Capítulo 02:
Eu estava meio bêbado, mas ciente da merda que eu tinha feito. Eu amava Bella, afinal. E ao mesmo tempo que eu queria contar o que fiz e pedir desculpas, eu sabia que ela me chutaria para fora de sua vida no instante seguinte.
Usando toda a razão que a embriaguez me proporcionava, dirigi lentamente até sua casa e estacionei alguns metros distante. Meio cambaleante, segui até embaixo de sua janela e ponderei. Eu não conseguiria subir. Ou conseguiria? Um tombo era nada menos do que eu merecia, decidi.
Não foi minha primeira escalada por aquelas paredes, mas, sem sombra de dúvidas, a mais difícil. Quando alcancei a borda, respirei aliviado. A janela estava encostada e não foi difícil manter o equilíbrio e abri-la para eu entrar.
Quando vi minha garota toda encolhida, a face úmida e avermelhada, lábios formando um pequeno bico e até pensei em sair de volta por aquela janela, mas sem escalar. Apenas me jogar. Eu era o culpado por Bella ter chorado.
Ajoelhei-me no chão, ao seu lado da cama, e acariciei sua bochecha. Notei a temperatura elevada bem acima do que seria normal para alguém que estava dormindo. Deixei minha mão por alguns segundos sobre a sua pele e assim que a elevei, senti a quentura ainda me afetando.
- Amor?
Bella resmungou alguma coisa que não entendi.
- Bella? Acorda, anjo.
- Minha garganta está doendo – tossiu sem abrir os olhos.
A primeira coisa que pensei foi tirar seu sofrimento. Era uma mistura doentia. Eu sabia que provavelmente ela já sofria por minha imbecilidade (e pioraria quando descobrisse o que fiz), mas eu preferia acreditar que ela sofria pela febre.
- Já volto – segui até seu banheiro na ponta dos pés e olhei no armário, em busca de algum antitérmico. Inúmeros frascos iam de um extremo ao outro da prateleira mais alta. Peguei o celular no bolso e telefonei para meu pai.
Ele atendeu no terceiro toque extremamente preocupado. – O que aconteceu, Edward? – desesperou-se.
- Estou bem, pai – sussurrei. – Desculpe acordá-lo, mas Bella está com um pouco de febre e dor de garganta e não sei o que dar a ela. Tem um monte de caixinhas no armário.
Ouvi meu pai bocejar do outro lado da linha. – Quais os remédios que ela tem aí?
Comecei a ler em voz alta. – Dipirona, Aciclovir, Paracetamol, Tylenol, Diclofenaco, Amoxicilina.
- Dê um comprimido de Amoxicilina para Bella dormir melhor e amanhã pela manhã, ou melhor, daqui há algumas horas, leve-a para uma consulta no Hospital.
Tão logo desliguei a ligação, peguei o comprimido e voltei para o quarto. Lá, na mesinha de cabeceira, havia um copo com água pela metade. Me ajoelhei novamente ao seu lado e a despertei, com o máximo de carinho que a culpa me exigia.
- Amor, toma este remédio. Você vai se sentir melhor.
Bella abriu os olhos cansados e inchados e, sem dizer uma palavra, me obedeceu. Ainda em silêncio, me devolveu o copo com quase toda a água, fechou os olhos e voltou a dormir.
A mim, coube velar seu sono pelo resto da noite. Deitei ao seu lado e ali fiquei esperando a ressaca sarar e curtindo um peso a consciência que eu merecia. A culpa era meu pior castigo. Me questionei pelo resto da noite e da manhã seguinte tentando encontrar alguma razão que me levou a fazer o que fiz. Eu não encontrei. Sempre tive a namorada perfeita, os pais perfeitos, a vida perfeita. Eu não podia jogar tudo fora por besteira.
E foi olhando minha namorada, a mulher que eu escolhi para mãe dos meus filhos, que eu prometi: nunca mais a faria sofrer. Eu seria tudo de melhor que Bella pudesse desejar e minha missão de vida seria fazê-la feliz.
Bella acordou poucos minutos depois que eu ouvi a porta da frente bater – sinal de que Charlie estava saindo. Eu tinha acabado de voltar do banheiro onde fui escovar os dentes e, quando entrei no quarto, ela estava com os olhos abertos encarando a porta. Talvez avaliando se eu realmente passei a noite toda em seu quarto.
- Bom dia – desejei fechando a porta atrás de mim.
- Pensei que eu tivesse sonhado que você estava aqui – resmungou e virou de lado, cobrindo-se com os dois cobertores da cama.
Deixei minha escova de dentes no criado mudo e me ajoelhei ao seu lado, tal qual na noite anterior. – Você não sonhou. Eu fiquei praticamente a noite toda aqui. Você estava queimando de febre.
- Desculpe por estragar sua festa.
Imediatamente forcei minha presença em sua cama, sendo atendido prontamente. A dor no meu peito latejava. – Eu que devo pedir perdão a você, Bella – sussurrei, acariciando seus cabelos bagunçados. Ela fechou os olhos ao sentir meu toque e continuei a falar. – Você não estragou. Eu que quis vir para cá e quando passei a mão em seu rosto vi que estava quente demais.
- Obrigada, então.
- Olha para mim – pedi. Lentamente, Bella abriu os tristes olhos. – Eu nunca mais vou magoá-la. Prometo. Eu amo você. Para sempre.
Selei minha declaração com um leve beijo em seus lábios.
