A história se chama Bodas de Vingança e a autora é Lucy Monroe bem como as personagens pertencem a Naoko Takeuchi.
Resumo:
No exato momento em que Mamoru Chiba viu a modelo Usagi Tsukino, teve a certeza de que um dia a possuiria. Mas a beleza dela não era a única coisa que o atraía – ele queria vingança! Usagi não seria uma conquista fácil. Ao ser rejeitado pela beldade, ele chegou à conclusão de que seria preciso uma mudança de tática para seduzi-la. De uma forma inesperada, Mamoru dará o último passo rumo a sua vingança: casando-se com Usagi!
CAPÍTULO NOVE
Usagi se sentia tão nervosa quanto uma virgem na iminência da lua-de-mel, à medida que Mamoru avançava através da entrada da suíte do hotel, carregando-a nos braços. Os olhos azuis possuíam um brilho predador e a energia sexual que dele emanava a envolvia.
Apesar da elegância das instalações, Usagi se sentia como numa floresta, enfrentando um leão feroz. Uma fera, cujos dentes afiados seriam capazes de rasgar a barreira que construíra em torno de suas emoções.
Aquilo não deveria assustá-la, afinal se casara com ele. Mas era assim que se sentia.
Mamoru parou, sorrindo. Bateu a porta com o pé e a fitou com o olhar repleto de desejo.
— É minha agora, Senhora Chiba.
— Sou?
— Sim —- afirmou, beijando-a em seguida.
Um beijo quente, carnal e extremamente sensual.
Os lábios másculos moldavam-se aos dela, deixando-a ciente de toda a masculinidade do homem que a desposara. Determinação, poder, domínio, inteligência, força e sensualidade. Podia sentir todos esses predicados na latinidade do beijo de Mamoru. Ele nunca tomara seus lábios daquela forma, mas ainda assim, Usagi correspondia com total cumplicidade.
Um redemoinho de sensações descia em espiral até o centro de sua feminilidade e depois se espalhava em ondas eléctricas por todas as terminações nervosas do corpo suspenso nos braços do marido.
Mamoru a levou para o quarto, postando-a ao pé da cama. Em seguida, deslizou o olhar pelas formas sinuosas, fazendo-a estremecer.
— É extremamente bela, stellina.
— Obrigada — agradeceu ela, devolvendo-lhe o olhar apreciador. — Está muito elegante nesse fraque.
O sorriso que perpassou o rosto másculo de traços perfeitos a fez queimar por dentro. De uma forma que só aquele homem era capaz de fazer.
Mamoru deu um passo à frente, diminuindo a distância entre eles e envolvendo-a no calor daquela proximidade. Era impossível ficar indiferente à presença imponente e inebriante do marido. Ele pousou os dedos longos no zíper do vestido de noiva, roçando-os contra a pele exposta e incendiando-a por onde passava.
— Mamoru? — começou Usagi, desconhecendo a hesitação da própria voz.
— Sim?
— Naquela noite na casa de praia... bem... faz dois anos que eu não...
— Faz amor?
— Sim.
— Fico feliz com isso.
— Mas eu queria...
Como expressar seu receio ao homem que casara com ela apenas para possuí-la? Como lhe pedir que fosse calmo e terno? Era óbvio que não era aquilo que ele queria ouvir em plena noite de núpcias.
— O que quer de mim, cara. Isso? — Inclinou o rosto e roçou os lábios quentes na pele exposta do ombro, numa carícia delicada e provocante. Em seguida, mordiscou a área sensível acima da clavícula, antes de erguer a cabeça. — Ou isso? — Apossou-se dos lábios de Usagi, enquanto as mãos másculas deslizavam por dentro do tecido do vestido, pousando-as nas costas desnudas num gesto possessivo.
Mamoru deteve-se ali algum tempo, massageando-a. A mão firme, escorregando perigosamente até alcançar-lhe as nádegas, e depois as coxas até pousar no triângulo de pelos púbicos. Sem mais delongas, os dedos ágeis, deslizaram pela mucosa húmida e quente, fazendo-a ofegar. As lembranças da intimidade que vivenciaram na casa de praia assomaram à mente entorpecida de Usagi, ao mesmo tempo em que a pulsação no interior de sua feminilidade aumentava a um nível que a fazia ofegar. Mamoru a estimulava com toques firmes e precisos, fazendo-a ansiar por mais. Ela arqueou o corpo, empurrando os quadris para frente de modo a facilitar a penetração da mão masculina.
Mas Mamoru interrompeu a carícia, privando-a do êxtase iminente. Aquele homem incrível parecia ter outros planos. Usagi gemeu contra os lábios do marido e decidiu mudar de táctica, afastando as pernas num convite sensual. Ele a recompensou com uma massagem audaciosa, deslocando os dedos por toda a extensão da fenda lubrificada com movimentos de vai e vem até deter-se apenas a estimular o ponto mais sensível.
Usagi emitia sons ininteligíveis, girando a cabeça de um lado para o outro em abandono.
Talvez calma não fosse a palavra adequada para descrever o que desejava.
— Por favor,... Toque-me.
— Eu a estou tocando — a voz gutural estava repleta de sensualidade e satisfação.
Pretendia provocá-la até levá-la à loucura. Começou a beijá-la outra vez. Os lábios quentes e experientes estavam por todo o lugar.
Como pôde pensar em calma? Estava a ponto de explodir de prazer e ele nem sequer lhe removera a lingerie.
Pareceu levar uma eternidade para que ele a despisse do vestido de noiva. Cada centímetro da pele revelada era demoradamente beijado, saboreada e mordiscada até que o traje branco de seda caísse aos pés delicados, deixando-a seminua e vulnerável ao olhar predador. Usagi desejava ser mais participante, mas encontrava-se envolta em um furacão de sensações que a atingiam como uma descarga eléctrica.
— Mamoru, eu te quero — sussurrou.
— Lembra-se o que lhe falei na outra noite?
— Sim.
Com qualquer outro homem, pedir a faria sentir como se estivesse suplicando. Mas não do modo como Mamoru colocara a questão.
— Vai fazer o que eu pedir?
— Sim. — A promessa sensual parecia ser a perdição de Usagi.
O jogo erótico consistia em Mamoru colocar o controle em suas mãos e aquilo a excitava.
— Quero tirar suas roupas.
Os olhos azuis a fitaram com um brilho malicioso.
— Quer me ver nu?
— Não imagina o quanto.
— Então tire minhas roupas.
Usagi empertigou o corpo.
— E uma ordem? — provocou-o.
— Um pedido.
Ao qual ela não tinha a menor intenção de negar.
Usagi começou pela gravata. Desfez o nó e pousou a peça sobre a cama. Tinha planos para ela mais tarde. Em seguida, retirou-lhe o fraque, jogando-o no chão. E então foi a vez dos botões da camisa. Durante todo o tempo, pressionava os quadris contra a virilidade excitada, num gesto explícito de provocação sexual.
Mamoru gemia contra o corpo feminino, afundando as mãos nos cabelos longos e sedosos e beijando-lhe o rosto.
— Tem um autocontrole impressionante — observou ela.
— E você é uma sedutora nata.
Usagi sorriu divertida.
— Talvez... Mas apenas para você.
Ela lhe arrancou a camisa, revelando a pele bronzeada e os músculos exaltados. A visão quase lhe tirou o ar.
— Faz exercícios regulares?
— Aikido.
— Artes marciais?
— Sim.
— Nunca poderia imaginar. — Mamoru era a quintessência do homem de negócios, mas aquilo combinava com a aura máscula e perigosa que parecia estar latente sob a superfície polida do executivo.
Não desejava estar na pele de um inimigo daquele homem, mas não temia vê-lo enfurecido pelo desejo.
— Temos a vida toda para conhecermos os segredos um do outro.
— Tem razão — concordou ela, deslizando a mão por dentro da calça de Mamoru. — Mas... — acariciou a masculinidade pulsante. — Eis um que eu já conheço e terei imenso prazer em explorá-lo outra vez.
— Fique à vontade.
Usagi exibiu um sorriso triunfante ante a tensão das palavras proferidas.
— É o que planejo fazer e desta vez o quero dentro de mim.
— Óptimo, porque é exactamente o que vai acontecer. — A determinação da voz masculina, a fez estremecer.
Ele lhe cedera o controle, mas não o poder. Até onde Mamoru permitiria que ela ousasse?
Quando o marido ameaçou ajudá-la a despir-lhe as calças, Usagi recusou a oferta, determinada a cumprir a tarefa até o fim.
— Não se mexa.
— Tudo o que quiser.
— Verdade?
— Sim.
Ela se inclinou sobre a cama e pegou a gravata.
— Permitirá que lhe ate as mãos?
Era uma fantasia sexual que sempre quisera realizar. Sentia-se segura para colocá-la em prática com o homem mais sexy que jamais conhecera. E que por acaso era seu marido.
Mamoru pareceu congelar.
— Quer me amarrar?
— Sim.
— Por quê?
— Quero saber se confia em mim.
— E quanto à sua confiança?
— Se não confiasse em você, não teria aceitado sua proposta de casamento.
— Posso dizer que a recíproca é verdadeira.
— Sim, mas nós sabemos que não é.
— Sabemos?
— Sim.
Mamoru a fitou por um longo tempo. Ela pensou que o marido não fosse ceder ao seu desejo e já estava se preparando para largar a gravata. Não o forçaria a fazer algo que não o deixasse à vontade. Os dois se desejavam com a mesma intensidade e tinha de admitir que seu pedido fora um tanto ousado. O marido não era obrigado a adivinhar o que ia no bojo daquele pedido. Queria testar o quanto Mamoru confiava nela. Seiya nunca demonstrara confiança nela, justamente por ser um homem em quem não se podia acreditar. Por certo julgava os outros por ele mesmo. Sentia necessidade de estar sempre no controle.
— Quer que eu ponha as mãos para trás ou para frente?
Usagi lhe voltou o olhar, surpresa.
— Não se importa em satisfazer-me o desejo?
— Confio em você, stellina. Faça comigo o que desejar.
Aquele homem era tão poderoso... que mesmo cedendo à sua vontade. Usagi sentia que ele ainda estava o controle da situação.
Ela teve de clarear a garganta para proferir as palavras.
— Atrás.
Mamoru deu meia volta, virando de costas para ela e exibindo os belos quadris. Um misto de admiração e calor a envolveu diante do consentimento do marido.
— Não existem muitos homens que confiem o bastante para deixar a parceira fazer isso.
— Não é apenas uma parceira. É minha esposa.
Apesar de ciente de sua nova condição, uma sensação de infinita alegria tomou conta de Usagi ao ouvi-lo proferir aquelas palavras.
— Sim. Sou sua esposa.
Ela juntou os punhos de Mamoru, atando-os atrás do corpo. Seria fácil para um homem com aquela compleição física desatar o nó, mas a ilusão da vulnerabilidade do parceiro era mais excitante do qualquer outra coisa que fizera. Pela simples razão de a atitude provar uma confiança ilimitada nela.
Usagi girou o corpo viril até que ficasse de frente para ela. Só então terminou de despi-lo com movimentos lentos e retribuindo a doce tortura de beijar, saborear e mordiscar a pele morena revelada.
— Naquela noite...
— Sim? — interrompeu-a Mamoru, cerrando as pálpebras em antecipação.
— Disse-me que se o beijasse ali... — começou, apontando para o membro rijo. — Perderia o controle e não pararia até estar dentro de mim.
— É verdade.
— Posso beijá-lo esta noite?
— Sim. — A resposta saiu como um grunhido e a erecção colossal deixava clara a excitação de Mamoru.
Tara se ajoelhou de frente ao corpo másculo e começou a exploração com a ponta dos dedos. Revestimento de veludo. Não havia descrição mais apropriada para definir a maciez do tecido contra suas mãos.
Fechou os dedos em torno do membro pulsante, acariciando-o em toda a extensão. Fechou os olhos, deliciando-se com o gemido rouco que nasceu na garganta do marido.
— Isso é gostoso?
— Você sabe que é.
—Tanto quanto para mim.
— Fico feliz com isso.
Querendo retribuir o prazer e excitação que só aquele homem sabia lhe proporcionar, Usagi inclinou a face para frente, depositando um beijo suave na masculinidade excitada. A fragrância máscula que emanava do corpo viril a inebriava. Inspirou fundo inalando o aroma exclusivo de Mamoru.
Em seguida, o beijou com mais intensidade. A língua quente, explorando cada centímetro da virilidade colossal. Queria fazê-lo gritar de prazer e empenhou-se em estimulá-lo até que isso acontecesse. Com o auxílio das mãos, sugou-o com intensidade até que o corpo musculoso tremesse sob as carícias.
— Terá de parar, cara — afirmou Mamoru, com voz gutural. O pedido era quase uma súplica e deixava evidente o quanto ele lutava por controle.
Usagi afastou a cabeça alguns centímetros e ergueu o olhar para encará-lo. Notou gotículas de suor assomarem à fronte de Mamoru.
— Terei?
— Sim.
— E se eu não o fizer?
Os braços musculosos moveram-se e em instantes a gravata de seda caiu sobre o carpete.
— Terei de impedi-la.
Usagi teria sorrido se não estivesse tão ocupada tentando colocar algum ar para dentro dos pulmões tal era seu estado de excitação. Mamoru entendera perfeitamente seu jogo.
Confiara nela o suficiente para deixar que tomasse o controle e o pusesse na posição de falsa submissão, mas era forte o suficiente para assumir o comando quando Usagi precisava que ele o fizesse.
— Levante-se.
— Não posso.
— Por quê?
— Minhas pernas não conseguirão sustentar-me — ela admitiu, sentindo o corpo trémulo e uma leve tonteira.
Mamoru inclinou-se e a ergueu, puxando-a pela cintura até que os lábios de ambos estivessem na mesma altura e tomou-os no beijo mais terno que ela jamais recebera.
Usagi passou as mãos em torno do pescoço largo, tentando não desfalecer com o impacto da onda de amor profundo que a atingiu.
Aquele homem era a personificação da perfeição masculina. Não poderia mais negar que o amava, mas dessa vez não sairia ferida. Mamoru era um homem em quem se podia confiar.
Ele a deitou sobre a coberta de cetim e, com movimentos lentos, removeu as ousadas peças íntimas que Usagi escolhera para agradá-lo.
Quando ela expressou em palavras sua intenção, Mamoru limitou-se a sorrir.
— Poderá usá-las qualquer outra noite. Hoje não quero nada entre nossos corpos.
Usagi concordava. Não queria que nada se interpusesse entre eles. Ainda se encontrava sob o efeito da descoberta que fizera há pouco. Uma vez cometera o erro de admitir que estava apaixonada e se mostrar vulnerável. Mas, desta vez era diferente. Estava casada com aquele homem. Tinha todo o tempo do mundo para lhe provar que merecia seu amor. Que ela não iria abandoná-lo como, ainda que de modo involuntário, fizeram seus pais.
Mamoru fez amor com ela de uma forma que Usagi desconhecia. A ternura do primeiro momento logo se transformou em paixão e urgência até deixá-la exausta e saciada em meio à ampla cama king-size.
Em seguida, ele a puxou para si e ambos adormeceram um nos braços do outro até acordarem mais duas vezes durante aquela noite para fazerem amor com a mesma intensidade e paixão.
Mamoru acordou com o aroma inebriante do café. Espreguiçou-se, sentindo-se mais exaurido do que se estivesse enfrentado uma sessão do mais intenso Aikido. Relembrar o prazer que compartilhara com a esposa o fez soltar um gemido involuntário, enquanto abria os olhos para admirar a mulher incrível que agora lhe pertencia.
Usagi sorriu para ele por cima da tampa de prata que retirara da travessa do carrinho do serviço de quarto.
— Pedi nosso café da manhã.
— Parece delicioso.
— Depois da noite de ontem, achei que precisaríamos de algo bastante substancial. Portanto, solicitei quase todo o cardápio do café da manhã.
Mamoru exibiu um sorriso malicioso ao lembrar da intensidade com que a esposa lhe correspondera na noite anterior.
Atar-lhe as mãos fora algo importante para ela, mais profundo do que uma simples fantasia. Quando se desvencilhou da gravata, temeu não corresponder às suas expectativas, mas logo percebeu que Usagi gostara de sua atitude. O timing entre os dois era perfeito.
A companheira era, sem sombra de dúvida, a criatura mais enigmática, charmosa e surpreendente que jamais conhecera. Não o admirava o fato de Seiya não ter se conformado em perdê-la. Sentiu o estômago contrair ante o pensamento, mas tratou de afastar a preocupação.
Usagi nunca mais pertenceria a Kou. Aquela mulher especial agora era sua esposa. Isso era tudo o que importava.
Mamoru se ergueu, exibindo o corpo musculoso perfeito.
— Também estou faminto, stellina.
— Então venha até aqui para comermos — disse Usagi, quase perdendo o fôlego com a visão magnífica.
Ele a fitou com expressão inquisitiva e percebeu que ela o observava com olhar faminto.
— Mas não é disso que tenho fome — afirmou ele, apontando para a comida.
Usagi corou e sorriu.
— É tudo que tenho a lhe oferecer no momento. Precisamos nos reabastecer. Ou pelo menos, eu — acrescentou, fitando a virilidade excitada de Mamoru. — Tenha piedade de uma mulher exaurida e venha me fazer companhia.
Mamoru balançou a cabeça sorrindo e caminhou em direcção à mesa. Nunca tivera tamanho apetite sexual por uma mulher.
Ela não escondeu o espanto ao vê-lo sentar-se à mesa despido, mas não pode conter o riso quando ele dispôs o guardanapo de linho branco sobre o colo nu.
Depois do café da manhã, passaram o resto do dia fazendo amor e descansando nos braços um do outro até a hora de partirem para o aeroporto.
Usagi não pôde esconder a empolgação quando o marido a informou que viajariam para a Sicília, para que ela conhecesse sua família.
— Finalmente!
Usagi ergueu o olhar do laptop.
— O que foi?
Estavam na Sicília havia três semanas, mas a estadia não tinha se limitado apenas à lua-de-mel. Quando Usagi expressou preocupação com seu futuro profissional, Mamoru apressou-se em lhe oferecer um emprego de sonhos. Providenciou-lhe um mini-escritório do lado oposto ao seu, na vila.
Nunca trabalhara em instalações tão opulentas. Teria o director júnior anterior trabalhado em uma mesa Chippendale original e retirado os sapatos para roçar o mármore italiano legítimo? E tido um conjunto de empregados habilitados a lhe satisfazer todo e qualquer desejo?
Seria por isso que adorava Mamoru? Ele a mimava nos mínimos detalhes e a cada dia seu amor pelo marido crescia. Começava a aventar a possibilidade de lhe confessar seus sentimentos antes mesmo que ele o fizesse.
O relacionamento que estava vivenciando era diferente de tudo que experimentara antes. Mamoru deixava claro que a via como uma pessoa com as mesmas potencialidades que ele, e não uma mulher para manipular a seu bel-prazer.
O magnata exibiu um sorriso orgulhoso quando Usagi adivinhou o que havia por trás do brilho de triunfo que reflectia nos olhos azuis.
— Parece que acabou de adquirir outra empresa.
— Você me conhece muito bem. — Aquilo parecia lhe dar mais satisfação do que qualquer notícia que ele tivesse acabado de receber. — Ainda não, mas estou quase.
Algo na maneira como Mamoru proferiu aquelas palavras, a fez indagar.
— Posso saber qual é a empresa em questão?
— Uma que desejo há muito tempo.
— Está conseguindo convencer o homem que seduziu sua mãe a vender a empresa da família. Estou certa? — Não sabia dizer a origem de seu palpite, apenas o pressentia.
Um brilho estranho perpassou os olhos do marido.
— Sim.
— Como?
— Ele é muito arrogante. Não considera a possibilidade de seus projectos fracassarem, mas está enganado.
— Em que sentido?
— O sogro dele lidera um grupo de investidores que mantém seu castelo de cartas. Uma vez que eles lhe neguem suporte, seu império ruirá por terra.
Usagi sentiu um leve tremor ante a analogia.
— E por que o sogro haveria de lhe negar suporte?
— A esposa dele parece ter acordado para o fato de ter casado com um bastardo e entrou com uma acção de divórcio.
Assim como a herdeira do petróleo que se casara com Seiya... a única diferença era que, segundo lhe dissera o ex-namorado, seria ele o autor da acção. Mas Usagi estava inclinada a acreditar que mentira. A não ser que tivesse descoberto outra esposa ainda mais rica, um homem como Seiya não abriria mão de um casamento de conveniência. Levando em consideração o fato de ele ter lhe telefonado, aquilo era pouco provável.
De qualquer forma, não era em Seiya que deveria focar sua atenção naquele momento.
A alegria contagiante do marido era bem mais interessante.
— E isso o faz feliz?
— Não sabe o quanto, stellina. Afinal, ajudei a tornar o infortúnio daquele cafajeste em realidade.
Usagi sentiu um arrepio gélido percorrer-lhe a espinha.
— O que quer dizer com isso?
— Ele tinha relacionamentos extraconjugais.
— Típico neste tipo de homem.
— Apenas tirei vantagem do fato.
— Como? — Mas logo em seguida ela percebeu o que o marido queria dizer. — Fez com que a esposa ficasse sabendo das outras mulheres? — inquiriu, não podendo conter uma certa náusea mediante a perspectiva. A implacabilidade de Mamoru ia além do que imaginara.
— Sim.
— Isso é cruel.
— Acha mesmo? — Os olhos azuis tinham um brilho sombrio. — Não teria preferido saber que tipo de canalha era Seiya Kou antes de ter se envolvido com ele?
— Claro, mas isso é diferente... Uma esposa já está envolvida. Ela o ama.
— Aquele bastardo continuaria a enganá-la, se ela não encarasse a realidade. Poderiam até ter filhos antes que ela descobrisse com que tipo de homem havia se casado.
— Não pode validar seu comportamento inóspito com base em tais justificativas. Você não contou a verdade para o bem dela, mas sim para o seu.
— Eu não disse nada à esposa dele. — Mamoru ergueu-se e se recostou à mesa. — Fiz com que ela ficasse sabendo através de amigos, que estariam ao seu lado para confortá-la quando cada deslize daquele crápula fosse revelado. Se minha mãe tivesse descoberto a verdade desta mesma forma, teria sido poupada de muita humilhação e talvez ainda estivesse viva.
Usagi desejava de todo o coração que aquilo fosse verdade. E talvez tivesse sido. Ao que tudo indicava o ex-amante da mãe de Mamoru era um homem diabólico, quem quer que fosse.
— Eu também pensava que tinha amigos quando Seiya tornou nosso rompimento público e isso não facilitou as coisas para mim.
— Não pode afirmar isso. Não sabe como seria se não os tivesse.
— Concordo. Mas aprendi que amigos podem ser piores do que estranhos, ou mesmo inimigos em algumas ocasiões.
— Acha que uma esposa não deve tomar conhecimento da infidelidade do marido?
— Não foi isso que quis dizer. O que me incomoda é o fato de tê-la envolvido em sua vingança. Imaginava que fosse tirar as empresas dele e não fuçar em sua vida pessoal.
— Ninguém merece ser mais castigado do que esse homem. Nunca esquecerei a agonia de minha mãe. A humilhação e vergonha pelos quais passou. Ele a matou da forma mais cruel. Nada pode ser mais pessoal do que isso.
E aquilo havia deixado Mamoru absorto num mundo de negócios e vingança onde não havia lugar para o amor. Não a admirava o fato de o marido ser um homem tão implacável, mas não permitiria que ele continuasse a trilhar aquele caminho. Se aprendesse a amá-la talvez se suavizasse.
— Ele não lhe deu as pílulas — argumentou Usagi.
— Não. Apenas a razão para ingeri-las.
— Sua mãe pode ter tomado essa decisão muito mais pela saudade do marido do que pelo rompimento do romance. Ela fez sua escolha. — Detestava ter de dizer aquilo, mas ele não podia desperdiçar o resto de sua vida adulta, caçando o inimigo.
Um coração cheio de ódio não abrigava o amor. E ela precisava que Mamoru a amasse.
— Por que está defendendo aquele canalha? — questionou ele, parecendo confuso.
— Não estou — retrucou Usagi, pousando a mão sobre o ombro largo num gesto reconfortante. — Estou apenas tentando chamá-lo à razão.
— Em que sentido?
— A obsessão por vingança pode consumi-lo e eu não quero que isso aconteça — afirmou ela, fitando-o com olhar suplicante. Esperava que ele decodificasse a mensagem e despertasse para o que estava fazendo.
Mas Mamoru limitou-se a exibir um dos enigmáticos sorrisos que ela aprendera a amar.
— Não se preocupe. Está quase acabando e a única coisa capaz de me consumir ultimamente, é saber quando vou fazer amor com minha linda esposa outra vez.
— Queria que isso fosse verdade.
— E é. Acredite em mim quando digo que passo mais tempo pensando em você do que em qualquer outra coisa.
Aquela era uma grande revelação e Usagi apressou-se em dar-lhe a resposta que merecia. Ergueu-se nas pontas dos pés, envolvendo o pescoço largo com as mãos, e o beijou com todo o amor que pulsava em seu coração.
Agredecimentos:
Priscilla Salles: ainda não foi neste caps que descobriu hihihih. . . já falta pouco. Bj
Grazy: obrigado pelo comentário. bjs
