Capítulo 10:

A sala de Adivinhação, em frente ao lago, estava aberta. A primavera já mostrava seus efeitos: do lado de fora, já se ouviam os cantos dos pássaros, já se viam as flores coloridas em diversas árvores em torno de Hogwarts. Do lado de dentro, era possível ver Alexander Brandon e Sianna Lake. Mas a porta fechada impedia quem estava de fora de ouvir a discussão que se passava:

- Mas já está quase pronta, mãe! Tivemos tanto trabalho...

- Basta, Alexander. – Sianna, como sempre, calava-o com poucas palavras. – São ordens de Dumbledore, e não minhas.

- Você concorda com essas ordens? – Ela não respondeu. Alex estava agitado. – Virgínia está certa, e você sabe disso.

- Ela tem que aprender a controlar as visões. A poção pode fazê-la desmaiar novamente se ela não estiver preparada!

Ele sabia que isso podia acontecer. Mas, depois do ataque a Hogsmeade, não podia deixar de concordar com Gina: talvez, com a ajuda da Poção, ela pudesse antecipar os ataques e evita-los, ou melhorar as defesas ali... mas ninguém os ouvia. Dumbledore não mudara de idéia. Todo o trabalho com a Poção Perceptius fora jogado fora logo depois da visão que a garota teve.

- Achei que você, entre todas as pessoas, gostaria de correr esse risco, Senhora. – ele falava baixo agora. – Para o bem maior. Não é para isso que você trabalha?

Sianna suspirou.

- Dumbledore sugeriu a Poção. Se ele quer que seja interrompida, não posso interferir nisso.

- Dumbledore estava cuidando de Potter, e não de Gina. Você queria que os dons dela se desenvolvessem.

- Escute, meu filho – Sianna se aproximou, olhando profundamente nos olhos de Alex. –Virgínia tem o que ela precisa nas mãos dela. Nem eu, nem Dumbledore, daremos ordens para refazer a poção. Você me entendeu?

Ele compreendeu imediatamente. No momento em que Dumbledore proibiu Gina de continuar o processo, percebeu que Sianna ficara agitada. Não entendeu por que é que ela não o contestou. Mas com essas palavras, compreendeu exatamente o que ela queria.

- Sim, senhora. – Ele acenou com a cabeça, afastando-se. – Se me permite, preciso ir. Com licença.

Alex bateu a porta da sala e correu para o Salão Principal. Se seus cálculos estivessem certos, Gina estaria terminando o jantar.

Encontrou-a sentada com Colin e Denis Creevey, com uma expressão de tédio mortal, apoiando a cabeça nas mãos. Ao vê-lo, elevou a cabeça e sorriu.

- Com licença, meninos – o loiro disse, já puxando Gina pelas mãos – mas tem uma emergência lá fora e eu preciso de Gina para resolver.

Mal ouviu o que os garotos contestavam. Só parou quando estavam do lado de fora, no banco em frente ao lago.

- Obrigada por me salvar daqueles dois – a ruiva disse, tomando o rosto do garoto nas mãos e o beijando. – não agüentava mais ver as fotos que eles tiraram de Harry. Harry comendo, Harry no corredor com Nick Quase-Sem-Cabeça, Harry jogando quadribol...

- Não importa – ele estava agitado e empolgado demais. – Escute, estava discutindo com minha mãe agora. Ela não disse, mas sei que ela não gostou da decisão de Dumbledore. Acho que ela quer que façamos a Poção, Linda!

- O quê? Como assim? O que ela disse?

- Eu conheço minha mãe. – Alex falava baixo, cuidando para que ninguém os escutasse. – Conheço o tom quando ela quer algo e não diz. Sei que ela quer que a gente faça isso.

- Está falando sério? Porque eu estava mesmo querendo falar sobre isso com você. Ia fazer sozinha. Já sei como se faz.

- Não podemos fazer isso agora. Ninguém pode nos ver.

- Sei disso. Conheço um lugar em que ficaremos seguros.

- Vou tentar entrar nas masmorras e pegar alguns dos ingredientes antes de dormir.

- Me encontre no banheiro da Murta-Que-Geme à meia-noite.

É claro que, ao perceber o estado em que Gina ficara depois de recomeçar a Poção e intensificar o treinamento, Alex começou a ficar preocupado e, de vez em quando, tentava diminuir o ritmo da garota.

- Tem certeza de que está bem, Linda? – perguntava em seus encontros à meia-noite.

- Estou ótima. Com um pouco de sono, mas não se preocupe.

- Teve alguma visão novamente? – sabia que ela vinha treinando e procurando o que pudesse, treinando além das aulas com Sianna, sozinha.

- Não... – Gina parecia desapontada ao responder. – Não consigo controlar o que vejo. E Sianna às vezes parece adivinhar, porque tem me feito procurar informações como a cor das vestes de minha mãe, ou o tipo de trabalho que meu pai tem feito no Ministério. Tem certeza de que ela queria que fizéssemos isso, Alex?

- Acho que ela está fazendo o que Dumbledore pediu, Gina. Ele não queria que você se preparasse melhor antes de fazer a Poção? Deve ter pedido a ela que não a deixasse ver nada perigoso.

- Eles não entenderam que isso não ajuda em nada. – ela parecia nervosa.

- Dumbledore ficou preocupado, Linda – e Alex compreendia a preocupação. – Colocar uma responsabilidade tão grande nas suas mãos... e não foi a primeira vez que você desmaiou.

- Não quero saber. Falta pouco para terminarmos. Em quatro dias, podemos adicionar a mandrágora e a beladona. E então, ela ficará fervendo até ficar vermelha.

- Dessa vez, acho que você não vai deixar Snape inutilizá-la antes.

- É claro que não. – ela sorriu. – Não vejo a hora, Alex!

- Teremos que tomar cuidado – ele disse, puxando-a para si pela cintura. – Não podemos tirar as mandrágoras e deixa-las berrando pelo castelo.

- Vamos levar o caldeirão até a estufa.

- E você sabe que estufa é? – O loiro começou a beijá-la no pescoço, na nuca, sentindo-a se arrepiar.

- Não será difícil descobrir. – Gina entregou-se às carícias, beijando-o na boca.

O beijo se intensificou, e Alex queria puxá-la cada vez mais para si. Queria segurá-la, colocá-la contra a parede, sentir seu corpo contra o dele. Ainda beijando-a, pegou-a no colo. Ela envolveu-o com as pernas e abraçou-o forte. As mãos dele buscavam uma abertura nas vestes, ansiando por contato corpo a corpo. A ruiva percorria suas costas com uma das mãos, e a outra segurava com força seu cabelo. Podia perceber que ela ansiava pelo contato tanto quanto ele.

O barulho de um vidro se quebrando do lado de fora os trouxe de volta. Alex parou o beijo, colocando-a no chão. Eles ofegavam.

Olharam um para o outro, sem dizer nada. Alex caminhou silenciosamente até a porta, com cuidado. Pirraça acabava de virar no corredor, cantando e batendo nas paredes do castelo.

- Acho que é seguro irmos agora – cochichou para Gina.

Escondeu o caldeirão em uma das cabines, protegendo-o com um feitiço, e os dois saíram do banheiro.

- Até daqui a algumas horas – ele riu, beijando-a na boca.

Quando chegou ao salão comunal da Corvinal e não corria mais riscos de ser encontrado perambulando pelo castelo após o horário permitido, sentou-se e deixou escapar um suspiro.

Teria que se policiar mais. Se não fosse por Pirraça, poderia ter perdido o controle.

"Falta pouco agora. Terei que manter o controle."