Mil perdões pelo enorme atraso, mas aos poucos eu estou me organizando com minhas histórias. Aqui tem mais um capitulo e espero que seja satisfatória para todas as viúvas phangirls e que a língua ácida de Erik faça vingança.
Boa leitura
Christine e Erik se encararam em silêncio chocado até se lembrarem de onde estavam e o que representavam. Erik rapidamente assumiu a sua postura altiva de sempre e cumprimentou gentilmente a Condessa de Dreux e foi recebido calorosamente pelo Conde. Cècille sentiu a apreensão dele, e largou a mão da mãe para se agarrar ao pai. Erik olhou para os grandes olhos azuis da filha e sentiu o seu medo se dissipar. Ele iria passar por isso com toda a perfeição.
Ele havia tido muito tempo para aperfeiçoar a máscara que ele construíra para usar depois que se casasse com Christine. Agora ela estava praticamente perfeita, ele tinha o "rosto" de um homem simplesmente comum. Ele se divertiu ao assustar Louise, mas ser atingido por um frasco de perfume não foi exatamente o que se deveria chamar de diversão.
Ele não esperava ver Christine, eles não estavam na Bretanha? Lá estava ela, tão angelical como se dez anos não tivessem sido nada. O seu marido também estava, o visconde, ou melhor, conde. Ele estava feliz em não ver nenhum brilho de reconhecimento nos olhos dele quando Raoul caminhou até ele arrastando Christine junto, a menina parecia a ponto de desmaiar, mas Erik já estava perfeitamente composto e olhou para a jovem como se tivesse vendo-a pela primeira vez.
"Monsieur Martinet, eu sou Raoul De Chagny e essa é a minha esposa, Christine De Chagny." Disse Raoul educadamente estendendo a mão para Erik que a apertou normalmente.
"Um prazer monsieur le Comte, me chamo Erik Martinet e essas são minha esposa e filha, Louise e Cècille Martinet."
Tão contido, tão educado e sociável. Christine estava começando a duvidar de que aquele homem na sua frente era realmente o seu Anjo da Música. Mas ela poderia estar morta e enterrada sob sete palmos de terra, ela ainda reconheceria aquela voz. O mais surpreendente era que Raoul não parecia ter notado nada. Christine imediatamente procurou no rosto dele qualquer sinal de máscara e notou imediatamente a costura quase invisível em baixo do nariz e na linha do cabelo, aos olhos de outro poderiam se passar por alguma cicatriz ou efeito de luz. Então aquela era a máscara que Erik disse que tinha feito para viver na superfície com ela. Ele não havia mentido, a máscara era absolutamente perfeita. Ela teria passado na rua por ele sem dar um segundo olhar.
Mas se ele era Erik, então Louise era a sua esposa e a criança era a filha dele. Mas como Louise o conheceu, será que ele a obrigou a se casar e dessa vez a jovem garota não teve escapatória? Mas se fosse assim, então ela era apenas mais uma? Algo substituível?
Ela e Raoul foram afastados do casal que recebia mais cumprimentos de outros convidados. Erik e Louise foram levados até uma mesa com o conde e a condessa de Dreux, Erik era o convidado de honra desse jantar. O conde se alegrava de ser o primeiro a mostrar para o público o tão renomado Erik Martinet. Christine ainda estava em choque enquanto observava Erik e Louise sentados tão próximos e conversando rapidamente entre si. De sua mesa a uns dois metros de distância ela viu que havia uma pequena tensão entre o casal que reforçou as suas dúvidas.
Mas depois de poucos minutos, Louise se esticou e beijou discretamente o rosto mascarado de Erik o que deixou Christine espantada.
"Christine!" Exclamou Monique, a Baronesa De Villers. "Você não tirou os olhos do monsieur Martinet desde que ele entrou. Eu sei que ele é atraente, mas você está sendo indiscreta." Disse ela com um sorriso amigável.
Christine corou levemente e desviou o olhar daquela mesa. E tentou se concentrar na conversa entediante que Raoul estava tendo com um de seus conhecidos, eles eram tantos que ela tinha muita dificuldade de lembrar os nomes. Sua mente estava confusa e entorpecida demais.
Aquele homem era Erik! Seria muita coincidência que houvessem dois Eriks com tantas características similares. Mas como ele chegou até ali? Ele era um recluso completo que vivia nos subterrâneos da Ópera tendo o mínimo de contato possível com o mundo. Ele parecia tão descontraído no meio daquelas pessoas da elite parisiense. Algo importante aconteceu naqueles dez anos, anos esses que ela pensou que ele estava morto. Ela viu o anuncio no L'Époque, mas seu medo de ver o cadáver do seu tutor a impediu de cumprir a sua promessa, o anel simples de ouro estava escondido no fundo de uma gaveta em sua cômoda onde estava destinado ao esquecimento junto com as memórias daqueles temerosos acontecimentos.
E Louise? Como aquela simples bailarina se aproximou de Erik? Ela era uma moça tão simples quanto Christine, ela não podia acreditar que Louise se envolveria com alguém como Erik. Ela daria qualquer coisa para saber como aconteceu. Louise não tinha família e nenhum pretendente para lutar por ela, será que ela era um alvo mais fácil para Erik? Será que ela era uma substituta para o amor que ele sentia por Christine? As perguntas eram muitas e as respostas estava a apenas alguns metros de distância.
Erik estava literalmente em pânico.
Sua máscara impedia que suas expressões fossem realmente expostas o que lhe dava um semblante apático e levemente desinteressado, o que foi bastante útil na atual situação. Como ele iria contornar isso? Há poucos minutos atrás ele se viu de frente com Christine, o seu primeiro e quase destrutivo amor. Ela estava tão bela e encantadora como sempre, mas algo havia mudado nela, seus olhos não pareciam mais tão claros e puros como foram outrora. Ele sabia que ela o havia reconhecido, ele viu o medo no olhar dela. Ele tomou a frente na situação e desempenhou seu papel formidavelmente, ele devia isso à Louise e Cècille. Seus dois verdadeiros anjos estavam junto com ele e não mereciam uma exposição vergonhosa como aquela. Ele sabia que Louise havia captado toda a situação e estava apreensiva também, a tensão entre eles era quase palpável. Com o intuito de acalmar sua doce esposa, ele entrelaçou seus dedos nos dela e imediatamente recebeu um olhar de cumplicidade. Ele sorriu levemente e arfou de surpresa quando ela se inclinou e beijou seu rosto mascarado, mas esse lindo gesto teve o poder de relaxa-lo e afirmar que ele não estava sozinho.
Não mais.
Depois do jantar, os convidados foram conduzidos até um salão secundário cuja decoração arrancou suspiros de admiração de praticamente todos os presentes na sala. O bom gosto de Martinet era extremamente visível em cada mínimo detalhe. Desde a disposição dos lustres, até a delicadeza dos afrescos que decoravam o teto. Tudo projetado e supervisionado pessoalmente pelo ilustre arquiteto que não aceitava nada abaixo da mais absoluta perfeição.
Naquele lindo salão, foi realizado um leilão de várias obras de arte vindas da coleção de um recém falecido amante das artes que foram doadas pelos seus herdeiros. Todas as peças eram belas e raras o que rendeu uma disputa ferrenha de lances, o que divertiu muito os ricos. E para a surpresa de todos, Erik deu um lance inacreditável para um vaso de aparência simples vindo da China, mas que pelo seu olhar perspicaz foi reconhecido que esta obra fora feita por um grande artesão que trabalhou pessoalmente para o imperador de uma dinastia muito antiga e que aquela era uma de suas únicas peças sobreviventes.
Durante todo o tempo da festa, Christine manteve seus olhos em Erik. Isso a ponto de causar algumas fofocas entre as mulheres que a rodeavam. Até Raoul notou isso e não pode conter uma certa pitada de ciúmes do misterioso arquiteto. Mas Erik não se misturou com os outros homens e esteve ao lado da esposa o tempo todo, Cècille por sua vez fez amizade com o pequeno Visconde de Dreux e mais algumas outras crianças e estava afastada dos adultos. Raoul notou que ele dava olhares furtivos para o grupo de crianças e parecia preocupado com sua menina, o visconde sorriu ao imaginar que provavelmente seria ele no lugar de Martinet daqui há poucos anos no futuro com a sua doce e linda Marie. Mesmo com toda a decepção, ele se apaixonou pela filha assim q a viu. Ela tinha tanto da sua Christine, depois de tantos anos o fruto de seu amor finalmente nasceu e agora ele também era um pai.
O auge da festa era, com toda certeza, a queima de fogos de artifício vindos diretamente da China. Todos os convidados estavam na varanda com os olhos no céu esperando o lindo espetáculo. Na verdade, todos menos um. Erik ficara afastado do grupo que saiu na escuridão da noite. O motivo era simples: Geraria uma certa comoção se seus olhos brilhassem como dois faróis na total escuridão. Seria coincidência demais e com certeza os De Chagny somariam dois mais dois rapidamente o suficiente para gerar uma enorme confusão, Era arriscado demais.
"Vá, minha querida." Disse Erik delicadamente para Louise. "Não se preocupe, eu posso desaparecer por alguns minutos."
Quando os primeiros fogos brilharam no céu, Erik ouviu uma voz que ele jamais iria esquecer em toda a sua existência.
"Erik? É você, mesmo?"
Ele não estava nem um pouco preparado e talvez seja por isso que ele se virou imediatamente ao som de seu nome. Mesmo com a máscara seu choque era visível e ele se viu completamente incapaz de falar uma palavra.
"Não finja que não me conhece. Eu sei que é você! Eu pensei que você estava morto!" Disse Christine com a voz estranhamente aguda pelo choque.
O som tom era de censura e isso fez Erik recobrar o uso das palavras.
"Bem, eu lamento desapontá-la, Christine." Disse ele manipulando sua voz para que fosse apenas inteligível para ela.
Christine ficou em silêncio por alguns segundos antes de gaguejar:
"E-eu vi o anúncio, o obituário. Todos esses anos eu imaginei que estivesse morto e agora vê-lo aqui..." Eu ela conseguiu erguer seus olhos. "Por que você mentiu?"
Erik deu de ombros em sinal de desdém.
"Não era minha intenção engana-la, simplesmente as coisas não saíram como o planejado."
Christine olhou curiosamente para ele, ele parecia tão calmo e contido. Mas a próximas palavras dele foram ditas em um tom tão ácido que ela sentiu seus braços arrepiarem.
"Imagino que se você tivesse a intenção de cumprir sua parte da nossa última promessa, esse mal-entendido teria sido desfeito há muitos anos atrás."
Christine se endireitou e olhou para ele desafiadoramente em resposta.
"Imagino que você também não foi muito honesto. O que eu encontraria naquele lugar?"
"Apenas... nada." Disse Erik. "Eu planejava me desculpar pelo transtorno de uma viagem infrutífera a Paris e libertá-la dessa promessa, mas você fez isso por si mesma."
Christine mordeu o lábio e voltou novamente seus olhos para o chão.
"Mas eu não fiquei muito surpreso, não foi a primeira promessa que você quebrou." Disse Erik sem nenhuma emoção, como se estivesse concluindo alguma explicação simples.
Christine tentou conter suas lágrimas de remorso. Por noites e noites ela chorou pela culpa de ter sido incapaz de cumprir o último desejo de seu tutor. Mas agora ela não devia chorar, ele não estava morto e no fim ela teria sido vítima de mais algum plano se tivesse ido até os subterrâneos naquele dia.
Ela tomou fôlego para responder a Erik quando o som de pequenos e rápidos passos se fizeram ouvir por todo o salão.
Era Cècille que atravessou o salão correndo o mais rápido que seu vestido de festa permitia. A fita que prendia seus cabelos estava frouxa e vários fios castanhos estavam soltos, mas mesmo assim ela era uma visão angelical. Christine notou os olhos e toda a postura de Erik se suavizar com a visão da menina.
"Papa! Estava a sua procura!" Exclamou a menina enquanto corria até Erik com um sorriso nos seus lábios. "Por que você sumiu?"
"Desculpe-me, ma cherie" Respondeu Erik delicadamente para a menina. "Estava apenas conversando com a madame De Chagny".
Cècille sorriu e respondeu.
"Nós já nos encontramos antes, papa." Ela sorriu abertamente para Christine que não devolveu o sorriso. "Você é uma velha amiga da maman."
"Sim, eu sou." Respondeu Christine olhando para Erik sem conter seu olhar de surpresa ao ver aquela menina interagir tão espontaneamente com ele.
"Bem, imagino que devemos voltar para a festa." Disse Erik e alguns segundos depois o salão começou a se encher novamente.
"Você perdeu os fogos, papa." Disse Cècille fazendo beicinho.
"Então você deve me contar como eles eram." Respondeu ele tomando a filha pela mão e se afastando de Christine. "Foi uma honra revê-la, madame."
Tão frio e impessoal, Christine foi incapaz de não se sentir ferida por essa impessoalidade. Todos os seus devaneios sobre reencontrar Erik eram repletos de lágrimas e pedidos de perdão vindos tanto dele quanto dela. E agora, ela recebera um Erik que não parecia sentir ou lembrar de nada que acontecera entre os dois. Esse estranho reencontro causara mais perguntas do que respostas. E ao olhar ele se reunir com sua esposa de uma forma tão doce e leve, uma pergunta começou a queimar em seu peito. Talvez, ela realmente não significava mais nada para ele.
Ela era tão facilmente substituível? E por que ela parecia tão incomodada com isso?
O que será que se passa pela cabecinha da nossa Christine? E como Erik vai lidar agora que fora descoberto por sua ex-aluna?
Vejo vcs nas reviews.
