O que deve acontecer?

"Meu jantar se esvai em fumaça."

Para os deuses foi fácil deduzir o porquê do título, afinal, era por eles que comida era jogada na fogueira. Porque, bem... Aquele cheiro... Hmm!

"Do jeito que ele fala, parece que o jantar fez 'POOF' e desapareceu, né?" Comentou Apolo, comendo um bolinho (esse realmente fez 'POOF', antes de aparecer para o deus).

"Pois é! Pensei nisso." Disse Hermes comendo um bolinho como o de Apolo. Ele estava com a boca cheia de farelos e arrancou resmungos das moças quando estes (os farelos) voaram de lá.

"Que bacana." Disse Poseidon, dando ênfase em cada sílaba. "Então, se puderem calar a boca..."

A notícia do incidente no banheiro se espalhou na mesma hora. Aonde quer que eu fosse, os campistas apontavam para mim e murmuravam algo sobre água de vaso sanitário. Ou talvez apenas olhassem para Annabeth, que ainda estava bastante encharcada.

Os deuses riram, e Apolo, que agora bebia uma garrafa de água com gás, se engasgou e cuspiu tudo fora. O que, naturalmente, fez os meninos rirem ainda mais e as meninas ficarem com cara de nojo.

Ela me mostrou mais alguns lugares: a oficina de metais (onde as crianças ("Meus filhos, deixe-me acrescentar." resmungou Hephaestus) forjavam as próprias espadas), a sala de artes e ofícios (onde os sátiros jateavam com areia uma estátua gigante de um homem-bode) e a parede para escalada, que na verdade consistia em duas paredes que se sacudiam violentamente, deixavam cair rochas, espalhavam lava e colidiam uma com a outra se a gente não chegasse ao topo bem depressa.

Os olhos dos homens brilharam a menção da parede.

"O brinquedo mais divertida do universo!" Exclamaram, fazendo as mulheres revirarem os olhos.

"Até hoje não consigo entender porque vocês não deixam a gente construir uma aqui." Resmungou Zeus, olhando para as garotas e recebendo o apoio dos outros garotos.

"Ah, não, sem essa discussão mais uma vez!" Reclamaram as garotas.

"Mas..."

"Sem mas! Nós não vamos discutir isso de novo, não é não!" Disse Héstia, encarando o meninos com raiva e fazendo-os calarem a boca. Ainda emburrado, Poseidon voltou a ler.

Finalmente retornamos ao lado de canoagem, de onde a trilha levava de volta aos chalés.

- Tenho treinamento - disse Annabeth secamente. - O jantar é às sete e meia. Você só tem de seguir o pessoal do chalé até o refeitório.

- Annabeth, desculpe pelos sanitários.

- Não importa.

- Não foi minha culpa.

"Foi de quem, então, peixinho dourado?" Perguntou Athena, tão séria que ninguém soube realmente se era ou não uma brincadeira. Bem, pelo menos até ela encarar uma a uma as caras pasmas (e a cara de indignação de Poseidon) e começar a rir, seguida de Apolo e Hermes, que riram mais pela raridade que era Athena ser um pouco menos do que séria do que pela perguntinha em si.

Ela me olhou com ar cético e me dei conta de que tinha sido minha culpa. Eu havia feito a água jorrar no banheiro. Não entendia como. Mas os vasos tinham respondido a mim. Era como se eu fosse um dos canos.

- Você precisa falar com o Oráculo - disse Annabeth.

- Quem?

"Não quem, o quê." Disseram os deuses, solenemente. Tirando Poseidon, que encarou uma a uma as pessoas sérias que já haviam lido um capítulo, pedindo ajuda, no que eles responderam 'Ah, se vira aí, a gente teve que fazer isso também!'

- Não quem. O quê. O Oráculo. Vou pedir a Quíron.

Olhei para o lago, desejando que alguém me desse uma resposta direta pelo menos uma vez.

Eu não esperava que alguém estivesse olhando de volta para mim do fundo, portanto meu coração deu um pulo quando notei duas meninas adolescente sentadas de pernas cruzadas na base do píer, cerca de seis metros abaixo. Vestiam jeans e camisetas verdes cintilantes, e os cabelos castanhos flutuavam soltos em volta dos ombros enquanto peixinhos passavam por entre eles. Elas sorriram e acenaram como se eu fosse um amigo há muito perdido.

"Ah, náiades..." Suspiraram Hermes e Apolo.

"Pfft, náiades." Bufou Athena, estressada. Se havia algum tipo de ser que ela não gostava (tirando a Medusa, claro), era das náiades. O que Poseidon fazia questão de lembrar abrindo um sorrisinho divertido no rosto.

Eu não sabia que outra coisa fazer. Acenei de volta.

- Não as encoraje - advertiu Annabeth. - As náiades são flertadoras incontroláveis.

- Náiades - repeti, sentindo-me completamente estupefato. - Já chega. Quero ir para casa agora.

Athena bateu na própria testa e balançou a cabeça em negação. Como esse garoto idiota ainda não tinha conseguido perceber que somente lá, após a colina, ele estaria seguro? Só podia ser filho daquele asno aquático, tsk, tsk.

Annabeth franziu as sobrancelhas.

- Você não percebe, Percy? Você está em casa. Este é o único lugar na terra seguro para crianças como nós.

- Você quer dizer crianças mentalmente perturbadas?

"Cara, ele se chamou de mentalmente perturbado ou foi impressão minha?" Disse Ares, mastigando uma coxa de frango (?).

- Eu quero dizer não-humanas. Não totalmente humanas, de qualquer modo. Meio humanas.

- Meio humanas e meio o quê?

- Acho que você sabe.

Eu não queria admitir, mas sabia, sim. Senti um formigamento nos membros, uma sensação que às vezes me tomava quando minha mãe falava sobre meu pai.

"Fez-se o silêncio na sala. Nenhum semideus já havia falado sobre como era ouvir sobre o progenitor olimpiano, era uma nova informação para todos. Poseidon pareceu pensativo por alguns momentos, mais até do que Athena, que parecia meditar muito internamente e..."

HERMES! Você NÃO pode fazer a narração, eu já não te disse isso? #Cara de brava#

"Epa, desculpa aê, Letz."

Bem... onde estávamos? Ah, sim, não pareceu conseguir uma conclusão boa o suficiente, pois seus olhos recobraram o foco e ela pareceu frustrada. Poseidon, ainda avoado, voltou a ler.

- Deusas - disse eu. - Meio deusas.

Annabeth assentiu.

- Seu pai não está morto, Percy. Ele é um dos olimpianos.

- Isso é... loucura.

"Eu concordo mais do que plenamente! Tio Poseids é feio demais para ser um dos olimpianos!" Disse Apolo, fazendo os homens, (tirando o tio citado, que ficou com uma cara amarrada) soltarem gostosas gargalhadas e até as garotas darem algumas risadinhas.

- Será? Qual é a coisa mais comum que os deuses faziam nas velhas histórias? Eles andavam por aí se apaixonando por seres humanos e tendo filhos com eles. Você pensa que eles mudaram os hábitos nos últimos poucos milênios?

"Poisé, eles não mudam." Disse Héstia, acusando os homens com os olhos, fazendo com que eles se sentissem meio culpados.

"Aphrodite e Tia Deméter também têm filhos!" Reclamaram Apolo e Hermes, revoltados por a tia citar somente os homens.

"Eu nunca disse que elas são santas, afinal." Ela deu de ombros e olhou para Poseidon, que revirou os olhos e voltou a ler.

- Mas isso são apenas... - Eu quase disse mitos de novo ("Que menino teimoso!" Reclamou Athena, fazendo Poseidon revirar os olhos). Então me lembrei do aviso de Quíron de que daqui a dois mil anos eu poderia ser considerado um mito. - Mas se todos aqui são meio deuses...

- Semideuses - disse Annabeth. - Esse é o termo oficial. Ou meio-sangues.

- Então quem é seu pai?

As mãos dela se apertaram em volta da balaustrada do píer. Tive a sensação de que acabara de tocar em um assunto delicado.

Athena fechou os olhos e bateu na própria testa. Ela sabia bem qual era a situação de sua filha com o pai e por isso a tinha ajudado indiretamente até que chegasse a salvo (na medida do possível) ao acampamento. E tocar naquele assunto era uma indelicadeza sem tamanho do Peixe Júnior!

- Meu pai é um professor em West Point - disse ela. - Não vejo desde que era muito pequena. Ele ensina História Americana.

- Ele é humano.

As meninas ficaram completamente indignadas com essa frase.

"Que retardado!" Exclamaram algumas.

"Preconceituoso nojento!" O restante disse.
"Só podia ser filho desse coiso chamado Poseidon!" Disse Athena, fuzilando Poseidon com os olhos. O deus estava tentando se esconder atrás do trono.

- O quê? Está pensando que tem de ser um deus homem encontrando uma mulher humana atraente, e não o contrário? Sabe que isso é machismo?

- Então quem é sua mãe?

- Chalé 6.

- O que significa?

"Ignorante." Resmungou Athena, que foi prontamente ignorada por Poseidon, que nesse momento fazia planos rápidos com Hermes e Apolo para a montagem de um abrigo abaixo do trono dele.

Annabeth endireitou o corpo.

- Atena. Deusa da sabedoria e da guerra.

Certo, pensei. Por que não?

- E meu pai?

- Indeterminado ("Dãa" Disse Athena. "Ei, Athena, para de implicância com o moleque!" Disseram Zeus e Hera, fazendo a deusa ficar emburrada.)- disse Annabeth-, como eu lhe disse antes. Ninguém sabe.

- A não ser a minha mãe. Ela sabia.

- Talvez não, Percy. Os deuses nem sempre revelam sua identidade.

- Meu pai teria revelado. Ele a amava.

Os deuses olhavam ceticamente para o livro, mas Aphrodite mantinha seus olhos no Deus do Mar, que tinha uma expressão triste. Ele havia se apaixonado (e muito) por Sally Jackson, definitivamente, mas... Amor? E, bem... Ela realmente sabia quem ele era, mas não porque ele havia dito, mas porque ela havia visto a aura dourada a seu redor. Ela era imune a névoa, afinal.

Annabeth me deu uma olhada cautelosa. Ela não queria acabar com as minhas ilusões.

- Talvez você esteja certo. Talvez ele vá enviar um sinal. Esse é o único modo de saber com certeza: seu pai tem de mandar a você um sinal reclamando você como filho. Às vezes isso acontece.

Todos olhavam para Poseidon, agora, e ele mantinha o olhar fixo em algum ponto depois de um vaso de plantas.
"Eu provavelmente o reconheceria." Ele disse, respondedo à pergunta muda dos outros. "É meio obvio, não? Estamos no começo do primeiro livro, e todos os cinco livros dizem respeito ao garoto, ele não poderia passar todo o tempo dos livros em indeterminado, né?"

- Quer dizer que às vezes não acontece?

Annabeth correu a palma da mão pela balaustrada.

- Os deuses são atarefados. Eles têm uma porção de filhos, e nem sempre... Bem, às vezes eles não se importam conosco, Percy. Eles nos ignoram.

"ISSO NÃO É VERDADE!" Exclamaram os deuses (os que tinham filhos, todos exceto Hera, Ártemis e Héstia, que se sentiu na necessidade de desmentir.
"É verdade sim. Quantos semideuses vivem no chalé 11 atualmente? Aproximadamente quarenta, desde que visitei o acampamento pela última vez. E isso porquê? Porque os deuses se esquecem de reconhcer os filhos! Admitam que é verdade."

Com a declaração, os deuses se calaram. Parando para pensar, era realmente verdade. E era muita injustiça com os garotos.

Pensei em algumas das crianças que tinha visto no chalé de Hermes, adolescentes que pareciam mal-humorados e deprimidos, como se estivessem esperando por um chamado que nunca viria (Os deuses abaixaram a cabeça, infelizes. Poderiam ser filhos dos próprios olimpianos, ou dos deuses menores, mas não importava; estariam esperando, e esperando, e esperando, até que um dos olimpianos o reconhecesse. E se fosse filho de um deus menos, nunca saberia que era seu progenitor, pois apenas os olimpianos reconhecem seus filhos no acampamento. E era culpa deles, os olimpianos atarefados, que esses outros não podem reconhecer seus pais). Conhecera crianças assim na Academia Yancy, descartadas para internatos por pais ricos que não tinham tempo para lidar com elas. Mas os deuses deviam se comportar melhor.

- Então eu estou encalhado aqui - disse eu. - É isso? Pelo resto da minha vida?

Dioniso tremeu ao lembrar que ele estava encalhado lá, não pelo resto da vida, mas por grande pare de sua imortalidade.

- Depende - disse Annabeth. - Alguns campistas só ficam no verão. Se você é filho de Afrodite ou Deméter, provavelmente não é uma força realmente poderosa (As deusas bufaram, com raiva. Porque todo mundo desmoralizava seus poderes? Humpft). Os monstros podem ignorá-lo, e então você pode se arranjar com alguns meses de treinamento de verão e viver no mundo mortal pelo resto do ano. Mas, para alguns de nós, sair é perigoso demais. Temos de ficar o ano inteiro. No mundo mortal, atraímos monstros. Eles percebem nossa presença. Vêm nos desafiar. Na maioria das vezes eles nos ignoram ate termos idade suficiente para causar problemas - cerca de dez ou onze anos, mas depois disso muitos dos semideuses vêem para cá ou são mortos. Alguns conseguem sobreviver no mundo exterior e se tornam famosos. Acredite, se eu lhe contasse os nomes você os conheceria. Alguns nem sequer se dão conta de que são semideuses. Mas poucos, muito poucos são assim.

- Então os monstros não podem entrar aqui?

Annabeth sacudiu a cabeça.

- Não, a não ser que sejam intencionalmente mantidos nos bosques ou convocados por alguém de dentro.

- Por que alguém ia querer convocar um monstro?

- Para pratica de lutas. Para pregar peças.

- Pregar peças?

Hermes sorriu. Seus gêmeos Stoll eram simplesmente os melhores em pregar esse tipo de peça. Na verdade eles eram os melhores em pregar qualquer tipo de peça! Nem Luke (seu coração se apertou como sempre acontecia ao pensar nele, e, consequentemente, nela), seu pupilo, era tão bom nisso.

- A questão é que as fronteiras são fechadas para manter os mortais e os monstros de fora. Do lado de fora, os mortais olham para o vale e não vêem nada de inusitado, apenas plantações de morangos.

- Então... você é uma campista de ano inteiro?

Annabeth assentiu. De dentro da gola da camiseta ela puxou um colar de couro com cinco contas de argila de cores diferentes. Era exatamente como o de Luke, só que o de Annabeth também tinha um grande anel de ouro enfiado, como um anel de faculdade.

- Estou aqui desde que tinha sete anos - disse ela. - Todo mês de agosto, no último dia da sessão de verão, a gente ganha uma conta por sobreviver mais um ano. Estou aqui há mais tempo que a maioria dos conselheiros, e eles estão todos na faculdade.

- Por que veio tão jovem?

"Isso não é da sua conta." Bufou Athena, fazendo Poseidon, Zeus e Hera revirarem os olhos.

Ela girou o anel no colar.

- Não é da sua conta.

Os deuses encararam Athena, divertidos, enquanto ela estava de olhos fechados, provavelmente cantarolando uma musiquinha qualquer. Então finalmente perceber que era encarada e olhou confusa para os outros, que não aguentaram e começaram a rir.

- Ah. - Fiquei ali por um minuto em um silêncio constrangedor. - Então... Eu poderia simplesmente sair andando daqui agora mesmo, se quisesse?

- Seria suicídio, mas você poderia, com a permissão do sr. D ou de Quíron. Mas eles não dariam permissão até o final da sessão de verão, a não ser...

- A não ser?

- Que lhe seja concedida uma missão. Mas isso dificilmente acontece. Na última vez...

A voz dela foi sumindo. Pude perceber pelo seu tom de voz que a última vez não tinha ido muito bem.

Os deuses se encararam meio em dúvida. A missão falha ainda levaria um tempo para acontecer ou aconteceria logo? Cada um continuou pensativo por um tempo, e então Poseidon voltou a ler.

- Antes, quando estava doente no quarto - disse eu -, quando você dava de comer aquela coisa...

- Ambrosia.

- É. Você me perguntou algo sobre o solstício de verão.

Os ombros de Annabeth se contraíram.

- Então você sabe alguma coisa?

- Bem... não. Na minha antiga escola, ouvi por acaso Grover e Quíron conversando sobre isso. Grover mencionou o solstício de verão. Ele disse algo como não termos muito tempo, por causa do prazo final. O que isso queria dizer?

A mesma pergunta era feita pelos deuses. Que prazo final? Seria para uma guerra? O clima dee tensão preencheu a sala, e Poseidon lentamente voltou a ler.

Ela apertou os punhos.

- Eu gostaria de saber. Quíron e os sátiros, eles sabem, mas não contaram para mim. Algo está errado no Olimpo, algo muito importante. Na última vez em que estive lá, parecia tudo tão normal.

- Você esteve no Olimpo?

- Alguns de nós, campistas de ano inteiro... Luke, Clarisse, eu e poucos outros... fizemos uma excursão durante o solstício de inverno. É quando os deuses fazem sua grande assembléia anual.

Os deuses olharam em volta, sorrindo fraco. Alguns campistas iriam visitá-los hoje, um pouquinho depois da reunião. Agora seria... bem, tecnicamente, muito depois da reunião.

- Mas... como chegou lá?

- Pela Ferrovia de Long Island, é claro. Você desce na Estação Penn. Empire State, seiscentésimo andar. - Ela me olhou como quem tinha certeza de que eu já sabia disso. - Você é nova-iorquino, certo?

- Ah, com certeza. - Até onde eu sabia, havia apenas cento e dois andares no Empire States, mas decidi não comentar isso.

Um pouco da tensão saiu pela janela quando os deuses explodiram em risadas pelo pensamento do garoto. Ainda recuperando o fôlego, Poseidon voltou a ler.

- Logo depois da visita - continuou Annabeth -, o tempo ficou esquisito, como se os deuses tivessem começado a brigar [Todos na sala engoliram em seco. Mais uma briga? 'Tomara que não seja das sérias', torcia a maioria (posso tirar Ares da equação, né?).]. Uma ou duas vezes desde então, ouvi sátiros conversando. O máximo que posso deduzir é que algo importante foi roubado [Eles novamente engoliram em seco, especialmente os três grandes. 'Seria o raio, o tridente ou o elmo?' pensaram, nervosamente, a tensão voltando mais uma vez a sala]. E, se não for devolvido até o solstício de verão, vai haver problemas. Quando você veio, eu estava esperando... quer dizer... Atena pode se entender com qualquer um, a não ser Ares. E, é claro, ela tem uma rivalidade com Poseidon. Mas, quer dizer, fora isso, pensei que poderíamos trabalhar juntos. Pensei que você pudesse saber alguma coisa.

Sacudi a cabeça. Gostaria de poder ajudá-la, mas estava com fome, cansado e mentalmente sobrecarregado demais para fazer mais perguntas.

- Preciso conseguir uma missão - murmurou Annabeth consigo mesma. ["Acho que não, pequena, você é jovem demais." Disse Athena carinhosamente ao livro, surpreendendo aos deuses.] - Eu não sou jovem demais [- Poseidon leu, com entonação e voz mais fina, fazendo todos na sala, inclusive Athena, rirem alto, tentando enfim, expulsar a tensão que ainda lhes dava um nó na garganta.]. Se eles ao menos me contassem qual é o problema.

Senti cheiro de churrasco vindo de algum lugar por perto. Annabeth deve ter ouvido meu estômago roncar. Disse-me para ir em frente, que me alcançaria depois. Eu a deixei no píer, correndo o dedo pela balaustrada como se estivesse desenhando um plano de batalha.

Athena sorriu belamente. Aquela garotinha era a melhor filha que ela poderia ter. Traçaria planos até em coisas simples como conseguir ser a primeira a tomar banho, coisa que grande parte dos seus filhos ignorava. Annabeth entendia sua mãe no aspecto 'Treinar com coisas simples para não travar com coisas difíceis'.

De volta ao chalé 11, todo mundo estava falando e se divertindo, esperando o jantar. Pela primeira vez, notei que muitos campistas tinham feições parecidas: narizes pontudos, sobrancelhas arqueadas, sorrisos maliciosos [Naquele momento, Hermes abriu um sorriso que chegava a ser maléfico de tão malicioso, e os deuses notaram claramente a semelhança citada no rosto magro do deus]. Eram o tipo de criança que os professores classificariam como encrenqueiros. Felizmente, ninguém prestou muita atenção em mim quando fui até meu lugar no chão e me deixei cair com o chifre de minotauro.

O conselheiro, Luke, se aproximou. Ele também tinha a aparência familiar de Hermes. Estava desfigurada pela cicatriz na face direita [A simpes menção da cicatriz fez Hermes estremecer por completo, chamando a atenção de Apolo, que estava a seu lado, mas nada fez sabendo o quanto aquele assunto incomodava o amigo-irmão], mas o sorriso estava intacto.

- Arranjei um saco de dormir para você - disse ele. - E, aqui, furtei para você alguns artigos de toalete da loja do acampamento.

Não deu para saber se ele estava brincando quanto àquela parte de furtar.

Uma breve risadinha veio da parte de Hermes, o que fez Apolo se sentir autorizado a soltar a risada escandalosa que fez todos os outros rirem pelo exagero.

Eu disse:

- Obrigado.

- Sem problemas. - Luke sentou-se ao meu lado, descansando as costas contra a parede. - Primeiro dia difícil?

- Meu lugar não é aqui - disse eu. - Nem mesmo acredito em deuses.

- É - disse ele. - Foi assim que todos nós começamos. E depois que você começa a acreditar neles? Não fica nem um pouco mais fácil.

A maioria dos deuses riu, mas Apolo, estranhamente atento, olhou para seu irmão e o viu estranhamente calado. Se esforçando muito, ele poderia jurar que viu... Angústia? Não, não devia ser isso, Hermes nunca se deixava abalar assim, ainda mais por uma frase tão atoa, e...

A amargura em sua voz me surpreendeu, porque Luke parecia ser o tipo de cara despreocupado. Parecia ser capaz de lidar com qualquer coisa.

Apolo então compreendeu, na medida do possível, o que Hermes passava. O deus em questão agora fitava o nada, sem demonstrar nenhuma reação. Mas Apolo sabia que aquilo ainda o consumia por dentro.

- Então seu pai é Hermes? - perguntei.

Ele puxou um canivete de mola do bolso de trás, e por um segundo, pensei que fosse me destripar [Risadinhas rodaram a sala. Só esse menino mesmo!], mas ele apenas raspou o barro da sola da sandália.

- É, Hermes.

- O mensageiro com asas nos pés.

- É ele. Mensageiros. Medicina. Viajantes, mercadores, ladrões. Qualquer um que use as estradas. É por isso que você está aqui, desfrutando a hospitalidade do chalé 11. Hermes não é exigente com relação a quem apadrinha.

Entendi que Luke não queria me chamar de joão-ninguém [Agora risadas mais fortes foram ouvidas. Até Hermes se permitiu uma risadinha, o que fez Apolo se animar um pouco mais.]. Apenas tinha muita coisa na cabeça.

- Você já encontrou seu pai? - perguntei.

- Uma vez.

Esperei, pensando que, se ele quisesse me contar, contaria. Aparentemente não. Imaginei se a historia tinha alguma coisa a ver com como ele conseguira aquela cicatriz.

Novamente Hermes estremeceu, mas agora olhou para o colo e continuou assim, apenas ouvindo a leitura.

Luke ergueu os olhos e conseguiu sorrir.

- Não se preocupe com isso, Percy. A maioria dos campistas aqui é boa gente. Afinal, somos uma grande família, certo? Cuidamos um do outro.

Ele parecia entender o quanto me sentia perdido e eu estava grato por isso, porque um cara mais velho como ele - mesmo sendo um conselheiro - devia estar evitando um secundarista chato como eu. Mas Luke me dera as boas-vindas ao chalé. Até mesmo furtara alguns artigos de toalete, o que era a coisa mais simpática que alguém fizera por mim o dia inteiro.

As risadinhas rodaram mais uma vez a sala, pelo visto Percy Jackson havia puxado um pouco do senso de humor (mesmo que indireto) de seus "primos".

Decidi fazer a minha última grande pergunta, aquela que vinha me incomodando a tarde toda.

- Clarisse, de Ares, debochou sobre eu ser um dos Três Grandes. Depois, Annabeth... ela falou duas vezes que eu poderia ser o cara. Disse que devo falar com o Oráculo. O que quer dizer isso tudo?

Essa era uma pergunta que os deuses também faziam. É claro que já sabiam quem era o pai do garoto, mas porque ele teria que ver o Oráculo? No fundo, eles sabiam que era algo importante, mas era tão difícil de crer num garotinho de doze anos fazendo a algo assim...

Luke fechou o canivete.

- Odeio profecias.

- O que quer dizer?

Seu rosto deu uma estremecida em volta da cicatriz.

- Digamos apenas que eu compliquei as coisas para todos os outros. Nos últimos dois anos, desde quando me dei mal em minha viagem ao Jardim das Hespérides, Quíron não autorizou mais nenhuma missão. Annabeth está morrendo de vontade de sair para o mundo. [Athena olhou carinhosa e repreendedoramente para o livro, fazendo alguns deuses rirem. Hermes ainda estava em seu estado semi-catatônico, mas Apolo soube que ele estava ouvinho por tê-lo visto estremecendo]. Ela importunou tanto Quíron que ele finalmente disse que já conhecia o seu destino. Recebera uma profecia do Oráculo. Não quis contar tudo a ela, mas disse que Annabeth ainda não estava destinada a sair numa missão. Tinha de esperar até... alguém especial vir para o acampamento.

- Alguém especial?

- Não se preocupe com isso, garoto - disse Luke. - Annabeth quer pensar que todo campista novo que chega aqui é o presságio que ela está esperando. Agora vamos, é hora do jantar.

No momento em que ele disse isso, uma trombeta soou a distancia. De algum modo eu sabia que era feita com uma concha de caramujo, apesar de nunca ter ouvido uma antes.

"É sempre assim..." Disse Apolo, calmamente, apesar de todos verem o olhar divertido que ele trocou com Hermes que levantou a cabeça parecendo renovado ao ouvir as últimas palavras de Apolo.
"Mas... o quê?" Perguntou Athena, parecendo muito confusa, assim como os outros deuses, que olhavam para os dois, agora em pé nos tronos, vestindo roupas de... Sonic?
"É SEMPRE ASSIM, EM CIMA, EM CIMA EM CIMA EM CIMA!" Eles cantaram, levantando um braço, depois o outro e balançando de acordo com a música. "É SEMPRE ASSIM, EMBAIXO, EMBAIXO EMBAIXO EMBAIXO!" Agora, eles balançavam os braços na frente dos joelhos, movendo os mesmos. Os deuses já haviam explodido em risadas com a dança ridícula que os dois faziam. "É SEMPRE ASSIM, EM CIMA, EM CIMA EM CIMA EM CIMA, É SEMPRE ASSIM, EMBAIXO, EMB... TÃNANANA SAMBA!" ¹
Os deuses não se aguentavam de tanto rir, alguns estavam com dor de barriga, outros com lágrimas nos olhos. Ninguém conseguia para de rir da idiotice dos garotos. Levaram bastante tempo para se recuperar (A autora riu mais um pouco, comeu um pão de queijo, bebeu leite com toddy e tocou teclado antes deles terminarem), e enfim Poseidon voltou a ler, ainda meio ofegante.

Luke gritou:

- Onze, reunir!

O chalé inteiro, cerca de vinte de nós, formou uma fila no pátio. Enfileiramo-nos por ordem de antigüidade, portanto é claro que eu era o último. Vieram campistas também de outros chalés, com exceção dos três vazios no fim e do chalé 8, que parecia normal durante o dia mas agora começava a ter um brilho prateado à medida que o sol se punha.

Marchamos colina acima até o pavilhão do refeitório. Sátiros vieram da campina e juntaram-se a nós. Náiades emergiram do lago de canoagem. Algumas outras meninas saíram dos bosques - e quando digo dos bosques, quero dizer dos bosques mesmo. Vi uma menina de nove ou dez anos fundir-se da lateral de um bordo e vir saltitando colina acima.

Ao todo, havia talvez uma centena de campista, algumas dúzias de sátiros e uma dúzia de ninfas e náiades variadas.

No pavilhão, tochas ardiam em volta das colunas de mármore. Um fogo central queimava em um braseiro de bronze do tamanho de uma banheira. Cada chalé tinha sua própria mesa, coberta com uma toalha branca com detalhes roxo. Quatro mesas estavam vazias, mas a do chalé 11 era superlotada. Tive de me espremer na ponta de um banco, com metade do traseiro de fora.

Os deuses riran pelo comentário.

'Tudo bem que tudo é narrado da cabeça do garoto, mas podia ser, sei lá, mais correto!' Pensou alto Athena, fazendo os outros rirem sem perceber muito bem o por que.

"Que foi?" Perguntou, fazondo todos rirem, o que a deixou ainda mias confusa.

Vi Grover sentado à mesa 12, e um par de meninos loiros gorduchos bem parecidos com o sr. D. Quíron ficou em pé ao lado, pois a mesa de piquenique era muito pequena para um centauro.

Annabeth sentou-se à mesa 6 com um bando de crianças atléticas de aparência séria, todas com olhos cinzentos e cabelo loiro da cor do mel.

Athena mais uma vez sorriu,agora sob a menção de seus amados prodígios. Dioniso também sorriu; seus filhos eram a melhor coisa naquele acampamento. Ele sempre maou sátiros, mas não se comparavam a seus queridos filhos, os únicos que o entendiam naquele castigo.

Clarisse sentou-se atrás de mim à mesa de Ares. Parecia recuperada do banho, pois estava rindo e arrotando ao lado das amigas.

Finalmente, Quíron bateu o casco contra o piso de mármore do pavilhão e todos se calaram. Ele ergueu um copo.

- Aos deuses!

Todos ergueram os copos.

- Aos deuses!

Ninfas do bosque avançaram com bandejas de comida: uvas, maçãs, morangos, queijo, pão fresco e, sim, churrasco! Meu copo estava vazio, mas Luke disse;

- Fale com ele. Qualquer coisa que queria. Não alcoólica, é claro.

A fala fez todos rirem de Dioniso, que tinha feito uma careta e soltado um muxoxo. 'Poxa, sacanagem Zeus não liberar um vinhozinho de vez em quando!' Ele não pode evitar pensar.

- Cherry Coke - falei.

O copo se encheu de líquido espumante cor de caramelo.

Então tive uma idéia.

- Cherry Coke azul.

As meninas já estavam novamente emotivas, com aquelas carinhas de bichinho de pelúcia, que fizeram os homens rirem baixinho pelo nariz.

O refrigerante assumiu um tom berrante de cobalto.

Tomei um gole cauteloso. Perfeito

Fiz um brinde à minha mãe.

Ela não se foi, disse a mim mesmo. De qualquer modo, não para sempre. Ela está no Mundo Inferior. E, se ele é um lugar real, então algum dia...

- Vai, Percy - disse Luke, me passando uma travessa de peito defumado.

Enchi meu prato e estava prestes a dar uma grande garfada quando notei que todos se levantavam, levando os pratos para o fogo no centro do pavilhão. Imaginei se estavam indo buscar a sobremesa ou coisa assim.

"Ora, que falta de respeito!" Exclamaram Athena e Dioniso, enquanto os outros deuses explodiam em risadas.

- Venha - disse-me Luke.

Quando cheguei mais perto, vi que todos estavam pegando algo do prato e jogando dentro do fogo, o morango mais maduro, a fatia mais suculenta de carne, o pão mais quente e mais amanteigado.

De repente, cheiros diversos e deliciosos encheram a sala, fazendo os deuses se acalmarem completamente, considerando o fato de elels não terem percebido que estavam mais uma vez tensos.

"Parece que Morfeu quer que nós sintamos tudo o que sentimos na história." Disse Héstia, apreciando o cheiro de um ccho de uvas particularmente doce e suculento.
Apesar de não saberem o porque, os deuses sentiram que aquilo não poderia dar em coisa boa.

Luke murmurou ao meu ouvido:

- Oferendas queimadas para os deuses. Eles gostam do cheiro.

- Fala sério!

O olhar dele me advertiu a não debochar daquilo, mas não pude deixar de me perguntar por que um ser imortal, todo-poderoso, gostaria do cheiro de comida queimada.

Athena bufou e revirou os olhos. Só podia ser filho de quem era, afinal, filho de peixe, peixinho é. 'Literalmente nesse caso', ela não deixou de acrescentar.

Luke aproximou-se do fogo, inclinou a cabeça e atirou um cacho de uvas gordas e vermelhas.

- Hermes.

Hermes, mesmo ainda extasiado pelos outros cheiros, não pode deixar de notar o cheiro magnifico que atingiu suas narinas no momento em que Poseidon leu a fala de seu filho. Porém, ainda conseguiu notar um... amargo esquisito na fruta de seu filho. 'Ele deve ter se enganado, claro', ele pensou, querendo, inconscientemente, convencer a si mesmo.

Eu era o próximo.

Eu gostaria de saber o nome de qual deus eu devia dizer.

Acabei fazendo um pedido silencioso. Quem quer que seja, conte-me. Por favor.

Empurrei uma grande fatia de peito para as chamas.

E Poseidon sentiu o que não sentia a muito tempo, um cheiro só para ele. É claro que os cheiros preenchiam a sala, mas eram mais fortes para o deus para quem era direcionado. E com a proibição de não ter filhos, ele só sentia os maravilhosos cheiros pela metade. Mas agora não, o delicioso cheiro de peito de frango era só, somente e apenas para ele. Ele se sentiu tão extasiado que precisou de açguns minutos para se recuperar.

Quando inalei um pouco de fumaça, não engasguei .

"Dãa..." Resmungou Athena, fazendo Poseidon, 'disfarçadamente', jogou um balão d'água nela, juntamente com Hermes e Apolo. Athena levou meio milésimo de segundo para entender o que tinha acontecido para ela se ver toda molhada e os outros deuses se explodirem de tanto rir, então levantou e foi furiosa em direção a Poseidon ('Obviamente a ideia foi desse peixe!'), mas ele já havia entrado em seu novo compartimento super improvisado e desconfortável (pelo fato de os três terem construido rapidamente durante a leitura), mas ele conseguiu se proteger por completo da fúria e dos poderes de Athena, e agora ele e os outros dois também riam às custas da deusa. Levou bastante tempo pra que eles se recuperassem, e já era fato que teriam uma vingança, mas não era hora de pensar nisso. Poseidon voltou a ler, a voz abafada pelo abrigo.

Não parecia nem um pouco cheiro de comida queimada. Cheirava a chocolate quente e brownies recém-assados, hambúrgueres grelhados e flores silvestres, e uma centena de outras coisas boas que não deviam combinar, mas combinavam. Dava até para acreditar que os deuses podiam viver daquela fumaça.

"Oh, é..." Os deuses murmuraram deliciados. Os cheiros agora citados vieram com bastante força sem nenhum deus em especial, fazendo todos ficarem mais uma vez extasiados.

Depois que todos voltaram aos lugares e terminaram de comer, Quíron bateu novamente o casco para chamar nossa atenção.

O sr. D levantou-se com um enorme suspiro.

- Sim, suponho que deva dizer olá a todos vocês, moleques. Bem, olá. Nosso diretor de atividades, Quíron, diz que a próxima captura da bandeira será na sexta-feira. Atualmente, o chalé 5 detém os lauréis.

Um monte de aplausos disformes se ergueu da mesa de Ares.

Ares abriu um sorriso convencido, fazendo Athena olhá-lo com desdém e raiva. Os dois viviam fazendo de pequenas a grandes competições, e até os filhos eram incluídos.

- Pessoalmente - continuou o sr. D -, não me importo nem um pouco, mas congratulações. Também devo lhes dizer que temos um novo campista hoje. Peter Johnson.

Os deuses voltaram a rir com o erro de Dioniso, que agora estava degustando de uma uva e estranhamente não tinha percebido outros rindo dele.
"Ele nunca acerta!" Exclamou Apolo, com lágrimas nos olhos e meio sem fôlego.
Ainda rindo pelo nariz, Poseidon voltou a ler.

Quíron murmurou alguma coisa.

- Ahn, Percy Jackson - corrigiu o sr. D. - Está certo. Viva, e tudo o mais. Agora vão correndo para a sua fogueira boba. Andem.

Todos aplaudiram. Dirigimo-nos para o anfiteatro, onde o chalé de Apolo liderou a cantoria.

"Eles cantam muuuito. Não me surpreenderia se uma de minhas filhas viesse a ser a nova Madonna, e um de meus filhos o novo Michael. Eles são D-E-M-A-I-S!" Disse Apolo, se gabando e fazendo os deuses caírem na risada mais uma vez.

Cantamos canções de acampamento sobre os deuses, comemos besteiras e nos divertimos, e o engraçado foi que não senti ninguém mais olhando para mim. Era como estar em casa.

Mais à noite, quando as fagulhas da fogueira se enroscavam em um céu estrelado, a trombeta de caramujo soou de novo, e todos nós formamos filas para voltar aos nossos chalés. Não me dei conta de como estava exausto até desmoronar em meu saco de dormir emprestado.

"Né? Cantar e comer besteira cansa, menino." Disse Hermes, com tom de quem ensina algo muito importante. Os deuses, que mal tinham se recuperado, voltaram a rir.

Meus dedos se fecharam em volta do chifre do Minotauro. Pensei em minha mãe, mas tive bons pensamentos: o sorriso dela, as histórias que lia para mim antes de dormir quando eu era pequeno, o jeito como me dizia para não deixar os percevejos morderem.

"Owwwnt!" Exclamaram s garotas. Pareciam nem se lembrar que no começo do capítulo haviam ficado com raiva dele. Esse pensamento fez os deuses rirem baixo, até não aguentarem mais e explodirem em gargalhadas intensas, o que fez com que as meninas os encarassem com raiva.

Quando fechei os olhos, adormeci instantaneamente.

Assim foi meu primeiro dia no Acampamento Meio-Sangue.

Queria ter sabido antes que em tão pouco tempo passaria a gostar do meu novo lar.

"Fim, povo." Disse Poseidon, se espreguiçando. "Quem vai ler o próximo?"

"Eu aqui!" Levantou o braço Hera, sorrindo. Poseidon lhe passou o livro e ela leu:

"Nós capturamos uma bandeira"

Primeira coisa: Por favor, não me matem! Pode até parecer desculpa, mas uma série de fatores me impediu de postar antes! Primeiramente, três dias depois da postagem do último capítulo, eu (admito que isso a culpa foi minha) estraguei meu teclado. Não completamente, mas estraguei teclas importantíssimas como as aspas, que eu uso nas falas dos personagens, o Caps Lock, o Shift, o !, o e as letras A,Q,Z, S e W. Depois de conseguir o teclado novo, fiquei de castigo por uma semana. Depois, descobri que ia me mudar e tive que ficar encaixotando muitas coisas, sendo que vou me mudar só na semana que vem. Depois, li 'O Herói Perdido', que é muito perfeito! Depois, machuquei minha mão no vôlei, nada sério, mas não consegui escrever direito por uma semana (eu não contei nem para as minhas amigas esse fato, porque senão elas iriam me impedir de jogar vôlei (xD) copiar a matéria, etc). E enfim, fiquei essa semana de castigo e meus pais me liberaram ontem, que sentei na cadeira do computador e escrevi mais da metade do capítulo, restando apenas a última parte e essa 'pequena' nota aqui. Sério, me desculpem mesmo. Qualquer coisa, eu só tenho treze anos xD

Ah, é! ¹- A música se chama Samba de Janeiro, eu eu a conheço do jogo Sega Superstars Tennis, e escrevi mais ou menos como me lembro. Eu sou uma pessoa estremamente problemática, portanto smepre que eu ouço um 'É sempre assim' perto da minha irmã ou do meu primo, a gente começa a cantar feito louco. Bem, como a gente é, afinal...

Respondendo às reviews das divas que mandaram:

VicBlackPotter – Oooi, sua linda ! Fico feliz que tenha gostado do último, espero que goste desse também! Beeijo.

Ninguem em Especial – Aii, obrigado, é perfeito saber que tem gente gostando da fic *-* Ares é realmente foda, Annabeth nem se fala, Clarisse é o clássico se correr o bicho pega e se ficar o bicho come, e Percy... Ah, Percy é o meu xodó, amo muuito eles xD Beijinhos pra tu.

Mille Malfoy P.W – Brigaada, linda! Percy é o máximo mesmo, né Ah, você acha que eu escrevo bem mesmo? Ahh, nossa, fico muuito feliz mesmo =D Brigada de novo, beeijos.

KessyRMasen – Menina, espero mais que você não te assustar mais desse jeito Amo suas reviews xD Eu nunca vou desistir da fic, posso demorar 5 anos para terminar, mas vou terminar É, não foi dessa vez que Poseids reclamou Percy, tenho quase certeza que é no próximo capítulo. O que achou da loucura Apolo&Hermes? xD Até o próximo (não me abandooone xD) Beeijo.

LilyLunaBlackPotterRavenclaw – Eu vivo tendo preguiça também, mas deixa quieto Como eu disse pra Kessy, eu não pretendo parar a fic, então com certeza não vai prestar o beijo da Anna e do Percy, nem muito menos Hermes brigando com ele xD Beeijo, espero que goste desse capítulo =]

Biaa Black Potter – Ahh, que bom que gostou ! É realmente meio complicado achar fics sobre a leitura dos livros, afinal, não sabemos pelo que procurar, né? Gostou da ideia dos deuses? *-* Beeijinhos

Vanessa S. – Eu que peço desculpas pelo atraso Eu fico tão feliz sabendo que gente como você, que escreve muito bem, tem várias fics e tal, gosta e acompanha a minha *-*Espero que goste desse capítulo também ;3 Beeijo
Filha de Poseidon – Bem vinda, linda =] Desculpinha a demora, espero que esteja gostando! Beeijão

Clarizabel – Brigada pelo review! Jura que acha isso? *-* Fico até emocionada ;3 Se está dizendo sobre a fic parar no meio do caminho, não eu realmente pretendo terminá-la, nem que demore muito para isso. Realmente são poucas as fic desse tipo em português, a maioria também não é concluída, mas a ideia veio na minha cabeça e, na frente do computador, a história (no início) foi fluindo. Ainda vai indo, só que mais lentamente. Bem, beijos, e obrigada de novo =D

Então, adeus e... Mas o quê? Outro? xD Ok, eu ponho aqui, tá, mas quero o meu de graça!

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Então é só isso, gente mais linda do mundo E não se esqueçam de pedir seus abrigos, Dos mais confortáveis aos mais improvisados xD Beeijo o/