14 de fevereiro de 2009
Era um dia normal. Mais um sábado em que eu , Rony e Rose fazíamos um passeio em família. Tínhamos ido a Toca, à casa dos meus pais e logo a tardinha, quase anoitecendo, já estávamos em casa.
Rose estava cansada e dormia nos braços de Rony. Trocamos sua roupa sem acordá-la e a colocamos na cama. Nós ainda costumávamos ficar horas e horas babando por ela, totalmente hipnotizados. Fizemos isso durante alguns minutos naquela noite, mas logo queríamos aproveitar aquele momento para ficarmos a sós.
Estávamos nos beijando e rindo um do outro quando escutamos um barulho, era como uma explosão, só que um barulho mais baixo. Nós nos separamos e ficamos em silêncio. Segundos depois, ouvimos o mesmo barulho e em seguida o choro de Rose.
Rony arregalou seus olhos para mim e eu apertei seus braços. Ele espiou pela janela que dava para a parte de trás do jardim e eu segui seu olhar. Parte do muro que cercava nossa casa, estava em destroços. Meu coração começou a acelerar dentro do peito e eu só pensava em Rose. Rony parecia pensar o mesmo.
-Hermione, pegue Rose e saia daqui, agora! –falou aos sussurros, mas nervoso.
Eu não discuti. Assenti e corri para o quarto de Rose. Nesse meio tempo, podia ouvir várias vozes no andar debaixo. Vozes que gritavam hora por mim, pelo meu nome de solteira, hora por Rony.
Quando cheguei ao quarto, Rose chorava copiosamente, amedrontada. Eu a peguei no colo, tentando reconforta-la, mas eu tremia e sem que percebesse também chorava.
Rony havia desaparecido, eu não sabia onde ele estava, e não podia deixa-lo ali, sozinho. Eu queria procura-lo, mas também queria tirar Rose dali, o mais rápido possível. Era isso que Rony queria que eu fizesse.
Eu tentava me controlar ao máximo, e fazer a coisa certa. Mas quando me dei conta, lembrei que deixara minha bolsa, com a varinha dentro, na sala. Aquela lembrança fez meu estômago afundar e deixei o desespero tomar conta de mim.
Eu fiquei ali, totalmente paralisada, no quarto de Rose. Ela me perguntava o que estava acontecendo e eu só sabia dizer que tudo ficaria bem. Eu olhei bem para seu rosto: seus olhos no mesmo tom que os meus, seus lábios carnudos como o de Rony, assim como seus cabelos ruivos. Eu sorri e disse: "Eu amo você e não vou deixar nada te machucar." Ela sorriu de volta e beijou minha face. Eu nunca pude imaginar que aquela seria a última vez que eu poderia tê-la em meus braços... viva.
De repente Rony entrou no quarto, afobado.
- O que você ainda faz aqui? –perguntou desesperado.
-Minha varinha está na sala!
-Merlin! Merlin! Eu já chamei ajuda, eles devem estar chegando. Toma leve a minha.
-Rony, eu não posso deixar você aqui, ainda mais sem varinha. –não aguentei e deixei as lágrimas inundarem meus olhos.
-Hermione, por favor, vai logo. Eu vou ficar bem.
Eu vi que ele suplicava esse pedido, e por fim eu acabei cedendo.
Rony ia me passar sua varinha, quando dois homens encapuzados irromperam no corredor. Ele com seu ótimo reflexo começou a duelar com ambos.
-HERMIONE, VÁ AGORA! –gritou e eu corri escada afora. Rose voltara a chorar nos meus braços e eu apenas desejava chegar até a minha bolsa. Vi-a na mesa e a peguei com as mãos nervosas. Mas não dava para abrir. Desci Rose e falei: "Rose, agarre-se a minha perna e não solte. Não se afaste de mim."
Eu podia sentir seu abraço forte, abri a bolsa e senti a madeira entre meus dedos. De repente um estrondo ao lado, jogou-nos contra o sofá. Agarrei a varinha com força, mas eu não sentia mais Rose colada a minha perna.
-ROSE! –gritei antes que minha visão desembaçasse. Ouvi seu choro próximo a mim e me virei. Ela sangrava e eu não sabia exatamente onde, e aquilo me fez ficar mais desesperada. Eu tinha que sair dali o mais rápido possível.
Quando olhei pelo local, a parede da sala também havia sido destroçada. E lá fora eu pude ver, os aurores haviam chegado para ajudar. Eu sorri aliviada, mas isso não durou muito. Escutei passos na escada, pensei que fosse Rony e ergui o corpo como pude e um feitiço me surpreendeu vindo daquela direção, mas eu consegui me proteger atrás do sofá. Porém, Rose estava exposta, eu precisava puxá-la para perto de mim! Olhei para a pessoa encapuzada e ela se aproximava cada vez mais.
E num segundo, quando olhei para o buraco que se formara na sala, vi Rony correndo e mirando a varinha. Vi-o desviar de algum feitiço que era lançado contra ele, e quando percebi sua intenção de acertar o homem que tentava ter acesso a mim e a Rose , eu gritei, gritei o mais alto que eu pude. Mas não adiantou, sua varinha lançou o feitiço enquanto Rony desviava de outro feitiço. Ele estava muito longe! E Rose era a encruzilhada entre os dois, e não tinha nada que pudesse lhe dar proteção contra algum feitiço. Eu tive medo que o feitiço se desviasse e acertasse o alvo errado.
Eu fechei os olhos por um segundo. Tive medo de abri-los. E quando eu o fiz, eu vi, Rose, mais uma vez, caída ao chão. Eu assisti, entorpecida por um momento, seu corpo tremer levemente. Eu não conseguia me levantar, minha perna não se movia então me arrastei sem me importar com a dor.
Rose ainda tinha os olhos abertos quando a coloquei em meus braços. Seus lábios começavam a ficar arroxeados e sua pele cada vez mais branca. Ela parecia agonizar, tentando de todas as formas respirar.
Eu gritei seu nome, tentei fazê-la olhar para mim, mas seus olhos estavam fora de foco e se fechavam lentamente. Eu já não me controlava. Minha visão era embaçada pelas lágrimas grossas. Meu corpo tremia por saber o que aconteceria logo, logo. Eu tentava de todas as formas mantê-la acordada, até que seu corpo parou, ficou imóvel em meus braços.
Eu não sabia o que pensar ou o que fazer. Rose não podia ter simplesmente morrido assim. Isso não era certo, não era justo! Eu não sabia mais o que acontecia ao meu redor, nada mais importava.
Senti alguém ao meu lado e me virei. Rony tinha seus olhos arregalados e vermelhos. E eu só consegui pronunciar quatro palavras: "O que você fez?"
Ele estava confuso, atordoado. Eu podia ver isso.
-O que? –ele me perguntou num fio de voz.
-Você a matou. Você matou a nossa filha. –Eu não sei como consegui falar esses duas frases. E quando elas saíram, eu simplesmente me entreguei a dor de ter assistido meu marido, o pai daquela pequena criança, acabar com sua vida.
-Mione... –ele tentou falar, mas eu o fiz calar.
-Não. –eu falei com minha voz roca. –EU GRITEI VOCÊ! EU GRITEI PARA NÃO JOGAR AQUELE FEITIÇO! VOCÊ NÃO ME ESCUTOU! –gritei o mais alto que pude, e ele se encolheu num canto, chorando compulsivamente.
Como eu poderia olhar para o seu rosto? Como eu poderia perdoar uma atitude precipitada que se resultara em algo fatal?
Eu apertei Rose em meus braços e por um momento, eu só podia escutar o meu próprio choro e o de Rony.
Logo, senti várias pessoas se aproximando, umas gritando assustadas, outras apenas aos sussurros, mas nada era nítido para mim.
Eu não queria largar Rose, não queria sair daquele chão. Eu tinha certeza que a qualquer momento Rose abriria os olhos. Ela voltaria. Eu sabia disso! Era só esperar. Só esperar. Eu sussurrava palavras de carinho em seu ouvido, alisava sua face esbranquiçada e não tão quente mais. Eu pedia para que ela voltasse, mas ela não respondia.
Senti alguém tocar meu ombro. Olhei rapidamente e vi Harry. Ele olhou para mim e eu afrouxei os braços ao redor de Rose. Meus braços caíram ao lado do corpo e o Harry a pegou nos braços.
Me senti sufocada e totalmente envolta pela dor. Eu gritei o nome da minha filha. Gritei o mais alto que pude e com todas as minhas forças até que eu não aguentasse mais e minhas palavras se tornasse apenas um sussurro.
Eu olhei para Rony novamente. Ele se aproximou e eu me arrastei até ele. Eu sabia que ninguém podia nos ouvir e então sussurrei: "Eu não posso te perdoar por isso."
Ele não disse nada. Apenas me abraçou. Nosso último abraço. E por um momento pudemos partilhar o mesmo sentimento de perda.
Eu não me lembro muito bem o que aconteceu depois. Eu fui carregada e sei que em certo momento estava no St. Mungus. As pessoas vinham me ver, mas eu as via como borrões e nada mais. Eu não sei quanto tempo eu ficara naquele lugar. Um dia eu acordei e sabia o que havia acontecido. Eu queria ir embora, ficar sozinha.
Ninguém sabia que fora Rony quem matou Rose. Ninguém sabia que fora o seu feitiço que a acertara e a matara. Eu devia contar, eu devia falar que era ele. Mas eu não podia. Eu não conseguia fazer isso.
Harry me falou que Rony alugara uma casa temporária e que ele me levaria até lá. Eu não me neguei a ir. Quando cheguei, Rony me esperava numa pequena sala. Fechei a porta e éramos apenas eu e ele.
-Hermione...
Eu o olhei com lágrimas nos olhos e desviei o olhar.
-Eu preciso falar com você.
-Eu não quero ouvir sua voz. –falei de cabeça baixa. –Eu não quero olhar para você.
-Vai fugir de novo? Vai deixar as coisas sem explicação?
-Explicação? Eu vi o que você fez! Isso não precisa de explicação! Você-matou-Rose. Essa é a explicação! Por uma maldita precipitação! Você devia ter parado, você devia ter visto que não acertaria o alvo certo! Você deveria ter visto QUE A SUA FILHA ESTAVA NA SUA MIRA! COMO VOCÊ PODE DIRECIONAR UM FEITIÇO SABENDO QUE SUA FILHA PODERIA CORRER ALGUM RISCO? –eu gritava. Queria extravasar toda minha dor e raiva. Eu o culpava. O culpava em todos os sentidos. Mas também sabia que ele sofria. A culpa o consumiria.
Eu respirei fundo e passei as mãos pelo rosto.
-Sinto muito por sua perda. E também sinto muito por ter sido você, quem tirou a vida dela.
Eu não conseguia mais ficar ali. Precisava de um tempo sozinha. Manquei até a escada e subi deduzindo que havia um quarto vazio em algum lugar.
Era simplesmente sufocante ficar ali. Aguentei apenas dois dias. Eu sabia que Rony sempre estava a minha porta, mas o feitiço abafava sua voz de forma que eu não podia ouvi-lo, pois eu não queria. Na manhã do terceiro dia, levantei o mais cedo o possível e deixei um recado na mesa da sala, que tinha escrito: "não dá mais". Fui embora para a casa dos meus pais para nunca mais vê-lo.
Harry podia sentir todo seu corpo tremer. Fechou o caderno com desprezo e ficou ali parado, apenas o olhando.
Então era isso? Harry chegou a cogitar que Hermione culpava Rony pela morte da filha, pensava que era por isso que eles haviam se distanciaram. Mas nunca podia imaginar que Rony matara a própria filha. Isso não podia ser verdade, de jeito algum!
-GINA! GINA! –Harry gritou desesperado.
-Harry, não grite! As crianças já estão dormindo. O que foi? –perguntou ao ver sua feição. –Pelo amor de Merlin, Harry, o que está acontecendo! –exclamou assustada e desceu as escadas rapidamente.
-O Rony...-sussurrou. –Ele...
-Ele...
-Ele matou a Rose, Gina.
-Que piada é essa, Harry? –perguntou rindo.
Harry apenas lhe entregou o caderno e deixou a páginas para que começasse a ler.
Minutos depois, Gina olhava para Harry, totalmente escandalizada.
N/A: Oláaa, pessoal!
Dessa vez fui rápida!
Não sei ainda quando vou postar o próximo... mas vou fazer de tudo para não demorar! Estou inspirada! Rsrs
Bom, esse foi um capítulo muito importante, e agora fica para vocês refletirem sobre o acontecido e analisar, apenas pela visão da Hermione, toda a situação.
Espero que gostem e fico a espera de seus comentários!
Um grande beijo a todos e novamente deixo o meu agradecimento!
:)
