O que deve acontecer?

Sem querer, transformo em pó minha professora de iniciação à Álgebra.

"Uou, realmente é um nome legal para um capítulo! Eu adoraria transformar em pó minha professora de iniciação à álgebra!" comentou Ares, tentando parecer sarcástico, apesar de todos saberem que era realmente algo que ele gostaria de fazer e algo que realmente faria.

"Isso não iria acontecer." Disse Aphrodite, olhando carinhosamente para o amante, e falando como se estivesse consolando uma criança que perdeu seu cachorrinho. "Você nunca vai ter aula de iniciação à Álgebra!"

"Pode ler, por favor, Apolo?" Disse Hefesto, estressado com sua esposa por estar "confraternizando" com o amante e atrapalhando a leitura.

Apolo, reconhecendo sua deixa, começou a ler.

Olhe, eu não queria ser um meio-sangue.

"De fato, um bom começo, não? Ser um semideus não é muita sorte, considerando ser perseguido por monstros durante toda a vida" Hermes comentou. De repente, Dioniso, que parecia estar anestesiado, deu um pulo de seu trono.

"Semideus? Mais um para eu aguentar naquele acampamento? O que vai ser de mim?" E continuou resmungando, recebendo um olhar reprovador de Zeus.

Se você está lendo isto porque acha que pode ser um, meu conselho é o seguinte: feche este livro agora mesmo. Acredite em qualquer mentira que sua mãe ou seu pai lhe contou sobre seu nascimento, e tente levar uma vida normal.

"Duvido que isso fosse funcionar por muito tempo. Mesmo se você não percebe que é um meio-sangue, os monstros ao seu redor iam perceber." Disse Athena ao livro, como se fosse a coisa mais idiota que ela ouvisse em séculos.

"Licença, Atheninha, amor da minha vida, mas você está tentando falar com um livro." Disse Apolo, fazendo algumas risadas rodarem a sala e Athena ficar vermelha, provavelmente preparando uma resposta forte para calar a boca do irmão.

"Não zoe ela, Apolo. Duvido que ela seja a única a fazer isso durante a leitura."Héstia repreendeu o sobrinho.

Depois de receber um olhar agradecido de Athena, ela fez sinal para Apolo continuar a leitura.

Ser um meio-sangue é perigoso.

"Ah, não me diga!" Disse Hades, que até então tinha mantido sua carranca e comentava pela primeira vez, com desdém.

É assustador. Na maioria das vezes, acaba com a gente de um jeito penoso e detestável.

"Nossa, esse menino coloca as coisas de um jeito muito forte!" Disse Hera, também comentando pela primeira vez.

"Bom, não deixa de ser verdade." disse Deméter, fazendo crescerem em seu trono algumas flores silvestres.

Se você é uma criança normal, que está lendo isto porque acha que é ficção, ótimo. Eu o invejo por ser capaz de acreditar que nada disso aconteceu.

Mas se você reconhecer nessas páginas – se sentir alguma coisa emocionante lá dentro -, pare de ler imediatamente. Você pode ser um de nós. E, uma vez que você fica sabendo disso, é apenas uma questão de tempo antes que eles também sintam isso, e venham atrás de você.

Não digam que eu não avisei.

"Nossa, que menino legal para falar as coisas!" Disse Hera, ficando um pouco estressada com a maneira do menino de tratar desses assuntos. "Aposto que assustaria todas as crianças que perguntassem sobre isso para ele! Ele devia ser mais carinhoso!"

"Como se você pudesse falar muito sobre carinho." Murmurou Hefesto, baixo demais para que sua mãe ouvisse.

Meu nome é Percy Jackson.

Tenho doze anos de idade. Até alguns meses atrás, era aluno de um internato, na Academia Yancy, uma escola particular para crianças problemáticas do norte do estado de Nova York.

"Descobriu com 12 anos? Há! Sorte a dele!" Exclamou Ares.

"Será que se importam? Ainda estou na segunda página!" Disse Apolo, já estressado pelas interrupções.

"Desculpe, Apolo." Disse Aphrodite pelo seu namorado.

Revirando os olhos, Apolo continuou sua leitura.

Se eu sou uma criança problemática?

Sim. Pode-se dizer isso.

"Nossa, ele aceitou sua situação fácil." Disse Hermes. "Muitos ficaram depressivos, sabe..."

Mais uma revirada de olhos e a leitura continuou.

Eu poderia partir de qualquer ponto da minha vida curta e infeliz para prová-lo, mas as coisas começaram a ir realmente mal no último mês de maio, quando nossa turma do sexto ano fez uma excursão a Manhattan – vinte e oito crianças alucinadas e dois professores em um ônibus escolar amarelo indo para o Metropolitan Museum of Art, a fim de observar velharias gregas e romanas.

"Coitado." Disseram Ares e Hermes juntos.

"Ignorantes." Disse Athena, olhando com raiva para os dois.

"Ok, eu desisto de ler!" Disse Apolo, verdadeiramente irritado.

"Não, não, continue!" Disse Zeus, e Apolo continuou a leitura, dizendo:

"Espero sinceramente não ser interrompido tanto."

Eu sei, parece tortura. A maior parte das excursões da Yancy era mesmo.

Mas o , nosso professor de latim, estava guiando essa excursão, assim eu tinha esperanças.

O era um sujeito de meia idade em uma cadeira de rodas motorizada. Tinha o cabelo ralo, uma barba desalinhada e usava um casaco surrado de tweed que sempre cheirava a café. Talvez você não o achasse legal, mas ele contava histórias e piadas e nos deixava fazer brincadeiras em sala. Também tinha uma impressionante coleção de armaduras e armas romanas, portanto era o único professor cuja aula não me fazia dormir.

"Interessante, essa descrição me lembra alguém..." Hermes comentou, tentando se lembrar.

"Sim, a mim também. Lembra-me Quíron, ele é perfeitamente igual à descrição quando está transformado." Disse Poseidon.

"Sim, creio que seja ele, mas para estar lá, Percy deve ser um semideus importante." Disse Dioniso, olhando para cada um dos três grandes. Sabia que o garoto seria filho de algum deles.

Eu esperava que desse tudo certo na excursão. Pelo menos tinha a esperança de não me meter em encrenca dessa vez.

"Isso nunca é a coisa certa a se dizer" Disse Ares, claramente encantado de algo dar errado na história.

Cara, como eu estava errado.

Entenda: coisas ruins me acontecem em excursões escolares. Como na minha escola da quinta série, quando fomos para o campo da batalha de Saratoga, e eu tive aquele acidente com um canhão da Revolução Americana.

Ares explodiu em risadas, no que foi fortemente repreendido pelos olhares dos outros deuses presentes na sala.

"Ah, vão me dizer agora que não teria sido alguma coisa engraçada de se ver?"

Apolo pediu silenciosamente para uma maçã para Deméter e em seguida o fruto estava atingindo a cabeça de um Ares que ria histericamente, mas em seguida olhou com raiva para Apolo, que retribuiu o olhar e tornou a fazer a leitura.

Eu não estava apontando para o ônibus da escola, mas é claro que fui expulso do mesmo jeito.

E antes disso, na escola da quarta série, quando fizemos um passeio pelos bastidores do tanque dos tubarões do Mundo Marinho, e eu, de alguma forma, acionei a alavanca errada no passadiço e nossa turma tomou um banho inesperado. E antes disso... Bem, acho que já dá para vocês terem uma ideia.

E nesse momento, Dioniso e Hermes ergueram os olhos para Poseidon, que parecia um pouco desconfortável. Eles haviam percebido tudo antes de que qualquer outro Deus pudesse notar.

Nessa viagem, eu estava determinado a ser bonzinho.

Ao longo de todo o caminho para a cidade aguentei Nancy Bobofit, aquela cleptomaníaca ruiva e sardenta, acertando a nuca do meu melhor amigo, Grover,

"GROVER? O sátiro inútil que deixou minha filha morrer ao invés de levá-la a salvo para o acampamento, como era sua missão?" Zeus explodiu, e escutava-se fortes trovões do lado de fora da sala. "Como pode você mandá-lo novamente em uma missão?"

"Grover não é um sátiro inútil, irmão. Ele apenas fez o que Thália mandou que fizesse." Disse Poseidon, mesmo ele mesmo estando receoso de Grover ser o protetor de seu filho.

"E mesmo assim a alma dela não está nos meus domínios." Resmungou Hades.

Antes que uma discussão como a primeira começasse, Apolo pôs-se a ler rapidamente, para impedir aos outros de o interromperem.

com pedaços de sanduíche de manteiga de amendoim com ketchup.

"Eca!" Exclamaram Aphrodite, Deméter, Hera e Perséfone, fazendo os garotos revirarem os olhos, especialmente Apolo, que leu ainda mais rápido para ver se seu plano funcionava dessa vez.

Grover era um alvo fácil. Ele era magrelo. Chorava quando ficava frustrado. Devia ter repetido o ano muitas vezes, pois era o único do sétimo ano que tinha espinhas e uma barba rala começando a nascer no queixo. E, ainda pior, era aleijado. Tinha um atestado que o dispensava de Educação Física pelo resto da vida, porque tinha algum tipo de doença muscular nas pernas. Andava e um jeito engraçado, como se cada passo doesse, mas não se deixe enganar por isso. Você precisava vê-lo correr quando era dia de enchilada na cantina.

"Esse sátiro um dia acaba se entregando." Disse Zeus, ainda um pouco zangado.

"Esses sátiros sofrem, não é? Usar pés falsos deve ser extremamente irritante. Pobres sátiros." Disse Hera, e Dioniso confirmou fortemente com a cabeça. A madrasta sorriu, sabendo que o Deus dos vinhos, apesar de reclamar tanto da vida como diretor do Acampamento Meio-Sangue, adorava os pequenos faunos tocadores de flauta por lá.

De qualquer modo, Nancy Bobofit estava jogando bolinhas de sanduíche que grudavam no cabelo cacheado dele, e ela sabia que eu não podia revidar, porque já estava sendo observado, sob o risco de ser expulso. O diretor me ameaçava de morte com uma suspenção "na escola" (ou seja, sem poder assistir às aulas mas tendo de comparecer à escola e ficar trancado numa sala fazendo tarefas de casa) caso alguma coisa ruim, embaraçosa ou até moderadamente divertida acontecesse durante a excursão.

- Eu vou matá-la – murmurei.

Grover tentou me acalmar.

- Está tudo bem. Eu gosto de manteiga de amendoim.

Ele se esquivou de outro pedaço de lanche de Nancy.

- Agora chega. – Comecei a me levantar, mas Grover me puxou de volta para o assento.

"Que menino mais popó! Não tem força para lutar contra um sátiro nem para se livrar da irritação!" Resmungou Ares, recebendo olhares raivosos de Poseidon, Dioniso (apesar de estar indignado apenas por subtender a crítica sobre a força dos sátiros), Hera e Ártemis e olhares de meio sem esperança de Hermes e Aphrodite. Ele tinha esperanças de que Percy poderia ser seu filho, não tinha prestado a mesma atenção de Hermes e Dioniso.

- Você já está sendo observado – ele me lembrou – Sabe que será culpado se acontecer alguma coisa.

Quando me lembro daquilo, preferiria ter acertado Nancy Bobofit no ato. A suspensão não teria sido nada comparada com a encrenca que em que eu estava prestes a me meter.

"E é claro que, depois de tudo acontecer, ele vai ficar resmungando." Pensou Ares, realmente estressado por aquele menino não ser o seu filho. Assustou-se com aquele pensamento, pois era mais normal ele se irritar por ter de reconhecer um filho.

O guiou o passeio pelo museu.

Ele foi na frente em sua cadeira de rodas, conduzindo-nos pelas grandes galerias cheias de ecos, passando por estátuas de mármore e caixas de vidro repletas de cerâmica muito velha laranja e preta.

Athena soltou um suspiro ao pensar em toda essa arte antiga a ser abandonada em um museu, empoeirando até o mesmo deixar de existir, levando as peças com ele.

Eu ficava alucinado só de pensar que aquelas coisas tinham sobrevivido por dois mil, três mil anos.

"Qualquer um ficaria, mas você errou em alguns milhares de anos, querido" Pensou Athena carinhosamente, de uma maneira que a deixou um pouco assustada. De onde surgira o 'querido'? Ela nunca fora uma mulher amorosa e pegajosa, nem mesmo com seus próprios filhos, mas Percy, um garoto que obviamente não era seu filho, havia despertado um bizarro carinho no fundo da alma da Deusa da Sabedoria.

Ele nos reuniu em volta de uma coluna de pedra com quatro metros de altura e uma grande esfinge no topo, e começou a explicar que aquilo era um marco tumular, uma estela, feita para uma menina mais ou menos da nossa idade. Contou-nos sobre as inscrições laterais. Estava tentando ouvir o que ele tinha a dizer, porque era um pouco interessante, mas todos ao meu redor estavam falando, e cada vez que eu dizia para calarem a boca,

"Esses 'coleguinhas' do garoto devem ser realmente muito chatos para ele querer ouvir as histórias de Quíron!" Disse Apolo, interrompendo a própria leitura. Athena revirou os olhos e murmurou um baixo 'idiota!', enquanto Ártemis dava um tapa na testa do irmão e dizia:

"Ô, idiota, o menino queria ouvir a história! Não presta atenção nem no que lê."

Apolo soltou uma risada e revirou os olhos, tomando novamente a leitura.

a outra professora que nos acompanhava, a sra. Dodds, me olhava de cara feia.

A sra. Dodds era aquela professorinha de matemática

"Ah, essa é a mulher que o moleque vai explodir!" Disse Ares, sem esconder sua excitação dessa vez.

Recebeu um olhar zangado da maioria dos Deuses na sala e percebeu que deveria se calar.

da Geórgia que sempre usava um casaco de couro preto, apesar de ter cinquenta anos de idade. Parecia má o bastante para entrar com uma moto Harley bem dentro do seu armário. Tinha chegado em Yancy no meio do ano, quando nossa última professora de matemática teve um colapso nervoso.

Hades engoliu em seco ao ouvir a descrição e sentiu Perséfone, ao seu lado, fazer o mesmo. Ambos conheciam aquela criatura, mas por qual motivo ele, Hades, a mandaria atrás do garoto? Nesse momento, Poseidon o olhava muito desconfiado, quase reconhecendo o mostro citado também.

Desde o primeiro dia, a sra. Dodds adorou Nancy Bobofit e concluiu que eu tinha sido gerado pelo diabo. Ela me apontava o dedo torto e dizia: "Agora, meu bem", com a maior doçura, e eu sabia que ia ficar detido depois da aula por um mês.

Apolo se interrompeu para dar uma risada escandalosa, sendo seguido segundos mais tarde por Ares e recebendo olhares de repreensão vindos de Athena, Ártemis, Héstia e Hera. Hades soltou uma risadinha, pois sabia que quando uma de suas Fúrias dissesse algo doce, nada de bom estaria por vir.

Certa vez, quando ela me fez apagar as respostasem antigos livros de exercícios de matemática até meia-noite, disse a Grover que achava que a sra. Dodds não era gente. Ele olhou para mim, muito sério, e disse:

- Você está certíssimo.

O sr. Brunner continuou falando sobre arte funerária grega.

Finalmente, Nancy Bobofit, abafando o riso, falou algo sobre o sujeito pelado na estela, e eu me virei e disse:

- Quer calar a boca?

Saiu mais alto do que eu pretendia.

O grupo inteiro deu risada. O sr. Brunner interrompeu sua história.

"Bom, se eu sei de alguma coisa sobre Quíron é que ele odeia ser interrompido durante uma história." disse Dioniso

- Sr. Jackson – disse ele -,fez algum comentário?

Meu rosto estava completamente vermelho. Eu disse:

- Não, senhor.

"Ah, e com certeza essa aí vai colar." Disse Ares, com uma risadinha.

Apolo encarou-o até ele se tocar e calar a boca. Mas, um milésimo de segundo depois de Ares ter baixado rosto, todos os Deuses da sala, à exceção do Deus da Guerra e de um indignado Deus da Profecia.

Levou algum tempo até os outros Deuses finalmente pararem de rir, e assim Apolo continuou a história.

O sr. Brunner apontou para uma das figuras na estela.

- Talvez possa nos dizer o que esta figura representa.

Olhei para a imagem entalhada e senti uma onda de alívio, por que de ato a reconhecera.

- É Cronos comendo os filhos, certo?

Zeus, Poseidon, Hades, Hera, Deméter e Héstia soltaram um gemido ao se lembrar da situação vivida a alguns milhares de anos,

"Ainda me lembro de como era repugnante." Poseidon disse, tendo sido o primeiro a conhecer o estômago do pai.

Os deuses, a exceção de Zeus, que não havia sido engolido, tremeram.

- Sim – disse o sr. Brunner, e obviamente não estava satisfeito. – E ele fez isso porque...

- Bem... – eu quebrei a cabeça para me lembrar. – Cronos era o deus-rei e...

- Rei? – perguntou o sr. Brunner.

"DEUS?" disseram todos na sala, indignados com o imenso erro do garoto.

- Titã – eu me corrigi. – E... ele não confiava nos filhos, que eram os deuses. Então, hum, Cronos os comeu, certo? Mas sua esposa escondeu o bebê Zeus e deu a Cronos uma pedra para comer no lugar dele. E depois, quando Zeus cresceu, ele enganou o pai, Cronos, e o fez vomitar seus irmãos e irmãs...

- Eca! – disse uma das meninas atrás de mim.

- ...e então houve aquela grande briga entre os deuses e os titãs – continuei -, e os deuses venceram.

Algumas risadinhas do grupo.

"Ah, decididamente Quíron não vai ficar feliz com esse resuminho mal feito." Disse Héstia, se manifestando de uma maneira que surpreendeu a maioria dos Deuses, com exceção de seus irmãos, que sabiam que ela era muito próxima do meio irmão.

Atrás de mim, Nancy Bobofit murmurou para uma amiga:

- Como se fôssemos usar isso na vida real. Como se fossem falar nas nossas entrevistas de emprego:"Por favor explique porque Cronos comeu seus filhos."

Após essa frase todos os deuses soltaram vários comentários. Nenhum deles simpatizara com a garota, especialmente Poseidon e Dioniso.

"Na realidade, a importância disso é maior do que sua cabecinha oca poderia entender" Disse o deus das festas, com uma expressão de nojo.

"Mas não é algo que você vai chegar a descobrir. Duvido muito que você chegue a ter uma entrevista de emprego, com essa inteligência medíocre." Disse Poseidon, fazendo uma cara de nojo, se possível, pior do que a de Dioniso.

-E porque, sr. Jackson - disse o sr. Brunner -, parafraseando a excelente pergunta da srta. Bobofit, isso importa na vida real?

- Se ferrou – murmurou Grover.

"Tá, eu te garanto que essa ele não sabe!" Athena disse, ainda amargurada com a última visita de seus filhos, na qual eles mesmos não souberam responder à pergunta, com exceção de uma garotinha, Annabeth.

- Cala a boca - chiou Nancy, a cara ainda mais vermelha que seu cabelo.

Pelo menos Nancy também foi enquadrada. O sr. Brunner era o único que a pegava dizendo algo errado. Tinha ouvidos de radar.

"Haha, é mesmo. Uma vez ele me pegou tentando arranjar um encontro para ele com os parentes." Disse Apolo, interrompendo a própria leitura com uma cara de nostalgia.

Pensei na pergunta dele, e encolhi os ombros.

- Não sei, senhor.

"Unn, essa pergunta é mesmo meio difícil, né? Por que ele nem sabe que é um semideus." Ártemis tentou ser compreensiva com o garoto.

Athena apenas bufou e olhou em direção a Apolo, que tornou a ler.

- Entendo. - O sr. Brunner pareceu desapontado. - Bem, meio ponto, Sr. Jackson. Zeus, na verdade, deu a Cronos uma mistura de mostarda e vinho, o que o fez vomitar as outras cinco crianças, que, é claro, sendo deuses imortais, estavam vivendo e crescendo sem serem digeridas no estômago do titã. Os deuses derrotaram o pai deles, cortaram-no em pedaços com sua própria foice e espalharam os restos no Tártaro, a parte mais escura do Mundo Inferior. E com esse alegre comentário, é hora do almoço. Sra. Dodds, quer nos levar de volta para fora?

Todos os deuses da sala soltaram risadinhas do comentário do centauro.

A turma foi retirada, as meninas segurando a barriga, os garotos empurrando uns aos outros e agindo como bobões.

Grover e eu estávamos prestes a segui-los quando o sr. Brunner disse:

- Sr. Jackson.

"Ihh, ferrou pro garoto." disse Ares, deliciado, recebendo um olhar raivoso de Poseidon.

Eu sabia o que vinha a seguir.

Disse a Grover para ir andando. Então me voltei para o professor.

- Senhor?

O sr. Brunner tinha aquele olhar que não deixa a gente ir embora - olhos castanhos intensos que poderiam ter mil anos de idade e já ter visto de tudo.

"Porque é literalmente essa a idade desses olhos, dãa." disse Hermes, fazendo mais uma rodada de risadinhas começar.

- Você precisa aprender a responder à minha pergunta - disse ele.

- Sobre os titãs?

- Sobre a vida real. E como seus estudos se aplicam a ela.

- Ah.

"Uou, uma resposta profunda!" Hermes comentou mais uma vez, desta vez ele próprio não controlando a risada.

- O que você aprende comigo - disse ele - é de uma importância vital. Espero que trate o assunto como tal. De você, aceitarei apenas o melhor, Percy Jackson.

Eu queria ficar zangado, aquele sujeito me pressionava demais.

"Mas sem essa pressão, como você vai aprender?" perguntou Athena ao livro.

Quer dizer, claro, era legal em dias de torneio, quando ele vestia uma armadura romana,bradava "Olé!" e nos desafiava, ponta de espada contra o giz a correr para o quadro-negro e citar pelo nome cada pessoa grega ou romana que já viveu, o nome de sua mãe e que deuses cultuavam.

"Acho que se eu tivesse um professor, iria querer que a aula dele fosse tão divertida quanto a de Quíron." Disse Ártemis, pensativa.

Mas o sr. Brunner esperava que eu fosse tão bom quanto todos os outros a despeito do fato de que tenho dislexia e transtorno do déficit de atenção, e de que nunca na vida tirei uma nota acima de C-. Não - ele não esperava que eu fosse tão bom quanto; ele esperava que eu fosse melhor. E eu simplesmente não podia aprender todos aqueles nomes e fatos, e muito menos escrevê-los direito.

"Se você não aprender, não vai sobreviver." Disse Ares, tentando dar uma de responsável, mas seus olhos deixavam claro que a parte do não sobreviver seria por conta dele.

Murmurei alguma coisa sobre me esforçar mais, enquanto o sr. Brunner lançava um olhar longo e triste para a estela, como se tivesse estado no funeral daquela menina.

"É bem provável que ele tenha mesmo ido. Coitado..." disse Aphrodite, e Héstia concordou silenciosamente.

Ele me disse para sair e comer meu lanche.

A turma se reuniu nos degraus da frente do museu, de onde podíamos assistir ao trânsito de pedestres pela Quinta Avenida.

Acima de nós, uma imensa tempestade estava se formando, com as nuvens mais escuras que eu já tinha visto sobre a cidade.

Todos os deuses, quase por reflexo, viraram o rosto em direção a Zeus, que com uma cara pensativa disse:

"Imagino o motivo para eu estar tão zangado."

Imaginei que talvez fosse o aquecimento global ou qualquer coisa assim, porque o tempo em todo o estado de Nova York estava esquisito desde o Natal. Tivemos nevascas pesadas, inundações, incêndios nas florestas causados por raios. Eu não teria ficado surpreso se fosse um furacão chegando.

"Bom, é, pelo visto nós dois estamos com muita raiva" disse Poseidon, pensativo também.

Ninguém mais pareceu notar. Alguns dos garotos estavam jogando biscoitos para os pombos. Nancy Bobofit tentava afanar alguma coisa da bolsa de uma senhora e, é claro, a sra. Dodds não via nada. Grover e eu nos sentamos na beirada do chafariz, longe dos outros. Pensamos que, se fizéssemos isso, talvez ninguém descobrisse que éramos daquela escola- a escola para esquisitões lesados que não davam certo em nenhum outro lugar.

Ares soltou uma risadinha de desdém, mas as deusas, entre elas as surpresas Ártemis e Athena, ficaram sentidas pelo garoto e pelo sátiro.

- Detenção? - perguntou Grover.

- Não - disse eu. - Não do Brunner. Eu só gostaria que ele às vezes me desse um tempo. Quer dizer, não sou um gênio.

Grover não disse nada por algum tempo. Então, quando achei que ele ia me brindar com algum comentário filosófico profundo para me fazer sentir melhor, ele disse:

- Posso comer sua maçã?

Todos riram.

"Decididamente, um comentário filosófico digno." Disse Hermes, com uma cara séria que ele não pôde manter por muito tempo, com todas as risadas ao seu redor.

Eu não estava com muito apetite, então a entreguei a ele.

Observei os táxis que passavam descendo a Quinta Avenida e pensei no apartamento de minha mãe, na área residencial próxima ao lugar onde estávamos sentados. Eu não a via desde o Natal. Tive muita vontade de pular em um táxi e ir para casa.

"Não, decididamente não daria certo. Se ela se preocupa com você irá mandá-lo de volta" Disse Hera.

Ela me abraçaria e ficaria contente de me ver, mas também ficaria desapontada. Imediatamente me mandaria de volta para Yancy e me lembraria que preciso me esforçar mais, ainda que aquela fosse minha sexta escola em seis anos e que, provavelmente, eu seria chutado para fora de novo. Não conseguiria suportar o olhar triste que ela me lançaria.

"Awwnt!" Fizeram as garotas, à exceção de Ártemis e Athena,que suspiraram somente. Os garotos reviraram os olhos diante da reação das garotas.

O sr. Brunner estacionou a cadeira de rodas na base da rampa para deficientes. Comia aipo enquanto lia um romance. Um guarda-chuva vermelho estava enfiado nas costas da cadeira, fazendo-a parecer uma mesa de café motorizada.

Eu estava prestes a desembrulhar meu sanduíche quando Nancy Bobofit apareceu diante de mim com as amigas feiosas - imagino que tivesse se cansado de roubar dos turistas - e deixou seu lanche, já comido pela metade, cair no colo de Grover.

"Que garota detestável! "disse Dioniso, irritado com as provocações da garota contra o sátiro.

- Oops. - Ela arreganhou um sorriso para mim, com os dentes tortos. As sardas eram alaranjadas, como se alguém tivesse pintado o rosto dela com um spray de Cheetos líquido.

"Essa precisa urgentemente de um tratamento de pele e um bom protetor solar, além de um bom dentista!" Disse Aphrodite, recebendo a concordância entusiasmada de Hera e a tímida concordância de Perséfone.

Tentei ficar calmo. O orientador da escola me dissera um milhão de vezes: "Conte até dez, controle seu gênio." Mas estava tão furioso que me deu um branco. Uma onda rugia nos meus ouvidos.

No momento em que Apolo leu a palavra onda, todos os deuses, inclusive ele mesmo, ergueram os olhos para encarar Poseidon, que nesse momento encarava seus própios pés. Dentre todos, os olhares de Hades e Zeus eram mais marcantes.

Não me lembro de ter tocado nela, mas quando dei por mim Nancy estava sentada com o traseiro no chafariz, berrando:

-Percy me empurrou!

A sra. Dodds se materializou ao nosso lado. Algumas das crianças estavam sussurrando:

-Você viu...

-...a água...

-...parece que a agarrou...

E todos na sala fitavam os três irmãos. Zeus, com uma cara furiosa, que fez todos os deuses, à exceção de seus dois irmãos, se encolherem. Hades tinha na face uma feição de desdém contido. Poseidon agora levantava o rosto, corajoso. Não tinha receio nem medo em sua face, somente aceitação.

"Ora, ora, quem diria... Parece que eu fui o único aqui que respeitou a maldita promessa. Estou realmente surpreso!" Disse Hades

"POSEIDON!" Berrou Zeus se levantando. "PELO VISTO NÃO FUI O ÚNICO A QUEBRAR A PROMESSA!"

"Não mesmo." Disse Poseidon, que agora tinha na face um sorriso alegre. Tinha tido um filho com a garota que ele mais amou, Sally Jackson. "Decididamente não."

"Não brinque, Poseidon!" Zeus gritava. "Seu filho Percy Jackson não merece a vida! Deve ser entregue à Hades nesse instante! Isso não existe! E agora, Hades, você pode buscar sua nova alma, e eu espero que a submeta a pior tortura que conseguir imaginar e..."

E nesse momento, Poseidon se ergueu e seu trono, mais alto do que nunca, mais poderoso do que nunca.

"Se por um acaso qualquer um de você ousar encostar um dedo sequer em meu filho, farei com que passem por torturas piores do que qualquer coisa que Hades possa pensar. Juro que farei vocês se sentirem mergulhados no ácido, sendo serrados ao meio, atropelados por um ônibus e sendo acertados por duas metralhadoras em pontos estratégicos depois de ter engolido um litro de água sanitária, álcool e cloro. Estamos entendidos? Sei que eu errei ao quebrar a promessa, assim como você, Zeus, mas o garoto é só uma criança! Não tem que morrer por um erro meu! Sua filha se sacrificou para salvar os amigos, não desconte sua amargura em meu filho só por que sua filha virou uma árvore!"

Zeus estava furioso como nunca. Os demais deuses, inclusive Hades, estavam encolhidos em seus tronos.

"Não fale assim comigo!" Disse Zeus.

"Ah, sempre isso, para de pensar que manda em mim só por que a mamãe deu uma pedra em seu lugar!" Poseidon deu seu último e mais poderoso golpe, fazendo Zeus tornar a se sentar, raivoso. "Lembre-se, irmão, que eu ainda sou o mais velho, e essa é minha palavra final."

Todos os presentes observavam a briga e a vitória do Deus dos Mares. Este se sentou, olhou em volta como se nada tivesse acontecido e, à medida em que os outros iam se acalmando, pediu a Apolo que continuasse.

Eu não sabia do que elas estavam falando. Tudo o que sabia era que estava encrencado outra vez.

Assim que se certificou de que a pobre Nancy estava bem, prometendo dar-lhe uma blusa nova na loja de presentes do museu etc. e tal, a se voltou para mim. Havia um fogo triunfante em seus olhos, como se eu tivesse feito algo pelo que ela esperara o semestre inteiro:

-Agora, meu bem...

-Eu sei - resmunguei. – Um mês apagando livros de exercícios.

"Oh não!" gemeram Apolo e Hermes. "Ele acaba de piorar seu castigo." Ouvia-se uma risadinha abafada vinda de Ares.

Não foi a coisa certa para dizer.

- Venha comigo – disse a sra. Dodds.

-Espere!-guinchou Grover.-Fui eu. Eu a empurrei.

"Oh, que bonitinho!" Disseram Aphrodite e Hera.

Olhei para ele perplexo. Não podia acreditar que estivesse tentando me proteger. Ele morria de medo da sra. Dodds. Ela lançou um olhar tão furioso que fez o queixo penugento dele tremer.

"Claro que ele está tentando te proteger. É a tarefa dele te proteger de monstros". Disse Dioniso, revirando os olhos para o livro. "Só não sei do que ele tem medo..." E sua face se tornou pensativa.

"Bom, pelo que sei, grande parte dos sátiros tem medo de fúrias." disse Poseidon, com uma raiva contida.

Todos, exceto Zeus, Ares e Perséfone, olharam indignados para Hades.

"O que?" Ele falou, percebendo todos os olhares nele. "Não é culpa minha, isso ainda nem aconteceu!" E se defendeu rapidamente.

Apolo, reconhecendo a tensão na sala, tornou sua leitura.

-Acho que não, sr. Underwood – disse ela.

-Mas...

-Você... vai... ficar... aqui.

Grover me olhou desesperadamente,

-Tudo bem, cara – disse a ele. – Obrigado por tentar.

-Meu bem – latiu a sra. Dodds para mim.-Agora.

Nancy Bobofit deu um sorriso falso.

Lancei-lhe meu melhor olhar de "vou acabar com a sua raça". Então me virei para enfrentar a sra. Dodds, mas ela não estava lá. Estava postada à entrada do museu, lá no alto dos degraus, gesticulando impaciente para mim.

Como ela chegou lá tão depressa?

"Se não fosse a santa névoa, hein?" Alguém comentou.

Tenho milhares de momentos desse tipo – meu cérebro adormece ou algo assim e, quando me dou conta, vejo que perdi alguma coisa, como se uma peça do quebra-cabeça desaparecesse e me deixasse olhando para o espaço vazio atrás dela. O orientador da escola me disse que isso era parte do transtorno do déficit de atenção, era meu cérebro que interpretava tudo errado.

"Decididamente não é isso que está acontecendo agora." Disse Poseidon, olhando para Hades, que se encolhia no trono improvisado.

Eu não tinha tanta certeza.

Fui atrás da sra. Dodds. No meio da escadaria, olhei para Grover lá atrás. Ele parecia pálido, movendo os olhos entre mim e o sr. Brunner, como se quisesse que o sr. Brunner reparasse no que estava acontecendo, mas o professor estava absorto em seu romance.

"Quíron nunca ficou assim distraído... Ele deve ter ouvido o que aconteceu e está esperando um momento para agir." Disse Héstia, nervosa. Apolo assentiu e continuou.

Voltei a olhar para cima. A sra. Dodds desaparecera de novo. Estava agora dentro do edifício, no fim do hall de entrada.

Certo, pensei. Ela vai me fazer comprar uma blusa nova para Nancy na loja de presentes.

"Há, duvido muito que aconteça!" Disse Ares, recebendo um olhar raivoso do tio quando este percebeu o tom esperançoso na voz do deus da guerra.

Mas aparentemente não era esse o plano.

Eu a segui museu adentro. Quando finalmente a alcancei, estávamos de volta à seção greco-romana. A não ser por nós, a galeria estava vazia. A sra. Dodds estava postada de braços cruzados na frente de um grande friso de mármore com os deuses gregos. Ela fazia um ruído estranho com a garganta, como um rosnado.

"Isso não é bom." Comentou Perséfone, baixo demais para que alguém além de Hades a ouvisse.

Mesmo sem o ruído, eu teria ficado nervoso. É esquisito estar sozinho com uma professora, especialmente a sra. Dodds. Algo no modo como ela olhava para o friso, como se quisesse pulverizá-lo...

"Nada que ela não faria." Resmungou Hermes.

-Você está nos criando problemas, meu bem – disse ela.

Fiz o que era seguro. Disse:

-Sim, senhora.

Algumas risadinhas nervosas percorreram a sala. Todos sabiam, ou já imaginavam, o que estava por vir.

Ela ajeitou os punhos de seu casaco de couro.

-Você achou mesmo que ia se safar desta?

A expressão em seus olhos era mais que furiosa. Era perversa.

Ela é uma professora, pensei, nervoso. Não é provável que vá me machucar. Eu disse:

-Eu... eu vou me esforçar mais, senhora.

Um trovão sacudiu o edifício.

Todos olharam para Zeus, que apenas deu de ombros.

-Nós não somos bobos, Percy Jackson - disse a sra. Dodds. – Seria apenas uma questão de tempo até que o descobríssemos. Confesse, e você sentirá menos dor.

"Você mandou ela praticamente torturar o garoto, mesmo sabendo que ele não sabia?" Poseidon falou, muito irritado.

"EU NÃO SEI! Isso nem aconteceu ainda, como vou saber?" Hades ergueu um pouco a voz.

Eu não sabia do que ela estava falando.

Tudo o que pude pensar foi que os professores haviam descoberto o estoque ilegal de doces que eu estava vendendo no meu dormitório.

Hermes soltou uma risadinha, mas disse:

"Não poderia ser isso. Porque uma fúria perderia seu tempo te abordando sobre doces ilegais?"

Ou talvez tivessem descoberto que eu pegara meu trabalho sobre Tom Sawyer na Internet sem ter nem lido o livro, e agora iam retirar minha nota. Ou pior, iam me obrigar a ler o livro.

Hermes, Apolo, Dioniso e Ares gargalharam com o comentário do garoto. Poseidon e Hades soltaram risadinhas.

"Imbecis." Disse Athena, revirando os olhos e, dessa vez, englobando o garoto.

- E então? - exigiu.

- Senhora, eu não...

- O seu tempo se esgotou – sibilou ela.

Então algo muito estranho aconteceu. Os olhos dela começaram a brilhar como carvão de churrasco. Os dedos se esticaram, transformando-se em garras. O casaco se fundiu em grandes asas de couro. Ela não era humana. Era uma bruxa má e enrugada, com asas e garras de morcego e com uma boca repleta de presas amareladas – e estava prestes a me fazer em pedaços.

Com uma falsa e perigosa calma, Poseidon disse:

"O que eu disse também pode abrir uma exceção para seus monstros, Hades. E eu garanto que eles não vão demorar mais de dez mil anos para voltar, não se preocupe."

Então as coisas ficaram ainda mais esquisitas.

O sr. Brunner, que estava na frente do museu um minuto antes, foi com a cadeira de rodas até o vão da porta da galeria, segurando uma caneta.

- Olá, Percy! – gritou ele, e lançou a caneta pelo ar.

A sra. Dodds deu um bote para cima de mim. Com um gemido agudo, eu me esquivei e senti as garras cortando o ar ao lado do meu ouvido. Agarrei a caneta esferográfica no alto, mas quando ela atingiu minha mão já não era mais uma caneta. Era uma espada - a espada de bronze do sr. Brunner, que ele sempre usava em dias de torneio.

Todos na sala pareciam prender a respiração, tornando quase palpável a tensão do momento.

A sra. Dodds virou-se na minha direção com uma expressão assassina nos olhos. Meus joelhos ficaram bambos. As mãos tremiam tanto que quase deixei a espada cair.

Ares parecia prestes a começar a rir quando recebeu um olhar raivoso de Poseidon.

"Ele não sabe nem o que é."

Ela rosnou:

-Morra, meu bem!

"Ahn, dessa vez o 'meu bem' não funcionou." Disse Hermes.

E voou para cima de mim.

Um terror absoluto percorreu meu corpo. Fiz a única coisa que me ocorreu naturalmente: desferi um golpe com a espada.

A lâmina de metal atingiu o ombro dela e passou direto por seu corpo, como se ela fosse feita de água:

Zaz!

"Ou de areia, talvez?" Deméter comentou, curiosa sobre a maneira do menino de expressar as coisas de maneira sempre relacionada a seu irmão.

A sra. Dodds era um castelo de areia debaixo de um ventilador. Ela explodiu em areia amarela, reduziu-se a pó, sem deixar nada além do cheiro de enxofre, um grito estridente que foi sumindo e um calafrio de maldade no ar, como se aqueles olhos vermelhos incandescentes ainda estivessem me olhando.

Eu estava sozinho.

Havia uma caneta esferográfica na minha mão.

Na sala, os deuses estavam absortos em pensamentos. Alguns, a grande maioria, perguntavam-se se a névoa atingiria o garoto com tanta intensidade agora, depois de ter isto e lutado contra um monstro. Poseidon, em especial, lembrava-se de ter entregado uma espada para Quíron, anos atrás. Anaklusmos era sua espada preferida e ele gostou de saber que ela seria passada para seu filho.

O sr. Brunner não estava lá. Não havia ninguém lá além de mim.

Minhas mãos ainda estavam tremendo. Meu lanche devia estar contaminado com cogumelos mágicos ou coisa assim.

Será que eu havia imaginado tudo aquilo?

"Seria muita sorte você ter imaginado tudo." Disse Athena.

Voltei para o lado de fora.

Tinha começado a chover.

Grover estava sentado junto ao chafariz com um mapa do museu formando uma tenda em cima de sua cabeça. Nancy Bobofit ainda estava lá, encharcada do banho no chafariz, resmungando para as amigas feiosas. Quando me viu, disse:

-Espero que a sra. Kerr tenha chicoteado seu traseiro.

"Ah, então ele não estava sendo totalmente afetado pela névoa!" Hera representou o que os outros estavam pensando.

-Quem? - respondi.

-Nossa professora. Dãã!

Eu pisquei. Não tínhamos nenhuma professora chamada sra. Kerr. Perguntei a Nancy de quem ela estava falando.

"Coitado, vai ser passado de maluco..." Disse Ártemis ressentida.

Ela simplesmente revirou os olhos e me deu as costas.

Perguntei a Grover onde estava a sra. Dodds.

-Quem?-respondeu ele.

Mas Grover primeiro fez uma pausa, e não olhou para mim, portanto, pensei que estivesse me gozando.

"Quíron não vai conseguir enganá-lo" disse Hephaestus. "Esse sátiro não consegue mentir."

- Não tem graça, cara – disse a ele. – Isso é sério.

Um trovão estourou no alto.

Vi o sr. Brunner sentado em baixo do guarda-chuva vermelho, lendo seu livro, como se nunca tivesse se mexido. Fui até ele. Ele ergueu os olhos, um pouco distraído.

- Ah, é a minha caneta. Por favor, traga seu próprio instrumento de escrita no futuro, sr. Jackson.

"Tá, acho que isso salva o plano do centauro." disse Héstia.

Entreguei a caneta ao sr. Brunner. Não tinha notado que ainda a estava segurando.

- Senhor – disse eu -, onde está a sra. Dodds?

Ele olhou para mim com a expressão vazia.

- Quem?

"Deve estar sendo difícil para ele mentir para Percy." disse Aphrodite

- A outra professora que nos acompanhava. A sra. Dodds. Professora de iniciação à álgebra.

Ele franziu a testa e se inclinou para a frente,parecendo ligeiramente preocupado.

-Percy, não há nenhuma sra. Dodds nesta excursão. Até onde sei, nunca houve uma sra. Dodds na Academia Yancy. Está se sentindo bem?

"Acho que Percy não caiu." disse sabiamente Apolo, sinalizando para todo o final do capítulo.

"Eu acho que Quíron estava mais preocupado de Percy não cair do que na possível loucura dele."disse Hera.

"Bom, vamos para o próximo? Quero terminar esse livro rápido." Disse Ares.

"Bom, é melhor começarmos mesmo, pois temos mais quatro livros além desse." Disse Zeus. "Comece, Apolo."

"Ah, não, de jeito nenhum! Eu li esse capítulo todo, agora outra pessoa lê." Apolo respondeu indignado.

"Ai, me dá aqui, seu idiota. Eu leio." disse Ártemis, tomando o livro das mãos do irmão e lendo o título:

"Três velhas senhoras tricotam as meias da morte"


Minhas queridas pessoas, depois de uma demora surpreendente (devida ao fato e que a retardada aqui não tem o livro no pc 'burra, burra, burra.') aqui está o primeiro capítulo da minha fic. Espero que vocês gostem :D

Agradecimentos especiais a Vanessa S., que mandou para mim a primeira review. Fiquei super feliz! Bom, estou fazendo o possível para manter os deuses no padrão, mas não tenho certeza de que estou conseguindo. Estou fazendo eles mais soltos, para não fazerem comentários muitos sérios.

Bem, até o próximo! Bjox, Letz