Outtake 02: [Bella]

Dois dias depois do rompimento

Eu nunca me senti tão insignificante na minha vida como naquele dia. E quando digo "aquele dia" não me refiro ao dia em que Edward terminou nosso relacionamento e sim dois dias depois, quando cai na real de tudo o que tinha acontecido na minha vida. Minha cabeça e a garganta já estavam doendo; eu não tinha tido vontade de comer por estes dois dias.

Eu tinha percebido que Edward estava um pouco estranho – talvez distante, mas não desconfiei do que ele planejava. Ele era assim: tinha dias bons e dias não tão bons e, em reflexo, seu humor mudava bastante. Eu acho que ele nunca tinha passado tanto tempo comigo sem voltar para a casa dos pais. É claro que eu estava no Céu. Eu o amava e quanto mais tempo ficasse com ele, melhor para mim.

As lágrimas voltaram aos meus olhos quando percebi que não teria mais o meu namorado ao meu lado. Com ele, sentia que minha vida não era uma perda de tempo.

Pelo silêncio ou pela volta do choro – não sei -, meu pai apareceu no meu quarto. Não bateu, apenas entrou e sentou na beirada da minha cama. Imediatamente o cheiro de álcool atingiu minhas narinas.

- Será que você quer conversar? - Felizmente, ele não estava bêbado. Acho que o odor exalava de seus poros, estava encrustrado em sua pele.

Tentei conter o choro e esperei por ele.

- Olha, eu sei que não sou um pai exemplar, mas estou preocupado com você.

- Por que só agora? - minha voz saiu rouca, mas o questionamento era válido, desde que a última conversa séria que tive com meu pai foi quando perguntei sobre Renée em um Dia das Mães qualquer.

- Porque você sempre foi forte, sempre foi o meu alicerce, mas agora você está desmoronando. Se você cair, eu caio junto, entendeu? - ele respirou fundo. - Foi alguém nesta maldita cidade? Alguém magoou você?

Eu não tinha certeza se conseguiria contar meus problemas a Charlie sem perder a sanidade. Tentei, porém. - Edward terminou comigo – me senti até um pouco envergonhada pelo drama. Com certeza, existiam pessoas por aí sofrendo por motivos verdadeiros, mas ele era meu mundo, e eu não poderia viver sem ele.

- Você quer que eu fale com ele. Talvez Edward possa ver que estav-

- Não, pai. Por favor. Ele não me ama mais. Não podemos mudar nada. Se ele quer seguir em frente sozinho ou com outra pessoa, e isso for o melhor para ele, eu não posso interferir, mas dói tanto – voltei a chorar.

- Mas eu estou aqui por você, você sabe, né? Às vezes é muito difícil continuar. Eu posso falar por experiência, mas nós temos que seguir em frente, mesmo que seja se arrastando pelo chão.

Eu sabia que Charlie estava falando dele mesmo, de tudo que passou depois que Renée foi embora. "Por que não me abrir também?", me perguntei.

- Eu não tenho mais motivos para viver. Ele era o único que me fazia sorrir. Agora não há mais pelo que acordar todas as manhãs.