13° Capítulo

Reflexão

Harry chegou exausto, tanto pelo corpo quanto pelo espírito. Subiu as escadas lentamente para não acordar os filhos e a esposa. Porém, quando entrou no quarto, viu Gina andando de um lado para o outro.

-Harry! – exclamou aflita quando o viu. – Graças a Merlin! Já não me aguentava de tanta ansiedade! – o abraçou.

-Eu estou todo suado, Gina. –precaveu-a.

-Não tem problema. –beijou-o nos lábios e tirou seu casaco.

-Está com fome?

-Morrendo. – falou, enquanto Gina se encarregava de desabotoar sua camisa.

-Imaginei. Você demorou. Espero que essa demora tenha tido um resultado positivo.

-É. Eu a encontrei.

Gina parou por alguns segundos e suspirou lentamente sentindo uma onda de medo e alívio.

-Não fala nada agora. Vá tomar um banho que eu vou preparar algo para você comer.

Harry ficou parado olhando-a. Era exatamente aquele olhar que fazia a pele de Gina arrepiar.

-O que foi? –perguntou num sussurro. Harry sorriu.

-Eu tenho sorte. Só isso.

-Você não é o único.

Ambos tinham sorte de ter um ao outro, sorte de poder desfrutar daquele amor, sem empecilhos. E a promessa que ambos fizeram anos atrás, jurando um ao outro que nunca tomariam decisões precipitadas, que antes de tudo sempre haveria a conversa, estava se tornando cada vez mais séria.

Quando Gina voltou ao quarto, Harry já saíra do banho e vestia apenas sua bermuda de dormir.

-Eu só vou dar um beijo nos meninos e já volto.

Minutos depois, quando retornou, Harry sentou-se ao lado de Gina e comeu em silêncio. Estava grato por estar em casa. Mas apesar de cansado, o sono não dava nem sinal.

-Quer mais? – a ruiva perguntou quando viu que Harry acabara de comer.

-Não, obrigada. – sorriu.

Gina colocou a bandeja na mesinha e sentou-se novamente ao lado de Harry.

-Vem aqui. – falou ele a puxando para seus braços.

-Você está bem?

-Não muito, mas estou tentando ficar. E você?

-Não sei. –suspirou e ficou em silêncio por uns instantes. –Acho melhor você dormir.

-Estou sem sono.

-Eu também. Minha mente parece que está entrando em ebulição.

-Sei bem...

-A Hermione viu?

-Não. Não ainda. Acho melhor dar um tempo a ela. No fundo, eu acho que ela sabe o que tem lá.

-E você acha que ela vai ver? – perguntou duvidosa.

-Eu espero que sim. Mas isso não me preocupa tanto.

- Por quê?

-Eu não vou mentir, Gina. Hermione está pior. Ela insiste que não, mas é nítido. Eu quase não a reconheci.

-Meu Deus!

-Gina. – Harry chamou com a feição séria. – Eu tenho medo da reação dela quando assistir como tudo realmente aconteceu.

-Por que você diz isso?

-O que você faria se soubesse que tinha acusado erroneamente a pessoa que ama de ter matado seu próprio filho?

Gina sentiu um arrepio lhe subir pelo corpo.

-Você acha que ela vai fugir de novo?

-Eu pedi para que não fizesse isso. E mesmo se ela o fizesse, não poderia ir muito longe. Feitiço rastreador. –explicou diante do olhar interrogativo da ruiva.

Gina suspirou aliviada, mas ainda sentia aquele aperto no peito que a acompanhava muito nos últimos dias.

-Mas não é em relação a isso que tenho medo. –Harry olhou em seus olhos e ficou em silêncio.

Gina sabia o que ele estava pensando. Mas não pronunciaria aquilo em voz alta e não se atreveria a pensar mais naquela possibilidade. Começou a se agitar, sentia o coração disparar dentro do peito e se levantou de um salto, começando a andar de um lado para o outro.

-Eu não temo apenas pela Hermione, Harry. Tem o Rony... ele é cabeça dura, aliás os dois são cabeças duras! E eu não sei o que ele vai aprontar. Você sabe as ideias dele, sabe o que ele pretende fazer.

-Gina...

-Ele vai fazer besteira! Eu sinto isso! –estava frenética e perdendo o autocontrole que tanto fazia parte de sua personalidade.

-Gina! – chamou mais alto e a pegou pelo ombro. –Respire fundo e se acalme.

-Ok.

-Certo. Nós vamos manter os olhos em Rony e tentar... – frisou. – escute bem, tentar evitar que ele faça algo estúpido. –alisou sua face querendo arrancar todo aquele sofrimento de seu ser e poder prometer-lhe com total segurança que tudo ficaria bem. Mas como prometer algo que ele não sabia como resolver e que não tinha nenhum controle sobre?

-Meu amor, eu não posso lhe prometer nada. –falou num fio de voz, sentindo-se totalmente inútil e totalmente destroçado por dentro.

-Você não tem que me prometer nada. –sorriu, reconfortando-o. –Eles são adultos e são responsáveis por suas decisões.

Gina ficou um longo tempo olhando para a feição do marido. E só naquele momento, naquele mínimo instante percebeu o peso que ele carregava nos ombros. E sentiu-se pior ainda por saber que ela aumentava aquele peso.

-Harry, me escute. –pediu com a voz falha. Sentia que as lágrimas queriam descer. – Nós dois fazemos o possível para manter as coisas em ordem e evitar que mais coisas ruins aconteçam. Você se desdobra em dez para ajudar seus amigos, trabalhar, estar em casa...

-Assim como você. - lembrou-a.

-Eu sei! – falou exasperada. – Mas eu fico jogando esse peso em cima de você, como se fosse sua obrigação!

-Não é nada disso! –falou calmo.

-É sim! É assim, sim! Eu fico jogando as coisas para cima de você como se... como se...

-Como se eu fosse responsável pelo o que aconteceu? – perguntou com a voz dura. Mas não por pensar que era essa a ideia que Gina tinha sobre ele, mas, sim, por ele próprio acreditava nisso.

Gina riu e enxugou o rosto molhado.

-Você não muda. E é exatamente por isso que despejo tudo sobre você.

Harry pode sentir suas mãos tremerem e cair ao lado do corpo. Então não era só ele que pensava assim. Gina riu com a atitude do moreno.

-Acho melhor eu explicar o que está acontecendo aqui. –suspirou. – Eu sou culpada por uma coisa... - aproximou-se e pegou as mãos frias de Harry nas suas. – Meus olhos ainda o vê como aquele que pode dar um jeito em tudo. Aquele que sem perceber, está no lugar certo, na hora certa. Aquele que um dia salvou o mundo.

Sem perceber, Harry sentiu seu corpo relaxar.

- Mas esses são tempos passados. E você é sim culpado, mas apenas por se sentir culpado por tudo de ruim que acontece. Você não é o carma, você é a sorte, Harry. – beijou suas mãos. - Eu já sou grandinha o bastante para acreditar em heróis, mas você é o meu e sempre será. Eu não posso mudar isso. – ficou em silêncio alguns instantes, e falou: -Desculpa.

Harry a puxou para seus braços e a beijou longamente.

-Por um instante...

-E eu não sei?! –sussurrou. –Eu te conheço o bastante para saber o que se passava na sua cabeça. Nós somos uma família, mas não tente carregar um peso que não é seu, Harry. Não é sua obrigação, não é sua culpa e menos ainda foi você quem causou tudo isso. Escute o que eu lhe digo e deixe que essas palavras penetrem na sua mente e no seu coração. Sinta isso, como eu sinto, como todos nós sentimos.

Harry não sabia o que dizer. Mas por um momento pode sentir que as palavras de Gina penetraram em seu ser, como se um novo Harry surgisse.

-Vai ficar tudo bem. –falou sentindo-se esperançoso e a abraçou.


Assim que Harry saiu, Hermione deixou-se cair no sofá. Ela sabia que, apesar de Harry ter acesso a todo tipo de mecanismos de buscas, seria difícil encontrá-la naquele lugar tão remoto. Apenas uma pessoa poderia lhe dar pistas de onde estava. E ela sabia que Rony o fizera.

Mas, provavelmente, Rony liberara aquela informação tão importante, e que ao mesmo tempo parecia não ter importância alguma, após pensar longamente no assunto. Talvez tenha determinado que não diria e de repente mudou de ideia. Talvez Harry e Gina o houvessem pressionado, ou diante do sofrimento do amigo e irmã, ele confidenciara. Qual seria a resposta certa? Era o que Hermione questionava.

Estava cansada. Não, cansada, não. Esgotada. Essa era a palavra certa. Sua cabeça latejava, mas de uma forma ou de outra, não conseguia parar de passar e repassar a conversa que tivera com o amigo.

Estava emocionada e feliz por vê-lo novamente. E por um momento, pareceu a ela que nada havia mudado. Apesar da distância, Harry fora essencial nos últimos quatro anos.

Quando viu os pés de Harry deixarem sua casa, Hermione sentiu todo a escuridão que dominava sua alma voltar a tona. Estava sozinha novamente. Solidão mórbida e necessária. Ela sabia que, a partir do momento que decidira poupar a si mesma, machucava muitos outros. E no final, tornara-se uma covarde. Não conseguia mais olhar a vida de frente. Ela...apenas se escondia.

Esconder, pensou. Quem se esconde atrás da verdade é ele.

-Eu sou uma ameaça para ele. –falou num fio de voz.

Então, percebeu que rodava algo entre os dedos. Olhou para eles e viu o frasco que Harry havia deixado.

-O que tem aqui? –era a pergunta que se instalou em sua mente.

Mas apesar de estar bastante intrigada, via que aquela pequeno frasco como um desafio. Não era apenas um pressentimento. Harry dissera que "não seria fácil". Sentiu um arrepio subir-lhe pela a espinha e suspirou. O que poderia esperar daquela lembrança?

E com isso, lembrou que a magia estava de volta em sua vida. Ela acreditava que praticar magia e ser uma bruxa, não era algo apenas que se desaprendia, mas ela não queria mais aquela ligação, definitivamente. Essa decisão viera num momento tão pleno, como se estivesse apenas ela e a Natureza, respirando juntas, vivendo juntas. Aquela parte já não existia mais em Hermione Granger. Mas agora não teria outra escolha, cumpriria a promessa feita.

Porém, o que Hermione não esperava era que sua vida fosse dar um giro de 360° graus.

N/A: Devo milhões de desculpas para vocês! Sumi, confesso, mas não abandonei! Rotina, vocês devem saber como é, e eu não tinha nada pronto. Então foi pior ainda! Mas já estou preparando os dois próximos capítulos! ENJOY IT! :)

Beijos meus queridos!