Capítulo 09:
Mas a alegria não durou muito tempo, pois alguns dias depois, levou outra bronca de Sianna. Gina fora à sua sala, para defendê-lo. A mãe fora dura com ele novamente.
- Você não deveria dizer nada a ela, Alexander.
- Não disse nada demais. – ele retrucou.
- Não importa. – Ela suspirou, nervosa. – Se eu o vir com ela novamente, tomarei medidas drásticas. Está me entendendo? Quero que se afaste dela.
Ele tinha se afastado novamente, e deixou que Hermione ajudasse Gina com a Poção Perceptius. Doía vê-la todos os dias, ao voltarem do feriado de Natal, e não poder nem mesmo falar com ela, por medo de sua própria mãe. Ele sabia que ela tinha amigos para continuar protegendo a garota, mas o incomodava não poder fazer nada.
Nem mesmo na aula de Poções ele a encarava. Ela fazia perguntas, tentava chamar sua atenção, mas ele segurava-se ao máximo. E segurava sua raiva ao vê-la conversar sorridente com Harry Potter. Nada podia fazer, a não ser observá-la de longe. Sianna deixara claro que seus destinos não poderiam seguir juntos.
"É uma injustiça", pensava ele, "estar ao lado do que você sempre quis e não poder ter."
Estava fugindo de tudo o que sentia. Até que um dia, quando ele abaixou-se para limpar seu caldeirão, ouviu a voz dela:
- Alex. – chamou, num murmúrio inseguro.
Ele parou subitamente. Seus lábios tremiam.
- Alex... – engoliu em seco. – Converse comigo... Por favor, fale qualquer coisa, me xingue, até bata em mim, mas... droga... – respirou. – Eu preciso de você.
Aquelas palavras fizeram seu coração disparar novamente. Uma nova esperança. Sem dizer nada, procurou um pergaminho em suas vestes e escreveu para ela:
SALA DE ASTRONOMIA. HOJE A NOITE.
E se afastou.
Ele não tinha nenhuma fome. Ficou horas na sala de Astronomia, esperando-a chegar. O local estava iluminado apenas pela luz das estrelas. Tocou a harpa, lembrando-se de seus amigos. Lembrou-se da promessa que fizera a Galahad. Do que seu irmão falara a respeito dos sentimentos dele em relação a Gina e Elenna.
Ele conhecia Elenna muito bem, e sabia que o ritual de iniciação, que agora não estava muito longe, não iria interferir em nada. Os dois eram amigos, quase irmãos, desde que se conheceram. Não sabia exatamente o que o momento exigiria dos dois, mas sabia que aquilo nada iria interferir na amizade que tinha com ela.
O que ele sentia por Virgínia Weasley era completamente diferente. Ele queria cuidar dela, protege-la, estar perto dela sempre. Mais do que isso, queria abraçá-la, dar carinho. Ser seu consorte, construir um futuro com ela.
Oras, mas o que é que ele estava pensando? Eles não tinham nada, e ele já falava em futuro? Que futuro, se toda a sua vida sempre fora guiada por Sianna Lake? Pela primeira vez em sua vida, ele queria contestar tudo o que a Senhora do Lago planejara para ele. Ele não acreditava que os Deuses que amava seriam capazes de proibir o Amor. Não. Os Deuses que ele conhecia eram o próprio Amor.
Suas mãos continuaram tocando a harpa como se tivessem vida própria. Tocavam as músicas dos rituais de Avalon. Músicas que o reportavam diretamente para o Tor. Sua mente vagava em lembranças das palavras ouvidas pelo sacerdote que representava o Deus a cada rito.
Eu sou o poder arrebatador da Vida
e aquele que traz a luz: mas sem Amor
eu não posso criar nada que perdure.
Então eu preciso da Deusa, assim como ela precisa de mim,
e no Grande Casamento Sagrado, o Êxtase Cósmico,
nós somos um.
Siga seu coração e seu instinto, onde quer que eles o levem. A riqueza de seu coração o guiará para onde o limite frio da lógica não pode te levar.
"A única exigência para o ritual é que ambos sejamos virgens. É a única regra que tenho que seguir à risca."
Ele parou de tocar, tendo a súbita certeza do que deveria fazer.
A porta se abriu devagar. Ele olhou para trás, levantando-se. O coração disparado.
- Talvez você estivesse com fome. – Gina disse, antes de parar bem perto dele.
Mas ele mal ouviu as palavras, mal viu o que ela tinha na mão. Pegou-a em seus braços e apertou forte, puxando-a para bem perto, sentindo o cheiro de seus cabelos, sua presença, tão perto dele. Deixou escapar uma lágrima.
- Senti sua falta. – Gina murmurou no ouvido dele, beijando sua bochecha.
Alex afastou-se para olhá-la.
- Eu estava pronto para desistir.
- Pois eu tenho outros planos. – ela sorriu, secando o rosto dele. Alex tomou suas mãos e beijou-as.
- Pode ser perigoso. – os olhos dele jamais deixavam os dela.
- Você sabe em que Casa eu estou, Alex?... Enfrento quem for para ficar com você... – um novo lampejo de um futuro para os dois surgiu em sua mente, e ele sorriu. - Ei, é um sorriso que estou vendo?!... Pela Deusa, você fica bem quando sorri!
Era a primeira vez que ela fazia um elogio tão direto. Ele riu de verdade.
- Você está falando como minha mãe.
- Nós vamos falar com ela, Alex. – falou, séria. - É um absurdo continuarmos assim.
- Tem certeza? – ela acenou. – Agora?
- Não. Estive pensando em pedir ajuda. Você gosta de chá em saquinhos?
