O Plebeu

Capítulo 2

Sasuke

Eu tinha acabado de colocar os livros sobre a mesa quando um braço agarrou o meu pescoço e quase me derrubou no chão.

"Fala, cara! E aí?" Naruto gritou bem no meu ouvido. Os escândalos dele eram tão rotineiros naquele colégio que os estudantes que frequentavam a biblioteca naquele momento nem pareciam notá-lo. Todos já estavam mais do que acostumados com a voz alta e o jeito extravagante daquele idiota.

Infelizmente, eu era um dos desafortunados que já encaravam com normalidade Naruto e a sua constante necessidade de preencher todos os milímetros de qualquer lugar com sons de um milhão de decibéis. Mas isso não significava que eu gostava daquilo. Pelo contrário. Eu tinha vontade de jogar aquele idiota para o outro lado da cidade sempre que ele fazia um escândalo como aquele – o que acontecia quase sempre. E ele sabia o quanto eu detestava aquilo. Talvez só para me irritar.

Irritado, eu me desprendi da gravata que ele me dava. "Quantas vezes eu vou ter que te dizer que eu não sou surdo?" Naquele momento eu realmente desejava que eu fosse.

Ele me ignorou completamente e se sentou em uma das cadeiras que rodeavam a mesa. Merda. Ele não iria embora. "O que você está fazendo sozinho? Reinando o Reino dos Emos?"

"Fugindo das suas asneiras." Em partes, era verdade. Eu tinha ido até a biblioteca para aproveitar o meu tempo livre, estudar e, com sorte, me desviar de Naruto. Pelo visto o meu plano não deu muito certo.

Ele riu e me deu um soco no braço. Ele tinha a intenção de descontrair, mas tudo o que conseguiu foi me irritar ainda mais. De novo, ele ignorou o meu olhar fechado para ele. "Sasuke, nós somos amigos há quanto tempo? Cinco, seis anos?" Eu quase ri. Ele só podia estar de brincadeira se esperava que eu contasse os dias desde que ele se auto-intitulou o meu amigo. "Você já devia ter aprendido que fugir de um cara tão incrível como eu é impossível. Eu sou foda demais – tão foda que eu acho que sou capaz de estar em dois lugares ao mesmo tempo para que várias pessoas possam desfrutar da minha grandiosidade ao mesmo tempo."

Às vezes eu queria que outras pessoas ouvissem esse tipo de besteira que saía da boca daquele idiota. Talvez assim elas vissem o quanto Naruto era imbecil e não o admirassem tanto quanto admiram – eu não fazia ideia por quê.

Eu suspirei. Eu realmente nunca conseguiria escapar dele. "O que você quer?"

"Como assim 'o que eu quero'? Eu não posso conversar com o meu melhor amigo?"

Ele recebeu como resposta um "shh" da bibliotecária, que parecia ser a única pessoa no universo a se sentir tão incomodada quanto eu por Naruto.

"Vá embora, idiota," eu disse por entre os dentes ao me sentar na cadeira. "Estou tentando estudar."

Ele, como sempre, se fez de surdo aos meus protestos. Ele nunca se dava por vencido, especialmente quando se tratava de me incomodar. "Por que você está mais mal humorado do que o normal? Tirou A- ao invés de A+ em Habilidades Domésticas ou outra matéria inútil que você insiste em não deixar um décimo dos pontos escapar?"

"Eu não estou mal humorado." Era mentira. Eu nunca admitiria isso em voz alta, mas Naruto estava certo. Eu estava irritado, mas ele não precisava saber disso. Seria mais um motivo para ele não me deixar em paz. Ele não descansaria até arrancar de mim o motivo da minha irritação porque, segundo ele, eu era um "cara fechado demais e a minha vida seria muito melhor se eu me abrisse um pouco com ele". Eu o ignorava essas sugestões ridículas dele com a mesma eficiência com que ele ignorava os meus pedidos de me deixar sozinho.

Ele me olhou com as sobrancelhas erguidas em descrença. É claro que ele não acreditaria em mim.

Eu suspirei. Eu não gostava de me justificar a ninguém além da minha mãe. Entretanto, eu sentia que Naruto ficaria eternamente ali, esperando uma resposta, e acabaria me atrasando. "Eu só estou tentando estudar. Tenho uma prova semana que vem." Dessa vez era verdade.

Naruto resfolegou e cruzou os braços. "Nada digno de substituir uma pizza da cantina – na hora do intervalo! Por incrível que pareça, o intervalo foi feito para que pessoas normais façam a porra de um intervalo! Guarde bem isso o que vou dizer, porque vai ser a única vez que essas palavras saem da minha boca: você é um cara inteligente. Não precisa molestar um livro a cada oportunidade que tiver."

Mais uma vez, ele estava certo. Aquilo deveria ser um recorde para ele. Eu era inteligente, mas tirar notas máximas não era exatamente uma opção da qual eu podia abrir mão. Eu tinha que ter as melhores notas possíveis, ou perderia a minha bolsa de estudos. "Se não estudar me levará a ficar como você, eu prefiro passar todos os minutos da minha vida nessa biblioteca."

"O que você quer dizer com isso?" Naruto protesta e, quando eu dou de ombros, tenta tirar de mim o livro que eu lia. Eu tentei puxar o livro de volta, mas o Imbecil Mor não me deixa e nós acabamos discutindo em sussurros – ou melhor, eu discutia em sussurros, e Naruto, para variar, não ligara para o seu tom de voz.

Não demorou trinta segundos para sermos expulsos da biblioteca. E depois Naruto não sabia por que eu queria ficar longe dele.

"Eu não consigo acreditar na sua idiotice," eu falei rispidamente enquanto andava para me afastar do imbecil. "Parece que você e Sakura fizeram um curso na mesma Universidade Para Idiotas." Era para ser um resmungo, mas Naruto acabou ouvindo – para a minha infelicidade.

"O que Sakura tem a ver com isso? Ela não é idiota." Ele apareceu do meu lado, como se não estivesse terminando de arruinar a porra do meu dia.

"Não tanto quanto você, mas é."

"Você está falando isso porque soube o que ela fez na festa ontem?"

Eu quase parei de andar. "Não. Eu não ouvi o que ela fez na porra da festa."

"Pois então eu posso te contar –"

"Não quero saber." Ela já foi problema demais para mim. Eu já estava com raiva dela sem esse pedaço de informação. Afinal, pelo estado em que a encontrei, desmaiada do lado de fora da própria casa, não era difícil deduzir o que ela tinha aprontado.

Naruto deu de ombros. "Tudo bem. Você é quem sabe." Milagrosamente ele ficou em silêncio. Mas, também por milagre, eu não queria que ele o fizesse. Droga, por que aquele idiota ficava calado quando não era para estar?

Eu insisti a mim mesmo que eu não queria saber o que ela tinha feito. Não queria saber de fofocas. Se Naruto já tinha notícias das peripécias de Sakura logo na manhã seguinte à festa, ela deve ter feito algo espetacularmente errado. Notícias boas não corriam tão rápido assim.

Entretanto, com o prolongar do silêncio, um incomodo no meu estômago surgiu, e a minha imaginação ganhou vida. Que tipo de merdas ela tinha feito? O que ela bebeu? Os rumores de que ela usava substâncias mais ilícitas do que álcool eram verdadeiras? Como ela chegou em casa? Tinha dirigido naquele estado? Ela mostrou a calcinha para mais alguém, assim como fez comigo? Para quem? Alguém viu algo mais além da calcinha dela?

Eu desejava que a resposta para as minhas perguntas internas fosse "não", mas, no fundo, o "sim" ganhava força.

Eu esperei mais alguns segundos para ver se Naruto falaria por vontade própria. Eu suspirei quando ele novamente foi contra as minhas vontades. "O que foi que ela fez?" eu resmunguei.

Eu me recusava a olhar para ele, mas, mesmo assim, eu podia senti-lo sorrir ao meu lado. "Eu sabia que você queria notícias da Sakura!"

Desgraçado. Eu rolei os olhos e acelerei o meu passo para longe de Naruto. Por que eu fui abrir a porra da minha boca? E por que Naruto sabia que eu perguntaria? Ele não sabia nada sobre mim. Não tinha o direito de falar assim de –

Ele segurou o meu braço e eu resisti ao impulso de dar um soco na cara dele. Eu só não cedi às minhas vontades porque eu acabaria sendo despejado daquele colégio. Uma expulsão do Saint Bernard não faria nada bem para o meu currículo e eu nunca entraria em uma boa universidade.

"Ei, Sasuke, eu só estava brincando!" ele se justificou, mas isso não diminuiu a fúria nos meus olhos. "É sério. Eu sei que você e Sakura foram amigos alguns anos atrás. É natural que você se preocupe com ela –"

"Eu não estou preocupado com ela." Por que as pessoas insistiam nisso? Primeiro Sakura, agora Naruto. "Eu só acho que eu mereço uma porra de explicação depois do que ela fez comigo hoje de manhã."

Naruto franziu o cenho. "O que foi que ela fez?"

Eu considerei não contá-lo, assim como ele fez comigo. Mas não seria a mesma coisa. Ele já tinha feito a pergunta que eu demorei quase um minuto para fazer, sem titubear.

"Foi você quem começou o assunto. Diga você primeiro." Que se foda. Eu já tinha mostrado que estava curioso. Não precisava medir palavras agora.

"Tudo bem. Eu falo primeiro." Foi só quando Naruto me puxou para um canto mais vazio do corredor que eu percebi que nós estávamos parados e interrompendo o fluxo. "Kiba me disse que ela bebeu todas ontem. Ficou muito bêbada mesmo." Merda. Eu tinha me exposto para ele falar o que eu já sabia? "Pelo menos ela não deixou que nenhum filho da puta se aproveitasse dela."

Eu senti um alívio que eu não devia ter sentido. "Você acha que ela usa drogas?"

Naruto me olhou com espanto. "Mas é claro que usa, Sasuke! Você é cego?" Filho da puta. Eu não era cego. Eu só queria que as minhas teorias estivessem erradas. "Já viu quem são os amigos dela? Eles devem ser responsáveis por metade do lucro de tráfico de drogas no país, no mínimo."

Eu engoli em seco. Eu sabia que os "amigos" de Sakura não tinham as melhores famas do colégio. "Por que você não faz nada?" eu perguntei. Ele era amigo dela. Tinha liberdade com ela. Ele podia pelo menos falar o quanto ela estava sendo estúpida, ajudar a enfiar um pouco de juízo naquela cabeça dura. Eu não podia. Ela não conversava comigo e eu não fazia a mínima questão que ela o fizesse – e, mesmo se conversasse, eu não iria me intrometer na vida dela. Nós éramos diferentes demais.

Não que eu me preocupasse com ela. Era problema dela se ela queria se foder.

"Eu já briguei com ela um milhão de vezes por causa disso. Por que acha que ficamos meses ano passado sem nos falarmos?" ele continuou. Agora que ele mencionou, eu me lembrava desse episódio. Eles poucos se falavam, no máximo se cumprimentavam cordialmente. Eu não me importava muito para perguntar por quê. "Ela é teimosa demais. Não escuta ninguém." Disso eu sabia. "Agora é a sua vez de me falar o que foi que ela te fez."

Mais uma vez, eu me arrependi de ter aberto a boca. Meu estômago revirava só de lembrar. "Ela não me fez nada. Eu a encontrei dormindo do lado de fora da casa hoje cedo."

"Caralho... Então ela estava mal mesmo." Naruto coçou a cabeça. Soava genuinamente preocupado com ela. "Ela não era assim antes de a mãe dela se casa de novo. Ela sempre foi muito responsável e certinha. Ela deve estar sofrendo muito para chegar ao fundo do poço e não estar nem aí para isso."

Eu também tinha observado isso – não que eu fosse um profundo pesquisador do comportamento de Sakura. Só era óbvio demais. Como Naruto disse, eu a conheço há anos. A minha família trabalha para a dela desde antes de eu nascer. Em tempos remotos, quando éramos crianças inocentes, Sakura e eu chegamos a ser amigos. Brincamos juntos. Íamos para o colégio juntos. Eu sabia que, antes, ela era tão dedicada aos estudos quanto eu.

Portanto, depois de todos esses anos, era de se esperar que eu notasse a mudança de atitude dela. Foi brusco demais para que qualquer um não notasse. Assim que o pai dela faleceu, a mãe dela se casou com Matsumoto e a partir daí a história degringolou. Sakura passou a ir a festas que não ia antes, andar com pessoas que ela nunca cogitou andar, usar roupas que não usava antes e tornou-se uma celebridade no Saint Bernard.

E parou de conversar comigo. Passou a ignorar a minha existência. Talvez fosse por isso que eu sabia exatamente o momento da mudança.

Xxxx

Eu tinha acabado de fechar a porta do meu carro na pequena garagem reservada à minha família – obviamente, o meu Ford F-150 não poderia ficar ao lado de carros tão luxuosos que somente um deles valia todo o salário da vida dos meus pais – quando tomei um susto ao me virar.

"Puta que pariu," eu exclamei ao me deparar com a filha dos meus patrões parada a um passo de mim. De onde ela tinha surgido? Ela tinha essa estranha habilidade de surgir ao meu redor nos momentos mais inesperados – como agora.

Ela sorriu para mim. Certamente se divertira com o susto que me deu. Eu não poderia dizer o mesmo. Detestava surpresas. "Olá, Sasuke." Ela me cumprimentou como se não tivesse acabado de colocar o meu coração a prova.

Eu suspirei. "O que quer, Karin?" A filha de Matsumoto me importunava tanto desde que eu e os meus pais me mudamos para aquela mansão que era simplesmente impossível tratá-la com a mesma cordialidade que eu era forçado a tratar os pais dela. A minha paciência se perdeu meses atrás, e eu não me esforçava nem um pouco para esconder esse fato dela.

A minha mãe tinha a teoria de que Karin tinha uma certa obsessão por mim. De início, eu descartei essa ideia. Imaginei que aquele fosse o jeito normal da garota e que desapareceria em poucas semanas. Quando meses se passaram e ela continuou a me mandar mensagens aleatórias pelo celular, a me procurar no colégio com um sorriso quase macabro e conversando sobre assuntos que não me interessavam e a me convidar para estudar no seu quarto no meio da noite (entre outras milhares de propostas tão inapropriadas quanto), eu tive que aceitar que a minha mãe estava certa.

Se antes dessa constatação eu a tratava educada e civilizadamente (como o filho de empregados deveria tratar a filha dos patrões), agora eu tentava afastá-la. Eu não podia ser exatamente rude com ela, apesar de ser este o meu desejo em vários momentos, mas podia agir de uma maneira a não alimentar essa obsessão. Eu não respondia as mensagens dela, nem para rejeitá-la. Quando ela me procurava no colégio, eu tentava me livrar dela arranjando desculpas esfarrapadas ou simplesmente fugindo antes que ela me alcançasse. Quando ela me fazia as suas habituais propostas, eu fingia não ouvi-las.

Para o meu azar nada disso funcionou.

O sorriso dela se alargou e ela passou a enrolar uma mexa de cabelo ao redor do dedo. "Uma das lâmpadas do meu banheiro queimou. Você pode trocá-la para mim?"

Eu a encarei por alguns segundos, verificando se ela estava falando sério. Pelo visto estava. "Karin, eu acabei de chegar do colégio e estou cansado." Eu não estava exausto demais para fazer algo tão descomplicado quanto trocar uma lâmpada, mas parecia ser uma desculpa aceitável. "Procure outra pessoa." Aquela mansão necessitava de dezenas de empregados, muitos deles homens. Qualquer um deles estava apto para realizar aquela tarefa.

"Sasuke, eu não permito que qualquer homem entre no meu quarto," ela me respondeu e me acompanhou para fora da garagem, continuando a falar enquanto eu fechava o portão metálico. "Não confio em mais ninguém para entrar em um lugar tão particular quanto o meu quarto."

Eu respirei fundo e apertei o canto dos meus olhos com os dedos. Eu tinha a forte suspeita de que ela não largaria do meu pé enquanto eu não subisse até o quarto dela e trocasse a porra da lâmpada. Karin era insistente demais, mesmo quando eu deixava claro – como agora – que eu não estava nem um pouco a fim de fazer o que quer que ela me pedisse.

Por mais que eu quisesse recusar, eu não podia. Aquilo não era um pedido; era uma ordem, vinda da filha do homem que pagava os salários dos meus pais. Diferentemente das suas outras propostas, aquela era para a execução de uma tarefa doméstica, algo que eu normalmente faria se qualquer outra pessoa me pedisse, e eu não podia recusá-la. Eu não tinha a obrigação de fazê-lo, mas, para o bem dos meus pais, eu precisava. Eu não podia correr o risco de Karin reclamar para o seu pai que o filho da cozinheira e do segurança não quis fazer algo tão simples quanto trocar a merda da lâmpada do seu quarto.

Portanto, eu não tive outra escolha senão resmungar: "Você tem a lâmpada nova?"

"Tenho."

"Me deixe trocar de uniforme primeiro."

O modo como ela sorriu para mim não me deixava dúvidas de que ela guardava outras intenções não tão inocentes. "Ótimo. Estarei te esperando no meu quarto."

Eu me despedi dela sem esconder o meu desânimo e entrei na casa vazia. A minha mãe saía cedo para começar a preparar o jantar do dia, e o meu pai estava na guarita guardando os portões. Joguei a minha mochila na cama e me livrei do uniforme do Saint Bernard para vestir uma calça jeans e uma blusaigualmente comum.

Depois de pegar uma escada no depósito, usei a porta dos fundos da mansão – a mesma em que horas antes eu e Sakura tínhamos passado – para subir até o segundo andar, onde ficava o quarto de Karin. Ele ficava na ala oposta ao do de Sakura. Eu sabia desse pequeno pedaço de informação porque a varanda da garota rebelde ficava exatamente de frente para a minha casa, e era a única que eu conseguia ver da janela do meu quarto. Não tinha mais nenhuma janela ao lado da dela.

Eu bati na porta fechada do quarto de Karin, e três segundos depois ela foi aberta. Assim como eu ela trocara de roupa, mas, eu desconfio, não era algo tão confortável – para não dizer outra coisa – quanto o que eu usava. Ela estava vestida com uma blusa regata apertada e tão curta que eu podia ver o seu umbigo junto com um dos shorts mais curtos que eu já vi na vida.

Eu resisti ao impulso de rolar os olhos. Como ela gostava de exibir o seu corpo na piscina, que ficava próximo a minha casa, há meses eu sabia que ele era espetacular. Ela era bem gostosa. Entretanto, eu não me sentia atraído por esse tipo de garota, algo que ela não parecia compreender.

"Você demorou, Sasuke," ela disse, inclinando-se sobre o umbral da porta. Ela não percebia o quanto estava sendo patética?

"Qual lâmpada quer que eu troque?"

Ela sorriu e apontou para o lustre perto da cama dela. "Aquela ali."

Para o meu alívio ela realmente estava queimada, algo que, no fundo, eu sinceramente não achava que encontraria. Achei que ela tinha inventado uma desculpa esfarrapada para me atrair para o seu quarto. Já tinha feito isso antes.

Eu passei por ela sem dedicá-la um olhar sequer e posicionei a escada debaixo da porra da lâmpada queimada. Karin se deitou na cama de uma maneira que, eu achava, tinha a intenção de ser sensual, para me observar trabalhando, tagarelando sobre coisas que eu nem me dei ao trabalho de fingir que ouvia. Eu nem mesmo prestei atenção na porta do quarto se abrindo.

"Karin, você viu o aquela minha bolsa branca da Gucci que comprei semana passada – o que é isso?"

Eu cambaleei na escada ao ouvir a voz de Sakura. Parei de desconectar a lâmpada queimada do lugar para olhar em direção á voz dela. Ela estava parada, boquiaberta.

"Sakura! Quem te deu permissão para entrar no meu quarto?" Karin exclamou, zangada, e pulou da cama.

Sakura a ignorou completamente. "O que Sasuke está fazendo aqui?"

"O que parece que ele está fazendo, sua idiota?" Eu tinha que concordar com Karin daquela vez. Eu estava em cima de uma escada com uma lâmpada na mão. Não era difícil deduzir o que eu estava fazendo.

Sakura ficou em silêncio, alternando o olhar entre Karin e eu. Aquela era a primeira vez que ela se dignificava a me encarar desde o episódio daquela manhã. Quando passei por ela no refeitório do colégio, ela olhou para as suas mãos, fingindo estar preocupada com as unhas para não me olhar. Que se foda ela. Nada mudaria em minha vida se ela me olhasse ou não. Eu não fazia questão que ela me agradecesse por ter salvado a merda da pele dela naquela manhã. Não mesmo. Eu já estava mais do que acostumado em ser invisível para Sakura Haruno.

Ela engoliu em seco e voltou a fitar Karin. Parecia nervosa, e eu não sabia se era por mim ou pela sua meia-irmã. "Você viu a minha Gucci branca?" Eu não fazia a menor ideia do que ela estava falando. Talvez eu tivesse ouvido que aquilo era uma bolsa, ou algo assim.

Karin resfolegou. "Por que eu deveria ter visto qualquer coisa sua, Sakura? Pergunte a sua mãe. Agora, saia do meu quarto."

Sakura abriu a boca para retrucar, mas logo desistiu da ideia. Ela voltou a me encarar. Ela me olhava com raiva. Eu fingi que aquilo não me incomodava.

Quando ela saiu, em silêncio, senti o meu peito mais leve.

Xxxxx

Sakura

Eu estava fumando um cigarro no banheiro da minha suíte quando ouvi batidas na porta do meu quarto. "Merda," eu praguejei e apaguei a ponta do cigarro no azulejo do chão. Por que as pessoas tinham que me incomodar quando o que eu mais queria era ficar sozinha? "Quem é?" eu berrei para ser ouvida através das portas fechadas do banheiro e do quarto.

"Sou eu, filha!" O berro da minha mãe chegou até mim baixo, mas eu consegui entendê-lo.

Eu praguejei novamente e me levantei do chão do banheiro. Tirei para depois esconder a roupa que vestia e me enrolei em um roupão. Não podia correr o risco de ela cheirar a fumaça no tecido. Joguei o que restava do cigarro na lixeira, prendi o meu cabelo, passei um aromatizante pelo banheiro e uma borrifada de perfume em mim.

"O que quer, mãe?" Geralmente era assim que eu a cumprimentava quando ela me procurava. A minha paciência para conversar com ela ultimamente não era lá das maiores, especialmente agora que a nicotina começava a relaxar o meu corpo.

"Eu só queria saber que vestido você usará no jantar de Matsumoto hoje," ela disse e tentou averiguar o meu quarto por cima do meu ombro. Eu não iria cometer o mesmo erro da última vez, em que eu a deixei entrar e ela ficou conversando sobre assuntos irritantes.

Eu não fazia de que jantar ela estava falando, mas, independente disso, a minha resposta sempre seria: "Não."

A minha mãe suspirou. "Sakura, por favor. Não faça isso comigo. Tem que ir para o jantar."

"Eu não quero ir, e não vou. Tenho mais o que fazer."

"O que você tem que fazer em plena quarta-feira à noite?"

"Dormir. E ficar longe de Karin e Matsumoto." Qualquer coisa era melhor do que aguentar a minha queria meia-irmã e o seu ainda mais querido pai.

"Filha, nós precisamos muito que você vá essa noite," ela implorou, fazendo aquela cara de quase-choro que em outros tempos conseguia atingir o meu coração de manteiga. Não mais. "Matsumoto conseguiu fechar um negócio muito importante para a empresa. Seria ótimo se você saísse com a gente para comemorar –"

"Eu não comemoro a felicidade do seu marido," eu respondi friamente. "Se não tiver mais alguma coisa inútil para me dizer, eu preciso tomar um banho."

A minha mãe balançou a cabeça em reprovação. Era algo com o qual eu estava acostumada. Nada do que eu fazia ultimamente conseguia agradá-la – e em muitas das vezes era esse o meu objetivo. Irritá-la.

"Eu precisava conversar com você também sobre o seu terapeuta." A minha cara já fechada se fechou ainda mais e eu cogitei bater a porta na cara da minha mãe. Como ela queria que nós nos reaproximássemos se tudo o que ela falava comigo era assuntos que eu não gostava de conversar? "Ele me disse que você não tem ido às consultas."

De dentes cerrados, eu engoli em seco, apertando a madeira da porta entre os meus dedos. "Eu não preciso dele."

"Eu acho que precisa, filha." Ela tentou pegar a minha mão, mas eu a afastei. "Filha, é saudável para você que converse com alguém sobre as suas aflições. O que eu mais queria no mundo era que eu fosse essa pessoa, mas como você se recusa a falar comigo –" Eu resfolguei. "—eu acho que o terapeuta seria uma boa opção para você. Você sabe disso."

"Eu não preciso dele," eu respondi, curta. Não que fosse da conta dela.

"Eu achei que você gostava dele."

"Eu gosto, mas não preciso dele. Boa noite, mãe."

"Espere!" Ela colocou a mão na porta para me impedir de fechá-la. "Sakura, por favor. Vamos ao jantar. Eu... eu tenho saudades de você, filha. Tenho saudades de te ter do meu lado."

Eu também tenho. "Boa noite." E, dessa vez, eu consegui fechar a porta.

A minha mãe – e o restante dos habitantes daquela casa – tinha o dom de me irritar em questão de segundos. Eu estava bem, fumando o meu cigarro, tentando tirar as minhas preocupações da mente. Por que ela tinha que arruinar a minha noite?

Ela já devia saber que eu me recusaria a sair com eles. Era o que eu sempre fazia. Raramente eu saía para qualquer lugar com eles. Por que agora seria diferente? Eu não era maluca de me submeter a essa tortura de passar mais tempo do que o necessário com Matsumoto e a sua filha.

Eu estava prestes a voltar para o banheiro e retomar as minhas atividades – ilícitas, diga-se de passagem – quando outras batidas quebraram o silêncio do meu quarto.

Eu rolei os olhos e, dessa vez, nem me preocupei em abrir a porta. Não ia dar outra oportunidade para a minha mãe para conversar sobre coisas desagradáveis. "Estou indo tomar banho, mãe!"

"Sakura! Você pegou o meu Jimmy Choo vermelho?" Karin gritou. De longe eu já podia perceber que ela estava nervosa.

Eu sorri para mim mesma, satisfeita com a irritação dela. É claro que eu peguei. Estava escondido nas profundezas do meu armário. "É claro que não. Por que eu teria alguma coisa sua?" Eu adorava usar as palavras dela contra si mesma.

Ela continuou a gritar do outro lado, insistindo que eu tivesse pegado a porra dos sapatos – o que eu realmente tinha feito – mas eu decidi ignorá-la. Não iria deixar que ela estragasse o que me restava de paz.

Continuei a fumar dentro do banheiro – fingindo não ouvir o grito da minha mãe, implorando pela última vez que eu reconsiderasse sair junto com eles – até ter a impressão de ouvir os portões da mansão se fechando.

Eu corri de volta para dentro do quarto, procurando o meu celular, e quando o encontrei debaixo da minha cama disquei o número da guarita da entrada da casa.

Foi o pai de Sasuke quem atendeu. Eu fechei os olhos para reunir coragem. Ao contrário da sua esposa, Fugaku Uchiha não era a pessoa mais sociável e conversadeira do planeta – e isso eu sei que Sasuke herdou dele. Durante os quase dez anos que a família dele trabalhou para a minha, eu podia contar nos dedos o número de palavras que nós trocamos, e todas elas foram estritamente profissionais.

Não que eu fizesse questão de ser amigável com ele, como eu gostava de ser com o restante dos empregados. Eu não tinha vergonha de admitir que tinha medo de Fugaku Uchiha desde pequena. Ele talvez fosse a primeira pessoa que conseguiu a façanha de me intimidar.

"Hum, Sr. Uchiha?" eu perguntei, mesmo tendo a mais absoluta certeza de que era ele do outro lado da linha. Nenhum outro funcionário atendia ao telefone com um curto e grosso "Pronto".

Ele fez uma pausa. Talvez estivesse tentando adivinhar quem ousava incomodá-lo. "Sim?" Ele queria parecer solícito, mas eu sabia que ele não tinha a mínima disposição para lidar comigo ou Karin. Ele só era minimamente cordial com a minha mãe e Matsumoto.

"Eu, hum... queria saber se a minha mãe, Matsumoto e Karin passaram por aí alguns instantes atrás." Assim como com o seu filho, eu não conseguia esconder o nervosismo da minha voz quando conversava com ele.

Ele hesitou novamente. "Sim."

"Ótimo. Obrigada." Eu soltei um suspiro de alívio ao desligar o telefone. Acho que uma gota de suor escorreu pelas minhas costas durante os quase dez segundos que a conversa durou.

Joguei o celular de volta para cama – de onde ele pulou e caiu no chão novamente –, peguei o meu maço de cigarros do banheiro e o carreguei para a varanda do meu quarto.

Não havia nada melhor nesse mundo do que fumar um cigarro sozinho no silêncio, ao ar livre, em uma noite fresca. Sentei-me no chão frio e dei uma tragada. Eu podia praticamente sentir todas as minhas células se desmancharem em relaxamento. Aquilo para mim era melhor do que qualquer bebida ou droga para me acalmar. Se tivesse a casa só para mim e se a minha mãe me atirasse na lareira acesa se me visse com o cigarro, eu faria aquele ritual todos os dias da minha vida.

Com os olhos fechados e cabeça escorada na mureta, eu tomei um susto ao ouvir passos muito perto de onde eu estava. Imediatamente eu arregalei os olhos e, sem pensar, joguei o pouco que restava do cigarro para fora da varanda, sem fazer a menor ideia de onde tinha caído.

Merda. Não era possível que a minha mãe e a sua trupe já estivessem voltado. Pelos meus cálculos – e eles raramente falhavam – eles deveriam ficar fora por pelo menos uma hora e meia. O trajeto da minha casa até o centro durava quase meia hora, e se a minha mãe estivesse no carro, um pouco mais do que isso. Desde o acidente que matou o meu pai ela se tornou a Sra. Precavida-No-Trânsito e tinha chiliques toda vez que o velocímetro apontava meio milímetro acima do limite de velocidade.

Meia hora para ir, meia hora para voltar, mais ao menos outra meia hora para jantarem – se fossem rápidos. Olhei para o meu relógio. Nem dez minutos se passaram desde que liguei para o Sr. Uchiha para confirmarem que eles tinham saído. Talvez alguém esqueceu alguma coisa? Eu podia apostar que era Karin. Afinal, era especialidade dela incomodar quem quer que fosse a qualquer momento do dia.

Mas eu não ouvi os sons dos portões se abrindo – e o meu ouvido era muito bom, especialmente para essas coisas que podiam salvar a minha vida.

Após ser interrompida pela segunda vez em menos de vinte minutos eu me levantei do chão com rapidez, como se a minha velocidade fosse iludir a minha possível testemunha de que eu não estava fazendo nada de errado.

Quando olhei para fora da varanda, para o andar de baixo, no gramado, vi Sasuke perto da piscina. Ele estava carregando aquela grande haste com uma cesta na ponta cujo nome eu não sabia mas que, eu deduzia, servia para limpar a água da piscina. Devia estar vindo do depósito de produtos de limpeza, e foram os seus passos que ouvi.

Eu fiquei congelada olhando para ele. Ele também interrompeu a sua caminhada, ainda segurando o limpador. Luzes que iluminavam a piscina refletiam na água e voltavam para o rosto dele, fazendo com que linhas ondulantes dançassem naquele pele branca.

Eu vi os olhos dele se deslocarem brevemente dos meus para o local diretamente abaixo da minha varanda. Ele balançou a cabeça e, sem voltar a me olhar, dirigiu-se para a piscina. Deve ter visto a ponta do meu cigarro jogada por ali.

Ainda paralisada – e eu não sabia por que – eu o observei trabalhar, passando a cesta pela água na piscina. A memória de alguns dias atrás, quando eu o encontrei no quarto de Karin, veio à minha cabeça.

Vê-lo no quarto de Karin foi um dos maiores sustos que tomei na minha vida. Eu sabia que ela tinha uma paixonite por ele, já que não fazia a menor questão de escondê-la. Era óbvio pela maneira como ela o olhava e como mudava completamente de atitude quando conversava com ele. Até descobrir esse lado dela, eu não sabia que ela podia ficar ainda mais ridícula do que o usual.

Portanto, considerando as tentativas de sedução dela, eu fiquei realmente surpresa em vê-lo no quarto dela. Que eu saiba aquela deveria ser a primeira vez. Por um instante, assim que me deparei com ele, eu quase não vi a escada onde ele tinha subido e reparei muito menos no porquê de ela estar ali. Eu não vi as lâmpadas nas mãos dele, mas o vi perto da cama onde Karin se deitava sobre os seus cotovelos usando um short minúsculo.

E, sinceramente, a cena fez o meu estômago se revirar e eu tive que me controlar para não chutar aquela maldita escada para fazer Sasuke cair, se machucar e ser obrigado a sair dali – além de, é claro, querer arrastar Karin pelos cabelos e jogá-la da varanda do quarto dela.

Porque eu senti essas coisas e porque eu não as fiz ainda eram um mistério para mim. Mas eu não dediquei muito do meu tempo para solucioná-lo. Não podia gastar muito tempo pensando em Sasuke, muito menos em Karin. Eu não me importava se Sasuke tinha cedido à Karin. Não, nem um pouco. Eu não queria ter nada a ver com a vida de nenhum dos dois.

"Eu deveria contar a sua mãe que anda fumando no seu quarto," a voz dele me trouxe de volta dos meus devaneios.

Eu balancei a cabeça. "O quê?" eu tive que perguntar. Não sabia se eu tinha imaginado que Sasuke estava conversado comigo – e ameaçando me dedurar para a minha mãe. Era a primeira vez desde que ele me ajudou a entrar em casa – episódio esse que eu prefiro apagar para sempre da minha memória já danificada daquele dia.

Ele suspirou e passou a mão pelo cabelo preto. Eu quase inclinei a cabeça para o lado para admirá-lo. "Se a sua mãe me perguntar se sei do que você está aprontando, não espere que eu minta por você."

Ele estava mesmo me ameaçando. Idiota. Quem ele pensava que era?

"Por que a minha mãe te perguntaria algo do tipo?" eu o desafiei, cruzando os braços.

Ele deu de ombros. "Não sei e não me importo. Só estou dizendo que não vou mentir caso ela pergunte."

"Eu não estou pedindo que minta."

"E também não vou omitir."

Eu ri em incredulidade. "O que te faz achar que ela acreditaria em você?"

"Nós dois sabemos que ela iria," foi o que ele respondeu, observando o seu trabalho na água.

Eu empinei o nariz, mesmo que ele não estivesse olhando para mim. "Pois diga. Nada te impede. Por que não vá correndo contar para ela agora mesmo?"

"Porque eu não estou a fim. E ela não está aqui."

"Então vá, Sasuke. Diga para ela. Eu não dou a mínima para o que você faz ou diz."

"Eu já sei disso." Os meus ouvidos eram tão bons que eu pude ouvir o resmungo dele de onde eu estava.

"O que foi que você disse?" eu perguntei com a testa enrugada em confusão e apoiei as minhas mãos na mureta, ficando um passo mais perto dele.

Ele suspirou de novo e, dessa vez, me encarou. "Eu não disse nada, Sakura."

"Você disse sim. O que foi?"

"Eu já disse que não falei porra nenhuma!"

"Seja homem e diga na minha cara o que foi que disse!" Eu sabia que a minha voz estava beirando ao grito, e que as minhas mãos agarravam a mureta com tanta força que os nós dos meus dedos estavam brancos.

Nós nos fitamos pelo que pareceu ser uma eternidade. Eu estava furiosa com ele, tanto pela sua ameaça quanto por ousar mentir para mim na minha cara ao dizer que não falou nada. Eu não era surda. Sei o que ouvi.

Ele, ao contrário de mim, estava contido como sempre. Não pareceu se irritar com a minha irritação – o que só alimentou a minha raiva. Merda! Era eu quem tinha que manter a compostura ali, não era? Um minuto atrás eu não dizia a mim mesma que pouco me lixava com Sasuke? Por que ele me incomodava tanto?

"Quer que eu seja um homem?" ele me perguntou, calmo. Era uma pergunta retórica, mas eu queria responder simplesmente para não dá-lo o gosto de achar que ele estava ganhando aquela discussão. Eu me esforçaria para ter uma resposta para tudo o que ele dissesse. "Primeiro seja uma mulher e haja como uma."

Eu franzi o meu cenho ainda mais. "De que porra você está falando? Está dizendo isso por causa do outro dia?" Eu não precisava mencionar que dia era esse. Podia apostar que ele sabia exatamente do que eu falava. "Está dizendo que eu sou menos mulher por ter bebido um pouco além da conta?"

"Talvez."

Eu soltei um arfar de indignação. "O que está dizendo, Uchiha? Que mulheres não podem beber? É isso? Mulheres não podem beber, mas homens podem? É feio uma mulher encher a cara, mas um homem não?"

"Não." Por que ele continuava tão calmo enquanto eu estava a ponto de saltar do segundo andar para afogá-lo na piscina. "Homens e mulheres dignos não chegam no estado que você chegou."

"Quem você acha que é para dizer o que é digno ou não?" eu disparei.

Ele deu de ombros novamente. Meu Deus, eu ia matá-lo! "Ninguém. Você perguntou o que eu disse, e foi isso. Faça o que quiser com as minhas palavras. Estou pouco me fodendo."

"Eu também estou pouco me fodendo para as suas palavras, Uchiha – que, por sinal, não foram essas!"

Ele ergueu uma sobrancelha. "Se você sabia o que eu disse, por que fez essa cena toda?"

"Não é da sua conta!" eu gritei. Eu nem sabia se estava fazendo sentido ou não. Só sabia que estava furiosa. "Não é da sua conta se eu bebo, não é da porra da sua conta se eu fumo e não é da sua conta o que eu faço da minha vida!"

"Eu nunca disse que era. Foi você quem quis saber o que eu disse."

"Foi você quem disse que iria contar para minha mãe coisas que não são da sua conta!"

Eu não achava que fosse possível ele me deixar mais irada, mas ele conseguiu essa façanha. Ele sorriu para mim. Ele sorriu para mim aquele sorriso cínico como se ele tivesse ganhado essa merda de discussão.

"Tudo bem, Alteza. Faça o que bem entender," ele disse e, sem esperar resposta, virou as costas para mim e resumiu o seu trabalho.

Eu estava tão enfurecida que nem me preocupei em forçar uma resposta para cima dele. O máximo que fiz foi entrar de volta no quarto, fechar a porta da varanda com força – acho que a casa toda estremeceu – e voei na cama. Dei um grito estrangulado pelo travesseiro na esperança de que a minha raiva diminuísse.

Maldito Sasuke.

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A.N.: E então, o que acharam?

Primeiramente, eu gostaria de agradecer imensamente a todos que comentaram no primeiro capítulo. Muito obrigada pelas críticas boas e as ruins. Obrigada àqueles que decidiram continuar comigo apesar das mudanças! Espero que eu possa voltar a agradá-los. Vocês são muito importantes para mim e, acreditem, eu considero absolutamente tudo o que vocês falam nas reviews. Apesar de não responder, leio todas com muito carinho e cada opinião conta – e muito – para mim. Espero que um dia eu possa corresponder à expectativa de vocês.

Segundo, eu gostaria de pedir, mais do que nunca, que vocês comentassem a história. Não é para aumentar a minha contagem de reviews ou algo assim (nunca escrevi para isso), mas simplesmente porque eu preciso saber o que vocês estão achando para poder corrigir as minhas falhas. Gostaram de alguma coisa? Acham que devo mudar algo? O que esperam da história? Tem alguma sugestão?

São esses comentários que me fazem crescer como escritora, e eu espero crescer com vocês e com a ajuda de vocês.

Mais uma vez MUITO OBRIGADA!