NA HORA DA MINHA MORTE
SUPERNATURAL ALTERNATIVE UNIVERSE
CAPÍTULO 3: O PRIMEIRO DIA
LOCAL: SAN FRANCISCO GENERAL HOSPITAL, ALA GERIÁTRICA
NA TARDE SEGUINTE
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- O quarto do Sr. Winchester está vazio. Então aconteceu? Ele não está mais entre nós.
- Na verdade, .. eu não sei. Ninguém sabe ao certo o que aconteceu com ele.
- Como assim NINGUÉM sabe?
- Na mudança de turno, hoje de manhã, eu e a enfermeira do turno da noite encontramos um pirralho de 16 anos dormindo na cama do Sr. Winchester. E nenhum sinal do Sr. Winchester. Nem no quarto nem em lugar algum do hospital.
- Meus Deus!
- Corremos para chamar o médico e o médico chamou os seguranças para acordarem o garoto. Foi muito estranho. O garoto, de início, mostrou-se confuso e desorientado. Ele parecia não lembrar como chegara ali. Ele olhava para os próprios braços, e para o próprio corpo em geral, como se não estivesse se reconhecendo. Aí, o mais estranho. Ele correu para o banheiro e, quando se olhou no espelho, começou a gritar e a quebrar tudo. Eu me lembro bem das palavras dele. 'CROWLEY, SEU MALDITO, O QUE VOCÊ FEZ COMIGO?'
- E descobriram quem é esse Crowley?
- A polícia ainda está investigando. Os policiais acham que algo que pode ter começado como uma brincadeira de mau gosto de um grupo de adolescentes deu errado e pode, infelizmente, ter custado a vida do Sr. Winchester. Que eles, assustados, podem ter tentado se safar escondendo o corpo. E que um deles, possivelmente bêbado ou drogado, foi deixado ou ficou para trás.
- Que tragédia! Pobre Sr. Winchester! A polícia tem que arrancar a verdade deste marginalzinho que pegaram.
- Aí é que está. Ele enganou os seguranças e fugiu antes mesmo da chegada da polícia.
- Como isso foi possível?
- Como foi possível? Até parece que você não conhece os seguranças deste lugar. Uns bananas.
- Você está sendo injusta. Essa ala do hospital sempre foi tranquila. Eles estão acostumados a lidar com velhinhos. Não com adolescentes. E eles próprios já não são tão jovens.
- O garoto parecia conhecer bem o hospital. Foi direto ao vestiário e arrombou o armário de um dos enfermeiros. Levou roupas e algum dinheiro. Não todo. Uns cinquenta dólares.
- Um ladrãozinho arruaceiro. É nas mãos destes delinquentes que pode estar o Sr. Winchester. Levar daqui alguém tão velho e tão doente. É preciso ser alguém muito mau para fazer algo tão cruel.
- E não foi só isso que ele fez. Antes de sumir, o garoto arrombou o depósito do hospital onde ficam guardados os pertences dos pacientes e roubou alguns pertences do Sr. Winchester. Não muita coisa e nada de muito valor. A bem da verdade, o Sr. Winchester tinha muito poucos pertences. Mas, dentre esses pertences, havia ARMAS e é isso que deve ter atraído a atenção deste, como você muito bem disse, MARGINALZINHO. Ele levou um velho rifle e uma velha pistola. O rifle era um Winchester, veja você. Winchester como ele. Já a pistola era um Colt, segundo me disseram. Eu não saberia reconhecer. Não entendo nada de armas. Também deram por falta de uma faca de caça com lâmina de prata, provavelmente o objeto mais valioso do Sr. Winchester.
- Uma coisa que eu não consigo imaginar é alguém como o Sr. Winchester carregando uma arma.
- Nem eu. Mas, lembro que ele contava umas histórias fantasiosas e, nestas histórias, ele e o irmão eram caçadores que lutavam contra monstros. O diretor teve que pedir que ele parasse de contar essas histórias. Algumas velhinhas não dormiam ou tinham pesadelos à noite.
- O que mais ele levou?
- Você sabe que existe um registro de todos os bens dos pacientes sob a guarda do hospital. Ele levou também um velho caderno de anotações que pertenceu ao pai do Sr. Winchester e um colar de fio trançado com um amuleto medonho que ele usava quando chegou aqui. Eu lembro da dificuldade que foi para convencerem o Sr. Winchester a tirar aquele amuleto do pescoço.
- Então o que resta é rezarmos para que ele volte logo e que esteja bem.
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- Achou mesmo que eu ia deixar você escapar por entre os meus dedos, Dean Winchester? Que eu ia deixar você morrer e seguir para o Paraíso? NUNCA. Eu disse que a sua alma vai ser MINHA. E SERÁ. Se não hoje, daqui dez ou cem anos. Eu tenho a eternidade a meu favor. É como dizem os humanos: 'Enquanto há vida, há esperança'. E você ganhou uma vida inteira para repetir os velhos erros, cometer novos ou cair em tentação.
- Sem falar que estes últimos anos foram terrivelmente entediantes. Senti falta da adrenalina dos nossos encontros. Benvindo de volta, velho inimigo.
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UM NOVO COMEÇO
01.07.2014
