O que deve acontecer?
Grover de repente perde as calças.
"Eu ainda morro com um desses comentários!" Disse Apolo, apertando a barriga, de tanto rir.
"Não, não morre, seu ser irracional." Disse Dioniso, estressado com o título do capítulo. 'Não é elegante falar que um sátiro perde as calças!' pensava ele. "Você é I-M-O-R-T-A-L, sabe o que é isso? Significa que você NÃO morre, sacou?"
Os deuses da sala, em sua maioria já rindo, rolaram com o comentário do deus das festas. Apolo formou uma tromba em seu rosto e resmungou:
"Não se pode mais fazer brincadeiras."
"Bom, antes que outra brincadeira apareça" Disse Athena, dando ênfase no 'brincadeira' e fazendo o restante da sala rir mais um pouco, especialmente Ártemis. ", vou começar a ler, concordam?"
Sem ao menos esperar respostas, Athena começou sua leitura.
Hora da confissão: descartei Grover assim que chegamos ao terminal rodoviário.
"Isso não é bom." Disse Apolo, já recuperado da última brincadeira.
Dioniso ficou pensando: 'Que falta de educação, deixar o pobre sátiro sozinho! E ele só o ia proteger, ora! E ain...' E os pensamentos deles ficaram chatos demais pra serem escritos aqui.
Eu sei, eu sei. Foi rude. Mas Grover estava me deixando fora de mim, me olhando como se eu fosse um homem morto, murmurando: "Por que sempre tem de ser no sétimo ano?"
"Isso deve ser muito chato... Imagina aguentar a todo momento alguém falando a mesma coisa, sem trocar?"disse Hephaestus, fazendo os deuses se entreolharem, trocando risadinhas. "Que foi?" Ele disse ao perceber os olhares voltados a ele.
Sempre que Grover ficava nervoso, sua bexiga entrava em ação, portanto não fiquei surpreso quando, assim que descemos do ônibus, ele me fez prometer que o esperaria e foi direto para o banheiro. Em vez de esperar, peguei minha mala, saí discretamente e tomei o primeiro taxi saindo do Centro.
- Cento e quatro Leste com Primeira Avenida – disse ao motorista.
"Vamos conhecer a casa do garoto." Disse Hermes, com um sorriso maroto no rosto.
Uma palavra sobre a minha mãe, antes que você a conheça.
Seu nome é Sally Jackson e ela é a melhor pessoa do mundo, o que apenas prova minha teoria de que as melhores pessoas são as mais azaradas. Os pais dela morreram em um desastre de avião quando estava com cinco anos, e ela foi criada por um tio que não lhe dava muita bola. Queria ser escritora, assim passou o curso de ensino médio trabalhando e economizando dinheiro para pagar uma faculdade com um bom programa de oficinas literárias. Então o tio teve câncer e ela precisou abandonar a escola no último ano para cuidar dele. Depois que ele morreu, ela ficou sem dinheiro nenhum, sem família e sem diploma.
"Coitada da moça. Deve ter sido uma mulher muito boa. Não merecia terminar assim." Disse Hera. Para ela e para Aphrodite, foi fácil reconhecer o porquê de Poseidon ter se apaixonado pela garota.
"Ela foi especial..." Comentou Poseidon, baixinho.
Apesar de ter falado muito baixo, Hera o ouviu, e consequentemente Zeus também, mas este apenas ignorou enquanto sua esposa olhava para o deus do mar, acolhedora.
A única coisa boa que lhe aconteceu foi conhecer meu pai.
Poseidon levantou o olhar ao ouvir isso. Todos na sala o encaravam. As garotas sorriam de forma doce para ele. Apolo, Ares e Hermes olhavam para ele com um sorriso maroto, pedindo para levarem um bom tapa na nuca. Zeus, Hades e Dioniso apenas deram de ombros, cada qual voltando a encarar o próprio trono.
Ainda sorrindo um pouco, Athena voltou a ler.
Não tenho nenhuma lembrança dele, apenas essa espécie de sensação calorosa, talvez o mais leve resquício de seu sorriso. Minha mãe não gosta de falar sobre ele porque isso a deixa triste. Ela não tem fotografias.
"Parece que ela realmente gostava de você, tio." Disse Aphrodite. Era claro para todos que ela estava estressada por não conseguir lembrar com certeza do relacionamento do deus dos mares com Sally Jackson.
Poseidon não levantou a cabeça. Lembrava-se de alguns momentos com Sally, a bela garota que via através da Névoa.
Veja bem, eles não eram casados. Ela me contou que ele era rico e influente, e o relacionamento deles era um segredo. Então um dia ele zarpou pelo Atlântico em alguma jornada e nunca mais voltou.
"Meia verdade." Resmungou Poseidon. "Ela sabia que eu deva voltar a meu reino."
"E porque diabos a mulher sabia disso?" Disse Zeus, erguendo os olhos zangados em direção ao irmão.
"Ela via através da Névoa" Suspirou o deus dos mares, impaciente. Pensava: 'Nah, eu disse 'sou o Deus dos Mares grego, aquele bonitão do tridente, sabe? E tenho que ir pro meu reino porque, sabe como é, né, minha mulher fica estressada quando eu não volto pro jantar!''
Perdido no mar, minha mãe me contou. Não morto. Perdido no mar.
"Perdido? Haha, titio aqui conhece o mar como a palma de sua mão" disse Ares. "Ele não conseguiria se perder, nem de brincadeira!"
Ela vivia de trabalhos esporádicos, estudava à noite para tirar o diploma de ensino médio e me criou sozinha. Nunca se queixava ou ficava zangada. Nem uma só vez. Mas eu sabia que não era uma criança fácil.
"Bem, pelo menos admite!" Resmungou Dioniso. "Conheço vários naquele acampamentozinho que não admitiriam nem se déssemos a lojinha para eles!"
Hermes e Ares se entreolharam, meio orgulhosos dos filhos.
Acabou se casando com Gabe Ugliano, que foi simpático nos primeiros trinta segundos em que o conhecemos e depois mostrou quem realmente era, um imbecil de marca maior. Quando eu era pequeno apelidei-o de Gabe Cheiroso. Sinto muito, mas é a verdade. O cara fedia a pizza de alho embolorada enrolada num calção de ginástica.
"Hm, me seduziu." Disse Apolo, com uma cara de nojo, enquanto as garotas soltavam um 'Eca!'
"Repugnante." Disse Hermes, com a mesma cara que Apolo. "Completa e totalmente."
Poseidon, também com uma cara 'especial', pensava em como uma mulher como Sally Jackson poderia se casar com um homem tão nojento.
Em nosso fogo cruzado, tornávamos a vida da minha mãe bem difícil. O modo como Gabe Cheiroso a tratava, o jeito como ele e eu nos relacionávamos... bem, um bom exemplo é minha chegada em casa.
"Esse homem deve ser o ser mais ..."Disse Aphrodite , tentando achar palavras para descrever Gabe.
"Desprezível." Disseram Hermes e Apolo, tentando ajudar a deusa.
"Decidamente." Ela disse, desolada. Apesar de saber que não existia amor algum de Sally por Gabe Ugliano.
Entrei em nosso pequeno apartamento, esperando que minha mãe já tivesse voltado do trabalho. Em vez disso, Gabe Cheiroso estava na sala de estar, jogando pôquer com seus cupinchas. Na televisão, o canal de esportes estava no volume máximo. Havia batatinhas e latas de cerveja espalhadas pelo tapete.
"Coitada dessa moça." Disse Hera. Todos na sala, especialmente as garotas, concordaram fortemente.
Poseidon ainda tentava entender o motivo de Sally ter se casado com um ser tão desprezível como aquele. Devia estar claramente incomodado, pois quando ergueu um pouco os olhos, Viu Aphrodite lhe dando um olhar amável, que dizia claramente 'Ela não gosta dele'.
Mal erguendo os olhos, ele disse com o cigarro na boca:
- Então você está em casa.
- Onde está a minha mãe?
- Trabalhando – disse ele. – Você tem alguma grana?
E foi isso. Nada de Bem-vindo ao lar. Bom ver você. O que fez nos últimos seis meses?
Gabe tinha engordado. Parecia uma morsa sem tromba com roupas de brechó. Tinha uns três fios de cabelo na cabeça, todos penteados por cima da careca, como se isso o deixasse bonito ou coisa assim.
Apolo, Ares e Hermes riram o comentário do garoto, mas as garotas continuavam enojadas com o ser descrito como marido de Sally Jackson. Apesar das risadas, Hermes se arrependeu de ter brincado sobre conhecer a casa de Percy. Tinha o horrível pressentimento de que seria melhor não conhecer o lugar.
Era gerente do Hipermercado de Eletrônica, no Queens, mas passava a maior parte do tempo em casa. Não sei por que ainda não tinha sido demitido. Ele só fica recebendo o pagamento, gastando o dinheiro em charutos que me dão náuseas e em cervejas, é claro. Sempre cerveja. Toda vez que eu estava em casa ele esperava que eu lhe fornecesse fundos para jogar. Chamava isso de nosso Segredo de Homem. Isto é, se eu contasse para minha mãe, ele me quebrava a cara.
"Olha, eu teria contado na cara dura." Disse Hermes, com uma cara de 'ocê é burro ou o que?'. Ninguém achou o comentário adequado.
- Não tenho grana nenhuma – falei.
Ele ergue uma sobrancelha oleosa.
Gabe era capaz de farejar dinheiro como um cão de caça, o que era surpreendente, já que seu prórpio cheiro deveria encobrir qualquer outro.
A compreensão tingiu o rosto dos deuses. Era tão óbvio! Sally tinha pensado em uma maneira quase perfeita de proteger o filho, algo que ninguém sequer tinha pensado ou cogitado: encobrir o cheiro do garoto.
"Gostei da tática dessa mulher, mas não acho que valha a pena tendo que suportar a morsa." Disse Athena, fazendo os deuses rirem um pouco.
"Ela é muito inteligente." Disse Ártemis, pensativa. "Ninguém pensaria nisso."
Todos começaram a comentar ao mesmo tempo, não dando espaço para Athena voltar a leitura.
- Você pegou um taxi no terminal de ônibus – disse ele. – Provavelmente pagou com uma nota de vinte. Recebeu seis ou sete dólares de troco. Alguém que espera viver embaixo deste teto deveria ser capaz de se sustentar. Estou certo, Eddie?
Eddie, o síndico do prédio, olhou para mim com uma ponta de solidariedade.
- Vamos, Gabe – disse ele. – O garoto acabou de chegar.
- Estou certo? – repetiu Gabe.
Eddie fez uma careta para sua tigela de pretzels. Os outros dois caras soltaram juntos seus gases.
- Tudo bem – disse eu. Tirei um maço de dólares do bolso e joguei o dinheiro em cima da mesa. – Tomara que você perca.
- Seu boletim chegou, Geninho! – gritou ele às minhas costas. – Eu não ficaria tão metido!
Os deuses estavam todos pasmos com a reação da morsa. Apesar de tudo o que Percy havia descrito, ainda era difícil acreditar que alguém poderia ser assim.
"Acho que esse homem deve ser o pai de Nancy Bobofit. A garota é tão insuportável quanto o Cheiroso." Disse Ares, fazendo os deuses rirem um pouco.
"Sabe, acho que, se o boletim de Percy está ruim, o de Gabe deve ter umas, o que?, 10 recuperações." Disse Hermes, recebendo olhares dos deuses risonhos. "O que? Nada me garante que ele já passou do sexto ano."
Apesar das risadas, Athena voltou a ler.
Bati a porta do meu quarto, que na verdade não era meu. Durante os meses de aulas era a sala de estudos de Gabe. Ele não estudava coisa nenhuma lá, exceto revistas de automóveis, mas adorava socar as minhas coisas no armário, largar as botas enlameadas no peitoril da janela e fazer o possível para deixar o lugar com cheiro de sua colônia detestável, charutos e cerveja choca.
"Que horror! Além do dinheiro, o quadrúpede pega o quarto do garoto também!" Disse Héstia.
Os deuses acharam graça do xingamento utilizado pela deusa da lareira, mas deixaram Athena continuar, pois ela já mostrava sinais de irritação crescente.
Larguei a mala em cima da cama. Lar doce lar.
O cheiro de Gabe era quase pior que os pesadelos com a sra. Dodds ou o som da tesoura daquela velha enrugada cortando o fio de lã.
Todos na sala tremeram ao imaginar novamente o cheiro da morsa terrestre.
Mas assim que pensei naquilo, minhas pernas bambearam. Lembrei-me da expressão de pânico de Grover – como ele me fez prometer que não iria para casa sem ele. Um calafrio repentino me percorreu. Era como se alguém – alguma coisa – estivesse procurando por mim naquele momento, talvez subindo pesadamente a escada, com garras compridas e horrendas crescendo.
Então ouvi a voz da minha mãe.
- Percy?
Ela abriu a porta do quarto e meus medos se foram.
"Owwwwnt!" Exclamaram as garotas, fazendo todos os meninos revirarem os olhos.
A simples entrada de minha mãe no quarto já consegue me fazer sentir bem. Seus olhos brilham e mudam de cor com luz. O sorriso é quente como uma manta. Ela tem alguns poucos fios grisalhos misturados com os longos cabelos castanhos, mas nunca penso nela como uma pessoa velha. Quando me olha, é comose estivesse vendo todas as coisas boas em mim, nenhuma das ruins. Nunca a ouvi levantar a voz ou dizer uma palavra indelicada para ninguém, nem mesmo para mim ou Gabe.
"Essa mulher é poderosa!" Disse Apolo, muito surpreso."Acho que qualquer uma das nossas" ele gesticulou ao redor, mostrando que falava das deusas "já teria transformado essa morsa gordurosa em pó, no sentido literal da palavra!"
- Ah, Percy. - Ela me abraçou apertado. - Eu não acredito. Você cresceu desde o Natal!
"Sempre falam isso, né?" Disse Hephaestus. "'Como você cresceu!', 'Você está tão diferente!'"
O uniforme vermelho, branco e azul, da Doce América, tinha cheiro das melhores coisas do mundo: chocolate, alcaçuz e tudo o mais que ela vendia na doceria da Grande Estação Central. Tinha levado para mim um belo saco de amostras grátis, como sempre fazia quando eu ia para casa.
"Ah, eu já visitei essa doceria há muito tempo atrás!" Disse Apolo, animado. "Foram os melhores doces humanos que eu já comi na minha existência! Vou lá de novo quando a gente terminar de ler, me ajudem a lembrar."
Sentamos juntos na beirada da cama. Enquanto eu atacava os doces de mirtilo, ela passava a mão no meu cabelo e queria saber tudo o que eu não havia escrito nas cartas. Nada mencionou sobre o fato de eu ter sido expulso. Não parecia se importar com isso. Mas eu estava ok? Seu menininho estava bem?
"O garoto e a mãe se amam mais do que tudo." Garantiu Aphrodite. Esse era um amor que ela podia sentir.
Eu disse a ela que estava me sufocando, pedi que desse um tempo e tal, mas, secretamente, estava feliz demais em vê-la.
Do outro cômodo, Gabe berrou:
- Ei, Sally! Que tal um pouco de pasta de feijão, hein?
Eu rangi os dentes.
O gesto foi repetido por todos na sala. Aquele homem era imbecil demais, ignorante demais para ter se casado com uma mulher tão doce e gentil como Sally. Secretamente, Poseidon planejava lançar uma onda nesse monte de gordura, só para assustá-lo e impedi-lo de invadir novamente seu reino. Ah, e para ter o prazer de fazer isso, é claro.
Minha mãe é a mulher mais gentil do mundo. Deveria ter se casado com um milionário, não com um imbecil como Gabe.
Por ela, tentei parecer otimista em relação aos meus últimos dias na Academia Yancy. Disse-lhe que não estava muito chateado com a expulsão. Dessa vez, conseguira durar quase o ano inteiro.
Eu havia feito novos amigos. Tinha me saído muito bem em latim. E, honestamente, as brigas não tinham sido tão ruins com dissera o diretor. Eu tinha gostado da Academia Yancy. De verdade. Enfeitei tanto os acontecimentos do ano que quase convenci a mim mesmo.
Os deuses soltaram risadas escandalosas, tanto que até incomodaram os ouvidos quando pararam de fazê-lo.
Comecei a ficar com a voz embargada só de pensar em Grover e no sr. Brunner. Até Nancy Bobofit de repente não pareceu assim tão má.
"Ownn, ele gostou do Quíron!" Disse Deméter. "E do sátiro." Acrescentou, vendo o olhar maléfico de Dioniso, que se irritara por terem esquecido do sátiro que por acaso estava no título do capítulo. É, surpreendentemente ele ainda estava irritado e com bico.
"Mas COMO ele pode sequer pensar que Nancy Bobofit não é tão ruim?" Disse Ares, abismado. Quando viu os deuses o encarando, completou: "Ela é ruim ao pé da letra, não tem como negar. Mas é amadora demais para eu apreciar."
Até aquela excursão ao museu...
- O quê? - perguntou minha mãe. Seus olhos puxaram pela minha consciência, tentando arrancar os segredos. - Alguma coisa assustou você?
- Não, mamãe.
Eu me senti mal por mentir, queria contar a ela sobre a sra. Dodds e as três velhas com o fio de lã, mas achei que aqui ia parecer bobagem.
"Acho que ele devia ter contado, ela poderia tê-lo poupado de muita coisa levando ele direto para o acampamento." Disse Ártemis, com a voz da razão.
Ela apertou os lábios. Sabia que eu estava escondendo alguma coisa, mas não quis me pressionar.
- Tenho uma surpresa para você - disse ela. - Nós vamos à praia.
Meus olhos se arregalaram.
- Montauk?
Poseidon se lembrou que foi lá que ele se encontrou com ela pela última vez. Por todo um momento, a nostalgia o atingiu com a força de ondas batendo contra um rochedo durante uma tempestade.
- Três noites... no mesmo chalé.
- Quando? - Ela sorriu.
- Assim que eu me trocar.
Mal pude acreditar. Minha mãe e eu não tínhamos ido a Montauk nos últimos dois verões porque Gabe dissera que não havia dinheiro suficiente.
Gabe apareceu no vão da porta e rosnou.
- Pasta de feijão, Sally. Você não ouviu?
Os deuses rosnaram pelo breve comentário. Apesar de não ter vivido a situação, todos tinham certeza de que a morsa tinha gastado o dinheiro com a cerveja e os charutos fedidos. E isso era repugnante. Era ainda mais repugnante do que tirar o único dinheiro de Percy para jogar pôquer. Era ainda mais repugnante do que ter feito isso assim que o garoto voltou para casa depois de um ano em um colégio interno. Aquilo era de um egoísmo que chegava a doer, devido ao tamanho.
Era óbvio que na sala, todos o odiavam. E, como todos sabem, ser odiado por um deus já é muito ruim. Multiplique o número um por quinze e veja o ódio aumentar tanto até ficar com cinco vezes o egoísmo do quadrúpede. Não era preciso pensar muito para saber que, assim que estivessem livres dali, iriam dar um jeito de se lembrarem para a morsa provar do próprio remédio.
Tive vontade de dar-lhe um soco, mas meus olhos encontraram os de minha mãe e entendi que ela estava me oferecendo um acordo: ser gentil com Gabe só um pouquinho. Só até ela estar pronta para ir para Montauk. Então sairíamos dali.
- Eu já estava a caminho, meu bem – disse ela a Gabe. – Estávamos só conversando sobre a viagem.
Os olhos de Gabe se apertaram.
- A viagem? Você quer dizer que estava falando disso a sério?
"Não, morsinha querida, eu estava brincando com você, e estava esperando o momento adequado para gritar: brincadeirinha!" Disse Hermes, com nojo na voz.
- Eu sabia - murmurei. - Ele não vai nos deixar ir.
- É claro que vai - disse minha mãe calmamente. - Seu padrasto só está preocupado com o dinheiro. É tudo. Além disso - acrescentou -, Gabriel não terá de se contentar com pasta de feijão. Vou fazer para ele uma pasta de sete camadas suficiente para todo o fim de semana. Guacamole. Creme azedo. Serviço completo.
Gabe amanciou um pouco.
- Então esse dinheiro para viagem... vai sair do seu orçamento para roupas, certo?
- Sim, meu bem - disse minha mãe.
- E você não vai com meu carro para nenhum lugar, só vai usar na ida e na volta.
- Seremos muito cuidadosos.
Gabe coçou seu queixo duplo.
- Talvez se você andar logo com essa pasta de sete camadas... E talvez se o garoto pedir desculpas por interromper meu jogo de pôquer...
"Que homem nojento." Disse Perséfone. Apesar de um pouco surpresos, os deuses concordaram com a garota. "Quando alguém aqui acabar com ele, posso escolher a tortura, senhor?"
Hades olhou para a esposa e viu em seus olhos um brilho maléfico que ele conhecia muito bem. Sorriu e fez que sim com a cabeça, deixando sua esposa muito alegre e os outros deuses confusos.
Talvez se eu chutar você no seu ponto sensível, pensei. E fizer você cantar com voz de soprano por uma semana.
Os deuses riram, maldosos. Concordavam supremamente com a ideia de Percy.
Mas os olhos da minha mãe me advertiram para não deixá-lo zangado.
Por que ela aturava aquele cara? Eu quis gritar. Por que ela se importava com o que ele pensava?
- Desculpe - murmurei. - Sinto muito ter interrompido seu importantíssimo jogo de pôquer. Por favor, volte a ele agora mesmo.
Os olhos de Gabe se estreitaram. O cérebro minúsculo provavelmente estava tentando detectar o sarcasmo na minha frase.
"Acho que não poderemos mais chamá-lo de morsa." Disse Poseidon, fazendo todos olharem para ele. "O que? Morsas são inteligentes."
E Athena voltou a ler com todos os deuses, inclusive ela, rindo .
- Está bem, seja lá o que for - convenceu-se.
E voltou para o jogo.
- Obrigada, Percy - disse minha mãe. - Depois que chegarmos a Montauk, vamos conversar sobre.. o que quer que você tenha se esquecido de me contar, certo?
Por um momento, pensei ter visto ansiedade nos olhos dela - o mesmo medo que vira em Grover na viagem de ônibus -, como se minha mãe também tivesse sentindo um estranho calafrio no ar.
Mas então o sorriso dela voltou e concluí que devia estar enganado. Ela despenteou meu cabelo e foifazer a pasta de sete camadas para Gabe.
"Talvez ela coloque vidro nesse troço do Cheiroso..."Disse Apolo, pensativo.
Uma hora depois estávamos prontos para partir.
Gabe interrompeu o jogo de pôquer por tempo suficiente para me observar arrastando as malas da minha mãe para o carro. Ficou se queixando e se lamentando por ficar sem a comida dela - e mais importante, sem seu Camaro 78 - durante todo o fim de semana.
- Nem um arranhão nesse carro, Geninho - advertiu-me quando eu estava carregando a última mala. - nem um arranhãozinho.
Como se eu fosse dirigir aos doze anos. Mas isso não importa para Gabe. Se alguma gaivota fizesse cocô na pintura, ele arranjaria um jeito de me culpar.
"É claro. Nada é culpa dele, ele sempre culpará alguém. Fato." Disse Hermes com raiva.
Observando-o voltar em seu passo desajeitado para o prédio, fiquei tão zangado que fiz uma coisa que não consigo explicar. Quando Gabe chegou à porta de entrada, fiz um gesto com a mão que tinha visto Grover fazer no ônibus, uma espécie de gesto para afastar o mal, a mão em garra sobre o coração e depois um movimento de empurrar na direção de Gabe. A porta de tela bateu tão forte que o acertou no traseiro e o mandou voando até a escada, como se tivesse sido disparado por um canhão. Talvez tenha sido apenas o vento, ou algum acidente maluco com as dobradiças, mas não fiquei lá tempo suficiente para descobrir.
Entrei no Camaro e disse para minha mãe pisar fundo.
As risadas foram tão altas que os deuses juraram terem sentido o chão tremer aos pés deles. Apesar do sinal ser bastante sério, o que ele gerou faria até o ser mais sério rir, porque, obviamente, ele também já odiaria o idiota mor, Gabe Ugliano.
Nosso chalé alugado ficava na margem sul, lá na ponta de Long Island. Era uma pequena cabana de cor clara com cortinas desbotadas, quase enterrada nas dunas. Havia sempre areia nos lençóis e aranhas nos armários, e na maior parte do tempo o mar estava gelado demais para nadar.
Eu adorava o lugar.
Íamos lá desde que eu era bebê. Minha mãe ia ainda havia mais tempo. Ela nunca disse exatamente, mas eu sabia por que a praia era especial. Era o lugar onde conhecera meu pai.
Novamente, a nostalgia inundou o deus os mares. Lembrava-se bem daquele lugar. Lembrava-se bem de sair do mar e vê-la esperando-o à varanda do chalé. Eram momentos tão bons... Foi a garota que ele mais amou.
À medida que nos aproximávamos de Montauk, ela parecia ir ficando mais jovem, os anos de preocupação e trabalho desaparecendo do rosto. Os olhos ficavam da cor do mar.
Chegamos lá ao pôr-do-sol, abrimos todas as janelas do chalé e passamos por nossa rotina de limpeza. Caminhamos pela praia, demos salgadinhos de milho às gaivotas e mascamos jujubas azuis, caramelos azuis e todas as outras amostras grátis que minha mãe levara do trabalho.
"Porque comida azul, huh?" Disse Dioniso, surpreso pela cor da comida.
"Se você me deixasse ler, eu diria a você!" Disse Athena, não se importando em deixar o deus ofendido quando voltou a ler.
Acho que eu deveria explicar a comida azul.
Veja bem, Gabe uma vez disse à minha mãe que isso não existia. Eles tiveram uma discussão, que pareceu uma coisinha de nada na época. Mas, desde então, minha mãe fez tudo o que era possível comer em azul. Ela assava bolos de aniversários azuis. Batia vitaminas com mirtilos azuis. Comprava tortilhas de milho azul e levava para casa balas azuis da loja. Isso - junto com o fato de conservar o nome de solteira, Jackson, em vez de se chamar sra. Ugliano - era prova de que ela não tinha sido totalmente domada por Gabe. Tinha uma inclinação para rebeldia, como eu.
"Pelo menos isso a coitada manteve quando se casou com o macaco barrigudo." Disse Hera.
"Não xingue o macaco!" Disse Ártemis, fazendo os deuses rirem.
Quando escureceu, acendemos uma fogueira. Assamos o cachorro-quente e marshmallows. Minha mãe contou histórias sobre quando ela era criança, antes de os pais morrerem no acidente de avião. Contou-me sobre os livros que queria escrever um dia, quando tivesse dinheiro suficiente para largar a doceria.
Finalmente, reuni coragem para perguntar sobre o que sempre me vinha à cabeça quando íamos a Montauk – meu pai. Os olhos dela ficaram cheios d'água. Imaginei que iria me contar as mesmas coisas de sempre, mas nunca me cansava de ouvi-las.
- Ele era gentil, Percy – disse ela. – Alto, bonito e forte. Mas gentil também. Você tem o cabelo dele, você sabe, e os olhos verdes.
Mamãe pegou uma jujuba azul do saco de doces.
- Gostaria que ele pudesse vê-lo, Percy. Ficaria muito orgulhoso.
Poseidon ouviu isso e ficou pensativo. Sempre quisera conhecer o filho. Não era algo que quereria perder a oportunidade.
Eu me perguntei como ela podia dizer aquilo. O que havia de tão bom a meu respeito? Um menino disléxico, hiperativo, com um boletim D+, expulso da escola pela sexta vez em seis anos.
Esse comentário fez os deuses rirem um pouquinho, mas todos pararam ao perceber como Poseidon parecia infeliz.
- Que idade eu tinha? - perguntei. - Quer dizer... quando ele se foi?
Ela olhou para as chamas.
- Ele só ficou comigo por um verão, Percy. Bem aqui nesta praia. Neste chalé.
- Mas... ele me conheceu quando eu era bebê.
- Não, meu bem. Ele sabia que eu estava esperando um bebê, mas nunca o viu. Teve de partir antes de você nascer.
Tentei conciliar o fato de que eu parecia me lembrar de... alguma coisa sobre meu pai. Uma sensação calorosa. Um sorriso.
Nenhum deus fez comentários sobre o último trecho. Estava claro que aquilo atingia Poseidon mais do que muitas coisas tecnicamente mais poderosas.
Sempre presumira que ele havia me visto quando bebê. Minha mãe nunca dissera exatamente isso, mas ainda assim eu achava que tinha acontecido. Saber agora que ele nunca me viu...
Fiquei com raiva do meu pai. Talvez fosse uma bobagem, mas eu me ressenti por ele ter partido naquela viagem oceânica, por não ter tido coragem para se casar com minha mãe. Ela nos deixara e agora estávamos presos ao gabe Cheiroso.
"Isso foi muita maldade, tio." Disse Hermes, fazendo todos, menos o tio em questão, rirem.
- Você vai me mandar embora de novo? - perguntei a ela. - para outro internato?
Ela puxou um marshmallow do fogo.
- Eu não sei, meu bem. - Sua voz soou muito séria. - Acho... acho que teremos de fazer alguma coisa.
- Por quê você não me quer me ver por perto? - Eu me arrependi das palavras assim que elas saíram.
"Ai, coitadinho, essa dúvida é muito cruel!" Hera se comoveu. Apesar de os homens concordarem minimamente e as garotas calorosamente, era óbvio e unânime o fato.
Os olhos de minha mãe ficaram marejados. Ela pegou minha mão e apertou com força.
- Ah, Percy, não. Eu... eu preciso, meu bem. Para seu próprio bem. Eu tenho de mandar você para longe.
Suas palavras me lembraram o que o sr. Brunner tinha dito - que era melhor para mim deixar Yancy.
- Porque eu não sou normal? - disse eu.
"Nossa, esse menino só têm dúvidas cruéis!" Disse Apolo, meio indignado por não estar conseguindo achar um lado bom para animar os deuses.
As meninas estavam com uma cara desolada. Estavam tristes pelo garoto.
- Você diz isso como se fosse uma coisa ruim, Percy. Mas não se dá conta do quanto você é importante. Pensei que Yancy seria bastante longe. Pensei que você finalmente estaria em segurança.
- Em segurança por quê?
Os olhos dela encontraram os meus, e me veio uma enxurrada de lembranças - todas esquisitas, assustadoras que sempre aconteciam, algumas que eu tentara esquecer.
Na terceira série, um homem de capa de chuva preta me seguiu no recreio. Quando os professores ameaçaram chamar a polícia, ele foi embora resmungando, mas ninguém acreditou em mim quando contei que, embaixo do chapéu de aba larga, o homem tinha um olho só, bem no meio da testa.
"O que diabos um ciclope doidão estava fazendo numa escolinha de quarto ano?" Hermes perguntou, expressando a dúvida de todos. Os deuses olharam para Hades, que percebeu o olhar e disse:
"Não fui eu!"
Antes disso - uma lembrança realmente antiga. Eu estava na pré-escola, e uma professora acidentalmente me pôs para dormir em um berço para dentro do qual uma cobra se arrastara. Minha mãe gritou quando foi me buscar e me encontrou brincando com uma cobra flácida cheia de escamas, que eu de algum modo conseguira estrangular até a morte com as minhas mãos gordinhas de bebê.
"Como, alguém me responda, como a professora pôs um bebê num berço com uma cobra?" Disse Apolo, agora indignado com a idiotice da professora.
Em cada uma das escolas, algo de horripilante acontecera, algo perigoso, e fui forçado a sair.
Eu sabia que devia contar à minha mãe sobre as velhas na banca de frutas e a sra. Dodds no museu de arte, sobre a estranha alucinação em que eu havia transformado a professora de matemática em pó com uma espada. Mas não consegui me forçar a contar. Tinha a sensação esquisita de que a notícia iria acabar com nossa viagem a Montauk, e isso eu não queria.
- Tentei manter você tão perto de mim quanto pude - falou minha mãe. - Eles me disseram que isso era um erro. Mas só havia uma outra opção, Percy... o lugar para onde seu pai queria mandá-lo. E eu simplesmente... simplesmente não poderia aguentar ter de fazer isso.
"Ela o protegeria mais mandando ele para o bendito acampamento." Resmungou Dioniso, surpreendendo a todos que sabiam que ele odiava o lugar (Ou seja, todos).
- Meu pai queria que eu fosse para uma escola especial?
- Não uma escola - disse ela suavemente. - Um acampamento de verão.
Minha cabeça estava girando. Por que meu pai - que nem sequer ficara por perto tempo suficiente para me ver nascer - teria falado com minha mãe sobre um acampamento de verão? E, se isso era tão importante, por que ela nunca mencionara antes?
- Desculpe, Percy - continuou ela ao ver a expressão em meus olhos. - mas não posso falar sobre isso. Eu... eu não podia mandar você para aquele lugar. Significaria dizer adeus a você para sempre.
- Para sempre? Mas se é apenas um acampamento de verão...
Ela se voltou para o fogo, e eu percebi pela sua expressão que, se fizesse mais perguntas, ela começaria a chorar.
"Coitadinha, sério mesmo." Disse Aphrodite. "Deve ser muita pressão desse jeito."
Naquela noite eu tive um sonho muito real.
Havia uma tempestade na praia, e dois belos animais, um cavalo branco e uma águia dourada, estavam tentando matar uma ao outro à beira-mar. A águia mergulhou e fez um talho no focinho do cavalo com suas garras enormes. O cavalo empinou e escoiceou as asas da águia. Enquanto eles lutavam, o chão retumbou e uma voz monstruosa riu em algum lugar embaixo da terra, incitando os animais a lutarem arduamente.
Corri até eles, sabendo que tinha de impedir que se matassem, mas eu corria em câmera lenta. Sabia que iria chegar tarde demais. Vi a águia mergulhar, o bico apontado para os grandes olhos do cavalo, e gritei: Não!
Acordei assustado.
"Que horror, vocês três!" Repreenderam Hera, Héstia e Deméter. "Tsk, tsk, tsk."
Os mais velhos olharam indignados, dizendo ao mesmo tempo:
"Não é nossa culpa!"
Do lado de fora, havia realmente uma tempestade, o tipo de tempestade que racha árvores e derruba casas. Não havia nenhum cavalo nem águia na praia, somente relâmpagos que criavam uma falsa luz do dia e ondas de seis metros golpeando as dunas como artilharia.
Com o trovão seguinte, minha mãe acordou. Ela sentou na cama, os olhos arregalados, e disse:
- Furacão.
"Vocês enlouqueceram?" Gritaram todos para Zeus e Poseidon. "Vocês sempre maneiram, e decidiram apelar agora?"
Os deuses em questão ficaram ainda mais indignados do que antes.
"Isso nem aconteceu ainda e vocês já estão nos repreendendo! E nem sequer sabemos o motivo!"
Eu sabia que aquilo era loucura. Nunca houve furacões em Long Island tão cedo no verão. Mas o oceano parecia ter esquecido isso. Por cima dos rugidos do vento, ouvi um bramido distante, um som furioso, torturado, que fez meus cabelos se arrepiarem.
"Oh, mas que merda! Mais um monstro atrás do bichinho!" Disse Athena, surpreendendo muito os deuses na sala. "Você não cansa, tio?"
"Ora, façam o favor de parar de me culpar! E a todos que erram no livro." Hades disse, estressado. "Isso não aconteceu e vocês já estão nos xingando!"
Essa frase calou fundo, mas era óbvio eu isso não impediria os deuses de questionarem. Todos questionam, mesmo sem poder, não é?
Depois um ruído muito mais próximo, como de malhos na areia. Uma voz desesperada - alguém gritando, esmurrando a porta do nosso chalé.
"Nó!" Disse Apolo.
Minha mãe pulou da cama de camisola e abriu a porta de um safanão.
Grover estava lá, emoldurado no vão da porta contra um fundo de chuva torrencial. Mas ele não era... ele não era exatamente o Grover.
"E é aí que o sátiro perde as calças!" Disse Hermes, fazendo graça apesar da tensão.
- Procurei a noite toda - arquejou ele. - O que você estava pensando?
Minha mãe olhou para mim aterrorizada - não com medo de Grover, mas da razão de sua chegada.
- Percy - disse ela, gritando para se fazer ouvir mais alto que a chuva. - O que aconteceu na escola? O que você não me contou?
"Já era." Disse Ares, aumentando ainda mais a já crescente tensão.
Fiquei paralisado olhando para Grover. Não conseguia entender o que estava vendo.
- O Zeu kai alloi theoi! - gritou ele. - Está bem atrás de mim! Você não contou a ela?
Eu estava chocado demais para registrar que ele acabara de praguejar em grego antigo, e eu tinha entendido perfeitamente. Estava chocado demais para me perguntar como Grover chegara ali sozinho no meio da noite. Porque Grover não estava usando calças - e onde deveriam estar as pernas dele... Onde deveriam estar as pernas dele...
"Ele deve achar que está sonhando." Disse Apolo, pensando.
Minha mãe olhou para mim com expressão severa e falou em um tom que jamais usara antes:
- Percy. Conte-me agora!
"Se ferrou." Não era preciso dizer que o comentário tinha sido feito pelo insensível deus da guerra, que estava com um meio sorriso estampado no rosto.
Eu gaguejei algo sobre velhas senhoras na banca de frutas e a sra. Dodds, e minha mãe ficou olhando para mim, o rosto mortalmente pálido aos clarões dos relâmpagos.
- Vão para o carro. Vocês dois. Vão!
Grover correu para o Camaro - mas ele não estava exatamente correndo. Estava trotando, sacudindo seu traseiro peludo, e de repente sua história sobre um distúrbio muscular nas pernas fez sentido para mim. Entendi como ele podia correr tão depressa e ainda assim mancar quando andava.
Porque onde deveriam estar seus pés não havia pés. Havia cascos fendidos.
"O-ou." Disse Ártemis, tensionada.
Athena, marcando o livro com um dedo, disse:
"Quem vai ler agora?" A deusa também estava tensionada, e ansiosa para o próximo capítulo, surpreendentemente.
"Bem, eu leio." Disse Hermes, se levantando e pegando o livro das mãos de sua meia irmã.
E assim, leu o título do quarto capítulo:
"Minha mãe me ensina a tourear"
Olá, pessoas lindas do meu coração! Apesar da demora, vim presenteá-las com mais um capítulo. Gostaria de agradecer a Lala-E.P, que comentou o último capítulo e eu só vi depois, e a Vanessa S., que vem acompanhando paciente mente a fic. Muito obrigada Bem, até a próxima!
Bjox, Letz.
