Capítulo 11:

- Está na hora. – ouviu uma voz masculina chamar na porta. Caminhou em direção à saída, onde um homem um pouco mais alto que ele entregou-lhe uma lança.

A noite estava clara, iluminada pela Lua Cheia. O chão estava úmido. Respirou fundo, sentindo o cheiro orvalhado da terra misturado com as ervas queimadas na fogueira a poucos metros de distância. Caminhou, procurando sentir a floresta como se fosse seu próprio corpo. Ergueu os braços para o céu.

- Senhor das cores do dia e da noite, Despertador indômito dos corações, Consolador das tristezas. Aquele que nomeia, Dançarino clarividente, Filho da manhã, emente amadurecida da videira. Estou pronto para seu desafio. Caçador selvagem, Guie-me, Venha!

Deixou-se preencher pela energia do Deus, sentindo-o em cada movimento seu. Caminhou, alerta a cada movimento ao seu redor. Sentiu cada animal vivo naquele lugar; conseguia distinguir um coelho, uma coruja, até mesmo uma borboleta.

Então, ele surgiu. O Gamo-Rei, com seus chifres imponentes. Eles se encararam por um momento.

"É hora de provar o poder. Um deve se sacrificar para o outro sobreviver."

Ele era o próprio gamo. Chocavam-se os galhos contra a lança numa luta de igual para igual. Ele estava preparado para qualquer que fosse o resultado, mas lutaria até o fim. Então, sua lança perfurou o coração do Gamo-Rei, despejando sangue sobre a terra. Este avançou em seguida, ferido o braço de seu oponente. Também o seu sangue derramou-se sobre a terra. E, com um grito, ele, o Caçador, perfurou o coração do Gamo-Rei.

Com o animal caído sobre a Terra, ele gritou mais uma vez em triunfo. Os outros homens, ao longe, também gritaram, correndo em direção a ele. Voltaram gritando, o caçador coberto de sangue. Retiraram a pele do gamo e seus chifres, que seriam utilizados em um próximo duelo. Sentia o cheiro de carne na fogueira. Comeu um pedaço, agradecendo ao Deus pela vitória.

Tambores começaram a tocar enquanto uma sacerdotisa mascarada vinha em sua direção. Ela ofereceu sua mão, e ele se levantou. Ela retirou a pele de gamo que o cobria, expondo seu corpo nu, coberto apenas de sangue. Mergulhou os dedos indicador e médio na pequena vasilha de madeira em sua mão e abaixou-se, abençoando-o. Tocou primeiro os pés, depois o falo, o peito, o pescoço e os olhos do homem, depois colocou a máscara do Deus em sua face e disse:

- Você provou sua coragem, filho do Caçador. Para completar sua jornada, deve-se unir à Deusa, e Ela o aceitará como Seu sacerdote.

Ele assentiu com a cabeça e a seguiu até uma cabana. Ela o deixou na porta com uma saudação.

Ao abrir a cortina de pele, ele a viu, deitada na cama de palha. Ao seu lado, uma sacerdotisa fez uma saudação e deixou o recinto. Notou que a mulher na cama brilhava, e riu intimamente quando ela escondeu sua nudez. Sentiu sua masculinidade aflorar-se, e sabia que era a presença do Deus, desejando sua amada. Ele tirou a máscara, aproximando-se dela.

O corpo estremeceu quando ele se inclinou. A respiração quente dela em sua face, os olhos dela olhando dentro dos dele. A Deusa desejava seu consorte e puxou-o sobre Ela.

Ele beijou-a de forma selvagem, tocando-a, arrebatando-a, dominando-a. Ela gemia sob o peso dele, apertando-o contra si. O corpo de pele prateada abriu-se para recebê-lo.

No dia seguinte, pouco se lembrava de tudo o que ocorrera na noite anterior. Quando se levantou, a Donzela não se encontrava mais na cabana. Um homem o recebeu do lado de fora, cercado por homens e mulheres que cantavam e tocavam tambores, celebrando. Foi levado até o lago, onde uma Sacerdotisa o banhou, retirando o sangue seco e as pinturas da noite anterior. Ele olhou para o corte em seu braço direito. Não sentia dor, mas sabia que ficaria uma cicatriz em seu lugar.

Foi conduzido então a outro recinto, seguido apenas pelos homens iniciados: notara que todos possuíam serpentes tatuadas em seus braços. Recebeu suas próprias serpentes naquela manhã. Fora recebido então no recinto do Druida, onde finalmente fez o desjejum. Adormeceu logo depois, levantando-se só na manhã seguinte.

Acordou cheio de energia. Seus braços pulsavam um pouco e as serpentes azuis estavam contornadas com o vermelho de seu sangue. Suspirou de satisfação ao lembrar-se do significado daquilo.

"Agora sou um Pendragon. Um sacerdote dos Deuses."

Na ilha, tudo corria como sempre: do lado de fora, as donzelas e os aprendizes estudavam, colhiam frutas e ajudavam nos serviços diários. Sabia que sua mãe estaria esperando por ele no momento em que despertasse.