6° capítulo
Revigorante
Hermione
O parto é um momento muito confuso, se é que essa é a melhor palavra para definir. São muitas emoções e sentimentos ao mesmo tempo.
Primeiro vem aquela ansiedade. Foram longos nove meses de espera, e eu sentia necessidade de ter Rose nos meus braços, ver seu rosto. Para mim foi como um desespero quase incontrolável. Em seguida, a dor começar a tomar seu corpo, sua mente e sua razão. Eu passei por algumas aulas de parto, mas nada se compara a realidade, e digo isso em qualquer situação. Quando Rose estava quase nascendo foi o momento mais difícil e eu realmente me descontrolei. Rony ficou ao meu lado todo o tempo, e isso, com certeza, foi realmente necessário para mim. Sei que não foi uma experiência boa para você, Rony. Eu judiei de você, bati, gritei, xinguei... Acho que nunca pedi desculpas por isso, então eu o faço agora: mil desculpas.
Finalmente, quando chegou a hora, meu corpo parecia estar anestesiado de alguma forma pela dor que eu já vinha sentindo durante horas. Eu só me concentrava em fazer força e acabar logo com tudo aquilo. Eu já estava cansada, só queria fechar os olhos e dormir. Eu sabia que Rony falava comigo, mas eu não o escutava mais, era mais como um zunido.
Mas logo eu ouvi aquele choro invadir o quarto. Eu fui muito bem recompensada depois de toda aquela aflição. Ela foi colocada ao meu peito, e foi uma sensação maravilhosa! Ela era minha, saíra do meu ventre, fruto da nossa união, Rony. Não poderia existir coisa mais perfeita. Ela era linda e tão frágil. Naquele momento eu sabia, eu faria qualquer coisa para protegê-la.
Rony
Só tenho uma coisinha a declarar: fui socado, arranhado, xingado. Dá para perceber que, apesar de não ter sido eu a dar a luz um bebê, não foi uma experiência muito boa.
(Hermione deu uma espiada no que eu escrevi e começou a falar, falar e falar.)
Tudo bem, morena! Foi só um momento de descontração. Não fique brava! ( Ela também leu isso e bufou, revirando os olhos, e saiu batendo o pé.)
Desculpe pela brincadeira, agora falarei sério. E vou começar relatando a agonia de ver você naquela situação e eu totalmente imponente, sem poder fazer qualquer coisa. Eu sei que estava naquela situação para o nascimento de nossa filha, sabia que não estava sofrendo por um Cruciatus, ou coisa parecida, mas foi agonizante. Acho que é a única palavra que pode definir o que senti.
Eu dei o melhor de mim ficando ao seu lado, lhe dando força. Era o máximo que eu podia fazer, mas ao mesmo tempo era tão pouco! E assim como você, eu já não aguentava mais esperar para o nascimento de Rose. E quando finalmente aconteceu eu confesso que senti uma inveja estranha. Uma inveja boa, se é que isso existe. Fora você que a carregara durante aqueles longos meses, era você que tinha aquele tipo de ligação que apenas a mãe tem com bebê. Foi você quem ajudou aquele ser a se desenvolver e vir a vida com saúde. Eu me sentia como num papel secundário. Sim, eu me sentia assim.
Mas quando eu peguei Rose nos braços pela primeira vez, tudo mudou. Foi algo inexplicável, pois eu sabia que ela também era parte de mim. Eu cuidaria dela dali para frente, junto com você. Ela também era minha, Mione. E aquela pequena inveja simplesmente se dissipou.
P.S.: Hermione, sei que está no quarto e ainda com raiva. Mas isso não vai durar muito tempo. Sei como fazer você ficar mais tranquila.
Harry estava deitado com a cabeça no colo de Gina. Fechou o caderno e se ajeitou.
-Eu entendo bem o que o Rony falou.
-Eu nunca tinha pensando por esse lado. –confessou Gina. –Mas isso não faz da mãe a mais importante ou a mais amada.
-Não é essa a questão. As mães estão em completa ligação com os filhos desde o primeiro dia de gestação. E nós, os pais, só temos a oportunidade de construir essa ligação, nove meses depois. –suspirou. –É difícil explicar... mas isso passa. São apenas pensamentos de um pai assustado, de primeira viagem, com medo de não conseguir fazer tudo certo. –riu.
-Que bom que isso passa. Não me agradaria ter que lidar com um marido com ciúme por, resumidamente, não poder gerar filhos! –brincou, revirando os olhos, e foi pega de surpresa por Harry que a abraçou e a deitou na cama, beijando-a nos lábios.
-Esse final de semana você está livre. –Gina falou acariciando sua nuca.
-Totalmente livre, ruiva. Raridade.
-E o que vamos fazer? –insinuou.
-Podemos levar as crianças ao parque ou em Hogsmeade.
-Hum... Eu tinha pensado em algo mais... –apontou para si própria e para Harry. –Eu e você. –sussurrou.
Harry ergueu uma sobrancelha e sorriu.
-Entendi. –mordeu a pontinha da orelha de Gina.
-Fred e Jorge vão fazer um passeio com os garotos, então pensei que James, Alvo e Lily pudessem ir também. –falou com os olhos brilhando.
-E ter um final de semana inteirinho...só eu e você?-beijou-lhe o pescoço.
-Era isso que eu tinha em mente. –falou num sussurro, puxando Harry mais para si. –Eu e você, naquela pousada, no alto da montanha.
-Você já pensou em tudo. –parou os carinhos e riu.
-É claro que sim. Nós dois precisamos sempre renovar quando se trata do nosso casamento. Não quero cair na mesmice e deixar que tudo, eu digo tudo, ir se apagando aos poucos. Porque eu sei que é isso que acontece com a maioria dos casais. Eu não quero ser como os outros casais, Harry. Daqui a alguns anos os meninos vão para Hogwarts e depois seguir suas vidas e novamente seremos só eu e você.
-Não podemos deixar a chama morrer.
-Isso. –sorriu. –Lembra quando Hermione foi embora? Lembra o que eu te pedi?
-Seja o que for, ou o que aconteça, nós nunca vamos afastar um do outro sem antes conversar e tentar resolver as coisas. –suspirou.
-É isso. –falou com o coração leve.
-Eu nunca vou me esquecer. –garantiu-lhe, e Gina sorriu.
-Bom, já que temos planos para o final de semana, vamos guardar energia. –deu um beijo leve em seus lábios e se levantou.
-Hey! –chamou indignada. Harry piscou para ela e entrou para o banho, deixando uma Gina bufando para trás.
Harry e Rony estavam atolados naquela manhã de quinta-feira. Mas nada que não estivessem acostumados.
-Pelo menos você tem o final de semana. –comentou Rony.
-Acho que merecidamente. –riu.
-Sem dúvidas, meu amigo. O que vai fazer?
-Gina quer dar um passeio. Hum... eu e ela.
-Entendi. –riu. –E os meninos?
-Fred e Jorge vão levar todos para uma espécie de excursão.
-Sério? –perguntou animado.
-Sim. Por quê?
-Talvez... eu poderia ir com eles. Quero dizer... –falou envergonhado. –Eles não se importariam, não é?
-Claro que não! –falou surpreso.
-Seria bom para passar um tempo com eles, ficar mais próximo. Elas me fazem bem e eu sinto falta delas.
-Claro, claro. Acho que é uma grande ideia, Rony.
-Acho que vou ter folga no domingo. Vou mandar uma coruja para Fred mais tarde. –falou com um sorriso de orelha a orelha. Deixando um Harry bastante satisfeito.
Para a alegria das crianças, sábado chegou animado. A Toca era toda excitação das crianças com o passeio do final de semana.
-Aproveitem bastante. –falou Harry com os filhos.
-Não se esqueçam de avisar ao Rony onde estão. –lembrou Gina.
-Ele vai mesmo? É um pouco difícil de acreditar. –comentou Fred.
-Ficar perto das crianças é uma forma de ele ter Rose com ele. Ele percebeu isso e tenho certeza que ele vai. –respondeu Harry.
-Mas ontem mesmo ele era tão resistente! –Jorge falou metafórico.
-Rony nunca vai superar a perda dele, e de alguma forma é difícil para ele ver todos nós com nossos filhos, Jorge. Ele queria Rose aqui, mas não a tem. Era tudo muito recente. Mas agora, penso eu, que ele quer dar a volta por cima. As crianças fazem bem a ele. Ele está descobrindo um caminho para continuar. –falou Gina.
-Isso é bom.-falou Jorge.
-Muito bom. –completou Fred.
-Ok, então vocês sabem: nada de brincadeirinhas, perguntas indiscretas e etc.
-Nós sabemos, irmãzinha! –falou Fred.
-Não precisamos de babá! –falou o irmão gêmeo. – E vê se vocês dois não fazem mais crianças. Não seremos a babá sempre que quiserem sair para seus encontros às escuras.
-Idiota! –xingou a ruiva, porém riu acompanhada de Harry.
Rony chegou tarde na madrugada sábado. Estava cansado, não podia negar. Mas também não podia negar que estava ansioso para passar o dia com os sobrinhos.
Arrumou uma pequena bolsa com alguns pertences e dormiu por algumas horas, a espera que sol raiasse. Logo de manhãzinha, recebeu a coruja de Fred. Era hora de partir. Rony desapareceu num sopro.
Quando Rony se viu num pequeno acampamento, as crianças correram para recebê-lo.
-É bom ter ver aqui, Rony! –falou um dos gêmeos com um sorriso.
A partir daquele momento, não teve cansaço que pudesse destruir a festa que se instalara no local. E Rony podia jurar que, em quatro anos, nunca se sentira tão feliz e revigorado, com a companhia daquelas inocentes crianças.
N/A: Olá, pessoal!
Mais um capítulo para vocês, um pouco mais curtinho dessa vez!
Espero que gostem! ;)
Logo venho com mais um novinho!
Obrigadaaaa a todos, e espero coments!
Beijossssssssssssssssssssssssss
