CAPÍTULO 05:

- Pare de me enrolar, Pequena. – Alex insistia no caminho.

- Como ela se chama? – A garota insistia de volta.

- Só digo se você me contar o sonho.

- Desculpe, Alex, mas preciso falar com a Senhora primeiro. – Alaïs tentava, mas não conseguia esconder sua animação.

A barca se aproximou da encosta e, com ele, uma das Sacerdotisas de Avalon. Era uma das mais velhas: Ryian. Alex reconheceu de imediato aquela que ajudou a criá-lo, quando sua mãe estava ocupada demais para isso. A mãe de seu irmão. - Como vai, Alexander? – ela perguntou, sorrindo.

- Muito bem, Riyan. – Ele sorriu de volta, entrando na barca. Depois, ajudou Alaïs a subir e, em seguida, Galahad. Bastava olhar para os dois juntos para ter certeza de que eram mãe e filho. Os mesmo cabelos negros, os mesmos olhos cor de mel, e o rosto sempre alegre.

- Espero que tenha feito uma boa viagem. – Ela disse, quando começaram a mover-se rápida e silenciosamente pelo lago.

- Ótima viagem. Estava ansioso para voltar... – ele respondeu, e ela apenas sorriu. O loiro observava a amiga, que seguia o caminho em silêncio. Tinha certeza de que ela estava lembrando de tudo que pudesse para ir diretamente à Senhora do Lago contar seu sonho. Galahad permanecia calado, observando o caminho, como sempre fazia quando voltavam.

Ouviam os sinos de Ynis Witrin ao fundo, quando a névoa começou a surgir.

"Após tantos anos, eu ainda tenho medo de ficarmos perdidos em meio as Brumas..."

Mas Ryian elevou os braços, fazendo o gesto ritual, e logo ele pôde ver Avalon; Sua casa. A barca parou. Galahad desceu e ajudou sua mãe e Alaïs a fazerem o mesmo. Mal desceu da barca e já correu em direção aos aposentos da Senhora. Alex imediatamente foi atrás dela.

Pararam na porta, e Alaïs bateu três vezes. Uma das moças, que Alex não conhecia, atendeu.

- Preciso ver a Senhora, Mayra. É urgente.

A garota não respondeu. Apenas mexeu a cabeça em negação. Estava em votos de silêncio, o loiro percebeu.

- Chame-a, por favor. – Alaïs insistiu. – É sobre a profecia.

A moça, com uma expressão de surpresa, retirou-se e voltou na companhia da Senhora.

- O que foi, Mayra? Disse a você que não deixasse ninguém me in... Alexander. – Se estava feliz por vê-lo, não demonstrou. Lá estava ela, Sianna, a Senhora de Avalon. Sua mãe. Os mesmos olhos azuis profundos, a mesma expressão séria e altiva de sempre. Aquela que ele sempre iria amar... e temer. A maldição da Senhora do Lago, como ele e Galahad costumavam chamar.

- Senhora. Espero encontrá-la bem. – ele meneou a cabeça num cumprimento formal.

- Muito bem, obrigada. Aconteceu alguma coisa?

- O sonho, Senhora. Eu me lembrei do sonho.

"Como sempre, ninguém expressa qualquer tipo de emoção ao falar com ela..."

- Ora, entre, menina. E você, Alexander?

- Estou aqui pelo mesmo motivo. Quero saber do que se trata.

- Esse assunto não lhe diz respeito, Alexander.

- Alaïs me disse que eu estava no sonho. E a mensagem era para mim. Portanto, me diz respeito, e eu não vou a lugar algum antes de saber. – E, dizendo isso, entrou, junto com a amiga. Sianna apenas suspirou. Conhecia a teimosia do próprio filho, quando este queria algo. Essa era uma das características que o garoto puxara dela, e não do pai.

Sentaram-se em frente à lareira desligada. Passou-se algum tempo em silêncio, e então Alaïs o quebrou:

- Eu me lembrei do resto do sonho. A garota... aquela ligada à ilha pelo Sangue Real. Eu a vi, Sianna. Ela está em Hogwarts.

- Eu a conheço. Mas o que isso quer dizer? – Alex segurava sua ansiedade.

- Ah, meu filho, há muito que você ainda não sabe. Quem é ela, Alaïs?

- Eu não sei. Alex não quer me dizer – e olhou de cara fechada para o amigo.

- Alexander, quem é a garota? É muito importante que nos diga isso.

Ele hesitou por um momento, mas resolveu dizer. Se Gina fosse da Linhagem Real... talvez assim ele pudesse dizer a ela o que sentia, sem ter medo de fugir do seu destino.

- O nome dela é Virgínia. Virgínia Weasley.

- Uma Weasley? – Sianna pareceu surpresa. – Então Molly conseguiu. Realmente, não a vejo há muitos anos...

- Você a conhece? – Alex ficou ainda mais surpreso com a nova informação.

- Molly nasceu em Avalon. Ela é minha tia. Tia de meu pai, na verdade. (como o tempo passa mais devagar em Avalon, é melhor colocar Molly como mais nova que Siana. Não me lembro se a gente já citou o parentesco dela na outra fic... Que tal se ela for prima de Siana?)

- Eu não sabia que Diana tinha uma irmã.

- Molly fugiu de Avalon para casar-se com Artur. Sabia que, se continuasse na ilha, teria que viver para a Deusa, e escolheu seu destino. Mas Bran me disse que ela tinha dois filhos homens...

- Dois? – Alex riu, ironicamente. – Virgínia tem seis irmãos. Todos homens.

Sianna surpreendeu-se ainda mais com a nova informação.

- Ora... isso que você me diz é muito interessante. Virgínia Weasley, filha de Molly, a sétima filha, única mulher... – Alex viu os olhos da mãe brilharem de excitação.

- Não estou entendendo, Senhora.

- Em Samhain, Alaïs teve uma visão.

- Voldemort. Ele está voltando. – Alaïs completou. - E agora, ele procura as Sagradas Regalias... mas, não sei como, ele descobriu que elas estão escondidas sob um feitiço. E que não é qualquer pessoa que pode encontrá-las.

- Quando soubemos disso, - Sianna voltou a dizer - eu mesma quis buscar as pessoas que poderiam localizar as Regalias. Mas não tive muito sucesso... tudo que vi foi Excalibur, e uma garota segurando a espada. Não consegui ver suas feições, apenas sabia que era uma mulher.

- E então, eu tive o sonho que lhe contei.

- Como podem ter certeza de que as duas coisas estão conectadas?

- É tudo que temos até agora. - Sianna respondeu. – E como você me disse que a garota é uma Weasley, creio que há boas probabilidades de estarmos pensando corretamente.

- Mas ela não faz idéia de sua descendência. Como acha que ela vai colaborar conosco?

- Simples – a Senhora sorriu como se estivesse tramando algo. Alex não gostava daquele sorriso. – Você vai nos ajudar.

- Ah, não. Não me coloque nisso, mãe. - "Não com ela..."

- Você não disse que é amigo dela? Tudo que quero é que você fique de olho, talvez ela manifeste algo.

- Eu passei um ano com ela e ela não manifestou nada. Por que seria diferente agora?

- Pensando bem, é melhor que não interfira, Alexander. - aquele sorriso novamente. – Alaïs, muito obrigada pela informação. Não se preocupe, a partir de agora, eu sei o que fazer. Podem ir. Mayra! Por favor, acompanhe-os até a porta.

- Eu não gosto quando ela fala daquele jeito. – Alex desabafou, ao saírem.

- Relaxe, Alex. O que ela pode fazer?

- Não sei, Pequena. Mas tenho certeza de que vai surpreender a todos nós. Espere para ver.

O tempo em Avalon passava diferente, e logo ele teria que partir. Por isso, queria aproveitar ao máximo sua estadia. Passaria mais um ano longe de seus únicos amigos.

- E então, Had, como andam as coisas por aqui? – Ele perguntou no dia seguinte, enquanto ajudava o irmão a consertar o telhado da casa das Donzelas. O Sol estava forte, e por isso, eles trabalhavam sem camisa.

- Ah, o de sempre. – Galahad esfregou o braço na testa, retirando o excesso de suor. – Sua mãe e o papai não mudaram em nada, mantêm as tradições. Kenna foi iniciada no último Beltane. As tarefas são as mesmas... nada mudou.

- Você sabe que não foi isso que perguntei, Had. Quero saber de você. E de Alaïs.

- Acho que terminamos. – disse, descendo do telhado. – Preciso de um banho... vamos até o lago e eu lhe conto.

Era ali que eles conseguiam se esconder de todos da ilha. Ninguém ia para aquele lado do lago, a não ser Alex e Galahad. Haviam descoberto que era possível nadar ali quando Alex tinha seis anos. Seu irmão tinha nove. Estavam fugindo de um dos druidas para não receberem um castigo. Para chegar ali, era preciso subir uma grande pedra, e eles foram os únicos corajosos.

- Há muito tempo eu não vinha aqui... – Had disse, entrando na água. – Só venho quando você está.

A água ali era sempre quente, mesmo no inverno. A temperatura era preservada por uma magia que se perdera no fundo do tempo, pois ninguém mais sabia como fazê-la. Sempre que queriam se esconder, ou conversar sem serem perturbados, era para lá que iam.

- Então, ela não demonstra interesse? – Alex perguntou.

- Você sabe que não, Lugh. Quando estamos sozinhos, ela... não sei, às vezes tenho a impressão de que, se eu me aproximar, ela não vai recuar. Mas ela não permite... logo inventa uma desculpa para sair de perto de mim.

- Ela me disse que você a importuna o tempo todo.

- Eu brinco, como sempre fiz. Mas ela só me deixa aproximar quando estamos cercados de pessoas. E... eu já a vi olhando para você, irmão.

- O quê? – o loiro ficou surpreso. – Acho que está enganado.

- Não foi uma vez só. Foram várias.

- Não se preocupe, Had. Para mim, Alaïs é a Pequena, que cresceu como minha irmã. Não a vejo diferente.

- Eu vi como você olhou para a ruivinha. Então, ela é sua namorada? – o moreno jogou um pouco de água no irmão.

- Não. Antes de virmos embora, ela... nós nos beijamos. Mas depois, ela fugiu de mim, e mal olhou para mim desde então.

- Você disse a ela o que sente?

- Não, ela não sabe... ela não pode saber.

- Ora, e por que não?

- Você sabe porque. Had, eu estou prometido. Tenho um destino a cumprir. Não posso fazer nada que interfira nisso.

- Você acha que isso vai interferir no fato de você se tornar um Pendragon no próximo Beltane? – Alex balançou a cabeça em afirmação. – Ora, meu irmão, você está maluco.

- E Elenna?

- Vocês são amigos, não são? Não mais que isso. Elenna sabe os motivos do ritual. E não acho que ficará magoada se você tiver uma namorada. Uma coisa não interfere na outra.

- Por que Elenna não veio desta vez?

- Está ajudando a obter informações sobre Voldemort para nós. Não mude de assunto, Lugh! Sabe que a iniciação nada tem a ver com uma namorada.

- Gina não sabe nada sobre mim, Had. Ela não sabe minhas origens, eu nunca contei. Nunca tive permissão para contar.

- Quer saber, meu irmão, você é um medroso. Tem medo de levar um fora! – ele riu.

- A Senhora... – mas ele mudou de idéia. - Tudo bem, vamos fazer um trato: eu conto o que sinto para Gina, se você fizer o mesmo com Alaïs. O que acha?

- Feito. Até o próximo verão. – E estendeu a mão direita para Alex. Quando esse pegou sua mão para selar o compromisso, Galahad puxou-o e afundou-o no lago, rindo.