E aí, pessoal! Mais um capítulo de JARD! Primeiramente gostaria de agradecer à todos que leram e comentaram aqui ou no FB. Isso me incentiva a fazer cada vez mais algo que todos gostem. Preparados para o segundo capítulo? #Enjoy!


Como havia previsto, ele não tinha conseguido dormir direito: era a primeira vez desde a sua volta aos EUA que algo tirava seu sono. E quando conseguiu dormir, sonhou com Teresa naquele vestido cinza e como ela estava linda. Ele havia visto aquele vestido e logo sabia que seria para ela pois ressaltava seu corpo curvilíneo sem ser vulgar, que era seu objetivo. Na sua mente nenhum homem veria muito de seu corpo, a não ser ele. A parte boa do sonho acaba aí, pois logo em seguida o agente Pike aparece e a beija, tirando o fôlego.

Saltou na cama assustado e triste, pensando em como iria encará-la depois do que viu. Pensou também em como iria tirar aquela cena da sua mente; dez anos de noites mal dormidas já tinham sido suficientes na sua vida. Levantou-se, tomou banho, pôs seu terno e saiu para ter seu chá com leite e ovos mexidos no restaurante da esquina do FBI. O dia se seguiu sem grandes sobressaltos e ele procurou manter-se o mais afastado de Lisbon possível para não demonstrar sua dor. Ela percebeu seu distanciamento mas por estar envolvida na papelada de fim do caso das obras de arte não pode parar e conversar com ele. Assim dois dias se passaram. Pike continuou rondando o local cortejando sua amada e ele assistiu a tudo de camarote do seu sofá, sem mostrar nenhum reação.

Após o almoço, Fisher procurou Lisbon em sua mesa. Jane havia saído horas antes e não tinha dado sinal de vida, mas como não tinham nenhum caso no momento ela não o procurou. Seus sumiços fora de casos eram mais tranquilizantes.

"Lisbon, o agente Morgan me pediu para lembrar ao Jane sobre a autorização que ele não assinou para a liberação do carro na noite da resolução do caso Hennigan. Você poderia ver isto por favor?"

"Nós já assinamos toda a papelada referente a esse caso. Não havia nenhuma autorização para uso de carro oficial."

"Segundo Morgan ele pegou o carro sozinho e fora do expediente. Como disse que estava indo atrás de uma pista urgente não tinha tempo de assinar e fazia isso depois. Mas já se passaram dias e ele não foi lá. Morgan precisa enviar essa papelada ainda hoje." Lisbon ficou desconfiada.

"OK, Fisher. Deixe comigo que eu vou resolver com ele. Obrigada!" Pelo que se recordava o caso foi resolvido até o início da noite e de lá pra cá não havia aparecido nada de importante. Lisbon olhou o papel e verificou o horário de saída e chegada do carro: era exatamente o mesmo horário em que havia saído com Marcus naquela noite.

Marcus, tão gentil e charmoso. A convidou tão diretamente para um encontro que ela foi pega de surpresa e não pôde resistir. Saíram e se divertiram comendo panquecas de chocolate. Conversaram sobre suas vidas e suas carreiras. Ele tinha ficado surpreso ao ouvir tudo o que ela passou com Jane. "Se fosse outra pessoa, não o aguentaria um mês.", tinha dito para ela. Após o encontro, ele a levou em casa e antes de ir embora a beijou. Fazia um bom tempo que não era beijada daquela forma e ela gostou. Muito. Mas era muito cedo para algo mais íntimo e ele foi embora, prometendo convidá-la outras vezes. Daquela noite em diante já haviam almoçado juntos e conversado. Ele é um homem encantador e estava realmente balançando seu coração sofrido.

Ela não podia acreditar no que estava vendo: ao que parece Jane a havia seguido em seu encontro e sabe Deus lá mais quantas vezes e pra onde. Mas ela não podia acusá-lo sem provas, era contra sua índole de policial. Então foi procurar respostas com o agente Morgan.

"Oi Denis. A agente Fisher me disse que Jane está lhe devendo algo."

"Oi Lisbon. Ele esqueceu de assinar um documento de responsabilidade pelo carro, já que era fora do expediente. É um dos nossos controles para saber com quem cada veículo está. Ele estava muito apressado, disse que era urgente e saiu correndo. Quando voltou apenas deixou o carro no estacionamento e não passou aqui. Preciso enviar até hoje."

"Certo. Humm, você teria como me mostrar onde ele foi? Você sabe como ele é, só quero me certificar que não fez uma besteira." Denis riu.

"Claro que sei. Ele é meio inovador. Me dê um segundo e eu te mostro pelo GPS onde ele esteve. Se ele não se moveu para fora desta galáxia, isso lhe dirá até quanto tempo ele estava parado.", disse apontando para a tela do computador.

"É isso mesmo que quero saber."

Depois de alguns segundos clicando e mexendo no sistema de navegação, Denis informou.

"Bom, ele saiu daqui às 20:30 e percorreu pouco mais de 2 KM até chegar na San Jacinto em frente ao número 200 ,onde fica o.."

"Le Café Crepe.", disse Lisbon bufando de raiva.

"Isso mesmo. Passou cerca de uma hora e meia parado e depois seguiu por vinte minutos até a Spicewood Springs em frente ao número 4235, onde ficou parado por 11 minutos e depois saiu, retornando para cá."

Então era isso: ele a havia seguido em seu encontro com Pike e de volta para sua casa. Canalha! Ela estava com tanta raiva que mal podia falar; quem ele pensava que era? Então lembrou do agente Morgan e respirou fundo.

"Você poderia imprimir este itinerário pra mim, Denis?"

"Claro!"

Com a prova do crime em mãos, ela marchou até o airstream e bateu com força na porta de metal. Jane atendeu poucos segundos depois, com o cabelo despenteado, olhos sonolentos e voz quente.

"Fisher, se não tivermos nenhum caso por favor me deixe dormir.", disse enquanto abria a porta e se deparava com uma Lisbon furiosa.

"Oh, entre Lisbon." Ela entrou e ele sentou-se na cama onde estava minutos antes. Ela começou.

"Você sabia que o Morgan está atrás de você?"

"Hmm, Morgan...?" disse fazendo uma cara de desentendido. Ela bufou.

"Agente Denis Morgan, da manutenção predial."

"Ah, não sabia. O que ele quer?" Ela respondeu erguendo o papel infame nas mãos enquanto Jane esfregava os olhos.

"Você esqueceu de assinar um papel quando pegou um carro oficial do FBI para me seguir!" Jane finalmente parecia desperto.

"Te seguir? Mas que história é essa, Lisbon? O que eu faria te seguindo?", disse rindo e deixando Lisbon ofendida com tanta dissimulação.

"Eu já te disse que sei quando você mente? Se não disse digo agora: você está mentindo! Você pegou um carro e me seguiu na noite em que eu saí com Marcus. Não adianta me dizer que não foi pra isso porque eu tenho um GPS que me diz exatamente onde você esteve!", bradou jogando o papel na cara dele.

"Lisbon..."

"O que você pensou? Que tem o direito de me seguir, vigiar minha vida? Eu não sou mais seu brinquedinho, Jane. Não sou mais sua distração!"

"Eu tive medo." Ela parou.

"Medo de quê?" Jane respirou fundo.

"Esse cara... Lisbon você mal o conhece e já saiu com ele. Não sabemos quem ele é, se é de confiança e já deixou ele te levar pra casa e sabe-se lá mais o quê."

"Eu ainda não estou entendendo!"

"E se esse cara for da Blake Association? For um pau mandado para te seduzir e nos afastar? Nós vimos o que aconteceu com Grace... Desde que esse cara apareceu você mal fala comigo, não me procura quando eu sumo, você não liga pra mim! Isso me parece uma armação da Blake Association para nos separar e descobrir o que temos da lista, estão querendo se vingar pela morte do..." Lisbon ouvia tudo boquiaberta.

"CHEGA! EU NÃO PRECISO OUVIR ISSO!" Jane assustou-se com o tom de voz dela e encolheu na cama.

"Você está querendo dizer que o único cara decente que se interessou por mim nos últimos anos só está fazendo isso porque está sendo pago por uma organização secreta e maligna que quer fazer algo contra você? Que quer te atingir? Em que mundo você vive? Que mundo é esse em que tudo gira ao seu redor? A minha vida, a vida do Marcus... Tudo é uma armação contra você?"

"Lisbon, eu não quis dizer..."

"Cale a boca! Foi isso mesmo que você quis dizer. Que nenhum homem neste mundo se interessa por mim de livre e espontânea vontade, a não ser para atingir você. Pois fique você sabendo que, ao contrário do que você pensa, muitos homens olham pra mim, me paqueram. E não tem nada a ver com você!" Ele tentou contornar.

"Eu sei disso. Nunca duvidei..."

"Então pare de subestimar a minha inteligência! Eu não sou uma idiota! Sou uma oficial da lei e, acima de tudo, uma mulher. Não preciso de você para tomar conta da minha vida! Se você quer viver em um celibato auto-imposto pro resto da sua vida faça isso sozinho! Não me leve para este buraco com você! Eu não mereço isso!" Lisbon estava transtornada: quem ele pensava que era? Todos os homens da face da terra só queriam se vingar dele? Ele achava que ela não era capaz de despertar interesse em alguém sem que isso o envolva? MALDITO EGOCÊNTRICO! Ela andava de um lado pro outro tentando tirar a raiva do peito, para não explodir.

"Desculpe, Lisbon. Não era essa a minha intenção."

"Ouça bem o que eu vou dizer, Patrick Jane: fique longe de mim e do Marcus. Não me siga, não se meta com ele. Ele é um homem maravilhoso e eu sei me cuidar. Ninguém pode me machucar mais do que você já fez."

"Lisbon..." Ela fez um movimento com o dedo pedindo silêncio e ele atendeu.

"Se eu tiver a mínima ideia de que você continua me seguindo, eu vou pedir demissão, vou voltar para Washington e esquecer que você existe. Tenho absoluta certeza que eles me aceitarão de volta se eu quiser. E não vai me importar o que irá acontecer com você aqui, pois você também não se importa com o que eu sinto. Eu estou falando muito sério, Jane. Fique longe de nós! Não se atreva a me seguir de novo! Me deixe ser feliz!", disse e saiu batendo a porta do trailer com toda a força.

Jane permaneceu no mesmo lugar onde estava desde a hora em que ela entrou, sem reação. Poucas vezes a vira tão transtornada e decepcionada. Ela deve estar mesmo muito envolvida com esse Pike para agir assim. Ou ela só estava tendo uma reação normal diante de uma pessoa que estava invadindo sua vida sem pedir licença. De qualquer forma ele estava magoado e sentindo cada vez mais raiva do maldito agente Pike ter se metido em suas vidas.

Mas algo que ela disse o estava fazendo pensar: até quando ele pretende ficar sozinho? Quando vai se libertar dessa prisão e voltar a viver como todo mundo? Será que ele ainda consegue ter um relacionamento normal com alguém e quem sabe uma família?

E que direitos ele tem de se meter na vida dela? Nunca houve nada de verdade, a não ser um sentimento que nunca foi correspondido com ações concretas pela parte dele. Então ela têm o direito de procurar alguém que faça isso ao invés de esperar por ele a vida toda.

Lisbon pediu distância e ameaçou ir embora caso ele não respeitasse isso. Por outro lado, ele não quer deixá-la se envolver com esse homem: ele a ama. Isso é o que ele definitivamente pode chamar de sinuca de bico e ele não sabe qual vai ser a bola da vez.


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