A história se chama Bodas de Vingança e a autora é Lucy Monroe bem como as personagens pertencem a Naoko Takeuchi.

Resumo:

No exato momento em que Mamoru Chiba viu a modelo Usagi Tsukino, teve a certeza de que um dia a possuiria. Mas a beleza dela não era a única coisa que o atraía – ele queria vingança! Usagi não seria uma conquista fácil. Ao ser rejeitado pela beldade, ele chegou à conclusão de que seria preciso uma mudança de tática para seduzi-la. De uma forma inesperada, Mamoru dará o último passo rumo a sua vingança: casando-se com Usagi!

CAPÍTULO DOIS

— Costuma julgar todos os homens que conhece por Seiya Kou?

Usagi não ficou surpresa por Mamoru saber sobre o seu passado. Metade do mundo moderno havia lido as colunas dos tablóides. Ou pelo menos, às vezes, tinha essa impressão.

— Isso não é da sua conta, Senhor Chiba.

— Mamoru.

— Ouça, trabalho para o senhor e pelo que sei uma relação pessoal com meu empregador não é uma exigência na descrição do meu cargo.

O olhar divertido, mas penetrante, de Chiba causou-lhe um calor inesperado que ela desejou não sentir.

— Você não é apenas uma mulher franca, mas também um bocado segura de si.

— Sim. — Ele não era a única pessoa que sabia o que queria. Também sabia o que queria e o que não queria. E uma repetição de seu relacionamento desastroso com um magnata cruel, por certo não estava em seus planos.

Apesar do fato de Mamoru se esforçar para a conversa não descambar para o lado pessoal durante o jantar, Usagi se encontrava, mesmo contra vontade, fascinada pelo homem à sua frente. Era intenso, dinâmico e inteligente. Mais do que qualquer outra pessoa que já conhecera. Não repudiava as opiniões dela mesmo que diferissem das suas. Apreciava essa qualidade. Era uma evidência de que a respeitava mesmo que não fosse sua aliada. Isso era algo do qual sempre se ressentira em sua relação com Seiya.

Ainda não sabia como seria o comportamento futuro de Mamoru face à sua recusa nada sútil de manterem um relacionamento pessoal, mas ele respondera com um profissionalismo e maturidade que não pôde deixar de admirar. Conhecera homens muito mais velhos que se comportavam como meninos ao serem repelidos por uma mulher.

Por esse motivo, à medida que a noite avançava sentiu-se mais descontraída, menos preocupada quando a conversa por vezes declinava para assuntos não relacionados a administração de recursos humanos.

Sem que ela percebesse, havia se passado uma hora desde que começaram a jantar.

Naquele instante, o garçom se aproximou e perguntou se eles queriam sobremesa. Mamoru a fitou com um olhar interrogativo.

— Tem dentes sensíveis? — brincou ele. — Eu vou querer um crème brulée, que é um dos melhores que já provei.

— Crème brulée é o meu favorito — admitiu, sentindo a boca se encher de água.

Com um dos seus raros, mas devastadores sorrisos, Mamoru fez o pedido e o garçom se afastou.

Pouco tempo depois, as sobremesas chegaram e Usagi teve que abafar um gemido de antecipação ao visualizar a cobertura de caramelo perfeita e brilhante sobre o creme macio.

— Você parece que está no Olimpo diante de um prato de ambrosia.

— E não estou? — Sentiu-se compelida a explicar sua reacção. — Passei anos evitando açúcar e comida industrializada de qualquer tipo em benefício de minha aparência.

Os olhos azuis de Mamoru passearam pelo corpo dela apreciando cada detalhe.

— Ainda deve estar se contendo bastante. — A voz grave e aveludada a acariciou com aquela aprovação masculina óbvia.

Pela primeira vez em anos, Usagi se viu ruborizando por um comentário relativo à sua aparência. Desde cedo se acostumara a usar e a ver seu corpo como uma ferramenta de trabalho, mas de repente aquele homem lhe despertara a feminilidade adormecida.

Ela encolheu os ombros, soltando o ar que havia retido.

— Não parei de desfilar há tanto tempo assim.

Os olhos dele se estreitaram.

— Tive a impressão de que começou a trabalhar na Primo Tech assim que terminou a faculdade.

— Sim, mas nos últimos dois anos me mantive com o cachê dos desfiles.

— Após o término com o Kou?

Ela fez uma careta.

— Sim.

— Ele pagava os seus estudos antes disso?

Usagi não sabia por que, mas se viu querendo responder à pergunta dele, quando normalmente teria cortado aquele assunto tão pessoal.

— Seiya queria que ficássemos o máximo de tempo juntos, então concordei em não trabalhar.

— Estou surpreso por ele não ter exigido que deixasse a faculdade.

— Oh, ele tentou. — Mas por mais que achasse que o amava, não estava disposta a abrir mão de sua independência, ou de seus sonhos para o futuro, recordou Usagi.

— Você se recusou.

— Totalmente.

— Parou de desfilar porque Kou quis?

Mais uma vez, a pergunta não a afectou tanto por ter que falar sobre algo que evitara por dois longos anos.

— Sempre planejei deixar a carreira de modelo jovem o bastante para entrar na faculdade e seguir uma segunda carreira. Então, quando Seiya me disse que queria ser o único homem em minha vida, concordei e me afastei alguns anos antes do planejado. Sentia-me feliz e lisonjeada pelos sentimentos dele.

Usagi percebeu que sua voz deixava transparecer o desgosto que sentia de si mesma por ter sido tão ingénua. Todavia, sua insistência em realizar um curso universitário fora motivo de briga entre ela e Seiya antes da separação definitiva.

— Você se arrepende dessa decisão?

— Acho o arrependimento uma perda de tempo. Quando tive que voltar a trabalhar para me sustentar, foi mais difícil conseguir empregos lucrativos, mas sobrevivi e aprendi muito nesse processo.

A expressão dos olhos de Mamoru sugeria respeito e admiração.

— Então, mesmo depois de voltar a trabalhar, continuou seus estudos? Ouvi dizer que a carreira de modelo exige muita dedicação.

Mamoru já namorara algumas modelos, sem dúvida. Como a maioria dos homens ricos que viam essas mulheres bonitas como adornos.

Ainda assim, gostou de saber que ele ficara impressionado com seus esforços para terminar a faculdade, em vez de ofendido como Seiya ficara.

— Não. Acho que não conseguiria conciliar as duas coisas. Por sorte, facturei o suficiente com os desfiles no verão para me sustentar durante o ano lectivo.

— Você é uma mulher muito determinada.

— Eu diria que determinação é algo do qual você também entende bastante.

— Tem razão. — Ele apontou a colher para o creme brulée dela. — Prove.

Será que aquele homem não suspeitava o quanto a perturbava? Claro que não. E de modo algum o deixaria perceber. Era mais sensato dominar aquela estranha reacção do que expô-la. Mas aquela voz grave e sensual era como um estímulo para o seu corpo há longos anos carente de sexo.

Isso era muito ruim.

Usagi pegou a colher e parou de falar, obedecendo à ordem dele para provar a sobremesa. Maravilhada, deixou escapar um gemido de prazer ao levar a primeira colherada à boca. Então, fechou os olhos para saborear o gosto delicioso que raramente podia sentir.

Certa vez ouvira uma modelo comparar uma torta de chocolate a um orgasmo, mas até aquele momento jamais tivera uma reacção tão erótica a uma comida. A medida que o creme de baunilha deslizava suave pela sua língua, foi tomada por uma infinidade de sensações que a obrigaram a contrair as coxas para aplacar o fogo do desejo que consumia suas entranhas.

Ao perceber que podia ser mal interpretada, abriu os olhos depressa e se endireitou na cadeira, tentando disfarçar o prazer em sua expressão e acalmar o corpo excitado.

— Humm... Que delícia! Você tinha razão. — Ela se forçou a encará-lo, amedrontada pelo que podia ver, mas pouco disposta a bancar a covarde. — Acho que me excedi.

Mamoru fitou-a com um brilho selvagem no olhar e então balançou a cabeça.

— Relaxe. Parece que está pensando que vou agarrá-la.

— Não é essa a sua intenção? — Ora, não era nenhuma idiota, pensou ela. Tinha ciência da impressão que podia ter-lhe causado. Uma total oferecida, apesar de ter dito que não queria nenhum tipo de envolvimento.

— Deixou sua posição bem clara sobre uma relação entre nós dois, Usagi. Não vou interpretar como um convite o desejo óbvio de uma ex-modelo de satisfazer sua necessidade de comer doces.

— Obrigada. — Deveria se sentir grata, disse a si mesma. Não desapontada.

— Sem problemas. Agora, desfrute de sua sobremesa.

Mamoru a deixara mais tranquila com aquela afirmação, então porque se sentia tão enredada naquela teia?

— Então, como foi o jantar? — perguntou Rita num tom de voz baixo, enquanto trabalhavam em uns slides que o Senhor Curtiss deveria apresentar a Mamoru e à cúpula da administração naquela manhã.

Usai deu uma olhada ao redor, grata por não ter ninguém por perto para escutar a pergunta da amiga. O jantar da noite anterior fora estritamente profissional, mas isso não significava que os outros interpretassem dessa maneira.

Seu romance com Seiya tinha sido alvo de fofocas que bastaram para uma vida inteira.

— Shh! Não quero falar sobre isso agora.

Os olhos de Rei se arregalaram, escurecendo com um brilho de compreensão.

— Então não foi só negócios.

— Não — retrucou Usagi, percebendo de imediato que proferira a resposta errada. — Bem, quero dizer, sim... Foi só negócios. — Não contando com a sobremesa orgásmica, pensou ela.

— Não sei... Mamoru Chiba é um pedaço de mau caminho e você parece muito extenuada para uma mulher que teve um jantar estritamente profissional ontem à noite.

— Não foi um encontro.

— Está querendo dizer que ele não tentou nada?

Como responder àquela pergunta? A conversa deles no início do jantar teria sido uma tentativa? Talvez sim. Entretanto, Chiba se conformara com uma recusa bem facilmente.

Usagi demorou a responder e a expressão de Rita tornou-se especulativa.

— Então, ele está atraído por você?

Aquilo era algo que ela não podia negar sem mentir.

— Podemos parar com esse assunto? Temos trabalho a fazer.

— Certo, mas, só me responda uma pergunta... Se ontem à noite foi apenas um jantar de negócios, porque ficou ruborizada até as raízes dos seus deslumbrantes cabelos?

Usagi ainda não havia formulado uma resposta adequada para o comentário provocativo da amiga, quando esta deixou o escritório, a fim de se preparar para um encontro com um jovem jornalista.

Ela tentou não pensar em Mamoru algo em torno de uma centena de vezes, desde que despertara naquela manhã. Então, forçou-se a se concentrar nos documentos a sua frente.

Sem distracções ao redor e com um tremendo esforço, deu certo. Estava tão absorta, que quando o segurança veio lhe dizer que todas as entradas externas, excepto a principal, haviam sido fechadas, se deu conta de que era bem tarde. Consultou o relógio e ficou chocada ao perceber que já passava muito das 19h.

Deveria ter deixado o escritório há mais de duas horas.

Seus músculos exaustos pelas longas horas sentada na mesma posição protestaram. Levantou-se e se espreguiçou demoradamente. Seu estômago vazio roncou, mas os olhos se voltaram para o relatório quase concluído sobre a escrivaninha. Mais uma hora e teria terminado tudo.

— O que ainda está fazendo aqui?

Estremeceu ao ouvir a voz grave de Mamoru e um estranho calor percorreu seu corpo, sem ao menos ter se voltado para fitá-lo.

Ao se virar, foi como se tivesse sido atingida por um caminhão. Por que aquele homem tinha que ser tão sexy e atraente? Era alto, ombro largo, corpo musculoso e não devia ter mais de trinta anos.

— Estava trabalhando em um projecto e esqueci da hora.

— E o tal modelo de produtividade no ambiente de trabalho que está tentado vender à administração? Não inclui que o funcionário deve deixar o trabalho no horário certo?

Ela encolheu os ombros com uma expressão de culpa.

— Bem, na realidade, a teoria nem sempre funciona na prática.

Ele sorriu. Os dentes brancos brilhando contra a pele morena do rosto perfeito.

— É verdade. Mas se pretende convencer minha equipe administrativa com suas teorias, vai ter que dar o exemplo.

— Tem razão, é claro. — Ela suspirou, desejando que a vida fosse tão fácil quanto esboçar ideias em um papel. — Suponho que você também estava ocupado com algo?

A fisionomia dele endureceu por alguma razão que ela não soube definir.

— Estava traçando alguns planos para uma nova aquisição.

— Está comprando outra empresa?

Por um segundo, uma ponta de satisfação flamejou nos olhos de Mamoru, mas ainda assim permaneceram estranhamente frios.

— Sim.

— Hum... Parabéns.

— Obrigado.— Ele correu os dedos pelos cachos curtos e loiros dos cabelos, desalinhando-os e não os deixando tão atraentes, para o próprio bem dela — Você já jantou?

— Não. Vou parar no caminho e comprar alguma coisa. — Ela se virou e pegou o blazer no gancho da parede de um cubículo atrás de sua escrivaninha.

Naquele instante, percebeu que seus seios estavam praticamente expostos. A blusa branca que parecia perfeitamente aceitável sob o blazer era fina demais para ser usada sem o mesmo em um ambiente de trabalho.

Olhando para baixo, pôde ver a sombra de seus mamilos intumescidos, despontando sob o tecido e era capaz de jurar que Chiba também percebera.

— Jante comigo. — A voz soou firme, mas ele não se preocupou em ignorar aquela exibição. Os olhos azuis escuros subiram lascivamente dos seios à face dela. — E, então?

Usagi sentiu um calor febril lhe queimar a pele e seus mamilos se projectarem com mais intensidade de encontro à blusa. Atordoada, deslizou os braços pelas mangas do blazer, tentando se cobrir.

Diante do convite inesperado e a reacção desesperada de seu corpo, resolveu lançar mão da primeira desculpa que lhe veio à mente.

— Para ser franca, não estou com muita fome.

Com um sonoro ronco, o estômago desmentiu-lhe as palavras e ela precisou conter um gemido de embaraço.

— Tem certeza?

— Oh, eu... ahn...

— Ouça, Usagi, estou apenas interessado em uma companhia para jantar. Estou cansado de fazer as refeições sozinho, é só isso. Não precisa se preocupar. Não vou agarrá-la.

Era a segunda vez que Mamoru lhe garantia aquilo, mas estava começando a achar que era justamente o fato de ele não a agarrar que a perturbava.

— Tenho certeza que não deve lhe faltar companhia. — Ela não pôde evitar uma ponta de cinismo na voz.

— Você se surpreenderia. Jamais achei a companhia de mulheres com cifrões nos olhos fascinantes.

Ela lhe lançou um rápido olhar.

— Como se as mulheres pudessem ficar interessadas em você apenas pelo dinheiro.

— Isso é um elogio?

— Sim. — Ela nunca fora boa em mentir. Odiava mentiras, em especial depois de ter sido tão enganada por Seiya Kou.

— Se me acha tão atraente, por que não quer jantar comigo?

— Porque você é quem você é e eu sou quem eu sou.

— Quer dizer o multimilionário e a estagiária de administração? — perguntou ele com uma ponta de humor.

Ela sorriu.

— Sim, isso mesmo.

— Por que não encarar como um homem solteiro que procura a companhia de uma mulher para jantar por quem sente uma forte admiração?

Mamoru Chiba a admirava? Nesse aspecto, era bem diferente de Seiya que era tão obcecado pela beleza dela e por sua inexperiência sexual, que até se esquecia de que ela tinha um cérebro.

— Certo, mas tem que ser algo bem simples. Já está tarde.

— Tem alguma sugestão?

Usagi ficou surpresa quando ele permitiu que ela o levasse a um restaurante de uma rede conhecida por seus serviços rápidos e eficientes. A comida era boa, mas não exactamente cinco estrelas. Aparentemente, Mamoru não se preocupava em comer só nos melhores restaurantes. Isso a agradou e não pôde deixar de comentar.

Ele encolheu os ombros.

— Quando você tem liberdade e dinheiro para comer onde quiser, por que se limitar? Além do mais, este era um dos restaurantes favoritos de meu pai quando eu era criança.

— Você passou a infância no noroeste do Pacífico?

— Em Seattle.

— Sempre pensei que os magnatas do mundo empresarial vinham todos de Nova York.

Ele riu.

— Tenho um apartamento lá. Isso reforça a imagem que faz de mim?

— Depende... Você o chama de lar?

— Não chamo nenhum lugar de lar. Viajo muito. Tenho uma casa em Palermo que seria provavelmente a coisa mais próxima a um lar.

— Você fala italiano?

— Fluentemente.

— Oh... eu estudei francês na escola secundária, mas sempre me interessei mais por números do que por idiomas.

— Falo várias línguas, dependendo do território onde estou, mas minha mãe sempre falava em italiano comigo e passávamos parte de todos os anos na Sicília com a família dela.

— Você disse que ela era siciliana... ela já morreu?

— Minha mãe e meu pai morreram no espaço de dois anos de diferença um do outro.

— Já ouvi falar sobre esse tipo de devoção... uma pessoa não pode viver sem a outra. — Usagi sempre questionara esse tipo de sentimento, desejando saber se duas pessoas podiam ser de fato tão necessárias uma à outra.

A fisionomia de Mamoru se contraiu como se sentisse dor, porém em seguida tornou-se tão vazia, que a fez desejar saber se não imaginara a primeira expressão.

— Eles se amavam muito — disse num tom frio, como se o amor dos pais não o comovesse.

— A morte deles deve ter sido muito dura para você.

— Sobrevivi.

Usagi assentiu com a cabeça. Mamoru Chiba era muito forte para ter sucumbido, mas ela imaginou qual preço teria pagado por isso.

— Meu pai abandonou a família quando eu tinha dois anos de idade — disse ela depois de uma breve pausa. — Não sabia o significado da palavra devoção.

— Sua mãe casou novamente?

— Algumas vezes. Tive alguns tios que também eram alérgicos à letra "c" como meu pai, até Diamond Colby, meu padrasto, aparecer em nossas vidas.

— Não parece ter sido uma infância ideal.

— É um modo de se colocar as coisas. — Ela riu, chocada por compartilhar aquele assunto com um homem com quem estava determinada a não se envolver.

Acontecera o mesmo na noite anterior. Aquilo a aborreceu, mas a barreira que a separava do resto do mundo parecia não existir com ele. Era como se o filtro de sua privacidade habitual se desligasse quando Mamoru se aproximava. Ainda bem que ele só ficaria em Portland para uma visita à empresa e logo partiria.

— Sua mãe devia ter um péssimo gosto para escolher seus parceiros — comentou ele.

— Depende do seu ponto de vista. Ela se interessava por homens dinâmicos, poderosos e atraentes. Como você.

— Para ter tido várias figuras masculinas na sua infância, eles também deviam se interessar por ela.

— Durante algum tempo. Ela era muito bonita.

— Fala como se isso fosse uma maldição.

— Nenhum dos homens que usou minha mãe teria lhe dispensado um dia sequer se ela fosse uma mulher comum.

— E talvez Seiya Kou não se sentisse atraído por você se você não fosse uma mulher muito bonita.

— Prefiro não falar sobre Seiya.

— Mas ele é a razão pela qual está tão reticente em se tomar minha amiga.

— Eu nunca disse isso.

— Está negando?

— Não.

— E o homem com quem sua mãe se casou, Colby. Aposto que também foi atraído pela beleza dela.

— Diamond amaria minha mãe mesmo que ela estivesse uns dez quilos acima do peso e tivesse uma verruga no nariz.

— Parece ser um grande sujeito, mas não foi atraído primeiro pela beleza dela?

— Suponho que não.

— Então, beleza nem sempre é uma maldição.

— Não, entretanto, não existem muitos homens como Diamond no mundo.

— Talvez existam mais do que você pensa.

Mamoru queria fazê-la acreditar que ele era um deles?

A perspectiva de que isso podia ser verdade era mais assustadora do que seu próprio desejo de descobrir.

Durante os dias que se seguiram, Usagi teve a impressão de que Ângelo estava tentando convencê-la de que era um homem especial.

Mesmo contra sua vontade, se viu cada vez mais atraída pelo magnata que admirava suas ideias e jamais criticava o fato de ela depreciar a própria beleza. Era simpático com todos, fazendo Rita praticamente vibrar de excitação quando ele aceitou o convite para um churrasco informal na casa dela na quinta-feira à noite.

Sob a pele bronzeada de seu rosto, Rita era uma mulher bem tímida e aquele seria o primeiro evento que realizaria na casa que os pais insistiram em ajudá-la a comprar.

Rita estava preocupada com o sucesso da festa e comentou isso com a amiga. A presença de Mamoru Chiba foi um golpe súbito para Usagi, especialmente porque muitos dos outros convidados faziam parte da equipe de profissionais da Primo Tech.

— E nem pense em desistir de ir agora que sabe que ele vai estar lá — disse Rita segundos após Mamoru deixar o escritório delas.

— Já lhe disse que não quero me envolver com outro Seiya Kou.

— Santo Deus! Usagi! Você é cega? Mamoru não só é uns dez anos mais jovem do que aquele cafajeste, como também é muito diferente. Eu diria que são espécies opostas.

— É mesmo? São diferentes em que sentido?

— Primeiro não é segredo para ninguém que Seiya Kou construiu seu império usando outras pessoas. — Era uma informação que Usagi desejou ter sabido antes de o conhecer. — Mamoru compra e recupera empresas com problemas. Chegou onde está com o próprio suor.

— Por favor!

— Sabe o que eu quero dizer. Ele trabalhou para desenvolver essas companhias, como está trabalhando nesta aqui. Ganhou o status de magnata, não o roubou. E também não é mulherengo.

— Oh, verdade?

— Sim. Neflite fez algumas verificações para mim no jornal onde trabalha. Mamoru não tem uma namorada fixa há mais de dois anos e não dorme com as esposas de outros homens.

— Como Neflite pode ter tanta certeza?

— A mídia tem um grande interesse pela vida de Mamoru. Se fosse flagrado mais de uma vez com a mesma mulher, isso teria saído nas manchetes.

— Um dos grandes benefícios de ser rico é a habilidade para comprar o silêncio dos jornais.

— Seiya Kou também é rico, no entanto, não sai das páginas de escândalos.

— Talvez isso não o preocupe.

— O que a faz pensar que Mamoru se preocupa?

— Está bem, você venceu. Pode ser que ele não seja um mulherengo. Neflite vai ao churrasco? — acrescentou, mudando de assunto.

— Claro! E vai levar a máquina fotográfica para acrescentar algumas ao meu álbum de recortes. — Rita sorriu sonhadora. — Não é todos os dias que temos a presença de um multimilionário em nosso quintal, comendo carne grelhada.

Usagi não conteve o riso.

— Você é incorrigível.

— É por isso que você gosta tanto de mim.

— As coisas estão ficando sérias entre você e Neflite?l

Rita mordeu o lábio inferior.

— Acho que sim. Pelo menos para mim. Ele não fala nada sobre amor, mas passa todo o tempo livre comigo.

— É um bom sinal.

— Espero que sim.

E o que dizer sobre ela e Mamoru? Não estavam namorando, mas ele preenchia a maior parte do tempo livre dela.

A quinta-feira amanheceu clara e ensolarada. 0 céu do Oregon estava sem nuvens, livre da ameaça de chuva. Usagi caminhou até o trabalho com um sorriso na face.

Ao entrar no edifício, uma mão forte pousou no seu ombro.

— Você parece feliz.

Ela sorriu para Mamoru, permitindo-se desfrutar a reacção de seu corpo à presença devastadora daquele homem. Uma atmosfera mágica os envolvia, como se estivessem excluídos do mundo e não em frente ao edifício comercial.

— Amo o sol.

— É um belo dia para o churrasco de sua amiga.

— Sim. Rita ficará satisfeita.

— Por falar nisso, quer que eu vá buscá-la para irmos juntos?

— Não.

— Iria me sentir mais confortável chegando com alguém.

— Não o imagino fazendo o tipo tímido.

— E não sou. Mas ainda assim gostaria de levá-la comigo.

Bem, que mal poderia haver? Ambos iam ao churrasco e uma carona de ida e volta não lhe causaria nenhum dano, pensou Usagi. Afinal, já estivera duas vezes no carro dele e saíra ilesa.

— Certo, por que não?

A mão dele deslizou do ombro dela para nuca, fazendo seus pensamentos voarem.

— Eu a aguardo mais tarde para combinarmos um horário.

Usagi o observou se afastar estava no limite de se envolver com outro magnata e tinha que evitar que isso acontecesse.

Continua . . .

Oi Priscilla Salles também adoro fics nestes estilos eheheh bem eu vou tentar postar um capítulo por semana, só se acontecer algum imprevisto é que não é postado. Bjs espero que goste do caps.