Ta aqui Christye, mais um.
Oi Giulia, bem vinda, são só 4 capítulos.
É mesmo Barbara, tbm amo esse personagens.
Obrigada meninas
Edward encontrou-a adormecida. Colocou os comprimidos e a faixa sobre a mesa-de-cabeceira e apagou a luz. Tocou-a novamente na testa e suspirou de alívio ao constatar a ausência de febre. Observou-a por um momento. Com os olhos fechados, Bella parecia ainda mais bonita.
Bella acordou no meio da noite e viu Edward de pé a seu lado, com o torso nu. Pestanejou.
— Não tenha medo — ele murmurou. — Ouvi-a chorar. Está sentindo dor?
Bella demorou a-responder. Estivera chorando? Se assim fosse, não seria a primeira vez.
— Vou lhe dar um analgésico.
Bella sentou-se na cama enquanto Edward pegava um copo de água no banheiro. Tomou o remédio e agradeceu.
— Desculpe se o acordei.
— Não estava dormindo. — Ele pegou o copo. — Posso examinar sua perna?
O tom formal contrastava com a intimidade da situação. Bella deu permissão. Edward ergueu o lençol apenas o sufi ciente para descobrir a perna.
— O comprimido a aliviará por enquanto, mas amanhã teremos de drenar o líquido que se formou.
— Que sorte a minha!
— Prometo que não doera muito.
— Como sabe? Já passou por isso?
— Não, mas já cuidei de casos parecidos.
— A perspectiva é diferente, não acha?
— Talvez.
Bella sabia que a experiência não era das mais agradáveis. Não era a primeira vez que machucava o joelho.
— Henry está bem? — perguntou.
— Acho que sim. Dei-lhe um bom jantar.
Bella sentiu-se culpada. Deveria ter cuidado de Henry em vez de entregá-lo a Edward. Estava confiando demais naquele quase desconhecido. Aliás, estava completamente à mercê dele naquele momento.
Edward, porém, estava olhando para Bella com a experiência . adquirida pela profissão. A jovem estava pálida. Era o reflexo da má alimentação. Segurou-a pelo braço e mediu a pulsação.
Bella não fez objeção. O interesse de Edward era o de um médico. Não a via como uma mulher, como ela o via como homem. Aliás, a atração que estava sentindo por ele era tão poderosa que chocou-a.
— Seu pulso está acelerado — Edward comentou por fim.
— Isso é normal em mim — Bella mentiu, corada.
— Deveria fazer um check-up — ele aconselhou.
— Não creio que seja necessário.
Edward deu um sorriso.
— Não comigo e não agora. E se não precisa mais de mim, vou desaparecer.
— Boa noite.
Edward dirigiu-se à porta. Antes de sair, estendeu o braço para o interruptor.
— Deixo a luz acesa ou apagada?
— Apagada. Obrigada, doutor.
Não era muito. Ela não tinha o costume de agradecer. Mas, daquela vez, o gesto foi sincero. Estava dando muito trabalho a Edward. Ele devia estar contando as horas para o amanhecer e para se ver livre dos problemas que ela lhe trouxera.
Sob o efeito do analgésico, Bella adormeceu profundamente. Na maciez daquela cama e dos lençóis perfumados, poderia ficar ali por dias.
Em vez disso, foi acordada por uma batida à porta. Ignorou-a. Após outras duas batidas, ouviu-a sendo aberta.
—Está acordada?
— Não — resmungou e cobriu o rosto com o travesseiro.
Edward abriu as cortinas e se colocou ao lado da cama.
— Como está se sentindo hoje?
Horrível, Bella pensou. Ao contrário de Edward que exibia uma calça e uma camisa limpas e os cabelos úmidos do banho.
—Bem —- respondeu, mas ao se mover e tentar se levantar, um esgar de dor surgiu em seu rosto.
—Não parece — Edward murmurou e levantou o lençol para examinar o joelho.
Bella apressou-se a ajeitar a camiseta para esconder, ao menos, a calcinha.
— Precisamos radiografá-lo antes de mais nada.
Bella refletiu sobre o uso do plural. A essa altura, pensava que Edward já estivesse a caminho da Escócia.
— Posso tomar um banho antes?
— Claro que sim.
Ele estendeu a mão, mas Bella preferiu tentar se levantar sozinha. Se Edward não a segurasse, teria caído. Entreolharam-se. Em silêncio, Edward sustentou-a pelo braço e a levou até o banheiro.
— Será melhor um banho de imersão.
— Acho que sim.
Ela esperava que Edward a deixasse à porta. Em vez disso, ele tampou o ralo e abriu as torneiras.
— Como gosta?
— Quente.
— Consegue entrar na banheira sozinha?
— Sim, obrigada.
Edward deixou-a. Bella ficou olhando a porta se fechar. Não havia necessidade de trancá-la. A falta de interesse de Edward era tão óbvia que chegava a ofender. Mas também era compreensível. Em outros tempos, talvez fosse diferente, quando seus cabelos eram longos e a pele saudável.
Teve alguma dificuldade para entrar no banho, mas valeu a pena. Por cinco minutos, entregou-se ao prazer da sensação. Depois esfregou-se até que seu corpo adquiriu um tom rosado.
Saiu do banheiro enrolada em uma toalha, certa de que Edward estaria na sala. Em vez disso, ele estava esperando-a no quarto, sentado em uma poltrona.
Olhou-a por um instante. Em seguida virou-se para a janela.
Bella apanhou uma calcinha e uma camiseta coral em sua mochila e vestiu-as.
— Daria para você enfaixar meu joelho? — Bella pediu.
— Claro. Sente-se. — Ele providenciou o curativo. — Não ficou muito bom.
— Está ótimo.
Edward fitou-a.
— Você é uma paciente admirável. Não se queixa. Há quanto tempo está desabrigada?
Ela entendeu a que Edward se referia. Ao fato de a vida pelas ruas tê-la endurecido.
— Três meses.
— Tanto assim?
— Faria ainda mais tempo se eu não tivesse voltado para casa da primeira vez que o dinheiro acabou.
— Então você tem uma casa para onde ir.
Edward entendeu o silêncio de Bella como uma afirmação e continuou:
— Por que não volta? Não pode ser pior do que a vida que tem levado.
— Você não sabe do que está falando!
Subitamente zangada, Bella vestiu o jeans sem se importar com a presença de Edward.
— Por que não me conta? — ele pediu após um minuto.
— Por que não usa sua imaginação?
Bella guardou a roupa suja na mochila, fechou-a e em seguida pegou o estojo com a flauta. Encaminhou-se para a porta com relativa firmeza por causa da faixa. Edward seguiu-a, pegou a mochila e colocou-a no chão.
— Não conseguirá andar cem metros desse jeito.
— Isso importa a você? — Edward murmurou.
— Não — ele respondeu. — Mas seria uma tolice ir embora de estômago vazio quando a diária inclui o café da manhã.
O orgulho de Bella tentou discutir com a fome. Perdeu.
—Está bem.
Edward percebeu que Bella se comportava como se estivesse fazendo uma concessão a ele. Quase sorriu.
—Depois vou levá-la a um hospital.
A caminho do hospital, Edward não resistiu à curiosidade.
— Que tipo de emprego gostaria de arrumar?
— Francamente não sei, doutor. Não creio que teria muita chance sem referências e sem um endereço fixo.
— Eu não disse que seria fácil. Por que não tenta pelo menos? Eu lhe compraria uma roupa mais convencional e...
— Não, obrigada. Não é nada pessoal, mas não gosto de ser objeto de caridade. Ontem à noite foi o bastante.
— Por falar nisso, onde pretende dormir esta noite?
— Ainda não pensei a respeito.
— Não está preocupada?
Ela encolheu os ombros.
— Encontrarei um lugar.
Diante do hospital, Edward desceu do carro e abriu a porta.
— Ficarei esperando aqui.
— Pensei que fosse seguir viagem.
—E Henry? Achou que eu o abandonaria amarrado a um poste?
—Desculpe — Bella murmurou, envergonhada.
—Procure a irmã Sullivan.
—Irmã Sullivan?
—Trabalhei com ela uma época.
Bella se dirigiu à recepção e perguntou pela freira. A funcionária encarou-a em silêncio por um instante. Depois pediu que preenchesse um formulário e aguardasse.
Cinco minutos depois, uma mulher de cerca de trinta anos chamou-a.
—É a amiga de Edward?
—Mais ou menos — Bella respondeu. — Ele me instruiu para que a procurasse.
—Queira me seguir, por favor.
Deram-lhe um avental e pediram que se despisse. Em seguida levaram-na para a sala de radiografia. Quando re tornou, Edward estava sentado no posto de enfermagem com a irmã Sullivan. Ambos riam. Bella sentiu-se incomodada com a visão enquanto era levada para um cubículo onde seria atendida por um dos médicos de plantão.
Edward a procurou somente depois que o médico trouxe a radiografia para ser examinada.
—Por que não me avisou que já havia machucado o joelho anteriormente?
—Você não perguntou.
Edward ignorou a atitude desafiadora e continuou a conversar com o outro médico.
— Alguma chance de interná-la para exames generalizados?
— Não creio que tenhamos vagas, mas darei uma olhada.
— Não quero ficar! — Bella protestou.
— Veremos — Edward respondeu quando o outro saiu. — Agora me diga quando e como machucou o joelho pela primeira vez.
— Há um ano. Caí de uma escada.
— Está se tornando um hábito ao que parece. Quem a estava perseguindo daquela vez?
— Ninguém — Bella mentiu.
— Precisa cuidar desse joelho.
— Não quero ficar internada!
— De que outra forma pretende fazer repouso? Mancando pelas ruas?
— Pensa que sou uma tola, não?
— Não, apenas muito jovem.
Havia preocupação genuína nos olhos de Edward. Dessa vez, ela não se atreveu a responder. Sabia que era jovem. Apenas não se sentia mais assim.
— Não tem nem sequer dezoito anos, tem?
— Farei aniversário em breve.
Não houve tempo para continuarem a conversa, pois o médico voltou acompanhado por uma enfermeira que o assistiria no tratamento.
Feita a infiltração e o curativo, a enfermeira ofereceu-se para ajudá-la a se vestir. E antes que Bella respondesse, viu-se com os seios à mostra diante de Edward. Cruzou os braços e ele se apressou a sair. Um segundo depois, antes que vestisse sua camiseta, a irmã Sullivan surgiu e avisou que já estava sendo providenciado um leito para ela.
— Não, obrigada. Tenho certeza de que consigo andar.
— O dr. Walker quer verificar seu estado geral.
— A senhora está se referindo ao dr. Cullen, é claro. Ele está ansioso para transferir seu problema a outra pessoa.
A freira pestanejou.
— Absolutamente. Ele está interessado em ajudá-la. De veria seguir seu conselho.
Bella negou com um movimento de cabeça.
— Não posso. Tenho um compromisso. Poderia me ajudar a vestir o jeans, por favor?
A enfermeira ignorou o pedido.
—O médico decidirá, está bem?
Bella ficou sozinha por um instante. Do lado de fora, ouviu vozes. Entre elas, a da freira e a de Edward.
— Quem é essa garota exatamente?
— Ninguém. Eu a recolhi das ruas.
Bella estava tentando vestir o jeans quando ele entrou.
— O que está fazendo?
— Quero sair deste lugar!
— Não se atreva! Está magra e pálida. Precisamos ter certeza de que não há nada de errado com sua saúde.
— E o que acontece quando se é ninguém!
— Você ouviu minha conversa com Mary Sullivan.
Zangada, Bella sentou-se outra vez e continuou se esforçando para vestir a calça que se recusava a passar pela faixa ao redor do joelho.
— Permita que eles façam ao menos um exame de sangue — Edward aconselhou. — No mínimo, você está anêmica.
— Não me importo. Quero ir embora.
Bella conseguiu se levantar, mas Edward barrou-lhe a passagem.
—Com uma condição.
Sua vontade era empurrá-lo, mas estava exausta.
— Qual?
— Recusa-se a ficar no hospital e não está em condições de se cuidar. Portanto, ou irá comigo para a Escócia ou terá de voltar para casa.
— O quê? Ainda quer se casar comigo?
Edward hesitou antes de negar com um movimento de cabeça.
— Acho que aquela foi uma das ideias mais insanas que já tive. Mas não vejo problema em cuidar de você por algumas semanas até que se recupere.
Caridade, em outras palavras.
—Irei para casa.
A expressão de Edward era de alívio ao ajudá-la a descer da maca. Era óbvio que lhe fizera aquela proposta por um senso de dever. Ele não a queria realmente. Ninguém a queria. Exceto Phill.
Seu último dia em casa passou-lhe pela mente. Em seu entusiasmo, Phill não ouvira a porta da cozinha sendo aberta e não vira o rosto da esposa antes que dissesse:
— Como pôde?
O detalhe foi que sua mãe estava se dirigindo a ela, não ao marido. A dor fora insuportável. Nunca mais voltaria para casa. Dissera isso apenas para tranquilizar Edward.
— Não quero voltar para casa! — Bella repetiu pela terceira vez. — Por que não me escuta?
— Porque há dez minutos, você optou por isso. Era mentira, não?
— Era — Bella admitiu. Não imaginara que Edward fosse levá-la de carro, mas deixá-la na estação.
— Bem, só nos resta a Escócia.
— De jeito nenhum! — Ela abriu a porta com o carro em movimento.
—Faça isso e acabará sem sua mochila e sem seu cachorro.
Bella tornou a fechar a porta.
— Por que está se dando a esse trabalho? Não sou nada para você.
— Digamos que sou um sujeito obstinado. Então? Escócia ou sua casa?
— Nenhuma das duas.
Esgotada a paciência, Edward brecou o carro e apanhou a mochila no banco de trás. Sem dizer nada, esvaziou-a sobre o colo de Bella e pegou o passaporte e a certidão de nascimento.
— Seu pai é médico? — perguntou, surpreso.
— Era. Ele morreu.
— E sua mãe é modelo?
— Foi.
— O sotaque das ruas era para dar mais realismo?
Bella encolheu os ombros.
— Você não é pobre nem ignorante — Edward continuou. — Sua família reside em endereço nobre. Ou residia. Por acaso se mudaram? Bella não respondeu.
— Willow Trees, Steeple Hartdean. Fica perto de Royston, em Hertfordshire.
Edward tornou a ligar o carro e a seguir. O silêncio es tendeu-se por quase uma hora.
— Você está perdendo seu tempo — Bella disse por fim.
— A que está se referindo?
— Meu pai morreu. Minha mãe casou-se de novo. Nós nos mudamos.
Edward não devia ter acreditado, pois continuou em frente.
— O que foi mais traumático, a mudança ou o padrasto?
— Nenhuma das alternativas. Nós nos mudamos para um palácio e meu padrasto era um príncipe.
O que era quase verdade. Phill era muito rico e a nova casa, uma mansão. Nunca lhe faltara nada na parte material.
— Ok. Vou levá-la a esse palácio. Preciso apenas do endereço.
Silêncio.
— Eu a levarei de uma maneira ou de outra. Se não facilitar meu trabalho, serei obrigado a investigar o local de seu nascimento e fazer indagações.
Edward era esperto. Precisava encontrar um meio de vencê-lo.
— Se não me ajudar, direi às pessoas que você está sofrendo de amnésia e que o velho endereço é o único que consta em seus documentos.
Bella fitou-o de esguelha. Era evidente que não estava brincando.
— Vá em frente. — Resolveu blefar.
O problema era que Edward não estava blefando. Estavam se aproximando rapidamente de Royston. E embora tivessem se mudado após a morte de seu pai, a mansão ficava no mesmo bairro.
Estavam perto de sua casa quando Edward parou em um posto de gasolina e consultou o mapa que tirou do porta-luvas.
— Já resolveu se me dará o endereço ou se me obrigará a seguir pelo caminho da amnésia?
Bella suspirou. Não havia tempo a perder. Devia ser meio dia. Para conseguir uma carona de volta a Londres, precisaria estar claro.
Apontou para o mapa e seu estômago deu uma reviravolta.
—A casa é outra, mas o bairro é o mesmo. Steeple Hartdean.
—Que tipo de recepção está esperando? — Edward perguntou, como se lesse sua mente, mais uma vez.
— Não creio que estejam ansiosos por me ver.
A resposta não o surpreendeu.
— Há quanto tempo foi embora?
— Desde a Páscoa.
— Quer me contar o motivo?
— Não.
Ele não queria saber realmente. Escolhera aquela jovem no metro para resolver seu problema, não para se envolver com os dela.
— Vou comprar uns sanduíches e abastecer o carro. Quer algo?
— Cigarros? — Bella arriscou.
— Eu me referi a algo de comer. Cigarro faz mal à saúde. Nunca ouviu falar?
Bella franziu o cenho. Por que Edward insistia em tratá-la como se fosse seu pai? Ele não era velho. Ao contrário!
—Todos os médicos que conheço fumam. Meu pai fumava.
Phill também fumava. Ao descobrir que ela havia experimentado um cigarro, em vez de se escandalizar, passou a lhe oferecer os dele.
— Não entendo como pode gastar seu dinheiro em cigarros.
— Não gasto. De vez em quando, consigo um.
Fazia semanas que Bella não fumava. Não era uma viciada. Naquele instante, sentiu vontade de fumar por causa da ansiedade provocada pelo iminente reencontro com sua família.
Edward desceu do carro e se afastou. Ela não esperava que seu desejo fosse ser atendido. Mas Edward era impre visível. Quando voltou, colocou um maço de cigarros e uma caixa de fósforos em seu colo.
Ela hesitou por um instante. Depois pegou um cigarro e colocou-o entre os lábios. Mas antes de acendê-lo, Edward pediu que esperasse.
Sem entender, fez o que ele pedia. Edward conduziu o carro para longe da bomba de gasolina e desceu.
— Dou-lhe cinco minutos.
Bella saiu do veículo antes de acender o cigarro. Edward fizera-lhe um favor. Ou melhor, vários. Não seria certo poluir o ar que ele teria de respirar no interior do veículo.
Encostou-se ao capo e acendeu-o. Por sorte estava apoia da. A primeira baforada, sentiu a cabeça girar.
Edward voltou em poucos minutos. Ao vê-la, deu um sor riso de censura.
— Não se cansa de ser perfeito? — ela o provocou, sem saber por quê.
— Confesso que sim. Dá trabalho.
O comportamento de Bella indicava nervosismo, Edward notou. O que estaria acontecendo?
— Vamos? — Ele ligou o carro e prosseguiram rumo ao lugar onde Bella passara a infância. No tempo que seu pai era vivo, moravam em uma casa que também servia de consultório.
O bairro havia crescido nos últimos anos, mas ainda era pequeno o bastante para as pessoas se cumprimentarem ao se encontrarem pelas ruas.
Bella nem sequer piscou ao ver a escola onde estudara e a igreja que costumava ir com os pais. Mas Henry deu sinais de reconhecer a região, latindo e abanando a cauda.
Bella estava rígida no banco.
—Vire à esquerda.
Passaram por um haras onde Bella tivera aulas de equitação. Dois quilômetros adiante surgiram as primeiras casas.
Estavam quase chegando. O coração de Bella batia forte no peito. Seria diferente dessa vez? Três meses de ausência a teriam tornado mais esperta para lidar com Phill?
Edward não perdia nenhum movimento de Bella. Ela estava ansiosa. Ou seria medo o que lia em seus olhos? De que uma jovem esperta como aquela teria medo?
—O que está havendo? — ele quis saber.
Bella balançou a cabeça. Dissera a verdade uma vez e não acreditaram. Não estava disposta a cometer o mesmo erro.
—Não quero ir para casa. Você me leva de volta a Londres?
Edward fez que não.
— Já chegamos.
— Estamos perdendo nosso tempo. Eles não querem me ver. Para que forçar a situação?
— Talvez você esteja certa, mas ao menos poderia mostrar a eles que está viva.
— Eu devia ter imaginado.
— O quê?
— Que você se colocaria no lugar deles.
— Devem estar preocupados. — Edward parou o carro e fez menção de descer.
— Eu entrarei sozinha.
— De acordo.
Enquanto Edward apanhava a mochila, Bella olhou ao re dor. Suspirou, aliviada, ao ver o carro de sua mãe. O de Phill não estava por perto.
Desceu do carro e esperou. Assim que Edward abriu a porta de trás, Henry saltou sobre o portão em uma demonstração de franca alegria pelo regresso.
— Obrigada pela carona — Bella despediu-se. — Não precisa me acompanhar. Tenho condições de subir sozinha os degraus.
Edward sentou-se novamente atrás do volante e estava se preparando para ligar o carro quando seus olhos foram atraídos para uma loira à porta da frente.
Ela notou o carro, mas não parecia ter visto a filha. Ou, talvez, não a tivesse reconhecido por causa dos cabelos e da roupa.
Bella, obviamente, sabia que sua mãe a havia reconhecido no primeiro instante, e contou os segundos que foram necessários para ela se recobrar do choque.
— Isabella, querida!
— Olá, mamãe. — Bella encontrou-a no meio da escada e deixou-se abraçar.
— Graças a Deus você está bem. Fiquei muito preocupada.
— Ficou? — Bella achou melhor imitar a mãe em seu comportamento teatral.
— Lógico que sim. Você é minha filha. Vamos entrar, querida. Traga seu amigo também.
Bella seguiu o olhar da mãe e entendeu a razão do convite.
Edward estava encarando-as ao mesmo tempo que vinha ao encontro delas.
— Prazer em conhecê-la — Edward cumprimentou e es tendeu a mão que Renne Litton apertou com um sorriso.
— Edward me trouxe desde Londres — Bella explicou.
— Foi muito gentil de sua parte — a mãe agradeceu. —Fica para o chá?
— Ele está com pressa — Bella afirmou, mas Edward não se importou com o tom de dispensa.
— Para uma xícara de chá, sempre há tempo.
A mãe tornou a sorrir. Bella percebeu que Edward a havia conquistado com seu charme. Além disso, a presença de um estranho significava adiarem uma conversa a sós.
Assim que a mãe se afastou para providenciar o chá, Bella puxou a manga da camisa de Edward.
—Não quero que se envolva nisto.
Ele não queria, mas estava intrigado. O que poderia ter acontecido para que Bella preferisse passar fome pelas ruas de Londres a viver com a família naquela casa bonita e confortável?
— Não vai me convidar para entrar? — Edward perguntou diante da porta. — Preciso colocar suas coisas em algum lugar.
Bella indicou o hall. Depois seguiu a mãe em direção à cozinha.
— Machucou a perna outra vez? — Só então a mãe notou. — Como foi?
— Não me lembro — Bella respondeu e estranhou que a própria mãe enchesse a chaleira com água. — Onde está Hetty?
— É seu dia de folga.
— Que pena! Eu gostaria de vê-la — Bella falou sem pensar.
— Por quê? Não pretende ficar?
O tom de voz poderia sugerir desapontamento, mas Bella conhecia bem a mãe. Era alívio que leu em seu rosto.
— Ainda não sei. Edward me pediu em casamento. Ele tem um castelo na Escócia. Romântico, não?
Era uma grande mentira, mas algo a fez dizê-la. Edward ergueu uma sobrancelha, pego de surpresa. Olhou para Bella como se perguntasse que espécie de jogo ela estava fazendo, mas não a contradisse.
A mãe foi a primeira a quebrar o silêncio que se seguiu.
— É verdade? Vocês estão pensando em se casar?
Bella prendeu a respiração.
— O assunto foi discutido.
Renne não conseguiu disfarçar a perplexidade.
— Confesso que não sei o que dizer.
— Por que não experimenta nos dar os parabéns? — Bella sugeriu.
Renne sorriu, sem jeito. Não conseguia imaginar como um homem atraente e de aparência respeitável como aquele podia se interessar por uma jovem rebelde como sua filha.
— Eu... Como disse que se chama, sr...
— Cullen — Edward respondeu.
— Espero que compreenda, sr. Cullen, que não sabemos nada a seu respeito e...
— Ele é médico — Bella informou. — Isso o coloca acima de qualquer suspeita, não? Ninguém pode acusá-lo de ser um oportunista, um mau-caráter.
O desconforto de Renne ficou patente quando ela começou a tocar repetidamente em seu colar.
— Bella, por favor. Mal chegou e já vai começar...
— Começar o quê, mamãe? — Bella não , não na presença de outra pessoa, mas não conseguiu se conter.
— Desculpe. Não posso resolver esta situação sozinha. Preciso ligar para Phill.
Bella deu um sorriso quando a mãe se afastou. Ela não havia mudado nada.
— Não vai me contar o que está acontecendo antes que ela volte? — Edward pediu.
— Não. Quero ir embora antes que meu padrasto chegue. Vou buscar Henry.
Bella saiu para o terraço dos fundos e Edward seguiu-a, incrédulo. Como ela podia estar pensando em ir embora sem se despedir da mãe?
— Não tem intenção de fugir outra vez, tem? — Edward segurou-a pelo braço.
— Não penso em outra coisa!
— Não pode fazer isso. Não sei o que houve entre vocês, mas ela ainda é sua mãe.
— Você deve estar com pena dela. Provavelmente está pensando que uma mulher adorável como Renne Litton não merecia ter uma filha como eu. Se soubesse a verdade...
— Conte-me.
— Você acreditará?
Edward vacilou e esse foi seu erro.
— Foi o que imaginei. — Bella puxou o braço. — Agora, solte-me. — Ele demorou a atendê-la. Quando o fez, Bella encarou-o. — Leva-me de volta a Londres?
— Não.
— E para a estação ferroviária?
— Não. Antes você precisa resolver seu problema com sua mãe.
— Que espécie de médico é você? — Bella protestou. — Um psicanalista? Henry!
Edward seguiu-a pelo jardim até o canil onde Henry descansava. Ela tornou a chamá-lo, mas o cachorro não se moveu.
Edward notou o desapontamento no rosto juvenil. Era como se o último amigo a abandonasse.
—Isabella? — a mãe chamou do terraço.
Bella suspirou. Lá se fora a chance de escapar sem ser notada!
— Fique por mais uma hora e depois eu lhe darei uma carona — Edward percebeu que estava travando uma batalha inútil. — Tomaremos chá, conversaremos com sua mãe e depois, se você ainda quiser ir, partiremos.
"Para onde?", Bella pensou. "Para debaixo de uma ponte? Já que estava em casa, não seria melhor ficar?" A lembrança da Páscoa a fez recuperar a coragem.
— Uma hora. Nem um minuto mais.
— Continuaremos com a farsa do casamento? — Edward quis saber.
— Se você concordar... Será que minha mãe acreditará?
Não parecemos um casal de namorados.
— Podemos tentar ser mais convincentes — Edward sugeriu e abraçou-a pela cintura.
— Ei! O que está fazendo?
— Representando meu papel. — Ele fez um gesto em direção à casa e à mãe. — Prepare-se para um beijo.
— Você faria isso por mim? — Bella perguntou, surpresa.
— Sim, se você quiser.
— Eu... não...
Antes que Bella pudesse raciocinar, Edward beijou-a com uma ternura e com uma sensualidade que a deixou sem fôlego. Sem que percebesse, ela entreabriu os lábios. O beijo tornou-se ainda mais sensual.
Foi ela quem se afastou primeiro, assustada com o próprio gemido.
Edward obrigou-a a encará-lo.
— Não precisa ficar desse jeito só porque correspondeu a meu beijo.
— Eu não correspondi! — ela negou.
— Não? Nesse caso, mal posso esperar para que você corresponda.
Os olhos de Edward pousaram nos lábios trémulos como se sua vontade fosse beijá-los outra vez. Bella suspirou. Em bora fosse difícil admitir, também queria outro beijo. Por sorte, sua mãe chamou-a.
— Isabella, o chá está pronto.
Edward sorriu.
— Acho que nossa representação foi convincente.
O chá seria servido na sala de estar.
— Liguei para Phill — Renne informou assim que Edward se afastou para lavar as mãos. — Ele disse que adiaria a reunião para amanhã e que estaria em casa o mais depressa que pudesse.
— Como pôde imaginar que eu queira vê-lo depois do que aconteceu? — Bella perguntou, espantada. — Ou ainda acredita que eu tenho planos de seduzir seu marido?
A mãe baixou os olhos.
— Foi um equívoco. Phill explicou tudo depois que você foi embora.
— Quanto cavalheirismo!
— Ele foi sincero — a mãe declarou. — Disse que a culpa foi inteiramente dele. Que não pretendia beijá-la daquele jeito. Que aconteceu. E você, jovem e curiosa, correspondeu...
— Eu não correspondi!
— Querida, não estou acusando-a. Juro. Sei que Phill perdeu a cabeça. Mas se eu fui capaz de perdoar um momento de fraqueza...
Bella olhou para a mãe, boquiaberta. Seria possível que fosse tão ingênua? Ou era apenas medo que sentia de enfrentar a realidade?
Renne Litton pôs-se a brincar com as pérolas de seu colar. Seus olhos continuavam baixos.
O gesto demonstrava nervosismo, mas também poderia ser simbólico. Afinal, fora o dinheiro de Phill que comprara aquelas pérolas. Se resolvesse aceitar a versão de sua filha, como poderia continuar vivendo com o atual ma rido? E sem ele, como sobreviveria?
— Não precisaremos tocar nunca mais nesse assunto, querida — ela propôs. — Phill está arrependido e fará tudo para compensá-la.
— Não podemos ficar mais do que uma hora — Bella mentiu. — Estamos a caminho da Escócia. Edward vai me apre sentar a sua família.
— Eles já sabem sobre vocês?
— Sim — Bella respondeu. — Estão muito contentes. Começavam a pensar que Edward jamais encontraria a mulher ideal.
— Eles já te conhecem?
— Ainda não.
— Oh. — A mãe olhou para Bella da cabeça aos pés. — Você não acha... Bem, é apenas um conselho, querida. Não seria melhor vestir algo mais feminino?
— Para que eles me aprovem?
— Sim.
— Não me importo com o que os outros pensam — Bella respondeu. — Aprendi isso enquanto mendigava.
Renne Litton empalideceu.
— Você fez isso?
— Se não mendigasse, precisaria fazer certas concessões aos homens.
— Isabella! Não entendo o que se passa com você. Teve tudo que queria, tudo o que pedia. Por que...
Renne parou de falar ao ver Edward à porta.
—Continue, mamãe.
Mas a mãe preferiu voltar a seu papel de anfitriã.
—Sente-se, Edward, e tome seu chá.
Edward sentou-se ao lado de Bella, talvez para continuar a representar o papel do noivo apaixonado. No mesmo instante, Bella se levantou e procurou uma poltrona. Tirou um cigarro do maço e estava prestes a acendê-lo quando a mãe pediu que não fumasse. Não a atendeu.
— Poderia tratá-la de maneira um pouco mais civilizada, não acha? — Edward censurou-a quando a mãe se retirou para buscar um cinzeiro.
Aborrecida, Bella se afastou.
—Vou arrumar minhas coisas.
Não se deu conta do passar do tempo até ouvir a porta se abrindo as suas costas. Virou-se e o sangue congelou em suas veias.
Não era Edward, mas Phill quem a visitava, a estampa do homem bem-sucedido e educado. O homem que um dia a fizera pensar que teria um segundo pai.
— Isabella — ele cumprimentou-a com um sorriso. — Como é bom vê-la outra vez.
Ele abriu os braços e avançou um passo. Bella se encolheu.
—Não se aproxime.
O sorriso desapareceu, mas o tom de voz continuou suave.
— Não seja melodramática, querida. Não irei machucá-la. Jamais a machucaria.
— Pare — Bella repetiu.
Phill franziu o cenho, como se Bella estivesse cometendo uma injustiça.
— Estou contente que tenha voltado. Quase enlouquecemos de preocupação. As histórias que saem nos jornais sobre os jovens que se perdem em Londres... Foi lá que você esteve, não?
Bella limitou-se a concordar com um movimento de cabeça. Não acreditava que Phill estivesse sendo sincero. Não depois do modo que a tratara da última vez.
— Mais tarde, quando sentir vontade, você nos contará — ele continuou. — O importante é você ter voltado. Sentimos muito sua falta.
Os olhares se encontraram por um momento e Bella surpreendeu-se ao reconhecer que Phill estava dizendo a verdade. O que não deixava de ser uma ironia, quando o mesmo não acontecera com sua própria mãe.
— O que fez com seus cabelos?
— Como não tinha condições de mantê-los limpos, cortei-os.
— Está mais magra, mas isso se conserta com algumas boas refeições — ele continuou.
— Não vou ficar.
— Veremos — Phill disse, como se não acreditasse na determinação de Bella.
— Não, não veremos. — Bella atravessou o quarto e se dirigiu à porta, sem se lembrar de apanhar a mochila.
Impressionado, Phill não tentou detê-la, mas seguiu-a pelo corredor.
— Ouça-me, Isabella. Espere um minuto.
— Não quero ouvir mais nada. Não sou mais a pequena Isabella. Você a destruiu!
— Tente compreender, Isabella. — A voz pareceu mais triste do que zangada. — Admito que me portei mal, mas sua mãe me perdoou. Por que não me perdoa também?
— Impossível! Você tentou me seduzir!
As palavras atingiram o alvo. Phill enrubesceu lentamente. Quando Bella tentou se afastar, segurou-a pelo braço. Sua intenção era suplicar que ela esquecesse o passado, mas não houve tempo pois Edward chamou-a naquele exato momento.
— Bella!
— Suba! — Bella respondeu, aliviada.
— Quem está aí? — Phill quis saber.
— Meu noivo.
— O quê? Não pode ser!
— Por que não? Porque ele é um pouco mais velho do que eu?
Edward chegou ao topo da escada e se aproximou.
— Não vai nos apresentar? — perguntou a Bella sem tirar os olhos de Phill nem sequer por um segundo.
— Não.
— Sou Edward Cullen — ele se apresentou. — Deve ser o padrasto de Bella.
— Sim. Phill Litton. — disse, apertando a mão que Edward lhe estendeu. — Como vai, sr. Cullen?
— Dr. Cullen — Bella corrigiu-o. — Edward trabalha para a Cruz Vermelha. Esteve na África por dois anos e agora deve assumir a direção de uma pesquisa em medicina tropical.
Edward olhou para Bella com ar de censura, mas ela não se importou.
— Meus parabéns — Phill declarou. — Eu prefiro clinicar. E mais gratificante.
— No sentido financeiro, é claro — Bella declarou.
— Isabella às vezes pode ser mordaz em seu senso de humor — Phill comentou.
— Eu já notei — Edward concordou.
— É por isso que não se pode levar muito a sério o que ela diz — Phill concluiu.
Bella percebeu de imediato aonde Phill queria chegar. Estava se protegendo para o caso de ela ter contado a sórdida verdade.
Edward não respondeu, mas seus olhos se estreitaram. Bella cogitou o que ele estaria pensando.
— Ela me disse há pouco, por exemplo, que vocês estão noivos. Tenho certeza de que foi mais uma de suas piadas.
Os olhares de Bella e de Edward se cruzaram.
— É mesmo? — Edward perguntou, sem afastar os olhos de Bella. — Por que chegou a essa conclusão?
— Bem, você deve estar sabendo que Isabella tem apenas dezessete anos.
A hipocrisia do padrasto fez Bella prender a respiração.
— Não vejo nenhum problema nisso — Edward afirmou.
— Ela é menor de idade perante a lei — Phill declarou — E preciso a autorização dos pais para uma menor se casar.
— Qual o problema? — Bella retrucou. — Minha mãe dará. Ela consentiria em meu casamento com qualquer um se disso dependesse sua segurança financeira.
— Sua mãe faz somente o que eu lhe aconselho fazer — Phill argumentou. — Não tenho nada contra o senhor, dr. Cullen, mas antes de darmos nosso consentimento, precisamos conhecê-lo melhor. Espero que compreenda. Afinal, é muito mais velho do que nossa filha.
— Estou começando a compreender.
O assunto parecia estar encerrado, mas Bella aprendera a conhecer Edward Cullen o suficiente para não subestimá-lo.
— Por que não vamos a meu escritório e conversamos a respeito? — Phill sugeriu. — Afinal, deve estar interessado em saber mais sobre nossa Isabella.
Edward sorriu para Phill e Bella sentiu um aperto no peito. Mais dez minutos de representação como pai preocupado e Edward iria embora sem ela.
Mas, não. Edward consultou seu relógio de pulso e tornou a sorrir.
— Infelizmente estamos atrasados. Talvez em uma outra oportunidade. Bella, você está pronta?
Bella arregalou os olhos. Sua vontade era pular nos braços de Edward.
— Só um instante. Vou buscar minha mochila.
— Está em seu quarto? — Edward perguntou. — Eu a pego.
Phill olhou para Bella como se a atitude de Edward o tivesse ofendido. Em seguida, desceu para a sala e estava ao lado da esposa quando Edward e Bella se prepararam para sair.
— Diga a ela, Renne, que não deve ir embora novamente de casa, especialmente com um homem que mal conhece.
Todos os olhos se voltaram para a mãe dé Bella.
— Fique, querida. Phill disse que tudo ficará bem entre nós.
Bella fechou os olhos. Não sabia se devia sentir desprezo ou compaixão pela mãe.
— Você acredita?
— Eu... — O olhar de Phill tornou-se ameaçador. Renne sustentou-o. Em seguida dirigiu-se a Edward. — Você cuidará bem de Isabella?
Bella olhou para Edward a tempo de vê-lo movendo a cabeça em sentido afirmativo.
Aquela foi a despedida. Renne saiu da sala e Phill seguiu-a. Bella apanhou o estojo com a flauta. Edward pegou a mochila e a maleta e foram para o carro.
As consequências demoraram a se fazer sentir. Quando aconteceu, Bella precisou encostar-se no carro para não cair.
—Você pode buscar Henry para mim?
Naquele instante, Phill surgiu à porta. Edward demorou a responder.
— Você ficará bem?
— Sim.
Assim que Bella ficou sozinha, o padrasto se aproximou.
— Isabella, por favor, não vá. O que sabe sobre esse homem?
Pouco, Bella poderia ter dito.
—Que é digno de confiança.
Phill franziu o cenho.
— Eu fiz por merecer seu desprezo, mas não tornará a acontecer. Se pudesse compreender... Eu me enganei com sua mãe. Ela continua tão bonita quanto no dia que nos casamos, mas é vazia, e não tem a metade de sua inteligência, de sua paixão. Não pude evitar meus sentimentos por você.
De repente, Phill tocou-a na face.
— Não!
— Não consigo evitar, minha pequena. Se ainda estou aqui é por sua causa.
Phill parecia estar falando sério, mas Bella estava magoada demais para perdoar.
—Deixe-me em paz ou chamarei meu noivo.
Não foi preciso. Edward surgiu de trás da casa junto com Henry. Ao ver Phill, seu rosto endureceu. O outro não esperou que se aproximasse para desaparecer de cena.
Quando chegou junto ao carro, Edward ordenou que Bella en trasse ao mesmo tempo que abria a porta de trás para Henry. Sentou-se em seguida, ligou o carro e saiu cantando os pneus.
— Não sei por que está bravo comigo. Eu avisei para não se envolver.
— Aliás, foi só isso que me disse.
—O que esperava?
Edward apertou os lábios.
— Se soubesse o que estava acontecendo entre você e seu padrasto teria sido mais fácil.
— O que está insinuando?
— O que imagina minha pequena Isabella?
Os olhos de Bella faiscaram.
— Não me chame assim!
— Então pare de me fazer de tolo! Posso não ter ouvido toda a conversa, mas o que ouvi foi suficiente.
"Para chegar a uma conclusão errada", Bella pensou. Talvez devesse protestar e tentar explicar, mas de que adiantaria?
Edward entendeu o silêncio como uma confissão de culpa e o que disse feriu Bella ainda mais fundo.
— Não é de admirar que sua mãe a queira longe.
— Você não entendeu... — Bella respondeu com um fio de voz.
—Por que não explica?
Porque não lhe restavam forças. A realidade da situação atingiu-a com um golpe. Sua mãe fechara-lhe a porta. Agora ela havia se tornado realmente uma sem-teto.
Edward ficou ainda mais nervoso quando viu uma lágrima deslizar pelo rosto de Bella.
— Não me diga que vai chorar!
— Não! — Bella negou ao mesmo tempo que derramava uma segunda lágrima.
Não queria que Edward a visse chorar. Virou o rosto para a janela e tentou se controlar. Então, ouviu-o suspirar.
— Desculpe. Não precisa me explicar nada. Não me deve nenhuma obrigação.
Bella estava com um nó na garganta. Não conseguiu responder. Edward fitou-a. Viu o corpo frágil ser sacudido por soluços.
Não aguentou. Parou o carro e desafivelou ambos os cintos de segurança. Mas quando tentou confortá-la, Bella golpeou-o no peito.
— Você não entendeu nada!
— Conte-me — ele pediu, sem se importar com o desabafo e sem desistir de abraçá-la.
— Estou sozinha! Não tenho ninguém no mundo!
Não havia palavras para consolar tanta dor. Edward a fez deitar a cabeça em seu ombro e afagou-lhe os cabelos. Os soluços foram diminuindo pouco a pouco.
A medida que a angústia passava, outras emoções a invadiram. De repente Bella deu-se conta de que estava nos braços de Edward como mulher. Afastou-se.
— Quer que eu lhe empreste meu lenço?
Ela tentou sorrir.
— Obrigada. Estou melhor.
Sem parar de fitá-la, Edward enxugou as lágrimas com os polegares. Bella ficou estarrecida. Não esperava tanta gen tileza, tanto carinho.
— O que farei com você? — ele sussurrou como se estivesse se dirigindo a uma criança. E ela não queria ser uma criança para ele...
Edward inclinou a cabeça com a intenção de beijá-la no rosto, mas Bella se moveu ligeiramente e seus lábios se roçaram.
Não foi proposital, mas Edward esqueceu-se imediatamente de que pensara em Bella como criança até um minuto antes. Agora ela era uma mulher doce e adorável em seus braços e estava beijando-o de um modo que fazia seu sangue ferver nas veias.
BEIJOS E ATÉ
