HORA DO JANTAR, MAS ANTES IREI POSTAR.
Tempo curto aqui meninas, vou postar o ultimo, mas não vai dar para responder as reviews. Mil desculpas. Prometo que falarei com todas no primeiro cap. da próxima fic que devo começar a postar no sabado.
OBRIGADA, FIQUEI EMOCIONADA PELOS COMENTÁRIOS. E POR ENQUANTO MINHA GRATIDÃO VAI EM FORMA DE CAP.
BJS BJS BJS
Não havia motivos para sentir-se grata a ele. Edward não lhe fizera nenhum favor. Seu joelho estava machucado por culpa dele e também por causa dele, quase havia perdido sua auto-estima. Em troca, Edward lhe oferecera a chance de ganhar algum dinheiro para ajudá-lo em um ato ilegal que poderia, inclusive, levá-la à prisão.
Por quê, então, após uma convivência de três dias, durante a qual passaram mais da metade do tempo brigando, estava tão certa de ter encontrado o homem com quem gostaria de passar o resto de sua vida?
Era noite quando Alice entrou no quarto e acordou Bella para avisar que o jantar seria servido em meia hora. Bella agradeceu e se levantou. Após o descanso, sua perna estava bem melhor.
Banhou-se e desceu. Não havia notado antes, mas a sala era enorme e elegante. Contava com uma imensa lareira de pedra, diante da qual se encontravam um sofá e duas poltronas azul-escuras.
A família estava reunida no outro lado da sala ao redor de uma mesa antiga. Sentou-se de frente para Edward, em uma cadeira com assento de couro, que era a única dispo nível. Sentia-se uma intrusa , mas o mesmo não parecia acontecer com eles em relação a sua presença. Alice, o marido e Hoop faziam questão de incluí-la na conversa e de deixá-la à vontade.
Edward, contudo, mal olhava em sua direção. Bella procurou fazer o mesmo.
Após o jantar, estavam sentados diante da lareira, quando Alice observou:
— Você está muito calada, Bella. Está sentindo dor?
— Não, eu estou bem, obrigada.
— Talvez ela não tenha encontrado nenhuma oportunidade de falar. Eu sempre digo que somos uns tagarelas —Jasper brincou.
— Sua família é como a nossa? — Alice perguntou.
— Bem diferente — Edward respondeu por Bella.
Alice entendeu que deveria ser mais discreta, mas a curiosidade foi mais forte.
— Faz tempo que saiu de casa, Bella?
— Mais ou menos.
— Desde a Páscoa — Edward tornou a responder. — Bella tem dormido em locais abandonados há meses.
Olhares compadecidos pousaram sobre Bella. Por sorte, Hoop havia adormecido no sofá, ou ela também teria visto a expressão zangada de Bella e ouvido seus protestos.
— Por que não conta a eles tudo de uma vez? Por que não conta que me conheceu em uma estação do metro, mendigando?
Edward suspirou.
— Por que não diz simplesmente a verdade a eles?
— Diga você! — Bella se levantou e deixou a sala sem se importar com as expressões atônitas de Alice e de seu marido.
— Aonde vai? — Edward indagou. — Se pensa que sairei a sua procura outra vez...
— Vou arrumar a cozinha! Não foi o que combinamos?Que eu cuidaria da limpeza em troca da hospedagem?
Tomada de indignação, Bella estava colocando a louça dentro da pia, quando Alice apareceu na cozinha.
— Sei que está furiosa com meu irmão e não quer vê-lo... por isso ele me pediu para lhe dar um recado. O trato ainda não está valendo. Antes, você precisa melhorar do joelho.
— Eu já disse que estou bem!
— Mas Edward não está — Alice confidenciou. — Nunca o vi tão zangado.
Alice pôs-se a enxugar a louça que Bella estava lavando. Parecia estar se divertindo.
— Deve estar pensando que sou malcriada e insuportável, não?
Alice sorriu.
— Imagino que tenha seus motivos.
— Não tolero quando Edward fala sobre mim como se eu fosse uma marginal que ele recolheu. Não estava pedindo esmolas quando ele me conheceu. E não lhe pedi ajuda.
Aliás, seu irmão praticamente me raptou.
A informação fez Alice franzir o cenho.
— Então você não tinha concordado em se casar com Joseph?
Não. Sim. Isto é, Edward nunca me falou sobre Joseph. Era com ele que eu pensava que teria de me casar.
— Com Edward? — Alice não cabia em si de espanto.
— Sim.
— E você aceitou?
— Sim.
— Oh.
Ao perceber que Alice havia interpretado mal suas palavras, Bella apressou-se a acrescentar.
— Não foi uma questão de amor à primeira vista, se é isso que deduziu.
A explicação não soou convincente nem sequer para a própria Bella. Assim, ela decidiu que era chegada a hora de revelar toda a verdade.
Quando terminou, Alice balançou a cabeça.
— Não sei quem é mais maluco, meu irmão ou você. Não teve medo de aceitar uma proposta de casamento de um completo estranho? Eu sei que Edward jamais tiraria vantagem de uma mulher, mas você não tinha meios de saber.
Bella admitia que havia se comportado como uma garota ingenua, mas, no fundo, nunca duvidara do caráter de dele. Até mesmo na noite anterior, quando perdera o controle sobre si mesma, ele havia se portado como um cavalheiro.
— Ele nunca me deu motivos para duvidar de sua honestidade — Bella afirmou.
— Meu irmão é bom e realmente se preocupa com as pessoas, isso eu posso garantir. Quando falou a seu respeito conosco, não quis ofendê-la.
A expressão magoada de Bella subitamente levou Alice a uma suposição:
— Bella, você não se apaixonou por meu irmão, não é?
— Claro que não! — Bella se apressou a dizer. — Seria um absurdo. Edward é muito mais velho do que eu.
A resposta deveria ter sido tão veemente que Alice sorriu com ar aliviado.
— Edward. — Ela continuou sorrindo ao ver o irmão entrar na cozinha. — Estávamos falando de você.
— Eu ouvi.
— Apenas repeti o que você vive dizendo — Bella murmurou na defensiva.
— Não deveria estar de pé por tanto tempo — Edward lembrou. — Minha irmã não lhe deu meu recado?
— Lógico que dei — Alice respondeu.
— Pare de implicar com sua irmã. Se está nervoso, implique comigo. Já estou acostumada.
Edward cerrou os punhos.
— Está bem. Se faz questão de ser tola e imprudente, não me culpe se o joelho piorar!
Furioso, Edward saiu, batendo a porta atrás de si. As duas mulheres se entreolharam. Alice estava mais intrigada do que preocupada.
— Você sabe como fazer meu irmão perder a calma.
— Não a culpo por estar do lado dele — Bella murmurou.
— Costumo ficar,, mas desta vez estou neutra. Quanto ao conselho que ele deu, acho que está certo. Trate de repousar. Eu termino o serviço.
— Obrigada. Então, vou me deitar. Boa noite.
— Boa noite. Tenho certeza de que se sentirá melhor amanhã. Se precisar de alguma coisa, ou quiser conversar, ligue para mim.
— Obrigada mais uma vez.
A intenção de Bella era ignorar Edward, fazer de conta que ele não existia. Parecia algo impossível, mas conseguiu. Após rolar na cama por uma hora ou duas, dormiu profundamente. Quando acordou, Edward havia saído.
Desconfiou que estava sozinha na torre antes mesmo de encontrar o bilhete na cozinha. Curto e direto!
Fui à universidade. Volto à noite. Fique à vontade.
Ficar à vontade para fazer o quê? Abrir a geladeira? Pegar o dinheiro que ele deixara sobre a mesa?
Contou as cédulas. Cinco. No total Edward deixara cem libras, o suficiente para comprar algumas roupas novas ou uma passagem de trem. A escolha era dela.
Optou por deixar o dinheiro onde estava e fazer um tour pela propriedade. Com Henry.
Não havia um jardim propriamente. Apenas um gramado que não estava muito bem cuidado. Um caminho na lateral da torre levava a uma garagem e a um depósito de ferra mentas e instrumentos de jardinagem. Havia uma outra construção, mas a porta estava trancada. Bella espiou pela janela e viu um barco coberto por uma lona.
Depois, decidiu explorar a torre por inteiro. Começou pelo andar térreo. Empurrou uma porta. Pelo rangido, o lugar de veria ter pouco uso. Em tempos antigos, talvez fosse um depósito de armas. Não havia sido restaurado ainda. Seu aspecto era opressivo. Não se demorou ali mais do que um minuto.
Já conhecia o andar de cima: a cozinha moderna e a sala ampla que servia tanto para as refeições como para a convivência.
Não parou no segundo andar. Ali ficavam seu quarto e o de Joseph. O que a interessava era conhecer o quarto onde Edward estava dormindo.
O lugar era pequeno e antigo. Ainda não fora reformado. Havia manchas de umidade nas paredes e poucos móveis. A cama de solteiro deveria ter sido feita para uma criança. Não comportava uma pessoa de sua estatura, quanto mais a de Edward.
Não lhe havia pedido que cedesse seu quarto, mas a sensação de culpa invadiu-a do mesmo jeito.
Arrumou a cama com capricho e dobrou as roupas que ele deixara espalhadas. Em seguida perguntou-se se o gesto não seria mal-interpretado. E se em vez de pensar que ela estava cuidando da casa, considerasse o ato uma invasão a sua privacidade?
No mesmo andar, havia outro quarto e também um escritório com uma mesa atulhada de papéis. Não entrou além da porta. Aquilo, sim, poderia ser considerado uma intromissão.
O último lance de escada dava para uma porta pesada com um ferrolho. Abriu-o. Como não tinha problemas com alturas, apreciou a vista ensolarada e deu boas-vindas à brisa que soprava em seu rosto.
Era um lugar incomum para viver. Mas Edward, afinal, era um homem incomum.
Mais uma vez viu-se cogitando sobre o tipo de mulher que ele preferia. Intelectuais? Humanitárias como ele? Mulheres de carreira? Não sentia ciúme das mulheres que ele tivera. Não acreditava que ele as tivesse amado realmente. Edward era um homem fechado e independente. Não precisava de ninguém. Nem de amor. E se mudasse de ideia, com certeza não seria por causa dela.
Por mais que tecesse conjeturas, Bella não conseguia parar de pensar em Edward.
Assim, foi com o coração aos saltos que se preparou para recebê-lo no final da tarde, quando ouviu passos. Mas não era ele.
— Olá. Sou Joseph. O doutor falou a meu respeito?
— Sim. Como vai?
— Bem. Desculpe se a assustei.
— Oh, não. Apenas não o esperava.
— Talvez eu devesse ter tocado a campainha.
— Bobagem. Você mora aqui, não mora? Edward foi a Edinburgh. Deixou uma nota avisando que voltaria à noite.
— Eu estava em casa de um amigo. Avisaram-me que o doutor havia chegado de viagem. Vim assim que soube.
Joseph só se referia a Edward como doutor. Era evidente que o respeitava e estimava.
— Espero que ele não esteja zangado comigo.
— Acho que não. A propósito, meu nome é Bella. Edward lhe falou a meu respeito?
O jovem negou com um movimento de cabeça.
— Você também está morando aqui?
— Por uns dias.
— Será bom. O doutor trabalha muito. Precisa de uma mulher para ajudá-lo. — Bella sentiu vontade de rir. Era óbvio que Joseph não sabia sobre o plano. — Comprei ingredientes para um prato africano de que o doutor gosta. Quer que a ensine a prepará-lo?
— Não entendo de cozinha.
A afirmação provocou um olhar de perplexidade. Todas as mulheres deveriam ser boas donas de casa na África, Bella pensou.
— Estou aqui porque machuquei meu joelho. Não ficarei por muito tempo.
— Eu deveria ter imaginado — Joseph comentou com admiração. — O doutor é um grande homem e um grande médico. Sua vida é dedicada aos outros. Em meu país, as pessoas o veneravam.
Bella sorriu, mas não respondeu. Virou-se para a pia e apontou para a cafeteira.
— Aceita uma xícara? Acabei de fazer.
— Sim, obrigado.
— Notei seu sotaque francês — Bella observou. — Prefere falar nessa língua? Estou destreinada, mas aprendi esse idioma no colégio.
— Não, obrigado. Preciso praticar o inglês, caso consiga permissão para estudar aqui.
— O que gostaria de estudar?
— Medicina, como meu pai.
—O que fará se precisar voltar para a África?
Uma sombra caiu sobre o rosto de Joseph.
— Infelizmente, não terei escolha. Serei obrigado a servir na guerra.
Após ouvir a história sobre a guerra civil que assolava o que já havia sido uma nação relativamente próspera, Bella entendeu o porquê de Edward querer proteger Joseph.
Seus próprios problemas de repente lhe pareceram pequenos, insignificantes. Tinha um teto sobre sua cabeça e comida à vontade. Até mesmo um emprego.
Quando Edward chegou, emocionou-se ao ver o abraço que ele e Joseph trocaram. Pareciam pai e filho. Como gostaria de receber um abraço igual. Por ela, contudo, Edward não tinha nenhum interesse pessoal.
O barco deslizava suavemente ao vento. Bella 'olhava para Edward ainda surpresa com o convite que ele lhe fizera. Joseph também fora convidado para o passeio, mas não pôde acompanhá-los porque havia assumido um compromisso.
Bella quase perdeu o fôlego quando Edward a chamou. As esperanças cresciam cada dia. Ele vinha sorrindo para ela com frequência cada vez maior. Mas havia ocasiões em que voltava a se comportar de maneira distante.
— Quer me substituir no comando? — Edward afastou-a de seus devaneios ao propor que pegasse no leme. Ela preferia continuar olhando para ele, mas não quis ser indelicada.
— Claro que sim. Aproveite e descanse um pouco.
Os papéis inverteram. Agora era Edward que a analisava. Sentiu o rosto afoguear-se.
— Tem tomado os comprimidos que Alan prescreveu?
— Tenho — respondeu, aborrecida. Será que Edward só conseguia se interessar por ela profissionalmente?
Alan era o médico local e um velho colega de escola de Edward. Edward o chamara em sua segunda noite na Escócia para examiná-la. Os conselhos com relação ao tratamento do joelho tornaram-se uma ordem. O repouso eram imprescindível. Além disso, foram prescritas vitaminas e sais minerais para combater sua anemia.
— Você está com aspecto bem mais saudável.
Ela não agradeceu. Não considerava uma observação médica como um elogio. Afinal ele não dissera que estava mais bonita ou mais sexy...
— Talvez o tratamento possa ser suspenso em breve — Edward acrescentou.
Então você estará em condições de ir embora. Afinal seu joelho estará curado e a anemia tratada. Aquilo não seria um adeus?
Edward notou a mudança de expressão no rosto de Bella.
— Algo errado?
— Não — Bella mentiu. Não havia mais o que esperar. Seria menos doloroso a seu orgulho se a despedida partisse dela. — Estava apenas pensando que já é tempo de eu seguir em frente com minha vida.
— Está querendo ir embora? — O tom de voz era de franca decepção.
Tão logo disse aquelas palavras, Bella se arrependeu.
—Eu...
—Se é o que você quer, não posso detê-la.
Era o que ela pensava que ele queria!
— Tem algum lugar em mente?
—Nenhum. Talvez uma pensão em Edinburgh.
— Com Henry? — ele lembrou. — E como pretende sobreviver?
Ainda não sabia. E antes que pudesse pensar em uma resposta, viu um navio se aproximando.
— Deus! Para onde devo virar?
— Para Port! — Edward gritou ao mesmo tempo que corria para baixar as velas e diminuir a velocidade. Em seguida, voltou para ajudar Bella, mas antes que a alcançasse, o barco inclinou perigosamente.
Bella percebeu que Edward iria cair. Largou o leme e tentou segurá-lo. Não foi possível. Ele caiu na água e ela, perdendo o equilíbrio, o seguiu.
Quando voltou à tona, Bella sentiu os braços de Edward ao redor de seu corpo.
—Não tenha medo — Edward murmurou.
Bella tentou sorrir, embora os dentes estivessem batendo uns contra os outros.
— Sinto muito. A culpa foi minha.
— Acontece. Agora, vamos tratar de sair desta água fria.
Ele ajudou-a a subir no barco e só depois de vê-la a salvo, apoiou-se na borda e saltou para dentro.
Bella poderia ter chorado devido ao susto. Em vez disso, pôs-se a rir. Em uma situação normal, não veria graça em Edward tirar os sapatos de brim e torcê-los, mas naquele momento a atitude pareceu hilária.
Por sorte, Edward não estranhou sua reação. Ao contrário. Ele também pôs-se a rir.
Debateram sobre o que fariam a seguir. Edward sugeriu que voltassem e trocassem de roupa. Bella indicou o sol e perguntou se ele nunca havia caminhado sob a chuva. Por fim, concordaram em se secar ao sol e voltarem para casa apenas no final da tarde.
Não se tocou mais no assunto sobre a partida de Bella. Mesmo depois que voltaram para casa.
Alice brincou dizendo que Edward estava segurando Bella, pois ela significava uma garantia contra ex-namoradas que poderiam voltar a assediá-lo quando soubessem que continuava solteiro. Bella não fez nenhum comentário. Sabia que uma mulher o procurara várias vezes após a primeira quinzena de seu regresso, mas tinha certeza de que Edward não saíra para encontrá-la. Nem para encontrar outras mulheres.
Suas vidas adquiriram uma rotina. Edward dirigia quase todos os dias até Edinburgh para trabalhar em sua pesquisa. Joseph o acompanhava algumas vezes. Outras, preferia usar a moto para o caso de resolver dormir na cidade em casa de algum amigo. Bella permanecia em casa com Henry, cuidando da limpeza em troca da hospedagem, ou caminhando pelas colinas ou tomando conta de Hoop quando Alice precisava fazer compras ou ir ao médico.
Estava tudo indo bem. Bella não conhecia tanta paz e felicidade desde que seu pai morrera. Distraía-se com a flauta e com os livros que Edward lhe emprestara. Nunca lera tanto. E também verificava prospectos de todas as faculdades locais na tentativa de decidir por uma carreira.
As matérias de que mais gostava eram literatura inglesa, francês e história. Estava se sentindo bastante inclinada a cursar uma delas no ano seguinte.
Edward revelou-se um homem diferente no dia-a-dia. Além de tudo era um bom cozinheiro. As tarefas domésticas, portanto, ficavam a cargo de Bella e a cozinha, de Edward. Joseph era dispensado dos afazeres, nas ocasiões em que ficava em casa. Tinha muito o que estudar para poder ingressar na faculdade. Isso, se conseguisse residência no país como refugiado.
Após o jantar, costumavam dar um passeio ou jogar xadrez. Eram ótimos parceiros, ela e Edward. Com Joseph, o jogo não tinha graça. Ele sempre vencia. Mas, na maioria das noites, apenas se sentavam na sala e conversavam horas e horas sobre tudo e sobre nada.
Os fins de semana começavam na sexta-feira, quando Edward a levava ao supermercado. Nas primeiras vezes Bella preparou uma lista, mas Edward reclamava que listas tiravam o prazer da compra.
Nos sábados, costumavam velejar. A não ser, é claro, que Hoop pedisse para que a levassem ao cinema para assistir a algum filme das produções Disney ou ao zoológico.
O fato de saírem juntos não a ajudou a esquecê-lo. Se Edward fosse uma má companhia, se suas conversas fossem monótonas, ela, talvez, não estivesse mais interessada nele como homem. O problema era que Edward reunia todas as qualidades que admirava. Era bonito, inteligente e espirituoso, além de calmo e controlado. O fato era que Edward era sua cara-metade. O problema era que apenas ela enxergava isso.
Edward continuava vendo-a como a jovem rebelde com excessivo número de brincos na orelha e cabelos curtos. Não se dava conta de que seus cabelos estavam crescendo e de que ela passara a usar apenas um par de brincos. Discreto e delicado, inclusive. E que muitos homens se viravam para olhar quando ela passava na rua.
Como gostaria de ser mais velha! Como gostaria de não mais ser considerada uma criança. Não quis nem sequer contar que era seu aniversário, quando o dia chegou. Para quê?
Mas Edward descobriu a respeito no dia seguinte, um sábado, por causa da correspondência.
Ele apanhou-a sob a porta e distribuiu-a enquanto tomavam o café da manhã.
— Para você. — Edward entregou um envelope grande e pardo a Bella. Ela o reconheceu imediatamente, antes de ler o nome do remetente.
— Não é seu aniversário, é? — Edward quis saber.
— Não, foi ontem.
— Eu não sabia — disse Joseph. — Meus parabéns, Isabella .
Bella agradeceu com um sorriso tímido.
— Muitas felicidades — continuou Edward e indicou o pacote. — Não vai abri-lo?
— Claro que vou — respondeu, hesitante.
O envelope decorado marcava o número dezoito na frente. A mensagem não era exatamente calorosa. Dizia apenas "Com amor, mamãe". Não mencionava saudade nem pedia visitas, quanto mais uma volta ao lar. O cheque em anexo sugeria uma compensação.
— É de seu padrasto? — Edward perguntou.
— Não, é de minha mãe — Bella respondeu na defensiva.
Em seguida mostrou o cheque. Sentiu que era seu dever. Edward a deixara ficar em sua casa porque sabia que não tinha dinheiro. A importância de quinhentas libras mudava a situação.
— Otimo. Fico contente por você.
— Bem — Bella suspirou —, ao menos não estou mais arruinada.
— Por uma semana ou pouco mais, ao menos — Edward declarou.
Bella franziu o cenho.
— Por que disse isso? Acha que eu sairia por aí e torraria tudo em um piscar de olhos?
— Por que não? Não é para isso que serve o dinheiro? Para gastar? Principalmente à idade de dezoito anos? Você poderia sair esta noite e comemorar sua maioridade em um bar.
— É verdade — Bella pareceu concordar: — Mas não posso sair esta noite. Sua irmã me pediu para cuidar de Hoop.
De repente, a ideia pareceu irresistível a Bella. Sair com Edward e com Joseph para celebrar sua maioridade seria algo inesquecível.
— Poderíamos ir amanhã — Bella propôs.
— Eu aceito — Edward respondeu.
— Eu também — disse Joseph.
— Então o encontro está marcado — Edward confirmou.
Um encontro. Bella repetiu mentalmente aquelas palavras. Como gostaria que fosse verdade. Alice lhe confidenciara que o irmão não costumava ficar sem uma mulher por muito tempo. Como seria se ele trouxesse alguém para dormir em seu quarto?
O pensamento foi tão insuportável que Bella fechou os olhos. Quando tornou a abri-los, Edward estava entregando um envelope a Joseph.
— O que você esperava, chegou. E um envelope oficial do Departamento de Imigração.
O jovem engoliu em seco.
— Leia para mim, doutor, tenha a bondade.
A tensão se estendeu também a Bella. Pelos modos de Edward, as notícias não eram favoráveis. Incapaz de controlar a decepção, Joseph se levantou e saiu da sala.
Bella fez menção de segui-lo; Edward a deteve.
— Ele descende de nobres. E muito orgulhoso. Será ainda mais difícil encarar a situação se tiver testemunhas de sua dor.
— Quer dizer que não há mais esperanças?
Um movimento afirmativo de Edward confirmou o fato.
— Ele terá um prazo de dois meses para deixar o país.
— Nós precisamos ajudá-lo — Bella afirmou. Em verdade não havia acreditado, até aquele instante, que o caso de Joseph era realmente desesperador. — Eu o ajudarei. Foi para isso que vim para cá, não foi?
Se era gratidão que Bella esperava receber, teve uma decepção.
— Não. No início era, depois tudo mudou. — Edward se levantou. — Preciso dar uns telefonemas. Em seguida, sairei.
Bella calou-se, magoada. Edward se apresentara a ela com o único objetivo de ajudar Joseph. Por que mudara de ideia? Não confiava nela? Tinha medo de uma traição de sua parte?
Raiva e auto-piedade a dominaram. A raiva foi mais forte. Era a vida de Joseph que estava em jogo. Edward não tinha o direito de decidir.
Foi nesse estado de espírito que Bella procurou Joseph mais tarde, quando levou um sanduíche em seu quarto. Joseph, apesar de tudo, estava estudando.
— Joseph, Edward lhe contou por que me trouxe aqui?
— Você estava com a perna machucada.
— Sim — Bella admitiu. — Mas ele não comentou algo com você sobre casamento como solução para seu problema?
— Um casamento com uma cidadã britânica? — Joseph disse. — Sim, ele fez uma brincadeira a respeito, mas o assunto logo foi esquecido. Eu não conheço ninguém para me casar.
Bella respirou fundo. Era óbvio que Joseph jamais a considerara uma candidata. Ela tampouco pensava em se casar. Até conhecer Edward.
—- Você me conhece.
Joseph encarou-a por um instante. Depois riu.
—Estou falando sério.
Ele continuou encarando-a, incrédulo.
— Não podemos nos casar. Edward não permitiria. Você é sua chère amie.
Bella cogitou o que Joseph estava querendo dizer. Estaria se referindo a ela como amante de Edward?
— Por que diz isso? — Bella caçoou.
— Notei o modo como vocês se olham. Acho que deveria propor casamento a ele, não a mim.
Dessa vez, Bella não sentiu vontade de brincar.
— É esse o costume em seu país? São as mulheres que pedem os homens em casamento?
— Não. Kirundi segue costumes tradicionais. O homem procura o pai da moça e lhe oferece bodes de presente. Na Inglaterra, contudo, há liberdade. As moças podem escolher os homens. Você não quer Edward?
O rosto de Bella enrubesceu. Ela não esperava por uma pergunta direta.
— Desculpe — Joseph murmurou. — Não pretendia ofendê-la.
— Não ofendeu. A ideia de eu me casar com você partiu do próprio Edward.
Joseph mostrou-se perplexo.
—Eu quero que considere essa opção, Joseph — Bella insistiu. — Sei o quanto lhe significa estudar aqui. Além disso, não tenho nenhum outro plano de casamento em vista. Joseph sorriu, constrangido.
— Confesso que não sei o que dizer. Você é muito gentil.
Antes de mais nada, preciso conversar com o doutor.
Por sorte, Alice havia lhe pedido para cuidar de Hoop aquela noite e dormir em sua casa. Assim, quando retornasse, Joseph e Edward já teriam conversado sobre aquele assunto, Bella pensou.
Alice notou sua preocupação, mas quando lhe perguntou se havia algo errado, Bella preferiu tranquilizá-la. Alice tinha bastante com o que se preocupar. No final da gravidez, estava se sentindo cansada e um jantar de negócios com os clientes de seu marido não lhe parecia um bom programa.
— Estou parecendo uma baleia — resmungou.
— Você está linda — Bella escutou Jasper dizer. Ficou fascinada. Eles estavam casados havia dez anos e ainda pareciam apaixonados. Eram diferentes dos casais que ela conhecia.
— Mentiroso — Alice respondeu com um sorriso de prazer.
— Você me coloca de castigo quando minto — Hoop protestou.
Os adultos foram salvos de uma explicação com a chegada do táxi que os levaria ao clube onde seria oferecido o jantar.
Bella havia se afeiçoado ao casal e a pequena Hoop no decorrer do tempo.
Brincaram e riram por duas horas. Depois, Bella colocou-a na cama e leu algumas histórias. Quando a menina adormeceu, foi para o quarto de hóspedes e procurou dormir também. Não queria passar a noite acordada, pensando na conversa que Joseph teria com Edward.
Acordou com um barulho insistente. Aguçou os ouvidos. Alguém estava batendo à porta. Levantou-se. Havia se esquecido de tirar a chave da fechadura. Provavelmente Alice e Jasper não estavam conseguindo entrar. Mas não era Alice nem Jasper. Era Edward.
Ele entrou. Seus olhos percorreram-lhe o corpo, da cabeça aos pés. Ela ainda estava usando uma das camisas dele como pijama.
— Você não tem juízo? — ele a censurou antes mesmo que ela tivesse tempo de acordar e pensar. — Sabe o que fez? Abriu a porta no meio da noite sem perguntar quem era.
— Pensei que eram sua irmã e seu cunhado.
— Poderia ter sido um criminoso — Edward retrucou, zangado.
— Está bem — Bella respondeu. Sabia que estava errada, mas preferiu não estender o assunto. — O que você quer?
— O que acha que eu quero?
"Brigar comigo", Bella pensou. Mas resolveu ser direta.
— Falar sobre Joseph.
—O que mais poderia ser?
Bella fez um movimento com os ombros.
— Poderia ser por outro motivo? — Edward insistiu.
— Quem sabe? — Ela tornou a dar de ombros. — Você é contra quase tudo que faço.
— Isso não é verdade. — Bella fez menção de se afastar.
Edward segurou-a pelo braço.
— Aonde pensa que vai?
— A cozinha. A menos que você prefira que eu vá ao quarto de Hoop e verifique se ela acordou com seus gritos.
— Eu não estou gritando! — Edward protestou em tom ligeiramente mais baixo. — Está bem. Vamos para a cozinha.
O comportamento de Edward começou a irritá-la. Foi até a pia e pegou um copo d'água. Ele também se serviu de algo, mas foi de uísque. Após tomar um gole, olhou para ela.
—Quer uma dose?
— Não, obrigada. Eu não bebo — Bella respondeu, séria.
Edward serviu-se de outro copo.
— Que tal me contar sobre esta tarde? O que aconteceu?
— Com Joseph?
— Sim, com Joseph — Edward respondeu com impaciência.
— A menos que você tenha pedido mais algum homem em casamento, é claro.
— Não que eu me lembre — Bella respondeu, sarcástica.
No mesmo instante, viu as juntas dos dedos de Edward empalidecerem ao redor do copo. Ele estava realmente nervoso. Mas conhecia-o bem o suficiente para não temer um confronto físico.
— E alguma brincadeira? Está tentando me atingir por meio de Joseph?
— Não estou entendendo — Bella foi franca em dizer.
— Qual seu interesse? Dinheiro?
— Isso importa? — Bella retrucou, ofendida. — Quem pode garantir que não me apaixonei por ele? Afinal estamos vivendo na mesma casa há um bom tempo.
A declaração soou convincente. Até demais.
— Foi isso que aconteceu?
— O quê?
— Você se apaixonou?
Bella sentiu que corava. Sim, ela havia se apaixonado. Mas não por Joseph.
— Não, claro que não. Eu já lhe disse que não acredito em amor.
— Então por quê?
— Use a imaginação. — Edward manteve-se em silêncio.
Ela prosseguiu.
— A ideia foi sua.
— Naquela época, eu não a conhecia — Edward justificou.
— E agora que me conhece, não confia em mim, não é?— Bella esbravejou. — Prefere que Joseph seja expulso da Inglaterra!
Não havia mais o que dizer. Bella quis se afastar. Mas, mais uma vez, Edward a deteve.
— Não é uma questão de confiança.
— Não? O que é, então?
— Você não sabe? — Edward encarou-a como se a acusasse de algo.
— Não!
— Não pode se casar com Joseph.
— Então procure outra noiva para ele. Talvez confie mais em uma de suas ex-namoradas.
Edward suspirou.
— Não seja ridícula.
— Oh, eu esqueci. Joseph é jovem demais para elas.
Assim que disse aquelas palavras, Bella se arrependeu.
— Tenho trinta e quatro anos. Acha que sou velho?
— Não. E você quem acha isso. Está sempre me chamando de criança
— Talvez tenha sido esse meu erro. Não tratá-la como uma mulher. — Ele atraiu-a contra o peito e fitou-a. — Não é disso que gosta? De saber que exerce fascínio nos homens?
— Por favor...
— Quanta pureza em seu tom de voz! — Edward zombou.
— Solte-me!
— Ainda não. Foi você quem começou. Quer que eu a trate como uma mulher, não quer?
Bella não sabia mais o que queria. Quando Edward segurou-a pelo pescoço e a fez encará-lo, sustentou-lhe o olhar. Ele a beijou sem paixão, no intuito de castigá-la. Ela cerrou os lábios, tentando resistir.
Mas fazia tanto tempo que não ficavam juntos, tanto tempo que não se beijavam, que a raiva logo passou e o beijo tornou-se doce e persuasivo.
Quando finalmente se afastaram, ela não conseguiu se lembrar da razão pela qual haviam discutido. Não conseguiu pensar nem parar de olhar no fundo daqueles olhos verdes e de desejar outro beijo.
— Não está certo — Edward murmurou ao mesmo tempo que se inclinava mais uma vez à procura dos lábios trémulos de Bella.
Ambos pararam de respirar quando o beijo se tornou mais intenso. Em seguida, as respirações ficaram ofegantes. Não se tratava mais de um jogo. Bella enlaçou-o pelo pescoço e não escondeu seus sentimentos. Quanto mais se beijavam, mais beijos queriam.
Por fim, após ousadas carícias sob as roupas, quando Edward começou a gemer e a tentar deitá-la no chão, Bella recuperou o controle.
— Aqui não.
— Não. Aqui não. — Ao se dar conta do que estava fazendo, Edward respirou fundo e segurou-a pela mão. Em seguida conduziu-a pelo corredor em direção ao quarto de hóspedes.
O pouco bom senso que lhe restava pedia que lembrasse Edward de que a sobrinha estava dormindo no andar de cima e que Alice certamente não gostaria de saber sobre o que estava acontecendo. Mas Edward voltou a beijá-la e a atrair seu corpo de encontro ao dele e ela não conseguiu pensar em mais nada.
Depois de beijar seus lábios, Edward começou a deslizar a boca pelo pescoço até alcançar a barreira da roupa. Afastou-se, então, e começou a desabotoar-lhe a blusa. Cada botão que ele soltava significava um beijo no local. As partes da blusa foram finalmente separadas. Nesse instante, ele concentrou-se no vale entre os seios.
Bella não parava de tremer. Queria que Edward continuasse a amá-la e não queria. Em determinado momento, quando seus olhos se encontraram, ela baixou a cabeça. Edward não podia ler o amor que estava transbordando dos dela. Nem seu medo.
Ele a deixou inteiramente nua. No entanto, era seu rosto que ele olhava o tempo todo enquanto se despia e exibia o peito largo coberto de pêlos escuros.
Só depois que tirou a camisa, ele se permitiu admirar o corpo de Bella. Era ainda mais lindo do que se lembrava. A pele era pálida como marfim e macia como seda. O corpo era delicado e esguio, mas os seios eram cheios e firmes.
Os olhos de Edward acariciaram cada parte da anatomia feminina como se estivessem lhe fazendo amor mentalmente. Bella pensou que não resistiria à vergonha, mas não foi o que aconteceu.
Manteve-se calma até Edward tornar a tocá-la. Nesse instante, voltou a tremer.
— Você está com frio — ele sussurrou e carregou-a para a cama. Deitou-a gentilmente e cobriu-a com o lençol.
Ainda trémula, Bella observou-o enquanto terminava de se despir. Primeiro Edward tirou o relógio e colocou-o sobre a mesa-de-cabeceira. Depois foi o cinto. Ele também tirou os sapatos, as meias e o jeans, mas deitou-se com a cueca.
O calor do momento havia passado, mas não para Edward. O modo que ele acariciava-lhe os cabelos e o rosto dizia isso. E Bella reconheceu que esperava por aquilo desde sua primeira noite na torre. Era ansiedade o que sentia, não medo.
— Sinto dizer, mas não estou prevenido — Edward murmurou. — Tudo bem?
Bella demorou um instante a entender. Talvez devesse agradecer pelo aviso e pela preocupação de Edward com as possíveis consequências. Em vez disso, sentiu um aperto no peito. Edward estava acostumado a ter mulheres. Era apenas mais uma para ele.
— Bem, se você tampouco se preveniu, basta dizer, certo?— Ele sorriu.
— Ok.
O sorriso aumentou.
— Dê-me um beijo.
Agora, Bella não hesitou. Edward havia se deitado e ela se inclinou sobre ele. O beijo foi suave no início, mas ao ter certeza de que Bella também o queria, Edward não esperou mais.
Rolou-a na cama, segurando-a pela base das costas com uma das mãos e pela nuca com a outra. O beijo, que não interrompeu nem sequer por um segundo, foi tão íntimo que deixou-a sem fôlego.
Quando os lábios deixaram sua boca para beijarem as orelhas, as faces, o pescoço, os ombros e os seios, ele já estava por cima dela.
Entre gemidos, Bella afundou os dedos nos cabelos de Edward. O prazer que ele estava lhe proporcionando, sugando os seios, um após o outro, era tão intenso que se espalhava por todo o corpo.
Edward sabia tudo sobre a arte do sexo. Sabia como, onde e quando tocá-la. Mas no instante que a tocou no centro de sua feminilidade, não teve certeza se estava ou não pronta.
Ele tornou a beijá-la até sentir que as pernas relaxavam em vez de se contraírem às carícias. E elas eram tão intensas e voluptuosas que provocaram espasmos e gemidos ainda mais altos.
Bella abriu os olhos ao sentir que uma imensa onda a cobria, Edward estava olhando para ela e descobrindo seus segredos. Era impossível ocultar as emoções.
Havia ternura na voz de Edward quando tornou a falar.
— Estou te machucando?
— Não — ela respondeu com um fio de voz.
— Você é virgem, não?
Bella concordou com um gesto de cabeça.
— Isso importa? — Não importava para Bella. Ela queria que Edward fosse o primeiro e o último homem em sua vida.
— Talvez seja errado por causa de nossa diferença de idade, mas agora não tenho certeza de mais nada. Não sei o que você quer de mim.
"Amor", Bella pensou. Muito amor. Mas não era uma tola.
— O que estamos fazendo não é suficiente? — Bella perguntou como se estivesse satisfeita.
Ele pareceu inseguro. Talvez não estivesse acreditando na sorte que tivera. Uma mulher que não exigiria um compromisso.
Bella sentiu que precisava convencê-lo daquelas palavras. Abraçou-o, trazendo-o para junto de si, e beijou-o. Se Edward hesitou, foi apenas por alguns segundos. Logo estava beijando-a como se o desejo ainda não tivesse diminuído.
Mais tarde, Bella pensou que teria feito qualquer coisa que Edward pedisse. Mas não houve tempo. O ruído do carro de Alice e de Jasper chegando fez com que voltassem à realidade.
Bella ficou em pânico.
—Alice!
Edward soltou-a, rindo.
— Não se preocupe. Alice é uma mulher adulta. Sabe que o irmão dorme com mulheres.
A situação poderia ser divertida para ele, mas não para ela.
— Não é sua reputação que está em jogo!
Enquanto procurava a roupa, Edward continuava na cama, olhando calmamente para ela.
— Você tem um sinal de nascença.
Ela sabia que tinha e onde ficava. Puxou a coberta e jogou-a sobre o corpo. Mas só percebeu que o que fizera fora ainda pior, quando era tarde demais. Em sua posição indolente, Edward estava inteiramente exposto.
— Por favor! — Bella implorou. Não queria que Alice pensasse mal a seu respeito, apesar do modo como havia se comportado.
Por fim, Edward se levantou e vestiu o jeans e a camisa. Em sua calma, já estava vestido enquanto Bella continuava procurando sua camisa de dormir.
Ele a encontrou e entregou-a com um beijo. Um beijo tão apaixonado que deixou-a perplexa. Mesmo com a irmã e o cunhado na iminência de entrar na casa, Edward ainda a queria.
No instante seguinte, ouviram Alice chamá-los. Sabiam da presença de Edward pelo carro, por certo.
— Arrume a cama — Edward instruiu-a. — Se eles entrarem aqui, deixe que eu fale.
Bella fez o que Edward pedia sem discutir. Enquanto isso, ele abriu a janela.
— Estamos aqui — ele disse.
Alice entrou e parou após dar um passo. Ora olhava para Bella, que passava os dedos nervosamente pelos cabelos, ora para seu irmão, junto à janela.
— Bella estava com calor — Edward informou — Eu precisei vir ajudá-la a abrir as venezianas. Elas estão um pouco emperradas.
O olhar de Alice recaiu sobre o relógio em cima da mesa-de-cabeceira. Quando tornou a olhar para Edward, notou a umidade em sua testa.
— Parece que o calor também o atingiu. Talvez esteja precisando de um banho frio.
— Boa ideia. — Edward recebeu a sugestão com um sorriso. — Acho que vou tomá-lo agora mesmo. A menos, é claro, que Bella prefira ir para casa.
Os olhos de Edward se fixaram em Bella com um pedido mudo para que fossem imediatamente para a torre.
Bella pestanejou. Se fossem para casa, certamente continuariam o que estavam fazendo. Mordeu o lábio. Como seria depois? Seguiriam com suas vidas como se nada tivesse acontecido? Para ela, seria impossível.
Alice pressentiu a indecisão e disse.
— Que bobagem! É muito tarde. Bella não está nem sequer vestida, caso não tenha notado.
— Oh, eu notei.
— Sim, e eu não nasci ontem — retrucou Alice.
Bella sentiu-se ainda mais constrangida. Talvez irmão e irmã estivessem acostumados a situações como aquela.
— Engraçado você dizer isso — Edward brincou. —Bella nasceu.
— É mesmo? — Alice virou-se para Bella. — Foi seu aniversário? Deveria nos ter contado. Quantos anos fez?
— Dezoito.
Alice franziu o cenho.
—Não precisa fazer um sermão — Edward murmurou.
— Não. Apenas espero que tenha consciência do que está fazendo.
—Eu tenho, acredite — Edward respondeu.
Bella percebeu que a discussão tinha a ver com sua idade. Foi sua vez de franzir o cenho. Mas Alice logo voltou ao normal.
— Parabéns — disse. — Dezoito anos é uma idade especial. Precisamos comemorá-la.
— Estou tomando providências — Bella disse. — Você receberá um convite.
— Para uma festa?
— Para meu casamento — Bella corrigiu.
— Casamento? — Alice pareceu levar um choque. Mas o sorriso que deu em seguida era de pura felicidade. — Oh, mal posso crer! Edward, por que não disse nada? Que genial!
Edward não respondeu. Estava sério. Bella sabia que também o havia chocado. Mas o que poderia fazer? Sabia que não havia futuro para ela com ele.
— Com Joseph — Bella acrescentou.
De sério, ele ficou zangado. Ou melhor, furioso.
— É verdade? — Alice perguntou, assombrada.
— Pergunte a ela — Edward resmungou.
— Sim.
— Não consigo entender — Alice confessou. — Vai se casar com Joseph por causa daquele problema com a imigração?
Bella assentiu.
— Só por esse motivo?—Alice insistiu. — Você aprova, Edward?
— Importa o que eu penso?
— Importa. — Bella o fez parar em seu caminho para a porta.
— Joseph não fará nada sem consultá-lo. Você sabe disso.
— E o que espera que eu faça? — Edward indagou. — Que lhes dê minha bênção?
Edward começou a avançar em direção a Bella. Alice o deteve.
—Por favor, parem com isso!
Edward não atendeu.
— Está bem. Eu dou. Não quer também que eu a entregue nos braços dele diante do altar?
Era o orgulho falando. Bella reagiu do mesmo modo.
— Como pode me tratar assim? Fala como se eu o tivesse traído!
— Parem! — Alice implorou. — Vocês estão indo longe demais!
Mas não havia mais volta. Edward olhou para Bella com desprezo e saiu, batendo a porta.
Alice chamou-o e tentou segui-lo, mas foi em vão. Ele subiu em seu carro e foi embora.
— O que houve? — Jasper quis saber.
— Não tenho certeza — Alice respondeu. — E Hoop?
— Dormindo como um bebé. Pensei que Bella fosse dormir em nossa casa esta noite.
— Ela irá.
— Então, o que Edward estava fazendo aqui?
— Boa pergunta! Suba, querido. Logo estarei com você.
— Não demore, está bem? Você precisa descansar.
— Só quero trocar umas palavrinhas com Bella.
Não foi possível. Antes mesmo de chegar ao quarto de hóspedes, Alice ouviu os soluços de Bella. Bateu à porta e a viu chorando, com a cabeça enterrada no travesseiro.
Como estou? — Bella perguntou ao 'sair do provador. Alice examinou-a da cabeça aos pés. Bella parecia outra pessoa sem o costumeiro jeans e suéter.
O vestido era lindo: de cetim branco, longo, decotado, justo na cintura e nas mangas. Mas o que realmente o tornava especial era a jovem que o usava. Os cabelos curtos e espetados haviam crescido e agora estavam brilhantes e bonitos.
—Inacreditável! — Alice exclamou.
—Não estou me sentindo à vontade dentro dele, mas darei um jeito de superar o problema.
—Tem certeza do que está fazendo? — Alice tentou mais uma vez solucionar aquele quebra-cabeças. — Não acho que Edward tenha pensado em um vestido de noiva quando planejou ajudar Joseph.
—Não? — Bella fingiu indiferença.
—Ele apenas disse que você deveria usar algo apropriado.
— Existe algo mais apropriado para um casamento do que um vestido de noiva? — Bella ironizou.
— Tudo o que está fazendo é para atingir meu irmão, eu sei — Alice murmurou.
Bella franziu o cenho. Não havia mais segredos entre ela e Alice. Desde a noite fatídica, passara a morar com ela e a trabalhar como babá de Hoop. — Sou uma tola. Duvido que ele compareça à cerimônia.
— Eu não teria tanta certeza. Afinal, a garota com quem ele gostaria de se casar, estará desposando outro.
— Ele não admite a ideia de se casar comigo. Acha que sou jovem demais.
— Ou ele se considera velho demais para você?
— É a mesma coisa.
— Não, não é — Alice afirmou.
Cansada de conjeturas, Bella avisou que iria tirar o vestido para irem embora. Alice não teve paciência para esperar. Puxou uma parte da cortina e prosseguiu com a conversa.
— Seria lamentável se vocês não se casassem somente por causa da diferença de idade. Veja meu caso. Eu tinha vinte e três anos quando conheci Jasper. Ele estava com quarenta e um. A diferença entre nós é maior do que a sua e de Edward. E nosso casamento deu certo.
— Não é uma questão de idade apenas — Bella murmurou.
— É uma questão de quê? — Alice quis saber.
— Não sou o tipo" dele.
— Bobagem. Meu irmão nunca teve um tipo preferido.
Bella já havia percebido por diversas vezes que Alice gostaria que ela se casasse com o irmão. Talvez para evitar que ele decidisse voltar à África.
— Sei que suas intenções são boas, Alice — Bella resolveu dizer —, mas acho melhor você tirar da cabeça essa sua ideia de Edward e eu nos casarmos. Aconteça o que acontecer, vou me casar com Joseph no próximo sábado.
— Seu compromisso com Joseph é sério. Não estou criticando-a. Apenas parece-me uma medida drástica demais vocês se casarem na igreja.
— Confesso que isso não me agrada. Mas ouvi quando Edward disse a você que um juramento diante de Deus seria mais convincente perante as autoridades do serviço de imigração.
Após ouvir essas palavras, Bella convencera Joseph a procurar uma igreja e ela e Alice visitaram uma loja de aluguel de roupas.
O pior fora mentir para um representante de Deus. Quando Joseph e ela saíram da igreja, após marcarem a data, entraram no carro de Edward, que ficara esperando-os na rua.
— Algum problema? — ele perguntou.
Nervosa, Bella acendeu um cigarro. Foi Joseph quem respondeu:
— Não foi fácil, doutor. Acho que Deus está zangado com o que fizemos.
A surpresa de Bella foi grande. Quando esperava que Edward fosse zombar da atitude de Joseph, ele procurou tranquilizá-lo.
— Deus perdoará a mentira. Ele sabe o que se passa no coração das pessoas.
No entanto, na primeira oportunidade que Edward ficou a sós com Bella, na casa da irmã, o tratamento que lhe deu foi oposto.
— Se está com alguma intenção de desistir, diga agora.
— Por que desistiria?
Edward fitou-a com hostilidade. Ela sustentou o olhar. Por pouco tempo. Ainda estava apaixonada por ele. Nunca o esqueceria. Para disfarçar, acendeu um cigarro.
— Anda fumando muito — Edward observou.
Bella ergueu os ombros.
— Não entendo como Alice tolera esse vício, especialmente em seu estado.
— Não fumo dentro de casa — Bella se defendeu. — E se o sermão ainda não terminou, trate de acabá-lo. Jasper chegou.
Edward seguiu o olhar de Bella e viu o cunhado estacionando o carro.
— Quero que fique com isto. — Edward tirou um cheque de seiscentas libras do bolso e entregou-o.
— Não é preciso.
— E para as despesas. Você não pode se casar de jeans, não acha?
— Está bem.
Bella não agradeceu. Não pôde. Apenas pegou o cheque e se afastou, correndo.
Bella voltou ao presente ao terminar de se vestir. Pagou quatrocentos e cinquenta libras pelo aluguel e estava esperando que a dona da loja embrulhasse o vestido, quando percebeu que ela abria um caderno.
— Quando será seu casamento?
— No próximo sábado.
A mulher pestanejou.
— Bem, antes precisarei consultar a lista de reservas.
As noivas costumam escolher os vestidos com dois meses de antecedência. — Um instante depois ela tornou a olhar para Bella. — Está com sorte. Talvez por este ser um dos vestidos mais caros da loja, não é alugado com muita frequência.
— Obrigada por tudo — Bella agradeceu enquanto tomava café com Alice em uma confeitaria, onde Jasper e Hoop iriam buscá-las.
— De nada — Alice respondeu. — Adoro casamentos. Pena que o seu não seja de verdade.
A voz de Alice soou tão melancólica que Bella sentiu-se no dever de dizer:
— Se está preocupada com o aspecto legal da situação, tenho certeza de que Edward conseguirá outra testemunha.
— Oh, não. Quanto menos pessoas se envolverem nisso, melhor será.
A conversa foi interrompida pela chegada de Jasper e de Hoop. A menina estava excitadíssima com o prospecto do casamento. Durante o trajeto, não sossegou enquanto Bella não prometeu que posaria para ela com o vestido assim que chegassem.
Edward estava esperando-os diante da casa.
Com o coração apertado, Bella tentou escapar para seu quarto, enquanto os familiares se abraçavam. Mas foi detida por Hoop, que a segurou pela mão, e também por um chamado de Edward.
— Preciso falar com você.
— Oh, tio, agora não! — Hoop implorou. — Bella e eu vamos experimentar nossos vestidos para o casamento. Se quiser, nós mostraremos a você.
— Não dizem que dá azar? — Edward respondeu, seco.
— Só se você fosse o noivo, querido irmão — disse Alice.
Para Hoop, estava decidido.
— Venha, Bella. Precisamos nos vestir.
Bella seguiu, calada. Não teve forças para protestar.
Hoop ficou deslumbrada com o vestido. Ela, contudo, desejou poder devolvê-lo. O que estava fazendo não era certo. Estava se casando com um e amava outro.
Assim que terminaram de se vestir, Hoop puxou-a novamente pela mão.
— Vamos! Tio Edward está esperando!
— É você quem ele quer ver — Bella disse com um fio de voz. — Vá, querida.
Hoop hesitou por um instante, mas concordou. Sozinha, Bella encostou-se à parede e fechou os olhos. Não poderia entrar em uma igreja com aquele vestido. Não suportaria. Cumpriria o prometido e se casaria com Joseph, mas com um vestido simples que não acentuasse a farsa.
Hoop voltou para o quarto rindo de satisfação.
— Meu tio disse que sou a menina mais bonita do mundo.
Como você não desceu, ele está subindo para vê-la.
Não houve tempo para tirar o vestido. Mal Hoop terminou de falar, Edward surgiu à porta do quarto. Não entrou. Não era preciso. De onde estava, sua visão era total.
— Lindo, não? — Hoop perguntou.
— O vestido, sim — ele custou a dizer. — Preciso falar com você, Bella. Troque de roupa e iremos a algum lugar.
O tom de voz não poderia ter sido mais frio. Até mesmo Hoop percebeu.
— Acho que ele não gostou.
— Não tem importância. É com Joseph que irei me casar.
Hoop fez um movimento afirmativo com a cabeça.
— Talvez fosse diferente se ele fosse o noivo.
Bella não soube como responder à sabedoria da criança. Tirou o vestido, pendurou-o em um cabide e vestiu seu jeans e sua camiseta. Não tornaria a colocar o vestido. Apesar do prejuízo, estava decidida a não usá-lo.
Levou-o a seu quarto e saiu pelos fundos para ver Henry. Estava acariciando-o quando Edward surgiu as suas costas.
— Como ele está?
— Bém.
Edward inclinou-se para brincar com o cachorro.
— O que você quer?
— Precisamos conversar, mas não aqui. Joseph está a nossa espera na torre.
Bella não discutiu. Deu alguns biscoitos para Henry e seguiu Edward em direção ao carro. Estava com os nervos em frangalhos. Não conseguia nem sequer encontrar uma posição no banco.
— Se está precisando, pode fumar.
— Estou sem cigarros — Bella mentiu. Decidira parar de fumar, mas não queria que Edward pensasse que fora por causa dele.
Bella ficou surpresa ao ver um táxi diante da torre.
—- O que esse táxi está fazendo aqui? — Bella perguntou.
— Esperando Joseph.
— Para quê?
— Para levá-lo ao aeroporto.
— O quê? — Bella indagou, alarmada. — Ele voltará a Kirundi?
— Não. Mas para que você não tenha dúvidas, quis que viesse ouvir a história dele próprio.
— Então não haverá casamento?
— Não — Edward respondeu. — Ficou decepcionada?
— Não há nada entre mim e Joseph e você sabe perfeitamente disso!
Edward desceu do carro e Bella o seguiu. Olhou para o alto. A torre lhe pareceu magnífica. Fazia semanas que não a via e a saudade a ensinara a apreciá-la.
Subiram ao primeiro andar e encontraram Joseph na companhia de outro africano, de terno e gravata.
— Isabella , fico feliz que tenha vindo — Joseph disse com um sorriso. — Não queria partir sem me despedir de você. O doutor avisou-a sobre minha viagem?
— Sim, mas não sobre seu destino.
Joseph olhou para o outro homem e trocaram algumas palavras em seu próprio idioma.
— Infelizmente não posso lhe fornecer detalhes, mas irei ao encontro de meu tio, irmão de meu pai, que já foi um ministro em meu país, antes da guerra. Eu não tinha notícias dele. Pensei que tivesse morrido, mas ofereceram-lhe asilo político.
— Então irá morar com ele? — Bella perguntou.
— Sim. Ele se chama Patrice. O doutor conseguiu localizá-lo Agora lhe devo mais esse favor. Assim que o contato foi feito, meu tio, que também estava tentando me encontrar, disse que enviaria Marcelle para me buscar o mais depressa que pudesse.
— Fico feliz por você.
— Nunca esquecerei o que fez por mim. — Joseph entregou a Bella um pequeno estojo. — Por favor, aceite.
O estojo continha um anel com uma pedra azul oval.
— É maravilhoso. — Bella deu um passo para Joseph e beijou-o no rosto. — Eu o guardarei para sempre.
Joseph virou-se, emocionado, para Edward.
— Jamais poderei lhe agradecer o suficiente, doutor.
— Não diga nada, Joseph. Não é preciso. — Edward abraçou o amigo. — Vou acompanhá-los.
Emocionado demais para falar, Joseph acenou para Bella e pegou as malas com a ajuda de Edward e de Marcelle.
Bella não os seguiu. Apesar de estar a uma semana de seu casamento com Joseph, não eram íntimos. Edward, contudo, além de amigo, era um herói para o jovem.
Bella resolveu esperá-lo na cozinha. Enquanto aguardava, tentou colocar um pouco de ordem no local. Havia jornais e cartas espalhadas pela mesa, casacos pendurados nos encostos das cadeiras e louça suja na pia.
Quando Edward retornou, percebeu a contrariedade de Bella.
— Está uma desordem total, não?
— Precisa contratar uma faxineira.
— Alice disse que procuraria uma para mim.
— Não acha que Alice já tem o bastante com que se preocupar?
— Eu não pedi nada — Edward justificou-se. — Foi ela quem ofereceu ajuda.
— Há quanto tempo a situação de Joseph foi acertada? — Bella resolveu ser direta.
— O contato foi estabelecido há uma semana, mas a permissão oficial para Joseph entrar na França só foi dada dois dias atrás.
— Não precisava ser tão específico — Bella ironizou. — Pensei que fosse segredo.
— Não quero que imagine que Joseph tenha sido levado a algum lugar perigoso — Edward explicou. — Além disso, se eu consegui localizar o tio de Joseph, seus inimigos obviamente já têm o endereço.
— Então, por que se calou sobre os acontecimentos? Por que não me contou que o casamento não mais seria necessário?
— Queria ter certeza absoluta antes. Quanto à necessidade de seu casamento com Joseph, foi você quem decidiu isso.
— Não foi para isso que me procurou no metro? — Bella protestou.
— Isso foi antes.
— Antes de quê? Antes de você decidir que eu não era confiável?
— Antes de nós. — Bella pestanejou e Edward continuou — Pensou realmente que eu permitiria seu casamento com Joseph?
— Eu... Você me deu dinheiro para o vestido.
— Queria ver até onde você iria. — Edward encarou-a.
— Qual era seu plano esta tarde? Mostrar o que eu estava perdendo?
Bella não respondeu, mas o rubor traiu-a.
— Não era preciso — Edward avançou para ela de forma que seus corpos se tocaram. — Eu já sabia o que estava perdendo.
A raiva de Bella passou como por encanto. Com a proximidade de Edward, estava tremendo como uma folha ao vento.
— Gostaria de ir para casa agora.
— Você está em casa.
Bella quis se afastar e responder, mas não conseguiu.
—Preciso de você comigo, Bella.
Ele tocou-a no rosto com uma ternura que a emocionou.
—Não faça isso.
— Por que não? Você também me quer. Não adiantaria negar.
— Acha que isso é suficiente?
— Não.
Bella não entendeu a resposta. Mas ele tampouco havia entendido a pergunta. Não tinha importância. Estarem juntos era tão inevitável quanto o dia e a noite.
Por que outro motivo ela teria permitido que Edward lhe segurasse o rosto e a beijasse até roubar o ar de seu corpo e a razão de sua mente? Por que o seguiu para o quarto sem dizer nenhuma palavra? Por que estava disposta a aceitar tão pouco quando seu coração clamava por mais?
Ele a levou para o quarto com a cama de dossel. A noite estava caindo e trazendo sombras pela janela. Não acenderam as luzes. Não falaram.
Ele a despiu com rapidez e eficiência até deixá-la apenas de sutiã e calcinha. Observou-o enquanto desabotoava a camisa, mas quando Edward começou a desafivelar o cinto, tentou afastar-se.
Ele a deteve e abraçou-a pelas costas. Depois começou a beijar-lhe os ombros e a virá-la de frente. Bella dobrou a cabeça para trás, invadida por uma onda de desejo. Edward estava tocando-a em seus pontos mais sensíveis e que somente ele conhecia.
Estava perdida antes mesmo que Edward terminasse de se despir e se colocasse sobre ela, lindo e másculo. Nesse instante, sentiu medo. Sabia que nunca mais seria a mesma após aqueles momentos. Mas era tarde demais. Edward estava penetrando seu corpo, seu coração e sua alma, fazendo-a gemer.
A voz que sussurrava em seu ouvido parecia vir de longe.
— Está tudo bem. Está tudo bem. Eu te amo. Eu te amo muito.
Bella não ouviu a declaração. Estava ocupada demais em corresponder aos beijos e a não gritar com as investidas de Edward em seu corpo.
Recebeu-o passivamente até se adaptar à força da penetração. Depois, envolvida por completo pelo amor e pela paixão, começou a se movimentar também, aceitando-o nas profundezas de seu ser, até que o prazer se transformou em êxtase.
Foi uma união tão absoluta que Edward, sempre tão prevenido, esqueceu-se de tomar qualquer precaução.
Permaneceram abraçados por um longo tempo até sentirem os corações acalmarem. Bella jamais havia estado com outro homem, mas o instinto lhe dizia que nenhum a teria feito sentir-se tão feliz, tão completa. Edward era seu primeiro amante e seria o último, apesar de não ter esperanças de que ele também a amasse.
Edward ergueu-se sobre um cotovelo e fitou-a com um sorriso que desapareceu diante da seriedade com que foi recebido.
— Você está bem?
— Estou — ela mentiu.
— Não é o que parece. O que está acontecendo, Bella?
Bella se afastou e cobriu a nudez com o lençol.
— Não está acontecendo nada. — Queria ser forte, mas estava à beira das lágrimas. — Preciso ir.
Sentou-se e vestiu a camiseta. Antes que pudesse pegar o jeans, Edward a segurou pelo braço.
—Ir para onde?
Para qualquer lugar onde ele não a visse chorar. Desesperada, desvencilhou-se e saiu do quarto. Só percebeu que estava sem os sapatos quando chegou à porta da rua. O bom senso dizia que não iria longe descalça e no escuro. Mas o orgulho a impedia de voltar ao quarto.
Quando Edward desceu, depois de se vestir, encontrou-a sentada na escada. Ele se sentou ao lado dela.
— Foi aquilo que eu disse? Eu te assustei? Se for esse o motivo, não se preocupe. Estou preparado para me contentar apenas com sua presença.
— O que está dizendo? — Bella perguntou, confusa. — Quer que eu passe a noite aqui?
— A noite, uma semana, um mês, um ano. O tempo que quiser.
Bella não partilhava da mesma opinião. Se dependesse dela, não haveria limite de tempo. Quanto mais ficasse, mais difícil seria partir.
— Não posso ficar.
Edward pareceu não ouvir. Inclinou-se e afagou-lhe os cabelos. Depois beijou-a com suavidade.
— Fique e deixe-me cuidar de você.
— Não sou mais criança para que cuidem de mim — disse, amarga. — Não precisaria ter saído de casa, se quisesse isso.
Edward sentiu-se mal. Sempre soubera que Bella era frágil. Como pudera enganar-se tanto?
— Eu pensei que tudo ficaria certo entre nós se fizéssemos amor...
— Não se recrimine. Você me queria, eu te queria. Ficamos juntos. Fim da história.
Ela se levantou e subiu para o quarto antes que Edward respondesse. Mas ele estava diante da porta no instante seguinte.
— Por quê, Bella? Foi curiosidade? Vingança?
Bella franziu o cenho.
— Não sei de que você está falando.
— Não? Esperou que eu caísse a seus pés para me deixar. Por quê? Quis que eu pagasse pelo que seu padrasto fez?
— Meu padrasto não tem nada a ver com isso! Acha que eu permiti alguma vez que ele me tocasse?
— Então por que deixou que eu lhe fizesse amor, se não queria nenhum compromisso comigo?
Bella não podia dizer a verdade. Para não mentir, limitou-se a fazer um movimento com os ombros.
— E se eu a engravidei? Já pensou nessa possibilidade?
— Não, mas você obviamente já e isso o perturba, não?
— É claro que sim! Se você ficar grávida, a responsabilidade também será minha.
—- O que sugere, então? Que nos casemos para evitar algum problema?
Bella usou de puro sarcasmo, mas a resposta de Edward foi séria.
— Exatamente.
— Eu estava brincando.
— Eu não.
— Ninguém se casa hoje em dia por esse motivo.
— E um motivo justo para mim.
— Mas não para mim!
O que estava acontecendo com ela? O homem que amava a queria em casamento. Por que não aceitava de uma vez?
— Quer outros?
— Sim.
— Nossa química é fora do comum. Não tem experiência no assunto, mas eu sei o que estou dizendo. Além disso, somos compatíveis em interesses e atitudes.
— Você é racional demais, Edward. Uma garota precisa de romance — Bella caçoou.
—Eu já tentei esse ângulo. Não adiantou.
Bella não entendeu.
— O que está dizendo?
— Eu disse que te amava e o que consegui? Você se levantou e quis fugir!
— Você me ama? De verdade? — Bella fitou-o, perplexa.
— Eu seria incapaz de mentir sobre meus sentimentos.
Riso e lágrimas se misturaram nos olhos de Bella.
— Quer que eu repita?
Não era preciso. Agora ela havia entendido. Ambos eram orgulhosos. Se não tomassem cuidado, viveriam brigando.
— Não. Agora é minha vez. Eu te amo, Edward e isso me assusta. Você pediu que eu ficasse esta noite, ou algum tempo. Eu te amo tanto que não pude aceitar. Não quero nada menos do que uma vida inteira.
Não foi possível continuar. Edward pousou os lábios nos dela em um beijo que traduzia um amor tão real quanto o que Bella lhe dedicava.
— E você achava que eu a deixaria ir embora? Depois de tudo que me fez passar?
— Eu? — Bella protestou.
— Esqueceu-se daquela noite na casa de Alice? Em um momento estávamos na cama juntos e eu me sentia o homem de mais sorte no mundo. No outro, você anunciou que iria se casar com Joseph.
— Não havia nada entre mim e ele.
— E eu sabia disso, mas o ciúme me enlouqueceu — Edward admitiu. — Minha irmã contribuiu. Não parava de elogiá-la.
Bella sorriu.
— E agora?
— Fique comigo, Bella.
— Se é isso que você realmente quer...
— Sabe que sim. Mas não apenas esta noite. Quero que fique comigo para sempre. Case-se comigo, Bella.
— Por causa da probabilidade de uma gravidez?
— Não, porque eu te amo.
— Não seria uma loucura?
— Talvez — Edward admitiu com um amplo sorriso. — Será apenas um ato legal ou optaremos por uma cerimónia completa?
— Eu ainda não disse sim — Bella lembrou-o.
— Está bem. Vamos dormir e amanhã você me dará a resposta.
Despiram-se e amaram-se como se não suportassem mais um minuto de separação. Quando dormiram, aos primeiros raios da aurora, continuaram abraçados.
Casaram-se um mês depois na mesma igreja que os familiares de Edward realizavam seus enlaces e batizados nas últimas quatro gerações.
Os pensamentos de Bella sobre o casamento haviam mudado. Enquanto se dirigia ao altar, ao encontro de seu marido, viu o futuro estender-se diante deles. Seriam anos de amor, de amizade, de risos, de bons momentos e também de maus. Mas sempre juntos!
FIM
BEIJOS E ATÉ SÁBADO
MAIS UMA VEZ OBRIGADA
