4° capítulo
Solidão
Hermione estava de pé no que agora era sua pequena nova sala. Ainda havia caixas e mais caixas fechadas ao seu redor, mas ela não tinha pressa para desfazê-las.
Sentou-se em uma das poltronas, escorou a cabeça e suspirou. Sua vida tomara um rumo tão inesperado, tão inconsequente, que às vezes parecia mentira. Aquela típica sensação de se estar vivendo um sonho ou um pesadelo, desejando com todo o fervor que tudo acabasse logo. Mas é ai que ela sabia que estava vivendo a realidade, pois tudo permaneceria do jeito que estava. Sem mudanças.
Basicamente, aos 34 anos de idade, Hermione imaginava-se casada, com seus filhos correndo pela grande casa, estabilizada no emprego que tanto gostava e lutando pelas causas que defendia.
Na verdade, quatro anos atrás, sua vida era exatamente assim. Mas tudo foi abaixo numa única noite. E numa manhã, numa manhã comum, se é que existia algo comum em sua vida a partir daquela noite, Hermione apenas deixou um bilhete e partiu. Deixou tudo para trás, marido, casa, emprego... Com Rose tudo foi embora, nada fazia mais sentido.
Hermione nunca mais conversara ou sequer vira Rony, nem qualquer outro membro da família Weasley. Era mais fácil assim, era assim que devia ser.
No desespero não sabia para onde ir, e as únicas pessoas que sabia que poderia recorrer, eram seus pais. Foi recebida com lágrimas, mas sem nenhum questionamento, o que ela agradeceu profundamente. Acabou por alugar uma casa por ali perto depois de um tempo. Hermione simplesmente não podia e não devia ficar sozinha e seus pais aguentavam mais aquele sacrifício. Esse era o modo como Hermione via as coisas, o que com certeza era muito diferente da visão de seus pais. Eles podiam não concordar com as atitudes da filha, tentavam de maneira sútil, fazê-la repensar em suas atitudes, mas nada que obtivessem sucesso. E apesar de qualquer coisa, Hermione sempre seria para eles sua garotinha, e fariam qualquer coisa para ajuda-la. Mas Hermione já se sentia como um fardo na vida dos pais e era dolorido demais, além de tudo o que os fazia aguentar, ver a censura e a tristeza em seus olhos.
Então, mais uma vez tomou uma decisão necessária: iria se mudar novamente e dessa vez para longe de tudo e todos. E agora só lhe restava pedir perdão e agradecer aos pais pelo que deixava para trás.
Eles a fizeram prometer que mandaria cartas para manter contato. E era a única coisa que poderia fazer por eles. Mas, para que não descobrissem seu paradeiro, sua única opção era usar uma coruja. O que não era mais tão comum para Hermione.
Com o passar do tempo, Hermione simplesmente se afastava da magia, chegando ao ponto de larga-la totalmente. Se não se enganava, havia quase dois anos que não usava sua varinha. Agora ela era como um objeto sem uso. E utilizar uma coruja estava totalmente fora de cogitação, até mudar-se e prometer aos pais que manteria contato.
Então, Hermione pediu à única pessoa que poderia fazer-lhe o favor de comprar uma: Harry. Ele achou a ideia perfeita, isso porque não sabia os planos da amiga. E Hermione tinha certeza que, quando descobrisse, ele não gostaria nada, nada.
Harry era uma espécie de carta branca para Hermione. Era a única pessoa que mantinha contato tão regularmente, além de seus pais. Ele era o seu calmante e revigorante, se é que podia dizer o último.
Hermione adorava quando ele a visitava e conversavam sobre coisas amenas, sem importância. Mas ela podia ver seus olhos desesperados, confusos e desolados. Talvez fosse por esse motivo que lhe entregou o caderno sem pensar duas vezes.
Hermione abriu os olhos lentamente e olhou em direção a pequena janela. Já era noite e o silêncio era tão reconfortante quanto assustador.
Esticou os braços e uma pilha de cartas foi ao chão. Hermione apenas olhou para o monte aos seus pés. As infinitas cartas de Gina, seus pedidos desesperados, suas lágrimas marcadas no pergaminho. Hermione respondera a todas elas, apenas nunca as enviou. Talvez um dia, Gina, sua grande amiga, poderia lê-las.
Hermione se levantou e arrumou as cartas numa pilha. No meio delas uma foto caiu , pegou-a e olhou bem para o rosto sorridente da foto.
Ele era e é parte de sua vida, não podia negar isso. Mas ele também era o culpado, o culpado por tudo. Mas é assim, independente do que a pessoa faça ou de quem ela é, se o amor é verdadeiro, nunca vai ter fim, nunca. Hermione deixou seu corpo ir ao chão e o choro veio forte como há tempos não vinha. Pegou seu remédio no bolso do casaco e deixou que o sono a dominasse, ali mesmo, no chão.
Rony chegou em casa de mais um plantão no trabalho. Estava cansado, mas não com sono. Andou pelo corredor escuro e bateu o joelho em algo que o fez xingar alto o bastante que, se tivesse alguém na casa, com certeza ela ouviria. Mas não havia ninguém.
Bufou sentindo o último resquício de dor e tirou o casaco, o deixando em um canto qualquer. Caminhou até a cozinha, e, automaticamente, seus pés o guiou para o armário onde guardava as bebidas. Precisava de algo forte. De volta ao corredor, Rony foi direto para o seu escritório e só lá uma fraca luz ascendeu.
Rony deixou a garrafa em um dos raros espaços na mesa e afrouxou a camisa. Sentou-se diante a mesa e serviu-se da bebida.
A cada dia que passava, Harry e toda sua família aproximavam da verdade e não havia nada que ele pudesse fazer. Simplesmente nada. Desde o dia em que Harry mostrara aquele caderno, sua mente viajava com as palavras que escutaria de cada um deles, do desprezo que precisaria encarar, das acusações.
Fora tanto tempo se escondendo, se mantendo covardemente protegido do que iria acabar com tudo o que lhe restava, que agora, Rony se via novamente desesperado pelo que estava por vir.
Tudo estava escrito naquele caderno, tudo. Não havia outro motivo para ela entrega-lo a Harry. Ela quer que ele descubra tudo, quer que todos saibam. Mas porque agora, quatro anos depois? Porque ela não gritou, berrou para o mundo todo o que ele havia feito? E porque ele mesmo não havia o feito? Manteve-se em silêncio, apenas sobrevivendo, deixando a culpa o consumir como penitência. Mas isso não era o suficiente.
Rony ainda lembrava-se daquela noite como se ela tivesse acabado de acontecer. As cenas iam e vinham em sua mente sem piedade, e ele gostava de se torturar com elas, era o mínimo que podia fazer, não era?
As coisas entre ele e Hermione, após aquele dia, haviam ficado extremamente frias. E, após perder Rose, ele teve medo de perder Hermione. E quando finalmente ele entendeu o que havia acontecido, havia apenas um bilhete na mesa da sala, escrito com letras nervosas e distorcidas: "Não dá mais.". Era só isso. Ela havia ido embora, tornando realidade todos os seus medos. Foi um adeus frio e seco, e Rony não fez nada para mudar a situação. Ele era o culpado e isso já era o suficiente. Ele nunca mais a viu, nunca mais ouviu sua voz. Foi realmente o fim.
Rony se viu num labirinto sem saída. A casa, na qual havia perdido tudo, havia ficado para trás, sendo esquecida não só por ele, mas também por Hermione. Rony alugou o apartamento, onde passou meses trancado, sem dar notícias, envolto de sua culpa e desespero totalmente sozinho, deixando familiares e amigos extremamente preocupados.
Quando resolveu voltar a realidade, descobrira que Hermione largara o emprego e também todos os Weasley. Todos fizeram muitas perguntas, insistiam em saber que droga havia acontecido com Rony e Hermione. As perguntas eram frequentes. Ele, covarde, com medo de se expor, dava a resposta que era evidente, "Rose! O que mais pode ter sido?", gritava ele em resposta, mas nem todos engoliam. Até que um dia simplesmente pararam de perguntar. Todos pararam com a insistência de saber o porquê daquele fim trágico. Mas Harry não desistiu e ainda não está nem perto de desistir. Na verdade, ele está cada dia mais perto da verdade.
Ele sabia que fazia sua família sofrer, via nos olhos de sua mãe as lágrimas que queriam descer, mas eram impedidas com muita força, via a mão de seu pai que se estendia como consolo, mas logo caiam ao lado do corpo. Ele via o olhar dos irmãos quando estava a observar seus sobrinhos brincando. E ele tentava ao máximo parecer "normal", tentar ao máximo sorrir, ser ele mesmo, ser apenas o Rony que todos conheciam.
Rony esfregou o rosto e apoiou os braços na mesa. Sua mente não parava um segundo sequer. Abriu a gaveta, e lá estava ele. Fechou a gaveta e suspirou. Caminhou até o sofá e bebeu o último gole do copo, deixando-o num canto no chão.
Rony se ajeitou e uma única lágrima desceu de sua íris azul.
-Eu já pedi perdão tantas vezes, Hermione, que eu já perdi a conta. Mas eu nunca vou me cansar. Mesmo que você não possa me ouvir, nem você, nem Rose, eu peço perdão mais uma vez, mesmo sabendo que não mereço. Eu falhei com vocês duas, sou a vergonha para a minha família. – a voz de Rony era baixa e rouca. – Mas eu amo vocês... talvez isso não seja nada diante o que eu fiz, mas é a verdade.
N/A: Oláaa, pessoal!
Millll desculpas pelo sumiço! Eu nem sei explicar o porque de eu ter sumido tanto tempo e sinceramente, eu nem percebi! Dhsudusuhd
Mas, para compensar, no meio ou no fim da semana apareço com um novo capítulo!
Um beijooo a todos e o meu muitooooooo obrigadaaaa!
