7º Capítulo: Passos à frente

-E ai cara? –perguntou Rony animado. Largou sua bolsa na mesa e jogou-se na cadeira.

-Temos alguém animado aqui hoje! –comentou Harry aos risos. Rony estava com a face cansada, mas seus lábios sustentavam um enorme sorriso.

-Harry, meu dia ontem foi ótimo! Foi o melhor dia de folga que eu já tive na vida! Eu não me divertia há tempos e não podia ter tomado melhor decisão em ter ido encontrar os meninos. Eu não me sinto assim há anos! –soltou o ar com alívio. –Eles me deram um sopro de vida, Harry. É isso, um sopro de vida. –sorriu.

-Gina, você tinha que ver como Rony estava feliz! Eu não o via assim, desde aquele maldito dia! Foi simplesmente maravilhoso! –Harry contava para a esposa, sua conversa com Rony, mas Gina se mantinha em silêncio e os olhos perdidos no nada.

Harry parou de falar e sentou-se ao lado da ruiva. Pegou uma de suas mãos e Gina pareceu acordar de seu devaneio.

-Desculpa... –sorriu desconcertada. –Acho que Rony está tomando um rumo agora.

-O que foi, Gina? –ignorou seu comentário.

Gina suspirou, brincando com os dedos de Harry.

-Eu estava ouvindo o que você dizia, mas ai lembrei-me de algo.

-O que é?

-Quanto tempo que não vê Hermione? –olhou-o nos olhos.

-Não sei ao certo. Mas deve ter quase dois meses, eu acho.

-Harry, ela nunca ficou tanto tempo sem dar notícias. Eu...eu acho que Hermione foi embora.

Harry franziu a testa com as palavras de Gina.

-Ela não faria isso. –falou num sussurro. –Você sabe que ela é assim, passa tempos sem mandar uma notícia.

-Harry, no começo você falava com ela quase todos os dias e a via três vezes por semana. Depois, passou a vê-la duas vezes, depois uma vez por semana. Até que chegou aos quinze em quinze dias, depois variava em vinte e vinte dias e por ai vai. Mas nunca, nunca chegou a mais de um mês, Harry. Nunca. Tem quase dois meses que ela não manda notícias.

-Isso não quer dizer que ela foi embora, Gina. Para onde ela iria? Hermione não pode ficar sozinha! Ela precisa de alguém. –falou tenso. Levantou-se e começou a andar de um lado para o outro.

-Harry...

-Ela não pode ter feito isso. –correu até o armário e começou a se despir.

-O que você está fazendo?

-Eu vou até a casa dos pais dela.

-Harry, já é tarde.

-Não interessa, Gina! Eu preciso saber que idiotice Hermione fez dessa vez!

-Harry, por favor. –falou se aproximando e segurou seus braços. –É tarde. Se ela não estiver mais lá, ir agora ou amanhã não vai fazer diferença.

Harry relaxou os ombros e abraçou Gina.

-Isso tudo é realmente uma grande merda, Gina. –falou desolado.

Na manhã seguinte, Harry estava pronto para seguir com seus planos da noite anterior.

-Vai me manter informada? –perguntou Gina sentada na beirada da cama, o olhando.

-Assim que eu souber de alguma coisa eu te falo.

-Hoje eu tenho que ir ao Ministério. Nos vemos lá.

-Ok. –beijou-a nos lábios. –Nos vemos mais tarde.

Gina confirmou e o observou até sumir pela porta.

Harry preferiu seguir para a casa dos pais de Hermione de carro, uma vez que o bairro é movimentado demais para se aparatar nesse horário.

Estava com tanta pressa, que às vezes perdia a noção de quão rápido dirigia, com as mãos quase fundindo com o volante. Por sorte, o tráfego estava livre, e o bairro não ficava tão longe do seu.

Estacionou o carro e desceu. A casa de Hermione era no outro quarteirão. Então, antes de ir diretamente a casa dos pais da amiga, Harry seguiu apressado até a casa de Hermione.

Harry tocou a campainha várias vezes, bateu na porta, chamou por Hermione e nada.

-Ei! A casa está vazia. Não tem ninguém ai. –falou um vizinho que varria a rua.

-Você conhecia a moça que morava aqui? –Harry perguntou.

-Só de vista.

-Sabe mais ou menos quanto tempo que a casa está vazia?

-Há uns dois meses mais ou menos. Não tenho certeza.

-Ok. Obrigada. Tenha um bom dia!

Harry caminhava a passos apressados, quase correndo, totalmente atordoado.

Dois meses. Dois meses que a casa está vazia, pensava atordoado.

Quando chegou a porta do Sr. e Sra. Granger, Harry tentou parecer calmo, mas desistiu. Bateu logo a campainha e esperou. Logo, Sra. Granger apareceu à porta, um tanto surpresa por ver Harry.

-Harry!

-Sra. Granger! Faz muito tempo que não nos vemos. –tentou sorrir. –Espero não estar incomodando a essa hora da manhã.

-Não. Claro que não! Só estou surpresa. Pode me dar um minuto?

-Claro.

Harry viu Marre voltar para dentro de casa e falar com alguém que estava nas escadas.

-Vá para cozinha. Eu logo estarei lá. –Harry pode escuta-la falando com sua voz doce e, pela fresta da porta, Harry viu um par de pernas curtas descerem as escadas. Uma criança?

-Eu tô com fome. –Harry ouviu a voz de um menino soar.

-Eu já vou, querido. São só alguns minutinhos. –Marre respondeu e Harry pode ver um garotinho de cabelos castanhos correr até a cozinha.

-Desculpe pela demora, Harry. Estou ajudando uma sobrinha que veio com filho. –falou desculpando-se.

-Sem problemas, Sra. Granger. Na verdade eu não quero tomar seu tempo. Eu vim saber de Hermione. Passei na casa dela e ninguém responde. Um vizinho falou que a casa está vazia há uns dois meses. –disparou a falar.

-Ah, sim. –falou baixo. –Venha, Harry, entre.

Harry aceitou o convite e sentou-se no sofá.

Marre ficou alguns segundos olhando para o olhar desnorteado de Harry. Era um amigo tão bom, se preocupava tanto com Hermione.

-Harry, Hermione foi embora. –falou depois de um tempo.

-Como assim embora? Para onde?

-Ela resolveu ir embora, os motivos me são desconhecidos. Todos esses anos eu tentei entender o que aconteceu, mas ela sempre dizia que era Rose e não falava mais nada. Eu sabia que um dia ela iria se afastar de vez. E infelizmente eu não faço a menor ideia de onde ela esteja.

-Como assim?

-Ela não contou a ninguém para onde ia. Eu só consegui fazê-la prometer que mandaria notícias. E eu as recebo mais ou menos de quinze a quinze dias.

-Então foi por isso que ela me pediu a coruja. –falou entorpecido.

-Sem dúvidas.

-Mas, Sra. Granger, eu vi Hermione, ela não estava nada bem.

Marre sorriu fraco.

-Harry, quantas vezes eu e Paul falamos para mudar de ideia e Hermione simplesmente ignorava. Você sabe como ela é... quando decide algo, nada a faz mudar de ideia.

-Porque não me falaram? Porque não me procuraram?

-Hermione não queria. Ela sabe que você tem grandes chances de achá-la. Ela quis alguns dias a frente.

-Isso não é certo! –exclamou exasperado.

-Harry, eu não sei o que aconteceu naquela noite, não sei o que aconteceu com Rony e Hermione. E apesar de deixar que ela tomasse suas decisões, Hermione não está bem. Entenda, se ela não tomar seus remédios, eu não sei o que pode acontecer. –Marre fungou.

-Não se preocupe, Sra. Granger, eu vou dar um jeito. –falou tentando confortá-la.

-Se ela souber que você a está procurando, Harry, ela vai dar um jeito de sumir novamente.

-Então eu preciso que você não conte nada a ela, Sra. Granger. Eu sei que quer protegê-la, mas ela precisa de ajuda. Deixe-me ajudá-la também. –suplicou.

Marre ficou em silêncio por algum tempo, ponderando o desejo da filha e a necessidade de ajudá-la.

-Tudo bem. Se quiser posso lhe dar todas as cartas que tenho, apesar de achar que não ajude em nada, talvez você ache algo.

-Sim, sim, seria ótimo.

Enquanto dirigia para o Ministério, Harry desejou intimamente ter usado aparatação. Dirigia o mais rápido que podia e quando chegou, correu para a entrada, sem perder tempo.

Enquanto o elevador subia, sua mente não parava de arranjar estratégias. Quando desceu em seu andar, correu e entrou em sua sala, afobado.

-Opa! –exclamou Rony quando o viu.

-Bom dia. –falou respirando fundo.

-Gina esteve aqui umas três vezes te procurando. –falou achando Harry estranho.

-Ok.

-HARRY! –falou Gina.

-Gina! –Harry falou aliviado.

Imediatamente ambos foram para um canto mais afastado e Harry lhe contou tudo o que havia se passado pela manhã.

-Eu te disse, Harry, eu te disse! –falou tentando se controlar.

-Eu sei! Como eu não percebi isso antes? –questionou-se.

-E agora?

-E agora vou atrás dela!

-Hey! O que vocês dois tanto cochicham? –perguntou Rony com a testa enrugada.

Ambos permaneceram em silêncio. Dizer ou não?

- O que está acontecendo afinal de contas? –perguntou novamente, preocupado.

-Hermione foi embora, simplesmente sumiu sem deixar nem uma pista. –Gina revelou.

Por um momento Rony arregalou seus lindos olhos azuis, refletindo.

-Se ela fez isso ela tem seus motivos. –argumentou.

-Rony, se fosse outras circunstâncias, seria diferente. –falou Harry.

-Outras circunstâncias? –perguntou sem entender.

Harry suspirou resignado.

-Quando eu a vi pela última vez, Hermione não estava bem, estava tomando vários remédios trouxas e a Sra. Granger me falou essa manhã que Hermione estava indo a consultas médicas com certa frequência.

-Ela está doente, é isso? –perguntou num fio de voz.

-Sim.

-E o que exatamente?

-Não faço a menor ideia. Ela não me contava. Marre também não soube me dizer o que realmente ela tem. Apesar de acompanha-la nas consultas, Hermione não a inteirava sobre os exames e tudo o mais.

-Isso não é bom.

-Rony, você pode nos ajudar! –Harry falou enérgico.

-Como?

-Tente lembrar algum lugar que Hermione costumava comentar. Algum lugar que ela foi, ou gostaria de ir. Isso pode ajudar muito.

-É verdade. –confirmou Gina.

-Ok. No momento eu não recordo de nada, mas vou tentar.

-HARRY! –Gina gritou assustando os dois homens. –O caderno! Lá deve ter algo!

-Acho que vou ter que ler mais rápido. –comentou seguindo para sua mesa.

Rony ficou estático no mesmo local. O que aconteceria dali para frente?

A partir daquele dia, Harry acelerou a leitura, acreditando que lá poderia ter alguma dica de onde Hermione poderia estar. Mas conciliar família, trabalho, a busca por Hermione e a leitura não era algo fácil. Mas com jeitinho, Harry e Gina conseguiam seguir com a leitura pouco a pouco.

Num certo momento, Harry percebeu que os dias no caderno se aproximavam do dia da morte de Rose. Então ele viu a data e o que parecia ser o último escrito: 12 de fevereiro de 2009, dois dias antes da morte de Rose.

O relato era algo simples e curto, dizendo como Rose era esperta, como ela crescia a cada dia e como estavam felizes. Depois disso, Harry viu várias páginas em branco, até que achou uma página dobrada, com o seguinte escrito: Fim.

Harry folheou o caderno e viu várias páginas escritas e quando observou, estava no alto da página: 14 de fevereiro de 2009. Era o dia que tudo aconteceu.

N/A: Oi, pessoall!

Mil desculpas pela demora, não foi minha intenção ! Mas vou recompensá-los postando mais essa semana, ok?

Um grande beijo a todos e espero que gostemm!

Obrigada pela companhia!