pelas artes, conhecendo o que eu conheço do trabalho dele esse preço é bem justo. E parece também que ele esteve envolvido no planejamento original do edifício, ele ajudou a construir aquelas paredes e conhece a Ópera melhor do que ninguém."
Christine sentiu um segundo calafrio ao ouvir isso. Cada vez que esse monsieur Martinet era mencionado, ela tinha uma estranha sensação de deja vu. O estranho encontro com Louise Martinet já tinha causado tanta estranheza. Christine tinha a sensação que esse sobrenome estava ligado a algo muito maior.
"Tudo bem! Mas eu gostaria de saber quem é esse arquiteto milagroso, para deixar alguém como você disposto a gastar tanto." Disse Raoul.
O homem sorriu com essas palavras.
"Oh! Monsieur De Chagny, O Conde de Dreux está organizando um jantar beneficente para angariar fundos para o hospital de caridade. Monsieur Martinet confirmou a sua presença."
"É claro, fomos convidados semana passada. Bem será uma ocasião para conhecê-lo" Respondeu Raoul tranquilamente.
Christine sorriu internamente com isso. Bem, ao menos ela não seria a única "moça da ópera" a estar inserida na sociedade.
"Bem, monsieur Martinet é um homem muito recluso, é a primeira aparição pública dele. Mas ele deve saber que precisa comparecer a certos eventos, ele tem uma filha que deve ser apresentada para a sociedade no futuro." Disse o homem.
Ele e Raoul continuaram discutindo durante toda à tarde. Mas a mente de Christine estava longe. Ela estava animada em ter uma velha amiga frequentando os mesmos círculos sociais que ela.
Mal ela sabia que estava prestes a rever muitos mais do que apenas uma velha amiga.
"Você pode me explicar novamente como conseguiu me convencer a participar disso?"
Louise sorriu para o seu marido que olhava para ela parecendo levemente indignado ao vê-la puxar vários vestidos do armário e olhar para eles criticamente.
"Você é um homem sensato, talentoso que tem que parar de se esconder feito um morcego." Disse ela sorrindo enquanto levantava um lindo vestido de noite magenta. "Eu usei esse apenas uma única vez, acho que vou usar esse."
"Você pode comprar vestidos novos se quiser." Disse Erik distraidamente sem tirar os olhos do livro que estava lendo.
"Não há necessidade, querido." Respondeu ela. "Vou ver como Alice está com o jantar."
Sem ouvir resposta ela saiu do quarto e foi até a cozinha.
Ela se deparou com a jovem cozinheira rindo enquanto limpava a farinha do rosto de sua filha.
"Madame Martinet!" Exclamou a jovem se pondo de pé e corando furiosamente a ponto de ficar da mesma cor que o seu cabelo ruivo e rebelde. "Por favor, me perdoe. Mademoiselle Cècille estava me ajudando, foi muito gentil da parte dela."
Alice estava trabalhando na casa há menos de três meses. Ela era muito jovem e inexperiente com apenas 16 anos, mas seu jeito gentil e sua vontade de trabalhar animaram Louise a contrata-la, sem contar que ela era a única que conseguia fazer Cècille comer algo regularmente. Ela era quase que uma irmã mais velha para a sua pequena.
Louise apenas riu e disse para Alice não se preocupar contanto que a bagunça fosse limpa.
"Maman! Alice disse que eu posso fazer uma torta de chocolate." Disse Cècille com o rosto e parte do cabelo cobertos de farinha, Louise nem quis saber como ela conseguiu se sujar daquele jeito.
"Claro, querida." Disse Louise. "Mas eu quero vê-la apresentável na mesa."
"Sim, maman!" Disse ela saltitando e espalhando mais farinha pela cozinha imunda.
"Não se preocupe madame, tudo estará pronto e limpo a tempo do jantar." Respondeu a jovem Alice enquanto perseguia Cècille com um pano.
Louise estava planejando passar o tempo na biblioteca, quando ouviu o som melancólico do violino de Erik. Ela mudou de trajeto e foi até a sala de música. Ela abriu a porta e viu Erik sentado ao lado da janela, seus olhos estavam fechados e ele estava tocando uma melodia triste no violino. Ele não notou a presença da esposa até que ela caminhou até ele e colocou uma mão no seu ombro.
"Está tudo bem, querido?" Perguntou ela.
Erik baixou o violino e olhou para ela com seus olhos parecendo ouro derretido. Ele se moveu um pouco para o lado e Louise se sentou ao lado dele, passando os braços ao redor do pescoço dele. Erik se inclinou e a beijou levemente nos lábios, e Louise respondeu com entusiasmo. Eles estavam tão próximos quanto quando eram recém-casados. Era inacreditável que eles tinham apenas uma filha.
"Não tente me distrair." Resmungou Louise enquanto Erik pressionava beijos em seu maxilar.
"Não era a minha intenção." Disse Erik sorrindo descaradamente para ela.
"Você está incomodado sobre amanhã?" Perguntou ela.
Erik se mexeu desconfortavelmente, visivelmente incomodado. Estando tão acostumado a usar a máscara, ele não era muito bom em esconder as suas expressões faciais. Ela beijou seu rosto.
"Não se preocupe, meu amor." Disse ela beijando a testa dele. "Vai dar tudo certo. Não há nada para temer, nós só vamos ficar por pouco tempo."
Erik resmungou algo, mas foi calado pelos beijos de Louise.
"Eu acho que sou eu que estou sendo distraído." Disse ele de mau humor.
"Está funcionando?" Perguntou Louise sorrindo.
"Muito!" Disse Erik beijando-a profundamente até deixar Louise sem ar.
A mansão do Conde de Dreux era uma das mais encantadoras. Fora terminada recentemente e era obra do tão renomado monsieur Martinet cujo talento estava sendo assunto nos círculos de conversa da elite francesa. Seu gosto refinado aparecia nas casas de mais da metade daqueles que estavam no grande e magnifico salão de festas com seu piso de mármore sem a menor falha.
O Conde e a Condessa De Chagny foram recebidos educadamente pela Condessa de Dreux que estava como anfitriã e organizadora do evento. Raoul foi levado por alguns conhecidos, deixando Christine em companhia da Baronesa De Villers que estava fervilhando de ansiedade sobre a tão misteriosa figura que era o casal Martinet.
"Oh! Meu Deus! Lá estão eles!" Exclamou Monique em excitação.
Christine se virou a tempo ver Louise entrar lado a lado com um homem magro, alto e bastante bonito por sinal. Ela viu também a pequena Cècille, filha do casal. A beleza da pequena menina estava atraindo a atenção das mulheres que sorriam para a menina de rosto angelical.
Mas a atenção de Christine e da maioria dos convidados estava em cima do homem misterioso que finalmente estava se mostrando perante a sociedade pela primeira vez. Por algum motivo estranho, os olhos dela e do homem se cruzaram e Christine parou de respirar ao ver aquelas pupilas douradas como as de um gato. Poderiam se passar mil anos e ela ainda se lembraria daqueles olhos. O homem congelou ao vê-la e ele parecia partilhar da mesma surpresa.
Não! Não podia ser...
Oh! Eles se viram e agora? O que será que vai acontecer?
