Capítulo 07:

"Sangue Real de Avalon. Gina é do Sangue Real de Avalon..."

Mal conseguira dormir pensando nas palavras de Alaïs. O que aquilo queria dizer? Será que se conheciam antes? Será que ela era a resposta que estavam procurando?

Os primeiros dois meses em Hogwarts deixaram Alex um tanto quanto confuso em relação a Gina. Sianna não dava nenhum tipo de informação a respeito da garota. Ele a via sempre sozinha, e quando estava com Harry, Rony e Hermione, estava sempre com um ar de sonhadora, de que não estava realmente ali. Ela não percebeu que ele a observava sempre. O loiro reparou que ela evitava o contato, mas sempre que podia, ia atrás dela.

Ele tentou esbarrar propositalmente em Gina no corredor, quando ela deixou cair seu diário. Ele podia imaginar exatamente o que estava escrito ali. Talvez pudesse até adivinhar o feitiço que o abria, mas não tentaria por respeito a ela. Podia quase ler as palavras dela de um ano atrás, pensou, ao caminhar em direção a ela no dia das Bruxas.

"Hoje vi Harry de mãos dadas com Cho. Ouvi dizer que estão juntos. Estou tão triste! Brandon, o monitor da Corvinal, me encontrou chorando e eu acabei contando a ele. Deve ter me achado uma estúpida, mas ele foi muito legal comigo."

Será que ela dizia mais sobre ele do que apenas "ele é um ótimo amigo"? Será que alguma vez pensou nele de outra maneira? O que será que ela teria escrito sobre o dia do beijo na escada, aquele em que ela fugiu?

Foi uma surpresa quando passaram em frente à sala de Sianna e ela estava celebrando Samhain. Foi imediatamente atraído para o ritual e, como imaginara, ela o seguiu. Sem perceber, ficou tão imersa na energia que acabou desmaiando.

- Ela não está acostumada com a energia – disse Sianna a ele na ocasião, antes que ela acordasse novamente.

- O que você tem feito com ela? – ele perguntou, curioso. Arrependeu-se ao olhar de repreensão da mãe.

- Isso não lhe diz respeito, Alexander.

Ela nunca dizia nada. E era por isso que ele continuava insistindo para se manter próximo a Gina. Precisava garantir que ela estaria bem. E ficava preocupado cada vez que a via andar sozinha pelos corredores, não mais com o sorriso no rosto que vira durante o ano anterior quase todo. Algo a incomodava, e ele não podia saber o que era até que conseguisse conversar com ela.

Tentou mais uma vez quando Snape deixou escapar que a Poção Perceptius fora um pedido de Sianna para que Gina começasse a se interessar pela Visão. Mas a garota não dava brechas.

E então... ela vira as serpentes em seu braço. Estava tendo aulas com Sianna para desenvolver os dons que já existiam nela. E mais importante... ela voltara a falar com ele. Eram amigos novamente. É claro que ele se cansou de procurá-la. Não sabia o que tinha feito a garota mudar de idéia, mas, de uma hora para outra, ela mandou um cartão de aniversário, pediu desculpas e foi como se tudo sempre tivera sido como no início: Alex, o melhor amigo de Gina.

Mas ele não queria ser apenas um amigo. Não agora, que sua mente só tinha pensamentos para ela... e ela tinha a Visão! Não podia deixar de pensar que assim, talvez, haveria uma pequena possibilidade de poder dizer a ela como se sentia. Se ela fosse mesmo da linhagem real de Avalon...

Mas não era a hora, ele dizia a si mesmo. Agora, como prometera, iria ajudar Gina com a Poção Perceptius, que Snape a mandara fazer a pedidos de Sianna, o que a garota não sabia. E ambos fizeram-no prometer não contar.

E isso o fazia sentir-se culpado e com raiva de si mesmo por não poder ser completamente sincero com ela. Evitava diversas perguntas da ruiva, conversas sobre o seu passado, porque sua mãe o proibira de contar a ela qualquer coisa sobre eles. Esse seria um trabalho para a própria Sianna Lake, quando ela julgasse o tempo certo.

Todos aqueles pensamentos o distraíam de seus próprios estudos. Não que ele precisasse estudar, já que conhecia o assunto, mas não conseguia sair da primeira página do livro Alfabeto Ogham: Um Estudo Avançado, apenas observando o movimento na biblioteca, do mesmo lugar de sempre.

"Tenho medo de Gina descobrir sozinha antes. Com todo o contato que voltamos a ter, e com os sonhos que ela tem tido... uma hora ou outra, ficarei sem desculpas."

Mas ele esperaria, até que o momento chegasse. Enquanto isso, aproveitaria a companhia da garota e aqueles momentos divertidos, como a tarde maravilhosa que passaram juntos no dia anterior, jogando bolas de neve um no outro e rindo juntos. Apenas os dois novamente.

- Brandon – Uma voz feminina despertou-o de seus devaneios. Olhou para sua direita e viu Kate Krumple, uma corvinal do seu ano, se aproximando de sua mesa. – Pode me ajudar a decifrar essa mensagem?

- Claro. Vamos ver. – Ele analisou a frase inscrita em uma das pedras que a garota mostrara no livro. - Hum... Bom, de acordo com o alfabeto na página anterior, aqui se lê Benddact anim L. Isso significa "uma bênção na alma de L". Mas com o significado você não precisa se preocupar. Temos que decorar as letras e os significados de cada árvore, é isso que a professora quer.

- Como você sabe o significado disso? – Kate olhou espantada e admirada para o loiro; uma reação que muitas garotas tinham e que o deixava sem graça.

- Gosto de estudar línguas antigas – mentiu, com um sorriso tímido. – Vê, não é muito complicado. Quase sempre, a letra correspondente será a primeira letra do nome da árvore em gaélico. Bétula, ou Beith, corresponde ao B. Sorveira, ou Luis, é o L. E assim por diante.

- Você tem muita facilidade com isso, Brandon. Não é a toa que é monitor e que todos te pedem ajuda. Muito obrigada! – ela sorriu, voltando à mesa em que estava sentada.

Como um ímã, sentiu-se impelido a olhar para o outro lado, não surpreso ao encontrar Virginia Weasley, junto com Hermione, em frente à sessão de "História Mágica". Decidiu se aproximar.

- Olá. Resolveu descer um pouquinho da torre?

- Hermione pediu que eu viesse com ela. – a ruiva apontou a amiga, que procurava concentrada algum livro na estante.

- Ela quer sua ajuda em uma pesquisa? – Alex achou que fosse o mesmo que Snape dizer a Harry que gostava muito dele.

- É sobre Avalon. A Mione é assim mesmo. Sempre gostou de saber o que acontece ao redor, então, quando descobriu que a Profa. Lake é de lá, resolveu investigar.

- Posso ajudar também? - "Não fui proibido de falar sobre a ilha, e sim sobre mim mesmo."

- Por mim. – Gina deu de ombros e varreu as mesas, procurando uma vazia. – Acho que teremos que sentar com você. – ela sorriu, fazendo o coração do loiro se aquecer.

- Tudo bem. – ele também sorriu.

Logo Hermione voltou com três grandes livros de capa vermelha: "Lugares de Magia Antiga – Guia Turístico", "Quem são e o qual a utilidade de Druidas" e "Os Adoradores da Deusa – Estudo Avançado".

"Ela sabe mesmo onde procurar."

Alex contou o que podia sobre as origens da ilha. Era fácil falar sobre o seu lar. Desde pequeno conhecia a história, desde Vernemeton até a criação das Brumas em Avalon após a invasão romana, sobre o rei Arthur, Morgana Le Fay e como foi que os bruxos começaram a usar varinhas. Mas seguiu a linha de raciocínio iniciada por Hermione e foi respondendo às perguntas das garotas.

- Hermione, acho que você deveria largar esses livros e fazer uma entrevista com Alexander Brandon aqui. – Gina zombou. – Ele sabe tudo da Ilha Sagrada!

- Ah, Gina! – o garoto enrubesceu. – Eu me interesso por lugares mágicos antigos, só isso.

- Ou será que é por causa da Profa. Lake? – a monitora da Grifinória piscou para ele. – Ela tem atraído a atenção dos garotos.

- Não, Hermione! – Alex ficou chocado com a sugestão. Como poderia pensar aquilo? Gina também não gostou e fechou a cara. – Eu nunca pensaria em algo assim! Não mesmo!

- Está bem. Não está mais aqui quem falou... – Hermione pareceu constrangida com a brincadeira. - Na verdade, acho que achei os livros certos. Olha, eu tenho que ir. Vou levar os livros. Gina, você vem?

- Não, pode ir. – A ruiva nem dignou-se a olhar para ela quando respondeu. A atenção toda no rosto cada vez mais vermelho do amigo. - Vou ficar um pouco mais. Tenho umas coisas para conversar com o Alex.

- Tudo bem. Até mais. Ah, e obrigada pela ajuda, Alex. – ele apenas acenou com a cabeça.

- É verdade o que ela disse? – a ruiva perguntou baixo, depois de Mione ter ido.

- Não, não é... E como poderia ser? – Não poderia dizer. – Eu jamais poderia estar interessado em Sianna Lake, por dois simples motivos.

O silêncio caiu pesado ao redor deles. Estavam tão entretidos um com o outro que os zumbidos das conversas nas mesas desapareceu.

- Quais? – ela perguntou quando ele não explicou. Como responderia sem mentir?

Antes que pudesse pensar em uma resposta, eles viram um grupo na porta da biblioteca rodeando alguma coisa. Correram para ver o que era. Draco Malfoy e Harry Potter estavam brigando no corredor. Não com varinhas, mas com socos e chutes. Sem pensar muito, Alex gritou o monitor da Lufa-Lufa do outro lado.

- Macmillan, me ajude a separá-los!

Alex foi em direção a Draco e Ernie Macmillan em direção a Harry para separá-los. Demoraram um pouco para conseguirem; Alex levou um chute na canela e um soco no braço antes de conseguir desgrudar os dois.

Quando finalmente se soltaram, o grifinório tinha uma mancha roxa no olho, os óculos partidos pendurados nas orelhas e um filete de sangue na boca. Draco tinha os cabelos atrapalhados e uma mancha roxa no queixo. Gina levou a mão à boca, seus olhos mexendo-se nervosamente de Alex para Harry.

- Estão loucos? – Alex gritou. – Vocês têm sorte de não ter nenhum professor aqui.

Antes que alguém tentasse explicar, Cho Chang correu para os braços do namorado, Harry.

- Você está bem? O que aconteceu? – Mas ela não o deixou responder, e puxou-o. – Vamos para a enfermaria. Vamos dizer à Madame Pince que você caiu da escada.

Quando Alex finalmente pôde se livrar de Draco, mandando Pansy Parkinson levá-lo à enfermaria, notou Gina com lágrimas no rosto. A ruiva esbarrou nele e saiu correndo pelo corredor. Alex a seguiu, virando dois corredores e subindo três lances de escada. Ela parou em frente a uma janela em que se podia ver a Floresta Proibida e a casa de Hagrid.

Sem fôlego, o garoto ajoelhou-se em frente a ela, que escondia o rosto e chorava.

- Você não deveria ficar assim, Linda. – Ela levantou a cabeça e ele sorriu timidamente. "Como Potter consegue fazê-la chorar com tanta facilidade?"

Sem a menor cerimônia, ela atirou-se nos braços do garoto. Ele sentiu seu coração acelerar. Hesitou por um momento, mas a abraçou também.

- Sshh... calma... Ele está bem... Foi só uma briga de garotos... – Mas ele sabia que ela começara a chorar ao ver Cho Chang correr para socorrer Harry. Odiava o fato de que tudo relacionado a Potter pudesse fazer a garota perder toda a alegria.

Demorou, mas a garota conseguiu parar de soluçar e afastar-se um pouco.

- Você me acha uma boba, não é? – ela tentou sorrir. – E eu nem sei porque estou chorando.

- Não sabe? – ele perguntou, com os dedos nos cabelos dela, observando atento os olhos dela, sentindo o cheiro fresco do hálito dela.

- Não, eu não sei. – ela murmurou, olhando profundamente nos olhos verdes dele. Será que ela sentia a mesma atração que ele naquele momento? – Pensei que soubesse... Mas agora nada tem importância...

Alex não sabia de onde viera o impulso, mas inclinou-se para ela, tocando seus lábios suavemente nos dela. Ela não recuou. Ele tocou sua nuca, ainda inseguro. Mas ela ainda assim não recuou. Em vez disso, aumentou o contato dos lábios, entreabrindo os seus. O coração dele disparou. Não conseguia pensar em outra coisa, a não ser que era melhor do que esperava. O gosto de menta em sua boca, o beijo completamente... perfeito.

Quando finalmente se separaram, Alex sorria em plena felicidade. Porém, recuou de repente, com medo de que ela brigasse com ele. Para sua surpresa, ela sorriu e acariciou-lhe o rosto, dizendo:

- Não se preocupe. Já aprendi a lição.

O rapaz tomou as mãos dela nas suas, mas Gina o impediu de falar.

- Alex, preste atenção. Eu não sei o que está acontecendo, está bem? Tem tanta coisa acontecendo comigo. Eu... eu não quero usar você. – ele negou com a cabeça, mas ela o interrompeu de novo. - Fiz isso no ano passado. Você é meu amigo e não é justo.

- Gina, eu... – Ele queria explicar, queria dizer que sentia muito, que a queria para si, mas ela não deixou.

- Por favor, me escute. Até agora, a minha mente ama Harry Potter. O meu corpo sente coisas... você sabe... sentiu também... Eu preciso de um tempo, ok? Tem também as aulas com a Sianna, o trabalho do Snape...

- O que isso tem a ver com a gente, Virgínia? – ele ficou sério de novo. Ela estava inventando desculpas?

- Você quer ser meu amigo?

- Eu acredito ter deixado bem claro o que você significa para mim, não? - "Se não soube por esse beijo, não sei do que mais precisa."

Ela suspirou.

- É só isso que tenho condições de oferecer por enquanto, Alex.

Ele levantou-se, nervoso, mirando a Floresta Proibida e o céu que agora começava a escurecer.

"Não posso deixá-la sozinha agora. Tenho que protegê-la."

Então, ele voltou-se e viu que ela ainda estava no chão. Estendeu a mão para ajudá-la.

- Eu aceito com uma condição.

- Qual? – ela sorriu com a proposta.

- Você não vai mais chorar por causa dele.

Gina abriu mais o sorriso.

- Nunca mais. Eu prometo.